Para atingirmos nosso objetivo de realizar uma revolução socialista em nosso país, socializar as riquezas e conquistar o Poder político junto à classe trabalhadora, devemos aprofundar nosso trabalho revolucionário entre as massas. Só com uma profunda influência entre as massas é que podemos ser vitoriosos.
Valentina Spedine – São Paulo
Teoria Marxista – Da mesma forma que não é possível fazer a revolução socialista sem um Partido, também é impossível fazê-la sem as grandes massas do nosso país. Para que a revolução seja vitoriosa, é preciso que a maior parte do povo esteja, se não dentro do Partido, ao menos simpatizante da nossa linha política; é o que nos ensina Lenin.
Além disso, a experiência vivida na luta de classes – nas greves, atos, paralisações, ocupações – também é muito importante para a assimilação do processo revolucionário.
Ao longo de 2025 alcançamos grandes vitórias, e até os últimos dias do ano estivemos junto ao povo na luta por nossos direitos e rumo a construção da revolução socialista.
No entanto, para conquistarmos nosso objetivo final, precisamos acelerar o ritmo e profissionalizar o nosso trabalho de massas, e para isso, precisamos refletir e fazer as nossas autocríticas em relação a construção do nosso trabalho de massas cotidiano.
Afinal, quem é a massa?
Um dos nossos primeiros erros ao desenvolver o trabalho começa na forma como entendemos a massa. A massa nada mais é do que o povo, que vive como nós a mesma exploração, enfrenta as mesmas dificuldades no transporte, com os salários, com os preços dos aluguéis e do mercado.
A massa vive, sente, pensa, reflete, e muitas vezes, são estes filhos do povo, sem Partido, que nos fazem ter as mais profundas reflexões sobre a vida, o trabalho e a justeza da luta revolucionária.
Muitas vezes, ao termos contato com a teoria revolucionária, que nos faz enxergar as raízes da nossa exploração, nos colocamos acima da massa, como se tivéssemos uma vida totalmente diferente por ter acesso a essa compreensão. Esse distanciamento expressa, na verdade, soberba, que se reflete na falta de paciência para conversar com as pessoas, na defensiva de fazer as brigadas do Jornal A Verdade, por acreditar que as pessoas “não vão entender” o que dizemos.
Isso, no fundo, reflete uma soberba daqueles que não acreditam que a massa é capaz de entender aquilo que vive. Cabe a nós romper com essa barreira que nós mesmos criamos.
Trabalho diário, sistemático e contínuo
Apesar de repetirmos essa máxima consecutivamente, ainda temos grande dificuldade de garantir uma continuidade no nosso trabalho – início, meio e fim. Quantas são as panfletagem que fazemos por duas semanas e depois desistimos? Quantas são as conversas com os contatos que coletamos na brigada que ficam sem respostas porque nós esquecemos de responder? Quantas são as eleições nas universidades e escolas nas quais conhecemos estudantes super dispostos a lutar, mas não nos organizamos para voltar no campus e fundar nossos núcleos do Movimento Correnteza e da Rebele–se?
Já paramos para pensar quantos revolucionários perdemos a chance de organizar por esse tipo de falha? E onde está essa falha, se não na nossa falta de organização e no baixo acompanhamento das tarefas que tiramos? Por que consideramos normal simplesmente deixar de cumprir uma tarefa, e não mais prestar contas sobre ela? No fundo, isso mostra não apenas o nosso trabalho artesanal, mas também um profundo ativismo da nossa parte.
No fim, a pergunta que devemos nos fazer sempre que formos refletir sobre esse compromisso que selamos com o povo é: nosso trabalho é verdadeiramente amplo e sério? Nosso trabalho é verdadeiramente cotidiano, sistemático e contínuo?
Amplo, porque não temos mais tempo de ter apenas os trabalhos localizados. A conjuntura nos exige que trabalhemos para alcançar cada vez mais trabalhadores com grandes campanhas de luta. Ao mesmo tempo, isso não significa fazer somente as lutas políticas gerais; uma luta específica, feita e organizada com precisão, pode organizar milhares de trabalhadores e jovens de uma só vez. Nesse sentido, também cabe a orientação que nos dá Lenin: é preciso dar a massa o poder de cumprir as tarefas das lutas, tanto para que cada pessoa do povo possa se sentir pertencente a cada batalha, quanto para permitir que os revolucionários também se foquem nas demais tarefas que ainda devemos desenvolver para a tomada do poder.
Sério, porque o povo, cansado das inúmeras promessas vazias feitas pela burguesia e por sua política fajuta, não vai confiar em nós a não ser que veja, na prática, aquilo que prometemos. A confiança de abrir para o Partido sua vida, sua casa, suas dificuldades, surge conforme nosso discurso se alinha com a nossa prática e levamos o trabalho adiante em qualquer circunstância que seja: nos momentos fáceis, mas também nos momentos difíceis, nas vitórias e também nas derrotas.
Cotidiano, porque não é possível conquistar a confiança do povo construindo nossos trabalhos de massa somente de tempos em tempos. É preciso viver com a massa: conversar sobre todos os assuntos, ir às aulas, nos intervalos de trabalho, almoçar junto – deixar claro que somos iguais, porque de fato somos, e assim, desmantelar a ideia de que só luta quem tem tempo, ou quem tem “mais condições”. A luta já existe na sociedade, o povo brasileiro respira luta diariamente. A diferença é que ter um Partido que organize essa luta direciona nosso ódio
Sistemático, porque não é possível ser um Partido de milhões e almejar grandes vitórias sem um planejamento e, principalmente, sem um controle. Qual a nossa meta? Até quando? Quem são os responsáveis? Quem acompanhará diária, semanal ou mensalmente o andamento das tarefas? De quanto em quanto tempo vamos debater e avaliar o andamento do plano? Quais as mudanças na rotina e nos hábitos que será necessário fazer para cumprir com esse compromisso que selamos nos nossos coletivos?
Por fim, contínuo porque não basta iniciar uma luta e não levá-la até o fim, ainda que não tenhamos uma vitória. Cada luta realizada deve ser avaliada no seu coletivo responsável, para que todo e qualquer militante tenha espaço para colocar seus apontamentos, impressões, medos e sentimentos relativos àquela batalha travada. O mesmo deve ser feito com a própria massa! Afinal, quando fazemos a luta sem levá-la até o fim, o que ensinamos aos trabalhadores sem partido é que não é possível vencer, que a conquista é muito difícil, reforçando a ideia de que a luta não é o caminho…
Camaradas, a conjuntura se acirra e fica cada dia mais claro que a tarefa da revolução não caberá a ninguém mais do que a nós. Se queremos de fato construir esse processo revolucionário e colocar na mão do povo brasileiro aquilo que é nosso por direito, a reflexão sobre o nosso trabalho de massas deve estar na ordem do dia de todos os nossos coletivos.
Cada proposta aprovada, cada palavra dita, não se limitam às quatro paredes da nossa sala de reunião. Nosso trabalho militante não acaba em si. Ingressar na UJR e nas fileiras do nosso Partido, na verdade, nos coloca a profunda responsabilidade de não mais vivermos por nós mesmos somente, mas sim de estar a serviço a todo momento, sempre que necessário, aos anseios da nossa classe e da juventude rebelde indignada com as injustiças desse país. Adiante, camaradas!