O ex-presidente Jair Bolsonaro e os generais golpistas foram presos pela tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.
Heron Barroso | Redação
BRASIL – No último dia 22 de novembro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou a prisão preventiva do ex-presidente Jair Bolsonaro, anteriormente condenado por chefiar a quadrilha que tentou dar um golpe de Estado no Brasil, anular o resultado das Eleições de 2022 e impor uma nova ditadura militar fascista no país.
A decisão foi tomada após a violação da tornozeleira eletrônica usada pelo ex-capitão, que cumpria prisão domiciliar em sua mansão de luxo em Brasília. Cinicamente, a defesa de Bolsonaro alegou um “surto psicótico”, supostamente causado pelo uso de remédios, para tentar encobrir que, na verdade, tratava-se de uma tentativa de fuga para evitar o cumprimento da pena de 27 anos de cadeia. Típico de um covarde.
Dias depois, em 25 de novembro, os generais Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa, o almirante Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, e Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, também foram presos pela Polícia Federal após o fim do prazo para apresentação de recursos ao julgamento do chamado “núcleo crucial” da tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023. Eles se juntarão ao general Braga Netto, que está preso desde dezembro de 2024, no Rio de Janeiro. O ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e atual deputado federal, Alexandre Ramagem (PL), também teve sua prisão decretada, mas fugiu para os Estados Unidos como um rato e é considerado foragido pela Justiça.
Essa é a primeira vez, no Brasil, que golpistas – entre eles membros da cúpula das Forças Armadas – são presos por atentarem contra as liberdades democráticas. Essa vitória só foi possível graças às denúncias, manifestações, protestos e lutas travadas nos últimos anos pelo povo brasileiro e é uma prova de que as massas podem derrotar o fascismo.
Sem mordomias para criminosos
Apesar de condenados pelo STF, os militares envolvidos na trama golpista ainda devem passar por julgamento na Justiça Militar, que decidirá se perderão – ou não – seus postos e patentes.
Entretanto, mesmo que isso aconteça, Bolsonaro e os generais presos seguirão recebendo fartas pensões, que, somadas, chegam a R$ 2 milhões por ano. O general Augusto Heleno, por exemplo, recebe mais de R$ 38 mil por mês, enquanto Bolsonaro acumula duas pensões: uma de R$ 12.861,61, do Exército, e outra de R$ 30.265,00 como ex-deputado, além de um salário de cerca de R$ 40 mil do seu partido, o PL, pago com recursos do Fundo Partidário.
Ou seja, apesar de todos os crimes que cometeu, o ex-capitão vive uma vida de marajá paga com recursos públicos, além de ficar numa cela especial, com TV, ar-condicionado e frigobar, enquanto o trabalhador brasileiro sofre para pagar aluguel, recebe um salário mínimo de apenas R$ 1.518,00 e, desde a reforma da Previdência, em 2019, é proibido de acumular integralmente pensões e aposentadorias.
Prisão para todos os fascistas
A luta contra o fascismo continua.
Além de pagarem todos os anos de cadeia a que foram condenados e deixarem de receber um tratamento de luxo, é preciso que os cúmplices do ex-capitão no Centrão, entre a grande burguesia e nas Forças Armadas também respondam – um por um – por todo o mal que fizeram ao povo e à Nação.
Jamais iremos esquecer, anistiar ou perdoar a morte dos mais de 700 mil brasileiros durante a pandemia de Covid-19, as centenas de crianças indígenas que perderam suas vidas abandonadas pelo governo fascista, a corrupção, o orçamento secreto, os direitos sociais retirados, a humilhação da fome e do desemprego.
Por tudo isso, seguiremos em busca de justiça!
Matéria publicada na edição nº326 do Jornal A Verdade.
O racismo promovido pelo capitalismo custa bilhões ao povo negro todos os anos, valor que deixam de receber por não terem a mesma remuneração que pessoas brancas exercendo as mesmas funções.
Rafael Figueira | Rio de Janeiro
BRASIL – O Brasil figura entre as dez maiores economias do planeta. É o sétimo país mais rico do mundo e o único entre os dez com maioria de população negra. No entanto, essa riqueza contrasta com uma realidade brutal: o país ocupa o posto de segunda nação mais desigual do planeta, dividindo o topo do ranking com países muito mais pobres, a maioria deles africanos.
Nosso país foi invadido por colonizadores portugueses em 1500 e viveu mais de 350 anos de escravidão legalizada. Isso significa que, de cada dez anos da nossa história, sete foram marcados pela escravização de pessoas negras.
As consequências desse período ainda determinam as oportunidades, a renda e a presença da população negra em diversas áreas sociais e profissionais.
Racismo custa bilhões ao povo negro
No fim de março de 2025, um relatório do Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais (CEDRA) trouxe novos números que ajudam a entender os impactos de séculos de violência e discriminação sobre a população negra.
Segundo o levantamento, a desigualdade racial promovida pelo sistema capitalista custou aos trabalhadores negros cerca de R$ 103 bilhões em 2025, valor que deixaram de receber por não terem a mesma remuneração que pessoas brancas exercendo funções idênticas. Um exemplo gritante está no trabalho doméstico: uma trabalhadora negra recebe, em média, 86% do salário pago a uma trabalhadora branca na mesma função.
O relatório destaca que a política pública mais importante para reduzir desigualdades foi a Lei de Cotas, de 2012. Em 2025, pela primeira vez, as universidades públicas terão metade dos seus estudantes negros e pardos.
Apesar do avanço, o impacto na renda ainda é tímido. Em 2012, a renda média de uma pessoa negra correspondia a 57,8% da renda de uma pessoa branca. Em 2020, mesmo com 13 anos de cotas, esse número subiu para apenas 59%. Mantido esse ritmo, a equiparação salarial só acontecerá em 2365.
Além disso, a presença negra ainda é majoritária em profissões como carpintaria, serviços domésticos, limpeza e mineração, enquanto cargos como juízes, arquitetos, médicos, engenheiros e economistas continuam predominantemente brancos.
Mesmo assim, as políticas de ação afirmativa seguem sendo alvo constante de ataques da extrema direita e das elites econômicas – os mesmos setores que sempre apoiaram a chegada de imigrantes europeus e asiáticos ao país, inclusive com políticas públicas, com o objetivo de embranquecer a população brasileira.
Mulheres negras chefiam lares
Em 2012, a maioria dos lares brasileiros era chefiada por homens. Em 2025, o cenário mudou: 51% das casas são chefiadas por mulheres, sendo 29,6% por mulheres negras e 21% por mulheres brancas.
Os lares liderados por mulheres negras, porém, enfrentam os maiores desafios: maior índice de gravidez na adolescência, moradias em áreas de risco e maior vulnerabilidade à mortalidade infanto-juvenil causada pela violência. Essas mulheres também lideram as estatísticas de desemprego: 15% estão desempregadas, em contraste com 7% dos homens brancos.
Outro dado relevante é a queda no número de lares interraciais. Atualmente, 42% das casas são compostas apenas por pessoas pretas e pardas, e 34% apenas por pessoas brancas. Pesquisadores levantam duas hipóteses para isso: pode haver uma maior consciência racial entre pessoas negras, estimulando relacionamentos dentro do grupo, ou um avanço do racismo e do higienismo na sociedade brasileira.
