UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

domingo, 29 de março de 2026
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Acolher, incluir e organizar

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O século 21 aprofunda a fase mais dura do capitalismo, marcada pelo imperialismo, guerras e adoecimento coletivo. Nesse cenário, precisamos defender o autocuidado e acolher militantes como parte essencial da luta política.

Kalí Santos | Belém (PA)


SAÚDE – O século 21 é marcado pela fase mais violenta do capitalismo, o imperialismo. Nessa fase, a opressão contra os trabalhadores, mulheres e jovens é tanta, que se torna desumano e insuportável viver nesse sistema. É a fase das guerras interimperialistas, do agravamento das doenças psicológicas e da exploração do homem pelo homem, que se torna tão absurda que se perde a empatia e faz com que tudo isso seja naturalizado.

Com o acirramento da luta de classes, tornou-se fundamental o debate de saúde em cada organismo. Nós somos os braços, as pernas e a cabeça do Partido, precisamos estar bem para desenvolver cada vez mais tarefas e pensar atividades para que avancemos cada vez mais rápido. A conjuntura exige de nós entender nosso próprio corpo e suas necessidades, cuidar de nós mesmos é uma tarefa como qualquer outra e não deve ser secundária.

Para um comunista se sentir bem numa sociedade adoecida, é um grande desafio, mas é uma tarefa essencial. A vanguarda deve ser exemplo. Olga Benario, em seus últimos dias na prisão, organizou as mulheres para praticar o autocuidado. Incentivou-as a fazer ginástica coletiva, a manter os espaços em que conviviam organizados e também a se cuidar com banhos e estudos diários, afinal, estavam presas, e não mortas. Olga lutou pelo bom, pelo justo e pelo melhor do mundo e encontrou no autocuidado uma forma de resistência contra aquele regime nazista que a torturou.

E então, por que nós ainda negligenciamos o debate de saúde? Muitos camaradas ainda não praticam suas atividades físicas semanais e nem suas leituras individuais, alegando que não existe tempo por conta das tarefas diárias da militância. Mas não seriam o autocuidado e os estudos também uma tarefa?

Como incentivar?

“As palavras convencem, mas o exemplo arrasta”. Ainda acontece de muitos camaradas ignorarem seus problemas de vida pessoal para não afetarem a militância, mas isso é um erro. Nós pretendemos construir uma nova sociedade, uma sociedade coletiva. O atual sistema prega o individualismo, prega que nós mesmos temos que nos virar com nossos problemas, mas não podemos acreditar nessa falsidade!

Para as mulheres isso é ainda mais grave: nos ensinam que temos que dar conta de tudo e de todos os problemas sem reclamar, que temos que ser fortes o tempo todo, pois isso é característica de “mulher” ou de “mãe”.

A verdade é que devemos coletivizar nossos problemas e, quando é avaliada a necessidade de buscar por terapia profissional ou atividades físicas, devemos fazer sem resistência. Para incentivar outros camaradas, não há maneira melhor do que ser exemplo.

Para as pessoas neurodivergentes, isso é ainda mais difícil: o sistema que nos explora é o mesmo que exige que tenhamos força produtiva. É comum que os camaradas que necessitam de um pouco mais de atenção se sintam um peso, mas isso não é natural. Essa é uma ideia que não é nossa, ela foi colocada em nossas cabeças.

Quem um dia nos disse que não somos úteis? Que somos menos amados ou que somos culpados pelas coisas que sofremos? Devemos fazer uma profunda reflexão sobre como nós podemos e devemos contribuir com a libertação de nosso povo.

Camaradas, mais uma vez, não devemos negligenciar o debate de saúde, a melhor forma de ajudar outro camarada é praticando nosso autocuidado para que tenhamos condições de cuidar uns dos outros e nos fortalecermos nos princípios marxistas revolucionários.

Matéria publicada na edição impressa  nº319 do jornal A Verdade

Academia Popular de Boxe Teófilo Stevenson

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No Brasil, o Boxe Autônomo de São Paulo surgiu no final de 2015 como a primeira equipe organizada como ação direta contra o fascismo. Em Manaus (AM), nasceu no Parque Senador Jefferson Péres, a Academia Popular de Boxe de Rua Teófilo Stevenson.

Redação AM


BRASIL – Esportes de luta vão muito além de socos, chutes ou técnicas. São expressões culturais em movimento. Coletivamente, cultivam relações humanas e abrem caminhos para a transformação destas. Individualmente, são como danças estratégicas entre corpo e disciplina, conectando gerações e culturas ao redor do mundo. Mais do que combate, as artes marciais representam um caminho para o autoconhecimento, o respeito e o equilíbrio – um universo onde a força se encontra com a sabedoria para criar a resistência.

Um exemplo marcante é o boxe como símbolo na antiga União Soviética. Outro exemplo está em Cuba, onde o esporte é orgulho nacional, reconhecido pela tradição olímpica e técnica. Também foi importante instrumento na luta do povo negro, como na “Luta do Século”, em 1910, quando o peso-pesado negro Jack Johnson venceu o racista James J. Jeffries durante a segregação racial nos EUA, no dia da Independência daquele país.

Como produtos do crescimento da resistência antifascista, surgiram na Itália, em 1990, os primeiros coletivos organizados de boxe com caráter popular: as Academias Populares (Palestras Popolare). Criadas em resposta ao uso do boxe por instrutores simpatizantes do fascismo, promoviam uma prática baseada na solidariedade, inclusão e resistência. Mais do que treinar corpos, buscavam fortalecer laços sociais e transformar a cultura urbana por meio do esporte, visto que embates com fascistas eram comuns.

A partir dos anos 2000, o movimento antifascista começou a se expandir para diversos países, incluindo Áustria, Inglaterra, França, Espanha e Argentina, onde surgiram as chamadas “Academias Vermelhas”, espaços dedicados ao treinamento fundamentado em valores e ideias de resistência.

No Brasil, o Boxe Autônomo de São Paulo surgiu no final de 2015 como a primeira equipe organizada como ação direta contra o fascismo. Criado na Ocupação Leila Khaled, na Liberdade – que abrigava imigrantes palestinos e migrantes de outras regiões –, o grupo defendia princípios como anticapitalismo, antimachismo e antirracismo.

Em Manaus, capital do Amazonas, no dia 16 de setembro de 2023, numa manhã de sábado, nasceu, no Parque Senador Jefferson Péres, a Academia Popular de Boxe de Rua Teófilo Stevenson, a primeira iniciativa do gênero na região. Nascida pela iniciativa do psicólogo e militante do MLB Jefferson Ramos, a escola popular surgiu para atender, fundamentalmente, a demanda da própria militância e, na medida em que formou instrutores orgânicos, estendeu-se para a comunidade.

A academia recebeu o nome do pugilista cubano Teófilo Stevenson, tricampeão olímpico e considerado por muitos o maior boxeador amador de todos os tempos. Patriota revolucionário, recusou inúmeras ofertas milionárias para se profissionalizar nos EUA, movido por seu amor pela revolução e pelo povo cubano.

