UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 27 de março de 2026
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Francisco Bernardo e a Revolta de Porecatu: Exemplo de luta no Paraná.

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A história da luta por moradia, terra e trabalho de Francisco Bernardo, líder camponês e símbolo da resistência de Porecatu.

Willian Yukio Araki


De retirante nordestino à posseiro pioneiro.

Francisco Bernardo Dos Santos foi um camponês que morava no estado da Paraíba, uma região dominada pelo grande latifúndio, com poucas oportunidades para a grande massa camponesa formada após o fim da escravidão no Brasil.

Pouco se sabe sobre sua vida antes de se retirar para o estado do Paraná buscando a oportunidade de obter sua terra durante o movimento de “Marcha para o Oeste”, lançado pelo governo Vargas, que prometia terras a quem estivesse disposto a desbravar as áreas inabitadas do interior oeste do Brasil.

Em 1942 chegou com sua família à Região de Porecatu, fixando moradia entre as cidades de Florestópolis e Jaguapitã. Camponês pioneiro na região do Paraná, abriu caminhos, derrubou árvores e estabeleceu estradas para estabelecer os primeiros núcleos habitacionais para a produção de arroz, milho e feijão, além da criação de aves e porcos.

O líder da resistência.

Sua resistência no campo se iniciou em 1950, quando o grileiro e latifundiário Geremia Lunardelli iniciou um processo de intimidação e violência contra sua família, buscando a posse de terras. Após uma invasão à sua propriedade por policiais e jagunços, movido por seu senso de justiça inabalável, iniciou uma jornada à Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro buscando apoio de autoridades aos camponeses da região de Porecatu. Encontrou apoio nos comunistas, especialmente Pedro Pomar do Partido Comunista do Brasil (PCB) e no Rio de Janeiro, enviou uma carta exigindo uma ação do Presidente Eurico Gaspar Dutra.

Sem sucesso por vias legais, inicia seu caminho de volta ao Paraná certo de que o único caminho para garantir a segurança dos camponeses seria a própria organização popular. No entanto, sofreu uma emboscada da polícia na cidade de Regente Feijó, fruto de uma delação do então Deputado Estadual do Paraná Anisio Luz. Apesar de nunca ter sido fichado, sofreu violência policial e tortura: Foi amarrado ao fundo de um jipe por vinte dias, teve suas duas pernas quebradas com o pretexto de “evitar sua fuga” e depois transferido para o município de Jaguapitã. Lá foi amarrado a uma árvore em praça pública e exposto por 18 horas e em seguida fuzilado na frente de toda a população presente. O objetivo era que ele servisse de exemplo para que outros camponeses não denunciassem as práticas violentas dos latifundiários, enterrando a resistência no campo.

A Revolta de Porecatu

Francisco Bernardo serviu de exemplo. Após seu covarde assassinato, os camponeses iniciaram sua organização e luta pela terra, fundaram e organizaram as ligas camponesas, buscaram apoio dos comunistas e resistiram no que ficou conhecido como “Guerrilha de Porecatu”.

Esse conflito armado no campo se estendeu dos anos de 1948 a 1951, envolvendo diversas famílias camponesas da região norte do Paraná, com grande apoio popular em várias cidades do estado e direcionamento político através do Partido Comunista Brasileiro (PCB). A revolta tinha como principais inimigos os jagunços contratados pelos grileiros, grandes latifundiários do Paraná e São Paulo, além da polícia à serviço do estado burguês.O povo, no entanto, estava com os guerrilheiros de Porecatu. Através de campanhas de solidariedade encabeçadas pelos comunistas do Paraná, além de apoiadores e simpatizantes da causa dos camponeses, conseguiram mantimentos, medicamentos e abrigo durante o conflito. Foi esse apoio popular, aliado à justeza da luta dos posseiros e a política dos quadros comunistas que garantiram quase 3 anos de resistência, encerrada apenas com o deslocamento de 700 militares ordenados pelo representante dos latifundiários Getúlio Vargas, presidente do Brasil na época.

Representação gráfica de Francisco Bernardo, guerrilheiro da revolta de Porecatu. Fonte: Reprodução.

O legado de Francisco Bernardo.

A vida do camponês Francisco Bernardo faz parte da história de lutas do povo paranaense e a revolta dos camponeses perante seu assassinato mostra como seu exemplo de integridade, amor à família e à sua comunidade camponesa era profundamente sentido por todos que o conheceram. Seu legado para os paranaenses e todo o povo brasileiro é o de resistência e luta por seu direito à terra e moradia num país desigual. Que seu exemplo seja seguido por todos aqueles que almejam viver em um mundo mais justo, sem fome e com um lar digno para todos, um mundo socialista.   

“Somos muitos Severinos iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras suando-se muito em cima,

a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.

Mas, para que me conheçam melhor Vossas Senhorias
e melhor possam seguir
a história de minha vida,
passo a ser O Severino
que em vossa presença emigra.”

João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina. 

 

No sexto dia de ocupação, povos indígenas resistem no porto da Cargill em defesa do Tapajós

Manifestação dos povos indígenas do Baixo Tapajós, em Santarém, Pará, ocupa a sede da Cargill contra projeto que ameaça o meio ambiente e toda vida local

Denily Fonseca- Pará


LUTA POPULAR- Povos indígenas do Baixo Tapajós seguem, nesta semana, no sexto dia de ocupação em frente ao terminal portuário da multinacional Cargill, em Santarém, no oeste do Pará. A ação é parte da resistência organizada contra o projeto de dragagem e concessão da hidrovia do rio Tapajós, imposto pelo governo federal sem consulta às comunidades indígenas e tradicionais que vivem e dependem do rio.