Só a luta pode vencer o racismo
O relatório do CEDRA aponta importantes propostas para enfrentar a desigualdade racial no Brasil. A desmilitarização das polícias militares aparece como uma das principais medidas estruturais, apontando a necessidade de transformar um dos instrumentos históricos de violência contra a população negra.
Também defende o fim da escala de trabalho 6×1, herança da lógica escravocrata, além da ampliação das políticas afirmativas, tanto no acesso ao ensino superior quanto nos concursos públicos. Outro ponto fundamental é a expansão de programas de moradia popular, com foco especial em garantir condições dignas para as famílias negras que vivem nas periferias.
Essas medidas, segundo o relatório, confirmam a importância da luta popular organizada, a exemplo das ocupações do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), das ações da Unidade Popular (UP), da Frente Negra Revolucionária (FNR) e do Movimento Luta de Classes (MLC) nas ruas, favelas, shoppings e mercados contra a exploração capitalista.
A história mostra que nenhuma conquista do povo negro veio sem luta. Foi a organização popular que derrotou a escravidão legalizada, que resistiu à ditadura militar, que derrotou o governo Bolsonaro e que enfrentou inúmeras políticas racistas ao longo dos séculos. Será com luta que conquistaremos uma sociedade sem racismo e capitalismo, a sociedade socialista.
Matéria publicada na edição nº325 do Jornal A Verdade.
Diversas categorias de trabalhadores e segmentos da sociedade tem se mobilizado contra as medidas antipopulares de prefeita de Campo Grande (MS) Adriane Lopes (PP).
Douglas Soares | Campo Grande (MS)
BRASIL – Em mais um episódio que expõe o descaso com a população e a repressão aos movimentos sociais, a Prefeitura de Campo Grande (MS) recorre à violência da Guarda Civil Metropolitana para tentar se blindar de protestos. No dia 29 de novembro, uma manifestação pacífica organizada por servidores, entregadores e pela comissão de mães atípicas, denunciava o abandono da gestão de extrema-direita de Adriane Lopes (PP) em relação à infraestrutura da cidade, à saúde e à falta de insumos essenciais para pessoas com deficiência. Mesmo assim, as mães foram recebidas com truculência e violência por agentes da Guarda Civil Metropolitana.
Imagens que circulam nas redes mostram Elisângela Silva de Souza, de 43 anos, mãe atípica, sendo empurrada por guardas da GCM. Ela foi derrubada covardemente e registrou boletim de ocorrência. Elisângela relatou escoriações e dores provocadas pela queda.
Como se a agressão física não bastasse, os ataques da prefeitura continuaram após o ato, desta vez de forma difamatória. Em coletiva de imprensa, a prefeita Adriane Lopes classificou a população que protestava como “bandidos”, afirmando que “ninguém estava preparado para um ataque de bandidos em um evento de crianças. Mas aconteceu.” Já em uma entrevista a uma rádio local, a prefeita voltou a difamar as famílias, dizendo que as mães atípicas seriam “bandidos armados com mais de 50 passagens pela polícia”.
Blindagem política e mentiras
Por diversas vezes, Adriane Lopes recorre a notícias fabricadas por veículos da mídia tradicional sul-mato-grossense para tentar deslegitimar demandas populares. No dia 27 de novembro, um jornal tradicional de Campo Grande estampou a manchete: “Mais da metade dos campo-grandenses aprovam a administração Adriane Lopes”. A matéria é mais um exemplo de como a mídia dos ricos tenta manipular dados e distorcer a realidade, acreditando que a população não é consciente das condições em que vive.
No entanto, a mesma pesquisa mostra que 40,93% dos entrevistados consideram a administração “péssima”, enquanto apenas 22,93% a avaliam como “ótima”. Seria interessante que o veículo explicasse qual seria essa suposta “capacidade de diálogo” atribuída a alguém que acumula mais de 40% de desaprovação e que tenta criminalizar movimentos populares.
No fim, a mídia burguesa tenta vender a imagem de que “está tudo bem”. E talvez esteja, ao menos para os donos do Consórcio Guaicurus, para as empreiteiras, e para as empresas que receberam aditivos milionários. Para esse grupo, de fato, a situação é excelente. E a mídia, como sempre, tem lado, o de quem a financia ou a controla diretamente.
Porém fora das máscaras da mídia burguesa, a gestão de Adriane Lopes tem prestado um “serviço exemplar” apenas em um quesito: acumular insatisfação popular mês após mês, vinda dos mais diversos setores da sociedade. A cada novo período, surge um ato de revolta denunciando o caos que se espalha pela capital sul-mato-grossense.
Na saúde, faltam medicamentos básicos, insumos essenciais para pessoas com deficiência e remédios controlados para uso psiquiátrico, seguindo com a política não declarada de transformar o atendimento em uma verdadeira prova de paciência.
Nas obras públicas, o cenário é semelhante. Dezenas de obras paradas, pistas que desabaram e seguem “em obras” desde a gestão passada, quando Adriane era vice-prefeita. Buracos que se multiplicam por toda a cidade, gerando prejuízos para a população, e acidentes a diversos entregadores. Árvores caídas desde as chuvas de novembro ainda bloqueiam calçadas, algumas removidas pela própria população, entre outros absurdos que se tornaram rotina.
Governo de extrema-direita
A gestão que se vendeu como “técnica” nas eleições, no fim aparelha secretarias com líderes de extrema-direita ou ligados ao chamado Centrão. Alguns dos exemplos são o de figuras como Viviane Tobias (PL), conhecida por campanhas antivacina e discursos contra os direitos das mulheres, que hoje ocupa um cargo na Secretaria Executiva da Mulher e o de Juliana Gaioso (PP), investigada por participação no golpe de 2022-23, hoje ocupando a Secretaria da Casa Civil do município.
Em outubro, durante um ato na prefeitura, puxado pelas Mães Atípicas, Viviane e Juliana chegaram a hostilizar as mães que protestavam. Confrontadas, com o fato de que a falta de assistência representa uma política de morte para pessoas com deficiência, surgiu a fala que representa muito bem a indiferença da extrema-direita: “Morrem pessoas todos os dias”.
Enquanto cargos públicos com altos salários são ocupados pela extrema-direita, a prefeitura desmonta direitos e desvaloriza os servidores. Mais de mil trabalhadores foram demitidos só este ano, salários de contratados foram reduzidos. E houve tentativas de retirada de direitos, como a redução de bônus de risco e insalubridade, cortes de plantões, entre outras medidas.
A justificativa da prefeitura é o “caixa zerado”. Mas trata-se de opção política. Empresas contratadas pelo município receberam aumentos milionários, como a responsável pela iluminação pública, cujo valor passou de R$ 6,2 milhões, em 2021, para R$ 18,8 milhões em 2024, e segue na casa do R$ 11,7 milhões em 2025. Esse é apenas um recorte de uma série de contratos que receberam aditivos milionários e condições vantajosas.
Já o arrocho atinge somente a base do funcionalismo. O alto escalão, incluindo a própria prefeita, segue com salários que chegaram a superar até os cargos do Governo do Estado. Não por acaso, o município ultrapassou o limite de gastos com pessoal previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal. Diante desse cenário, Adriane recorre a mentiras e agressões, afinal, a verdade costuma ser inconveniente para quem governa contra o povo.
