UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sábado, 28 de março de 2026
Início Site Página 14

A verdade sobre a violência nas periferias de Santa Catarina

0

Enquanto a extrema direita que governa Santa Catarina se vangloria das posições que o estado ocupa nos rankings nacionais, como o “estado mais seguro do Brasil”, a realidade de violência nas periferias é outra.

Gab Bala e Wilson Májè | São José (SC)


BRASIL – Os moradores das comunidades catarinenses sabem que não há segurança para seus filhos. No ano de 2024, a polícia de Santa Catarina matou 79 pessoas, e em 2025 tirou mais 100 vidas.

Um desses casos ocorreu em 26 de outubro no bairro do Monte Cristo, região continental de Florianópolis, quando a polícia invadiu a casa de Diego, de 16 anos, e de seus avós, e o assassinou, com um tiro de fuzil no peito.

A família, que preferiu não se identificar, relatou o ocorrido. Diego viu uma movimentação na rua e avisou aos avós que tinham alguém na calçada, eles seguiram dentro de casa, mas não imaginavam que teriam sua residência invadida por cerca de 10 policiais.

Arrombaram a porta da casa de madeira e se enfileiram da porta de entrada até o quarto do rapaz, que estava fechada. Bateram na porta do quarto, o menino abriu já de mãos para o alto, rendido, imaginou que os policiais o levariam preso. A avó estava logo atrás do policial, que bloqueava a entrada do quarto do rapaz. Sem hesitar, ele disparou. O tiro atingiu o peito do menino, atravessando-lhe o pulmão, segundo apontou a autópsia. O avô, depois, mostrou as marcas da bala na janela do quarto.

O rapaz foi assassinado em seu próprio quarto, na frente dos avós e de sua namorada, que a princípio se escondia atrás da porta, o avô mostrou o local, e relatou que só via o sangue se espalhar pela cômoda, contou ainda que depois o policial pisou no pescoço do menino para se certificar de sua morte.

Polícia agrediu familiares de jovem assassinado

Depois do tiro, os policiais expulsaram a família de dentro da própria casa. A avó relatou que a imobilizaram e a obrigaram a sair. Enquanto a família ficou lá fora, disseram que a polícia passou de 20 a 30 minutos revirando o quarto do rapaz “eles jogaram tudo ‘as roupas’ dele pela janela, não ficou nenhuma melhorzinha pra gente vestir nele para o enterro”, contou a avó.

A polícia alegou que o menino portava arma, e houve troca de tiros, mas os avós afirmaram que sempre olhavam o quarto do menino e sabiam que ele não levaria isso pra lá pela segurança dos avós. “A gente ficava com medo quando ele saía, pedia pra Deus pra cuidar dele, aí esses vermes vieram e entraram na casa da gente” a avó conclui, em meio a lágrimas.

Os jovens da ocupação Anita Garibaldi, no bairro vizinho ao que ocorreu o assassinato, relataram o susto ao saber do caso, pois costumavam jogar bola na quadra do bairro com Diego, vítima da violência policial “eles não perdoam ninguém, e eles tão por aqui o tempo todo” afirmou um dos jovens sobre a polícia, filhos da companheira coordenadora do MLB em Santa Catarina.

Uma das camaradas do núcleo do MLB do bairro onde Diego morava também nos relatou sobre o caso. “Ele era um menino bom, brincava com meus filhos na praça aqui, a polícia que é covarde” e completou concordando com a necessidade de crescer as lutas do MLB e da UP para mostrar que aquele é um bairro de luta e de trabalhadores.

“Nossas crianças temem os policiais mais violentos da comunidade citando seus apelidos – dados pela comunidade, ‘zoio azul e bigodinho’. Somos chamados de ‘acolhedores de bandidinhos’” relata funcionários do CEDEP, instituição religiosa que acolhe a comunidade com oficinas e formação de Jovens Aprendiz.

Violência em Itajaí

Em Itajaí, as famílias que vivem na comunidade do Matadouro também sofrem com ações truculentas da polícia, desde que a operação “Recomeço” ocorreu na comunidade trabalhadores não têm tranquilidade: sofrem esculachos e ofensas constantemente nas portas de suas residência e os trabalhadores temem por suas vidas e de seus familiares.

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), além de disseminar discursos de ódio em suas redes sociais e investir na compra de armamentos israelenses para equipar a Polícia Civil e Militar, agora demonstra apoio ao massacre eleitoreiro promovido por Cláudio Castro (PL), que resultou em mais de 130 mortes sob a justificativa de combate ao crime organizado.

A violência contra o povo e a resistência popular

Se o real objetivo fosse combater o crime organizado, as investigações começariam pelos episódios que envolvem grandes apreensões, como as drogas encontradas em aeronaves da FAB, no governo Bolsonaro e no “helicóca” – apelido dado ao helicóptero apreendido – associado Aécio Neves e a família Perrela, e pelas operações nas áreas de alto poder aquisitivo, como a Faria Lima e no setores financeiros.

Não existem refinarias de drogas nas favelas nem fábricas de armamentos nas comunidades: a violência e o tráfico em larga escala têm outras raízes e responsabilidades. Essa encenação busca, na verdade, pautar as eleições de 2026, alimentando uma agenda fascista de extrema-direita que pretende aterrorizar nosso povo e impedir nossa organização coletiva.

Só com organização do povo trabalhador e morador de comunidade libertaremos nossos povo. Palmares nos mostrou o caminho: devemos construir o Socialismo e acabar com a burguesia e sua cúpula de criminosos.

Trabalhadores da limpeza urbana em luta por direitos em Várzea Grande (MT)

0

Trabalhadores da limpeza urbana entram em greve na cidade de Várzea Grande (MT), denunciando a falta de direitos trabalhistas e a incerteza quanto à continuidade dos contratos.

Giovanna Camolezi | Redação MT


TRABALHADOR UNIDO – Os trabalhadores da limpeza urbana de Várzea Grande iniciaram uma manifestação no dia 19 de janeiro, reivindicando direitos trabalhistas e respostas sobre as rescisões contratuais. Lideranças dos movimentos afirmam que a prefeitura está há mais de seis meses sem pagar as empresas responsáveis pelo serviço, o que gerou insegurança quanto ao recebimento das verbas rescisórias e à continuidade dos empregos.