A ocupação denuncia o avanço de um modelo de desenvolvimento que subordina a Amazônia aos interesses do agronegócio exportador, transformando rios, florestas e territórios em infraestrutura para o lucro das grandes empresas. Para os povos indígenas, a dragagem do Tapajós não é uma obra isolada, mas parte de um projeto político que aprofunda a destruição ambiental, ameaça modos de vida ancestrais e viola direitos garantidos em lei.

O projeto prevê a dragagem de um trecho estratégico do rio entre Santarém e Itaituba, com investimento estimado em R$ 74,8 milhões e contrato de longo prazo. A intervenção atende diretamente às demandas das empresas que operam na logística de exportação de commodities, como a própria Cargill, enquanto ignora os impactos sobre a pesca, a segurança alimentar, as áreas de uso tradicional e os territórios sagrados dos povos do Tapajós.

Segundo as lideranças, ao menos 13 povos indígenas participam da ocupação. A presença contínua no porto da Cargill expressa a disposição de resistir e de enfrentar um modelo que historicamente expulsa comunidades, intensifica conflitos e concentra riqueza nas mãos de poucos. A luta no porto é também uma afirmação do direito dos povos indígenas de decidir sobre seus territórios e sobre o futuro do rio que sustenta suas vidas.

Além da dragagem, os povos denunciam o avanço da especulação imobiliária, a expansão de grandes empreendimentos e a pressão crescente sobre as comunidades, processos que caminham junto com a instalação de portos privados e grandes obras de infraestrutura. Para os indígenas, a Cargill simboliza a presença do capital internacional no coração da Amazônia, operando com o apoio do Estado e à custa da destruição dos territórios.

A mobilização também denuncia a violação do direito à consulta livre, prévia e informada, garantido pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O projeto foi anunciado e levado adiante sem diálogo com as comunidades diretamente afetadas, repetindo uma prática histórica de imposição de grandes obras sobre os povos indígenas e tradicionais.

Governo federal indo na contramão 

A resistência no Tapajós ocorre em meio às contradições do governo federal. Durante a COP30, o governo assumiu compromissos públicos de diálogo com os povos indígenas após protestos que expuseram o distanciamento entre o discurso ambiental adotado internacionalmente e a realidade vivida na Amazônia. Apesar disso, em dezembro de 2025, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) publicou edital para a dragagem de manutenção do rio Tapajós por até cinco anos, mesmo com estudos ambientais pendentes.

O Ministério Público Federal tentou suspender a licitação, mas a Justiça Federal de Santarém autorizou o prosseguimento do processo. Organizações indígenas e populares denunciam que existe apenas uma autorização ambiental emergencial e temporária, o que não legitima contratos de longo prazo nem a ampliação das intervenções no leito do rio.

No sexto dia de ocupação, os povos indígenas do Baixo Tapajós reafirmam que a luta em Santarém é parte de um enfrentamento maior contra o saque da Amazônia e contra a submissão dos territórios aos interesses do agronegócio e das grandes corporações. A resistência no porto da Cargill expressa a defesa do rio, da vida e do direito dos povos indígenas de existir e decidir sobre seus próprios destinos.

A mobilização segue como um chamado à solidariedade dos movimentos populares, das organizações sociais e de todos que defendem a Amazônia e os povos que nela vivem.

 

Capitalismo aprofunda crise da água em Pernambuco

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Com 107 municípios em situação de emergência e barragens em colapso, Pernambuco enfrenta uma das piores crises hídricas de sua história. Enquanto isso, o governo estadual insiste em privatizar a Compesa, medida que aprofundará ainda mais a dificuldade para os pernambucanos.

Airton Soares- Petrolina (PE)


MEIO AMBIENTE- A crise hídrica em Pernambuco atinge proporções sem precedentes. Dados da Defesa Civil revelam que 107 municípios foram declarados em situação de emergência devido à estiagem prolongada. Desses, 20 reservatórios em cidades em emergência hídrica já entraram em colapso, somando 23 reservatórios colapsados no total. A barragem de Jucazinho, a sexta maior do estado, opera com apenas 0,83% de sua capacidade. A situação é crítica, com sete barragens já registrando 0% de água acumulada.

Esses números representam milhares de famílias sem acesso à água potável, agricultores que perderam suas plantações e trabalhadores sem sustento. É a consequência direta do capitalismo, que transforma um bem essencial à vida, como a água, em mercadoria.

As mudanças climáticas afetam os mais pobres

A crise hídrica em Pernambuco está ligada diretamente à crise climática global. Como destacou o jornalista Vijay Prashad em seu artigo “Crise climática: o capitalismo criou a catástrofe, o socialismo pode evitar o desastre“, cem das maiores corporações do mundo são responsáveis por 71% dos gases de efeito estufa industriais globais. São essas mesmas empresas, lideradas pela indústria de combustíveis fósseis, que se recusam a acelerar a transição energética necessária. Na questão da água, a situação é semelhante: o predomínio de monopólios estrangeiros atua em favor da privatização das distribuidoras, como é o caso da BRK Ambiental, empresa canadense que atua na Região Metropolitana do Recife por meio de uma PPP (Parceria Público-Privada) e pressiona pela privatização da Compesa.

Em Pernambuco, quem paga a conta dessa destruição são os trabalhadores, os moradores das periferias, os agricultores familiares e o povo pobre do Sertão. Enquanto as grandes corporações acumulam bilhões, o povo pernambucano enfrenta a falta de água.