O ministro fascista da segurança israelense, Itamar Ben Gvir, defendeu abertamente a pena de morte contra os palestinos, ilustrando a brutalidade do regime sionista.
Felipe Annunziata | Redação
INTERNACIONAL – Foi com um rosto sorridente enquanto mostrava prisioneiros palestinos ajoelhados e com as mãos para trás que o ministro da segurança israelense, o fascista Itamar Ben Gvir, falou: “Veja, todo mundo no chão, o mínimo de condições. Olhe para a cela, tire fotos, nós tiramos tudo que eles tinham, mas precisamos de uma coisa: pena de morte para os terroristas!”.
A humilhação pública é apenas uma das táticas do regime sionista em relação ao povo palestino. À medida que os combates paralisaram com a trégua de 10 de outubro, Israel libertou cerca de 2 mil palestinos e entregou os corpos de cerca de 250. Todos traziam consigo sinais físicos e relatos de tortura e maus tratos. Nas masmorras sionistas permanecem presos 9 mil palestinos, sendo centenas de crianças.
“Eles nos atacaram e começaram a nos espancar, me arrastaram e jogaram no capô do veículo. Um deles me disse: “você vai morrer”. Eles nos levaram para uma base militar e começaram a derramar energético e cerveja em nós, jogaram água gelada e apontavam o ventilador. Continuaram a nos espancar, a cada minuto um soldado vinha nos bater. Um deles vinha com um objeto afiado. Eles nos despiram todos”, afirmou Fida Salameh, jovem palestino do campo de refugiados de Jenin, na Cisjordânia.
Israel rompe cessar-fogo
Enquanto mais provas dos campos de tortura do sionismo continuam a aparecer, Israel quebra diariamente o chamado cessar-fogo em Gaza. No último dia 19 de outubro, um bombardeio israelense assassinou 11 pessoas da mesma família, sendo 7 delas crianças.
A ajuda humanitária ainda entra de forma insuficiente. Apesar de tudo isso, os palestinos continuam a resistir e a tentar retornar para suas casas. O povo de Gaza, determinado a não deixar ocorrer uma nova limpeza étnica, como a que ocorreu em 1948, volta para os escombros e tenta reorganizar a vida.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, mais de 15 mil palestinos estão gravemente doentes e precisam de tratamento urgente fora da Faixa de Gaza. Dos 36 hospitais que existiam, apenas 14 ainda funcionam, todos de forma parcial e sem condições de atender essas pessoas.
Matéria publicada na edição nº324 do Jornal A Verdade.
O jornal A Verdade entrevistou Silvio Rodríguez, cantor e compositor cubano nascido em 1946, um dos maiores nomes da música latino-americana e fundador da Nueva Trova Cubana. Suas canções, que traduzem com sensibilidade os sentimentos, lutas e esperanças dos povos da América Latina e da Revolução Cubana, foram interpretadas por outros grandes artistas como Mercedes Sosa, Pablo Milanés, Chico Buarque, Milton Nascimento e Fito Páez.
Júlia Andrade Ew e Helena Andrade Ew
A Verdade – A primeira pergunta é sobre a arte e a luta internacionalista. Você tem usado uma Keffiyeh palestina nas apresentações, simbolizando a resistência de um povo que sofre hoje um genocídio. Ainda muito jovem, você se somou à luta de libertação em Angola e à luta anti-imperialista é presente em suas composições. Fale um pouco para nós sobre as experiências de solidariedade internacional e como elas te influenciam como artista e, ao mesmo tempo, de que maneiras a arte pode ser uma ferramenta contra as guerras.
Silvio Rodríguez – Embora a experiência do Che na Bolívia tenha fracassado na iniciativa de libertação, deixou, do ponto de vista do altruísmo, uma marca muito positiva na minha geração. Por isso, quando, em 1975, a África do Sul invadiu Angola, muitos milhares de cubanos se inscreveram nos comitês militares para defender aquela nação. Cuba é um país que tem sido vítima de invasões, sabotagens e poderosas campanhas de difamação. Um país que ainda sofre a guerra econômica mais longa da história: um bloqueio econômico ao qual se somam cada vez mais medidas de asfixia, apesar de que, todos os anos, na ONU, a maioria dos países vote contra.
Uma parte da humanidade percebe que o futuro da espécie humana deve estar baseado na empatia, na solidariedade, na cooperação, naquilo que os antigos chamavam de compaixão e misericórdia. Outra parte ignora completamente esses sentimentos e razões, e faz uso da impiedade e da força para obter o que ambiciona. É alarmante que, cada vez mais, predominem o egoísmo e a lei do mais forte. É vergonhoso e extremamente negativo para o destino da nossa espécie e até mesmo do planeta.
Desde 2003, em meus concertos, venho lendo o poema Halt!*, de Luis Rogelio Nogueras. Comecei a fazê-lo na época da invasão do Iraque. Agora, o faço como denúncia da impunidade do genocídio contra o povo palestino.
Você foi um dos jovens que, em 1961, construiu as Brigadas de Alfabetização Conrado Benítez, em meio a um momento duro de ataques e violências contra Cuba. Che, quando ministro da Indústria, também incentivou muito o trabalho voluntário entre a juventude e o povo. Qual a importância dessas campanhas na sua vida? Como elas serviram para aproximar o povo da Revolução?
Venho de famílias que, por razões econômicas, não tiveram a possibilidade de formar profissionais, famílias que foram beneficiadas em muitos aspectos pela Revolução de 1959. Aquele processo deu ênfase à solidariedade humana, decretou que as moradias pertenciam a quem as habitava e que o direito à vida, à saúde e à educação eram universais. Aos jovens, nos ofereceu a oportunidade de sacrificar um ano de nossos estudos para dedicá-lo a alfabetizar a parte do povo que não sabia ler. Tarefas como essas, junto à necessidade de nos prepararmos para defender aqueles direitos nossos como povo, foram criando uma consciência solidária em todo o país e, naturalmente, também entre os mais jovens.
Inspirados no exemplo da Revolução Cubana, hoje no Brasil a União da Juventude Rebelião constrói jornadas de trabalho voluntário nas periferias. O Movimento de Luta nos Bairros Vilas e Favelas constrói uma escola popular que alfabetiza jovens e adultos no país inteiro. Qual o recado que você deixa para os jovens alfabetizadores e para os trabalhadores que estão aprendendo a ler nesse projeto?
Sempre disse que, primeiro, vem a pessoa, depois, a vocação que se consiga desenvolver. Ou seja, de forma orgânica e consequente com a vida que nos cabe viver, quando conseguimos desempenhar uma função social, um trabalho, é natural fazê-lo a partir das convicções que a própria vida nos ensinou… E, com isso, não pretendo excluir a possibilidade de aprender a ser solidário: sempre é possível aprender a ser melhor.
A arte vincula sentimentalmente as pessoas. Às vezes, aqueles que pensam de forma muito diferente podem se colocar no lugar do outro por meio da influência do cinema, do teatro, da dança, das artes plásticas. Pessoalmente, pude comprovar que a música tem um poder empático altíssimo.
Por tudo isso, acredito que pode ser muito útil e, ao mesmo tempo, bonito, promover, com os recursos disponíveis, o desenvolvimento de uma cultura artística paralelamente a qualquer tipo de aprendizado, inclusive a alfabetização.