A falta de pagamento impediu que a empresa anterior quitasse as verbas rescisórias dos funcionários. Sem esses valores, os trabalhadores afirmam que não conseguem encerrar formalmente os contratos antigos, o que impede a assinatura da carteira de trabalho com a empresa atual, contratada pela prefeitura. Essa situação gerou enorme revolta entre os trabalhadores, que decidiram cobrar explicações diretamente da prefeita.

Os trabalhadores se manifestaram em frente à prefeitura e foram recebidos com truculência pela Guarda Municipal, que retirou o carro de som e impediu a continuidade da manifestação. A prefeita Flávia Moretti (Partido Liberal) esteve no local e declarou que resolveria a questão contratual, garantindo que se reuniria com os garis no dia seguinte.
Como esperado de uma fascista, a prefeita viajou no dia seguinte e ignorou a situação dos trabalhadores da limpeza urbana, declarando posteriormente que só pagaria os valores devidos aos garis mediante processo judicial.

A luta continua

Não intimidados pela hostilidade da prefeita nem por suas ameaças, os trabalhadores seguem mobilizados e declararam greve na manhã desta terça-feira (20/01), ocupando o espaço de entrada e saída dos caminhões de coleta da empresa atualmente responsável pelo serviço, a Pantanal, para conquistar seus direitos.

Atualmente, não há nenhuma perspectiva de rescisão de contrato com a antiga empresa, Alocar. Para complementar a renda, os trabalhadores estão realizando bicos e, inclusive, diárias na Pantanal, que não possui trabalhadores contratados suficientes.

Os trabalhadores denunciam a falta de segurança e de estabilidade contratual. “Se na época em que a gente era CLT, quando acontecia um acidente ninguém vinha nos visitar, agora, na diária, a gente pode perder tudo, porque a prefeita deu calote em todo mundo”, relatou um trabalhador ao jornal A Verdade.

Quando o povo for dono das fábricas essas situações não irão mais acontecer, por isso, o Movimento Luta de Classes e a Unidade Popular pelo Socialismo se somam a esta luta, pois somente a luta há de mudar a vida do povo.

Ester: mais uma menina assassinada no DF por simplesmente existir

0

O feminicídio de Ester, de apenas 14 anos, cometido pelo padrasto no Distrito Federal, não é um caso isolado: é a expressão extrema de uma violência estrutural que segue matando mulheres e meninas todos os dias no Brasil.

Bárbara Calista


No último domingo, 18 de janeiro de 2025, Ester Silva, de apenas 14 anos, foi estuprada e assassinada dentro da própria casa, em Planaltina (DF), pelo padrasto, Marlon Carvalho da Rocha. Um crime brutal que revela, mais uma vez, a face cotidiana da violência que atinge mulheres e meninas no Brasil.

A violência contra as mulheres não é um desvio, é um projeto sustentado por um sistema que naturaliza a nossa desumanização. Apenas no primeiro semestre de 2025, quatro feminicídios foram registrados por dia, segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero do Senado. No Distrito Federal, a realidade é igualmente alarmante: em 2024, uma mulher foi assassinada a cada 12 dias; em 2025, 25 mulheres foram mortas simplesmente por serem mulheres, de acordo com dados do 19° anuário brasileiro de segurança pública e da secretaria de segurança pública do DF.

Ester tinha sonhos, futuro e uma vida inteira pela frente. Teve tudo arrancado de forma cruel. Estamos cansadas. Cansadas de abrir os jornais e encontrar, todos os dias, novas histórias de estupro, violência e morte. Cansadas de um Estado que diz nos proteger, mas falha em garantir nossa segurança até mesmo dentro de casa. Essa violência não é acaso: é o capitalismo sustentando uma cultura de ódio às mulheres e transformando nossos corpos em territórios de violação.

Não queremos notas de repúdio nem discursos vazios. Queremos o fim da violência contra mulheres e meninas. Queremos viver sem medo. Sem medo de estar em casa. Sem medo de sair às ruas. Lutamos por trabalho digno, acesso à educação, lazer e por uma vida livre de exploração e violências.

É por Ester, por Ana, por Eliana e por todas as mulheres que tiveram suas vidas interrompidas. A luta pelo fim da violência é inseparável da luta pelo fim do capitalismo e pela construção do socialismo.

Seguiremos firmes, ocupando as ruas, fortalecendo a organização popular e a resistência das mulheres que não aceitam mais morrer, silenciar ou recuar.

A família de Ester está organizando uma ação coletiva para custear o velório, pois não possui condições financeiras de arcar com os custos. PIX para contribuição: 66503752172

Justiça para Sarah e toda juventude!

0

Sarah dedicou toda sua vida a essa batalha como militante do Partido Comunista Revolucionário e da União da Juventude Rebelião. Por isso, honramos sua memória e dizemos com firmeza: Sarah presente! Hoje e sempre!

Coordenação Nacional da UJR


JUVENTUDE – Segundo o Atlas da Violência 2025, mais de 300 mil jovens foram mortos violentamente em dez anos (2013-2023) no Brasil. A violência urbana e o medo fazem parte do cotidiano de milhões de brasileiros, em especial nos bairros pobres, que enfrentam o domínio e as disputas entre milícias, facções e forças policiais. Sair de casa para trabalhar ou estudar ouvindo barulhos de tiros é uma realidade para muitos de nós.

O sistema capitalista permite que essa violência se perpetue. O tráfico de armas e drogas e a extorsão de populações inteiras (através da exploração de serviços de internet, comércio de gás, etc.) movimentam muito dinheiro e não acontecem sem a anuência de autoridades de todos os poderes. Recentemente, por exemplo, vereadores de cidades do Estado do Rio de Janeiro foram presos suspeitos de manter relações com diferentes facções criminosas.

Os casos de corrupção nas forças policiais também se multiplicam. Tribunais do crime, violência policial, feminicídios – tudo isso tem vitimado a juventude brasileira a uma taxa que alcançou cerca de 60 mortes violentas de jovens por dia.

Em 23 de janeiro, lembramos a memória da jovem estudante Sarah Domingues, mais uma vítima dessa violência. Sarah foi assassinada em Porto Alegre (RS), há dois anos. Na ocasião, fazia uma pesquisa acadêmica para seu Trabalho de Conclusão de Curso, necessário para concluir a graduação em Arquitetura pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). A pesquisa de Sarah abordava as enchentes que assolam o bairro de Ilha das Flores e os efeitos das mesmas para a população pobre da região.

Sarah, como diretora da União Nacional dos Estudantes (UNE), lutava incansavelmente para que os estudantes da UFRGS tivessem garantido seu direito à educação pública e de qualidade.