O capitalismo cria e alimenta a crise, tenta lucrar com ela e a classe trabalhadora é quem paga a conta. Não é atoa que as recentes ondas de calor só vêm aumentando.

Privatização: serviço pior, conta mais cara

Diante da maior crise hídrica da história recente de Pernambuco, a governadora Raquel Lyra (PSD) insiste em entregar o controle da água para empresas privadas, defendendo a privatização da Compesa. A BRK Ambiental é a prova de que privatização significa fracasso. Durante mais de uma década, a empresa aumentou a cobertura de esgoto em apenas 8%, passando de 30% para 38%. Mesmo assim, a BRK está entre as mais interessadas em assumir toda a Compesa.

Segundo dados da PNAD divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em agosto de 2025, Pernambuco ocupava a 21ª colocação nacional no fornecimento de água. A situação é crítica: 39,7% dos lares dependem de fontes alternativas, como rios, açudes e caminhões-pipa para se abastecerem.  Além disso, apenas 51,4% dos domicílios possuem ligação à rede ou fossa séptica conectada à rede geral.

Em Tocantins, depois que a BRK Ambiental assumiu 47 cidades, incluindo a capital Palmas, 70% dos tocantinenses passaram a sofrer com a falta de uma rede de esgotamento regular. E é a mesma situação em outros estados como o Rio de Janeiro, Ceará, São Paulo e Rio Grande do Sul.

A privatização agrava o problema porque empresas privadas negligenciam o investimento em áreas de baixa renda, visto que não geram lucro. Elas priorizam as regiões mais ricas, onde podem impor tarifas elevadas e excessivas, deixando o restante da população desamparada.

A Compesa é uma conquista popular

A criação da Compesa foi uma conquista da luta popular. Foi o povo pernambucano, organizado e mobilizado, que conquistou o acesso ao saneamento básico e pela distribuição de água.

O governo de Raquel Lyra, com o vergonhoso apoio do governo Lula, alega que a concessão trará R$ 23,2 bilhões em investimentos. Mas quem vai pagar? O povo, através de tarifas cada vez mais altas e de um serviço cada vez pior.

Só a luta pode barrar esse retrocesso

A crise da água em Pernambuco escancara uma verdade: o capitalismo é incompatível com a vida. Não é possível garantir água de qualidade para todos em um sistema que transforma tudo em mercadoria. Mais: quando falamos de água, estamos falando de saúde pública, um direito básico universal e qualidade de vida, coisas vistas como mercadorias nesse sistema decadente.

É urgente colocar os recursos naturais, incluindo a água, sob controle público e democrático, destinando-os ao bem-estar da população, com foco na universalização do saneamento básico e na ampliação de sistemas de captação e distribuição que beneficiem, prioritariamente, a população mais pobre, junto com isso ampliar ainda mais o combate efetivo às mudanças climáticas, o que envolve a redução de emissões e o investimento em fontes de energia renovável.

É por isso que a Unidade Popular vem compondo, junto a outros movimentos da sociedade civil organizada em Pernambuco a Frente Contra as Privatizações, que ao longo de todo o ano de 2025 organizou diversos atos e atividades contra essa política privatista, denunciando junto a população essa política entreguista. O leilão da COMPESA, ocorrido às escondidas no final do ano de 2025 é que entregou por 35 anos uma das empresas mais importantes de Pernambuco para o setor privado, mostra que só a luta pode barrar todo esse retrocesso. É preciso acabar com essa ótica de socializar o prejuízo e privatizar o lucro.

 

Privatizar água é um crime contra o povo! Defender a Compesa pública é defender a vida!

Restos mortais de Camilo Torres, revolucionário colombiano, são encontrados após 60 anos

Os restos mortais do revolucionário colombiano Camilo Torres, um dos percussores da Teologia da Libertação e guerrilheiro colombiano. Há 60 anos atrás, seu corpo foi escondido pela repressão, numa tentativa de esconder o legado e exemplo para toda a América Latina e os povos oprimidos. 

Redação


HERÓIS DO POVO- Após 60 anos desaparecido, os restos mortais do padre e guerrilheiro revolucionário Camilo Torres, foram encontrados na Colômbia. A localização e a identificação se deu pelo trabalho da Unidade de Busca de Pessoas dadas por Desaparecidas (UBPD), que é uma entidade estatal criada em 2016 após um acordo de paz visando reparação e justiça envolvendo o histórico de conflitos armados na Colômbia. 

Camilo morreu em combate em 15 de fevereiro de 1966 durante um confronto com as forças do governo, tendo seu corpo escondido para tentar esconder o legado do revolucionário. 

“Por que não nos unir, se já se uniram o fuzil e o evangelho?”* 

Camilo Torres Restreto nasceu em Bogotá, capital da Colômbia, em 3 de fevereiro de 1929. Professor, Padre, Sociólogo e guerrilheiro revolucionário. Ainda na juventude iniciou sua militância junto aos mais pobres da classe trabalhadora. Ligado a Teologia da Libertação, o militante foi um dos fundadores da primeira faculdade de sociologia da América Latina em 1960, quando cinco anos depois é expulso da instituição por suas atividades revolucionárias, ingressando no Exército de Libertação Nacional (ELN), defendendo a luta armada para derrubar a Frente Nacional, uma espécie de ditadura disfarçada tendo a repressão e a violência como política de estado. Ao fazer sua preferência pelos mais pobres e defender um cristianismo onde a fé e as obras deveriam andar junto ao compromisso social, Camilo Torres entrou para a história como um verdadeiro seguidor de Jesus e um revolucionário autêntico. 

