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segunda-feira, 15 de abril de 2024

O que falta para Bolsonaro ir para a cadeia?

Investigação da Polícia Federal revelou em detalhes esquema criminoso de venda de joias dadas de presente ao governo brasileiro para enriquecer o ex-presidente Bolsonaro e sua família.

Heron Barroso | Redação


BRASIL – Nos últimos meses, a Polícia Federal dedicou boa parte do seu tempo investigando um esquema de enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro montado pelo fascista Jair Bolsonaro enquanto ocupava a Presidência da República. Batizada de “Lucas 12:2” (Mas nada há encoberto que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser sabido”), a operação revelou como o ex-capitão desviou joias e outros bens de valor recebidos em viagens oficiais e os vendeu ilegalmente fora do país.

Segundo a PF, “os investigados são suspeitos de utilizar a estrutura do Estado para desviar bens de alto valor patrimonial, entregues por autoridades estrangeiras em missões oficiais a representantes do Brasil, por meio da venda desses itens no exterior”.

O trambique funcionava assim: joias e presentes que deveriam ser destinados ao patrimônio da União eram surrupiadas pelo ex-presidente e pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Em seguida, o ajudante de ordens da Presidência, o tenente-coronel do Exército Mauro Cid, atualmente preso por falsificar os cartões de vacina de Bolsonaro, vendia os itens nos Estados Unidos com ajuda de seu pai, o general da reserva Mauro Lourena Cid, que foi, entre 2015 e 2017, comandante militar do Sudeste, um dos cargos mais importantes das Forças Armadas. Pelo menos 1 milhão de reais foi arrecadado pelo esquema e entregue em dinheiro vivo a Bolsonaro.

Em trocas de mensagens, o coronel Cid articulava o esquema. “Tem vinte e cinco mil dólares com meu pai. Eu estava vendo o que era melhor fazer com esse dinheiro, levar em cash aí. Meu pai estava querendo inclusive ir aí falar com o presidente, dar abraço nele, né? E aí ele poderia levar. Entregaria em mãos. Mas também pode depositar na conta (…) Eu acho que quanto menos movimentação em conta, melhor, né”, escreveu.

Para a Polícia Federal, “os valores obtidos dessas vendas eram convertidos em dinheiro em espécie e ingressavam no patrimônio pessoal do ex-presidente da República, por meio de pessoas interpostas e sem utilizar o sistema bancário formal, com o objetivo de ocultar a origem, localização e propriedade dos valores”, aponta trecho da investigação.

E agora, o que falta para Bolsonaro ir para cadeia?

Esquema milionário

Entre as joias vendidas pelos Cid em lojas de Miami e Nova Iorque estava um conjunto composto por relógio, abotoaduras, anel, caneta e um rosário árabe em ouro rosé e cravejados de diamantes, da marca suíça Chopard, estimados em US$ 120 mil (R$ 589 mil). Foram vendidas ainda esculturas e ao menos dois relógios, um Rolex Day-Date 18946, produzido em ouro branco, e um da marca Patek Philippe, avaliado em 52 mil dólares (cerca de R$ 250 mil). O valor das vendas ilegais foi depositado na conta bancária do general Cid.

O negócio só não foi mais lucrativo para o ex-capitão porque o Tribunal de Contas da União (TCU) deu falta do Rolex e ordenou sua devolução. Foi então que Bolsonaro enviou seu advogado, Frederick Wassef, às pressas aos EUA para recomprar o relógio, conforme mostra recibo descoberto pelos investigadores. Para a PF, “toda a operação foi realizada de forma escamoteada, fato que permitiu os investigados devolverem os bens sem revelar que todo o material estava fora do país, ao contrário das afirmações prestadas”.

Houve ainda o caso do conjunto de colar e brincos de outro branco e cravejados de diamantes dado pela ditadura da Arábia Saudita ao governo brasileiro, em 2021. Avaliadas em 3 milhões de euros (R$ 16,1 milhões), as joias foram retidas pela Receita Federal no Aeroporto Internacional de São Paulo depois que a comitiva de Bolsonaro tentou trazê-las ilegalmente ao país. Por meses, o coronel Mauro Cid tentou liberar os bens e vendê-los para seu chefe.

Organização criminosa

Essas revelações da Polícia Federal provam que por quatro anos o país foi governado por uma verdadeira organização criminosa, cujo principal objetivo era enriquecer às custas dos bens públicos do povo brasileiro.

