UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

domingo, 29 de março de 2026
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O fascismo de Trump contra os imigrantes nos EUA

O governo dos EUA intensificou a repressão contra imigrantes, com aumento de prisões, deportações e restrições de vistos. Desde janeiro de 2023, o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) tem realizado incursões até em escolas e hospitais, ampliando o número de detenções.

Fernando Alves | Redação


INTERNACIONAL – Durante décadas, os governos dos Estados Unidos propagaram o estilo norte-americano de viver como sinônimo de liberdade e oportunidade, em especial, para os latino-americanos, vendendo a ilusão de classes para milhões de pessoas de que era possível viver bem no sistema capitalista. O resultado dessa propaganda é que, até os dias de hoje, muitas pessoas ainda acreditam que a saída para viver melhor e ter prosperidade é morar na “Meca do Capitalismo”, ignorando as mazelas geradas por esse próprio sistema.

Com o passar dos tempos, as contradições e a luta de classes se desenvolvem aceleradamente. O que antes parecia uma saída, foi revelando sua verdadeira face: aumento da exploração na fase imperialista do capital.

Com isso, aumentam os conflitos, as sucessivas crises econômicas nos principais países capitalistas, as guerras de invasão e dominação de territórios, tudo para acumular mais riquezas e matérias-primas, como vimos no Afeganistão, Iraque, Síria, Ucrânia, Palestina e em vários países da África, além das ameaças de novos conflitos, que obrigaram milhares de trabalhadores e suas famílias a migrarem para as regiões mais “prósperas” na busca desenfreada pela sobrevivência.

Esses milhões de refugiados e deslocados gerados pelos países imperialistas na sanha por lucros e poder aumentam as contradições do próprio sistema e mostram seu esgotamento.

E o que vemos: preconceito, discriminação e xenofobia crescentes. Na verdade, são apenas parte da representação da política dos governos capitalistas numa etapa mais reacionária da luta de classes, o fascismo. E o fascismo é parte intrínseca dos governos burgueses para aumentar a exploração e gerar extração de mais-valia das classes trabalhadoras.

EUA agonizam em crise

Nos Estados Unidos, o autoritarismo do governo de Donald Trump vem recrudescendo a política de imigração, com base na perseguição, fiscalização e deportação de milhares de trabalhadores, muitos dos quais já vivendo em situação regular no país. Prova disso é que, em 2022, havia aproximadamente 48 milhões de estrangeiros vivendo nos EUA, sendo que, destes, 77% já viviam em situação legal como cidadãos naturalizados, residentes permanentes ou temporários.

Estima-se que o total de imigrantes ilegais nos EUA, segundo dados de 2022, seja de 11 milhões de pessoas, com o Estado da Califórnia tendo a maior quantidade nessa condição.

Em janeiro de 2023, o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) começou a realizar incursões nas chamadas cidades santuários, promovendo uma caça às bruxas com centenas de detenções e deportados. Além disso, o governo fascista de Trump reverteu a política dos governos Biden e Obama, que era de maior “tolerância”, e deu permissão ao ICE para invadir escolas, hospitais e templos religiosos para perseguir os imigrantes. Essas incursões impactaram negativamente nos setores de agricultura e na construção.

Trump estabeleceu uma meta de 1.200 a 1.500 prisões diárias pelo ICE. A rede de televisão NBC News divulgou que o número de detidos aumentou de 39.238 para 41.169 nas duas primeiras semanas de fevereiro de 2025. O relatório da agência apresentou que 41% dos novos detidos não tinham nenhum antecedente criminal. Em junho passado, o jornal The Independent destacou dados de que as prisões não criminais haviam aumentado 800% desde abril.

Nem mesmo os professores e estudantes dos programas internacionais de intercâmbio estão sendo poupados. Mais de 80 instituições relataram vistos revogados, de acordo com a Inside Higher Ed. Pelo menos 300 vistos foram revogados.

Prisões e deportações

As incursões da ICE são realizadas com métodos reacionários, com os agentes usando máscaras e fazendo analogia com a SS nazista.

Outra polêmica envolvendo a política de imigração nos EUA são os voos de deportação e os centros de detenção – prisões para onde vão os imigrantes que serão deportados. Esses locais estão superlotados, o tratamento é deplorável, pois não respeitam os direitos humanos, a alimentação é escassa e precária, com muitos relatos de casos de alimentos estragados.

Outro fator sobre o problema das prisões é o recente acordo com o governo do Panamá de colaboração com a política de deportação dos Estados Unidos. Ao serem enviados ao Panamá, parte dos imigrantes ficam confinados no Hotel Decápolis, na capital, e são proibidos de receber visitas até de advogados e de sair na rua. Outra parte é levada para o centro de detenção na inóspita floresta de Darién, onde aguardam até serem repatriados para seus países. Segundo publicou o jornal New York Times, os relatos são de que as “condições são primitivas e há jaulas com grades”. O governo Trump já cogitou a possibilidade do uso da prisão de Guantánamo, em Cuba, para a mesma finalidade.