Ela defendia o socialismo, um sistema econômico e político em que toda a riqueza do país é convertida para a sua população trabalhadora e não para o enriquecimento de grandes empresários e políticos aproveitadores, uma sociedade que dê fim a todo tipo de violência e exploração.

Sarah dedicou toda sua vida a essa batalha como militante do Partido Comunista Revolucionário (PCR) e da União da Juventude Rebelião (UJR). Por isso, honramos sua memória e dizemos com firmeza: Sarah presente! Hoje e sempre!

Matéria publicada na edição impressa Nº 327 do jornal A Verdade

Sequestro de Nicolás Maduro é ato terrorista do Governo Trump

0

Na madrugada do dia 3 de janeiro, uma violenta operação militar dos EUA, resultou na morte de cerca de 100 pessoas e no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores.

Rafael Freire | Redação


EDITORIAL – Na madrugada do dia 03 de janeiro, um ataque terrorista das Forças Armadas dos Estados Unidos aniquilou a vida de cerca de 100 pessoas na Venezuela para sequestrar o presidente do país, Nicolás Maduro (63 anos), e Cilia Flores (69 anos), advogada, ex-deputada e esposa do presidente. Ambos sofreram ferimentos (Maduro, na perna, e Cilia, na cabeça e nas costelas) e estão presos num presídio em Nova York. Estima-se que outros 100 cidadãos venezuelanos ficaram feridos devido aos bombardeios lançados sobre residências e instalações militares na capital Caracas e nos estados de Miranda, Aragua e La Guaira.

Do total de mortos, 74 eram militares, a maioria responsável pela Guarda Presidencial, que combateu a Força Delta estadunidense por quase duas horas no Forte Tiúna, principal alvo da “Operação Resolução Absoluta”. Segundo as informações oficiais dos seus respectivos governos, 42 militares pertenciam às Forças Armadas Nacionais Bolivarianas da Venezuela e 32 às Forças Armadas Revolucionárias de Cuba.

O jornal A Verdade teve acesso a documentos que indicam que a CIA infiltrou agentes na alta cúpula do Governo (civil ou militar), o que levou à localização exata onde Maduro se encontrava. Quem entregou a cabeça do presidente numa bandeja – em troca de um punhado de dólares –, cometeu ato de traição à Pátria, pois, na verdade, entregou a soberania do povo venezuelano às garras do imperialismo.

Intervenção militar imperialista

A agressão dos EUA à Venezuela foi extremamente violenta. Segundo informou o Ministério do Interior venezuelano, “as explosões foram tão fortes que há pessoas que não se sabe onde estão. Pessoas fragmentadas de tal forma que é impossível identificá-las. O DNA de restos humanos encontrados estão sendo analisados. Um ultraje completo enquanto as pessoas dormiam”.

Muitos inocentes foram assassinados pelas bombas do presidente fascista Donald Trump. Uma delas é Rosa Helena González, de quase 80 anos, assassinada por um míssil que atingiu o prédio onde morava, em Catia La Mar. “De madrugada, ouvimos as explosões e as moradias estremeceram. Decidimos evacuar o edifício. A maioria já havia saído quando o míssil atingiu o prédio”, relata Jonathan Mayora outro morador. “Lembro dela como uma mulher trabalhadora e colaboradora com a comunidade”, acrescentou em depoimento ao veículo La Hora de Venezuela.

Wilman González, de 54 anos, eletricista e sobrinho de Rosa, conta: “Eu me levantei e fui socorrer meus irmãos aturdidos com o impacto, que foi tão grande que uma máquina de lavar saiu voando e caiu em cima da minha tia. Havia uma máquina de lavar em cima dela! Consegui colocá-la sentada em uma cadeira. Neste momento, ela disse que não conseguia respirar”. Rosa chegou a ser atendida num hospital, mas não resistiu a uma parada cardíaca.

Os objetivos de Trump na Venezuela

Os diversos governos dos Estados Unidos, que se autodeclaram como maiores defensores da paz e da democracia, não têm o menor pudor em usar seu enorme arsenal militar para impor sua vontade aos povos e nações, como fizeram no Iraque, no Afeganistão, na Síria, na Líbia e, mais recentemente, na Faixa de Gaza, onde mais de 70 mil palestinos foram assassinados das mais formas mais desumanas pelo Exército nazista de Israel, com total apoio político, militar e financeiro da Casa Branca.

Da mesma forma que fizeram em 2003, quando mentiram ao mundo dizendo que o Iraque possuía armas de destruição em massa para justificar a invasão daquele país, desta vez, os Estados Unidos criaram a falsa narrativa de que o presidente da Venezuela era chefe de um cartel de drogas internacional.

Porém, segundo a organização venezuelana Unidade Popular Revolucionária Anti-imperialista (Upra), em entrevista ao jornal A Verdade, “somente 5% das drogas que saem da região fazem isso através da Venezuela. Isso já desmente o discurso de Trump, já que se ele realmente estivesse interessado em combater o tráfico de drogas, desenvolveria iniciativas sociais em seu próprio país, controlaria os navios que chegam aos portos e colocaria inteligência no Pacífico, onde 95% do dinheiro sai, e não nas costas do Caribe venezuelano, onde o tráfico é mínimo”.

No dia seguinte ao sequestro, os EUA não só retiraram essa acusação, como o ditador Donald Trump admitiu seu verdadeiro objetivo: “O petróleo venezuelano será explorado por empresas americanas e ‘voltará a fluir’ com petroleiras dos EUA à frente das operações e da infraestrutura do país”, que pretende instalar no país as empresas petrolíferas estadunidenses para “consertar a ineficiência da produção do petróleo”. Ele também deixou claro que sua intenção é administrar a Venezuela “até que tenhamos certeza de uma transição segura”.

Eis, porém, a verdade:

Os EUA são o país que mais consome e lucra com o tráfico de drogas em todo o mundo. Invadiram a Venezuela e sequestraram seu presidente porque querem transformar o país novamente numa colônia e entregar todo o petróleo venezuelano (a maior reserva do mundo, estimada em 300 bilhões de barris) aos monopólios estadunidenses do petróleo Chevron, ConocoPhillips, Devon e ExxonMobil, que já ganham imensas fortunas explorando os trabalhadores e roubando o petróleo do Iraque, da Síria e do Brasil, entre outros países.

Além disso, com essa invasão, Trump pretende intimidar os demais países da América Latina e, em particular, seus atuais governantes, para que se curvem à vontade dos EUA e entreguem suas riquezas naturais aos monopólios capitalistas.