Assim, que avancem o saber e as artes!
Por fim, Silvio, a pergunta é sobre a vida. Você começou sua atividade política na adolescência e, hoje, com 78 anos, não abriu mão de seus princípios, da defesa da humanidade. Como você, na sua prática cotidiana, alimenta a esperança na mudança da sociedade?
Foi a realidade que me politizou, mais do que uma vocação. Fui parte de um povo que precisou adquirir consciência para compreender quem éramos, de onde vínhamos e o quão justo era aspirar a uma vida melhor. O mundo, o Universo, a natureza nunca estão em repouso; tudo está sempre em movimento – infelizmente, nem sempre na melhor direção.
Existe uma velha cultura do abuso e da resignação que vai assumindo diferentes formas ao longo dos tempos. Há uma estrutura propagandística muito antiga que favorece essa maneira de pensar. Por outro lado, acredito que, embora seja necessário nos defendermos e sermos firmes, não é bom que o ódio ou o rancor ditem nossos passos. O sentido de justiça e o amor ao próximo devem ser o que nos guia. Que odeiem os egoístas, os desumanos, os incapazes de sentir piedade.
Como disse José Martí a seu filho: “Só o amor engendra melodias”.
* O poema Halt! (Detenham-se!) foi escrito em 1979, pelo poeta e escritor cubano Luis Rogelio Rodríguez Nogueras após visita ao campo de concentração de Auschwitz, na Polônia.
Halt! (Detenham-se!)
Percorro o caminho que percorreram quatro milhões de espectros.
Sob minhas botas, na tarde melancólica e gelada de outono,
o cascalho estala dolorosamente.
É Auschwitz, a fábrica do horror
que a loucura humana ergueu em glória à morte,
é Auschwitz, estigma no rosto sofrido de nossa época.
E diante dos edifícios desertos,
diante das calçadas eletrificadas,
diante dos galpões que guardam toneladas de cabelos humanos,
diante da porta enferrujada do forno onde foram incinerados pais e filhos,
amigos de amigos desconhecidos,
esposas, irmãos,
crianças que, no último instante,
envelheceram milhões de anos.
Penso em vocês, judeus de Jerusalém e Jericó,
penso em vocês, homens da terra de Sião,
que, atônitos, nus, congelando,
cantaram o Hatikvah nas câmaras de gás;
penso em vocês e em seu longo e doloroso caminho
desde as colinas da Judeia
até os campos de concentração do III Reich.
Penso em vocês
e não consigo compreender
como puderam esquecer tão depressa
o bafo do inferno.
Matéria publicada na edição nº324 do Jornal A Verdade.
“O racismo é atualmente uma ideologia de dominação do imperialismo em escala planetária e de dominação de classes em cada país particular.” – Clóvis Moura
Blanca Fernandes e André Molinari | Frente Negra Revolucionária (FNR)
ESCRITORES DO POVO BRASILEIRO – A formação histórica-econômica e o desenvolvimento da luta de classes no Brasil têm como alicerce a violência e a luta racial. A escravidão colonial europeia sequestrou milhões de negros e negras do continente africano e os submeteu a um regime de trabalho explorador, violento, humilhante e mortal, à selvageria. A questão racial marca, assim, toda a história da classe trabalhadora brasileira.
Diversos autores se debruçaram sobre a questão. Entre eles, um se destaca pela sua argumentação científica, atividade comunista e coerência ideológica: o jornalista, historiador, sociólogo e comunista Clóvis Moura.
Ele dedicou a vida a desvendar a formação do Brasil, a origem da exploração e opressão do povo negro brasileiro e seu corajoso legado de luta e rebelião. Neste mês de novembro, mês da Consciência Negra, façamos uma homenagem por seu centenário de nascimento.
Argila da Memória
Nascido no dia 10 de junho de 1925, na cidade de Amarante (PI), Clóvis Steiger de Assis Moura tem entre seus antepassados um barão prussiano, Ferdinando Von Steiger, seu bisavô materno, e, pelo lado paterno, a bisavó Carlota, uma mulher negra escravizada por um português. Essa contradição no seio de sua família foi um dos combustíveis de seu processo de reflexão sobre escravização e miscigenação no Brasil.
Jovem, foi se vinculando aos debates da cultura brasileira, como mostra em seu livro de recordações de infância, Argila da Memória. Aos 14 anos, em Natal (RN), participou do movimento estudantil no grêmio do seu colégio e fundou o jornal O Potiguar, inaugurado com um artigo sobre a Inconfidência Mineira. Iniciava, assim, sua longa lista de escritos a respeito da luta popular.
Em 1941, aos 16, muda-se com sua família para a Bahia, onde estabelece contato com diversos intelectuais com os quais passaria a trocar correspondência constantemente. Essa aproximação com antropólogos, escritores e comunistas iniciou seu processo de radicalização.
Com grande sensibilidade e inquietação frente à desigualdade econômica e social no país, Clóvis, poucos anos depois, passa a compor as fileiras da luta socialista. Debaixo da ditadura de Getúlio Vargas (1937-1945), ingressa no PCB e contribui para a luta com um jornalismo revolucionário, usando de sua profissão para construir jornais com denúncias políticas e propaganda da luta popular. Em meio a suas publicações, desenvolve um profundo estudo da luta de classes no sistema escravagista do Brasil Colonial, apoiado na teoria marxista.
Rebeliões da Senzala
No processo de estudo da formação do Brasil, Clóvis formula a tese marxista de que as rebeliões dos escravizados, a destruição de engenhos e construção dos quilombos eram parte fundamental da luta de classes da sociedade escravagista. As lutas travadas eram a resposta organizada de uma classe superexplorada pela elite colonial, e não uma mera reação ao preconceito racial. A raça seria a aparência de uma luta que era, em essência, de classe.
Com um estudo profundo sobre rebeliões e quilombagem no Brasil, foi mostrando, a partir de exemplos históricos, a capacidade e a determinação do povo negro em resistir de maneira firme contra os colonizadores. Criou uma noção mais completa sobre o quadro geral da luta de classes no Brasil com as diversas formas de luta da população negra.
A partir disso, Clóvis desferiu um golpe decisivo contra as deformações teóricas a respeito da questão racial brasileira. Desmentiu o mito de “democracia racial”, que afirmava que a solução para essa questão seria a miscigenação entre brancos e negros, e que, aos poucos, isso faria desaparecer pacificamente a desigualdade e violência racial. Junto a isso, combateu o mito da “passividade” do negro frente aos senhores de escravizados, concepção defendida em especial por teóricos liberais burgueses, como Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Hollanda.
Clóvis desenvolveu esses estudos tanto em obras sobre o período escravocrata quanto do pós-abolição: “Rebeliões da senzala: quilombos, insurreições, guerrilhas”; “A Encruzilhada dos Orixás: problemas e dilemas do negro brasileiro”; “Sociologia do Negro Brasileiro”; “Dialética Radical do Brasil Negro”; e outras tantas obras e artigos.
