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sábado, 22 de junho de 2024

Exploração e assédio às trabalhadoras da fábrica Guararapes

Na fábrica Guararapes, localizada na Zona Norte da capital potiguar, várias são as denúncias de assédio moral e abuso psicológico. No caso das mulheres, as trabalhadoras relatam assédio sexual e limitação do acesso ao banheiro.

Redação RN


TRABALHADORES – O Grupo Guararapes Confecções S.A, maior grupo empresarial do ramo têxtil da América Latina (fábricas de roupas e lojas Riachuelo), de propriedade de Flávio Rocha, lucrou R$ 8,5 bilhões, em 2022, o equivalente a quase R$ 6,5 milhões de salários mínimos (que era de R$ 1.302, à época). Por trás desse faturamento, existem milhares de trabalhadores e trabalhadoras que diariamente costuram as peças de roupa e operam o maquinário fabril.

Flávio Rocha, dono da Guararrapes, foi um dos principais defensores da Reforma Trabalhista que significou a retirada de vários direitos históricos, provocando o aumento do desemprego, da terceirização e do trabalho escravo no país. 

Em 2017, a Guararapes Confecções S/A foi indiciada pelo Ministério Público do Trabalho do Rio Grande do Norte (MPT/RN), após uma inspeção em mais de 50 pequenas confecções terceirizadas de costura do Programa Pró-Sertão – programa financiado pelo Governo Estadual, cujo objetivo é promover a geração de emprego e renda em municípios do interior.

Na realidade, o propósito desse modelo é a terceirização gradativa da produção e a minimização de gastos, facilitando a violação de direitos: quem trabalhou nessas pequenas confecções relata receber salários mais baixos que os trabalhadores contratados diretamente pela Guararapes e atrasos no pagamento do 13° salário e nas férias. A princípio, o MPT multou a empresa em R$ 37 milhões. Já em 2019, uma reviravolta a favor do bilionário: o juiz da 7° Vara do Trabalho, Alexandre Érico da Silva, entendeu que não houve dano moral coletivo e negou a indenização que seria destinada aos trabalhadores.

Hoje, Flávio Rocha continua explorando a força de trabalho de um em cada 80 residentes da cidade de Natal. Na fábrica Guararapes, localizada na Zona Norte da capital potiguar, várias são as denúncias de assédio moral e abuso psicológico. No caso das mulheres, as trabalhadoras relatam assédio sexual e limitação do acesso ao banheiro. Porém, uma grande dificuldade por parte dos trabalhadores é não saberem como fazer as denúncias, já que a empresa faz o possível para se manter fora do alcance das auditorias fiscais e da mídia.

Desprezo pelos que trabalham

Empresários como Flávio Rocha pouco se importam com o bem-estar dos trabalhadores e vão continuar a defender a precarização do trabalho, pois, enquanto houver milhares de operários e operárias produzindo muito por um salário medíocre, melhor será para aqueles que lucram bilhões em cima da exploração de pessoas de forma desumana e cruel.

Por isso, a classe trabalhadora precisa se unir para combater os abusos e a opressão dos patrões. O caso da fábrica Guararapes exemplifica como os órgãos da Justiça são limitados e até mesmo empresariais. Flávio Rocha pode ser o dono do Grupo Guararapes e ter lucros exorbitantes, mesmo sem nunca ter tocado em uma máquina de costura. Mas são os trabalhadores que mantêm as fábricas e as lojas de pé.

Matéria publicada na edição nº277 do Jornal A Verdade.

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