A certeza da impunidade era tão grande, que os envolvidos falavam abertamente da falcatrua em trocas de mensagens. Numa delas, Maria Farani, que assessorou o Gabinete Adjunto de Informações de Bolsonaro, pergunta ao coronel Mauro Cid sobre a venda do Rolex: “Quanto você espera receber por ele? O mercado de Rolex usados está em baixa, especialmente para os relógios cravejados de platina e diamante, já que o valor é tão alto”. Na conversa, o coronel confessa que não tinha o certificado do relógio porque “foi um presente recebido durante uma viagem oficial”.

Em outra mensagem, o também coronel Marcelo Câmara, assessor de Bolsonaro, explica para seu colega que o Gabinete Adjunto de Documentação Histórica havia informado ser necessário aviso prévio para a venda de bens destinados ao acervo privado do ex-presidente. O coronel Cid lamenta: “Só dá pena pq estamos falando de 120 mil dólares. Hahaaahaahah” (sic).

Os dois militares também conversaram sobre a venda de um kit de joias enviado à ex-primeira dama. Porém, segundo o coronel Câmara, o conjunto “já sumiu um que foi com a dona Michelle” e, por isso, não pode entrar no esquema.

Para o ministro do STF Alexandre de Moraes esses diálogos “evidenciam que, além da existência de um esquema de peculato para desvio do acervo privado do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (…) para posterior venda e enriquecimento ilícito do ex-presidente, Marcelo Câmara e Mauro Cid tinham plena ciência das restrições legais da venda dos bens no exterior”.

Corrupção

A lista dos esquemas de corrupção envolvendo o fascista Bolsonaro e sua família é extensa. Através do chamado “orçamento secreto”, bilhões de reais deixaram de ser utilizados para construir escolas, creches, casas populares e hospitais e serviram para comprar o apoio dos corruptos deputados do Centrão. Isso sem contar as rachadinhas, as propinas em barras de ouro no MEC, a compra de 51 imóveis em dinheiro vivo e a gastança com o dinheiro público do cartão corporativo da Presidência da República.

Tem mais: quem não se lembra da mansão de R$ 6 milhões comprada pelo senador Flávio Bolsonaro, em Brasília? O palacete tem quatro suítes, hidromassagem, piscina, pisos revestidos de mármores, academia, spa e espaço gourmet. O caçula Jair Renan, que nunca trabalhou na vida, também se mudou para uma imensa mansão no Lago Sul, avaliada em R$ 3,2 milhões, com 1.200 metros quadrados, dois pisos e quatro suítes. O pai desses riquinhos, quando morou no Palácio da Alvorada, não pagava aluguel, vivia fazendo churrasco com picanha de R$ 1.500 o quilo e passeando de jetski nas praias do litoral paulista e de Santa Catarina, tudo à custa dos cofres públicos.

A verdade é que o fascista Bolsonaro fez no governo o mesmo que sempre fez durante os 30 anos em que foi deputado federal. Bolsonaro fala em pátria e família, mas a pátria deles é a corrupção, são as chacinas nas favelas, o orçamento secreto, é atacar as eleições e as vacinas, matar os povos indígenas, roubar as riquezas nacionais e decretar sigilo de 100 anos sobre tudo isso.

Prisão para Bolsonaro

Enquanto o ex-presidente dedicou seu tempo a enriquecer ilegalmente, sob seu governo milhões de famílias amargaram a falta moradia digna, o povo sofreu sem remédios e assistência médica e 33 milhões de brasileiros não tinham comida na mesa todos os dias.

Sem dúvida, muita coisa ainda deve ser revelada. Porém, as investigações precisam ir além dos esquemas de rachadinha e enriquecimento do chefe supremo da corrupção e adorador do bezerro de ouro. É preciso que Bolsonaro e seus cúmplices sejam punidos por todos os crimes que cometeram ao longo de seu governo. A morte de mais de 700 mil brasileiros na pandemia, o genocídio indígena, a farra do orçamento secreto, as privatizações fraudulentas e os planos para impor uma nova ditadura ao país não podem ser esquecidos ou anistiados.

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  1. Lembrando que além de Bolsonaro, sua família e o alto comando do exercito brasileiro envolvido na corrupção em espécie ou cash, temos o banqueiro Paulo Guedes que praticou a corrupção digital no atacado com mais de 1,7 trilhões de reais da divida publica agravado com a alta dos juros do BC, privatização da Eletrobrás, aeroportos, BR Distribuidora, refinarias , Ações da Petrobras e Banco do Brasil , entre outras. Uma verdadeira quadrilha que roubou o nosso país !

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