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quarta-feira, 19 de junho de 2024

A pobreza menstrual e o papel do SUS no Brasil

Apesar da grande vitória com a implementação do projeto de distribuição gratuita de absorventes, os movimentos sociais seguem na luta para garantir que o debate sobre pobreza menstrual no Brasil avance sobre temas como permanência estudantil e turnos de trabalho flexíveis para garantir a dignidade das pessoas que menstruam. 

Amanda Moura e Kassiane Eduarda | UJR Petrolina–PE


MULHERES – A menstruação é uma parte natural da vida de milhões de pessoas em todo o mundo. Para a grande maioria, essa experiência mensal é acompanhada por desafios significativos, que permanecem invisíveis aos olhos da sociedade. No Brasil, a pobreza menstrual é uma realidade que afeta um número alarmante de pessoas, destacando questões complexas relacionadas à saúde, educação e equidade de gênero. Uma das principais razões por trás da pobreza menstrual é a inacessibilidade aos itens de higiene menstrual. Muitas pessoas, principalmente em situação de vulnerabilidade econômica, enfrentam dificuldades financeiras para adquirir absorventes ou coletores menstruais. Essa falta de acesso pode levar não apenas a constrangimentos sociais, mas também a problemas de saúde, pois algumas pessoas recorrem a alternativas improvisadas.

Por isso, o Sistema Único de Saúde (SUS) vem desempenhando um papel crucial na distribuição de absorventes gratuitos à população baixa renda, pessoas em situação de rua, estudantes de escolas e universidades públicas ou em vulnerabilidade social extrema. Essa iniciativa prevê cerca de 8 milhões de beneficiados, além de investimento de R$418 milhões por ano, de acordo com o Ministério da Saúde. A lei federal n°14.214 de 2021 foi vetada pelo antigo governo fascista de Jair Bolsonaro, e consequentemente atrasou a distribuição destes produtos higiênicos em 4 anos.

Apesar dessa vitória, fruto da luta dos movimentos sociais, ainda existem desafios à frente. A demanda por produtos de higiene menstrual supera a capacidade e quantidade de distribuição, e a conscientização sobre a importância da dignidade menstrual ainda é limitada em alguns espaços. A abordagem sobre pobreza menstrual deve ir além da simples doação de absorventes, de forma que integre pautas como a permanência de estudantes nas escolas e universidades durante o período menstrual, jornadas de trabalho flexíveis para garantir a dignidade da pessoa que menstrua, etc.

Em resumo, o SUS não é o único responsável pelas campanhas de doação de absorventes, ele desempenha um papel essencial na promoção da saúde menstrual juntamente com os movimentos sociais, como por exemplo o movimento de mulheres Olga Benário e a comunidade em geral. É de suma importância que se aprimore a garantia do acesso a esses produtos, como também a promoção de campanhas e ações sobre os direitos das mulheres e de todas as pessoas que menstruam, combatendo a desigualdade social causada pelo sistema capitalista.

Seguiremos em luta pela dignidade menstrual!

Viva ao SUS!

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