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terça-feira, 16 de abril de 2024

II Congresso do MLC reafirma a greve como saída para os problemas da classe trabalhadora

Congresso Nacional do Movimento Luta de Classes inicia com a presença de centenas de trabalhadores de todo Brasil. Movimento debate conjuntura do país, do movimento sindical e sua organização.

Claudiane Lopes e Pedro Vieira | Nazaré Paulista (SP)


TRABALHADORES – Nesta sexta (18), teve início o II Congresso Nacional do Movimento Luta de Classes, que seguirá durante todo o final de semana, tendo o seu encerramento no domingo, dia 20. A atividade, que teve lugar em Nazaré Paulista (SP), contou com a abertura do grupo Cantorias Populares, entoando a Internacional Comunista, o hino mundial da classe trabalhadora.

Logo após as intervenções culturais, foram abertas as falas. Intervieram os representantes de diversas entidades sindicais. Falaram convidados do SINTAEMA (Sindicato dos Trabalhadores da Água, Esgoto e Meio Ambiente de SP), CUT-SP, FUP (Federação Única dos Petroleiros), DIEESE, SINASEFE (Sindicato Nacional dos Servidores das Instituições Federais de Ensino), ANDES-SN (Associação Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior – Sindicato Nacional) e da FASUBRA (Federação dos Sindicatos de Trabalhadores da Universidades Brasileiras).

Também estiveram presentes o presidente nacional da UP, Leonardo Pericles, e Edival Nunes Cajá, pelo Comitê Central do PCR, além de representantes do Movimento Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), União da Juventude Rebelião (UJR) e Movimento de Mulheres Olga Benario. A mesa foi conduzida por Ricardo Senese, Diretor da FENAMETRO-SP e Raquel Brício, Tesoureira do SINDIPORTO-PA.

A abertura do Congresso contou com a presença de cerca de 500 pessoas na abertura, lotando o auditório do SINTAEMA. Entre as falas e as agitações, ficou evidente a indignação com a retirada de direitos dos trabalhadores e do povo, além da necessidade do MLC crescer sua influência nos sindicatos a partir das lutas e das greves, em especial pela revogação das reformas trabalhista e previdenciária, responsáveis pelo aumento do desemprego e da informalidade, pela diminuição dos salários e a impossibilidade de uma massa de trabalhadores não conseguirem se aposentar.

Congresso debateu a conjuntura do país e do movimento sindical

No segundo dia, já reunidos na Colônia de Férias do SINTAEMA, o congresso começou a sua programação com a saudações internacionais de Centrais Sindicais da Argentina, Equador e México demonstrando a importância do internacionalismo proletário no fortalecimento do movimento sindical revolucionário da América Latina.

Logo após, houve a mesa sobre a conjuntura do país e do mundo, coordenada por Ludmila Ottes, Presidente do Sindicato dos Enfermeiros de Pernambuco e Jaqueline Silinske, professora do Rio Grande do Sul, com a participação de Luiz Falcão, editor do Jornal A Verdade e do Comitê Central do PCR e Leonardo Pericles.

Falcão iniciou sua fala relembrando que o surgimento do Movimento Luta de Classes adveio no momento onde as Centrais Sindicais abandonaram a greve como forma de luta contra os patrões no movimento sindical. Assim, atuando até os dias atuais com uma linha de ação que prevalece a conciliação de classes no sindicalismo brasileiro.

Dessa forma, o MLC nasce como um “grito de resistência” contra essa tendência majoritária no movimento sindical. Infelizmente, esse tipo de oportunismo não é só um problema para direção dos sindicatos, mas também para todos os trabalhadores.

“Veja o exemplo recente da greve das/os enfermeiras/os que não teve o apoio da Federação Nacional dos Enfermeiros e que mesmo assim, houve 13 sindicatos que realizaram greves, começando pelo sindicato dos enfermeiros de Pernambuco, que através da greve conquistaram o seu piso salarial no Estado.”, afirmou Falcão.

Ele reafirmou que sem a greve da classe trabalhadora, a revolução não se desenvolve. “Com a greve, se fortalece a união, organização e a consciência de classe, o proletariado, assim saberá que tudo que existe na sociedade tem a sua mão. Assim, para conquistarmos quaisquer direitos, ou até mesmo, conquistar a revogação das Reformas trabalhistas e da Previdência, é necessário defendermos a Greve Nacional dos trabalhadores para barrar os lucros bilionários da burguesia. A classe trabalhadora organizada de forma revolucionária poderá vencer as forças pelo fim do capitalismo e em suma lutaremos pela construção do socialismo”, finaliza Falcão.

