UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

domingo, 18 de janeiro de 2026

Na contramão da educação, governo Zema planeja militarizar escolas em Minas Gerais

Leia também

Em direção contrária aos avanços educacionais, o governo de Romeu Zema (NOVO) em Minas Gerais tenta implementar projeto de militarização de 728 escolas estaduais. Entretanto, estudantes e sindicalistas mineiros resistem à tentativa inconstitucional de sucateamento da educação.

Movimento Rebele-se (MG)


No início de julho, a Secretaria de Estado da Educação (SEE-MG) publicou orientações para que as diretorias escolares de 728 escolas da rede estadual adotassem o modelo cívico-militar. Segundo o edital que as continham, as escolas que “manifestarem interesse” em aderir ao projeto, seriam militarizadas. Esse processo se daria através de “consultas públicas” à comunidade escolar (pais, servidores e alunos). Entretanto, apesar de ser aparentemente democrático, a militarização é parte de um esquema amplo das elites econômicas fascistas, que visa sucatear os serviços públicos e a educação mineira, além de oprimir e criminalizar a juventude pobre e trabalhadora.

Projeto da elite e do fascismo

O plano de militarização apresenta as escolas cívico-militares como a grande solução para a situação preocupante das escolas públicas, que produzem baixos índices de aprendizado e aprovação, assim como altos índices de evasão. Para seus defensores, a militarização melhora a escola, pois traz maior “disciplina” e “valores cidadãos e patrióticos” para alunos e professores.

Em outras palavras, serve para enquadrar todos no padrão conservador de “Deus, Pátria e Família”, de imposição da lógica capitalista, que trata os jovens filhos da classe trabalhadora que frequentam a escola pública como dignos, somente, de obedecerem e serem explorados. Por outro lado, a militarização serve para oprimir os jovens LGBT+, neurodivergentes, negros e todos que não se encaixam nesse padrão, além de reprimir todos que não aceitam a se submeter à essa lógica, como jovens que se organizam politicamente em grêmios e entidades estudantis.

Frente a esse discurso, é preciso afirmar que a solução para a escola pública não é a repressão e o conservadorismo. Nossas aulas não serão melhores com militares que ganham o dobro que nossos professores, mas com a revogação do Novo Ensino Médio e professores valorizados. A falta de merenda, de materiais didáticos, infraestrutura e espaços de lazer nas escolas não se resolve com um militar, mas com investimento. Ademais, é incoerente à mesma elite econômica que corta as verbas da educação através de governos como o de Zema, se afirmar como defensora da educação ao propor a militarização.

Implementação

A cívico-militarização em Minas Gerais é a continuação de um projeto iniciado pelo fascista Jair Bolsonaro, intitulado “Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares” (Pecim) que, apesar de ter sido revogado pelo atual Governo Federal, foi abraçado pelo governador Zema (NOVO), para ser implementado no estado.

O processo se deu de maneira atropelada. Com o edital publicado faltando 18 dias para as férias e, simultaneamente, com um prazo de menos de 15 dias úteis para que as escolas fizessem as assembleias de discussão sobre a proposta e as votações. Assim, foi impossibilitado um debate amplo entre a comunidade sobre a militarização, não só pelo curto prazo, mas também por outras denúncias.

Por exemplo, como o ocorrido na E.E Firmino Costa, em que a militarização foi “aprovada” numa assembleia com cerca de 100 pessoas em uma escola com mais de 1.000 alunos.  Além disso, houveram denúncias de votos de cabresto, cédulas sem voto secreto e até mesmo de cerco policial para impedir a entrada de estudantes contrários ao projeto na escola durante o período de votação, como aconteceu em Diamantina.

Rejeição e resistência

Apesar de todos esses absurdos, o povo mineiro não recuou! A militarização e o governo de Minas Gerais foram amplamente denunciados por movimentos sociais, sindicatos de educadores e entidades estudantis, tanto nas escolas quanto em espaços institucionais. Além disso, a grande maioria das escolas nas quais ocorreu a votação rejeitou a militarização!

Desse modo, consequência da resistência ao longo de todo o estado de Minas Gerais e a maioria esmagadora de votos “NÃO!”, o Governo recuou e adiou o restante do processo de implementação da militarização no dia 13 de Julho. Entretanto, este é apenas um respiro, não uma vitória definitiva: Zema e a elite fascista mineira continuam a conspirar o desmonte completo da educação pública, e segue na tentativa de militarizar as escolas.

O movimento estudantil e sindical devem seguir atentos e mobilizados para derrotar de vez esse ataque, exigindo o fim das votações que foram adiadas, a anulação das votações antidemocráticas ocorridas no fim do semestre e a revogação completa deste projeto! Não podemos nos pautar pela democracia fajuta de Zema, mas exigir uma escola popular: com investimento, professores valorizados e grêmios livres. Só a luta popular poderá derrotar essa ofensiva!

More articles

1 COMENTÁRIO

  1. Peguei ar. Mesmo não sendo do estado de Minas Gerais. Não suporto militarismo porque sei exatamente o que é.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimos artigos