O fato é que o imperialismo não é apenas inimigo dos povos da América Latina, como profundamente antidemocrático, terrorista e fascista.

A fraqueza do imperialismo

Ao contrário do que afirmam o ditador Trump e os grandes meios de comunicação da burguesia, o discurso e as ações do Governo dos EUA não são um sinal de sua força, mas sim de sua decadência.

De fato, o sistema imperialista-capitalista vive a maior crise desde 1929 e, por isso, recorre à guerra para proteger os lucros da burguesia e impor sua vontade aos povos. Não é à toa que Lênin, em seu livro Imperialismo, fase superior do capitalismo, o classificou como “capitalismo agonizante”.

Por isso, esse crime dos EUA contra a soberania da Venezuela precisa ser denunciado a todo o povo brasileiro e aos povos do mundo, pois, se hoje os EUA fazem isso com a Venezuela, amanhã, poderão fazê-lo com o nosso país.

Resistência e solidariedade

Apenas dois dias após a intervenção militar imperialista, ocorreram dezenas de atos encabeçados pela Unidade Popular (UP) para denunciar a ação. Na região Norte, houve protestos em frente ao Consulado estadunidenses em Manaus (AM), em Porto Velho (RO) e em Belém (PA), na casa da ONU.

No Nordeste, protestos foram organizados em João Pessoa, Campina Grande e Patos (PB); em Recife (PE), onde o ato marchou até o Consulado dos EUA; em São Luís (MA), Salvador (BA), Natal e Mossoró (RN), e na capital do Ceará, Fortaleza.

Em Brasília, a militância se concentrou no Museu Nacional e foi em caminhada até a Embaixada dos EUA num ato muito combativo. No Mato Grosso, as manifestações ocorreram em Cuiabá e Sinop, onde foi realizado um escracho com o retrato do Donald Trump e a bandeira dos EUA. Em Goiás, a manifestação se deu na Praça do Bandeirante.

No Rio de Janeiro, cerca de 2 mil pessoas se concentraram na Cinelândia e caminharam pelas ruas do Centro até a porta do Consulado Geral dos EUA. O ato contou com uma forte intervenção de Marcos Vilella, pelo Partido Comunista Revolucionário (PCR), que denunciou a natureza destrutiva do imperialismo mostrada no ataque à Venezuela e a necessidade de se lutar pela revolução socialista no Brasil.

Em São Paulo, os manifestantes queimaram a bandeira norte-americana na frente do Consulado dos EUA, onde ocorreu o ato unificado que juntou milhares de pessoas na denúncia contra o imperialismo. Já em Minas, o ato teve concentração na Praça Sete, em Belo Horizonte; em Vitória (ES), ocorreu em frente à Assembleia Legislativa.

No Rio Grande do Sul, a manifestação também ocorreu na frente do Consulado ianque, onde a brigada militar reprimiu os manifestantes. Em Santa Catarina, ocorreram atos em Florianópolis, Itajaí e Blumenau.

Povo venezuelano resiste e luta

Em Caracas, capital da Venezuela, e em várias regiões do país, já ocorreram centenas de manifestações exigindo respeito à soberania nacional e libertação para Nicolás Maduro e Cilia Flores.

Um povo quando se conscientiza dos seus direitos e de que, lutando contra os interesses imperialistas, pode construir um caminho próprio, não abre mão facilmente de suas conquistas. Foi com a nacionalização do petróleo desenvolvida desde os governos do presidente Hugo Chávez, há cerca de 25 anos, que esta grande riqueza nacional foi convertida em ações de educação, saúde, cultura e moradia para a população mais humilde.

Por fim, é necessário levantarmos com muita e energia a bandeira da luta anti-imperialista. Devemos desenvolver na classe operária e no povo a consciência de que, para derrotarmos de uma vez por todas o fascismo e o imperialismo é fundamental realizar a Revolução Socialista em nosso país, fortalecendo a luta revolucionária em toda a América Latina.

Editorial publicado na edição impressa Nº 327 do jornal A Verdade

Resistência indígena marca COP 30 em Belém

0

A Cúpula dos Povos reuniu 70 mil pessoas na capital paraense para denunciar o capitalismo como causa da emergência ambiental e defender a organização popular como a única via real para a justiça climática.

Ronni Souza e Belle Leite | Belém (PA)


BRASIL – A Conferência do Clima (COP 30) ocorreu em Belém do Pará, entre 10 e 22 de novembro. As atenções se voltaram para o debate sobre a emergência climática. Entretanto, a COP 30 se encerrou sem apresentar soluções reais para os problemas ligados à destruição da natureza, frustrando ambientalistas, cientistas e representantes de diversos países.

Os “Mapas do Caminho”, propostos pelo Governo Lula, que tratam sobre desmatamento e combustíveis fósseis, sequer foram citados nos documentos finais do encontro. Outro ponto importante era o aumento do financiamento de ações voltadas para a adaptação de países em desenvolvimento às consequências das mudanças climáticas. O prazo para o investimento era pensado para 2030, mas foi aprovado para 2035, sem parâmetros bem definidos.

No fim das contas, a COP 30 comprovou a incapacidade dos “líderes mundiais” de apresentarem caminhos para solucionar os problemas ambientais e climáticos que vivenciamos. Isso porque, no capitalismo, os primeiros interesses são sempre aqueles ligados ao lucro, deixando a população à mercê dos efeitos do crescimento econômico desenfreado causado pelas grandes empresas multinacionais.

Resistência Indígena

Ainda no primeiro dia da COP 30, a liderança indígena Auricelia Arapiun se levantou em protesto contra o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), que estava assinando um contrato entre o Governo do Estado e a Hydro – mineradora responsável por contaminação ambiental, vazamento de rejeitos tóxicos e problemas de saúde nos moradores de Barcarena (PA). “Mais um projeto que derrota as terras indígenas no Estado do Pará! O Helder Barbalho é uma farsa!” denunciou.

Foi nesse espírito de luta que os povos indígenas ocuparam, pela primeira vez, a Zona Azul (espaço restrito aos empresários e chefes de Estado) para colocar suas demandas e dizer que não existe solução para a crise climática sem a participação popular. No dia 14, indígenas do povo Munduruku bloquearam o acesso à Zona Azul da COP 30, reivindicando participação nas decisões da Conferência e uma reunião com o Presidente Lula.