Outra polêmica que envolve a deportação de imigrantes são os voos com as pessoas algemadas nos punhos e nos tornozelos, sendo liberadas apenas nos países de destino, como no caso de milhares de brasileiros caçados e deportados de volta ao Brasil. O governo da Colômbia protestou contra esse tratamento desumano e enviou avião da Força Aérea Colombiana para resgatar seus patriotas nos Estados Unidos para não passar por esse tipo de tratamento. Infelizmente, o governo brasileiro nada faz, e os deportados brasileiros continuam chegando humilhados, algemados e acorrentados.

Revolução socialista libertará a humanidade

Essa política vem ocasionando grandes protestos nas principais cidades norte-americanas. Milhões de trabalhadores imigrantes estão indo às ruas protestar e exigir o fim imediato dessa política. As manifestações contam com o apoio de grande parte dos cidadãos estadunidenses, que não concordam com essa política racista.

Toda essa situação só reforça que o capitalismo nunca foi um sistema político de liberdade e oportunidades. Por isso, derrotar o fascismo e o capitalismo são partes de uma mesma luta que os povos devem realizar através de uma verdadeira revolução, tendo como bandeira e aspirações os ideais do socialismo para libertar a humanidade.

Matéria publicada na edição impressa  nº319 do jornal A Verdade

Campanha “Território Livre do Analfabetismo” chega ao RS

No Rio Grande do Sul, o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) lançou a campanha “Território Livre do Analfabetismo”, organizada pela Escola Nacional Eliana Silva, para alfabetizar jovens e adultos em ocupações e periferias de Porto Alegre. 

Helena Ew e Tâmisa Fleck | Porto Alegre (RS)


LUTA POPULAR – No Rio Grande do Sul ergue-se uma nova frente de luta pela educação popular: a campanha “Território Livre do Analfabetismo”, iniciativa da Escola Nacional Eliana Silva, organizada pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), para ensinar a ler e a escrever, além de promover a consciência política e o fortalecimento social para as famílias organizadas.

O primeiro passo da Escola no Rio Grande do Sul foi a formação de educadores populares, ocorrida no mês de maio, juntamente com uma campanha de arrecadação de materiais escolares e a mobilização de alunos nos núcleos organizados pelo MLB. Em junho, duas turmas foram formadas: uma na Ocupação Sepé Tiaraju, situada no Centro de Porto Alegre, e outra na Vila Santa Rosa, no extremo norte da cidade.

O analfabetismo segue como uma ferida aberta no Brasil, especialmente entre as camadas mais pobres e historicamente marginalizadas. Mais de nove milhões de brasileiros com mais de 15 anos ainda não conseguem ler e escrever um bilhete simples, número que equivale à população inteira do Estado de Pernambuco. No Rio Grande do Sul, quase 280 mil pessoas fazem parte dessa estatística, sendo que a taxa de analfabetismo é maior entre a população negra em todas as faixas etárias.

Nesse contexto, a Escola Eliana Silva representa uma ferramenta de emancipação e independência da população periférica, promovendo uma educação que se desenvolve a partir da realidade de quem aprende. Como relata Jair Borges Martins, um dos alunos e morador da Ocupação Sepé Tiaraju: “Em duas semanas de aula, já estou conseguindo escrever, que era a minha dificuldade. Os professores estão me ensinando o som e o significado das palavras. Hoje já estou bem mais desenvolvido, e aprendendo com meus colegas também”.

Inspirada pelo exemplo de Cuba, onde o próprio povo alfabetizou seu povo, a alfabetização popular se edifica como um dos pilares do MLB. Quando o direito à educação é negado, nos organizamos para construí-lo com nossas próprias mãos, com autonomia, solidariedade e consciência de classe.

Na luta e na palavra

Se o sistema nos nega as letras,

o MLB responde em brasa.

Onde a bandeira tremula,

a voz do povo ganha asa.

Se o sistema nos nega abrigo,

somos tijolo, mão e afeto.

O movimento anda contigo,

constrói chão, levanta o teto.

Se trancam portas da escola,

abrimos saber na marreta.

Doutor aqui é formado na luta,

mestra, quem ergue a caneta.

Na luta e na palavra,

se constrói o que nos foi negado.

Na marreta e na caneta,

erguemos o que foi roubado.

Não é favor, nem caridade:

é construção da dignidade.

Da mão que ocupa e cultiva,

nasce a liberdade coletiva.

Matéria publicada na edição impressa  nº319 do jornal A Verdade

As Donas Marias e a escola do povo

Em fevereiro, a cidade de Diadema (SP) ganhou a Escola Nacional Eliana Silva, iniciativa voltada à alfabetização de jovens e adultos. O projeto, do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB),  enfrenta o analfabetismo em territórios populares.