Arma ideológica de dominação
Entre textos sobre a Guerra de Canudos, a Comuna de Paris e a Guerrilha do Araguaia, Clóvis escreve um de seus artigos intitulado “O Racismo como Arma Ideológica de Dominação” (1994). Nele elabora que o racismo não é fruto de uma desavença natural entre diferentes “raças” ou um acidente histórico. Do ponto de vista da luta internacional entre nações, a ideologia racista serviu de tática da nascente burguesia europeia para se diferenciar das populações africanas, supor uma superioridade em relação a elas e, assim, justificar sua superexploração escravista, o roubo de suas riquezas e de seus territórios.
“O racismo não é uma conclusão tirada dos dados da ciência, de acordo com pesquisas de laboratório que comprovem a superioridade de um grupo étnico sobre outro, mas uma ideologia deliberadamente montada para justificar a expansão dos grupos de nações dominadoras sobre aquelas áreas por eles dominadas ou a dominar”, nas palavras do autor.
Observando também as relações econômicas internas dos países colonizados, em especial do Brasil, Clóvis mostrou que o racismo assumia o papel de justificar a própria economia escravista. Os senhores de engenho, munidos de teorias a respeito de uma “superioridade branca”, escravizavam e exploravam os trabalhadores negros, os forçavam a um cotidiano brutal de trabalho não pago e humilhações, com os lucros e riquezas por eles produzidos sendo apropriados por essa elite.
Tendo o Brasil passado de um modo de exploração para outro, do colonialismo para o capitalismo, Moura deixa nítido que a miséria, os baixos salários, a superexploração, as humilhações e a violência policial enfrentadas pelo negro hoje são aspectos da divisão de classes brasileira, semelhante ao processo a dominação racista colonial. O racismo seria, então, uma arma de dominação e uma ideologia do colonialismo, apropriado pelos modelos de exploração que vieram depois.
O legado
Um dos grandes feitos desse teórico comunista foi ter nos ajudado a desvendar o processo de formação do Brasil desde a colonização até a consolidação do capitalismo. Colocou em evidência que um dos primeiros formatos da luta de classes nesse país se deu entre brancos donos dos meios de produção e negros trabalhadores. Assim, desatou o nó que envolvia o debate racial, as confusões a respeito da origem e fim do racismo, demonstrando que o racismo não é um elemento paralelo, mas um pilar da configuração das classes econômicas brasileiras.
Sua teoria combateu as ideias racistas de democracia racial, meritocracia, cordialidade do negro e afins, e nos mune contra as atuais teses que defendem a possibilidade de se resolver o racismo sem destruir a estrutura econômica que dele se beneficia, o capitalismo. Nos esclarece o porquê de não ser por meio de reformas pontuais no Estado, ou por um “empreendedorismo negro”, ou uma mera valorização da cultura negra, que se acabará com a desigualdade racial.
“Devemos partir de uma posição crítica radical, através da reformulação política, da modificação dos polos de poder, especialmente das áreas do chamado Terceiro Mundo. É uma situação que ficará sempre inconclusa se não a analisarmos como um dos componentes de um aparelho de dominação econômica, política e cultural”, já nos alertava Moura.
Seus estudos são a prova de que a crítica ao capital e o uso do materialismo dialético e histórico são ferramentas fundamentais para entender o passado colonial brasileiro e o caminho radical a ser percorrido pela luta antirracista. A teoria fundada por Marx e Engels, brilhantemente utilizada por Clóvis Moura, provou seu poder revolucionário contribuindo com os vários processos de libertação e revolução na América Latina, África e Ásia, inspirações para a luta socialista em nosso país.
O comunista Clóvis Moura não se apegou a fórmulas prontas e, por conta desse imenso trabalho, deixou-nos um grande acúmulo para a luta revolucionária e antirracista. Resgatemos a história de resistência de nosso povo – das primeiras confederações indígenas, dos quilombos, da luta no campo, de Canudos, das lutas operárias. Assim, veremos que a luta de classes no Brasil sempre foi intensa.
Se nos armarmos de maneira decidida e viva de uma teoria tão poderosa quanto o marxismo-leninismo, com toda a experiência de luta de nosso povo, seremos imbatíveis e vitoriosos. Que o legado de Clóvis Moura siga nutrindo de conhecimento e rebeldia as atuais e futuras gerações de revolucionários.
Após uma década de mobilização em Brasília, o movimento de mães de crianças com microcefalia reverteu um veto presidencial para conquistar uma vitória histórica.
Joseane Oliveira | Mãe de Kalebh Kaiodê Silva e Presidenta da Amape/Bahia
MULHERES – Há dez anos, o Brasil vivenciava uma epidemia de Zika Vírus, que resultou em muitos casos de crianças nascidas com microcefalia. Nacionalmente, um grupo de mães se organizou para que um projeto de lei fosse criado como forma de assegurar os direitos e as condições necessárias para mães e familiares darem a assistência adequada às crianças.
A proposta que deu origem à Lei 15.156/25 foi apresentada pela então deputada federal Mara Gabrilli, e assegura às crianças que nasceram entre 1º de janeiro de 2015 e 31 de dezembro de 2019, o direito ao Benefício de Prestação Continuada (BPC), recebendo uma pensão mensal vitalícia, no valor de um salário mínimo.
Durante os dez anos que levou para a lei ser aprovada, as mães se mantiveram em luta, o que garantiu não só a aprovação da lei, mas também uma indenização no valor de R$ 50 mil e que, ao invés de um salário mínimo, a garantia de pensão vitalícia no valor do teto pago pelo INSS, pouco mais de R$ 8 mil.
Nada nos impede de lutar
Após anos de lutas e articulações, várias vezes deixando nossos filhos com outros familiares para garantir idas a Brasília a fim de pressionar pela aprovação da lei, conquistamos sua aprovação por unanimidade do conjunto de deputados e senadores. Porém, ao chegar na mesa do presidente Lula, imaginávamos que teria um veto parcial, mas o que aconteceu surpreendeu a todas nós: veto foi total.
Como vetar totalmente sem nunca ter conversado com as mães, nunca ter feito um estudo de como é a situação real das crianças? Nos soa como crueldade, falta de coerência com o que o governo sempre pregou. Por que um governo dito para o povo pobre se comporta como cruel?
Nossas crianças têm comprometimentos severos, não enxergam direito, a maioria tem baixa visão; não ouvem direito; se alimentam com dificuldade, uns por gastrostomia e outros têm traqueostomia; possuem baixa imunidade; a maioria não anda e não fala, não possuem controle de tronco, convulsionam, bronco aspiram e passaram a maior parte da vida (8, 9, 10 anos) em um hospital lutando para sobreviver.
E é exatamente por não querermos nada inconstitucional, não querermos ter mais direitos que outras pessoas com deficiência, que não baixamos a cabeça e fomos à luta.
Nesse sentido, a Associação de Mães e Pais Extraordinários na Bahia (Amape/BA), entidade que acolhe todas as mães, pais e responsáveis de crianças com deficiência, foi uma das principais responsáveis por pressionar o Governo Lula a conceder o benefício para as crianças que foram afetadas pelo Zika Vírus.
Queremos apenas o justo! O direito de cuidar dos nossos filhos com o mínimo de dignidade, a realidade da maioria das mães é de endividamento extremo, vários processos na Justiça para adquirir medicamentos e tratamentos. Nossa realidade é não encontrar nem um neuropediatra no SUS. Terapia, nem se fala!