Em entrevista ao jornal A Verdade, Alessandra Munduruku, liderança de seu povo, falou o motivo do protesto. “O próprio presidente Lula viola nossos direitos, o próprio presidente Lula está negociando sem nos ouvir. Tudo que se viu, nos últimos anos, foram acordos e negociações com nossas terras sem consultas prévias e informadas aos povos indígenas”, denuncia.

A principal reivindicação dos povos indígenas é a revogação do Decreto nº 12.600/2025, documento que institui o Plano Nacional de Hidrovias que inclui os rios Tapajós, Tocantins e Madeira como eixos prioritários para o transporte de cargas. Diz a carta do Movimento Munduruku Ipereg Ayu entregue às lideranças da COP 30: “O decreto abre a porteira para novas dragagens, derrocamento de pedras sagradas e a expansão acelerada de portos privados. Este decreto ameaça exterminar o nosso modo de vida porque transforma o rio em estrada de soja”.

Após as manifestações e os protestos indígenas, o Governo Federal anunciou avanços na demarcação de duas terras indígenas: Sawré Muybu e Sawré Ba’pim. Apesar desses avanços, os povos indígenas reivindicam o cancelamento da Ferrogrão (ferrovia que vai ligar o Mato Grosso ao Pará para escoamento de grãos), o fim de projetos de crédito de carbono no território (implementados sem consulta prévia) e proteção contra grandes empreendimentos.

A Cúpula dos Povos

Em paralelo à COP, ocorreu a Cúpula dos Povos, evento de caráter popular, que reuniu mais de 70 mil pessoas. A Cúpula tinha como objetivo contrapor a COP 30 e seus espaços fechados de deliberações. O evento construiu coletivamente várias oficinas, debates, aulas públicas, seminários e palestras que discutiram soluções para as crises socioeconômica e climática.

No dia 15, ocorreu a Marcha Global dos Povos pelo Clima, manifestação histórica na cidade de Belém, que reuniu mais de 50 mil pessoas nas ruas para lutar por justiça climática e dizer que a verdadeira solução está na classe trabalhadora e nos povos do mundo.

Em sua declaração final, A Cúpula dos Povos apontou que “o modo de produção capitalista é a causa principal da crise climática”, além de acusar que a transição energética está sendo implementada sob a lógica do capital, pois acabou se configurando como um novo espaço de acumulação de riqueza.

A resistência indígena marcou o período da Conferência do Clima e da Cúpula dos Povos, mesmo que a grande mídia tenha tentado abafar as manifestações, os povos indígenas se apresentaram como os melhores exemplos de luta e de resistência. Suas ações em defesa de seus direitos e territórios deixam claro que com povo organizado o poder popular real não apenas é possível, mas representa uma força capaz de vencer a ganância do capital e transformar radicalmente essa sociedade.

Matéria publicada na edição nº326 do Jornal A Verdade

Que nenhum camarada se afaste de nós

0

“Faz diferença prezar pela ligação de cada militante com a massa, para que ele sinta e veja com seus próprios olhos a força e a vontade de lutar que o nosso povo tem.”

Coordenação Nacional da UJR


JUVENTUDE – A União da Juventude Rebelião foi criada em 1995 com a tarefa histórica de organizar a indignação da juventude, vanguardear o processo de formação de quadros para a revolução, desgastar o capitalismo, tirar o poder das mãos dos ricos e construir o socialismo. Nesses 30 anos, a UJR se tornou uma organização nacional, inserida em centenas de bairros, escolas e universidades, organizando e participando ativamente das principais lutas pela educação e pelos direitos sociais da juventude e dos trabalhadores.

Porém, não é sem obstáculos que avançamos. Inclusive, uma das maiores barreiras que precisamos superar é o número de afastamentos de companheiros e companheiras. Existe uma parcela que se distancia da organização pela falta de assistência política cotidiana aos núcleos. Outra que não leu nossos documentos com a profundidade necessária, e há até mesmo os que não vão sequer a sua primeira reunião. Essas situações não podem ser tratadas com se não acontecessem e precisam ser solucionadas.

No entanto, outra questão vivenciada é de camaradas que ingressam na UJR, participam ativamente das reuniões e tarefas, mas também acabam, depois de um certo tempo, afastando-se de nós. Dizem: “eu concordo com a linha política, com as lutas que a juventude faz, mas particularmente não dou conta, não tenho tempo, estou triste e sobrecarregado”.

De fato, ouvir ou até pensar isso não é nenhuma surpresa, pois rotineiramente, quase sem percebermos, a máquina de propaganda dos ricos nos convence de que “é preciso cuidar primeiro de si antes de cuidar dos outros”, ou que “não vale a pena se preocupar com os problemas do mundo porque nós já temos os nossos próprios”, e mais: que “o capitalismo é forte demais para ser derrotado, e que lutar, portanto, é uma ação infrutífera, um trabalho cansativo, que não leva a lugar nenhum”.

Pois bem, não estamos organizando nossa juventude longe dos problemas da sociedade capitalista. Pelo contrário, estamos fazendo isso em pleno campo de batalha da luta de classes. Portanto, as opiniões e decisões aparentemente individuais não aparecem espontaneamente na personalidade de cada um de nós. Existe uma disputa feroz de nossas consciências para nos sentirmos impotentes e permanecermos apáticos e inertes à exploração. Existe uma disputa feroz sobre o que fazer com a vida que se tem, se é correto dedicar-se à luta revolucionária ou não.

Por isso, enquanto militantes da UJR, precisamos fortalecer nossa unidade e garantir que nem nós nem nossos camaradas se afastem ou desistam da luta. Para alcançar esse objetivo, é fundamental cuidar constantemente da nossa formação ideológica.

Ideologia proletária

Os chamados “problemas pessoais” apenas aparentam ser exclusivamente seus ou do seu grupo familiar. Na verdade, em todos os casos, os problemas que a classe trabalhadora enfrenta são problemas sociais e, portanto, só serão solucionados socialmente, e não individualmente. Isso significa que a melhor forma de cuidar da própria vida é estar reunido e organizado coletivamente, dividindo suas dores e suas revoltas com o mesmo dolorido e revoltado povo trabalhador. Cuidar-se é ligar-se às massas que passam exatamente pelos mesmos problemas do desemprego e do baixo salário, da falta de tempo e de más condições de saúde física e mental, chamando-as para a lutar contigo e com nosso partido.