A ação da UBPD reforça a importância de lutar por memória, verdade, justiça e reparação em toda a América Latina, sobretudo após a invasão americana na Venezuela e as ameaças feitas pelo imperialismo norte americano em nosso território. As ações de busca que encontraram os restos mortais de Camilo articularam universidades, cientistas, a imprensa local, ouviram testemunhas, depoimentos, reconstruindo a história recente colombiana para garantir mais um capítulo na reparação social do país, além de manter aceso o debate sobre a necessidade de justiça para aqueles que lutaram contra a repressão em seus países. 

Camilo Torres não morreu. Imortalizado nos versos da canção de Daniel Viglietti, “Cruz de Luz”, cantado pelo chileno Victor Jara:

Onde caiu Camilo nasceu uma cruz 

Mas não de madeira, e sim de luz. 

(…)

Camilo Torres morre para poder existir.

Contam que após a bala se ouviu uma voz. . . 

Era Deus gritando Revolução.

(…)

Chamaram-no de bandido como a Jesus 

E quando desceram com o seu fuzil

Se depararam que o povo tem cem mil

Cem mil Camilos prontos para lutar (…) 

 

Camilo Torres, mais do que nunca, presente!

Camilo Torres “tombou para viver”, como cantou o poeta. Tornou-se exemplo de luta e de fé. Foto: reprodução.

* Trecho da música “Dispersos”, do cantor comunista venezuelano Alí Primera.

Lançamento de livro de Pedro Laurentino reúne militantes e defensores da cultura no Recife

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O poeta e militante Pedro Laurentino foi até o Recife, lançar na noite do dia 26 de janeiro o seu sétimo livro, “Raimundos & Apolinários. . . e etc e tal”. A atividade abriu o calendário de atividades do Centro Cultural Manoel Lisboa no Recife e foi marcado como uma noite para celebrar as lutas do populares, a resistência contra o avanço do imperialismo e a defesa do socialismo como alternativa para transformar o mundo. 

Clóvis Maia- Redação PE


 CULTURA- O Centro Cultural Manoel Lisboa no Recife recebeu na noite de 26 de janeiro o lançamento do livro “Raimundos & Apolinários. . . e etc e tal”. Essa é a sétima obra do poeta e militante piauiense Pedro Laurentino, e reuniu militantes sociais, líderes sindicais, e uma juventude animada, nesse que foi o primeiro evento político cultural promovido pelo Centro Cultural Manoel Lisboa no Recife em 2026. O evento também contou com um momento de poesias, um Coffee break e a sessão de outorgados e fotos com o poeta.

Nem Pedroca, nem Pedrinho

 Pedro Laurentino é militante histórico do movimento estudantil pernambucano, onde atuou na UFRPE, onde foi presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e participou da reorganização do movimento estudantil pernambucano, reabrindo a União dos Estudantes de Pernambuco (UEP), além de ter sido vereador no Recife em 1982 e em Teresina, capital do Piauí, sua terra natal.

Tendo a arte como ferramenta de luta, o espaço também se transformou num debate sobre o atual momento em que vive o nosso país, as ameaças do imperialismo estadunidense em nossa América Latina com a invasão e sequestro de Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores e o plano de transformar a Palestina num resort para a burguesia internacional.

Entre os presentes, Roberto Arraes, da direção do PCB no Recife e membro do comitê de solidariedade com o povo cubano, Rose Michele, do Coletivo de Filhos e Netos por Memória Verdade e Justiça, Edival Nunes Cajá, presidente do Centro Cultural Manoel Lisboa, entre outras lideranças que em suas falas reforçaram que a situação do mundo exige ainda mais resistência e luta e a defesa do socialismo.

Raimundos e Apolinários. . .

 O sétimo livro de Pedro Laurentino é também seu primeiro trabalho onde o poeta trabalha a ficção. Misturando prosa, poesia e memória, as agruras, peripécias e as vivências desses meninos de ontem e de hoje nos ajudam a refletir sobre nossa vida e nosso canto no mundo. O poeta, que é militante da Unidade Popular, sindicalista é um incansável agitador popular, segue para outros estados do Nordeste lançando seu livro e levando resistência e alegria, trazendo para o presente os exemplos de antes, olhando e construindo um futuro.

 

(…)São os desaparecidos

na escuridão da história

mas hão de virar avenida

no coração da memória

por onde desfila a vida

abraçada à liberdade.

(Muda Marechal)

 

“Raimundos & Apolinários . . . e etc e tal” é o sétimo livro de Pedro Laurentino. Foto: Jesse Lisboa (JAV-PE)
Nascido em Teresina, Pedro teve uma atuação no movimento estudantil da UFRPE, onde foi presidente do DCE em 1977. Foto: Jesse Lisboa (JAV-PE)

Primeiro longa de ficção de Jaboatão expõe especulação imobiliária sobre a pesca.

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Longa-metragem dirigido por Allen Jerônimo mescla ficção e realidade ao abordar a pressão do mercado imobiliário sobre a comunidade pesqueira de Barra de Jangada, em Jaboatão dos Guararapes, região metropolitana do Recife. 

João Montenegro | Redação PE


CULTURA – O Cinema São Luiz, no Recife, recebeu no último dia 20 de dezembro a estreia de Jaboatão, o Homem e o Mar. A exibição, seguida de debate com os realizadores, marcou o lançamento de um dos primeiros longas-metragens de ficção produzidos em Jaboatão dos Guararapes, marco importante na cinematografia da cidade. Com direção de Allen Jerônimo (Rede de Arrasto, 2022) e financiado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), o filme pauta a disputa territorial entre comunidades tradicionais e o avanço da especulação imobiliária na região.

