UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 27 de março de 2026
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7º Congresso do PCR define novas tarefas dos revolucionários diante da ameaça imperialista

Reafirmando a necessidade da revolução socialista no Brasil, o Partido Comunista Revolucionário (PCR) realizou, no início de dezembro de 2025, em São Paulo, o seu 7º Congresso.

Redação


PARTIDO – “A história de um Partido é a história de seus congressos”. A frase estampada na capa do material gráfico recebido pelos delegados sintetizou o significado político do 7º Congresso Nacional do Partido Comunista Revolucionário (PCR), realizado no início de dezembro de 2025, no Estado de São Paulo.

O Congresso coroou um processo de construção partidária que se desenvolveu ao longo do ano passado, envolvendo milhares de militantes em todo o país, realizando um balanço coletivo e reafirmando a necessidade da revolução socialista no Brasil.

A militância do Partido estudou e debateu a Convocatória do Congresso, os documentos da Conferência Internacional de Partidos e Organizações Marxistas-Leninistas (CIPOML), as teses do Comitê Central sobre o Programa da Revolução Socialista, a política de autossustentação, os Estatutos e sobre o trabalho no seio da classe operária.

Enquanto se preparavam para o Congresso, os militantes do PCR também desenvolveram uma ampla jornada de lutas no país. Ampliaram as brigadas do jornal A Verdade para denunciar a realidade do povo brasileiro e convocar mais pessoas a se somarem na luta revolucionária; protagonizaram uma greve vitoriosa dos estudantes das escolas técnicas; disputaram eleições sindicais; organizaram mobilizações contra o racismo, a violência policial, o feminicídio e a violência contra a mulher; realizaram atos nacionais de solidariedade ao povo palestino e contra a escala 6×1. Cabe destacar o caso da montadora chinesa BYD, onde os operários da construção civil que erguem a nova unidade da fábrica em Camaçari (BA), deflagraram uma histórica greve de uma semana a partir dessa jornada de lutas. Todo esse acúmulo de experiências marcou profundamente os debates, trazendo à plenária a realidade viva da luta de classes no Brasil.

O Congresso

Participaram do Congresso centenas de delegados e delegadas eleitos em seus estados, de todas as regiões do Brasil, além de uma delegação dos militantes que moram no exterior. Cada pessoa foi rebatizada com o nome de um(a) militante assassinada pela ditadura militar fascista, numa grande demonstração do compromisso do PCR com a luta por memória, verdade e justiça.

O Congresso começou com o plenário entoando A Internacional, hino do proletariado, seguido de um ato em homenagem aos cinco heróis do PCR assassinados pela ditadura militar fascista.

A mesa de abertura reuniu representantes de movimentos sociais, dirigentes do Partido e da CIPOML, destacando as lutas mais recentes, os desafios colocados pela ofensiva do fascismo e das potências imperialistas e a necessidade de elevar o nível de organização popular para enfrentar a crise do capitalismo e construir o socialismo. O Comitê Central do PCR foi representado por Edival Cajá e a CIPOML por Pablo Miranda, dirigente do Partido Comunista Marxista Leninista do Equador (PCMLE).

A análise de conjuntura ocupou lugar central nos debates. Em seu informe, em nome do Comitê Central do Partido, Luiz Falcão destacou que o mundo vive um período de aprofundamento da crise do imperialismo, marcado pela disputa entre grandes potências, que ameaça os povos com golpes e invasões, como no caso da Venezuela, e por uma maior exploração da classe trabalhadora.

No Brasil, essa crise se expressa no desemprego, na informalidade, na retirada de direitos e na fome, que ainda atinge milhões de trabalhadores. Diante dessa realidade, o Congresso afirmou que não há saída dentro dos limites do capitalismo e que é preciso acelerar o trabalho revolucionário, elevando o ritmo e a qualidade da intervenção do Partido.

As falas dos delegados e delegadas demonstraram a grande vontade coletiva de avançar ainda mais, ampliando a organização e a influência do PCR junto à classe trabalhadora brasileira. Militantes da classe operária, da juventude, do movimento de mulheres e dos movimentos populares relataram experiências, apontaram dificuldades e reafirmaram a necessidade de fortalecer o Partido como principal instrumento de luta dos revolucionários.

As intervenções culturais também cumpriram um papel político importante. A artista popular Bianca Barbosa emocionou o plenário ao recitar o texto de Maria do Carmo em memória de Manoel Lisboa, reafirmando o legado dos comunistas que deram a vida pela revolução. Em outro momento marcante, o ator popular Felipe Galisteo encenou a resistência de Manoel Aleixo sob tortura. Também foi recitado o poema Às Gerações Futuras, de Emmanuel Bezerra. Atrás do palco, um grande bandeirão com a frase “Meus soldados não se rendem, o grande dia chegará” dialogava diretamente com a intervenção, relembrando aos presentes a tarefa histórica delegada aos comunistas do PCR por Emmanuel.

Num dos principais momentos do evento, o camarada Pablo Miranda fez uma exposição sobre a Revolução Socialista na América Latina, em que reafirmou o papel indispensável dos Partidos Comunistas e da construção do processo revolucionário a partir das lutas concretas do proletariado de cada país. Tais lutas devem ser articuladas em nível internacional, sendo, inclusive, uma importante tarefa a construção de organizações leninistas na região.

Resoluções

Os delegados aprovaram por unanimidade a resolução final, que reafirma a centralidade da classe operária, especialmente do operariado fabril, como força dirigente da revolução, e aponta a necessidade de ampliar rapidamente o Partido, triplicando seu número de militantes e elevando sua capacidade de organização, direção e intervenção nas lutas concretas.

Para realizar esse trabalho, o jornal A Verdade foi reafirmado como ferramenta fundamental de agitação, propaganda e organização, e foi tomada a decisão de avançar em sua periodicidade, transformando-o num jornal semanal.

O Congresso também aprovou uma firme posição de solidariedade e fortalecimento da organização partidária em Santa Catarina, onde militantes foram alvo de ataques do Estado burguês fascista.

O 7º Congresso do PCR deixou clara a necessidade de acelerar a revolução brasileira. As resoluções aprovadas afirmaram que, diante da crise do capitalismo, é preciso alcançar um novo ritmo:

“A verdade é que a imensa maioria da classe trabalhadora brasileira sofre com condições degradantes de trabalho, marcadas por extensas jornadas e baixos salários. Enquanto isso, os banqueiros ganham fortunas com as altas taxas de juros, os donos dos supermercados aumentam todos os dias os preços dos alimentos e um reduzido grupos de bilionários, donos das terras, das empresas de agronegócio e das indústrias, transformaram o Congresso Nacional e o Estado em simples órgãos para defender suas riquezas e interesses. Não temos tempo a perder! Para deter esses crimes e essas injustiças, todo o Partido deve adotar um novo ritmo de trabalho, diferente do atual, um trabalho que seja efetivamente diário, sistemático e contínuo.”

Ao final dos trabalhos, o Congresso aprovou o novo Comitê Central e reafirmou o legado revolucionário de Manoel Lisboa, Emmanuel Bezerra, Amaro Luiz de Carvalho, Manoel Aleixo e Amaro Félix.