Com base na psicologia da aprendizagem e nas ciências do desenvolvimento humano, os treinamentos na Teófilo são transformados em experiências coletivas, promovendo o senso coletivo em vez do individualismo. Respeitando as necessidades individuais, busca-se aumentar o desempenho de forma saudável, usando princípios de aprendizagem cooperativa e reduzindo a tensão típica de treinamentos autoritários, sem perder o rigor marcial e técnico.

Organizada de forma itinerante, a escola social de boxe de rua começou atuando em praças e parques, levando um boxe focado nos fundamentos e adaptado à realidade das ruas. Mais que um esporte, a prática é um ato político: ocupa espaços públicos, propõe formas alternativas de convivência fora das lógicas dominantes e cultiva solidariedade. Educa-se não só a boxear, mas também a responsabilidade moral que deve acompanhar essa habilidade.

Destaca-se a importância do trabalho coletivo, em que os mais experientes apoiam os que têm mais dificuldades, promovendo aprendizado e enriquecimento mútuo, de modo que todos aprendam e se enriqueçam culturalmente uns com os outros. Além dos ganhos pedagógicos, essa cooperação fortalece os vínculos afetivos, o espírito de camaradagem e a constituição enquanto classe. Também favorece o surgimento de lideranças legitimadas pelo grupo e ajuda a superar inibições e baixa autoestima.

Ensina-se que se luta não para dominar, mas para se defender, proteger os outros, divertir-se e crescer socialmente. Afinal, lutar é precisamente o nosso modo de viver!

Matéria publicada na edição impressa  nº319 do jornal A Verdade

Mulheres na luta contra a Ditadura de 1964

Durante a ditadura militar fascista de 1964, as mulheres tiveram destaque na resistência durante esse período no trabalho operário, no campo e na luta pela Anistia.

Catarina Matos | Fortaleza (CE)


MULHERES – Em 1961, em meio a uma conjuntura mundial polarizada entre países capitalistas e socialistas, tomou posse na Presidência do Brasil o democrata João Goulart, após grande pressão popular. O país ansiava por mudanças, e os debates acerca das Reformas de Base passaram a ser uma crescente daquele período. Em março de 1964, o presidente convocou o histórico Comício na Central do Brasil, no Rio de Janeiro, onde se reuniram mais de 200 mil trabalhadoras, trabalhadores e estudantes. Foi nesse ato que Jango apresentou as propostas das Reformas de Base: fim do analfabetismo, Reforma Agrária, Urbana, Bancária e estatização dos setores estratégicos.

Porém, as Forças Armadas brasileiras, asseguradas pelo governo norte-americano imperialista, já tinham um plano arquitetado para impedir a concretização das reformas e tomar o poder do Estado. Em 01 de abril do mesmo ano, o presidente João Goulart tomou a decisão de não resistir ao aparato bélico colocado nas ruas do Rio de Janeiro, ao reforço que vinha dos EUA e à imprensa nacional golpista, e exilou-se no Uruguai. Contudo, o povo brasileiro, durante 21 anos, ficou e lutou.

Durante esse período, as mulheres tiveram destaque na resistência à ditadura militar fascista no trabalho operário, no campo e na luta pela Anistia.

Classe operária feminina

O primeiro ataque das forças militares fascistas foi contra as entidades sindicais populares e organizações estudantis. Direções foram cassadas, dirigentes presos e a imprensa sindical e popular amordaçadas. O objetivo era impedir a continuidade das históricas lutas que avançavam a consciência e as condições de vida do povo brasileiro.

Um exemplo disso, aconteceu em 25 de novembro de 1968, quando as trabalhadoras castanheiras cruzaram os braços e realizaram piquetes na porta da empresa Cione, em Fortaleza (CE). Elas lutavam pelo pagamento de horas-extras e contra os atrasos constantes nos salários, que as deixavam numa situação de imensa miséria.

A greve foi dura, com enfrentamento entre as operárias e os seguranças da fábrica. Muitas foram agredidas e precisaram ser atendidas em hospitais da região. “Elas não deixaram barato. Pegaram pedaços de madeira para não entrarem à força. Eles tentaram duas ou três vezes, mas não conseguiram. Nunca vi uma coisa tão dramática”, relata Jaime Liberio, diretor do Sindicato do Óleo, à época. O movimento ficou conhecido como “A Guerra das Castanheiras” e durou sete dias. Suas lideranças foram presas no Departamento de Ordem Política e Social (Dops), órgão de perseguição da ditadura militar.

Luta armada

Não conseguindo frear o movimento popular e operário, mesmo com intensas perseguições, os militares resolveram dar um golpe dentro do Golpe. Em 1968, fecharam o Congresso Nacional, cassaram parlamentares e partidos políticos, suspenderam direitos e a Justiça foi amordaçada.

Em tais condições de clandestinidade impostas, nasceram diversas organizações revolucionárias. Destacam-se o Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8); a Ação Libertadora Nacional (ALN), dirigida por Carlos Marighella; a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), sob o comando do capitão Carlos Lamarca; e o Partido Comunista Revolucionário (PCR), sob a liderança do camarada Manoel Lisboa de Moura.

Iara Iavelberg, natural de São Paulo (SP), foi uma das mulheres que esteve na vanguarda dessas lutas. Como liderança do MR-8 e da VPR, participou do sequestro do embaixador suíço Giovanni Bucher. Em 1971, foi cercada e encurralada pela polícia, presa e assassinada.

Outras guerrilheiras não podem deixar de ser lembradas, aquelas que atuaram no campo, como na Guerrilha do Araguaia: Jana Barroso, Helenira Resende e Dinalva Conceição Teixeira. Todas assassinadas após uma expedição e cerco do Exército brasileiro. Seus corpos nunca foram encontrados.

Essas companheiras não se contentaram em viver num sistema ditatorial, patriarcal e misógino, que impunha às mulheres uma vida de opressão. Do campo às cidades, elas combateram a ausência de direitos, a fome, o desemprego, a violência, os papeis de gênero e tudo aquilo que explorava nossa classe.

Contra a carestia e pela anistia

Foi na periferia de São Paulo, a partir dos clubes de mães organizados nas Comunidades Eclesiais de Base da Igreja Católica, em 1972, que se iniciou um movimento contra o aumento do custo de vida. As mulheres e mães reivindicavam que os “senhores do poder” tomassem uma providência sobre a situação na qual a classe trabalhadora vivia. “Porque o Brasil é uma terra tão rica e as mães choram na hora de pôr a panela no fogo pra fazer a comida pros filhos”. É assim que tem início o documento que deu origem ao movimento intitulado Movimento Contra o Custo de Vida, ou Movimento Contra a Carestia.

Essas mulheres, donas de casa, perceberam que precisavam sair de dentro de seus lares e conseguiram organizar um abaixo-assinado contra a carestia e a política econômica do governo. Com mais de um milhão de assinaturas, enfrentaram corajosamente, com seus filhos nos braços, a força policial da época para garantir a entrega do documento popular ao ditador-presidente Ernesto Geisel.

Naquele momento também nascia um forte movimento em defesa dos presos e desaparecidos políticos da ditadura militar. Eram filhas, mães, esposas, irmãs que incansavelmente batiam nas portas das delegacias e prisões buscando notícias de seus familiares.