A trama acompanha a trajetória de um pescador, interpretado por Romero José, que enfrenta a ameaça de perder seu meio de trabalho e moradia em Barra de Jangada devido às pressões de um empresário local e do setor da construção civil. A direção aposta no realismo: Romero, que assume o papel de protagonista, é um pescador na vida real, assim como Maria Daguia “Gracinha”, que interpreta sua mãe — ambos moradores da região e conhecedores da dinâmica local. Gracinha já havia colaborado com o diretor como protagonista do documentário Rede de Arrasto.

A produção, que foi rodada quase inteiramente em Jaboatão, valoriza artistas locais e conta com participações especiais de nomes conhecidos da cultura pernambucana, como Gilmar Bolla 8, Mestre Liu e Roger Renor. O elenco de apoio reúne Ivo Barreto, Lara Mano, Raphael Bernardo, Leandro Carvalho, Erivaldo Baiano, José Patrício, Gila Ferraz, Maria Izidoro, Joana D’Ark, Zyon Moraes, Sérgio Antônio, Ruana Paula, Allan Sales, Tadeu Filho, Roberto Vasconcellos, Aramis Trindade, Pai Antônio e Jota Barreto.

A equipe técnica traz Cassiano Henrique na direção de fotografia e Wesley Thomas na edição.

O Cinema e a realidade local

O roteiro dialoga diretamente com a situação atual da Associação dos Pescadores de Barra de Jangada, na foz do Rio Jaboatão. Em entrevista ao Jornal A Verdade, Allen contextualizou que o filme reflete um problema que ultrapassa as fronteiras do município. “É uma realidade do Brasil e do mundo. A especulação está cada vez mais desenfreada e quem sofre os impactos diretos são as comunidades de baixa renda”, afirmou.

Segundo o diretor, a Associação enfrenta um vácuo de liderança e um perigoso processo judicial que pode culminar na expulsão da comunidade para dar lugar a resorts e empreendimentos de luxo. A truculência do capital já se faz presente fisicamente: “Hoje está instalado um contêiner com segurança [privada] no local, só aguardando esse lance judicial encerrar porque, a qualquer momento, aquela associação pode sumir”, alertou Allen.

Para o cineasta, a obra audiovisual cumpre o papel de dar visibilidade ao conflito e gerar empatia, mas ele ressalta a necessidade de mobilização popular. “Não será apenas através da arte que a situação vai mudar. É fundamental que a população abrace a causa”, concluiu Allen durante o lançamento.

Jaboatão, o Homem e o Mar prova que o cinema da cidade está em crescimento, servindo como amplificador para as vozes que o poder da classe dominante tenta, a todo custo, silenciar.

Petroleiros fazem greve por salários e direitos

Petroleiros realizam 16 dias de paralisação nacional por salários justos e direitos para os trabalhadores da Petrobras.

Movimento Luta de Classes (MLC)


TRABALHADOR UNIDO – No último mês de dezembro, os sindicatos que representam os petroleiros de norte a sul do país foram unânimes em seu grito de guerra nas assembleias: “GREVE!”. A resposta da categoria ocorre após a apresentação da quarta proposta de acordo coletivo de trabalho (ACT) pela cúpula que administra a empresa hoje.

A insatisfação reside no não atendimento das demandas apresentadas pelo conjunto dos sindicatos, principalmente o aumento dos salários e melhorias no plano de carreira. Além disso, também estavam na mesa a readequação do plano de déficit do fundo de pensão, que está comprometendo a renda dos aposentados.

A Petrobras é a empresa mais valiosa do país, além de atuar em um setor determinante para a soberania nacional. Apesar disso, passa por um profundo processo de desmonte a partir da privatização que inicia já no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) com o fim do monopólio do setor do petróleo e a abertura de seu capital na bolsa de valores. Os governos Temer e Bolsonaro aprofundam o papel do mercado na gestão da companhia, em especial após a onda de cortes de investimento no setor e a venda de refinarias, gasodutos e da BR Distribuidora, empresa responsável por distribuição e comercialização de combustíveis.

“Nossa reivindicação não é nenhum exagero, é a devolução do que perdemos no último período. Lula foi eleito dizendo que atenderia as demandas da categoria petroleira, mas até agora vemos a mesma lógica, lucro para os acionistas e porta fechada para a gente”, disse Marcelo, militante do MLC e diretor do Sindpetro Litoral Paulista.

Força da categoria

A unidade e força dos petroleiros se expressaram na combatividade em que rechaçaram o acordo e nos piquetes que garantiram a continuidade da greve.

Mesmo com a saída precoce de parte de sindicatos filiados à Federação Única dos Petroleiros (FUP), entidade que tem relação direta com CUT e o governo Lula, muitas assembleias rechaçaram a proposta defendida pela cúpula da entidade por considerarem a proposta de ACT rebaixada e reconhecerem que a greve é a única forma de pressionar a administração a ceder.

Com a debandada da FUP, ainda se manteve paralisada 80% da produção, com prejuízo estimado em R$ 200 milhões por dia. É justamente esse impacto que fez com que a empresa agilizasse por meio da justiça medidas para pôr fim à greve, por meio de um dissídio coletivo.

