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sexta-feira, 19 de julho de 2024

Nasce a ocupação Damaris Lucena na Zona Leste de São Paulo

A cidade de São Paulo amanheceu, neste sábado (03/02), com uma nova ocupação, Damaris Lucena, organizada pelo Movimento de Mulheres Olga Benario na Zona Leste da capital paulista.

Redação São Paulo


MULHERES – A Zona Leste de São Paulo é o lar de cerca de 4 milhões de habitantes, sendo metade dessa população formada por mulheres que, segundo o Mapa da Desigualdade, sofreram 2123 casos de violência dos mais diversos tipos.

Para atender essas mulheres, a região conta com apenas 3 Delegacias de Defesa da Mulher e 7 Centros de Defesa e Convivência da Mulher (CDCM) que não funcionam plenamente devido ao sucateamento.

Estes últimos funcionam como espaço de acolhimento, mas as próprias trabalhadoras sofrem com péssimas condições de trabalho após o serviço ser terceirizado.

Em defesa da vida das mulheres

Para lutar contra a violência e fornecer apoio às mulheres da região de Arthur Alvim e Itaquera, o Movimento de Mulheres Olga Benario realizou a ocupação de um imóvel abandonado que acumulava dívidas de milhares de reais sem cumprir nenhuma função social – como exige a Constituição Federal.

Enquanto isso, Itaquera (com 334 denúncias), Arthur Alvim (299) e Guaianazes (276) estão entre os bairros mais violentos para as mulheres na cidade de São Paulo.

Se levarmos em conta que as mulheres das regiões mais afastadas podem levar até duas horas para chegar até as delegacias ou CDCMs, será fácil perceber que esses números são subnotificados e que muitas vítimas são obrigadas a conviver com os agressores em situação de vulnerabilidade e violência permanente.

Esses fatos corroboram a necessidade de mais equipamentos para atendimento dessas mulheres. Mas o que o governador de São Paulo – Tarcísio de Freitas – e o prefeito da capital – Ricardo Nunes – fizeram foi justamente o contrário.

Tarcísio desviou 99% do orçamento da Secretaria da Mulher para a Secretaria de Transportes e cortou R$5,2 milhões da verba das Delegacias de Defesa da Mulher.

Já Ricardo Nunes reduziu em 38% a verba para os programas de acolhimento às mulheres vítimas de violência e impediu o acesso ao aborto legal no Hospital Vila Nova Cachoeirinha para agradar os eleitores de extrema-direita. Não podemos esquecer que o prefeito também sofreu acusações – por parte da ex-mulher – por agressão, injúria e não pagamento de pensão alimentícia.

A ocupação Damaris Lucena

Está claro que somente o povo e, em particular, as mulheres podem garantir o direito à vida e a segurança das próprias mulheres.

Com a consciência dessa realidade, cerca de 100 mulheres decidiram transformar o imóvel abandonado em uma Casa da Mulher Trabalhadora – como já aconteceu 19 vezes em todo o Brasil – e assim, organizar as mulheres trabalhadoras pelo fim da violência e garantir atendimento humanizado e de qualidade em um local acessível e seguro, ao lado da principal linha de metrô da capital paulista.

Mulheres organizam prédio abandonado que dará lugar à Casa da Mulher Trabalhadora Damaris Lucena (Foto: Lucas Barbosa/A Verdade).

E mais do que isso, decidiram homenagear Damaris Lucena – mulher nordestina, negra e operária que foi perseguida e torturada por lutar pelos direitos do povo durante a Ditadura Militar.

Damaris teve seus filhos sequestrados pelos torturadores, que os colocaram em abrigos onde foram constantemente atacados por serem “filhos de terroristas”. Depois, foi exilada com seus filhos e criou a filha de Soledad Barrett – assassinada pela mesma Ditadura Militar.

Com a força inspiradora de Damaris Lucena, as mulheres querem garantir que nenhuma mais seja vítima de violência ou morta.

E, para isso, exigem:

Fim dos desmontes, privatizações e terceirizações das Casas de Referências(CRM) e Casas de Convivência e Defesa da Mulher (CDCM) e todas as demais políticas voltadas ao enfrentamento à violência.

Ampliação imediata da rede de atendimento à mulher em situação de violência, a criação de mais serviços de acolhimento, abrigamento e espaços seguros para as mulheres na região, além de serviços que possam funcionar 24 horas.

Programa de Habitação Popular para as mulheres que sofrem violência!

Ampliação da verba destinada à política de atendimento às mulheres vítimas de violência na cidade de São Paulo. Não a redução de recursos para ações e serviços de enfrentamento à violência

Espaço seguro para as mães, trabalhadoras, jovens e crianças do extremo leste.

Fim da violência contra as mulheres e do Feminícidio, Lesbocídio e  Transfeminícidio.

Fim da política fascista de Tarcísio de Freitas e Ricardo Nunes.

Combate à impunidade do golpe militar de 1964 apoiado por Tarcísio! Por memória, Verdade e Justiça. Viva Damaris Lucena!

Fim da exploração das mulheres trabalhadoras! Pelo Poder Popular e pelo Socialismo!

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