O Movimento Feminino Pela Anistia conseguiu formar uma rede internacional de denúncias aos crimes políticos, o que pressionou o Congresso Nacional a aprovar a Lei da Anistia, em agosto de 1979. Infelizmente, esta foi deturpada, inocentando também os militares assassinos e torturadores do período. Um erro que deve ser corrigido. E as mulheres continuam a lutar por Memória, Verdade e Justiça no Brasil dos dias atuais.

Apesar da imposição patriarcal da história, que pretende invisibilizar a participação ativa e criadora das mulheres na luta pela libertação dos povos, o legado das mulheres deve ser reconhecido como instrumento de ânimo, força e energia para aquelas que hoje continuam nas “trincheiras” de luta pelo fim da sociedade capitalista e pela construção do socialismo no Brasil e no mundo.

Matéria publicada na edição impressa  nº319 do jornal A Verdade

Vivam os 30 anos da UJR: a juventude revolucionária do Brasil

Fundada em 1995, após o processo de reorganização do Partido Comunista Revolucionário, a UJR nasceu com a missão de ser a organização que mobiliza, organiza e forma a juventude comunista e revolucionária para lutar pela libertação da classe trabalhadora e por um mundo socialista. Vivam os 30 anos da UJR: a juventude revolucionária do Brasil.

Coordenação Nacional da UJR


JUVENTUDE – A União da Juventude Rebelião (UJR) foi fundada em 1995, logo após a refundação do Partido Comunista Revolucionário (PCR). Após 30 anos dessa importante decisão, celebramos os êxitos da UJR e o seu trabalho junto ao Partido para a construção da revolução socialista no Brasil. 

Estamos presentes em todas as regiões do país, com milhares de jovens em nossas fileiras, que, orgulhosamente, dedicam suas vidas para construir o socialismo num mundo em que todos possam ser verdadeiramente felizes.

Além de organizar as lutas da juventude por seus direitos e denunciar o capitalismo, a UJR ajudou a nacionalizar o Partido e formou inúmeros militantes revolucionários, que, hoje, atuam nas mais diversas frentes.

Reafirmar o socialismo

Após a queda da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), os liberais e os traidores afirmaram que viveríamos a “prosperidade” no capitalismo. Mas o que vemos é o aprofundamento das desigualdades sociais, a intensificação das guerras e o aumento da violência no mundo.

Para lutar contra todas essas injustiças, a UJR se apresenta como uma Escola do Socialismo, buscando ampliar a difusão do marxismo-leninismo entre a juventude e defendendo o acúmulo histórico do Movimento Comunista como arma na luta contra o capitalismo.

No mesmo no ano de fundação da UJR, realizamos o 1º Congresso Nacional, fortalecemos as entidades estudantis e a formação política. Assumimos a luta por Memória, Verdade e Justiça, cobrando punição para os militares fascistas que estiveram à frente da ditadura no Brasil.

Ocupamos as ruas contra a venda do patrimônio público nos governos do neoliberal Fernando Henrique Cardoso (FHC) e na campanha contra a Aliança de Livre-Comércio das Américas (Alca).

Ao chegar à Presidência da República com a eleição de Lula (PT), em 2002, os partidos social-democratas do Brasil se institucionalizaram ainda mais e abandonaram de vez as bandeiras revolucionárias. Na juventude, isso não foi diferente.

Era imprescindível que a UJR se apresentasse como a vanguarda das lutas da juventude brasileira. Assim, fundamos dezenas de entidades estudantis secundaristas pelo país, abraçamos a luta pelo passe-livre, pelo livre acesso à universidade, por assistência estudantil e pela melhoria das condições de vida da classe trabalhadora brasileira.

A partir dessas ações, fomos crescendo e, em 2005, realizamos o 2º Congresso Nacional da UJR, no qual aprovamos nossa Declaração de Princípios e os Estatutos. Como forma de incentivar o trabalho da juventude, o Partido relançou o livro “Sobre o Movimento Estudantil”, que se tornou um guia para alavancarmos a atuação nesse setor. Assim, ampliamos nossa participação na União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e na União Nacional dos Estudantes (UNE).

Também reiteramos nosso compromisso com o caráter internacionalista da revolução, construindo os Encontros Internacionais da Juventude Antifascista e Anti-imperialista (Eijaa), que, em 2008, tivemos a honra de sediar, no Rio de Janeiro.

Avanço nas mobilizações e na organicidade

No marco dos 15 anos da UJR, realizamos, em 2010, o 3º Congresso Nacional, com centralidade no fortalecimento dos núcleos, das coordenações estaduais e nacional.  Fundamos a Federação Nacional de Estudantes em Ensino Técnico (Fenet), em 2011, e ganhamos protagonismo na Greve Nacional da Educação de 2012.

As contradições dos governos petistas se acentuaram e, nesse cenário, aconteceram as gigantescas Jornadas de Junho de 2013, que levaram milhões de pessoas às ruas do Brasil, derrubando os aumentos das passagens de ônibus em vários municípios e exigindo mais investimentos nas áreas sociais.

Entre as lições tiradas daquele momento estava a necessidade de acelerar ainda mais o movimento revolucionário no país. Por isso, nos somamos à construção de um novo partido político, a Unidade Popular (UP), que conseguimos legalizar com mais de 1 milhão e 200 mil assinaturas de apoio da população.

Embalados por esse momento da vida política do país, convocamos o 4º Congresso Nacional da UJR, em 2019, com objetivo de impulsionar a formação e a promoção de quadros. Em seguida, realizamos a 1º Conferência Nacional de Quadros e publicamos o 1º Caderno de Formação. Depois, lançamos mais edições, culminando na coletânea de 2024, disponível para o estudo de todos os coletivos.

Realizamos, em 2016, uma Conferência Nacional de Trabalho de Massas para aprofundamos nossa linha política para o movimento estudantil, combatendo o imobilismo dentro do próprio movimento e a extrema-direita na sociedade. Decidimos pela unificação dos vários movimentos universitários em que atuávamos e, assim, foi organizado o Movimento Correnteza, em 2017, homenageando a frente impulsionada pelo PCR nos anos 1970.

A luta contra as reformas antipovo e o fascismo

Com o objetivo de impor reformas para explorar ainda mais a classe trabalhadora, a grande burguesia, apoiada pela mídia, deu um golpe parlamentar derrubando a presidenta Dilma Rousseff (PT), em 2016.

O golpista Michel Temer (MDB) assumiu o governo e aprofundou os ataques aos direitos da população. Os trabalhadores e estudantes responderam com mobilizações e a UJR esteve em peso nessas atividades.

Em 2019, o fascista Jair Bolsonaro é empossado presidente e realizamos o 5º Congresso Nacional da UJR com o tema “Unir a juventude para derrotar o fascismo”. Impulsionamos os atos contra os cortes na educação, participamos das campanhas de solidariedade na pandemia e dos protestos “Vidas Negras Importam”.

