UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sábado, 28 de março de 2026
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Venezuela resiste a ameaças dos Estados Unidos

Sob o pretexto de um suposto combate ao narcotráfico, o imperialismo estadunidense intensificou, desde setembro, sua escalada de agressões contra a soberania da Venezuela.

Redação


INTERNACIONAL – As ameaças e agressões do imperialismo estadunidense contra a Venezuela ganham novos capítulos. Desde setembro, ações se intensificaram e colocam em risco a soberania venezuelana. Esses ataques são anunciados como um suposto combate às drogas, uma requentada desculpa para justificar a ingerência do imperialismo na América Latina. Durante décadas, essa foi a justificativa utilizada contra a luta revolucionária na Colômbia, posteriormente desmascaradas, pois se tratava de uma ação política para instalar bases militares, sufocar a resistência popular armada e dominar o território e as riquezas colombianas.

Agora, utilizam a mesma desculpa com a intensão de invadir a Venezuela, retirar o presidente eleito democraticamente Nicolás Maduro, impor um governo títere pró-Casa Branca e dominar as riquezas do país. Em sua sanha bélica, o Governo dos Estados Unidos classificou Maduro como narcotraficante e chefe do chamado Cartel de los Soles, grupo de narcotraficantes que atua na Venezuela em colaboração com outros grupos de narcotráfico da Colômbia, como o Tren de Aragua e o Cartel de Sinaloa. Inclusive, já há denúncias de que o Cartel de los Soles conta com envolvimento direto do Departamento de Estado Norte-Americano (DEA) como suporte aos ataques à Venezuela.

O presidente da Colômbia Gustavo Petro denunciou que pequenas embarcações de pescadores têm sido alvos de ataques pelos Estados Unidos. Embarcações de pescadores de Trinidad Tobago e Venezuela também foram atacadas. No total, já foram sete embarcações e um total de 32 pessoas executadas por mísseis, sem qualquer processo legal, criando uma nova modalidade de pena de morte.

Essa narrativa criada pela CIA (Agência Central de Inteligência Norte-americana) já é muito conhecida para atacar governos não alinhados aos interesses da Casa Branca na região.

Como parte da estratégia dos Estados Unidos, também ocorreu a recente premiação do Nobel da Paz dado a Maria Corina Machado, opositora de extrema-direita ao governo de Maduro, uma notória golpista, apoiadora do genocídio de Israel contra o povo palestino, defensora do confisco dos recursos oriundos do petróleo depositados em bancos estrangeiros e dos bloqueios contra seu próprio país. Além disso, Donald Trump anunciou uma recompensa de US$ 50 milhões (cerca de R$ 270 milhões) por informações que levem à prisão de Maduro.

Controle do petróleo e do gás

Na verdade, os verdadeiros objetivos que estão por trás das ameaças de Donald Trump contra a Venezuela são o de garantir aos poderosos monopólios capitalistas o controle das gigantescas reservas de petróleo e gás da Venezuela, além de terras raras e metais preciosos estratégicos para produção de tecnologia de ponta.

Para isso, os Estados Unidos vêm promovendo diversas ações de espionagem, inclusive como o próprio Trump já anunciou, com utilização de agentes secretos da CIA dentro da Venezuela e o deslocamento de navios e aeronaves de guerra, além de soldados, para o Mar do Caribe, próximo à costa venezuelana, segundo reportagem do jornal The Washington Post.

O governo Trump ordenou ainda a ação de aeronaves da unidade de elite do Exército estadunidense “Night Stalkers” (Caçadores da Noite), especializado em ações noturnas e que realiza missões de alta precisão. O grupo é composto por helicópteros de ataques pesados e possui uma divisão com drones de reconhecimento e inteligência.

Resistência popular

Internamente, a Venezuela vive um debate sobre a construção de uma Frente Popular Antifascista e Anti-imperialista, tendo como protagonistas os movimentos populares, revolucionários, sindicatos, organizações de massas estudantis, de bairros, mulheres e camponeses pela defesa da nação de possíveis invasões por parte dos EUA.

A resistência popular ganha força, em especial, nas populações mais pobres. A defesa do país vem sendo organizada pelo governo. Trump já declarou que também poderá realizar ataques por terra, mas esbarra na posição do Governo da Colômbia, que já se colocou abertamente contrário a uma ação militar do imperialismo na região.

Essa não é a primeira vez que os Estados Unidos tentam desestabilizar e derrubar o governo bolivariano da Venezuela. O problema é que, passados 26 anos da revolução liderada por Hugo Chávez, o governo mantém intacto o modo de produção capitalista, não confiscou os meios de produção das mãos da burguesia.

Em meio à grave crise econômica mundial e ao esgotamento do sistema capitalista como saída para a humanidade, a Venezuela se vê encurralada. Os países imperialistas e os monopólios econômicos sufocam o país com sanções econômicas e ações políticas, que restringem o comércio com outros países, confiscam parte dos lucros da venda do petróleo, provocando crises de abastecimento, principalmente de alimentos e bens de consumo essenciais, com fortes impactos nas famílias trabalhadoras.

Com a luta de classes mais acirrada, setores de extrema-direita e fascistas, financiados pelos Estados Unidos, recrudescem suas ações de golpes, exploram as contradições em parte das massas empobrecidas desiludidas com o governo bolivariano e ocupam o espaço como principal oposição à Maduro.

Nem mesmo a aliança com a China e a Rússia é garantia de solução para enfrentar uma invasão. Somente a força e a mobilização das massas populares pode impedir um possível ataque, derrotar o imperialismo e criar as verdadeiras condições para uma revolução socialista.

