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segunda-feira, 6 de abril de 2026

Incineradores de lixo agravam crise ambiental em São Paulo

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Trabalhadores e movimentos sociais se organizaram em Perus para lutar contra o Incinerador de Lixo na região. O projeto da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) busca encher os bolsos de emrpesas privadas enquanto traz riscos ambientais e piora a vida das comunidades na região Noroeste de São Paulo

Victor Brito | São Paulo (SP)


MEIO AMBIENTE – A cidade de São Paulo é a maior geradora de resíduos do país, destinando a maior parte de seu lixo para aterros sanitários. Dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) indicam que o estado possui diversos aterros, sendo a maioria públicos (87,7%) e uma parcela privada (21,3%).

No entanto, os aterros privados recebem cerca de 60,6% dos resíduos, com o maior aterro sanitário da América Latina — localizado no município de Caieiras, na Região Metropolitana de São Paulo — sendo administrado pelo Grupo Solví.

O descarte apropriado de lixos e resíduos é um dos principais desafios ambientais em territórios urbanos. Porém, enquanto nações pelo mundo desativam seus incineradores, a Prefeitura de São Paulo planeja a construção de três Unidades de Recuperação de Energia (URE), popularmente conhecidas como incineradores de lixo.

As localidades previstas são Santo Amaro, na Zona Sul; São Mateus, na Zona Leste; e Perus, na Zona Noroeste, esta última no terreno do antigo Aterro Bandeirantes.

Impactos ambientais

A área escolhida pela Prefeitura, em conjunto com as empresas Loga (Logística Ambiental de São Paulo S.A.) e Ecourbis, para o incinerador em Perus abrange cerca de 140 hectares. A localização é preocupante, pois está a apenas 7 km da Terra Indígena do Jaraguá, habitada pelo povo Guarani Mbya, e próxima ao Refúgio de Vida Silvestre do Parque Anhanguera, uma das maiores áreas verdes da cidade.

A CETESB informa, no documento de aprovação do projeto, que o incinerador vai queimar 1.000 toneladas de lixo por dia. Desse total, cerca de 200 toneladas de cinzas permanecerão e serão descartadas no aterro sanitário do município de Caieiras.

Luta popular em Perus

A proposta da instalação da URE Bandeirantes tem gerado forte mobilização dos moradores de Perus, que vêem a construção de um incinerador como um retrocesso. A comunidade ainda convive com os impactos do antigo aterro sanitário, emissor de gases nocivos e que exigem monitoramento técnico rigoroso, como o metano.

O “Movimento Incinerador de Lixo em Perus, Não”, organizado por movimentos sociais e associações de bairro, tem promovido reuniões e panfletagens para denunciar o projeto. Ele defende a priorização de políticas de reciclagem, compostagem e o fortalecimento das cooperativas de catadores, em conformidade com o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos.

Essa nova batalha reflete uma história de lutas populares na região, que inclui a resistência contra o regime militar e a luta pela anistia após a descoberta da vala clandestina de Perus, além das “Queixadas”, maior greve durante a ditadura, iniciada em 14 de maio de 1962 na Fábrica de Cimento de Perus e estendendo-se até 1969. Após anos de repressão, a comunidade saiu vitoriosa com a garantia de readmissão de 501 trabalhadores, pagamentos de indenizações e salários atrasados.

O movimento ficou conhecido principalmente pela rede de solidariedade e organização de cooperativas para sobreviver sem salário, e seu espírito segue vivo até hoje no bairro.

A alternativa à incineração

A incineração de lixo, apresentada como uma solução simplista para um problema complexo, não trará benefícios à população, mas sim lucros para grandes empresas interessadas em contratos públicos. Estima-se que mais de R$1 bilhão seria gasto com a empresa responsável pelo projeto. As empresas Loga e Ecourbis, por serem privadas, teriam como principal objetivo o lucro, e não a qualidade do serviço ou o bem-estar da população.

A verdadeira solução reside na valorização dos trabalhadores catadores, no incentivo às cooperativas com apoio do setor público e na organização de um sistema eficiente de coleta seletiva. Isso inclui a separação adequada de resíduos, a criação de centrais públicas de compostagem para produção de adubo para a agricultura urbana, e a ampliação de ecopontos e centros de reparo em todo o estado, que também levariam à geração de empregos.

Tudo isso, mais a valorização e o incentivo à educação ambiental continuada nas escolas. O povo precisa decidir: para onde vai o lucro dos incineradores? E por que contratos tão longos de concessão, como os 20 anos propostos para esse projeto bilionário?

É fundamental que trabalhadores, estudantes e comunidades indígenas sejam ouvidos e consultados, sejam realizadas audiências públicas deliberativas sobre os impactos da construção desses incineradores.

Enquanto o dinheiro público é direcionado a iniciativas privadas que prejudicam a qualidade de vida do povo, são os trabalhadores e trabalhadoras que convivem diariamente com a produção e o descarte do lixo, por isso apenas com a construção do socialismo será possível desenvovler alternativas à altua desses desafios

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