Quando o governo dos fascistas ameaçou a frágil democracia do Brasil, junto ao PCR e à UP, organizamos o “Fora Bolsonaro!”.  O movimento rompeu as limitações da pandemia de Covid-19, ampliou-se e impediu os planos golpistas. Todas essas ações acumularam forças para a derrota do projeto fascista nas urnas em 2022.

Ainda durante esse período, organizamos os Seminários “Seremos Todos Como o Che” e as Jornadas de Trabalho Voluntário. Consolidamos as publicações de livros sobre a trajetória do patrono da UJR, Che Guevara, em parceria com as Edições Manoel Lisboa.

Lutar e vencer  

A prosperidade prometida pelo capitalismo não chegou e o fascismo é a forma mais desesperada da burguesia de manter seus privilégios. A luta de classes continua mais viva do que nunca e o Brasil é um retrato do aprofundamento da decadência capitalista.

A juventude é uma significativa parcela da população que sofre diariamente os problemas impostos pelo sistema. Somos 50 milhões de jovens com um grande potencial revolucionário.

A melhor forma de celebrar esses 30 anos é formando mais jovens revolucionários, aumentando a propaganda das ideias da UJR e do jornal A Verdade, intensificando o trabalho em todos os lugares onde a juventude está presente.

Sempre que conseguimos manter um trabalho sistemático, os resultados surgem em pouco tempo, com as reuniões dos núcleos para estudar e planejar as lutas. Só assim poderemos vencer, confiando e nos inspirando no povo brasileiro, em especial na classe trabalhadora.

Seguindo o exemplo daqueles que mudaram a história da humanidade com disciplina e dedicação à causa revolucionária, como os bolcheviques russos e os revolucionários cubanos.

Vivam os 30 anos da UJR! Viva a juventude brasileira!

Matéria publicada na edição impressa  nº319 do jornal A Verdade

Situação do Hospital da Restauração no Recife expõe crise na saúde em Pernambuco

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O Sindicato dos Enfermeiros no Estado de Pernambuco (SEEPE) denuncia a situação do maior hospital público de Pernambuco. Enquanto falta servidores, equipamentos e estrutura básica para atender a população, o governo do estado anunciou que vai gastar R$15 milhões em câmeras de segurança e cancelas.

Redação Pernambuco


SAÚDE- No último dia 21 de agosto, dois elevadores do Hospital da Restauração (HR) no Recife, passaram o dia inteiro sem funcionar, deixando dezenas de pacientes em risco, obrigando a suspensão das cirurgias eletivas marcadas por falta de condições de levar os pacientes ao andar do centro cirúrgico e escancarando o abandono da saúde pública no estado de Pernambuco.

O Sindicato dos Enfermeiros no Estado de Pernambuco (SEEPE) emitiu uma nota de denúncia a imprensa, elencando as denúncias recebidas pelo sindicato, que tem feito uma importante campanha em defesa do SUS e de uma saúde de qualidade no país. Na nota o sindicato denuncia que um paciente, vítima de múltiplos ferimentos por arma de fogo, precisou ser carregado em uma maca de transporte por 6 maqueiros pelas escadas do hospital para conseguir ter acesso à cirurgia e tentar ser salvo pelos profissionais. Para completar, uma paciente que veio a óbito na noite da quarta, por falta de condições de transporte, teve seu corpo removido ao necrotério em pé enrolada em um lençol pelo elevador social!

Descaso com a saúde

O Hospital da Restauração (HR) é maior hospital público de Pernambuco, fundado em 1969 e vem sofrendo com uma série de denúncias e queixas, seja pelas categorias da saúde, seja pelos usuários ou pela imprensa local. Por exemplo, o teto do posto de enfermagem desabou em maio desse ano, após as fortes chuvas na região metropolitana do Recife.

Indo na contramão do que deveria ser um hospital público e de qualidade, que recebe hoje pacientes de todas as regiões do estado, todas carentes de hospitais que contemplem a população local, além da falta de médicos e enfermeiros, a governadora Raquel Lyra (PSD) anunciou em julho desse ano a R$15 milhões para implementar 890 câmeras de segurança e cancelas eletrônicas e R$12,4 milhões para reformar a fachada do hospital, enquanto faltam remédios, medicamentos e materiais para o funcionamento do hospital. Segundo Ludmila Outtes, presidente do SEEPE, esse recurso deveria ter sido usado para contratar mais enfermeiras e melhorar o atendimento ao público.

Após a denúncia do sindicato, a Secretaria de Saúde do Estado (SES) emitiu uma nota informando que os elevadores serão trocados, mostrando que a mobilização e a luta garante conquistas. Além disso, é importante lembrar que os problemas estruturais nos maiores hospitais públicos em Pernambuco continuam, apesar do anúncio do governo estadual de uma reforma. São eles: o Otávio de Freitas, o Barão de Lucena e o Agamenon Magalhães, todos localizados no Recife.

Sobre o direito das nações à autodeterminação

O debate sobre o direito das nações à autodeterminação dividiu os marxistas russos no início do século 20. O tema, previsto no programa do partido, ganhou força após críticas de Rosa Luxemburgo, que rejeitava a tese de Karl Kautsky sobre o papel central do Estado nacional no desenvolvimento capitalista.

V. I. Lênin | (Maio de 1914)¹


TEORIA MARXISTA-LENINISTA – O parágrafo nove do programa dos marxistas da Rússia, que fala sobre o direito das nações à autodeterminação, provocou nos últimos tempos toda uma campanha dos oportunistas. Assinalemos apenas que nenhum dos oportunistas apresentou um único argumento próprio: todos eles apenas repetem o que foi dito por Rosa Luxemburgo no seu extenso artigo polaco de 1908-1909: “A Questão Nacional e a Autonomia”. Na nossa exposição serão os “originais” argumentos desta autora que tomaremos em consideração com maior frequência.

Em todo o mundo a época da vitória definitiva do capitalismo sobre o feudalismo esteve ligada a movimentos nacionais. A base econômica destes movimentos consiste em que para a vitória total da produção mercantil é indispensável a conquista do mercado interno pela burguesia, é indispensável a coesão estatal dos territórios com uma população da mesma língua, com o afastamento de todos os obstáculos ao desenvolvimento dessa língua e à sua fixação na literatura. A língua é o meio mais importante de comunicação entre os homens; a unidade da língua e o seu livre desenvolvimento é uma das mais importantes condições de uma circulação comercial realmente livre e ampla, que corresponde ao capitalismo moderno, de um agrupamento livre e amplo da população em cada uma das classes, finalmente, é a condição de uma estreita relação do mercado com cada patrão, grande ou pequeno, com cada vendedor e comprador.

A formação de Estados nacionais, que são os que melhor satisfazem estas exigências do capitalismo moderno, é por isso a tendência de qualquer movimento nacional. Os mais profundos fatores económicos empurram para isso, e para toda a Europa Ocidental — mais do que isso: para todo o mundo civilizado — o que é típico e normal para o período capitalista é o Estado nacional.