“Conquistamos pequenos avanços na pauta reivindicada, o reajuste foi menor do que queríamos e ainda parcelado, meio por cento agora e meio por cento ao longo de 2026. Mas a principal conquista foi conscientização e mobilização da categoria. Isso vai fazer que a próxima greve seja ainda mais forte”, acredita Marcelo.

A greve durou 16 dias, vanguardeada pelos sindicatos mais combativos, mas também reafirmando a necessidade da união entre os sindicatos e os movimentos sociais e partidos que têm por objetivo avançar a união e luta dos trabalhadores até a construção de um sistema em que direitos básicos sejam garantidos e os trabalhadores sejam valorizados com salários justos, de acordo com sua necessidade.

Matéria publicada na edição impressa Nº 327 do jornal A Verdade

Condenamos o ataque imperialista estadunidense contra a Venezuela e conclamamos à solidariedade com o povo venezuelano

Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas (CIPOML)


MUNDO – A Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas (CIPOML) expressa sua mais enérgica condenação à pérfida agressão militar executada pelo governo dos Estados Unidos contra a República Bolivariana da Venezuela.

Os ataques aéreos e o sequestro do presidente venezuelano Maduro e de sua esposa – levados aos Estados Unidos após ameaças políticas e um bloqueio econômico que inclui a confiscação de navios mercantes, implementados por Washington, constituem uma clara violação do direito internacional e do princípio da autodeterminação, bem como um flagrante ato de pirataria.

A CIPOML considera que este ataque terrorista do imperialismo estadunidense busca castigar um povo que desafiou a hegemonia historicamente imposta no continente e que apenas demonstrou a determinação de controlar seu próprio destino e seus recursos naturais. Com este ataque contra a Venezuela, os imperialistas estadunidenses não tentam apenas se apoderar do destino e dos recursos do povo venezuelano; este ataque constitui uma ameaça e uma advertência para os povos do mundo, em particular os da América Latina e do Caribe.

O ataque à Venezuela ocorreu imediatamente após as tentativas de estabelecer a hegemonia estadunidense no Oriente Médio, que deve ser completamente depurado de forças antiamericanas, e depois que Trump, líder do imperialismo estadunidense, ameaçou intervir contra o Irã. Este agressor imperialista, que se autoproclama dono e polícia do mundo, ataca todo lugar e toda potência que considera um obstáculo, e deve ser detido.

O princípio da indivisibilidade da soberania sobre o continente americano, incluído no Documento de Segurança Nacional anunciado pelo imperialismo estadunidense no final de novembro e que representa uma atualização da Doutrina Monroe, é a base da brutalidade imperialista contra a Venezuela.

Este novo ataque imperialista contra a Venezuela é mais um passo em uma estratégia sistemática destinada a estabelecer o controle sobre países que optaram por trilhar seu próprio caminho. Neste contexto, a soberania da Venezuela faz parte da dignidade de seu povo. Portanto, a defesa da independência e da soberania da Venezuela deve ser uma prioridade irrenunciável para todas as forças progressistas e revolucionárias que aspiram a um mundo baseado na coexistência pacífica e no respeito aos assuntos internos.

Por isso, a CIPOML convoca urgentemente os trabalhadores e povos do mundo a se oporem ativamente a este ataque, que adiciona novos elementos de turbulência à situação internacional.

As vozes dos trabalhadores e do povo devem se erguer com força para defender a Venezuela. Reafirmamos que não permitiremos a violação da soberania e do direito de viver em paz de um povo que aspira construir seu futuro sem tutela estrangeira.

Matéria publicada na edição impressa Nº 327 do jornal A Verdade

Trabalhadores de Curitiba sofrem com déficit habitacional

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Dados da Pesquisa de Necessidades Habitacionais do Paraná 2023, revelam que mais de 500 mil pessoas estão no déficit habitacional do estado, com a capital concentrando parcela dessa demanda: 109 mil famílias.

Gabriela Torres


LUTA POPULAR – Moradia digna, considerada como um direito básico pela Constituição do país, é uma realidade distante no Brasil: mais de seis milhões de famílias estão no déficit habitacional; ou seja: não possuem moradia, habitam regiões de risco ou gastam mais de 30% da renda familiar com aluguel. 

No estado do Paraná, essa contradição latente passa pela vida de toda a classe trabalhadora: dados da Pesquisa de Necessidades Habitacionais do Paraná 2023, revelam que mais de 500 mil pessoas estão no déficit habitacional do estado, com a capital concentrando parcela dessa demanda: 109 mil trabalhadores. 

Cidade modelo para quem? 

Considerando as condições de moradia dos trabalhadores paranaenses, a situação se agrava ainda mais. Segundo a COHAPAR (Companhia de Habitação do Paraná), a capital curitibana possui atualmente 43.261 casas localizadas em 322 favelas; e mais de sete mil casebres e barracos em áreas de risco e irregulares. Os moradores das comunidades enfrentam desafios maiores que o resto da população. Precisam lidar com a falta de condições mínimas de habitabilidade, como a falta de saneamento básico, falta de água intermitente, transporte público mais precarizado, além de perigos como deslizamentos e alagamentos. 

“A gente tamo na fila da COHAB há dezesseis anos, tamo pagando o aluguel cada vez mais caro, e a tendência só piora, as taxas imobiliárias aumenta, pra tudo você precisa de um fiador, um calção, faltam pedir um rim seu pra poder alugar uma casa; e com o recurso que a gente temos, o negócio é morar na comunidade, onde não tem segurança, não tem luz decente, não tem asfalto. Você não vive, você sobrevive dentro de uma comunidade, pra não morar debaixo da ponte ou do viaduto, né? Você enfrenta, com o calor, o pó, e com a chuva, a lama, de todo jeito o sem-teto se lasca. Enquanto isso, tem muito lugar vazio e tem muita gente desabrigada”, diz Reginaldo Nunes, militante do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas.