Posto isso, é necessário combater a falsa ideia de que “cuidar da própria vida” é sinônimo de abandonar a luta e a UJR. Afinal de contas, o que propaga a burguesia quando entoa essa palavra de ordem? Fundamentalmente, o objetivo deles sempre é desunir e desorganizar o povo, isolar os jovens e os trabalhadores em seu suposto “próprio mundo”, inclusive, de maneira rasteira e perversa, por meio das nada imparciais redes digitais.

É necessário desmascarar as mentiras e ilusões propagadas por influenciadores, artistas, programas de TV, filmes, músicas e outros veículos culturais utilizados pela ideologia burguesa. Em especial, devemos questionar a ideia de um autocuidado individualista e as falsas definições de sucesso e felicidade que essa sociedade de consumismo e ostentação insiste em nos impor.

De modo geral, a realização e a vontade de viver de uma pessoa não se medem pelos bens materiais que ela acumula, mas sim pela sua capacidade de compartilhar bons momentos com companheiros, amigos e familiares, cultivar valores como honestidade, solidariedade, humildade, coerência e simplicidade. Acima de tudo, para estar bem é essencial preservar a perspectiva revolucionária – a convicção de que é possível construir e viver em um mundo melhor. Posto isso, ser um verdadeiro comunista significa ter um propósito que dá sentido à vida.

Não é à toa que nos entusiasmamos com a experiência de conquistar uma nova escola no bairro ou um novo bandejão para alimentar os estudantes que mais precisam, conquistar a abertura e ampliação de bolsas e moradias estudantis, pois é justamente essa a prova de que coletivamente avançamos para alcançar o direito de cada um! E continua: quanto mais consciência adquirimos, também nos enchemos de felicidade ao apoiar uma ocupação de moradia, dando função social a uma propriedade privada abandonada e construindo um conjunto habitacional com centenas de famílias.

Comemoramos também a união dos trabalhadores em luta, em greve, vencendo a ganância dos patrões, parando as máquinas e só assim conquistando o aumento salarial. Em momentos de repressão, nos preenchemos de coragem, de honra, ao ver nossas camaradas enfrentando a violência do Estado de cabeça erguida, defendendo nossas bandeiras de luta. Da mesma forma, saímos de brigadas do jornal A Verdade com mais energia do que entramos, porque conversamos com pessoas simples que apostam e confiam muito em nós.

Pois bem, é essa vida que o capitalismo quer esconder de milhões de pessoas, fingindo que a culpa da pobreza e os seus reflexos são individuais, enquanto apenas meia dúzia de parasitas bilionários não trabalha, não passa sufoco, não passa fome, esbanja, é gananciosa, é preguiçosa, hostil e odeia trabalhador.

Dessa maneira, precisamos travar uma luta decidida contra o individualismo pequeno-burguês que nos atinge, assimilando a ciência marxista-leninista, se quisermos garantir que toda a nossa militância persista e resista aos ataques ideológicos contra a organização da nossa classe.

Para fazer essa luta, faz diferença na hora do recrutamento ler junto os documentos da juventude, explicando e discutindo profundamente as ideias do socialismo que ali expomos. Faz diferença encontrar os camaradas no dia a dia para além das reuniões, para almoçar, ir ao teatro assistir a uma peça combativa, praticar alguma modalidade esportiva, conhecer-se melhor, conversar!

Também faz diferença, novamente, prezar pela ligação de cada militante com a massa, para que ele sinta e veja com seus próprios olhos a força e a vontade de lutar que o nosso povo tem. Acompanhar e compartilhar os aprendizados que temos com nossos estudos individuais. Fazer reuniões formativas, em que estudamos e debatemos lutas econômicas, políticas e ideológicas, e não apenas tiramos listas de tarefas de maneira burocrática.

Por fim, principalmente, faz diferença decidir não desistir quando um camarada, aos poucos, afasta-se da nossa organização. Não podemos nos dar ao luxo de abandonar um combatente, muito menos de atrasar a tarefa histórica que cabe a nossa geração cumprir. Precisamos formar nosso grande exército revolucionário para enterrar de vez o capitalismo e viver, enfim, felizes como a futura classe operária, produtora e usufruidora de todas as riquezas da terra.

Reafirmamos, camaradas, que nossa palavra de ordem deve ser: uma vez comunista, cada vez mais comunista! Devemos dedicar nossos esforços a reencontrar todos os companheiros que, temporariamente, tenham sido capturados pela ideologia burguesa, assim como aqueles que hoje vacilam. É nosso dever trazê-los novamente ao nosso lado, ao lado do coletivo e do socialismo!

Trabalhadores da Dipro dão exemplo de luta popular por seus direitos

Mais de 300 funcionários ocupam portões da fábrica em resposta à demissões em massa em São José dos Pinhais (PR).

Lohan Cota e Willian Araki | Redação PR


TRABALHADOR UNIDO – O ano de 2026 começou com luta para quase 330 funcionários da fábrica de condutores elétricos Dipro do Brasil: Localizada em São José dos Pinhais (PR), a empresa surgiu  em 2024, quando a antiga Conduspar foi comprada pelo Grupo Connect Global, um conglomerado brasileiro que reúne diversas empresas do setor, garantindo monopólio do mercado. Após a virada do ano, os funcionários da empresa foram comunicados que as atividades, previstas para retornarem no dia 05 de janeiro, seriam retomadas apenas no dia 07 de janeiro. A alteração chamou a atenção dos funcionários, que ao se reunirem nos portões da fábrica, descobriram que a empresa havia encerrado suas operações e não haveria garantia de seus empregos. Além disso, o grupo não pretende garantir os direitos dos funcionários, como no caso de trabalhadores que receberão a rescisão de apenas 1 ano e meio de contrato, período da aquisição da fábrica pelo conglomerado, apesar de terem 20 anos de trabalho na empresa.

Funcionários se mobilizam para garantir direitos

A decisão da empresa de fechar suas portas de forma sorrateira, supostamente, tinha um objetivo: esvaziar a fábrica de seus componentes e matérias-primas que estavam armazenadas na planta. Vendo essa situação, os trabalhadores da linha de produção e do setor administrativo da empresa impediram a saída dos caminhões de dentro do pátio da empresa, lutando para garantir seus direitos. Elton Vale, funcionário há 15 anos, relata sobre a situação: “A gente se mobilizou com o pessoal do Sindicato dos Metalúrgicos e fomos pra cima da empresa e paramos qualquer operação que estava ocorrendo aqui. Mesmo com os funcionários fora da fábrica, estavam retirando tudo que eles podiam da fábrica, o pessoal barrou tudo isso até ter uma resposta sobre os nossos direitos”. Adilson dos Santos da Costa, que em março completaria 26 anos de empresa, declarou: “Nós estamos na luta, estamos na briga para alcançar todos os nossos direitos.”Após o início das mobilizações, a empresa realizou o pagamento do Vale-Alimentação que estava atrasado e iniciaram as negociações para o pagamento das rescisões.