Consequentemente, se queremos compreender o significado da autodeterminação das nações sem brincar às definições jurídicas, sem “inventar” definições abstratas, mas analisando as condições histórico-econômicas dos movimentos nacionais, então chegaremos inevitavelmente à conclusão: por autodeterminação das nações entende-se a sua separação estatal das coletividades nacionais estrangeiras, entende-se a formação de um Estado nacional independente.

Veremos, mais adiante, ainda outras razões pelas quais seria errado entender por direito à autodeterminação tudo o que não seja o direito a existência estatal separada. Mas agora devemos deter-nos a analisar como Rosa Luxemburgo tentou “desfazer-se” da inevitável conclusão sobre as profundas bases econômicas das aspirações a um Estado nacional.

Rosa Luxemburgo conhece perfeitamente a brochura de Kautsky “Nacionalidade e Internacionalidade”. Sabe que Kautsky², após analisar pormenorizadamente no § 4 desta brochura a questão do Estado nacional, chegou à conclusão de que Otto Bauer “subestima a força da aspiração à formação do Estado nacional”. Rosa Luxemburgo cita, ela própria, as palavras de Kautsky: “O Estado nacional é a forma de Estado que melhor corresponde às condições modernas” (isto é, capitalistas, civilizadas, economicamente progressivas, diferentemente das medievais, pré-capitalistas, etc.), “é a forma na qual ele poderá cumprir com maior facilidade as suas tarefas” (isto é, as tarefas do mais livre, amplo e rápido desenvolvimento do capitalismo).

Acrescente-se a observação final ainda mais precisa de Kautsky, de que os Estados de composição nacional heterogênea (os chamados Estados de nacionalidades diferentemente dos Estados nacionais) são “sempre Estados cuja conformação interna, por estas ou aquelas razões, permaneceu anormal ou pouco desenvolvida” (atrasada). É evidente que Kautsky fala de anormalidade exclusivamente no sentido da não correspondência àquilo que é mais adequado às exigências do capitalismo em desenvolvimento.

Pergunta-se agora qual foi a atitude de Rosa Luxemburgo para com estas conclusões histórico-econômicas de Kautsky? São justas ou erradas? Tem razão Kautsky com a sua teoria histórico-econômica, ou Bauer, cuja teoria é, na sua base, psicológica? Em que consiste a relação do indubitável “oportunismo nacional” de Bauer, da sua defesa da autonomia cultural-nacional, das suas paixões nacionalistas (“a acentuação aqui e ali do elemento nacional”, como se expressou Kautsky), do seu “enorme exagero do elemento nacional e completo esquecimento do elemento internacional” (Kautsky), com a sua subestimação da força da tendência para a formação do Estado nacional?

Rosa Luxemburgo nem sequer colocou esta questão. Não notou esta relação. Não meditou sobre o conjunto das concepções teóricas de Bauer. Não contrapôs sequer a teoria histórico-econômica à psicológica na questão nacional. Limitou-se às seguintes observações contra Kautsky.

“Este ‘o melhor’ Estado nacional é apenas uma abstração, suscetível de fácil desenvolvimento teórico e defesa teórica, mas que não corresponde à realidade.” (Revista Panorama Social-Democrata, 1908, n.° 6)

E, para confirmar essa decidida declaração, seguem-se raciocínios acerca de que o desenvolvimento das grandes potências capitalistas e o imperialismo tornam ilusório o “direito à autodeterminação” dos povos pequenos. “Poder-se-á falar seriamente — exclama Rosa Luxemburgo — sobre a autodeterminação dos formalmente independentes montenegrinos, búlgaros, romenos, sérvios, gregos, em parte até mesmo dos suíços, cuja própria independência é produto da luta política e do jogo diplomático do ‘concerto europeu’?”! Aquele que melhor corresponde às condições “não é o Estado nacional, como supõe Kautsky, mas o Estado de rapina”. São citadas algumas dezenas de cifras sobre a grandeza das colônias pertencentes à Inglaterra, França, etc.

Ao ler semelhantes raciocínios, não podemos deixar de nos admirar com a capacidade da autora para não compreender o que é o quê! Ensinar a Kautsky com ares de importância que os pequenos Estados dependem economicamente dos grandes; que entre os Estados burgueses se trava uma luta pelo esmagamento rapace de outras nações: que existem o imperialismo e as colônias — isto é fazer-se de inteligente de modo ridículo e infantil, pois tudo isso não tem a mínima relação com o assunto. Não só os pequenos Estados, mas também a Rússia, por exemplo, dependem economicamente, por completo, do poder do capital financeiro imperialista dos países burgueses “ricos”. Não só os miniaturais Estados balcânicos, mas também a América era, no século XIX, economicamente, colônia da Europa, como já Marx mostrara em “O Capital”. Kautsky sabe perfeitamente tudo isso, naturalmente, como qualquer marxista, mas isso não tem absolutamente nada a ver com a questão dos movimentos nacionais e do Estado nacional.

Rosa Luxemburgo substituiu a questão da autodeterminação política das nações na sociedade burguesa, da sua independência estatal, pela questão da sua autonomia e independência econômicas. Isso é tão inteligente como se uma pessoa, ao debater a reivindicação programática da supremacia do Parlamento, isto é, da assembleia dos representantes do povo, num Estado burguês, se pusesse a expor a sua convicção plenamente justa da supremacia do grande capital sob qualquer regime num país burguês.

Não há dúvidas de que a maior parte da Ásia, a parte do mundo mais povoada, encontra-se em situação ou de colônias das “grandes potências” ou de Estados extremamente dependentes e oprimidos nacionalmente. Mas será que esta circunstância por todos conhecida abala de algum modo o fato indiscutível de que, na própria Ásia, as condições para o desenvolvimento mais completo da produção mercantil, para o crescimento mais livre, amplo e rápido do capitalismo foram criadas apenas no Japão, isto é, apenas num Estado nacional independente? Este Estado é burguês e, por isso, ele próprio, começou a oprimir outras nações e a escravizar colônias.

O exemplo dos Estados balcânicos mostra que as melhores condições para o desenvolvimento do capitalismo nos Bálcãs são criadas exatamente na medida em que se criam Estados nacionais independentes nesta península.

Os exemplos dos países europeus, dos Bálcãs e da Ásia demonstram a justeza da tese de Kautsky: o Estado nacional é a regra e a “norma” do capitalismo, o Estado de composição nacional heterogênea é atraso ou exceção.

Do ponto de vista das relações nacionais, as melhores condições para o desenvolvimento do capitalismo são proporcionadas, indubitavelmente, pelo Estado nacional. Isso não quer dizer, naturalmente, que tal Estado, na base das relações burguesas, possa excluir a exploração e a opressão das nações.

Isso significa apenas que os marxistas não podem perder de vista os poderosos fatores econômicos, que geram a aspiração à formação de Estados nacionais. Isso significa que a “autodeterminação das nações” no programa dos marxistas não pode ter, do ponto de vista histórico-econômico, outro significado que não seja a autodeterminação política, a independência estatal, a formação do Estado nacional.


Notas:

(1) Publicamos aqui um extrato da primeira parte do artigo.