Caroline Alencar  e Victoria Magalhães | São Paulo (SP)


LUTA POPULAR – Em fevereiro deste ano, a cidade de Diadema (SP) se tornou mais um território onde a luta contra o analfabetismo ganhou forma concreta com a Escola Nacional Eliana Silva. Desde o início, o desafio foi grande: convencer as pessoas de voltar a estudar, superando o constrangimento e a descrença. Muitas famílias dos bairros, especialmente mulheres, não acreditavam mais na possibilidade de aprender e carregavam a culpa pela exclusão educacional.

“Tenho vergonha, já tô velha pra isso”, disse Rita. Outros, mesmo querendo estudar, viam-se divididos entre o compromisso com a igreja e os horários das aulas: “Eu queria ir, mas é no dia do culto”, relatavam. Por isso, entendemos a importância de incentivá-los a participar, mostrando que podem aprender para ler a Bíblia com seus próprios olhos e, a partir daí, começar a ler outros livros que vão libertar todos nós da fome e da humilhação.

Nosso método parte do cotidiano: trabalhamos com o que está na vida das pessoas – o nome dos familiares, receitas, palavras do dia a dia, cabeçalhos, entre outros. Mas, para além disso, as aulas se fundamentam numa pedagogia revolucionária, que revela o analfabetismo como parte de um projeto de exclusão do povo trabalhador. A desigualdade educacional não é um acaso, é consequência do sistema capitalista, que lucra com a retirada de direitos.

Por isso, firmamos parceria com a Rede Jubileu Sul Brasil, que passou a oferecer formações mensais na nossa escola.  Assim, além das aulas semanais de alfabetização, uma vez ao mês, aprofundamos também a formação política entre os educandos. Nessas aulas, as famílias do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) puderem compreender como o pagamento da dívida pública – que consome mais de 40% do orçamento federal – retira recursos essenciais da saúde, educação, moradia e cultura. “Enquanto o Governo paga a dívida dos ricos, falta escola, moradia e vivemos endividados”, disse um participante na aula.

É imensurável o tamanho dessa contribuição. Queremos aprender e ensinar não como um processo individual, mas sim coletivo, de aprofundar nossa possibilidade de compreensão sobre as injustiças impostas a cada um de nós.

Os frutos da campanha por um território livre do analfabetismo já começam a surgir. Com base em nosso Projeto Nacional Político e Pedagógico, Maria Aparecida, uma das primeiras alunas que se convenceu de estudar para ter acesso às matérias do jornal A Verdade, já consegue ler e escrever várias palavras sozinha. A primeira delas foi “luta”, não por acaso. É a palavra que melhor expressa o que a educação popular e revolucionária pode proporcionar: consciência e organização ao povo. Maria José, outra aluna, também já escreve seu nome e reconhece todas as letras do alfabeto.

Um dos métodos que temos adotado é realizar visitas às pessoas em suas casas, para ouvi-las, apresentar a Escola e convencê-las da importância de voltar a estudar. Foi assim com Ana Lúcia: durante a visita, ela compartilhou o sonho de se alfabetizar para poder ler a Bíblia sozinha. Com escuta, acolhimento e incentivo, ela decidiu retomar os estudos e passar a frequentar as aulas semanalmente. Hoje, Ana Lúcia, além de educanda da Escola, está sempre firme e presente nos atos convocados pelo MLB.

A Escola Nacional Eliana Silva não transforma apenas a vida dos estudantes, mas também impacta profundamente os educadores voluntários que chegam até ela por meio das ações de divulgação, como panfletagens no bairro. “Está sendo muito importante porque estou conseguindo aprender e também ensinar, e estar em um Movimento é não estar sozinha. Tenho muito orgulho de fazer parte da Escola Nacional Eliana Silva. A escola foi o início e hoje luto por justiça social e pelo socialismo fazendo parte do MLB. Minha profissão está sucateada e eu não aceito fazer parte de um sistema que destrói os professores, mas tenho o dever de ainda sim lutar por uma educação – não só da escrita e leitura, mas de consciência política. A mudança vem pela mobilização da sociedade e educação, esses dois são indissociáveis”, compartilha Valdenice.

Além de Diadema, a Escola Nacional Eliana Silva inaugurou, há alguns meses, uma turma na Ocupação Chaguinhas, no Centro de São Paulo, onde educadores voluntários oferecem aulas de alfabetização e de língua portuguesa para as famílias imigrantes. No bairro do Pantanal, em São Paulo, já temos uma sede estruturada e alunos preparados para o início das atividades; o mesmo em São Bernardo do Campo. As famílias aguardam ansiosamente o começo das aulas que já estão com data marcada para começar.

Aos poucos, estamos convencendo mais Donas Marias de que é possível aprender a ler o jornal A Verdade, pegar um ônibus sozinha sem constrangimento, seguir uma receita e, mais do que isso, derrubar um sistema que impõe pobreza, fome e analfabetismo.

Viva a educação popular!

Viva a Escola Nacional Eliana Silva!

Matéria publicada na edição impressa  nº319 do jornal A Verdade

Entramos no IF e queremos ficar: restaurante já!