“O futuro da humanidade e do nosso povo está em nossas mãos. Cumpramos com a nossa missão! Seguindo o caminho revolucionário, reafirmamos e renovamos nossas intenções e objetivos, lembrando as palavras de Manoel Lisboa: Só com coragem, decisão e firmeza é que se luta. Só na luta é que se forma o Partido Comunista Revolucionário. Só na luta se constrói o exército revolucionário do povo”, diz a Resolução Final do Congresso.

O PCR vive, luta e avança! A revolução socialista vencerá!

Viva a CIPOML! Viva o poder operário e popular!

Matéria publicada na edição impressa Nº 327 do jornal A Verdade

15 mil enfermeiras de Nova Iorque em greve

15 mil enfermeiras estão em greve por melhores condições de trabalho, por um contingente seguro de dimensionamento de pessoal nos Estados Unidos.

Tatiane Andrade | Macaé (RJ)

TRABALHADOR UNIDO – O ano de 2026 se inicia com graves ataques do imperialismo aos povos do mundo. No maior país capitalista do planeta, os EUA, os ataques à classe trabalhadora também se intensificam.

Desde a posse do fascista Donald Trump, o povo dos Estados Unidos, em especial os imigrantes, têm vivido uma verdadeira perseguição política, chegando ao caso recente do assassinato de Renee Nicole Gold, de 37 anos, baleada em seu carro em Minneapolis por agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA). Esse caso despertou diversas manifestações em vários estados do país.

No ano passado, milhares de pessoas foram às ruas após diversos cortes nos poucos programas sociais do governo dos EUA, protestos esses chamados “No Kings” (Sem Reis). Além disso, desde 2023, diversas categorias se organizaram em greves históricas, como foi o caso dos trabalhadores e trabalhadoras da Amazon, que pararam pelo fim das jornadas abusivas e pelo direito de terem um sindicato.

É nesse contexto de crise do capitalismo com amplas mobilizações e respostas da classe trabalhadora que Nova Iorque vive a maior greve da história das trabalhadoras de enfermagem.

Trabalhadoras da enfermagem em luta

De acordo com o New York State Nurses Association (NYSNA – Sindicato de Enfermeiras do Estado de Nova Iorque) desde o dia 22 de dezembro de 2025, 97% dos profissionais de enfermagem do setor privado filiados ao sindicato votaram a favor da greve, que se iniciou no dia 12 de janeiro de 2026.

Desde então, cerca de 15 mil enfermeiras estão em greve por melhores condições de trabalho, por um contingente seguro de dimensionamento de pessoal – denúncias apontam sobrecarga de trabalho e algumas profissionais com um número extremamente inseguro de pacientes para dar conta –, contra a violência no ambiente de trabalho e por melhores salários. Nos cartazes e fotos das manifestações vemos frases como “Mais enfermeiras = melhor cuidado” e “Pacientes acima dos lucros!”.

A greve, que já dura alguns dias, tem recebido apoio da comunidade nova iorquina, que se junta aos atos mesmo no extremo inverno de Nova Iorque e se manifesta também contra os lucros exorbitantes dos CEOs dos hospitais privados da cidade.

Com piquetes e atividades todos os dias, o maior sindicato do estado de Nova Iorque, com aproximadamente 42 mil sindicalizados, vem recebendo apoio de 45 outros sindicatos dos Estados Unidos, representando mais de 2,5 milhões de trabalhadores, que assinam uma carta em solidariedade à luta das enfermeiras: “Nós somos solidários com 20.000 enfermeiras do NYSNA [que trabalham] em hospitais privados da cidade de Nova Iorque cujos contratos expiraram em 31 de dezembro de 2025… Os sindicatos estão prontos para ficar ombro a ombro com as enfermeiras nas linhas de frente e piquetes, se uma greve se tornar necessária. Está na hora dos administradores hospitalares ouvirem as suas enfermeiras e se comprometerem com contratos justos para as nossas comunidades e trabalhadoras sem mais demoras.”

Sistema capitalista explora trabalhadores

Todas essas reivindicações em muito se assemelham ao que as enfermeiras brasileiras vivem hoje nos hospitais Brasil afora, mostrando que o sistema capitalista não tem nada a oferecer em qualquer lugar do mundo – inclusive e principalmente no maior país capitalista como é os Estados Unidos.

É ou não é verdade que as equipes de enfermagem vivem hoje jornadas exaustivas, sobrecarga de trabalho (devido a redução do número de profissionais para cada paciente) e situações de violência em seus ambientes laborais? Em nosso país, a segunda maior categoria profissional, com 3 milhões de trabalhadoras, enfrenta grandes desafios. Seja na luta por uma remuneração justa ou também no correto dimensionamento de equipe.

Sobrecarga laboral

Hoje, um único profissional muitas vezes precisa ser responsável por um número de pacientes muito superior do que é recomendado, o que facilita o risco dos erros acontecerem, além de promover sobrecarga mental e física no trabalho.

Mesmo representando 70% da força de trabalho do setor da saúde, sabemos da desvalorização que a categoria sofre e a luta incansável por jornadas de trabalho e remuneração mais justas. O que acontece nos Estados Unidos se repete em nosso país: os grandes empresários da saúde querem saber mais dos lucros do que da vida e segurança dos pacientes. Prova disso foi o documento que esses empresários emitiram em 2021 solicitando a retirada de pauta da votação do piso salarial, além da ação no STF em 2022.

Contudo, a história tem nos mostrado que a classe operária é insubmissa e se organiza em todo o mundo para mudar essa realidade! No Brasil, as greves nacionais de enfermagem – convocadas pelo Sindicato de Enfermeiros do Estado de Pernambuco, dirigido pelo Movimento Luta de Classes, foram determinantes para que o piso nacional de enfermagem entrasse em vigor após cerca de 20 anos de luta.

Quanto mais o capitalismo se desenvolve, mais ele “forja as armas que o levarão à morte”. Estamos vivendo um momento histórico, de acirramento da luta de classes e enfrentamento da classe trabalhadora diante de uma burguesia que se definha cada dia mais. À medida que a crise do capitalismo avança, avançam também as respostas de luta do povo.

Justiça apoia aumento de passagens de ônibus no Recife para garantir lucros para os empresários

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A justiça tinha suspenso o aumento das passagens na região metropolitana, aprovada de forma antidemocrática no último 15 de janeiro por irregularidades. Agora, o Tribunal de Justiça de Pernambuco, indo na contramão da realidade da maioria dos recifenses, retomou o aumento, que vai atingir diretamente o bolso dos mais pobres.

 Redação Pernambuco


 SOCIEDADE- Na última sexta-feira (23) a juíza Nicole de Faria Neves, do 5º Juizado Especial da Fazenda da Capital, suspendeu o reajuste da passagem na região metropolitana do Recife. O aumento tinha sido aprovado em reunião do Conselho Superior de Transporte Público em 15 de janeiro, mesmo com os movimentos sociais ocupando a sede da Grande Recife Consórcio de Transporte, empresa responsável pelo gerenciamento do transporte na região metropolitana. Com o ajuste, a passagem passaria de R$ 4,30 para R$ 4,50 e entraria em vigor dia 1 de fevereiro. Acontece que o Presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco, o desembargador Ricardo Paes Barreto, decidiu revogar a suspensão, mantendo o aumento, com a justificativa de que “a suspensão traria prejuízo ao governo do estado”.

Esse aumento da passagem é mais um ataque ao nosso bolso e uma mostra de qual lado está a justiça e pra quem governa as autoridades do estado. Enquanto isso um trabalhador, que gasta cerca de 30% de seu salário com transporte e amarga com o alto custo de vida na região metropolitana do Recife, uma das maiores do Nordeste.