Apenas a luta garante os direitos

A mobilização dos funcionários da Dipro demonstra a força da classe trabalhadora frente ao grande capital. Em agosto de 2024, os operários da linha de produção deflagraram uma greve em função do não pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) da empresa. Após semanas de greve, os trabalhadores conquistaram seus direitos e se fortaleceram nessa luta. Agora, os mesmos funcionários, se unem para garantir que ninguém seja lesado pela empresa novamente. Essa união é reflexo da consciência de classe da classe trabalhadora, como relata Willian Barbosa de 28 anos: “A pessoa tem que entender que o direito trabalhista quem faz é o trabalhador. Antes tínhamos uma divisão da parte administrativa e o chão de fábrica, mas agora que a luta está feita todos se lembram que somos trabalhadores. Se você vive do seu salário, você é trabalhador.”

Trabalho do Jornal A Verdade é reconhecido entre os funcionários

A Unidade Popular tem realizado as brigadas do Jornal A Verdade na fábrica Dipro, de forma semanal e nos dois turnos da noite, algo que não foi esquecido pelos operários que hoje estão em luta. Ezequiel Gomes, de 44 anos, falou sobre sua relação com os brigadistas do jornal: “Sempre encontro com vocês aqui na porta da empresa, mesmo com chuva, e acho um belíssimo trabalho, inclusive vocês estão aqui fazendo a cobertura e prestando apoio. Estão de parabéns pelo trabalho”.

Este é apenas mais um exemplo da necessidade de organização da classe trabalhadora na luta por seus direitos e o papel de agitação diária do Jornal A Verdade nas fábricas, denunciando as mazelas do capitalismo e convocando os operários para a luta, através da greve e na construção do Socialismo.

Trabalhadores do mundo se unem: UP Internacional marcha em Berlim na Passeata LLL

Entre os dias 10 e 11 de janeiro, mais de 40 militantes da Unidade Popular (UP) residentes em diversos países da Europa reuniram-se em Berlim para o Encontro de Inverno da UP Internacional.

UP Internacional


INTERNACIONAL – Nos dias 10 e 11 de janeiro, reuniram-se na capital alemã mais de 40 militantes da Unidade Popular residentes em diversos países da Europa para o Encontro de Inverno da UP Internacional e para participar juntos da marcha LLL em homenagem aos revolucionários Rosa Luxemburgo, Karl Liebknecht e Vladmir Lênin (cujas iniciais formam o nome do evento).

No sábado (10) que antecedeu a marcha, os militantes visitaram o Memorial Soviético em memória dos soldados do Exército Vermelho que lutaram e tombaram em solo alemão para libertar o país do nazismo. A visita foi seguida de uma rica formação sobre a história dos personagens homenageados na marcha e de uma plenária onde os vários núcleos – de Portugal, Espanha, França, Alemanha, Países Baixos, Europa Central e Irlanda – puderam debater sobre as conjunturas e lutas nos seus respectivos países de residência. Com falas baseadas no trabalho dos núcleos, constatou-se a atualidade dos escritos de Luxemburgo sobre o imperialismo e da crítica de Liebknecht ao militarismo. 

Sedat, militante da Associação de Juventude Internacional (IJV) e da Associação Democrática de Trabalhadores (Didf), falou da importância de reviver a memória dos militantes assassinados no início do século 20, pois é também no século 21 que a Alemanha encara uma recrudescência da militarização: 

“Estamos aqui não só para lembrar de Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht por causa dos revezes que enfrentaram, mas porque eles estavam lutando contra o imperialismo, contra a militarização da Alemanha. Vemos hoje como o imperialismo alemão está se rearmando novamente para fortalecer os interesses políticos e econômicos de empresas alemãs na Europa e no mundo inteiro. Estão investindo no armamentismo e preparando principalmente a juventude para a guerra. Os oficiais estão indo às escolas, querendo recrutar estudantes para o exército e fazendo propaganda sobre ‘defender a Alemanha’. Nas Universidades – onde também estão havendo vários cortes de fundos por causa do armamentismo – a ciência está se voltando a propósitos militares, assim como a indústria civil, que também está virando indústria militar”.

Sedat também comentou que, por mais que várias organizações de esquerda estivessem ali unidas, as massas não compareceram em tanto peso à marcha como poderia ser, tendo em vista a repressão policial atroz que as recentes manifestações contra o imperialismo de Israel têm sofrido. Por exemplo, soube-se da possível represália – legal e física – à qual poderíamos estrar sujeitos se nos juntássemos ao cântico “From the River to the Sea, Palestine will be free” (“Da Terra ao Mar, Palestina Livre Já!”) dos camaradas alemães, alguns dos quais sofreram ataques com gás lacrimogênio por dizê-lo. 

Hanna e Lara, da organização Arbeit Zukunft (“Trabalho Futuro”, organização membro da Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas – CIPOML), falaram sobre a crise do capitalismo e o crescimento do fascismo entre os jovens. 

Lara contou: “Eu sou de Hamburgo. Tanto em Hamburgo quanto em Berlim, o custo de vida tem subido. Na Alemanha inteira tem ficado mais e mais difícil para os jovens encontrarem um lugar para morar”. Hanna complementou: “Os fascistas dão respostas e parecem se opor ao sistema. Os jovens sentem que esse sistema não os beneficia, então, para alguns, os fascistas parecem uma alternativa. Mas, na realidade, os fascistas somente querem dividir as pessoas com respostas racistas; não oferecem nenhuma solução para o nosso futuro”.

Sob as palavras de ordem “Hoch die Internationale Solidarität” (“Viva a Solidariedade Internacional”), marchamos do Frankfurter Tor ao Cemitério dos Heróis Socialistas ao lado dos nossos camaradas alemães, compartilhando as nossas experiências. Distribuímos panfletos denunciando o terrorismo estadunidense contra a Venezuela e as ameaças imperialistas contra vários países da América Latina. Ensinamos também nossas palavras de ordem “Lutar, criar poder popular” e “Vai avançar, vai avançar a Unidade Popular”, as quais nosso bloco passou a gritar em conjunto. 