Então, quando o presidente vetou o projeto de lei que traria qualidade de vida para nossas crianças e propôs uma Medida Provisória “dando” uma indenização de apenas r$ 60 mil, com regras duras, em que a mãe teria que comprovar que foi contaminada pelo vírus na gravidez de quase dez anos atrás, em que o próprio governo não assumia que existia uma epidemia e nem sabíamos que teríamos que fazer sorologia, não aceitamos e seguiremos na luta.
Foram meses de duras batalhas, atos de rua e muitas estratégias de mobilização social. Nós, mães das cerca de 1.800 crianças nascidas com microcefalia, estivemos à frente. Infelizmente, nem todas as crianças seguem vivas. Só nos dois meses que antecederam à promulgação da lei, perdemos mais 18 crianças. Por isso, reafirmamos que vetar integralmente, sem conversar, sem saber das dificuldades que passamos diariamente, sem amparar as mães que lutaram bravamente, mas perderam seus filhos é crueldade sim!
Somos herdeiras das mulheres que bravamente expulsaram os portugueses e conquistaram a Independência do Brasil, não deixaríamos de lutar para conquistar o direito de nossos filhos, assim, sendo a Bahia o segundo estado com maior número de casos em todo o país.
Matéria publicada na edição nº324 do Jornal A Verdade.
O Grêmio Estudantil Emmanuel Bezerra (GEEB-IVP) do Instituto Vivaldo Pereira enfrentou uma ofensiva autoritária da gestão, que negou uma sala ao grêmio e suspendeu suas atividades após um protesto pacífico. A direção tentou silenciar e intimidar os estudantes, que denunciaram as ilegalidades e enfrentaram hostilidades na escola. No entanto, a luta do GEEB-IVP conquistou a sala, e a gestão teve que emitir uma nota pública reconhecendo a legitimidade do grêmio.
Coordenação Estadual da UJR | Currais Novos (RN)
JUVENTUDE – O Grêmio Estudantil Emmanuel Bezerra (GEEB-IVP), do Instituto Vivaldo
Pereira, tem sido alvo de uma ofensiva autoritária por parte da gestão escolar desde que os
estudantes passaram a reivindicar um direito básico: o direito a uma sala para funcionar.
Mesmo com diversas salas vazias e desativadas no prédio da escola, a direção se negou
repetidas vezes a garantir um espaço, dificultando reuniões, projetos e toda a atividade
organizativa do grêmio — que foi fundado em 23 de outubro de 2025 e teve sua diretoria
eleita democraticamente no dia 30 do mesmo mês.
Diante da intransigência da gestão e sem qualquer justificativa plausível, os estudantes
realizaram um ato totalmente pacífico, colando cartazes nas paredes da escola para
reivindicar aquilo que qualquer entidade estudantil precisa para existir: condições mínimas
de trabalho. As colagens aconteceram no mesmo dia das eleições escolares, e os
estudantes também utilizaram frases como “Sem sala, sem voto”, denunciando a postura
antidemocrática da direção, que afirma que “todas as salas serão usadas no próximo ano”.
A resposta da gestão? Ainda mais autoritarismo.
Sem diálogo, sem notificação e sem direito de defesa — garantido pela Constituição
Federal — a direção suspendeu as atividades do GEEB-IVP, numa clara tentativa de
intimidação e silenciamento político.
Negado o direito de ser ouvido pela própria escola, o grêmio realizou aquilo que gestores
autoritários temem: não se calou. A presidência do GEEB-IVP protocolou um robusto
documento de defesa na 9ª DIREC, denunciando todas as irregularidades, ilegalidades e
arbitrariedades da suspensão.
Perseguição ao movimento estudantil
Após a publicação da nota de repúdio no Instagram do grêmio e do vídeo mostrando a
entrega da defesa à 9ª DIREC, estudantes, e até ex-estudantes claramente manipulados
pela gestão passaram a hostilizar e provocar membros do grêmio. Cartazes provocativos
foram espalhados na escola, buscando constranger e isolar aqueles que ousaram enfrentar
a direção. A gestão, que deveria zelar pelo ambiente escolar, mantém silêncio cúmplice
diante das agressões — como se não fosse responsável por criar o clima de intimidação
que dominou o IVP.
A situação lembra — e muito — os métodos da ditadura militar fascista, quando direções
escolares alinhadas ao regime reprimia violentamente o movimento estudantil para impedir
que a juventude se organizasse, reivindicasse direitos e questionasse as autoridades. Hoje,
a violência não vem com cassetetes, mas com perseguição política, chantagem,
manipulação de estudantes e tentativas de destruir a organização democrática construída
pela juventude.
O que aconteceu no Instituto Vivaldo Pereira não é um caso isolado: é parte de uma
tendência nacional de ataques à participação estudantil, justamente num momento em que
a juventude volta a se levantar, a se organizar e a enfrentar velhas estruturas de poder
dentro das escolas.
Após uma mobilização junto aos estudantes, denunciando a perseguição e autoritarismo da
gestão em denúncia na 9° DIREC, a gestão da escola foi obrigada a admitir a legitimidade
do grêmio e emitiu uma nota reconhecendo a existência da entidade, além de disponibilizar
uma sala ao grêmio, que será inaugurada neste final de ano. Essa conquista mostra que
cada passo autoritário da direção só reforça a necessidade de um grêmio forte, combativo e
independente, honrando o nome de Emmanuel Bezerra — jovem potiguar sequestrado,
torturado e assassinado pela ditadura.
Nos dias 29 e 30 de novembro, a Unidade Popular de Minas Gerais realizou o 1º Encontro Estadual de Coordenadores. O objetivo foi preparar todos para as lutas do próximo período, compartilhar experiências e tornar coesa a formação e organização dos coordenadores.
Rafael Fumero e Karoline de Melo | Minas Gerais
A UP não é apenas mais um partido de esquerda no Brasil, afirmou o Diretório Estadual de Minas Gerais em sua última Resolução Política. Para tornar essa afirmação real, estabeleceu-se que é responsabilidade do Partido Antifascista do Brasil dirigir todas as lutas da classe trabalhadora no estado, o que só será possível com a organização funcionando de forma planejada, capaz de orientar a ação e ampliar o número de filiados, fortalecendo nossa construção rumo ao poder popular e ao socialismo.
Portanto, para estimular a campanha de filiações que estabeleceu a meta de dobrar o número de filiados mineiros, nos dias 29 e 30 de novembro foi realizado o 1º Encontro Estadual de Coordenadores, que reuniu mais de 30 pessoas de Belo Horizonte, Contagem, Ribeirão das Neves, Divinópolis, Itaúna, Nova Lima, Sete Lagoas, Montes Claros, Itabirito, Viçosa, Lavras, Uberlândia, Uberaba e Venda Nova.
O objetivo do encontro não era apenas formativo, mas um momento de socialização de experiências, exercício da análise de conjuntura e reflexão, compreensão da estrutura e organização do partido e confraternização.
Em um estado imenso, que conta com 853 municípios, o encontro foi essencial para demonstrar que essa diversidade não torna a luta da UP difusa, pelo contrário, a fome, a miséria e a exploração estão presentes em todos os locais, e só conseguiremos combatê-las se a Unidade Popular se tornar o partido da nossa classe.