Mais de 1,2 mil alunos do campus Restinga, do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), entraram em greve por três dias a partir de 6 de agosto. A paralisação, aprovada por mais de 90% dos votos em assembleia, cobra a construção de um restaurante acadêmico.

André Jonatan dos Santos | Movimento Correnteza (RS)


JUVENTUDE – No último dia 06 de agosto, foi aprovada, com mais de 90% dos votos, a paralisação estudantil de três dias no campus Restinga, do Instituto Federal do Rio Grande do Sul, pondo em greve mais de 1.200 estudantes, numa mobilização pela construção do restaurante acadêmico.

O campus fica localizado na periferia do extremo-sul de Porto Alegre, em um dos bairros mais negros da cidade. Professores, em conjunto com a comunidade do bairro, tiveram que acampar num terreno abandonado para garantir sua construção, mas, há 15 anos, os estudantes passam fome.

A evasão é cotidiana. “Esses dias, tive que abandonar uma prova porque não aguentei mais de fome, passei mal. Preferi pegar recuperação do que continuar daquele jeito”, diz Julia, do grêmio estudantil. “Meu filho faz o curso do PartiuIF e não tem direito nem de pegar a bolachinha de lanche que dão. Recebi uma ligação da escola dizendo que ele tinha desmaiado de fome”, diz Cassiara, representante de turma do EJA.

Construção da luta

Durante dois anos, as entidades estudantis do campus (DCE Livre Sarah Domingues, Grêmio Estudantil, DA-ADS), construíram diversas atividades a fim de trazer um restaurante acadêmico (almoço e janta) gratuito para o campus. Várias assembleias, mesas de debate, audiências públicas, abaixo-assinados, reuniões com a diretoria do campus e a Reitoria foram realizados, mas a resposta era sempre a mesma: falta de orçamento.

Logo no primeiro dia de aula deste semestre (05/08), foi convocada uma reunião de representantes de turma do técnico e do superior, junto dos representantes das entidades. Nela, foi pautada a assembleia do dia seguinte, colocando na ordem do dia a luta contra a fome.

As assembleias aconteceram durante o dia inteiro, no início de cada turno, para que cada estudante pudesse participar, dar sua opinião e exercer o direito de voto. Inicialmente, a proposta era de paralisar um único dia e, ao longo dos debates, construiu-se a proposta da paralisação de três dias. “Os professores, ano passado, fizeram greve de três meses por salário, e conseguiram. Portanto, a gente que passa fome não pode fazer greve de um dia só”, disse uma aluna na assembleia.

Ao fim, vários estudantes se somaram em comissões para fazer cartazes sobre a paralisação e para ir nas salas de aula falar com os colegas que se recusaram a participar da assembleia, comunicando a decisão tomada pela maioria. A grande massa dos estudantes, entendendo a justeza da decisão tomada, saiu determinada a convencer todos aqueles que ainda não acreditavam na luta.

Além do mais, o período de aulas paralisadas não foi de férias. Os estudantes construíram diversas atividades, como campeonatos de vôlei, oficinas de cartazes, apresentações da UJR e muito mais.

Realmente falta orçamento?

De fato, as diretorias dos campi operam com um orçamento cada vez menor. O campus Restinga, por exemplo, tem de disponibilizar aos estudantes, por vezes, apenas bolacha e frutas velhas. Mas, ao mesmo tempo, 70% do valor que custeia a compra do lanche é dinheiro que deveria ir para a estrutura do campus (os outros 30% vêm da Reitoria), que poderia ser destinado para melhorar banheiros e salas, ampliar as vagas, etc.

E a Reitoria? Vemos também os gestores do IFRS sendo forçados a fazer o jogo da gestão da crise. Com o número de estudantes tendo aumentado, e a condição socioeconômica destes tendo piorado, os beneficiários do auxílio estudantil para permanência aumentaram, mas o orçamento não. Houve, assim, uma redivisão do valor, gerando um declínio de 41% do valor dos auxílios entre dezembro de 2024 (R$ 373) e agosto de 2025 (R$ 220).

Ao mesmo tempo, nacionalmente, as escolas municipais e estaduais recebem um orçamento específico para alimentação (FNDE/Pnae), mesmo que insuficiente, ainda combate a fome dos estudantes. Para as universidades, existe o Pnaes, que garante o orçamento dos restaurantes universitários (RUs), que dão almoço, janta e café da manhã para os estudantes de forma gratuita, ou de baixo custo. Já os IFs não são contemplados por nenhum desses orçamentos, ficando, assim, completamente à mercê e deixando os estudantes sujeitos à fome.

Mas, mesmo se os IFs fossem contemplados nesses orçamentos, o bolo seria redividido e todos sairiam perdendo. O real problema é que hoje quase 43% do Orçamento Federal vai para o pagamento da dívida pública, a famoso bolsa-banqueiro, a “corrupção legalizada”, enquanto a educação recebe menos de 3%. Apenas 27 segundos do pagamento anual da dívida pública representam o orçamento anual do campus Restinga. O que precisamos mesmo é de uma auditoria dessa dívida e da ampliação do orçamento de toda a educação.

