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terça-feira, 18 de junho de 2024

Movimento Olga Benario luta contra despejo da Casa Almerinda Gama

A Casa Almerinda Gama há mais de 2 anos realiza trabalho de acolhimento de mulheres vítimas de violência, porém sofre constantes ataques e uma tentativa de desocupação por parte do governo do estado do RJ.

Redação RJ


MULHERES – A Casa de Referência da Mulher Almerinda Gama, localizada no centro da cidade do Rio de Janeiro, sofre com constantes ataques. A ocupação, organizada pelo Movimento de Mulheres Olga Benario, já existe há 2 anos, e serve como espaço de acolhimento para mulheres vítimas de violência na cidade do Rio de Janeiro, que é uma das mais violentas para as mulheres no país.

O imóvel, estava há quase uma década sem cumprir função social. Hoje, ele pertence ao estado do Rio de Janeiro, que iniciou uma ação de reivindicação de propriedade, que será julgada no próximo dia 11.

Frente a essa realidade, o Movimento de Mulheres Olga Benario organizou uma plenária para organizar a luta contra a desocupação e para garantir a continuidade desse espaço fundamental para a vida das mulheres.

2 anos de luta em defesa da vidas das mulheres

A Casa de Referência da Mulher Almerinda Gama existe desde março de 2022 e é um importante espaço de enfrentamento da violência contra à mulher e de denúncia da falta de políticas públicas no estado e na cidade do Rio de Janeiro.

A ocupação, desde março de 2022, já realizou mais de 100 atendimentos e abrigou mais de 30 mulheres, incluindo também seus filhos. A Casa Almerinda Gama se tornou um espaço fundamental em defesa da vida das mulheres na cidade do Rio de Janeiro.

No entanto, o estado do Rio de Janeiro, ainda em maio de 2022, entrou com processo contra a casa, buscando a desocupação do imóvel pelo movimento.

Desde seu início, a ocupação sofre com diversos ataques e intimidações. Um caso notório é a falta de fornecimento de água pela empresa Águas do Rio, que obrigava a contratação de caminhões-pipa para a manutenção da casa. E foi somente após meses de luta e uma ocupação da sede da empresa que a ocupação recebeu a promessa de que o fornecimento de água seria reestabelecido.

Especulação imobiliária contra a vida das mulheres

Localizada na Rua da Carioca, n° 37, no centro da cidade do Rio de Janeiro, a Casa Almerinda Gama ocupa um prédio tombado pelo patrimônio histórico. Antes uma rua importante do centro da cidade, com diversos comércios, especialmente com bares e lojas ligadas à música, a Rua da Carioca hoje sofre com os efeitos da especulação imobiliária no centro da cidade. Grande parte dos imóveis da rua foram comprados pelo banco Opportunity, que aumentou agressivamente os aluguéis, causando o fechamento das lojas.

No prédio onde se localiza a casa de referência, já funcionou a famosa loja de instrumentos musicais Guitarra de Prata, que, após décadas de funcionamento, fechou as portas nos anos 2000 por conta das práticas abusivas da especulação imobiliária.

Hoje em dia, após a falência do banco, o imóvel pertence ao estado do Rio de Janeiro. Porém, grande parte dos imóveis da Rua da Carioca permanecem fechados e sem cumprir qualquer função social.

Além disso, a região também se insere nos planos do projeto Reviver Centro, criado pela prefeitura do Rio de Janeiro, que busca “revitalizar” o centro da cidade, ampliando o processo de expulsão de famílias pobres e de trabalhadores para as periferias – a chamada Gentrificação – e agradando os interesses das grandes construtoras.

No caso da Rua da Carioca, o projeto da prefeitura é criar a “Rua da Cerveja”, iniciativa que aprofunda o processo de gentrificação da região e ameaça a existência da ocupação.

Pela vida das mulheres!

Desde o início da ação movida pelo Estado, o movimento por diversas vezes buscou a realização de mesas de negociação para tratar sobre o imóvel.

Porém, o governo do fascista Cláudio Castro coloca o lucro dos grandes empresários e a especulação imobiliária a frente da vida das mulheres, e nunca abriu qualquer diálogo com o movimento.

A desocupação não traz nenhuma perspectiva às mulheres e crianças hoje abrigadas na Casa. Pelo contrário. Em muitos casos, a falta de opções pode levar essas mulheres até mesmo de volta às relações de violência que viviam anteriormente.

Em meio a todo esse processo, o Movimento de Mulheres Olga Benario realizará uma série de mobilizações, com panfletagens, confecção de cartazes e faixas e uma manifestação na próxima terça-feira (11), dia do julgamento, em frente ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.

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