Leonardo Pericles, por sua vez, demonstrou a sua enorme alegria de estar presente no congresso, diante do atual crescimento do MLC. Citou que esteve presente nos congressos FASUBRA, SINASEFE onde atualmente o movimento compõe pela primeira vez várias diretorias. Acredita que muito do nosso crescimento como uma corrente sindical vem casado com a criação da Unidade Popular.

Leonardo Péricles (esq.), Jaquelline Silinske, Ludmila Ottes e Luiz Falcão, na mesa de conjuntura do II Congresso do MLC. Foto: Luiz Monclar

“A nossa atuação na categoria dos enfermeiros, no ANDES e na construção da chapa de oposição Apeoesp são demonstrações claras da nossa atuação no movimento sindical segue no caminho certo. Por isso, é necessário debater em cada núcleo da UP, a organização dos filiados no MLC, como também, importante reafirmarmos que o partido do MLC é a Unidade Popular.”, afirmou o presidente da UP.

Depois das exposições foram abertas as falas para o plenário. Esteban Crescente – Coordenador Geral do Sintufrj, ressaltou em sua fala que a luta contra o fascismo não se resume só prender Bolsonaro e seus cúmplices. Importante entendermos que o fascismo é o responsável por todas as políticas de aumento da exploração e opressão da classe trabalhadora. As reformas e a política de precarização de trabalho são a base de sustentação ideológica do fascismo. Então, a greve, o sindicato revolucionário e as lutas coletivas são essenciais para destruir o sistema capitalista e os patrões.

MLC debateu sua organização

No período da tarde, a mesa foi composta por Julia Andrade (SC) e Samuel Timóteo (PE) para debater sobre a organização do MLC, com informe do camarada da Coordenação Nacional, Vanieverton Anselmo, que destacou a importância dos sindicatos como estrutura de poder para enfrentar a luta contra a burguesia, como também, uma força auxiliar para destruir o sistema burguês.

Vanieverton afirmou que as coordenações nacional, estaduais e municipais devem ser o espaço que debata o trabalho em cada categoria, que se reúnam, façam estudos de formação marxista–leninista, crie comissões de trabalho, como saúde, educação, servidores públicos entre outros.

“Outro ponto fundamental apresentado é a necessidade de fortalecer os núcleos de base nos locais de trabalho e por categoria. Estamos presentes em atos, assembleias e greve de categorias em luta com o jornal A VERDADE, panfletos e jornais do MLC fazem parte da nossa atuação sindical classista e revolucionária.”, afirmou Vanieverton Anselmo.

Mais tarde, ocorreram os grupos de debate, onde foi feita a leitura do texto de Vladimir Lênin “Sobre as Greves” e se debateu sobre os informes da situação de várias categorias. Depois o debate seguiu no Plenário, onde vários delegados e delegadas socializaram suas lutas em seus estados e o compromisso de crescer a participação do MLC nos sindicatos e nas lutas vindouras.

O Congresso finaliza sua atividades neste domingo (20), com a aprovação das resoluções nacionais do movimento e a eleição de uma Coordenação Nacional.

