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quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Justiça por Marielle e Anderson!

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A trajetória pessoal e política de Marielle sempre foi marcada pela luta contra as desigualdades, o racismo e a violência de gênero. O feminicídio político da vereadora expôs uma rede miliciana de característica racista e misógina, que possui relação com os poderes do Estado e marcou a história política nacional e internacional.

Giovana Almeida | Rio de Janeiro


BRASIL – Marielle Franco, vereadora do Município do Rio de Janeiro eleita pelo PSOL com mais de 40 mil votos, era militante dos direitos humanos e foi executada em 14 março de 2018, na capital carioca, em um crime de feminicídio político ainda não esclarecido pela Justiça brasileira. Na ocasião, também foi assassinado o motorista Anderson Gomes, que trabalhava com a parlamentar.

Ao longo dos últimos cinco anos e meio, houve diversas reviravoltas, falhas e mudanças no comando das investigações, que, até então, apontavam para quem seriam os executores e qual foi a dinâmica do crime. No entanto, não respondiam perguntas fundamentais: Quem mandou matar Marielle? Qual foi a motivação do crime? Por que a demora para concluir o caso?

No último dia 24 de julho, a Polícia Federal anunciou que um dos envolvidos, o ex-policial militar Élcio Queiroz, confessou sua participação no crime e confirmou que o autor dos disparos foi o também ex-PM Ronnie Lessa, que já estava preso. Além disso, forneceu o nome de outras pessoas que atuaram no planejamento e no apoio do crime – dentre elas, o ex-bombeiro militar Maxwell Simões (Suel) –, o que impulsionou as investigações. Porém, ainda que essas novas informações sejam importantes, são insuficientes para responder quem mandou matar Marielle e Anderson.

Assim, diante da demora para obter resultados mais concretos do que havia sido investigado até então, e diante da suspeita de que membros da polícia, próximos a milicianos, estariam influenciando os rumos das investigações, a ex-procuradora Geral da República, Raquel Dodge, solicitou, pela primeira vez, ainda em 2019, a federalização do caso. Ou seja, que a investigação passasse às mãos da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. Na ocasião, a família de Marielle não concordou com a proposta, pois no Governo Federal estava o fascista Jair Bolsonaro e seu ministro da Justiça Sérgio Moro. Nunca é demais lembrar que o executor de Marielle, o PM reformado Ronnie Lessa, era vizinho da família Bolsonaro num condomínio de luxo na Barra da Tijuca.

O pedido de federalização foi negado inicialmente, porém, em fevereiro deste ano (2023), o novo ministro da justiça, Flávio Dino, levou as investigações à alçada da Polícia Federal. Com a mudança no Governo Federal, as famílias de Marielle e Anderson passaram a apoiar a federalização das investigações. Esta medida foi determinante para que se alcançassem os recentes avanços.

Fascismo e violência política 

A trajetória pessoal e política de Marielle sempre foi marcada pela luta contra as desigualdades, o racismo e a violência de gênero. O feminicídio político da vereadora expôs uma rede miliciana de característica racista e misógina, que possui relação com os poderes do Estado e marcou a história política nacional e internacional. Segundo relatório anual da Anistia Internacional, o Brasil é o quarto país do mundo em que mais ocorrem assassinatos de defensores dos direitos humanos.

Nas últimas eleições, em 2022, praticamente todas as candidatas negras sofreram pelo menos um tipo de violência política, segundo mapeamento do Instituto Marielle Franco. Além disso, 67% dos cidadãos brasileiros disseram ter medo de sofrer violência por conta das suas posições políticas, segundo pesquisa do DataFolha.

Essas violências aumentaram nos últimos anos, durante o governo do fascista Bolsonaro, que, em diversas ocasiões, enalteceu torturadores da ditadura militar; incitou o ódio contra a esquerda e os movimentos sociais; fez falas machistas, racistas e LGBTfóbicas; e, após perder as eleições presidenciais, contribuiu para a articulação de uma tentativa de golpe contra a democracia e o povo brasileiro.

Marielle, presente!

Em um dos seus últimos discursos no Plenário da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, Marielle Franco disse: “Não serei interrompida”.

Apesar de seu assassinato ter sido uma tentativa de calar tudo o que Marielle representava, seu legado e sua luta política permanecem vivos. Quem achou que, matando Marielle, calaria os que lutam, perdeu! Sua memória, assim como a de várias outras lutadoras, serve de combustível para todas as pessoas que lutam contra o fascismo, a violência política e as injustiças sociais.

Nossa resposta deve ser espalhar pelo Brasil um chamado para resistirmos à brutalidade, para ocuparmos e transformarmos os espaços de poder. Um chamado coletivo para falar de Marielle, que é também falar sobre um projeto de sociedade que ela representava. Um chamado coletivo para denunciar sua execução, pois falar disso é denunciar o sistema que a matou. 

Vamos seguir lutando pela punição dos fascistas mandantes desse crime e de todos os fascistas que atentam contra a democracia! Não permitiremos que as vozes do nosso povo sejam interrompidas!

Matéria publicada na edição nº 277 do Jornal A Verdade.

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