Matéria publicada na edição nº324 do Jornal A Verdade.

Prisão de presidente da ALERJ mostra que fascistas comandam o crime no RJ

Prisão de presidente da ALERJ, suspeito de vazar operação que mirava influência do crime organizado no governo do Rio, mostra a quem serve a política de violência urbana.

Felipe Annunziata | Redação


BRASIL – O Rio de Janeiro passou mais uma semana marcada por uma operação policial. Desta vez, não houve centenas de mortos ou troca de tiros que levam ao fechamento de escolas e postos de saúde. Liderada pela Polícia Federal, a Operação “Unha e Carne” prendeu o presidente da Assembleia Legislativa do RJ, o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil).

Esta operação mostra mais uma vez quem de fato está por trás do domínio das facções criminosas de vários territórios do Rio de Janeiro. Ao contrário dos discursos dos políticos fascistas, as operações militares nas favelas nunca resolverão o problema da violência urbana. Na realidade, essas ações das polícias só servem para ampliar o domínio político dos representantes da direita e do fascismo, como o Jornal A Verdade na edição nº325.

A operação desta quarta denunciou o vínculo do presidente da ALERJ com o ex-deputado TH Jóias, suspeito de lavar dinheiro para os chefes da facção Comando Vermelho. Bacellar teria vazado a operação que prendeu TH e ajudado na fuga do representante da facção na ALERJ.

Mostrando a hipocrisia dos deputados de direita, Bacellar comemorou o Massacre da Penha e criticou quando o judiciário solta pessoas presas. “Precisamos de uma legislação mais eficaz, que evite que marginais sejam presos hoje e soltos amanhã. Um Rio mais seguro não é palanque político, é o desejo de todas as famílias de bem do nosso Estado”. Agora, veremos se Bacellar defende para si o mesmo que defendeu para as pessoas vítimas do Massacre da Penha.

Desde que foi eleito, o presidente da ALERJ foi aliado ou atuou de acordo com os interesses dos grupos que mandam hoje no governo do Rio, chefiado por Cláudio Castro (PL). Junto com famílias de empresários que mandam nas prefeituras cidades do interior e da Região Metropolitana, o deputado tem buscado ampliar sua influência política no estado.

Durante sua gestão na ALERJ, os servidores sofreram vários ataques aos seus direitos e o processo de privatização da produção de água pela CEDAE avançou. Não satisfeito, o presidente da ALERJ apoiou o movimento para aprovar a chamada “Gratificação Faroeste”, a remuneração que o estado do Rio quer pagar para policiais que matem mais pessoas.

Mais uma vez, sem dar um tiro e criar o caos na cidade do Rio, como as polícias estaduais fizeram no Massacre da Penha, em 28 de outubro, foi possível desarticular ou ao menos prejudicar uma rede de influência de uma das maiores facções criminosas dentro do governo do Rio.

Deve-se cuidar da juventude

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A maior e mais cruel estratégia que a burguesia tem sobre o nosso povo é a sua capacidade por meio de sua propaganda ideológica de responsabilizar cada indivíduo sobre suas dores. Sendo assim, é essencial fazer o debate com nossos companheiros sobre cuidado físico e psicológico, mas não individualizá-lo, de modo que se nossos problemas são coletivos a solução também deve ser.

Mary Araújo | União da Juventude Rebelião (MA)


JUVENTUDE – Olhar em retrospecto para a história da humanidade é perceber que todos os povos oprimidos do mundo estão destinados a serem extraordinariamente livres, não por favor da corja de exploradores, mas pela revolta presente em cada indivíduo que experimenta as desigualdades e injustiças que o capitalismo impõe ao povo.

A dor dos chamados excluídos transpõem as barreiras territoriais, nacionais, continentais e inunda a cada pessoa que sofre com a expropriação da riqueza, o vil pensamento do lucro acima da vida. Lutar em tais condições do capitalismo global é mais do que um brado de liberdade, é um ato de amor profundo (por si mesmo e pelos outros), é quebrar um ciclo de silenciamento e ódio que aprisiona o povo trabalhador que tudo produz na desesperança. É querer mais do que uma promessa de conciliação e um pedaço do bolo, é querer “o bom, o justo, o melhor do mundo” e o bolo inteiro.

A juventude tem, dentro desse cenário, um papel significativo já que a revolta está inata dentro de cada jovem, como diria o Che “ser jovem e não ser revolucionário, é uma contradição genética”, por isso, cabe a juventude estar apta para exercer o seu papel em organizar a rebeldia e em transformar cada jovem em um quadro revolucionário e fazer de cada luta um passo a mais para a esperança da nova sociedade.

De todas as maravilhas do mundo o socialismo, de todas as lutas travadas a maior que os comunistas fazem é pela vida. Não baseada na sobrevivência de aguentar para lutar mais uma vez, não em morrer pela revolução, mas viver por ela. Doar todos os melhores e mais importantes dias para construir uma nação de novo tipo onde a aurora já começou a surgir.

Desse modo, é imprescindível que façamos o debate e acompanhamento sobre a importância do trabalho de cuidado consigo e com os outros em cada espaço, já que em uma sociedade que individualiza cada vez mais as mazelas que são coletivas o que sobra para nós, os jovens, é o desânimo e o adoecimento -seja ele emocional, físico ou mental. Devemos fazer a disputa de nossos companheiros não só ao nível de ganhá-los para estarem na luta, mas para decidirem viver além das dificuldades que esse sistema nos impõe.