Do lado de quem?

Os subsídios para as empresas do transporte estão estimados em mais de R$ 400 milhões para 2025/2026. A governadora Raquel Lyra (PSD) opta por mais benefícios para as empresas em pleno ano de eleição, além da proposta de privatização do metrô, com o vergonhoso apoio do governo Lula. Segundo Maria Santos, presidente da União dos Estudantes de Pernambuco (UEP), “nem o conselho que aprovou o aumento nem o governo estadual ouviram os estudantes e os trabalhadores. O governo não dialoga com quem usa o transporte cotidianamente”.

Essa série de aumentos de passagens voltou com força. Ao menos 8 capitais anunciaram o reajuste em janeiro de 2026, como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e Fortaleza. Isso mostra que a ofensiva dos empresários do transporte, os patrocinadores das campanhas dos atuais governadores e prefeitos dessas cidades, precisa ser enfrentada e combatida nas ruas.

Com o segundo pior índice de congestionamento e o quarto pior tempo de deslocamento das capitais do país (dados da pesquisa mundial do Moovit) o aumento das passagens vai atingir diretamente a classe mais humilde, os estudantes e as periferias, que dependem do transporte coletivo. É urgente continuar nas ruas e ampliar as denuncias do que está sendo feito pelas autoridades. Segundo Maria, “defendemos um transporte público de verdade, com passe livre para estudantes, trabalhadores e desempregados. Um transporte organizado diz respeito a qualidade de vida, e isso não pode ser visto como um gasto, muito menos uma mercadoria. Nós iremos continuar nas ruas contra esse atraso”, afirma.

Ocupação Francisco Bernardo do MLB é inaugurada no centro de Curitiba

Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas inicia ocupação Francisco Bernardo para denunciar falta de moradia em Curitiba.

Redação PR


LUTA POPULAR – Nasce a Ocupação Francisco Bernardo, na cidade de Curitiba, organizada pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas. A mobilização conta com mais de 50 famílias sem teto da capital que não conseguem custear o valor do aluguel e sofrem com o aumento da carestia e do custo de vida.

O imóvel está localizado em um espaço abandonado há mais de dez anos, sem cumprir função social. A Francisco Bernardo é mais uma ocupação construída pelo MLB, um dos maiores movimentos de moradia do país que lutam pela reforma urbana e pelo socialismo.

“A gente tamo na fila da COHAB há dezesseis anos, tamo pagando o aluguel cada vez mais caro, e a tendência só piora, as taxas imobiliárias aumenta, pra tudo você precisa de um fiador, um calção, faltam pedir um rim seu pra poder alugar uma casa; e com o recurso que a gente temos, o negócio é morar na comunidade, onde não tem segurança, não tem luz decente, não tem asfalto”, diz Reginaldo Nunes, militante do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas e morador da ocupação.

A mobilização, organizada na última quarta (28), expressa a incapacidade do poder público de enfrentar a especulação imobiliária na 7° maior capital do país e solucionar o déficit habitacional que atinge milhares de famílias paranaenses: Atualmente, mais de 500 mil pessoas estão no déficit habitacional no estado, sendo 109 mil na capital de Curitiba e região metropolitana.

Famílias do MLB se organizam durante ocupação de prédio abandonado em Curitiba. Foto: JAV-PR

Falta moradia em Curitiba

Segundo a COHAPAR (Companhia de Habitação do Paraná), a capital curitibana possui atualmente 43.261 casas localizadas em 322 favelas; e mais de sete mil casebres e barracos em áreas de risco e irregulares. Os moradores das comunidades enfrentam desafios maiores que o resto da população. Precisam lidar com a falta de condições mínimas de habitabilidade, como a falta de saneamento básico, falta de água intermitente, transporte público mais precarizado, além de perigos como deslizamentos e alagamentos. 

Para as famílias que dependem do aluguel, o medo de não fechar as contas no fim do mês é uma constante. Nas periferias da capital, muitas famílias se submetem a aluguéis que consomem mais da metade do salário mínimo. Enquanto isso, a quantidade de pessoas em situação de rua na região central da cidade é crescente. Os dados expressam uma política de carestia que assola o estado: 32,6% dos trabalhadores paranaenses atuam na informalidade, ou seja, recebendo pouco e sem direitos; de acordo com o Ministério do Trabalho.

“Você não vive, você sobrevive dentro de uma comunidade, pra não morar debaixo da ponte ou do viaduto, né? Você enfrenta, com o calor, o pó, e com a chuva, a lama, de todo jeito o sem-teto se lasca. Enquanto isso, tem muito lugar vazio e tem muita gente desabrigada”, conclui Reginaldo.

Quem foi Francisco Bernardo?

Liderança da guerrilha, Francisco Bernardo foi um dos camponeses que, após serem ameaçados de expulsão de suas terras no município de Porecatu, iniciaram um levante armado para defender as suas vidas. De origem muito humilde, ajudou a fundar as ligas camponesas que atuaram no norte do estado em diversos enfrentamentos contra a burguesia latifundiária paranaense.

Mercado Público de Água Fria, no Recife, é sinônimo de abandono

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Situado na Zona Norte do Recife, o Mercado de Água Fria é uma referência histórica para os moradores do bairro. O problema é que o espaço vem sofrendo com o abandono por parte do poder público. 

Gustavo Gusmão| Recife


LUTA POPULAR- O Mercado Público de Água Fria, Zona Norte do Recife, tem suas raízes em um comércio espontâneo, a feira de Água Fria, que antecede a sua construção oficial. Apesar dos registros datarem sua abertura em 1954, a memória afetiva dos moradores remonta a um tempo anterior, quando as ruas próximas já fervilhavam com vendedores ambulantes. O mercado surgiu como resposta a essa movimentação popular; sua história se confunde com a identidade do bairro.

Hoje, sob gestão da CONVIVA/CSURB e da prefeitura de João Campos (PSB), tanto o mercado quanto a Feira Nova estão abandonados. Observamos isso nas condições em que se encontram: Estrutura sucateada, goteiras, falta d’água constante, insegurança, problemas elétricos, saneamento precário, ratos, pombos, baratas. Apesar das más condições, os trabalhadores são obrigados a arcar com altas taxas de locação para utilizar o espaço.

A maioria dos comerciantes é formada por pequenos empreendedores familiares, que resistem há décadas. Enfrentam a concorrência das grandes redes monopolistas, mas sobrevivem graças à fidelidade da clientela e à qualidade dos produtos.

Lixo a céu aberto

“O caminhão do lixo passa aqui ao meio-dia, bem no horário em que os restaurantes estão abertos e há clientes almoçando. Eles esmagam o lixo e a catinga vai toda para dentro do mercado. Assim não tem condições das pessoas almoçarem direito”. Relata um morador e cliente do mercado ao Jornal A Verdade.

Além do horário inadequado, a coleta deveria ser diária, mas acontece apenas três vezes por semana. Sem local apropriado para descarte, o mercado acumula entulhos, restos de comida, ossos e até animais mortos.

Falta d’água

“Passamos o Natal e o Ano Novo sem água, até hoje buscamos em baldes no poço que tem na ocupação atrás do mercado. Como não temos certeza da qualidade dessa água, estamos comprando dois garrafões de água mineral por dia para poder cozinhar”. Conta Amaro, comerciante.