Mais do que nunca é preciso a união internacional da classe trabalhadora e avançar no trabalho de preparação de todas as formas de luta contra o capitalismo, contra o fascismo, o imperialismo e pelo socialismo.

Matéria publicada na edição impressa Nº 328 do jornal A Verdade

Manifestações em todo o Brasil repudiam invasão americana na Venezuela

1

Milhares de brasileiros foram às ruas em manifestações nesta segunda para denunciar a intervenção militar imperialista dos EUA na Venezuela.

Redação

BRASIL – Em resposta ao criminoso sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Gavidia Flores, que é deputada da assembleia Nacional Venezuelana na madrugada do dia 03 de janeiro, diversos partidos e organizações de esquerda e movimentos sociais, entre eles a Unidade Popular, organizaram diversos atos em todo país para denunciar o ataque imperialista norte-americano ao país vizinho, bem como as ameaças de Donald Trump contra a América Latina. Os atos ocorreram nas cinco regiões do país e também em Portugal e Irlanda e levaram milhares de pessoas às ruas.

Norte e Nordeste

No Amazonas o ato ocorreu em Manaus, na frente do consulado americano. Houve também manifestação em Rondônia e em Belém do Pará, na casa da ONU.
Na Paraíba ocorreram três atos. Em João Pessoa e Campina Grande e Patos. No Recife a concentração iniciou na Praça do Derby, indo até o consulado dos EUA obrigando a PM a interditar a rua para impedir os manifestantes. Também ocorreram atos em São Luís do Maranhão, na Praça Teodoro, em Salvador, Natal e Mossoró, no Rio Grande do Norte e na capital do Ceará, Fortaleza, na praça José de Alencar.
Ato em SP também reuniu número expressivo de pessoas. Foto: JAV/SP

DF, RJ e SP concentraram maiores atos

Na capital Federal a concentração ocorreu no Museu Nacional, caminhando até a embaixada americana. No Mato Grosso as manifestações ocorreram em Cuiabá e SINOP, onde nem a chuva impediu os manifestantes de fazerem um escracho com o retrato do Donald Trump e a bandeira dos EUA. Em Goiás a manifestação se deu na Praça do Bandeirante no fim da tarde.

No Rio, foram cerca de 2 mil pessoas que se concentraram na praça da Cinelândia e caminharam pelas ruas do centro até a porta do Consulado Geral dos EUA no Rio, onde ocuparam a entrada do edifício que foi usado para organizar a intervenção norte-americana no Golpe Militar Fascista de 1964. O ato contou com uma forte intervenção de Marcos Villela, pelo Partido Comunista Revolucionário, que denunciou a natureza destrutiva do imperialismo mostrada nesse ataque à Venezuela e a necessidade de se lutar pela Revolução Socialista no Brasil.

Em São Paulo, os manifestantes queimaram a bandeira norte-americana na frente do consulado dos EUA, onde ocorreu o ato unificado que juntou milhares de pessoas na denuncia contra o imperialismo. Já em Minas, o ato teve concentração na Praça Sete em Belo Horizonte.

Já no Rio Grande do Sul a manifestação também ocorreu na frente do consulado americano. No Espírito Santo o ato ocorreu em frente à Assembleia Legislativa.
Em Santa Catarina ocorreram dois atos em Florianópolis, na frente da Catedral, em Itajaí e em Blumenau.

Ameaças de Trump expõem atual momento do imperialismo no mundo

Apesar de Ravina Shamdasi, porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos afirmar que os EUA “violaram um princípio fundamental do direito internacional”, durante coletiva em Genebra, o governo estadunidense continua ameaçando a América Latina, especialmente países que não se colocam como aliados ao discurso intervencionista de Trump, como é o caso da Colômbia e  México.

Em plena reunião do Conselho de Segurança da ONU, o representante dos EUA, Mike Waltz, reafirmou a política imperialista de seu chefe ao afirma que “não vamos permitir que o hemisfério ocidental seja utilizado como base de operações para os adversários e competidores dos Estados Unidos da América”. Ou seja, ou os países latino-americanos se aliam a Donald Trump ou também sofrerão intervenções, como as ameaças feitas ao Presidente colombiano Gustavo Petro, quando Trump afirmou que o mesmo “não ficaria lá por muito tempo”.

Lênin, líder da revolução russa de 1917 e do partido bolchevique, já afirmava em 1916 que o imperialismo, fase final do capitalismo, era definido pela partilha do território mundial pelas superpotências em busca de novos mercados e ativos, coisa que abriria, inevitavelmente, espaço para novas guerras e massacres. Não a toa que estamos vendo o genocídio na Palestina continuando, apesar do cessar-fogo, as milícias massacrando a população civil no Congo e essas intervenções na América Latina, que são sintomas desse novo estágio da luta de classe no mundo.

UPRA: “Venezuela resiste contra a agressão imperialista”

Confira a nota da Unidade Popular Revolucionária Anti-imperialista da Venezuela emitida neste sábado durante os ataques militares do imperialismo dos EUA que levaram ao sequestro do presidente Maduro.


Venezuela resiste contra a agressão imperialista

A Unidade Popular Revolucionária Anti-imperialista – UPRA, se dirige a todos os revolucionários e democratas do mundo para denunciar a ação violenta de agentes do imperialismo yanque junto a seus sócios da OTAN e o MOSSAD contra o povo da Venezuela que valentemente enfrenta outra agressão imperialista.

Na madrugada deste sábado, 3 de janeiro, houve uma ação de guerra na capital da Venezuela na qual o Forte Tiuna e outras instalações oficiais foram atacados por aeronaves de combate.

Até agora sabemos de uma ação violenta. Porém, se desconhece até o momento deste comunicado qual é o resultado dessa agressão.

Seja qual for a ação ocorrida e os resultados que possam gerar, o certo é que o povo da Venezuela que resiste e luta está disposto a enfrentar o inimigo imperialista em qualquer dos cenários que se desenvolvam.

A UPRA convoca todos seus membros, amigos e camaradas da Venezuela, como de todo o mundo a denunciar a escalada violenta promovida desde o bloqueio imperialista dos Estados Unidos – União Europeia, assim como estar preparados para apoiar com os meios a sua disposição ao valente povo da Venezuela que resiste e luta contra a agressão imperialista.

Caracas, 3 de janeiro de 2026
Unidade Popular Revolucionária Anti-imperialista – UPRA