Matéria publicada na edição impressa  nº319 do jornal A Verdade

Fenet mobiliza para encontro nacional em defesa da alimentação nas escolas

A Fenet realiza de 18 a 21 de setembro, em Salvador, o Encontro Nacional de Estudantes em Ensino Técnico (Enet), que terá como pauta central a luta pela alimentação nas escolas técnicas estaduais e federais, com o lema “Com fome, ninguém estuda! Queremos um bandejão por escola!”.

Adriane Nunes | Rio de Janeiro (RJ)


JUVENTUDE – A Federação Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico (Fenet) e seus grêmios estudantis filiados de todo o Brasil estão organizando o Encontro Nacional de Estudantes em Ensino Técnico (Enet), a ser realizado de 18 a 21 de setembro em Salvador (BA) para preparar a luta no país em defesa da alimentação nas escolas técnicas estaduais e federais. O lema é: “Com fome, ninguém estuda! Queremos um bandejão por escola!”.

Para fortalecer a mobilização ao Encontro, a diretoria da Fenet e os grêmios estudantis estão realizando uma caravana em defesa da assistência estudantil e dos restaurantes acadêmicos. A caravana já passou pelo Rio Grande do Sul (ver matéria abaixo) e por Santa Catarina, onde o grêmio do IFSC Florianópolis realizou uma importante mesa de debate e café da manhã para discutir o acesso à alimentação.

Realidade do Orçamento

Enquanto o orçamento da educação continua refém do chamado Arcabouço Fiscal (teto de gastos), as escolas técnicas de todo o país sobrevivem com emendas parlamentares, fazendo com que não saibamos o futuro das instituições. Prova disso é que, em 2024, o Brasil gastou quase R$ 2 trilhões (cerca de 43% do total do Orçamento) para remunerar os donos dos títulos da dívida pública, os grandes bancos e especuladores. No mesmo período, foram destinados menos de 3% do Orçamento para a Educação, enquanto falta dinheiro, por exemplo, para construir e abrir os restaurantes estudantis e, assim, garantir alimentação adequada aos estudantes.

Em que pese tenha sido anunciado o Projeto de Aceleração de Crescimento, em 2024, com a promessa da construção de 100 novos institutos federais, assim como a construção de novos restaurantes acadêmicos, as obras estão paralisadas e não há verbas para a compra de materiais, insumos ou contratação de profissionais nos bandejões. Na maioria das cidades, não há passe-livre para os estudantes ou política de moradia estudantil, o que faz com que chegar até a escola seja mais gasto financeiro para as famílias.

Além disso, o orçamento do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), em 2024, foi de R$ 55 milhões, beneficiando 357 mil estudantes de um total de 850 mil matriculados nos Institutos Federais. Isso significa que quase 60% dos estudantes não tiveram acesso à alimentação fornecida pela instituição, sendo obrigados a encontrar outras formas de se alimentar. Esse valor é equivalente ao que é consumido em apenas 15 minutos com o pagamento da dívida pública.

A necessidade real para atender à demanda de alimentação dos estudantes é de pouco mais de R$ 1 bilhão, de acordo com o Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif). É revoltante que o Estado não consiga priorizar a educação, considerando que esse valor necessário é equivalente a apenas um dia de pagamento da dívida pública. E mais: só um único dia seria suficiente para garantir a alimentação de todos os estudantes pelos próximos cinco anos.

No campo da assistência estudantil, a aprovação do Pnae, em 2010, foi fundamental para que hoje tenhamos uma parte do orçamento destinado exclusivamente à permanência estudantil. Porém, hoje funcionamos com um déficit em que dos 1,3 milhão de estudantes matriculados na rede de ensino federal (secundaristas e universitários), apenas 257 mil recebem algum tipo de assistência.

Matéria publicada na edição impressa  nº319 do jornal A Verdade

Greves dos profissionais da educação mostram que categoria segue mobilizada

Professores e funcionários da educação têm protagonizado greves em vários estados neste ano para cobrar salários dignos e melhores condições de trabalho. As paralisações mobilizaram milhares em assembleias lotadas e enfrentaram a repressão de governadores e decisões judiciais.

Redação


TRABALHADOR UNIDO – Assembleias lotadas de profissionais da educação tem sido a realidade dos últimos meses em vários estados do país. Diante de anos seguidos de ataques à educação pública, professores e funcionários resistem e denunciam governos que tiram direitos, cortam verbas e tentam impor a militarização das escolas.

Em Alagoas, os trabalhadores da rede estadual fizeram 38 dias de greve para garantir valorização salarial e melhores condições de trabalho.

A greve foi encerrada no último dia 08 de agosto, após ofensiva autoritária do governador Paulo Dantas (MDB), junto com o Tribunal de Justiça. Essa, aliás, é hoje a regra pelo país: diante de massivas greves, os governadores de direita perseguem os grevistas na justiça burguesa.