Os relatos de falta d’água são constantes, os banheiros estão sempre fechados, sem condições para uso: “Tem dia que passo o dia todo sem ir no banheiro, quando preciso mesmo peço para usar o comercio vizinho. É uma situação horrível, principalmente para as mulheres. Isso afasta as a clientela feminina e pode até causar uma infecção urinária”, relata Lélia.

Taxas abusivas e cobranças indevidas

Em novembro de 2025 os comerciantes foram surpreendidos com a cobrança de taxas de locação e de água referentes ao período da pandemia. Quando o mercado estava fechado e não houve consumo de água ou uso dos boxes.

“A gente tá pagando para trabalhar. Esse mês paguei três boletos: um de dezembro, e dois da pandemia, paguei 250 reais. Fui na CONVIVA negociar, reclamei muito, mas não teve jeito; vou ficar pagando dobrado até o final de 2026”, diz Luiza.

Gestão de fachada

Esses problemas não são um fato acidental, mas um projeto de apagamento das feiras livres dos bairros periféricos. Enquanto mercados como o da Madalena, Encruzilhada e Boa Vista receberam reformas e hoje são pontos turísticos, o de Água Fria segue esquecido.

“Antigamente todo final de semana vinha um caminhão-pipa, lavar o mercado com água e sabão. Faz anos que não temos nem isso”, lembra seu Júlio.

“Desde 2002 estou no mercado e nunca vi uma reforma sequer, no máximo uma pintura. A administração só se preocupa em verificar se o locatário abriu a loja. Antes havia valorização: aniversários, café da manhã para os comerciantes. Hoje recebemos multa por tentar deixar o mercado mais vivo”, denuncia outro trabalhador.

No fim de 2025, a fachada recebeu uma pintura nova, mas dentro nada mudou: paredes rachadas, telhas soltas e infiltrações continuam. Para os trabalhadores, a gestão da CONVIVA mostra sua verdadeira face: uma gestão de fachada, que não os ouve e não faz o mínimo para cuidar do mercado.

Mobilização popular

Diante dos relatos, a Unidade Popular pelo Socialismo e o Jornal A Verdade, vem apoiando as mobilizações dos trabalhadores do Mercado, onde promoveram um abaixo-assinado e realizaram assembleias para denunciar os problemas vividos pelo mercado, pela feira e pelos entornos e dialogar com os moradores.

Entramos em contato com a CSURB, que reconheceu os problemas, mas não demostrou interesse em dialogar com os comerciantes.

A saída passa por uma grande mobilização popular. Não podemos viver de promessas de campanha de políticos profissionais que vivem de iludir o povo e que, em todas as eleições prometem, uma reforma no mercado.

As denúncias e indignação dos feirantes e moradores que frequentam o local ganharam outro contorno com as brigadas do jornal A Verdade promovidas pelo núcleo da Unidade Popular. Foi por meio das brigadas, das panfletagens e do contato com os trabalhadores que as denúncias encontraram quem realmente se importasse. Um espaço histórico e mantido pela população local tem que ser voltada para a comunidade e não esquecido pelas autoridades.

Assembleia no Mercado de Água Fria. A Unidade Popular e o Jornal A Verdade tem sido importantes no debate junto aos trabalhadores do Mercado. Foto: JAV-PE.

Quem trabalha demais e ganha de menos: a realidade das mulheres negras nos supermercados

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Nos supermercados, setor que tem crescido enormemente nos últimos anos, a realidade das mulheres trabalhadores mostra o quanto o capitalismo explora ainda mais as mulheres negras. 

Adriana Farias | Recife- PE


MULHERES- Quando se é mais novo, aprende-se que trabalhar duro é sinônimo de vencer na vida. Porém, na prática, a realidade da classe trabalhadora é o oposto: quanto mais se trabalha, menos se tem. Essa contradição se expressa cotidianamente nos supermercados, onde mulheres negras passam horas em pé, recebem salários baixos e sustentam, com seus corpos, o lucro das grandes redes.

Segundo a revista Times Brasil, em 2024 o faturamento do setor supermercadista chegou a 1 trilhão de reais. Os destaques vão para as redes Carrefour, Assaí Atacadista e Grupo Mateus que lideram esse processo de expansão. No terceiro trimestre de 2025, por exemplo, o Grupo Mateus alcançou a marca de 10,7 bilhões de reais em faturamento. No entanto, esse crescimento econômico não se reflete em melhorias reais na vida da classe trabalhadora, pelo contrário: quanto maior o lucro das empresas, maior tem sido a precarização da mão de obra.

Essa realidade se materializa de forma concreta nas denúncias feitas por trabalhadores do Mix Mateus Santo Amaro, em Recife, para o Jornal A Verdade. Ou seja, mesmo diante do faturamento crescente das empresas, em muitos casos, a remuneração recebida não é suficiente para as necessidades básicas dos trabalhadores do país.

Recai, portanto, para pessoas negras (a mão de obra mais barata dentro do capitalismo) a maior parte das ocupadas em jornadas acima de 44 horas semanais, representando 54,3%, sendo que as mulheres negras são 17,6% dessa parcela, conforme artigo 14 do Dossiê Fim da Escala 6×1 e Redução da Jornada de Trabalho do CESIT (Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho). Há ainda que se destacar que muitas dessas mulheres chefiam suas casas, sendo responsáveis pelo provimento da alimentação e cuidados da casa.

Esse processo está diretamente ligado à lógica do sistema capitalista, que não tem objetivo garantir dignidade no trabalho, mas maximizar lucros. Nessa perspectiva, os trabalhadores passam a acumular mais funções, trabalhar praticamente todos os dias da semana e sem ter tempo para os estudos ou o convívio social. Para as mulheres pretas ou pardas, o trabalho dedicado a cuidado de pessoas e afazeres domésticos somam 22 horas semanais comparadas com 20,4 horas das mulheres brancas, conforme Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua de 2022. Além de serem maioria chefiando as casas, são responsáveis por carregar o peso do trabalho doméstico.

Isso passa por um processo histórico em que o trabalho na América Latina já se estrutura a partir da precarização. No entanto, ao observar a formação social brasileira, é impossível ignorar que a mulher negra foi a primeira trabalhadora explorada no país. Durante o período escravocrata, a mulher negra realizava trabalhos forçados nos engenhos, nas casas-grandes e nos espaços de reprodução da vida, sendo sistematicamente desvalorizada, inclusive em relação aos homens negros escravizados, segundo Cartilha do Movimento Olga Benario (2025).

Nesse sentido, discutir a realidade das mulheres negras hoje nos supermercados é retomar um processo histórico e estrutural. Ainda que o mundo do trabalho passe por transformações como a automação, a ampliação das redes e a modernização dos espaços laborais, essas mudanças não rompem com as marcas da escravidão. Pelo contrário, os locais de trabalho continuam reproduzindo a lógica de exploração racializada e generificada (dividida por gênero), relegando às mulheres negras os postos mais precarizados, mal remunerados e socialmente desvalorizados. Trata-se de uma herança histórica que se atualiza sob novas formas, mas mantém a mesma estrutura de dominação.

