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terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

50 anos de imortalidade: Zé Carlos da Mata Machado

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Mata Machado, foi uma liderança estudantil em Belo Horizonte nos primeiros anos do golpe militar, foi presidente do Centro Acadêmico Afonso Pena, do curso de Direito da UFMG e em 1968, no Congresso da UNE de Ibiúna, foi eleito Vice-presidente da entidade e preso junto de mais 900 estudantes.

UJR Minas Gerais


LUTAS E HERÓIS DO POVO – “Meu nome é Mata Machado. Sou dirigente nacional da Ação Popular Marxista-Leninista. Estou morrendo. Se você puder, se tiver condições, avise aos companheiros que eu não abri nada.”

No dia 28 de outubro de 1973, o regime militar brasileiro assassinou, em Recife, José Carlos Novais da Mata Machado, militante comunista e mais um de várias e vários que deram sua vida na luta por uma sociedade mais justa.

Mata Machado, foi uma liderança estudantil em Belo Horizonte nos primeiros anos do golpe militar, foi presidente do Centro Acadêmico Afonso Pena, do curso de Direito da UFMG e em 1968, no Congresso da UNE de Ibiúna, foi eleito Vice-presidente da entidade e preso junto de mais 900 estudantes.

Passou-se à clandestinidade e sob ela viveu com sua companheira Maria Madalena Prata Soares no nordeste brasileiro até 1973, quando seu cunhado, agente da repressão, causou o desmantelamento da direção da APML, a prisão de Madalena e seu assassinato.

Estreia de “Zé”

Em 2023, como uma homenagem ao seu legado, foi lançado o filme Zé, dirigido pelo professor da UFMG, Rafael Conde. A estreia aconteceu no Festival Internacional CineBH e contou com a presença do diretor, do elenco e parte da equipe técnica.

“Zé” retrata os anos de clandestinidade de Mata Machado e, além da luta e organização da atuação revolucionária, de maneira sensível aborda suas relações familiares, da preocupação de seus pais e irmãos às dificuldades e incertezas com Madalena e seus filhos.

Passado e Presente

A vida e luta de José Carlos, soma-se a de milhares de brasileiras e brasileiros, que durante a ditadura fascista de 1964 não tiveram dúvida em escolher o caminho da luta contra as injustiças. Neste sentido, reivindicar a memória dessas pessoas é fundamental, para que se lembre do que aconteceu e também para que o exemplo de entrega, disciplina e capacidade de doar o maior bem que uma pessoa pode ter, a vida, por um propósito coletivo, inspire quem vive e luta nos dias atuais.

Mas não é só. É necessário reivindicar a memória, a verdade dos fatos e a justiça pelos crimes cometidos contra o povo brasileiro. Somente assim, é possível enfrentar a impunidade e a violência que se tem hoje, fruto da falta de uma justiça de transição, que responsabilizasse os verdadeiros assassinos, sequestradores e algozes de períodos passados.

Dessa forma, o Filme “Zé”, além de uma obra de arte, é também uma ação direta e de resistência na busca por Memória, Verdade e Justiça. Reforça também como a cultura é também um instrumento de luta por uma sociedade mais justa, livre da fome a da exploração do homem pelo homem.

Por José Carlos da Mata Machado, Helenira Rezende, Manoel Lisboa, Valkiria Afonso Costa e todos aqueles que deram suas vidas pela liberdade dizemos: Nenhum minuto de silêncio, mas toda uma vida em luta!

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