Cuidado coletivo 

A maior e mais cruel estratégia que a burguesia tem sobre o nosso povo é a sua capacidade por meio de sua propaganda ideológica de responsabilizar cada indivíduo sobre suas dores, de apresentar salvações individuais para questões coletivas e secundarizar os reais motivos para o adoecimento do nosso povo, o cansaço, falta de produtividade e descontentamento é automaticamente patologizado, a solução nós apresentada é a de remédios que não acabam, quando nossas necessidades são por vezes causadas pelo déficit vitamínico por alimentos de baixa qualidade, pela falta de tempo para exercícios físicos, pela dificuldade no acesso a lazer, cultura e entretenimento.

Sendo assim, é essencial fazer o debate com nossos companheiros sobre cuidado físico e psicológico, mas não individualizá-lo, de modo que se nossos problemas são coletivos a solução também deve ser. Devemos formar grupos de caminhada, datas para praticar exercícios físicos coletivamente, fazermos o acompanhamento sistemático de como está o acompanhamento psicológico dos companheiros e se eles fazem, como anda sua alimentação, seu sono, seus estudos gerais e sobre o marxismo-leninismo.

Devemos disputar a vontade de viver de nossos companheiros, pois se organizar é um ato de amor. Mas viver por isso é um ato de resistência.

Trabalhadores do Mix Mateus em Recife paralisam contra a escala 6×1

Após coleta de denúncias, panfletagem e brigadas do Jornal, o Mix Mateus Santo Amaro paralisou sua atividade por 1 hora e meia para lutar contra a escala 6×1.

Evelyn Dionízio | Redação PE


TRABALHADOR UNIDO – No dia 02 de dezembro, dia nacional de luta contra a escala 6×1 tocada pelo Movimento Luta de Classes e pela Unidade Popular, os trabalhadores do Mix Mateus Santo Amaro paralisam suas atividades durante 1h30. Após semanas de mobilização com brigadas do Jornal A Verdade, panfletagem e conversas com contatos recolhidos, obtiveram vitória ao realizar greve na luta por uma escala de trabalho mais justa, por melhores condições de trabalho e pelo aumento dos salários.

No dia houve intimidação de gerentes, filmando os trabalhadores que pudessem se unir à luta grevista na parte de fora do mercado. Três viaturas da Polícia Militar também estiveram no local para “acompanhar a movimentação”. Com a mobilização a partir das brigadas do Jornal, foi possível recolher diversas denúncias de assédio moral e sexual encobertos dentro do ambiente de trabalho, além de reivindicações quanto ao fim do desvio de função e limitação do uso do refeitório.

“Sem contar que início de mês eles sobrecarregam os operadores de caixa, obrigando a ficarem operando o caixa mais de 6hrs sem intervalo, muitos operadores passam mal com fome, pressão baixa e privados de irem no banheiro pois não tem quem faça a rendição a demora é [sic] de quase 1hrs após o solicitado.”, relatou Isabele Fabiola.

Enquanto isso, o Grupo Mateus continua lucrando sob risco de perdas milionárias de investimentos por “erros contábeis”. Por isso, os trabalhadores que dependem do emprego para sustentar suas famílias vivem o dia a dia com medo da demissão, principalmente após o anúncio da fusão com a rede Atacarejo.

“Fui trabalhadora da escala 6×1 e sei o que passam as operadoras de caixa, função que ocupei durante muitos anos, função essa que nos explora e nos adoece. Porque quando é na hora de fechar o caixa do dia a gente tem medo que falte dinheiro porque se faltar vai ser descontado do nosso salário de fome.”, relata Camila Falcão, do Movimento de Mulheres Olga Benario. Rafael Freire, da redação do Jornal A Verdade, complementa que “que a luta da classe trabalhadora pela redução da jornada de trabalho vai nos acompanhar enquanto existir o sistema capitalista porque é justamente colocando o trabalhador pra trabalhar mais horas, colocando o trabalhador pra produzir mais, que aumenta o lucro do patrão”.

A paralisação de 1h30 do Mix Mateus provou que só a luta unida do povo trabalhador pode alcançar uma mudança no sistema de exploração que vivemos. Apenas com greves organizadas podemos arrancar de uma vez por todas o fim da escala 6×1, a diminuição da jornada sem redução dos salários e aumento do salário mínimo, além de melhores condições de trabalho, o básico para a classe responsável por gerar toda a riqueza do país.

Sem metrô aos domingos, trabalhadores tem o direito ao lazer diminuído no Recife

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Suspenso há 1 ano e sem dialogar com os usuários, a falta de metrô aos domingos, além de mostrar o extremo sucateamento do serviço, mostra a negação do acesso para o trabalhador ao lazer, que não tem outra opção quando o transporte coletivo é feito apenas para o trabalho.

Marina Aguiar| Recife


CARTAS- Desde setembro de 2024, o metrô do Recife teve sua operação suspensa aos domingos para realizar manutenção nas linhas Centro e Sul. A verdade é que o sistema metroviário está passando por um processo de sucateamento e que precisa de reparos urgentemente. Além disso, diversos metroviários denunciam que a suspensão é necessária, pois a companhia de transporte não consegue mais custear as viagens e que, para não se endividar mais, necessitaria também suspender aos sábados.