Em Morte e Vida Severina, João Cabral de Melo Neto narra a trajetória dos retirantes nordestinos que, empurrados pela seca, pela fome e pela falta de perspectivas no interior, migram em busca de uma vida mais digna na Região Metropolitana do Recife. A promessa de mudança, no entanto, rapidamente se transforma em frustração. Ao chegar à cidade, esses trabalhadores encontram novas formas de precariedade, agora organizadas pelo espaço urbano e pelo mercado de trabalho. A obra expõe que o problema não é apenas a pobreza, mas um modelo de desenvolvimento que produz exclusão e transforma a sobrevivência em luta diária.

Trazendo essa reflexão para a realidade concreta do Nordeste, é possível perceber que essas desigualdades não são fruto do acaso ou de falhas do desenvolvimento. Elas fazem parte de um projeto histórico que se sustenta pela exploração da força de trabalho nordestina. É de se apontar que, conforme dado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua de 2022, as mulheres nordestinas se dedicam ao trabalho doméstico mais do que o observado na média nacional, são 23,5 horas comparada com 18,9 horas de mulheres do centro-oeste.

Portanto, como aponta Francisco de Oliveira, o subdesenvolvimento brasileiro não foi um erro, mas uma escolha consciente das classes dominantes, que organizaram a divisão do trabalho de forma a preservar a dominação social, mesmo que isso mantivesse o país em uma posição subordinada no cenário internacional.

É nesse contexto que se insere o trabalho das mulheres negras nos supermercados. Assim como os retirantes de João Cabral, essas trabalhadoras ocupam hoje os postos mais precarizados do mercado de trabalho urbano. Nos corredores, nos caixas e nos estoques, seus corpos sustentam o funcionamento cotidiano das grandes redes varejistas ao mesmo tempo em que enfrentam baixos salários, jornadas exaustivas e a negação de direitos. A permanência dessas mulheres nesses espaços revela como a herança histórica da exploração no Nordeste se atualiza no presente, agora sob a lógica do capital moderno, mantendo velhas desigualdades com novas roupagens.

Operários da BYD realizam greve contra a superexploração na Bahia

Em dezembro de 2025, 2 mil operários da construção civil da montadora chinesa BYD, em Camaçari, na Bahia, realizaram uma histórica greve de oito dias contra a superexploração e o regime de trabalho degradante.

Redação Bahia


TRABALHADOR UNIDO – Durante oito dias, em dezembro passado, cerca de 2 mil operários da construção civil da montadora chinesa de automóveis BYD, em Camaçari (BA), realizaram uma greve contra os abusos e explorações que sofriam diariamente. A paralisação fez parte de uma jornada nacional de lutas contra a escala 6×1 que se desenvolveu ao longo de todo o ano de 2025 e teve na greve da BYD seu ponto máximo.

Os trabalhadores denunciaram a falta de acesso à água potável e refrigerada, relatando episódios em que precisaram utilizar seus equipamentos de proteção individual (EPIs) para beber água quente. Entre as violações relatadas, destaca-se a ausência de banheiros químicos limpos, uma vez que existiam apenas seis unidades para os milhares de operários utilizarem diariamente. Operários apontam que as empresas terceirizadas responsáveis pelas obras do canteiro mantêm um regime de trabalho degradante, agravado pela ausência de estudos técnicos sobre as condições ambientais do local. A falta dessa perícia impede o recebimento do adicional de insalubridade. Os trabalhadores ainda enfrentam o descumprimento de prazos para o pagamento de salários e benefícios.

Enquanto isso, a BYD alcançou, em 2025, o posto de maior fabricante de veículos elétricos do mundo, superando a marca Tesla, do bilionário fascista Elon Musk. Somente no Brasil, a empresa superou o faturamento de R$ 17,5 bilhões, um aumento de 30% comparado ao ano anterior. O que não se expõe é a superexploração que os trabalhadores da fábrica são submetidos para que esse montante de lucro seja alcançado.

Denúncias como essa dos trabalhadores da construção civil não são novas. Ao final de 2024, o Ministério Público do Trabalho (MPT) denunciou a BYD pela manutenção de 163 trabalhadores chineses em regime análogo à escravidão. Em 26 de dezembro de 2025, enquanto a nova greve ainda repercutia, o MPT-BA fechou um acordo de R$ 40 milhões com a BYD e suas empreiteiras para encerrar a ação civil pública do caso anterior.

“Se nós não fizermos algo, nada será feito. Se não construirmos, eles não vão a lugar nenhum! A gente quer trabalhar, suar, construir, porque todo mundo que está aqui está lutando por uma causa justa e quer voltar para casa com mais dignidade”, afirmou o operário Paulo Henrique Bispo durante a greve.

Organização sindical 

A greve dos operários da construção civil em Camaçari marca também um novo capítulo da organização sindical dos trabalhadores na região. Desde o início da paralisação, o antigo sindicato que deveria representar os interesses dos trabalhadores afirmava não reconhecer a justeza da greve. Somente no terceiro dia de paralisações, os diretores desse sindicato apareceram, mas não para prestar apoio, e sim na tentativa de desmobilizar os trabalhadores. No entanto, foram rechaçados pela categoria mobilizada.

A insatisfação com a direção pelega do sindicato fez nascer a necessidade de uma nova entidade que pudesse, de fato, representar os operários e suas denúncias impulsionando sua luta. Em assembleia durante a greve, os trabalhadores decidiram fundar o Sindicato Livre dos Trabalhadores da Construção Civil, Montagem e Manutenção Industrial de Camaçari e Região.

“A greve dos trabalhadores da construção civil foi um passo muito importante na organização da categoria. Antes da greve, os trabalhadores estavam reféns da direção pelega do sindicato, que tem uma postura alinhada aos interesses do Governo Estadual e das empresas. Por isso, eles se isentaram das lutas até mesmo diante das denúncias de trabalho análogo a escravidão dentro da obra”, declarou Willian Santos, presidente na diretoria eleita pelos trabalhadores para compor o Sindicato Livre.

Como uma forma de desmoralizar a organização dos trabalhadores, o monopólio chinês entrou com um processo judicial contra os operários e organizações políticas que construíram a paralisação. Além disso, dezenas de trabalhadores foram demitidos, incluindo os membros do Sindicato Livre que estavam concorrendo à Comissão de Prevenção Interna de Acidentes e Assédio (Cipa), que, pela lei, garante estabilidade aos candidatos.

A contradição do Governo Estadual comandado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) diante da greve dos operários na BYD é grande: ao mesmo tempo em que celebram o investimento chinês de R$ 5,5 bilhões na Bahia, fecham os olhos para as condições degradantes às quais os trabalhadores que constroem essa fábrica são submetidos.

Como uma tentativa de conter a revolta dos operários, o Governo comandou uma operação com a tropa de choque para desmobilizar a greve, usando bombas de efeito moral e balas de borracha. Esta repressão mostra que, sob a lógica do capitalismo, um suposto progresso deve ser financiado pela barbárie contra a classe trabalhadora, usando de violência e exploração para sugar o máximo de lucro.

Greve como escola do socialismo 

Para Ramon Marcos dos Santos, operário demitido pela empresa Falcão Construções, que presta serviços à BYD, a greve foi um grande divisor de águas para todos que a construíram.

“A empresa não pode obrigar goela abaixo a pessoa a trabalhar em condições insalubres, como era meu caso. Então temos que continuar a luta contra as empresas que tratam os funcionários como escravos, obrigando a trabalhar a semana inteira sem folga nem descanso, sem banheiro ou um lugar adequado para se vestir”, declara Ramon. “A organização do Sindicato Livre nos ajudou a entender muito do que estava acontecendo. Abriu nossos olhos para o que estava acontecendo”, completa.