Para as famílias que dependem do aluguel, o medo de não fechar as contas no fim do mês é uma constante. Nas periferias da capital, muitas famílias se submetem a aluguéis que consomem mais da metade do salário mínimo. Enquanto isso, a quantidade de pessoas em situação de rua na região central da cidade é crescente. Os dados expressam uma política de carestia que assola o estado: 32,6% dos trabalhadores paranaenses atuam na informalidade, ou seja, recebendo pouco e sem direitos; de acordo com o Ministério do Trabalho.

Contraditoriamente, a quantidade de imóveis particulares abandonados aumentou nos últimos dez anos: mais de 102 mil unidades habitacionais vazias e sem cumprir com a lei da Função Social na região metropolitana de Curitiba, número maior do que a quantidade de famílias sem teto, o que prova que o descaso com o povo pobre é a política do governo do estado, liderado pelo fascista Ratinho Jr. 

É papel dos movimentos sociais organizados defenderem os direitos dos trabalhadores sem teto que erguem com suor as riquezas da 7° maior economia do país. Enquanto vigorar o sistema capitalista, que privilegia a propriedade privada em detrimento da vida, apenas o enfrentamento aos ricos poderá dar condições dignas para a maioria.

Servidores públicos municipais lutam por salário em Teresópolis (RJ)

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Servidores municipais de Teresópolis, na Região Serrana do RJ, lutam contra atrasos nos salários e perda de direitos trabalhistas.

Filipe Costa | Teresópolis – RJ


TRABALHADOR UNIDO – No último dia 7/01, dezenas de servidores municipais, aposentados e militantes populares marcharam até a Prefeitura de Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, em mais um ato de resistência contra o atraso salarial e a ganância da burguesia municipal. A manifestação, convocada pelo SindPMT (Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Teresópolis) e apoiada pelo Movimento Luta de Classes e pela Unidade Popular, marcou mais um capítulo na luta irreconciliável da classe trabalhadora contra a exploração institucionalizada.

Como denunciado no Jornal A Verdade do ano passado, os servidores já enfrentaram situações semelhantes — e novamente são obrigados a sair às ruas para defender o mínimo, pagamento em dia.

Relatos expõe descaso da prefeitura

“Nosso movimento atual é resultado de anos de luta e frustrações. Historicamente, a classe trabalhadora tem sido frequentemente prejudicada, e nossos servidores não são exceção.”, denunciou Alexandre Pimentel, presidente do SindPMT.

O presidente do sindicato denunciou que atualmente, os servidores enfrentam novo atraso no pagamento do 13º salário, do adicional de férias e somente receberam 1% do 14º. Apesar de inúmeras tentativas de diálogo com o prefeito, não houve solução concreta. A promessa da gestão municipal de Leonardo Vasconcelos de pagamento do 14º até o dia 20 é insuficiente e desrespeitosa.

“Atrasos na nossa aposentadoria causam grandes transtornos, pois muitos dependem desses valores para comprar remédios, fazer compras e honrar dívidas. Muitos recebem somente um salário mínimo”. A situação descrita por Maria de Lourdes, servidora aposentada, é como um espelho da realidade cruel enfrentada por diversos servidores e aposentados que, após décadas de contribuição, são tratados como “gasto público” pela máquina administrativa.

Objetivo da prefeitura e desorganizar trabalhadores

Na prática cotidiana da administração municipal, a burguesia local, articulada aos políticos, impõe uma sistemática de dominação que vai além do simples atraso salarial. Trata-se de uma estratégia consciente, para manter os servidores em estado permanente de vulnerabilidade.

Ao sabotar intencionalmente o fluxo dos pagamentos — seja do 13º, do adicional de férias ou dos proventos dos aposentados —, a gestão municipal busca criar um ambiente de instabilidade financeira, sufocando qualquer possibilidade de resistência organizada. Sem condições de planejar suas finanças pessoais, os trabalhadores são compelidos a aceitar qualquer condição imposta pelo governo municipal.

Ao mesmo tempo, essa política de omissão e descaso transfere para os ombros da classe trabalhadora os custos de uma crise que não foi produzida por ela. Enquanto os gestores se reúnem às portas fechadas com empresários e banqueiros locais, discutindo repasses e financiamentos, os servidores veem seus salários virarem moeda de troca nas mesas do poder.

Ainda segundo Alexandre, “os aposentados deveriam receber seus pagamentos no dia 5, mas isso não ocorreu. Entramos com um mandado de segurança que foi negado pelo judiciário devido à ausência de um documento oficial da prefeitura que garantisse o pagamento na data prometida.”.

Este episódio revela a face mais cínica dessa administração: a negação sistemática da própria legalidade democrática. Não há compromisso com a Constituição, com a Lei Orgânica Municipal e muito menos com os direitos fundamentais dos cidadãos. Há tão somente a manipulação descarada das instituições, como se fossem instrumentos pessoais de poder.

Mais uma vez, a classe trabalhadora demonstra sua força e sua coragem ao enfrentar uma máquina administrativa corrupta e que só funciona para os burgueses. A classe trabalhadora não pode mais esperar.

Trabalhadores se organizam com MLC para retomar Sindpd/SC para a luta

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Trabalhadores de tecnologia de Santa Catarina se organizam para debater o futuro da categoria e construir um sindicato combativo que enfrente as demissões em massa e o adoecimento dos trabalhadores.