(2) Em 1916, ao preparar a reedição do artigo, Lênin incluiu neste lugar a seguinte nota: “Pedimos aos leitores que não esqueçam que Kautsky foi, até 1909, até à sua magnífica brochura “O Caminho para o Poder”, inimigo do oportunismo, do qual só se tornou defensor em 1910-1911, e de modo mais decidido só em 1914-1916.”

Matéria publicada na edição impressa  nº319 do jornal A Verdade

Transporte Público Gratuito e Popular Já!

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Transporte público caro e precário enriquece empresários. Tarifa Zero e estatização são caminhos para garantir o direito de ir e vir e servir ao povo.

Daniela Pereira | Minas Gerais


O transporte público é a chave que abre as portas da cidade para a classe trabalhadora: acesso ao emprego, à saúde, à educação e ao lazer. No capitalismo, porém, esse direito virou mercadoria. Enquanto empresários lucram milhões com as passagens, o povo sofre com ônibus caros, superlotados e de má qualidade. É hora de mudar essa realidade.

Tarifa Zero: garantir o direito de ir e vir e acabar com a farra dos empresários

Em muitas cidades brasileiras, as famílias gastam até 30% da renda só com transporte. Isso significa que, para cada três dias de trabalho, um é só para pagar o ônibus! Enquanto isso, os donos das empresas de transporte enchem os bolsos.

Mas há um caminho possível. De acordo com Daniel Santini, pesquisador da Tarifa Zero no Brasil, 116 cidades já adotaram o transporte gratuito, e os resultados são impressionantes:

  • Mais mobilidade: O volume de pessoas andando de ônibus aumenta de 3 a 5 vezes, indicando que as pessoas se locomovem mais e usam menos o carro e motocicletas;
  • Ar mais limpo: Menos carros nas ruas significa menos poluição e menos doenças como asma e bronquite;
  • Trânsito livre: Com mais gente no ônibus, os engarrafamentos diminuem e todos chegam mais rápido ao seu destino;
  • Dinheiro no bolso do trabalhador e nos comércios e serviços da cidade: O que antes era gasto com passagem vira comida, remédio, lazer, estudos etc.;
  • Benefício para toda a cidade: Mesmo quem não usa ônibus ganha com menos poluição e menos congestionamento.

Transporte estatal e integrado já

Dentro de uma mesma cidade, faz sentido que todas as possibilidades de transporte sejam integradas, a fim de alcançar o maior número de pessoas possível de forma eficiente e com o menor custo. Dessa forma, é necessário integrar ciclovias, trens, metrôs, rotas de ônibus e VLTs. Devido à necessidade de investimento em infraestrutura para que isso ocorra, fica claro que a prestação de serviço por uma só empresa em todos os âmbitos de transporte torna o sistema como um todo mais integrado e mais eficiente.

Ao mesmo tempo, não faz sentido entregar o transporte público na mão de uma empresa privada, que irá colocar no preço da passagem, além de seu custo, lucros exorbitantes, a fim de sustentar alguns poucos ricos às custas de toda a população.

Já que transporte público é um serviço essencial, do qual não podemos arriscar que parte da população não tenha acesso (como já ocorre hoje em dia), o cenário ideal seria que este serviço fosse prestado por uma autarquia municipal, como é o caso do saneamento básico em muitas cidades, por exemplo.

O dinheiro existe, falta tirar dos banqueiros

Os governos sempre alegam que “não há dinheiro” para o transporte público. Mas a verdade é que o dinheiro existe — só está indo para os bolsos errados.

No Brasil de hoje, um dos maiores dificultadores para a criação de autarquias municipais que prestam o serviço de transporte público é o orçamento limitado. Mas em edições anteriores do Jornal A Verdade vimos que o problema do orçamento não é a arrecadação, que é digna de um país continental, mas sim o seu uso. A matéria “Arcabouço Fiscal mantém privilégios para os banqueiros”, de Luiz Falcão (10 de maio de 2023), mostrou que quase 50% do orçamento do país é usado para pagar juros e amortizações de dívidas (e que mesmo assim ela continua crescendo).

Imagine se, de repente, tivéssemos o dobro do orçamento para investir nas cidades? Seria então possível oferecer transporte público gratuito e eficiente a toda a população. Além disso, a matéria mostrou que o chamado “Arcabouço Fiscal” aprovado no governo Lula impõe limite de gasto em investimentos primários, como infraestrutura, por exemplo, mas não põe limites para pagamentos de dívidas (que já se pagaram várias vezes), transferindo o dinheiro do povo para os bancos.

Avançar e preparar a estatização

É essencial que o cenário ideal seja colocado em pauta. Mas é indispensável que a pauta da Tarifa Zero avance, mesmo que a princípio, de forma não ideal. Mesmo que o serviço de transporte público seja prestado por empresas privadas, é possível que o financiamento público garanta a gratuidade, através de algumas fontes:

  • Orçamento público: assim como parte do orçamento é destacado para saúde e educação, também deve ser destacado para o transporte público, que é igualmente um direito garantido por constituição;
  • Cobrança por estacionamento público: garantido o transporte público eficiente e gratuito para toda a população, nada mais justo que quem opte por usar transporte privado ajude a financiar a mobilidade urbana da cidade, já que terá benefícios diversos, como trânsito livre e mais opções de estacionamento na rua;
  • Cobrança por publicidade em ônibus e paradas: as experiências mostram que quando aplicada a tarifa zero, o volume de passageiros pode chegar a quintuplicar, tornando esses locais como competitivos para publicidade e rentáveis para o município;
  • Outras opções de financiamento se tornarão viáveis a partir de alterações em leis nacionais, como taxa para empresas (equivalente o antigo vale-transporte), taxa sobre IPVA, IPTU, gasolina etc., taxas que acabam sendo irrisórias mediante o impacto da gratuidade do serviço;
  • Subsídio por quilômetro rodado: a fim de evitar uma massiva transferência de recursos público para empresas privadas, é indispensável que o financiamento seja feito por quilômetro rodado (em cima do custo da operação) e não por passageiro, já que a tendência é que o número de passageiros mais que dobre em pouco tempo.

Mobilidade só com transporte estatal e gratuito

O transporte público gratuito e estatal não é um favor — é um direito conquistado com luta. Enquanto o capitalismo transforma tudo em negócio, nós, trabalhadores, mostramos que outra cidade é possível.

Mesmo em cidades que a Tarifa Zero avance, é preciso colocar na pauta da luta a prestação do serviço por autarquia municipal. Só assim teremos serviço de qualidade, postos de trabalho dignos e preço justo, sem sustentar milionários, donos de empresas de ônibus, com o suado dinheiro do trabalhador.

 

UFES conquista vitórias após ocupar secretaria de educação de Santa Catarina

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Entidade estudantil ocupa a secretaria de educação de Santa Catarina para denunciar o descaso com os estudantes secundaristas.

Maria Isabel Ruckl l Redação SC


JUVENTUDE – No dia do estudante, 11 de agosto, diversas entidades estudantis dirigidas pela UJR, Movimento Rebele-se e o Movimento Correnteza ocuparam a secretária da educação de seus estados para denunciar a realidade da educação brasileira. Hoje, com menos de 5% do PIB sendo destinado para a educação pública, e o arcabouço fiscal tirando dinheiro que deveria ir para os estudantes para dar aos grandes ricos, as escolas e universidades enfrentam diversas dificuldades.