O domingo é, tradicionalmente, o dia de ir à praia, ao parque, pegar um cinema no Shopping Boa Vista, juntar os amigos ou fazer aquele passeio simples, mas tão necessário que recarrega as energias para suportar mais uma longa semana. Para quem mora em áreas mais afastadas do Centro, como Camaragibe, Jaboatão, Cajueiro Seco e tantos outros lugares que dependem do metrô, esse direito ao lazer simplesmente deixa de existir quando o sistema fecha.

O lazer é um direito garantido por lei. A Constituição Federal de 1988 o estabelece como um direito social no artigo 6º e o artigo 227 reafirma o dever do Estado de garantir esse direito às crianças e adolescentes. No entanto, o que vemos é justamente o contrário: nada é feito para facilitar o acesso da população pobre ao lazer.

Em outras opções de transporte, o tempo de deslocamento dobra ou até triplica. Isso desanima o trabalhador a tentar um programa diferente no fim de semana, especialmente quando é preciso enfrentar filas, baldeações e a incerteza de horários de ônibus. Nos finais de semana a frota é reduzida, já que todo o sistema de mobilidade urbana foi pensado apenas a serviço do trabalho e não para o dia a dia do povo. Grande parte desses usuários tem apenas o transporte coletivo como alternativa e, diante da necessidade de pegar três ou quatro ônibus para chegar ao destino, acabam desistindo.

Há que se destacar que em muitos locais só existem lazer nos centros da cidade ou nas capitais. Já para os interiores o que sobra são apenas praças. Assim, o trabalhador de São Lourenço da Mata, por exemplo, tem apenas um cinema e praças para descansar nos finais de semana. Isso também lhe nega o acesso à cultura, quando muitas vezes as exposições e shows acontecem tarde da noite na capital.

Desse modo, a suspensão do metrô aos domingos deixa evidente que o sistema foi pensado para funcionar apenas em dias “úteis”. Mas úteis para quem? Para “facilitar” a vida do trabalhador? Mas, da mesma forma que precisamos do metrô para trabalhar e produzir, também precisamos dele para viver a cidade, para deslocar, para ter escolhas.

Fica ainda mais evidente a quem o metrô atende quando em dezembro a operação aos domingos é retomada para estimular as compras no Centro. Ou seja, quando há interesse econômico envolvido a circulação é garantida, mas quando o assunto é garantir o direito ao lazer do trabalhador, o serviço simplesmente não existe. Fechar o metrô nesse dia contribui ainda mais para afastar a população do centro do Recife, um espaço que já vive tantas discussões sobre abandono e até sobre a privatização de ruas, como a do Bom Jesus. A quem interessa afastar ainda mais o pobre do coração da cidade?

As pessoas precisam de espaços de lazer, mas também precisam de condições reais para chegar até eles. De que adianta ter equipamentos públicos se o acesso é praticamente inviável? Para garantir o direito ao lazer, é necessário um real investimento público no transporte coletivo e que cumpra seu real objetivo de servir a população de forma integral e não para encher os bolsos de empresas estrangeiras. O pobre gosta de passear, de caminhar pelo centro, comprar uma trufa na feira do Bom Jesus e sentir o vento no Marco Zero. Ele só precisa do mínimo: transporte público digno, eficiente e que não transforme um simples passeio em uma maratona de três horas.

“O Agente Secreto”: quando o Estado cria inimigos para manter o controle

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O filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, lançado no início de novembro de 2025, tem chamado atenção por se tratar de mais uma obra cinematográfica que expõe e aprofunda uma das questões mais delicadas de nossa história recente: a ditadura militar de 1964. Repetindo o sucesso de público e crítica de “Ainda Estou Aqui”, o filme do pernambucano tem chamado atenção do grande público também fora do país e é um trabalho que precisa ser conhecido por todo o povo brasileiro. 

Gabriela Calixto e Vitória Pereira| Recife


CULTURA- O filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, mistura ficção e memória histórica para mostrar como o Estado brasileiro usou a vigilância e o medo para fabricar inimigos e justificar a repressão durante a ditadura militar. A obra foge do eixo Rio–São Paulo e coloca o Nordeste no centro da história, revelando violências e silenciamentos ainda pouco discutidos.

A infiltração como instrumento de controle do Estado

No longa, acompanhamos Armando (Wagner Moura), pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco que passa a ser perseguido depois de negar envolvimento em um projeto ligado ao governo Geisel. Forçado a voltar ao Recife, ele vê sua vida virar alvo de agentes estatais e intermediários privados. Essa perseguição mostra como, na ditadura, a repressão não se limitava a militantes políticos: atingia trabalhadores, estudantes, professores e famílias comuns.

O filme expõe como a infiltração e o monitoramento eram usados como ferramentas para desmobilizar qualquer forma de organização popular. A ideia de “segurança” servia mais para proteger interesses da elite econômica do que para garantir direitos e liberdade ao povo.

O Recife de 1977: um cenário silenciado pela ditadura

Ao ambientar a história no Recife, Kleber Mendonça rompe com a centralização do debate sobre a ditadura no Sudeste. A cidade aparece quase como uma personagem: o clima úmido, os sons das ruas, os interiores populares e os espaços públicos constroem a tensão do período.

Essa escolha revela uma memória frequentemente apagada. O Nordeste também sofreu vigilância, violência e censura, mas raramente virou tema do cinema nacional. O filme resgata essa perspectiva e mostra que a repressão não tinha fronteiras.

Ficção e realidade: quando o cinema escancara as estruturas de classe

Embora seja ficção, o filme dialoga diretamente com acontecimentos reais. A cena em que a patroa deixa a filha da empregada atravessar a rua sozinha faz referência ao caso do menino Miguel, morto em 2020. O paralelo deixa claro que desigualdade, negligência e hierarquias de classe continuam moldando vidas e violências no país.