MLC Santa Catarina 


TRABALHADOR UNIDO – Por anos, o setor de tecnologia foi propagandeado como “profissão do futuro”. A verdade é que dentro do capitalismo, nós, trabalhadores de TI somos extremamente explorados. Enquanto as empresas reportam lucros bilionários e investem rios de dinheiro em Inteligência Artificial, os trabalhadores enfrentam demissões em massa, redução salarial, terceirização e PJotização

No início de 2024 e ao longo de 2025, houve grandes ondas de demissões nas chamadas “Big Techs”, como Google, Microsoft, Amazon e Meta, e em outras empresas do setor. Apenas nos primeiros meses de 2025, mais de 22 mil pessoas foram demitidas no setor em todo o mundo, indicando uma das maiores ondas de cortes já registradas.

Uma das empresas que promoveram demissões no último período é TOTVS, uma empresa de software. Apesar de ter reportado lucro líquido de R$ 248,7 milhões, um aumento de 10,2% sobre o resultado do ano passado, ela paga uma média de R$ 2.800 aos seus trabalhadores, segundo o site  de empregos Glassdoor.

Marcos Blanco, ex-trabalhador da empresa, denunciou em sua página na rede Linkedin que foi demitido em meio à uma reunião com um cliente. “Pensei que tivesse acontecido algo grave com meus filhos na escola, então pedi licença ao cliente e saí. Mas, por sorte, não era nada com meus filhos ou familiares: era “apenas” para me avisar que eu fui desligado. Sem mais”, denunciou.

Trabalhadores do Mercado Livre sofrem burnout e perseguição

Em 2025, o lucro do Mercado Livre chegou a US$ 7,4 bilhões em receita. A quantia representa um aumento de 40% em receita e volume de vendas, impulsionada principalmente pelo local de maior operação: o Brasil. Enquanto os donos da empresa ficam mais ricos, os trabalhadores estão doentes, como relataram diversos funcionários à página “Trabalhadores Meli” no Instagram.

“A pressão por resultados e a falta de compreensão e humanidade do RH causaram danos psicológicos, que me afetaram a me recolocar no mercado. Sinto que fui demitida por questionar, não pela minha  performance”, disse uma trabalhadora. Outro trabalhador também demitido, denuncia a censura a que estão submetidos os trabalhadores de TI que hoje estão no regime de home office. “Fui desligado no dia em que me coloquei contra a ida ao presencial arcando com os custos, após me manifestar em reunião aberta com o time”, relatou.

Outro absurdo foi a demissão de uma trabalhadora que foi demitida após prestar solidariedade ao povo palestino em um canal de comunicação interno da empresa. A manifestação veio depois que um diretor executivo defendeu o estado de Israel e rechaçou o “terrorismo”, conforme denunciou o Jornal A Verdade.

Em 2024, os trabalhadores de tecnologia do Mercado Livre de Santa Catarina se organizaram e procuraram seu novo sindicato, o Sindicato dos Empregados em Empresas de Processamento de Dados de Santa Catarina (Sindpd/SC) para debater um novo acordo coletivo. Entre as principais reivindicações estava a redução da jornada de trabalho para 40 horas e a garantia do home office.

A empresa não apenas ignorou as reivindicações dos empregados, como tentou dissuadir e silenciar a Assembleia convocada pelo Sindpd/SC. “Os gerentes faziam chacota com quem acreditava que o sindicato faria o melhor acordo coletivo, e que era para todos votarem na proposta da empresa”, denunciou um trabalhador ao The Intercept Brasil.

Trabalhadores em luta por um sindicato combativo

Diante do acirramento da luta de classes na categoria, trabalhadores de tecnologia organizados no Movimento Luta de Classes promoveram diversas plenárias para debater o futuro de suas lutas com a base. A participação nas eleições do Sindpd/SC surgiu como uma proposta de acompanhar mais de perto a situação do Mercado Livre e do setor privado, além de levantar as bandeiras da redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6×1 em toda a categoria.

Por isso, o Movimento Luta de Classes procurou o sindicato para apresentar a necessidade de construção da unidade de luta. Porém, a atual direção restringiu a participação da base, conduzindo o processo de forma antidemocrática, inscrevendo a chapa sem qualquer diálogo. Desta forma, contribuiu para que uma chapa de oposição oportunista (“Revolution”) surgisse aproveitando-se da situação para ocupar o sindicato.

Apesar de criticar o imobilismo da atual gestão, a chapa Revolution já faz parte da atual gestão do Sindpd em São Paulo e se elegeu com base no golpismo, quando, em agosto de 2024, impediu o Movimento Luta de Classes de entregar os quase 50 documentos para a inscrição de chapa, tornando-se chapa única.

Esta mesma chapa agora quer disputar as eleições em Santa Catarina e está disposta a qualquer coisa para chegar ao poder. Recentemente, entraram com um pedido questionando o processo de eleição que foi acatado pelo Tribunal Regional do Trabalho de Santa Catarina. A ação culminou em uma nova assembleia, que confirmou a data da eleição para o dia 12 de fevereiro. O MPT-SC e TRT 12 SC irão acompanhar as eleições.

Diante disso, o MLC propõe ser a alternativa necessária para que os trabalhadores de TI possam construir um sindicato que lute e traga conquistas para sua categoria, com coragem e sem oportunismos. Vamos lutar por um sindicato classista e revolucionário de fato, que tenha a sua frente dirigentes que representam a categoria e não se pautem pela vontade dos patrões!