Em Santa Catarina, a realidade das escolas estaduais é de precarização. Nessa volta às aulas, diversas escolas retomam o ano letivo com tetos caindo, sem ar-condicionado nas salas, e merendas que não alimentam com qualidade os estudantes.
Então, no dia no estudante, a União Florianopolitana dos Estudantes Secundaristas (UFES)
decidiu dar uma resposta: ocupar a Secretária de Educação de Santa Catarina (SED) pelo
terceiro ano consecutivo. Entre as exigências dos estudantes na ocupação, estava uma
reunião com a secretária da educação do estado, Luciane Ceretta, uma indicação direta do
governador Jorginho Mello (PL).

Em 2024, após ocuparmos a secretaria, foi protocolada uma carta de reivindicações
dos estudantes de Florianópolis. O documento, além de denunciar a militarização das
escolas, e apoiar a revogação do Novo Ensino Médio no estado, exigia uma reunião dos
estudantes com a SED. No entanto, essa solicitação nunca foi atendida. Em resposta à luta
que realizamos no ano anterior, o governador fascista Jorginho Mello e seus capachos,
barraram a entrada de nossa entidade em diversas escolas estaduais de Florianópolis. Os
diretores relataram que foram orientados a “proibir a galera do Movimento Rebele-se de
entrar”. Outras escolas instituiram burocracias impossíveis para a entrada: o envio de
ofícios para a Coordenadorias Regionais de Educação que nunca eram respondidos,
mesmo com a cobrança pessoalmente, tornando impossível nossa entrada.

Conquista histórica da UFES
Diante desse cenário, a entidade secundarista não se rendeu: ocupamos novamente a secretaria neste ano, denunciando a censura que nossa entidade vinha sofrendo e afirmando que só iríamos sair de lá com data marcada para a reunião com a secretaria. E assim foi: saímos de lá com uma reunião marcada para a semana seguinte. Além disso, exigimos a liberação da UFES e entidades estudantis para visitar as escolas e passar nas salas de aula da região de Florianópolis e Grande Florianópolis. Após uma intensa negociação, conquistamos um ofício que libera nossa entidade para conversar com sua categoria, pondo fim a censura que enfrentamos no último ano.
Para mobilizar para a reunião, saímos em ato rumo à SED. Pela primeira vez na história, estudantes das escolas estaduais subiram ao gabinete da secretária e denunciaram as condições e problemas de suas escolas. Assim, conquistamos uma vitória inédita em Florianópolis: o compromisso da secretaria em se reunir a cada 60 dias com a UFES e os estudantes de Florianópolis, para cobrarmos melhorias nas nossas escolas.
Ainda, outra conquista histórica foi a vitória contra a censura sofrida pela UFES. Os
estudantes disseram BASTA de não serem permitidos de passar em sala e mobilizar a
nossa categoria. Assim, depois de muita mobilização e luta, arrancamos do governo fascista do Jorginho Mello a permissão de entrar nas escolas.
Esses passos dados durante o Agosto Rebelde, mês que o Movimento Rebele-se
definiu como decisivo para a luta estudantil, foram essenciais para o fortalecimento de
nossa entidade. Agora, saímos com a tarefa de organizar cada vez mais grêmios estudantis
e estudantes, para barrar os projetos de militarização e privatização das escolas, revogar o
Novo Ensino Médio e conquistar estruturas dignas para estudarmos.

Famílias de 63 vítimas da ditadura recebem atestado de óbito corrigido

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“Morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática à população, identificada como dissidente política por regime ditatorial instaurado em 1964”.Luiz Cláudio Ferreira | Agência Brasil


Declarações de óbitos retificadas com esse texto foram entregues, nesta quinta (28), a familiares de 63 pessoas assassinadas pela ditadura militar no Brasil (1964-1985), que haviam sido dadas como desaparecidas. A solenidade ocorreu na Assembleia Legislativa de Minas Gerais. Foram entregues os documentos de pessoas nascidas, falecidas ou desaparecidas no Estado. Confira aqui os nomes das vítimas com atestado retificado.

Assassinados

A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, disse que o evento foi carregado de um simbolismos e significados. “Esse ato nos diz que houve um dia em que, no nosso país, defender direitos, a liberdade, a dignidade e a cidadania era se opor aos interesses daqueles que dominavam o Estado brasileiro”, afirmou.

Macaé Evaristo enfatizou que a repressão matou operários, trabalhadores, intelectuais, estudantes, ativistas sociais, artistas, jornalistas, ambientalistas, humanistas, que ousaram exercer o seu papel crítico e político na vida comunitária, acadêmica e trabalhista.

“O Brasil tem profundas sequelas de períodos históricos nefandos, que vêm desde a escravização até a ditadura militar. E ainda segue hoje em muitas periferias, favelas e no campo brasileiro”, afirmou. 

A ministra entende que a retificação faz parte de um processo de cura social. “Estamos vigilantes e certos de que a defesa da democracia é o único caminho possível para a proteção e defesa da dignidade humana, do livre pensamento, da pluralidade e da diversidade de ideias. Só quem vive ou é impactado pelo horror da opressão e da política do medo é quem pode medir o valor desse momento”.

Causas falsas

A presidente da comissão de mortos e desaparecidos políticos, Eugênia Gonzaga, recordou que, antes, as pessoas que morreram naquele período, vitimadas pelo Estado, tiveram certidões de óbito com causas falsas, como suicídio ou acidente automobilístico. “Outras pessoas não receberam nenhum único documento do Estado brasileiro nem satisfação”.

Depois, em 1995, 10 anos desse término formal da ditadura, quase 30 anos depois que as mortes aconteceram, o Estado não reconhece que matou, mas sim que as pessoas morreram sob pressão policial em locais de repressão. “Mas essa certidão foi um avanço. Era melhor do que nada para quem não tinha nenhum reconhecimento”.

Em 2017, houve uma alteração na legislação, mas a comissão foi interrompida em 2019, no início do governo de Jair Bolsonaro. Depois, em 30 de agosto do ano passado, foi reativada. “Um ano depois, essa comissão, fruto da luta de familiares, eu quero que os familiares recebam, juntamente com cada documento, o nosso mais sincero pedido de desculpas”, afirmou.

“Agonia indescritível”

A ministra Maria Elizabeth Rocha, do Superior Tribunal Militar, também presente na cerimônia, disse que participava do evento também como cunhada do desaparecido político Paulo Costa Ribeiro Bastos, capturado pela ditadura em 1972.

“O sofrimento de perder alguém, de desconhecer o seu paradeiro, de saber que foi flagelado e assassinado pelo regime é uma agonia indescritível”

Ao final do evento, familiares das vítimas testemunharam a força que o novo documento tinha para eles. Eles testemunharam que o atestado de óbito retificado não chegou a tempo de encontrar vivos avós, pais, companheiros. No entanto, descendentes jovens enfatizaram a necessidade de divulgar a violência da ditadura para o Brasil pelas redes sociais.