Como disse Lênin: “As greves ensinam os operários a unirem-se; mostram-lhes que só juntos podem lutar contra os capitalistas; ensinam os operários a pensar na luta de toda a classe operária contra toda a classe dos fabricantes e contra o governo arbitrário e policial” (V. I. Lênin, Sobre as Greves).

Por esse motivo, as greves cumprem um papel fundamental de escola dos operários na luta pelo socialismo. A greve dos operários da construção civil da BYD fez parte de um processo contínuo de brigadas operárias com o nosso jornal, iniciadas em fevereiro de 2025. Essa experiência nos provou, mais uma vez, que é possível avançar a consciência do proletariado a partir de um trabalho sistemático, diário e contínuo. Isso cria uma união inquebrantável entre os operários para conquistar as vitórias na luta.

Cada vez mais devemos construir junto com a classe trabalhadora e todo o povo a saída definitiva para as crises desse sistema de opressão e exploração que é o capitalismo, reconhecendo a classe operária como a vanguarda da revolução socialista.

Somente no socialismo os trabalhadores poderão desfrutar, livres da ganância capitalista, as riquezas que eles mesmos produzem.

Matéria publicada na edição impressa Nº 327 do jornal A Verdade

Trump persegue imigrantes e opositores após assassinato de mulher pela polícia dos EUA

O assassinato de Renee Nicole Good, morta a tiros por agentes do ICE em Minneapolis, desencadeou uma onda nacional de protestos contra o governo de Donald Trump.

Redação


MUNDO – ICE (Immigration and Customs Enforcement) é hoje uma sigla conhecida em todo mundo. O que antes era um departamento do governo estadunidense para fiscalizar a imigração e a alfândega, se tornou uma nova polícia política de Donald Trump, que completa um ano como chefe do imperialismo dos EUA.

O terror dos agentes do ICE ficou mais evidente no dia 07 de janeiro, quando um policial atirou três vezes no rosto de uma cidadã americana de Minneapolis, no Estado de Minnesota, no meio-oeste dos EUA. Renee Nicole Good tinha 37 anos e três filhos. Foi assassinada enquanto tentava sair com seu carro durante uma ação da polícia de Trump que perseguia imigrantes.

Renee estava com sua esposa, Becca Good, quando viram a tentativa de sequestro pelos agentes do ICE de pessoas na rua e começaram a protestar. Este tipo de ação tem se tornado rotina nas grandes cidades dos EUA. “Estávamos lá para apoiar nossos vizinhos. Eles tinham armas e nós apitos”, afirmou Becca à Rádio Pública de Minnesota.

“O que aconteceu lá é completamente indesculpável. E o que piora tudo é a reação do governo, todos eles a difamando como terrorista doméstica”, afirmou um manifestante em Los Angeles. Após o assassinato de Good, Minneapolis e dezenas de cidades dos EUA foram tomadas por centenas de milhares de pessoas em manifestações contra o autoritarismo de Trump.

Nas ruas das grandes cidades se tornou comum a cena de agentes encapuzados, com fardas apenas com a sigla ICE sequestrando pessoas sem qualquer motivo. A última estimativa é que pelo menos 70 mil estejam encarceradas em instalações da polícia política em todo os EUA.

Esta ação autoritária tem levado a uma grande reação dos trabalhadores norte-americanos. Durante as ações do ICE, tem sido comum pessoas se organizarem para impedir os sequestros ou realizar manifestações pedindo a libertação de pessoas presas. Na prática, qualquer pessoa não branca e que não esteja falando inglês na rua pode ser presa pela polícia trumpista.

Trabalhadores vão à luta contra o ICE

Diante do assassinato, cada vez mais trabalhadoras e trabalhadores estadunidenses se unem em organizações para barrar os sequestros do ICE. Ashley Lopez, educadora também de Minnesota, disse ao jornal The New York Times que o assassinato de Renee a levou a se organizar contra a polícia política. “Por causa do que aconteceu com Renee, eu senti como se não tivéssemos mais nada a perder. Por que ela tem que ser a única a se colocar em perigo?”.

Militante em defesa dos direitos de imigrantes, Dieu Do, afirma que sua organização passou a receber centenas de e-mails de pessoas querendo se organizar contra os ataques do ICE. “As pessoas continuam aparecendo e defendendo a comunidade delas apesar desse ato violento. Eles querem justiça, mesmo correndo o risco de se ferirem no processo”, afirma.

Os moradores das grandes cidades têm feito patrulhas a partir destas organizações para fiscalizar e impedir ações arbitrárias do ICE. Estas ações são o que tem garantido a divulgação e a denúncia dos crimes dos agentes de Trump.

O que ocorre com a polícia política, disfarçada de agentes de imigração, nos EUA é mais uma prova da política fascista de perseguir a classe trabalhadora e garantir mais lucros para o grande capital. Enquanto imigrantes são perseguidos, Trump consegue impor sua política de submeter estas pessoas às piores condições de trabalho e salário, ao mesmo tempo que amplia o discurso fascista na sociedade estadunidense.

O ICE age cada vez mais parecido com as polícias dos regimes nazifascistas do século passado, e tem atacado justamente onde organizações de oposição a Donald Trump são mais fortes. A luta antifascista, com centenas de milhares de norte-americanos e imigrantes se organizando, toma cada vez um espaço maior naquele país e a denúncia destes ataques pelos povos do mundo se torna cada vez mais necessária para derrota do regime de Trump.

Matéria publicada na edição impressa Nº 327 do jornal A Verdade

Greve dos garis em BH mostra a força da organização operária

Após três dias de greve combativa, os trabalhadores da limpeza urbana de Belo Horizonte, empregados da terceirizada Sistemma, obtiveram uma vitória significativa. O jornal A Verdade esteve em todo o processo, documentando a realidade da exploração e a força da auto-organização operária, conversando diretamente com os garis nos portões da empresa.

Reinilson Câmara Filho e Mateus Teixeira | Belo Horizonte (MG)


A paralisação, deflagrada pela base no dia 19/01, segunda-feira, foi a resposta inevitável a meses de ataques brutais. Laender, coletor há anos no serviço, relatou a situação degradante: “Os caminhões estão tudo estragado, não tem peças… é uma falta de respeito com nós trabalhadores. O FGTS realmente não estava caindo, tem gari com três meses atrasado. A gente não tem convênio médico, um trabalho que você fica muito exposto a vários riscos”. A superexploração se expressava na imposição de três garis por caminhão, violando o contrato e sobrecarregando os trabalhadores, que ainda eram forçados a fazer rotas dobradas. Diante disso, a decisão foi coletiva e firme: “A gente não vai aceitar isso mais cara… Nós, garis, não vamos mais abaixar a cabeça”, afirmou Laender.

A Base Decide, a Burocracia Atrasa

A greve explodiu através da iniciativa direta dos trabalhadores, evidenciando o distanciamento entre a base e a direção do Sindeac, sidicato que representa a categoria. Enquanto os garis mantinham a firmeza no portão, o sindicato se manteve ausente. Laender destacou a importância da ação independente e da unidade: “Em 2017 as firmas queria diminuir os coletores, querendo forçar a todos a trabalhar de três [garis por caminhão]. Todo mundo parou, não aceitou, bateu o pé e conseguiram voltar a trabalhar de quatro [garis por caminhão]… Só que tá voltando a acontecer isso tudo de novo. Agora a gente entende que, como dizia aquele ditado, ‘o povo unido jamais será vencido’. É a nossa união que faz a força”. Apenas sob a pressão da luta é que a direção sindical apareceu, tentando capitalizar uma vitória que não construiu.