Apesar disso, a greve mostrou a disposição da categoria. De acordo com Magno Francisco, professor da rede e militante do Movimento Luta de Classes (MLC), “a consciência de classe da categoria se desenvolveu, o que ficou revelado no crescimento da filiação ao sindicato, nas mobilizações, na participação nas assembleias e no crescimento do sentimento de mudança na gestão do sindicato”.

Greve no DF

Essa realidade também se repetiu no Distrito Federal, que, durante o mês de junho, viu uma das maiores greves da rede de educação da história. O governador Ibaneis Rocha (MDB), aliado dos fascistas, colocou a greve na justiça e conseguiu uma perseguição que incluía uma multa diária de R$ 1 milhão contra o sindicato.

Os trabalhadores resistiram e não saíram da greve. No entanto, a direção do sindicato recuou diante da pressão judicial e aceitou encerrar a greve com poucos avanços. Mesmo assim, ficou acordada a nomeação de três mil aprovados em concurso até o fim do ano e a criação de um Grupo de Trabalho para debater a reestruturação da carreira.

Reajuste salarial em SP

Em São Paulo, desde o início do mandato do governador fascista Tarcísio de Freitas (Republicanos), a educação pública vem sofrendo vários ataques. A situação levou a categoria à greve para defender melhores condições de trabalho. Os professores paulistas acumulam perdas salariais, as escolas ainda estão sob a ameaça da privatização e da militarização, que deve ser implementada em dezenas de escolas já neste semestre.

“A greve levou milhares de professores às ruas, indignados e revoltados com a situação da categoria, mas também com muita disposição de transformar essa realidade. Muitas escolas tiveram adesão de 100%. Em algumas, até atividades de paralisação junto com os estudantes e responsáveis foram realizadas para que a comunidade escolar acompanhe a precarização e lute por uma educação pública de qualidade”, afirmou Thaís Gaspirini, professora da rede estadual e militante do MLC.

A greve foi uma importante demonstração de unidade da categoria, pois mostrou a disposição de construir uma luta ainda mais combativa. Foi devido à repercussão positiva que a categoria obteve vitórias importantes, como o reajuste salarial de 5%, ainda que insuficiente para recompor a perda salarial de anos.

Belo Horizonte

Já em Belo Horizonte (MG), a greve dos professores da rede municipal durou quase um mês, em junho, organizada pelo SindRede/BH. O estopim para deflagrar essa greve foi o vergonhoso índice de reajuste salarial de 2,49% oferecido por uma das prefeituras de maior orçamento do Brasil.

No período de greve, o prefeito Álvaro Damião (União Brasil) estava em Israel, em meio a bombardeios, fazendo negócios com um Estado genocida, em vez de estar na cidade negociando com os professores.

A greve foi forte e importante, marcada pela união da categoria, com assembleias lotadas, com mais de dois mil professores. Os trabalhadores arrancaram alguns benefícios, mas, nem de longe, o que a classe merece e precisa. Mas as reivindicações e a luta continuam.

Movimento sindical

Na realidade, as jornadas grevistas dos profissionais da educação do país neste ano mostram a necessidade de se construir uma alternativa combativa, classista e revolucionária no movimento sindical da educação.

É preciso elevar a consciência da categoria para disputar as direções sindicais, defendendo ações unificadas e combativas que conduzam a vitórias concretas e, ao mesmo tempo, promover um amplo debate sobre as transformações necessárias para a educação pública e para o nosso país.

Matéria publicada na edição impressa  nº319 do jornal A Verdade

“Brasil: Nunca Mais” completa 40 anos de seu lançamento

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Quarenta anos após sua publicação, Brasil: Nunca Mais continua sendo um dos documentos mais intensos sobre a repressão estatal no Brasil. Proveniente de uma mobilização ecumênica e clandestina, a obra escancara as barbáries da ditadura militar com provas evidentes: tortura, assassinatos e desaparecimentos. Práticas que não pertencem apenas ao passado, ainda se mantém no presente com nomenclaturas sutis, mas igualmente perversas.

Vitória Pereira | Redação Pernambuco


HISTÓRIA – Publicado em 15 de julho de 1985 pela Editora Vozes, o livro Brasil: Nunca Mais nasceu como um esforço ecumênico clandestino de denúncia e memória, conduzido principalmente por Dom Paulo Evaristo Arns, o Pastor Jaime Wright e o Rabino Henry Sobel, com apoio do Conselho Mundial de Igrejas. A pesquisa, iniciada em 1979 e estendida até 1985, reuniu cópias de cerca de 707 processos do Superior Tribunal Militar, totalizando quase 1 milhão de páginas. Sua publicação, logo após o fim da ditadura, foi um marco: o livro ficou 92 semanas entre os mais vendidos no Brasil.