Brigada do Jornal A Verdade durante o Ato na Praça Sete de Setembro (Foto: Maxwell Vilela/JAV-MG)
A conjuntura e a nossa tarefa
Para iniciar o primeiro dia, compreendendo que as lutas são fundamentais na formação política, todos foram convocados a participar do ato de 29 de novembro, Dia Internacional de solidariedade com o povo palestino. Durante a atividade, os coordenadores de cidades do interior puderam vivenciar um ato de grande porte, conhecendo os desafios e potencialidades das diversas abordagens possíveis, os contratempos para filiar as pessoas nas lutas, a importância do planejamento dos nossos atos e manifestações, e a prestação de contas do jornal, juntamente dos contatos, após o término da atividade.
O trabalho com o Jornal A Verdade foi essencial para contextualizar o genocídio palestino e disputar a consciência da classe trabalhadora de Belo Horizonte, prova disso é o fato de termos vendido mais de 80 jornais e angariado vários contatos, que foram convidados para participarem de uma Plenária Antifascista (plenária de apresentação da UP).
A segunda etapa foi iniciada à tarde, para debater a conjuntura internacional. A partir da leitura da última nota da Unidade Popular, assimilou-se que ela está intimamente ligada com a realidade estadual, uma vez que a corrida armamentista para as guerras interimperialistas depende da exploração dos nossos minérios, como o lítio, que é utilizado nas baterias dos drones em Gaza e na favela da Penha, por exemplo.
Analisar a realidade é fundamental no acirramento da luta de classes. A partir disso, organizamos como, quando e onde iremos intervir para transformá-la.Nesse sentido, o conjunto dos participantes avaliou autocriticamente que devemos crescer entre as mulheres, pessoas pretas e trabalhadores operários, para sermos um partido de milhões, capaz de tocar todas as lutas.
A construção material, tarefa fundamental
“Se soubermos economizar a nossa mão de obra, os nossos bens e o nosso tempo, poderemos, com o que dispomos, multiplicar a nossa produção e a nossa possibilidade em todos os domínios”. Ho Chi Minh, 1952.
Ainda na tarde do dia 29, iniciou-se o debate sobre como devemos financiar as lutas que planejamos. Porque para agir, sobretudo no sistema capitalista, precisamos dispor de recursos e é a contribuição individual de cada filiada e filiado da Unidade Popular, garantida no 62° Artigo do Estatuto do partido, que mantém vivo todo o nosso trabalho. A Presidenta Municipal de Belo Horizonte afirmou: “as contribuições dadas ao nosso partido são os únicos recursos que não alimentam o sistema capitalista, mas sim a luta dos trabalhadores”.
Por isso, é papel de todo coordenador controlar politicamente esse pagamento, controle esse que não depende apenas de planilhas, mas de acompanhamento fraterno, da camaradagem e da disputa cotidiana para que todos compreendam que esses fundos garantem a autonomia política do partido e serão transformados em bandeiras, panfletos, fichas de filiação e demais materiais.
Outra tarefa fundamental é o financiamento de viagens intermunicipais, atividades de formação e das sedes, que serão o sustento que permitirá o crescimento da UP no estado.
Para cumprir o objetivo formativo do encontro, uma dinâmica foi proposta ao plenário: cada coordenador recebeu uma folha de papel e pode relatar dificuldades que sente ao desempenhar suas funções. Essas perguntas foram lidas e respondidas pelos membros do Diretório, buscando coletivizar os aprendizados.
A iniciativa se provou importante também para o próprio Diretório, que melhor compreendeu quais são os problemas enfrentados nas várias regiões do Estado e, propôs a solução: caso os núcleos continuem desenvolvendo um trabalho cotidiano de coletivização das tarefas e amplo contato com a população, as soluções serão compreendidas pelos filiados graças à aplicação da ciência do materialismo histórico-dialético ao trabalho cotidiano.
Sem organização não há revolução
No segundo dia do encontro, os debates foram direcionados às formas de melhor organizar o funcionamento dos núcleos, organismos de base do partido e essenciais para a construção das lutas no estado.
Iniciou-se com os informes de Agitação e Propaganda, que no ano de 2025, estiveram no centro dos debates da UP em Minas Gerais. Foi graças ao reconhecimento de que é necessário planejar a atuação dos filiados com o Jornal A Verdade, que as regiões puderam expandir o número de cidades em que atuamos, de núcleos funcionando, tudo isso alinhado ao crescimento do Jornal.
Para expor o exemplo do Centro-Oeste, Fernando Lopes, coordenador da região e membro do Diretório Estadual defendeu: “primeiro nós reunimos os filiados de todas as cidades da região, acompanhamos eles e entendemos quem eles eram e onde estavam, junto à isso, lemos matérias do Jornal, compreendemos sua importância, e incentivamos que cada um recebesse ao menos 15, para compensar o valor do frete. Assim, pudemos planejar para quais novas cidades enviaríamos jornais, expandindo nosso trabalho e, ao mesmo tempo, formando os camaradas”.
Em janeiro a região contava com apenas dois núcleos, que juntos contemplavam 30 jornais por quinzena, quando Fernando foi informado do plano de aumentar a cota de jornais para 300 em dezembro, iniciou as ações necessárias para alcançar a meta ousada.
Relatou: “hoje, nós temos mais de catorze cidades que recebem o Jornal, sendo seis toda quinzena e as demais esporadicamente. Entendemos também, que brigadas intermunicipais, contando com pessoas mais experientes de cidades com maior número de filiados, têm o potencial de expandir nossa atuação, porque a partir delas pegamos contatos, convidamos eles para as Plenárias Antifascistas e filiamos, formando assim esses novos núcleos”.
2º dia do Encontro (Foto: Rafael Fumero)
A Campanha de filiações: ainda é possível dobrar nosso partido de tamanho
Por fim, foi informado aos coordenadores que o objetivo de dobrar o número de filiados em Minas Gerais ainda é alcançável até o final de dezembro. Já ultrapassamos 50% da meta e, sobretudo graças às próximas lutas, a tarefa de filiar até alcançarmos mais de 2.000 filiados é um sonho que devemos sonhar na prática.
Para alcançá-lo, é necessário um duplo movimento: filiar direcionadamente a parcela mais explorada da nossa classe: mulheres, mães, negros e negras, operários, trabalhadores da 6×1, ou seja, proletarizar. Isso só será possível se unirmos as lutas ao processo.
É também preciso aprimorar a técnica, agilizar o preenchimento e registro das fichas e desburocratizar. Porque se a UP quer ser o partido do povo, suas portas devem estar sempre abertas à ele.
A segunda dinâmica formativa realizada, que também deu consequência à autocrítica percebida no primeiro dia, foi sugerida na edição nº 320 do A Verdade: “A comissão se dividiu em categorias representativas da classe trabalhadora: uma estudante; mãe trabalhadora da saúde com jornada de 12×36 e dois empregos; professora com dois empregos afastada das reuniões de núcleo; operária da indústria têxtil chegando na fábrica; e caixa de supermercado na escala 6×1”.
Cada coordenador exercitou a argumentação, o acolhimento e teve a oportunidade de aprender na prática como relacionar A Verdade, com as reuniões, plenárias de apresentação e acompanhamento individualizado dos filiados.
A camaradagem e o trabalho coletivo
Tanto no decorrer da dinâmica e da confraternização, que eram atividades planejadas, quanto nos momentos de descanso e alimentação, a camaradagem e a coletividade se provaram aliadas do desenvolvimento do partido.