Além disso, o filme mostra como regimes autoritários fabricam suspeitos para justificar vigilância e repressão. Essa lógica, típica da ditadura, também aparece em democracias capitalistas atuais, onde trabalhadores, estudantes e movimentos sociais são tratados como ameaça para manter a ordem da classe dominante.

Memória, narrativa e o papel do cinema brasileiro hoje

A história de Marcelo, reconstruída por gravações e recortes após sua morte, evidencia como regimes autoritários tentam apagar as vozes de quem foi perseguido. Lembrar, nesse contexto, se torna um ato político. Quando opressores são anistiados e perseguições são normalizadas, abre-se espaço para que novos abusos voltem a acontecer.

O filme também chama atenção para o cenário cultural brasileiro. Com mais de 25 prêmios e forte candidato ao Oscar de 2026, O Agente Secreto revela a importância do investimento em cultura. O longa contou com R$ 27 milhões em financiamentos públicos e privados, prova de que, quando há recursos, o cinema nacional alcança reconhecimento mundial.

A obra importa não só por revisitar o passado, mas por alertar para o presente. A construção de inimigos internos é uma estratégia que continua sendo usada por governos e corporações para manter o poder. Sem memória, sem cultura e sem incentivo, o risco é que esses apagamentos se repitam.

 

Prisioneiras políticas paraguaias se levantam novamente contra a impunidade, o confinamento e a tortura

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Em greve de fome desde o final de novembro, militantes paraguaias denunciam perseguição, tortura e o fascismo por parte do governo. 

Redação


INTERNACIONAL- Após nove dias de greve, as prisioneiras políticas paraguaias Carmen e Laura Villalba e Francisca Dino retomaram uma nova greve de fome desde 27 de novembro. Não é um gesto simbólico: é o grito de quem enfrenta um cerco duplo repressivo. Por um lado, as condições desumanas e degradantes das prisões, típicas de um sistema que pune a pobreza, a insurgência e a militância comunista. Por outro, o isolamento político, que busca romper a organização da solidariedade humanitária e a capacidade de denunciar o desaparecimento de Lichita, o duplo infanticídio de María Carmen e Lilian, bem como as anomalias legais nos casos das três presas políticas.

A violência que enfrentam não é uma exceção, é a política prisional de um Estado que reproduz a lógica da contrainsurgência e a “Doutrina Bukele” exportada para toda a América Latina. Prisões superlotadas, suspensão de direitos básicos, punição coletiva, isolamento prolongado, negação de atendimento médico, proibição de estudo e leitura, censura das visitas, obstáculos administrativos para as visitas, tudo enrolado em um discurso de “segurança” que não é mais que governar pelo medo.

Esse modelo repressivo é a ferramenta do capitalismo dependente para lidar com as revoluções vivas. O aparato prisional funciona como um laboratório onde formas extremas de disciplina e desumanização são testadas — a mesma máquina que é então aplicada em territórios indígenas, bairros pobres e comunidades organizadas.

No entanto, nenhum regime de força apaga obrigações sob o direito internacional.

O Paraguai está violando abertamente:

  1. Regras Mandela: proibição absoluta da tortura, isolamento prolongado, punição coletiva e negação de assistência médica.
  2. Convenção Interamericana contra a Tortura: obrigação de prevenir, investigar e punir práticas degradantes.
  3. Convenção sobre Desaparecimento Forçado: dever de garantir a busca sem obstrução – incluindo a participação das famílias, que agora é negada a Carmen.
  4. Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos: direito à integridade, à vida, à comunicação com o exterior, à educação, à defesa.

A nova greve de fome deixa claro que as presas políticas não estão apenas lutando para sobreviver, mas para desmontar um regime de terror institucional que visa a se tornar a norma continental. Em um país onde uma menina – Lichita – ainda está desaparecida, onde a mãe é proibida de participar da busca e onde prisioneiros são punidos por ler, estudar ou receber visitas, a responsabilidade política e histórica é quebrar o silêncio.

O vestibular ainda é uma ferramenta de exclusão

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Apesar de alguns avanços no ingresso ao ensino superior, a urgência de uma educação gratuita, democrática e verdadeiramente para toda a juventude está longe de ser uma realidade onde a meritocracia e o individualismo decidem quem vai conseguir uma vaga no tão sonhado ensino superior. 

Gabriel Marinho Cunha de Barros| Paraíba


Educação- A conquista de uma vaga na universidade pública, celebrada como uma oportunidade de ascensão social, ainda funciona como parte da reprodução da dominação e ideologia da classe dominante. O ingresso no ensino superior público legitima, perpetua e naturaliza, sob a roupagem do mérito e da excelência, uma lógica profundamente excludente e seletiva. No centro desse funcionamento está o vestibular, esse filtro que decide quem entra e, por consequência, quem permanece do lado de fora da tão sonhada vaga. Mas este dispositivo de seleção não nasceu neutro — e tampouco permanece como tal.

A origem do vestibular

O vestibular foi criado no Brasil na década de 1910, a partir das reformas no ensino superior que buscavam, entre outras coisas, controlar o crescimento do número de estudantes e garantir que a universidade fosse ocupada por um grupo “qualificado”. Na década de 1930, com a criação da Universidade do Brasil (atual UFRJ), o vestibular passa a ser institucionalizado como condição obrigatória de ingresso. O critério de seleção, até então restrito a provas específicas de cada instituição, torna-se gradativamente um instrumento de regulação do acesso — não a partir das capacidades intelectuais, mas das desigualdades materiais que precedem a chegada de qualquer estudante às portas da universidade.

