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terça-feira, 27 de fevereiro de 2024

Cinco anos dos crimes da Vale em Brumadinho: sócios lucraram com tragédia

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No dia 25 de janeiro de 2019, aconteceu o rompimento de barragens da mina de Córrego do Feijão, localizada em Brumadinho, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG). O ocorrido deixou 273 vítimas fatais, outras milhares foram diretamente violentadas por este criminoso processo de destruição, que também deixou um rombo profundo na fauna e flora brasileira, em rios, espécies, vegetações e comunidades.

Thomás Toledo, Karen Graciella, Abraão Santana | Brumadinho (MG)


BRASIL – Cinco anos depois do rompimento, povos e territórios seguem lutando por justiça, e os grandes interessados nesta verdadeira política de terror seguem o projeto de extermínio de várias formas de vida nos territórios dominados pelos seus interesses.

A mineradora Vale, responsável pelos crimes, fechou o terceiro trimestre (julho-setembro) de 2019 (ano do rompimeto das barragens) com um lucro de absurdos US$ 1,6 bilhões (6,5 bilhões de reais). Em 2023, o lucros seguem apontando mais e mais bilhões em apenas semestres. Onde está todo este dinheiro? Certamente sua grande maioria não está nas mãos dos trabalhadores da empresa, nem tampouco com os demais trabalhadores dos territórios reféns da mineração.


Ato público em Brumadinho. Foto: Maxwell Vilela – JAV

A contaminação da bacia do rio Paraopeba e os ataques sofridos por comunidades tradicionais, povos originários e famílias camponesas são danos irreparáveis. Enquanto os recursos públicos das cidades são sufocados por uma velha política viciada e subordinada aos interesses dos mais ricos, os extraordinários lucros se concentram em representantes do sistema financeiro e financiadores de mortes e destruição.

Indústria do crime

A falta de punição para a empresa gerou uma série de violações neste período, com relatos de perseguição a lideranças comunitárias.
Em entrevista ao site Brasil de Fato MG, Dom Vicente – bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, conta que sofreu ameaça de morte, assim como outras lideranças da bacia do Paraopeba e da represa de Três Marias, constantemente. “Há várias pessoas dos territórios atingidos pelo crime da Vale que estão em programas de proteção de defensores dos direitos humanos. Não estou falando de coisas abstratas. Temos notícias reais de tentativas de homicídios”, afirma o bispo.

Fato é que as instituições e o Estado até então não tiveram firmeza nas punições a esse grupo de privilegiados que seguem operando em território nacional. A luta política necessária junto com a base, nos seus territórios, precisa ser desenvolvida, bem como a estatização do setor da mineração e dos bancos.

Homenagem às vítimas da mineração no público em Brumadinho. Foto: Maxwell Vilela – JAV

5 anos sem justiça

Mobilizações sociais marcaram a semana que completa 5 anos desta barbaridade. No dia 22 de janeiro, houve o “Seminário Cinco Anos sem Justiça – Rompimento da Barragem da Vale em Brumadinho”, na Câmara de Vereadores de Brumadinho, organizado pela Avabrum – Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem Mina Córrego do Feijão, com apoio de movimentos sociais e participação do poder público.

Foi cobrado posições dos representantes das Instituições de Justiça e Poder Judiciário em defesa dos direitos das vítimas, sepultamento digno de vítimas fatais, o reconhecimento dos direitos dos familiares em todas as esferas e que a vida seja colocada na frente do lucro na economia e na política.

Na quarta-feira, 24 de janeiro, aconteceu o evento “Em busca de respostas: Divulgação de dados, estudos e produções elaborados com as pessoas atingidas do Baixo Paraopeba, Represa de Três Marias e Rio São Francisco”, organizado pelo Instituto Guaicuy. Foram apresentados dados que relevam os impactos visíveis e invisíveis do rompimento: a contaminação por metais que afetam as águas da bacia e seus peixes, o aumento dos casos de depressão e ansiedade, e o crescimento da pobreza entre as famílias que tiveram suas fontes de renda comprometidas. Durante o evento, o Instituto e as outras Assessorias Técnicas Independentes que prestam apoio técnico para as comunidades atingidas denunciaram os cortes de verbas do acordo de reparação, que forçaram à demissão de centenas de profissionais do quadro de técnicos das assessorias. E na quinta-feira, 25 de janeiro, a população se mobilizou num ato público em Brumadinho, por justiça pelas vítimas fatais e pela destruição da natureza promovida pelo capital financeiro da mineração.

Leo Pericles, Presidente Nacional da Unidade Popular no ato público em Brumadinho. Foto: Maxwell Vilela – JAV

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