Dividir as trincheiras da luta antifascista e anticapitalista com a classe trabalhadora precisa ser reconhecido por cada filiado da Unidade Popular como um ato de solidariedade e acolhimento, sem demagogia ou presunção.
Comemoração de aniversário do camarada Lucas do Valle de Itabirito, realizada durante o encerramento do primeiro dia (Foto: Rafael Fumero)
É urgente a necessidade de conhecermos cada um dos nossos camaradas, não permitindo que a ideologia burguesa individualista e os vícios capitalistas cooptem aqueles que um dia acreditaram na luta pelo Socialismo.
Precisamos manter juntos de nós cada filiado e filiada que está passando pelas mais profundas dificuldades do capitalismo, impedindo sua saída.
Não basta dobrar nosso partido, devemos transformar os núcleos no espaço em que exercitamos o Poder Popular; a contribuição financeira na materialização da tarefa histórica da classe trabalhadora; a venda do Jornal na propaganda pela sociedade sem exploração e; o ato de filiar no ato de unir nossa classe sob a bandeira que derrotará o capitalismo. É na medida em que fazemos isso, que alcançaremos todos os objetivos da Unidade Popular.
Cerca de 2 mil trabalhadores estão em greve por tempo indeterminado até terem suas reivindicações atendidas pelas empresas terceirizadas da construção civil na planta da BYD Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador.
Redação Bahia
TRABALHADOR UNIDO – Desde a última terça-feira (2/12), operários da construção civil que atuam na implementação da planta do monopólio bilionário chinês BYD iniciaram uma greve por condições mais dignas de trabalho. A greve foi produto da paralisação convocada nacionalmente pelo Movimento Luta de Classes (MLC) contra a escala 6×1.
A greve já alcança o quarto dia para conquistar as reivindicações da categoria. Entre elas estão, o pagamento de 30% por insalubridade; aumento do auxílio alimentação e transporte; instalação de bebedouros, vestiários, banheiros e fumódromos; disponibilização de mais ônibus para deslocamento dentro da fábrica, pois os trabalhadores teriam que caminhar mais de 4 km; regularização do pagamento de salários e a atualização do piso salarial.
Atualmente a maior parte dos trabalhadores na BYD são de empresas terceirizadas da construção civil que estão construindo a planta que futuramente terá 20 mil trabalhadores. Hoje, a montadora já alcançou a marca de 10 mil carros produzidos desde a inauguração da fábrica em setembro com cerca de 2 mil metalúrgicos trabalhando.
“Enquanto eles não resolverem tudo que temos aí de pendência nós vamos ficar parados e eles vão sofrer mais ainda. A obra deles depende da gente e se a gente não trabalhar nada lá dentro vai ser feito” disse o operário Paulo Henrique ao defender a greve. “Quem nos representa está aqui [aponta para camiseta do jornal A Verdade], o Movimento Luta de Classes!”, completa.
2 mil trabalhadores estão de braços cruzados na BYD de Camaçari-BA. Foto: Isabella Tanajura/JAV
Trabalhadores fundam novo sindicato
Desde o início da paralisação, o sindicato que deveria representar os operários da construção civil de Camaçari, o SINDTICCC, negou à imprensa burguesa reconhecer ou participar das reivindicações legítimas da categoria.
Representantes do sindicato apareceram pela primeira vez na paralisação no terceiro dia em que centenas de trabalhadores lutam contra a exploração das empresas que tem explorado os trabalhadores em condições análogas à escravidão, sem acesso a água, banheiros e vestiário.
A unidade dos trabalhadores não foi abalada a partir das ameaças do sindicato pelego. Em assembleia, os operários decidiram por criar o Sindicato Livre de Trabalhadores da Construção Civil, Montagem e Manutenção Industrial de Camaçari e Região, filiado ao MLC.
Brigadas do Jornal A Verdade
As brigadas do jornal A Verdade na porta da fábrica foram fator fundamental para o sucesso da mobilização dos trabalhadores na BYD Camaçari. Desde fevereiro brigadas quinzenais são realizadas bem cedo durante a entrada dos trabalhadores. Recentemente as brigadas passaram a ser semanais e o número de jornais vendidos por brigada passou a aumentar para 15 a 20 jornais vendidos. A partir da chamada nacional do Movimento Luta de Classes para a construção de paralisações contra a escala 6×1, os brigadistas do jornal passaram a estar pelo menos duas vezes por semana na fábrica.
Desde o começo da greve o número de jornais vendidos tem aumentado, somando 220 jornais vendidos nos últimos três dias de paralisação. Os operários reconhecem que o jornal e os movimentos que o constroem são os verdadeiros representantes de suas pautas. Sem o trabalho contínuo de brigadas operárias não seria possível construir essa luta junto com os trabalhadores.
INTERNACIONAL – As últimas semanas foram marcadas por enormes manifestações e por uma greve geral no Equador. Enquanto cresce a organização popular, a resposta do reacionário governo de Daniel Noboa é ampliar a repressão contra o povo equatoriano.
A greve nacional teve como destaques a Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (Conaie), a União Nacional dos Educadores (UNE), sindicatos e organizações da juventude dos movimentos sociais, e, em sua pauta, o colapso no sistema de saúde, o aumento do desemprego e do custo de vida, além da crescente onda de violência no país, que só foi aumentada com a truculência do Estado.
A imprensa mantém o discurso de que o motivo do conflito foi o corte do subsídio do diesel, o que fez aumentar o preço dos combustíveis e de diversos produtos. Porém, as manifestações e protestos, que culminaram nessa greve nacional, são em resposta ao programa de reformas impostas pelo presidente para atender às ordens do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Sob o discurso de empréstimo ao país, num total de US$ 5 bilhões, o FMI cobra medidas de austeridade e desmonte do serviço público, o que, em junho, culminou na demissão de 5 mil funcionários públicos, e aprovação de uma lei antiterrorista para coibir as manifestações. Além disso, Noboa colocou 12 províncias em estado de emergência.
A repressão contra o povo, com ataques nas ruas e militares armados, visa apenas a manter o governo do bilionário Daniel Noboa, que foi reeleito em abril deste ano com a promessa de enfrentar problemas crônicos do país, como a violência e o tráfico de drogas.
Amigo de Trump, a política de Noboa era esperada: jogar a população mais pobre nas mãos das especuladoras do FMI e aprofundar a crise econômica no país. Com uma economia dolarizada desde 2000, a dependência ao capital estrangeiro fica ainda mais aprofundada, e a classe trabalhadora é quem fica no prejuízo. É exatamente esse prejuízo para a educação, saúde, moradia e segurança pública que o povo equatoriano mostra não estar disposto a pagar.
Nós, da Unidade Popular (UP), nos solidarizamos com a luta dos povos equatorianos contra esse desmonte imposto pelo FMl e pelas elites mundiais. A classe trabalhadora equatoriana não deve pagar pela crise e pelo arrocho promovido pela sua elite local.
Todo apoio aos lutadores e lutadoras que estão nas ruas contra o governo fascista de Daniel Noboa. Fora o FMI do Equador e da América Latina! O povo pobre não vai sustentar a ganância do imperialismo e de seus governos de bilionários e patrões.
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