Vitória Concretizada e Alerta Permanente

A pressão dos trabalhadores unidos obrigou os patrões a recuar. O acordo garante a recomposição das equipes para quatro garis por caminhão, a regularização do FGTS, o pagamento dos dias parados, vale transporte em dinheiro e melhorias na manutenção.

Contudo, a vitória é parcial. O acordo prevê uma frágil estabilidade de 45 dias. A burguesia, ferida em seus lucros, buscará retaliações. A presença de A Verdade nos três dias de conflito reforça o dever da imprensa operária: não apenas noticiar, mas participar, impulsionar a organização de classe e desmascarar a exploração. A luta dos garis de BH é a prova viva de que apenas a ação direta e a unidade combativa conquistam direitos. O recado está dado: a organização no local de trabalho é a trincheira irrevogável da classe operária.

Todo apoio à luta dos garis!

Pelo fim da terceirização! Fortalecer a organização nos locais de trabalho!

O povo unido jamais será vencido!

 

Dia Nacional da Visibilidade Trans: a luta histórica contra o capitalismo

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Em um país que lidera os assassinatos de pessoas trans, o Dia Nacional da Visibilidade Trans não pode se limitar a discursos vazios: é um chamado à luta contra um sistema que explora, exclui e mata para garantir o lucro de poucos.

Marcela Bigonha | Brasília


O Dia Nacional da Visibilidade Trans é uma data de denúncia e combate. Em um país que há anos ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de assassinatos de pessoas trans, a visibilidade não pode ser reduzida a discursos institucionais ou campanhas vazias. Ela deve servir para escancarar o caráter de classe da transfobia e o papel central do capitalismo na produção da violência que marca a vida da população trans no Brasil. 

A opressão vivida pelas pessoas trans é resultado da estrutura do sistema capitalista. Só em 2024, 122 pessoas trans foram assassinadas no país. O capitalismo, especialmente em sua forma dependente no Brasil, precisa manter setores inteiros da classe trabalhadora em condições de extrema vulnerabilidade para garantir a superexploração da força de trabalho. A população trans é empurrada para fora da escola, excluída do mercado de trabalho formal, privada do acesso pleno à saúde e à moradia, sendo forçada à informalidade, à prostituição e à precarização extrema. Esse processo não é acidental: ele garante lucros à burguesia e mantém uma reserva de mão de obra descartável.

A história da luta trans demonstra que, mesmo sob as mais duras condições, a resistência nunca deixou de existir. Desde a organização contra a repressão policial, passando pela luta por acesso à saúde e contra a patologização, até o enfrentamento direto à violência transfóbica, o movimento trans se construiu como parte das lutas populares. Trata-se de uma luta profundamente ligada à classe trabalhadora, pois a maioria esmagadora das pessoas trans pertence aos setores mais explorados e oprimidos da sociedade.

Nos últimos anos, a crise do capitalismo abriu espaço para o avanço da extrema direita e do fascismo, que utilizam a transfobia como instrumento político. Ao atacar pessoas trans, a extrema direita busca dividir a classe trabalhadora, reforçar valores reacionários e desviar a revolta popular contra os verdadeiros responsáveis pela miséria: os capitalistas e seu Estado burguês. A violência transfóbica, incentivada por discursos de ódio e políticas reacionárias, cumpre o papel de aprofundar o controle social e fortalecer um projeto fascista a serviço do grande capital.

Diante dessa realidade, torna-se evidente que não há solução real para a opressão trans dentro dos limites do sistema capitalista. As concessões institucionais, quando existem, são frágeis e reversíveis, pois não atacam a raiz do problema. Enquanto a sociedade estiver organizada para garantir o lucro de uma minoria, nossas vidas continuarão sendo tratadas como descartáveis.

A luta trans tem, portanto, uma importância histórica estratégica. Ao enfrentar essa brutal opressão, ela revela as contradições fundamentais do capitalismo e aponta para a necessidade de sua superação. A emancipação das pessoas trans está indissociavelmente ligada à emancipação de toda a classe trabalhadora. Somente com a destruição do sistema que explora, oprime e mata será possível garantir condições materiais para uma vida digna, livre da violência e da discriminação.

No Dia Nacional da Visibilidade Trans, reafirmamos que a nossa luta não é por migalhas nem por reconhecimento superficial. É uma luta contra o capitalismo, contra a extrema direita e contra todas as formas de opressão. A verdadeira visibilidade se constrói na organização política, na unidade da classe trabalhadora e na luta consciente pela construção do socialismo.

Vaia histórica: estudantes protestam contra Zema no Mineirão

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Estudantes fizeram histórica vaia contra Zema no Mineirão em evento que virou caos e expôs projeto de militarização da escolas. No dia 19 de novembro de 2025, o governador reuniu 30 mil secundaristas no estádio para tentar quebrar recorde mundial de “maior aulão”, mas a mobilização da AMES-BH distribuiu 5 mil panfletos denunciando as contradições de um governo que gasta fortunas em marketing enquanto corta R$ 1 bilhão do orçamento educacional e tenta impor escolas cívico-militares.

Cacau dos Anjos | Belo Horizonte (MG)


No dia 19 de Novembro de 2025, o governador Romeu Zema junto da Secretária de Educação de Minas Gerais (SEE-MG) reuniu 200 escolas estaduais da Região Metropolitana de Belo Horizonte, com uma estimativa de 30 mil estudantes presentes no Mineirão (Estádio Governador Magalhães Pinto, maior do estado) para tentar quebrar um recorde do Guinness Book ao fazer o “maior aulão do mundo”, com o intuito de “ensinar” jovens a utilizar Inteligência Artificial. Evento esse que era uma parceria com a empresa bilionária Google.

Como tudo começou?

Duas semanas antes, as diretorias escolares começaram uma mobilização intensa nas salas de aula a fim de garantir uma grande participação dos alunos. Todos os dias passavam pessoas da coordenação para fazer o controle dos bilhetes, recolher justificativa dos estudantes que não queriam ir e repetir o mesmo recado sobre o quão importante era a presença de todos.

Claro que esse esforço só aconteceu por uma intimação vinda da SEE-MG, pois o governo de MG gastou rios de dinheiro para que o evento acontecesse. Estrutura de som, palco, fretagem de ônibus com uma média de 6 por escola, alimentação e etc.

Imediatamente, os estudantes perceberam a contradição que se apresentava nesse evento. Afinal, a situação das escolas é essa: a merenda acaba no meio da fila (como no IEMG); as salas de aula vivem sem climatização e estrutura; os banheiros sem tranca, papel higiênico e sabonete; quadras em risco de desabamento (como na EE Prof. Pedro Aleixo), com materiais decadentes e antigos; enfim, uma situação preocupante; porém ao mesmo tempo, se tem dinheiro para aumentar o salário do Zema em 300%, promover um evento gigantesco e ainda sim, cortar 1 bilhão de reais do orçamento das escolas.