E é justamente aí que reside seu papel ideológico: o vestibular transforma a desigualdade social em “fracasso individual”. Ele não mede apenas conhecimentos — ele homologa trajetórias marcadas por abismos históricos e legitima que os mais pobres sejam reprovados por critérios que jamais tiveram chance de atender. A lógica do mérito, nesse cenário, opera como véu: oculta as determinações estruturais que moldam as trajetórias e transforma o sucesso dos privilegiados em virtude pessoal. Quem conseguiu a vaga, “estudou, abriu mão de muita coisa, fez pelos seus méritos”. Quem ficou de fora, “não se esforçou o suficiente”. Essa é a ótica vigente.

Nesse sentido, o vestibular é uma barreira de contenção social, de ordenamento do acesso ao saber e de manutenção da universidade como espaço de reprodução das elites.

Que a universidade se pinte de povo

 A defesa do fim do vestibular mostra a debilidade em nossa educação, como também é uma exigência política, profundamente ancorada na realidade do país. O Brasil é uma nação forjada na exploração colonialista, onde o acesso à educação superior ainda é um privilégio restrito a cerca de 20% da população jovem — e mesmo esse número esconde desigualdades profundas entre instituições públicas e privadas, entre brancos e negros, entre centro e periferia.

É necessário também que se diga: as políticas de cotas, embora conquistas relevantes das lutas sociais, permanecem, na maioria dos casos, limitadas ao vestibular. Elas funcionam como brechas no filtro, mas não resolvem o problema. Ao restringirem-se ao momento do ingresso, ignoram o fato de que a exclusão é um processo que começa muito antes da prova e continua depois dela. Sem políticas reais de permanência, de acolhimento, de reorganização curricular, essa mesma juventude que passa por um verdadeiro funil, acaba por não conseguir se formar e acabam abandonando, por diversos motivos, o sonho de concluir seu curso superior.

É necessário construir uma formação que articule universidade e território. Criar uma universidade onde ensino, pesquisa e extensão sirvam para realmente transformar todos os grandes problemas da sociedade, não continue sendo entregue ao rentismo. Precisamos abrir as portas do ensino superior, e, como falou Che Guevara, que a universidade se pinte realmente de povo.

Mulheres ocupam Prefeitura de Natal em manifestação no dia 25 de novembro

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Mulheres são agredidas pela Guarda Municipal no dia internacional de combate à violência em manifestação 

Movimento Olga Benario | (Natal) RN


MULHERES – O dia 25 de novembro é o dia internacional de combate à violência contra as mulheres. A data homenageia as irmãs Mirabal, Pátria, Minerva e María Teresa, que lutaram contra a ditadura na República Dominicana e foram assassinadas brutalmente pelo ditador Rafael Trujillo. Nesse sentido, no dia 25 de novembro, as mulheres no mundo todo se reúnem em manifestações para lutar por seus direitos e pelo fim da violência 

 

Em Natal, capital do Rio Grande do Norte, não foi diferente. Na última terça-feira, cerca de 80 mulheres organizadas no Movimento de Mulheres Olga Benario e no Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), ocuparam o palácio Felipe Camarão, sede da Prefeitura do Natal. A manifestação aconteceu em repúdio aos casos de violência contra a mulher na cidade, mas também a violência de estado que estão submetidas as mulheres, em especial aquelas que moram na periferia: creches, escolas e postos de saúde precarizados, falta de iluminação e aumento dos bancos de doação de leite também estavam entre as principais pautas.

 

Ainda assim, a Guarda Municipal respondeu às mulheres com truculência. “Estávamos fazendo nossas agitações, palavras de ordem, pressionando o gabinete da Prefeitura para nos atender. Ninguém estava quebrando nada ou agredindo ninguém. Até que a guarda decidiu ir pra cima de uma das nossas companheiras, então começou uma repressão truculenta ao nosso ato. Nos agrediram e jogaram spray de pimenta na gente” relata Kivia Moreira, da coordenação do Olga.

 

Após o episódio de violência, o Movimento foi atendido pelo secretário adjunto do prefeito, que recebeu o ofício. Fruto da mobilização, foi conquistada uma reunião com a secretaria de mulheres do município para tratar especialmente das pautas voltadas para o combate a violência de gênero. No Rio Grande do Norte, 22 mulheres foram vítimas de feminicídio somente neste ano, e a cidade de Natal conta com apenas uma casa abrigo que está superlotada e o Centro de Referência da Mulher Elizabeth Nasser (CREN), que está precarizado em decorrência do baixo recurso investido.

 

“Foi uma ação muito importante, porque chamou atenção pra pauta, que parece ser esquecida pela prefeitura, pelo estado, enfim, o poder público, que prefere ignorar as mulheres e nos deixar morrer sem perspectiva, seja pela violência dentro de casa ou fora de casa. E mostra como reage o Estado quando as pessoas se organizam, porque o que estávamos pedindo ali não era nada além de um direito básico, o direito a viver bem. Essa ação foi importante porque mostrou que as mulheres podem e devem ser poder!”, relata Alice Morais, do Movimento de Mulheres Olga Benario.

Prefeitura de Bayeux (PB), não chama concursados para ocupar cargos e precariza condições de trabalho

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Precarizando o serviço público e priorizando a terceirização, o governo municipal de Bayeux (PB) é reflexo de como o capitalismo enxerga o serviço público em todas as esferas.