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1 COMENTÁRIO

  1. É com imensa satisfação, alegria e alvissareira expectativa de organização política e das lutas revolucionárias que saúdo aos camaradas pela realização do II Congresso Nacional do Movimento Luta de Classes. A presença e a participação efetiva de centenas de trabalhadores e trabalhadoras de todo Brasil nos apontam um caminho viável e lucido para enfrentarmos as diversas conformações orgânicas de reprodução do capital.
    Esse rico, profundo e avançado debate teórico marxista-leninista sobre a conjuntura brasileira, apresentado e discutido pelo nosso movimento sindical e nossa organização política (MLC) é um farol revolucionário imprescindível para nortear as próximas ações no Brasil e na América Latina, conectado ao movimento internacionalista marxista-leninista da classe trabalhadoras e suas instituições políticas revolucionárias.
    Como bem sinalizou o congresso do MLC, “a greve como saída para os problemas da classe trabalhadora”, nos impõem compreender minimamente os avanços e retrocessos que caracterizam as contradições centrais do governo atual para que possamos construir essa tarefa política revolucionária de convencer as classes trabalhadoras brasileiras da urgência da greve.
    Peço vênia, pois sei que isso foi intensamente discutido no congresso, mas gostaria apenas de citar uma contradição desse “nosso” governo atual que é intrínseca as economias liberais capitalistas em todo mundo: a produção, circulação e a mais-valia concentrada-centralizada numa minúscula parte e que gera inextrincavelmente na outra parte, infinitamente maior, o consumo cada vez mais reduzido, o desemprego, a fome, falta de moradia, saúde, educação, cultura, lazer, as múltiplas formas de violências de raça e gênero e a exclusão da produção e do consumo das populações das favelas nas capitais e nas periferias de todas as cidades médias e pequenas do país.
    Neste exato momento as classes trabalhadoras brasileiras estão perdendo seu poder de compra porque as altas taxas de juros puxam para cima a inflação porque o livre mercado é controlado pela taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e Custódia) é a taxa básica de juros da economia brasileira.
    O governo federal, por meio do Banco Central, criou esse sistema com a finalidade de controlar a emissão, compra e venda de títulos. Para isso, estabelece essa taxa para mediar transações entre os bancos (interbancárias) como lastros em títulos públicos federais para financiamento de operações diárias. As instituições financeiras (basicamente os bancos que conhecemos, as corretoras de valores e bancos de investimento) fazem diariamente o gerenciamento do fluxo de caixa (Fluxo de caixa é o movimento de entradas e saídas de dinheiro do caixa da empresa) coma finalidade de pagar seus compromissos (dívidas).
    A ideia entre os bancos é bem simples, pois os bancos que obtiveram saldo positivo de caixa (entrou mais dinheiro que saiu) emprestam esse dinheiro a mais por um período de 24 horas para os bancos que obtiveram saldo negativo de caixa (saiu mais dinheiro do que entrou). Essa transação é mediada por títulos públicos que serve como garantia e esse movimento bancário é conhecido como operação de fechamento de caixa.
    Aqui entra a função da taxa Selic, pois é obtida a partir da média ponderada dos juros praticados nessas operações de empréstimos entre os bancos mediadas pelos títulos públicos lastrados (garantia do Banco Central) no curto prazo de 01 dia útil. Calcula-se os juros todos os dias e divulga-se diariamente pelo Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC) os bancos lucram horrores de dinheiro com essas transações porque não fazem nenhum centavo de real em investimento.
    Mas a taxa Selic não atua só sobre essas transações bancarias, ela tem relação direta com a inflação. Isso ocorre porque a inflação é medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) que incide sobre a produção, circulação e consumo de toda a economia brasileira.
    A taxa Selic é uma condicionante fundamental na economia capitalista brasileira porque serve para controlar o movimento da inflação (para cima ou para baixo) porque reflete diretamente nos preços, encarecendo o credito (empréstimo de pessoa física) e estimulando a poupança, que força a redução do consumo das famílias, afetando negativamente a maioria da população que vive de salário mínimo, aposentadoria, pensão ou de transferência de renda que, por si só, já não é tão grande seu poder compra e fica cada vez menor a medida que a taxa Selic aumenta.
    Quanto maior for a taxa, maior é a lucratividade dos detentores de capital (Capitalistas) e menor o poder de compra das famílias do mundo do trabalho sem esses capitalistas terem necessariamente investido um centavo se quer para produzir uma agulha. Esse é o fictício mercado de capitais que só se desenvolve destruindo o setor produtivo. Isso explica demissões em massa, redução de salário, assalariamento e o fechamento primária e compulsoriamente de empresas privadas industriais, não obstante o impacto em cadeia todos os setores da economia.
    Com a financeirização da economia mundial, no Brasil que é um pais capitalista periférico esse processo de financeirização não é diferente. O mercado financeiro influencia o comportamento de todos os outros indicadores, a exemplo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Esse índice mede a variação dos preços de um conjunto de produtos e serviços comercializados no varejo e consumidos por todas as famílias brasileiras.
    Nesse sentido, a greve continua sendo o nosso melhor, maior e mais potente instrumento político de lutas sociais para pressionar os capitalistas, suas instituições políticas burguesas e os governos liberais (direita ou de extrema-direita) burgueses a recuar com suas pautas conservadoras, a captura de orçamentos públicos destinados ao social e a escalada de privatizações em todo país. Não obstante, agudizar as contradições do capitalismo com a perspectiva de construção da revolução socialista!
    Um forte abraço e saudações comunistas!

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