A ideia principal da obra é a exposição de torturas, assassinatos, desaparecimentos e outras infrações cometidas pelo regime militar entre 1964 e 1979. Foram documentadas cerca de 17.000 vítimas, 1.800 episódios de tortura e 353 mortos identificados. Os relatos foram extraídos dos depoimentos jurídicos dos processos, descrevendo mecanismos cruéis como pau de arara, choque elétrico, afogamento, cadeira do dragão, geladeira, uso de produtos químicos e até inserção de insetos nos corpos, muitas dessas técnicas são expostas na primeira parte do livro, intitulada “Castigo cruel, desumano e degradante”.

Brasil: Nunca Mais tornou-se instrumento de resistência e da preservação da memória da ditadura. Foi considerado a primeira Comissão da Verdade informal do país, abrindo caminho para movimentos de memória e dando suporte à Comissão Nacional da Verdade.

Entre os propósitos da obra está a denúncia da tortura como método institucional. Um dos destaques do prefácio de Arns, diz que “a tortura, além de desumana, é o meio mais inadequado para nos levar a descobrir a verdade e chegar à paz”, aponta a contradição brutal dos militares. A exposição à violência sistemática mostra como ela foi normalizada e encoberta, com participação ativa do Estado em instrumentos de opressão, como DOPS e DOI-CODI.

É impossível passar pelas páginas sem sentir um profundo mal-estar. E é exatamente esse desconforto que ele provoca que impede que a barbárie se normalize.

 Uma obra que permanece atual e necessária

Em um país onde ainda há quem celebre a ditadura, esta obra se torna necessária. O esquecimento é um projeto político, e este livro é uma trincheira aberta contra isso. A violência institucional narrada não é um fantasma do passado: ela reaparece hoje nas periferias, nas abordagens policiais e no desmonte das políticas de direitos humanos. Negar a existência da tortura ou relativizar os crimes da ditadura é mais do que ignorância, é cumplicidade.

Brasil: Nunca Mais, é um livro que deve estar nas bibliotecas públicas e escolares, ser lido e divulgado nos vestibulares e aulas de história, além de ter sua relevância e atualidade lembrada e divulgada para a nossa e as futuras gerações, como nos lembra a palavra de ordem: para que não se esqueça e para que nunca mais aconteça.

Governo do DF precariza o Metrô para privatizá-lo

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O Metrô do DF sofre com sucateamento e falta de investimento desde 2020, segundo estudo da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Em 2023, apenas 0,37% do orçamento previsto foi executado, o que resultou em apenas 14 trens em circulação para atender quase 3 milhões de moradores.

Alexandre Ferreira | Brasília (DF)


BRASIL – A atual gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB) vem implementando um projeto de precarização e desmonte do Metrô de Brasília, com o objetivo de entregá-lo aos capitalistas. Esse projeto consiste em reduzir drasticamente os investimentos, não fazer concurso público, sucatear as estruturas, não renovar a frota de trens e os equipamentos. Tudo isso acarretando numa baixa qualidade do serviço prestado, que, constantemente, é paralisado por defeitos, vagões superlotados e insatisfação da população.

Segundo um estudo da Consultoria da Câmara Legislativa do Distrito Federal, identificou-se um baixo índice de execução orçamentária. Desde 2020, o nível de execução não ultrapassou 11% do que foi aprovado na Lei Orçamentária Anual (LOA). Em 2023, foram efetivamente utilizados R$ 640 mil, o que corresponde a impressionantes 0,37%.

Com esse baixíssimo investimento, o resultado é que o Distrito Federal tem apenas 14 trens funcionando (com outros 18 totalmente deteriorados ou em manutenção) para atender quase três milhões de habitantes.

O governador Ibaneis, ao ser eleito em 2019, afirmou que, até o final daquele ano, o Metrô estaria privatizado. Isso só não ocorreu graças à atuação firme do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Metroviário do Distrito Federal (SindMetrô-DF), que vem organizando uma grande resistência, com greves, atos e mobilizações, além de atuar de forma firme no campo jurídico.

“O papel do sindicato foi fundamental para que hoje o Metrô não estivesse nas mãos dos amigos empresários do governador. Já no primeiro ano de mandato, ele lançou o edital da parceria público-privada, e nós fizemos uma greve para barrar, denunciamos diversas irregularidades do processo e atuamos junto com o Tribunal de Contas e Ministério Público de Contas, conseguindo paralisar o processo. Estamos atuando para enterrar de vez essa privatização e, com muita resistência e coragem da categoria e do sindicato, vamos vencer”, afirma Neiva Lopes, diretora do SindMetrô-DF.

12 anos sem concurso

O Metrô também vem sofrendo com falta de funcionários; já são 12 anos sem concurso. Durante esse período, dezenas de funcionários se aposentaram ou se afastaram por doenças, bem como cresce o número dos que passam em outros concursos e saem do sistema.

Hoje, segundo o portal da transparência, são apenas 1.205 trabalhadores ativos para fazer todos os serviços, de maquinista a agente de estação, engenheiros, técnicos de operação, tecnologia de informação, segurança, atendimento ao cliente e administração. Um sistema que funciona durante todos os dias, numa extensão de 42 quilômetros e tem 24 estações.