Redação Paraíba


 

TRABALHADOR UNIDO- Os servidores públicos no estado da Paraíba estão imersos num oceano de irregularidades. Apesar a legislação favorecer a contratação por meio de concursos públicos, considerando que contratações fora desse modelo sejam feitas apenas em casos excepcionais, na prática, a maior parte dos servidores públicos na Paraíba estão contratados temporariamente. O Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB) estabeleceu, em resolução de 2024, que a contratação de servidores públicos nos municípios paraibanos por modelo de contrato temporário não deve ultrapassar em 30% o total de servidores efetivados por concursos. No entanto, segundo dados do próprio TCE-PB, 178 das 223 prefeituras do estado se encontram em situação de excesso de contratações necessárias.

Um dos casos que chama mais atenção é o município de Bayeux, que segundo dados do Ministério Público da Paraíba, possui 1.166 servidores efetivos e 2.355 temporários. Isso significa cerca de 201% de servidores temporários em relação aos efetivos; 171% a mais que o limite normativo. Esses dados são resultados de diversas práticas políticas das gestões de Bayeux, principalmente do não cumprimento de chamadas de concursos públicos. No caso mais recente, em julho de 2024 a prefeitura de Bayeux realizou um concurso que oferecia 568 vagas imediatas e 2.845 vagas em cadastro de reserva, para diversas profissões, incluindo professores. Apesar de a princípio concordar com as condições do edital e com a homologação do concurso, a prefeitura não realizou de forma plena a chamada de aprovados. Em maio de 2025, agora sobre a nova gestão de Tacyana Leitão (PSB), a prefeitura publicou um novo decreto, anulando a homologação do concurso.

Concursados exigem seus direitos

A irregularidade das contratações dos servidores públicos traz a precarização do trabalho desses servidores, não possuindo a estabilidade que os servidores efetivos, e, em alguns casos, não possuindo a mesma remuneração. Além disso, a temporariedade do contrato, faz com que os contratados estejam dependentes da vontade dos gestores, a renovação ou não de um contrato temporário pode ser feita por questões políticas, ou ainda, por relações de nepotismo. Dessa forma, as prefeituras obrigam centenas de trabalhadores à estarem alinhados com a gestão, especialmente durante às eleições, quando além do voto são coagidos a estarem nas atividades de campanha. A realização de um concurso que não resulta na contratação dos aprovados é um insulto aos trabalhadores aprovados. O Jornal A Verdade entrevistou Angelline Santos, membra da comissão de representação dos aprovados, para discutir sobre a demanda dos aprovados por seus direitos, e as condições de trabalho da categoria dos professores em Bayeux.

A Verdade: A prática comum no município de Bayeux em relação à contratação de professores é através de contratações provisórias, ao ponto em que o ministério público constatou excesso de contratos provisórios, com mais de 170% a mais que o permitido. Qual efeito isso tem nas condições de trabalho dos professores de Bayeux?

Angelline: São trabalhadores com baixos salários, precarizados, com excesso de trabalho, muitas turmas com alunos neurodivergentes ainda esperando acompanhamento dos monitores, que também esperam a convocação. Para além dessa realidade caótica, contratados são constrangidos a manter engajamento nas redes sociais do município, durante eleições são também constrangidos a participarem de atos, carreatas e passeatas. É a verdadeira massa de manobra, que infelizmente se dobra a interesses políticos escusos pois precisa colocar comida na mesa.

Além de demorar para fazer concursos, a prefeitura também tem feito concursos em que nenhum professor foi nomeado aos cargos. Qual pode ser a causa disso?

 Alguns poucos conseguiram a nomeação ainda na gestão passada, em novembro de 2024, pouco tempo depois da homologação.  Esse número não chega a 5% do número total de vagas imediatas. Temos um longo caminho pela frente, pois a prefeitura só realiza concurso quando há intervenção do Ministério Público. Essa é uma realidade, não só de Bayeux, como de muitos municípios Brasil afora. É nítida a vantagem eleitoral quando a máquina pública é ocupada por contratados que se sujeitam aos interesses eleitoreiros dos seus gestores. “Cabide eleitoral” é como chamamos esse comportamento ilegal das gestões que trocam emprego por voto e trabalho nas eleições.

Como tem sido a reação dos professores e da população? Há alguma movimentação para exigir que as nomeações sejam feitas?

O concurso de Bayeux contempla diversos cargos, desde apoio, como é o meu caso de auxiliar de merendeira, passando pela administração, professorado, e até procuradores. Atuamos em diversas frentes cobrando nomeação: panfletagem, protestos, publicações nas redes sociais, denúncias ao Ministério Público, mandados de segurança, ações contra o município que se opõe firmemente a todas essas frentes. A população não tem ainda a dimensão do problema, mas sente na pele a falta de professores, técnicos de enfermagem, monitores, auxiliando diretamente à mesma. E os professores seguem amargando essa espera, apesar de o ano letivo ter iniciado com muitos desfalques.

Em geral, como a gestão de Tacyana tem lidado com as questões educacionais da cidade?