A mobilização dos estudantes

Mesmo sem saber quantas escolas estariam presentes por se tratar de um evento fechado do governo, a Associação Metropolitana dos Estudantes Secundaristas da Grande Belo Horizonte (AMES-BH) organizou um panfletaço clandestino com os estudantes mais dispostos a derrotar o discurso do fascista Romeu Zema. Foram cerca de 5 mil panfletos distribuídos, mesmo com diversas investidas da SEE-MG para barrar a ação.

Apesar da ameaça de revista, que poderia impedir os panfletos de entrarem no estádio, os estudantes não desistiram. Esconderam os papéis no sutiã, calcinha, cueca, bolsos, blusa, na meia, tênis… Tudo isso graças ao convencimento de que a causa era justa.
“Quando chegamos no Mineirão, na prática não teve revista. Só olharam o QR Code que tínhamos no nosso crachá e foda-se. A gente passou pela entrada e foi ótimo porque nesse momento a gente começou a entregar os panfletos de forma mais discreta. Mas depois que a gente entrou de fato na arquibancada e vimos que era possível, a gente levantou e começou a distribuir abertamente. E foi nesse momento que começou a dar alguns problemas. Eu vi segurança pegando panfleto da mão de estudante, vi professores tomando os panfletos, repreendendo os alunos por estarem pegando. E aí a gente deu um norte desses alunos pegarem esses panfletos e fazerem aviãozinho depois que eles lessem para entregar para mais pessoas. Teve um momento que eu e o Cacau ficamos tão nervosos que eu rasguei a minha calça completamente, que estava por baixo do uniforme, porque alguns panfletos ficaram presos na minha panturrilha e não dava pra tirar de maneira normal. Então pegamos uma chave, uma chave de casa mesmo, furamos minha legging e rasgamos como se não houvesse amanhã, só para entregar mais panfletos.
Foi uma experiência extremamente intensa, interessante, porque a gente conseguiu o que a gente queria, que foi os alunos vaiando o Zema, mas também foi bem desesperadora.

Levamos alguns esporros dos nossos professores, mas em nenhum momento a gente negou que faria de novo. E é um fato que faríamos de novo. Muitos alunos ali não tinham nunca nem visto falar sobre o projeto cívico-militar que foi proposto pelo Zema. Tinha alunos que nem sabiam o que eles estavam fazendo ali e justamente por isso começou a briga. E, cara, foi de fato uma experiência maravilhosa.” relatou a estudante Bianca Santos, diretora de mulheres do Grêmio Livre Estudantil Cajá da EE Olegário Maciel.

A mobilização estudantil tomou uma proporção inesperada: muitas pessoas procuraram depois a entidade para conhecer melhor, convidar para ir na escola e parabenizar pela ação ousada, que impactou a Secretária de Educação.

Sabemos e acreditamos nesse impacto porque as próprias direções dos estudantes que distribuíram panfletos colocaram que receberam ameaças diretas da SEE-MG, para que a panfletagem se encerrasse, que os alunos fossem expulsos e todo tipo de absurdo que já conhecemos para censurar o movimento estudantil livre e autônomo.

O dia do evento: vaia, protesto e violência

Existiam alguns critérios para serem cumpridos para que a aula batesse esse recorde do Guinness Book: quando tocasse o sinal, todos tinham que ficar sentados e calados (simulando mesmo uma sala de aula). Quando o sinal tocou, vários estudantes se levantaram ao mesmo tempo e em protesto ao evento.

No meio da gritaria que se iniciou com isso, alguns alunos atingiram outros com garrafinhas de água abertas (que estavam sendo distribuídas em fardos pelo próprio evento) e isso se transformou numa enorme confusão. Alunos se machucaram ao serem atingidos, brigas se iniciaram e se espalharam por todo o estádio, muitos estudantes começaram a passar mal pelo calor e a terem crises de ansiedade, e não existia nenhuma equipe preparada para lidar com essa situação lá dentro do estádio. Quem socorreu os estudantes que ficaram mais vulneráveis foram as próprias coordenações e professores das escolas. Em alguns casos, nem isso.

“Quando a gente entrou, as escolas estavam sentadas uma do lado da outra, sendo que existem escolas rivais, todo mundo sabe disso, isso não é nada novo para ninguém. Além disso, começaram perguntando, numa tentativa de animar a galera, sobre o Atlético e o Cruzeiro. Sendo que todo mundo sabe que mexer com time não é uma coisa legal e tinha muita gente lá que era de torcida organizada. Quando começou a briga e as agressões, não tentaram tirar os alunos do local, pelo contrário, estavam falando para os alunos permanecerem todos sentados. Mas depois que a confusão começou, começaram a mandar seguranças, né? E só chegaram quando já tinham tudo se dissipado, sabe?

Quem vive essa realidade todos os dias dentro da escola, sendo aluno, sendo professor, sabe que não está nada bem e que falta verba para tudo, sendo que no início do ano ele (Zema) aumentou o salário dele em mais de 300%. E eu acho isso muito engraçado, porque o dinheiro para reformar a nossa escola, para mandar o lanche, ele não tem. E o dinheiro para aumentar o salário dele, Minas tem.

Quando a gente estava distribuindo esses panfletos, falando sobre a realidade de Minas Gerais, eles simplesmente tentaram nos barrar. Como se o problema enfrentado lá dentro fosse realmente esse. Na minha opinião, foi toda uma estratégia para justamente colocar os alunos de escola pública nesse lugar de pessoas violentas, né? Pessoas que não conseguem se controlar. E para implementar a cívico-militarização das escolas, que é um projeto que tanto o Zema quanto o Secretário da Educação estão tentando implementar dentro das escolas. E eu acho que isso é só uma justificativa. Isso tudo foi bem planejado por eles.” relatou Ana Beatriz, secretária-geral do Grêmio Livre Estudantil Cajá da EE Olegário Maciel.

A cívico-militarização: o verdadeiro objetivo

A ameaça da cívico-militarização ainda ronda sobre nossas cabeças, apesar do projeto estar agarrado no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Ao assumir a gestão, o Secretário de Educação de MG, Rossieli Soares (atualmente sem filiação partidária), prometeu retomar com o projeto e implementar ele a qualquer custo.

No mesmo dia, quando o evento já havia se encerrado, começaram a sair vídeos e relatos de “sobrevivência” nas redes sociais e jornais da região mostrando a “guerra” que se iniciou, como os próprios estudantes chamaram. E muitas pessoas, tomadas pela ilusão criada pelo fascista do Zema, começaram a atacar os secundaristas e não a estrutura e preparação insuficiente desse evento mau-caráter e sem sentido, dizendo que a solução era “militarizar tudo mesmo”.

Esse evento escancarou a ferida aberta do neoliberalismo e da extrema-direita na gestão da educação e dos governos: tudo que se encontra é o caos e a ganância pelo lucro. Zema chegou lá só para fazer um discurso bonito e tirar uma foto, mas saiu desmoralizado pela maioria do estádio que vive na pele as contradições e a precarização do cotidiano e sabe melhor que qualquer panfleto da AMES-BH a necessidade de transformar a educação no nosso país. O panfleto foi só a cereja do bolo para despertar a revolta contra as figuras presentes no evento, que rotineiramente sucateiam a vida do povo mineiro.

Zema terminará o seu mandato no ano de 2026 para iniciar a campanha rumo à Presidência do Brasil com um lema tatuado pelas costas: inimigo do povo e dos estudantes de Minas Gerais. E junto disso, uma certeza que vai persegui-lo para sempre: a de nunca mexer com o movimento estudantil secundarista!