A militante Diva Santana, que perdeu a irmã Dinaelza, assassinada pela repressão na década de 1970, afirmou que o evento não deveria significar o fim da luta. “Essa juventude que está aí tem que reagir e lutar. Lutar em defesa da soberania do nosso país. Motivos pelos quais os nossos parentes deram suas vidas”.

Fonte: Agência Brasil.

Camarada Lucas Beutel, presente! Hoje e sempre!

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Reproduzimos a nota de pesar produzida pelo Diretório da UP do Distrito Federal sobre o falecimento do camarada Lucas Beutel.


É com profundo pesar que lamentamos o falecimento do estimado companheiro Lucas Beutel, membro dedicado da Unidade Popular no Distrito Federal e atuante no núcleo do Guará e no núcleo LBGT, ocorrido no último mês de maio.

Sua criatividade e dedicação deixaram uma marca poderosa em nossa história. Lembramos com carinho de sua timidez nas brigadas do Jornal A Verdade, das artes que produziu com tanto zelo, das reuniões dos núcleos que participava dentro do carro (seu local de trabalho) e das brincadeiras ao montar a tenda da banca do núcleo do Guará. 

Lucas partiu precocemente, mas deixa em nós um legado de alegria e compromisso com a luta popular. Sua presença marcante nas atividades do núcleo, sempre com um sorriso no rosto, uma piada pronta ou um áudio divertido, permanecerá viva na memória de todas as pessoas que tiveram o privilégio de compartilhar a sua companhia.

A memória do companheiro Lucas, permanecerá viva entre nós. Mais do que suas qualidades pessoais, o que seguirá pulsando é o exemplo de sua dedicação incansável e de sua firmeza ideológica. Em uma das suas últimas conversas, disse com convicção: “O que me mantém vivo para não desistir é acreditar e lutar pelo socialismo.”

Lucas faleceu aos 35 anos, vítima de infarto, conforme consta em seu atestado de óbito expedido pelo IML. No entanto, a causa real de sua morte vai além do diagnóstico clínico. Lucas foi mais uma vítima das condições desumanas impostas pelo sistema capitalista, que oferece à juventude apenas adoecimento, exaustão e precarização.

O companheiro não conseguiu escapar das estatísticas que pesam sobre a população LGBT no Brasil: faleceu jovem e sozinho. Apesar de possuir formação técnica de designer gráfico, somava-se aos jovens que, mesmo qualificados, não conseguem atuar em sua área de formação. Submetido à precarização do trabalho, trabalhava como motorista de aplicativo, sendo explorado por uma empresa que, após sua morte, nada perdeu. Para ela, Lucas era apenas mais um número, simplesmente removido do sistema.

Sua rotina era marcada por jornadas exaustivas: frequentemente trabalhava até uma hora da manhã e retornava às ruas às seis, buscando aproveitar os horários de maior movimento para garantir o mínimo necessário à sua sobrevivência. Essa sobrecarga era resultado da necessidade de pagar o carro alugado, o aluguel da casa e os custos básicos de alimentação, cada vez mais altos. Lucas trabalhava muito mais do que o aceitável, não por escolha, mas por obrigação, como tantos outros jovens que enfrentam a realidade brutal da informalidade.

O excesso de trabalho levou Lucas a desenvolver problemas gástricos. Ao buscar atendimento no sistema público de saúde do Distrito Federal, foi informado de que deveria aguardar cerca de seis meses por uma consulta médica, realidade já denunciada pelo Jornal A Verdade, que vem expondo as práticas da máfia do IGES-DF e do governador Ibaneis Rocha, cujo projeto político é o adoecimento e a morte da população mais vulnerável. Sem acesso ao devido tratamento, a gastrite evoluiu para uma úlcera. Mesmo sentindo dores constantes, não podia parar, pois cada dia sem trabalho significava um dia sem renda. 

O companheiro foi vítima direta da superexploração, caos da saúde do DF, escravidão do aluguel. Morreu jovem, como tantos outros, por não ter acesso aos direitos mais básicos. No entanto, mesmo diante das dores físicas e das dificuldades pessoais, nunca abandonou a militância. 

Lucas partiu com a certeza de que o socialismo é a única alternativa possível frente a este sistema moribundo que oprime, adoece e mata. Somente com a superação do capitalismo seremos capazes de romper com os grilhões que nos aprisionam. E é necessário lembrar: ninguém morre de fome em um país onde há abundância de alimentos; ninguém morre de frio onde há casas vazias; ninguém morre por falta de atendimento médico onde há leitos e profissionais disponíveis, mas só para ricos em hospitais privados. Morre-se, por causa de um sistema que coloca o lucro acima da vida humana. Morre-se pelo capitalismo!

Perdemos a presença física de um companheiro, mas ganhamos mais semente para a revolução! Que a nossa tristeza, ódio e luto se transformem em luta!

Famílias do MLB resistem a ataque de grileiros

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Desde a noite do dia 21 de agosto de 2025, famílias do MLB fazem vigília no terreno para garantir a construção de moradia digna.

Redação – MG


A construção das 250 casas organizadas pelo MLB está em risco devido à ação de grileiros. O Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) em MG, por meio do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) Entidades, conquistou do governo estadual um terreno para a construção de 250 moradias. Se não fosse a burocracia imposta pelo Governo Federal e pela Caixa Econômica Federal, as obras já estariam mais avançadas e o projeto teria sido apresentado à comunidade local. Mesmo após a garantia da propriedade do terreno, como ele segue sem uso, grileiros tentam invadir e se apropriar da terra.

Os grileiros cometeram crime ambiental ao cortar a vegetação local e terraplanar parte do terreno, mas a impunidade seguiu. Nas redes digitais, como é de costume, espalham as mais absurdas e racistas mentiras para tentar desmobilizar o apoio popular. Chamam as famílias de invasoras e dizem que estariam pichando muros e cometendo assaltos. Porém, quando os moradores do entorno vão até o terreno e conversam com as famílias, saem convencidos da verdade e de que a luta é justa.

Placa informando da obra de construção das moradias no terreno. Colocada após muita pressão das famílias.
Foto: Manoel Vieria – MLB

Tudo isso mostra, mais uma vez, que no Estado burguês não há direitos para o povo pobre. Mesmo com a propriedade do terreno validada pelo Ministério Público, pelo Governo Federal e pelo Governo do Estado, o MLB ainda passa por essa humilhação. Assim, enquanto o Estado nada faz para garantir esse direito, as famílias tomaram posse do terreno para afirmar: será moradia popular, sim!

Depois de todas essas ações absurdas, os grileiros entraram no terreno armados e ameaçaram diretamente as famílias. Mas o povo organizado, em coletivo, não se intimidou. Expulsaram os invasores, e o MLB segue organizando escalas de revezamento das famílias para cuidar do terreno 24 horas por dia, mesmo sem infraestrutura no local e sob constantes ameaças. Em grandes empreendimentos, a segurança deveria ser garantida pelo Estado, que diante disso lava as mãos. Mas as famílias seguem na resistência, pela implementação do projeto e pela garantia de moradia digna!