A gestão de Bayeux nos parece mais do mesmo, mas com uma preocupação enorme em sair bem na foto. Então vemos investimento pesado em publicidade e propaganda, enaltecendo algumas poucas reformas de praças públicas, ao passo que escolas continuam com problemas básicos como falta de energia e insegurança. Assim como nas demais secretarias, a de educação tem um secretário não técnico, de outra área que não da educação. Se existisse um interesse genuíno em melhorar os índices educacionais ridículos do município, a contratação dos professores aprovados que aguardam a tão sonhada nomeação seria pauta urgente da gestão. A luta dos aprovados de Bayeux está perto de trazer boas notícias. Acreditamos cegamente na justiça. Já são duas ações civis públicas impetradas pelo MP em favor dos aprovados. Uma delas, inclusive, nos garante um cronograma e consequente nomeação. Infelizmente o entendimento da gestão não é de respeitar os trâmites jurídicos. A prefeitura está desobedecendo duas ações, impedindo que nós, mais de 500 aprovados, assumamos um posto que nos é de direito, garantido com tanta dedicação e esforço.

A luta pelo direito dos aprovados

 No dia 14 de setembro, trabalhadores de diversas categorias foram às ruas, exigindo o direito à nomeação dos aprovados e denunciando as irregularidades da gestão. A luta não é apenas pontual, resultado de um edital não cumprido, mas sim mais uma expressão da luta travada pela classe trabalhadora por seus direitos; pois não podemos depender da boa vontade da classe dominante, temos que fazer nossas reivindicações com garra, sem conceder nenhum direito a menos.

Polícia invade sede da UP e persegue militantes em Santa Catarina

Em mais uma tentativa de criminalizar movimentos sociais e partidos de esquerda em SC, a polícia comandada pelo governador fascista Jorginho Mello invadiu a sede do partido Unidade Popular e casa de militantes do MLB em Florianópolis.

Redação


BRASIL – Forças repressivas do Estado de Santa Catarina, sob comando do governador fascista Jorginho Mello (PL), arrombaram a sede do partido Unidade Popular (UP), em Florianópolis, na manhã desta quinta-feira (27). Também efetuaram abordagens nas casas de militantes do Movimento de Luta nos Bairros (MLB), na capital e no interior (Itajaí e Navegantes).

“Quebraram a porta da sede do partido e saíram levando computadores, materiais, cadernos e celulares. Quando invadiram, a gente não estava lá”, relata a presidente da UP em Santa Catarina, Júlia Andrade. “Se eles quisessem fazer uma busca, nós temos a chave. Não precisava dessa truculência toda. Não recebemos intimação, nada. O documento que apresentaram na portaria do prédia fala em busca na sede do MLB”, conclui.

Imediatamente, o partido convocou uma plenária de solidariedade para o local que foi invadido. Comparecerem dezenas de militantes da UP e de outros partidos de esquerda e movimentos sociais, que debaterem essa ação de perseguição e convocaram um ato unitário para esta sexta-feira, dia 28, às 11h00, em frente à Catedral, em Florianópolis. Também foram convocados atos em outras cidades. Ver cronograma completo no final da matéria.

Em nota enviada à imprensa, a PMSC afirmou que a invasão foi justificada pela participação de militantes do MLB e da UP em atos contra a escala 6×1 num shopping, em abril, contra a fome em um supermercado, em maio e a ocupação de um prédio abandonado por famílias sem teto. Além disso, a PM acusa os militantes e terem tentado impedir um evento na Univali que contava com a presença de deputados e outras autoridades fascistas reconhecidas por perseguirem militantes de esquerda pelo país.

“Trata-se da tentativa de criminalizar a luta social, especialmente porque também invadiram casas de militantes do MLB, um movimento com mais de duas décadas de ação e luta por moradia. Quando fazem isso, na verdade, estão protegendo a grande especulação imobiliária, aqueles que faturam em cima do preço absurdo dos aluguéis, da especulação. É essa inversão de valores que o fascismo promove: tenta inverter a realidade, criminalizando movimentos sociais e partidos que estão, de fato, junto à classe trabalhadora”, completou Júlia.

“É uma ação absurda, de caráter fascista, autoritária e injustificável. Policiais invadirem a sede de um partido devidamente constituído nesse país. Isso é ação típica de Estado de exceção, de ditadura”, reforço Leonardo Péricles, presidente nacional da UP.

Vale salientar que, até o momento, o partido Unidade Popular não recebeu nenhuma informação oficial sobre a operação truculenta e não teve acesso ao inquérito ou aos mandados judiciais em que o partido supostamente é citado.

Entrada da sede do partido Unidade Popular arrombada pela polícia nesta quinta (27/11). Foto: UP-SC

Governador rico e fascista

As ações das polícias ocorrem 20 dias após a veiculação de um vídeo em que, portando um pedaço de madeira, o governador Jorginho Mello atenta contra o Plano Nacional de Proteção a Defensoras e Defensores de Direitos Humanos, instituído pelo Governo Federal.

Entre os movimentos citados na nota da Polícia está um protesto que ocorreu na Universidade do Vale do Itajaí (Univali), em que estudantes contestaram a presença de Nikolas Ferreira em um espaço de produção do conhecimento.

O governador Jorginho Mello também estava presente na ocasião. Segundo apuração do portal ICL Notícias, a Univali é a instituição de ensino particular que mais recebe recursos públicos do caixa estadual e tem o filho do governador, Bruno Mello, como um dos seus professores. Só neste ano, já são R$ 136 milhões de verba pública destinados pela Secretaria Estadual de Educação.

Atos contra a criminalização daqueles que lutam

  • Florianópolis: 28/11, 11h00, Catedral, Praça XV
  • Chapeçó: 29/11, 14h00, Praça Central
  • Joinville: 27/11, 18h30, Praça da Bandeira
  • Tubarão: 27/11, 19h30, Praça do Avião
  • Criciúma: 29/11, 15h30, Parque da Prefeitura