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sábado, 2 de março de 2024

Em uma década, sindicatos brasileiros perdem 5 milhões de filiados

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O sindicalismo  é um instrumento de educação política e mobilização para a classe operária. A perda massiva de membros significa que os sindicatos estão perdendo sua capacidade de atuar como vetores de uma consciência de classe revolucionária

Reinilson Câmara Filho | São Paulo


TRABALHADOR UNIDO – Em uma sociedade marcada pela desigualdade e pela exploração capitalista, os sindicatos sempre representaram um espaço de resistência e luta para a classe trabalhadora.

No entanto, dados recentes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelam uma realidade alarmante: em uma década, os sindicatos brasileiros perderam mais de 5 milhões de trabalhadores filiados. Este declínio é mais do que um simples número; é um sintoma de um mal maior que afeta a estrutura de organização dos trabalhadores.

A Reforma Trabalhista de 2017: um ponto de inflexão

O enxugamento no número de sindicalizados não pode ser compreendido sem se levar em conta a Reforma Trabalhista de 2017.

A extinção da obrigatoriedade da contribuição sindical e a flexibilização dos contratos de trabalho têm desmantelado a organização coletiva, forçando os trabalhadores a arranjos de emprego mais precários e individuais. A reforma diminuiu a participação coletiva dos trabalhadores, enfraquecendo as negociações coletivas que eram um alicerce do poder sindical.

As consequências da desfiliação

O sindicalismo não é apenas uma forma de organização; é um instrumento de educação política e mobilização para a classe operária. A perda massiva de membros significa que os sindicatos estão perdendo sua capacidade de atuar como vetores de uma consciência de classe revolucionária.

Isso se torna ainda mais perigoso em um contexto em que os números de trabalhadores formais crescem, mas sem o respaldo sindical que poderia unir esses trabalhadores em uma frente comum à luta capital-trabalho.

O desafio dos comunistas

Para os comunistas, este cenário apresenta desafios e responsabilidades inegáveis. Se os sindicatos são campos de batalha na luta de classes, então a saída em massa de trabalhadores é uma retirada que não podemos nos dar ao luxo de ignorar.

A luta agora deve ser por reconquistar esse terreno perdido, não apenas para preservar os sindicatos como entidades, mas para reorientá-los como instrumentos da revolução socialista.

É imperativo que os comunistas se engajem na reconstrução dos sindicatos, promovendo a unidade da classe operária e enfrentando a burocracia sindical e o oportunismo que têm corroído estas instituições por dentro.

Por fim, a recente decisão do Supremo Tribunal Federal, que considerou legal a contribuição assistencial, pode oferecer um fôlego financeiro aos sindicatos. Mas o verdadeiro fortalecimento do movimento sindical só virá com o retorno ao engajamento classista e revolucionário.

As massas trabalhadoras precisam ser reconquistadas para a causa sindical, e isso exigirá um esforço coordenado e uma clara orientação marxista-leninista. O tempo para a ação é agora; o futuro da luta de classes no Brasil pode depender disso.

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