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terça-feira, 18 de junho de 2024

Fome afeta 64,2 milhões no Brasil

No final de abril, o IBGE divulgou dados da Pnad Contínua, revelando que 64,2 milhões de brasileiros vivem em situação de insegurança alimentar. Resumindo: O Brasil, que está entre as dez maiores economias do mundo, tem uma em cada quatro famílias passando fome.

Luiz Falcão | Comitê Central do PCR e Diretor de Redação do JAV


Capitalismo e Fome

Implantado no Brasil há mais de três séculos, o sistema capitalista é o maior responsável pela fome, o desemprego e a desigualdade social no país. A classe que se beneficia desse sistema é composta por uma minoria de ricos bilionários, que age diariamente para manter seu domínio e impedir que os trabalhadores e as trabalhadoras saibam a verdadeira causa do seu sofrimento. Por isso, os defensores desse sistema abordam apenas aspectos isolados da política econômica.

Há alguns anos, diziam que se mudasse a legislação trabalhista, os capitalistas investiriam na economia e o país teria milhões de empregos. Com essa mentira, aprovaram a Reforma Trabalhista, que eliminou vários de nossos direitos. Após a reforma, o desemprego continuou e os salários tiveram seu poder de compra reduzido.

Em abril, os comentaristas dos grandes meios de comunicação fizeram um estardalhaço porque a Petrobras não tinha pago os dividendos extraordinários às empresas e especuladores donos das ações da empresa. Não disseram, porém, uma palavra sobre a elevação dos preços da gasolina, do gás, da energia elétrica e dos alimentos.

Agora, promovem debates dizendo que o problema da economia brasileira é o governo não ter um superávit de 0,5% no Orçamento de 2025. Escondem, entretanto, que, neste ano, o país vai pagar mais de R$ 800 bilhões de juros aos banqueiros.

Além do mais, estamos em 2024. Este ano haverá superávit nas contas do governo, e isso não impede que milhões de pessoas estejam desempregadas e que mais de 3 milhões de famílias morem em áreas de risco. Sobre esses déficits sociais, os ilustres economistas remunerados pela classe capitalista não consideram dignos de suas análises econômicas, afinal, são pagos para realizar uma defesa ortodoxa da burguesia e de seu regime. 

No Congresso Nacional, duas dezenas de partidos de direita e de centro-direita aprovaram isenção de impostos para grandes empresas, mas se recusam a debater uma lei para congelar os preços dos alimentos.  

Retrato do Brasil

Os fatos, entretanto, são teimosos. No final de abril, o IBGE divulgou dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), revelando que 64,2 milhões de brasileiros (27,6% da população) vivem em situação de insegurança alimentar. Como é muito feio um país que possui tantas riquezas ter tanta gente com fome, dividiram os famintos em três níveis:
a) Insegurança alimentar leve: famílias que vivem na incerteza de se terão alimentos no futuro: 18,2% dos domicílios.
b) Insegurança alimentar moderada: os lares que reduziram o consumo de alimentos para não ficar sem nada para comer: 5,3% das famílias.
c) Insegurança alimentar grave: domicílios onde há falta de alimentos para adultos e para crianças: 4,1% do total das famílias do país.

Resumindo: O país que está entre as dez maiores economias do mundo tem uma em cada quatro famílias passando fome. Com o transbordamento dos rios e as enchentes que afetaram 437 cidades do Rio Grande do Sul, atingindo diretamente 1,5 milhão de pessoas, mais famílias brasileiras passarão a viver o drama de não ter o que comer.

Mais: cálculos da Fundação Getúlio Vargas (FGV), com base em dados do IBGE, mostram que 17 milhões de brasileiros vivem na extrema pobreza. 

Diante dessa cruel realidade, ditos cristãos defendem a concentração da riqueza nas mãos de uma minoria e culpam os pobres pela miséria em que vivem. O fato é que 37% das crianças brasileiras com até quatro anos não conseguem ter alimentação adequada, então fica uma pergunta a esses senhores: vocês acham mesmo que essas crianças passam fome por que não querem trabalhar ou por que o diabo se apossou de seus corpos?

Comunidade Ilha de Deus, em Recife, sobrevive do marisco. Foto: Davi Queiroz (JAV/PE).

Como acabar com a pobreza?

Essas mentiras são repetidas para esconder do povo que a causa da pobreza é um sistema econômico cujo objetivo não é o bem-estar e a felicidade dos que trabalham e produzem as riquezas, mas garantir que os ricos fiquem ainda mais ricos. De fato, relatório divulgado pela Oxfam mostrou que quatro bilionários brasileiros tiveram um aumento de 51% de sua riqueza, ao mesmo tempo que 129 milhões de brasileiros ficaram mais pobres. (Oxfam, 15 de janeiro de 2024)

 Uma dessas pessoas é Vicky Safra, dona de uma fortuna avaliada em R$ 87,8 bilhões. A senhora Vicky nunca trabalhou na vida, pois, desde 1800, o negócio da família é emprestar dinheiro cobrando juros. Junto com os filhos, é proprietária do Banco Safra e de várias empresas. Mas Vicky Safra quer mais: um dos seus filhos, Alberto Safra, processou a mãe e seus dois irmãos acusando-os de reduzirem sua participação no conglomerado Safra National Bank para se apropriarem de sua herança. A classe rica é assim: rouba do país, do povo e também entre eles mesmos.

O Brasil conta hoje com 18 bilionários entre as pessoas mais ricas do mundo, donos de R$ 14,2 trilhões e com fortunas ligadas ao agronegócio. Mas como essas pessoas ficaram tão ricas? Com certeza, não foi por vontade divina.

Em 1850, o imperador Dom Pedro II assinou a Lei de Terras, determinando o pagamento, em dinheiro, para regularizar qualquer terra no país. Sem dinheiro, indígenas e camponeses perderam suas terras, que foram parar nas mãos dos latifundiários. Hoje, estes senhores são modernos empresários do agronegócio, têm fazendas informatizadas, máquinas para fazer colheitas e contratam empresas terceirizadas que exploram o trabalho escravo. De acordo com a rede MapBiomas, responsável por mapear o uso do solo nacional, a agropecuária ocupa 282,5 milhões de hectares no Brasil. Apenas na Amazonia, a classe rica possui 57,7 milhões de hectares para pastagens, mas há quem critique os povos indígenas por lutarem pela demarcação de suas terras.

Pois bem, diz a Oxfam que o capitalismo não conseguirá acabar com a pobreza nos próximos 229 anos. Eis a questão: esperar mais três séculos para saber se a pobreza acabará no Brasil ou decidir se organizar num partido revolucionário e lutar por uma nova sociedade? Uma sociedade sem ricos e sem pobres, sem crianças e adultos passando fome, e, consequentemente, sem a exploração do povo trabalhador por uma minoria de bilionários.

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