“A gente trabalha de modo geral nas estações com apenas dois funcionários, chegando a casos de ficar só com um funcionário o dia todo. Acaba sendo inseguro, principalmente se for uma mulher. Tanto para a gente quanto para os usuários, porque qualquer situação fora do normal acaba gerando um caos”, desabafa Jean Carlos, funcionário do Metrô.

Toda essa situação acarreta que os trabalhadores sofrem com altos índice de afastamento por adoecimento mental.  De uma categoria com cerca 1.200 trabalhadores, os afastamentos por saúde, nos últimos cinco anos, foram de 112 pessoas. Desses, 80% foram por transtorno mental, representando um índice alto, bem acima da média de outras empresas públicas, reflexo das longas jornadas de trabalho e da sobrecarga. Algumas funções chegam a mais de nove horas diárias.

Enquanto o GDF reduz o investimento no Metrô público, aumenta o derrame de dinheiro para empresas privadas rodoviárias. Para se ter uma ideia, só em 2023, foram R$ 2 bilhões e 602 milhões e, em 2024, mais R$ 2 bilhões e 391 milhões. Para entender a tamanha desproporção, em quatro anos (2020 a 2024), foram investidos R$ 23 milhões no Metrô, menos de 1% do que foi entregue aos donos das empresas de ônibus em um só ano.

“O sucateamento do Metrô-DF não é fruto do acaso nem de falta de recursos, é uma escolha estratégica do Governo Ibaneis para justificar a privatização. Enquanto a população enfrenta trens lotados, intervalos longos, falhas elétricas e incêndios, o GDF deixa de investir, reduz o quadro de trabalhadores e ainda premia a diretoria com aumento salarial. Nós não vamos aceitar que vendam o Metrô como negócio, quando ele é um serviço essencial. Transporte público é direito, é o que garante acesso à cidade, ao trabalho, à escola e ao lazer”, denuncia o deputado distrital Max Maciel (PSOL).

Matéria publicada na edição impressa  nº319 do jornal A Verdade

Para garantir lucros de empresários, Governo não reage a ataques de Trump

Mais de duas semanas após o início do tarifaço de Donald Trump contra o Brasil, o governo Lula anunciou a Medida Provisória 1309/25, chamada de “Plano Brasil Soberano”. A iniciativa prevê R\$ 30 bilhões em créditos e benefícios fiscais para exportadores, sobretudo dos setores de café e carne, enquanto cresce a pressão dos Estados Unidos com sanções e restrições políticas.

Felipe Annunziata | Redação


BRASIL – Mais de 15 dias após o início oficial do tarifaço de Trump contra o Brasil, nossa soberania é alvo de ataques diários por parte do imperialismo estadunidense. Todos os dias, a Embaixada dos EUA, junto com o Departamento de Estado realiza uma agressão contra nosso país.

As ameaças de intervenção vêm fantasiadas de relatórios, notas públicas e outros documentos para tentar livrar Bolsonaro da cadeia e roubar nossas riquezas naturais, principalmente as terras raras, material utilizado na fabricação de produtos de alta tecnologia, sendo o Brasil a segunda maior reserva do mundo.

Desde o início da ofensiva estadunidense, estabeleceu-se um intenso debate na mídia burguesa e em toda sociedade: o Brasil deve retaliar os EUA ou buscar “negociação”? Durante o último mês, os editoriais dos jornalões e todas as entidades patronais pressionaram o Governo Lula para que abandonasse qualquer ideia de responder aos ataques de Trump e buscasse a negociação ou mesmo a rendição às exigências dos EUA.

Lula e seus ministros têm dado declarações fortes de que não irão ceder aos ataques dos norte-americanos. A palavra de ordem do governo se tornou “soberania”. Os últimos ataques foram a imposição de sanções econômicas ao ministro do STF Alexandre de Moraes, relator do processo do golpe de Estado, e o cancelamento dos vistos dos idealizadores do programa Mais Médicos.

Mas a resposta do Governo parou por aí. Não há nenhuma ação concreta contra os interesses do imperialismo estadunidense no nosso país. Pior. O que o Governo quer agora é garantir os lucros dos burgueses exportadores para os EUA. Ou seja, não só o país não responderá às tarifas, como é o orçamento público que cobrirá os prejuízos dos capitalistas.

“Nós somos negociadores. Nós não queremos, no primeiro momento, fazer nada que justifique piorar a nossa relação. Neste momento, nós estamos tentando aproximar a relação, procurando nossos parceiros”, afirmou Lula durante o lançamento da Medida Provisória para garantir os lucros dos empresários que exportam para os EUA.

Medida Provisória

Foi neste espírito que o Governo anunciou seu plano diante do tarifaço, a Medida Provisória (MP) 1309/25, chamada de “Plano Brasil Soberano”. A medida tem como objetivo garantir os lucros dos empresários afetados com as tarifas dos EUA. Os mais favorecidos serão principalmente o setor do café e da carne, ligados ao agronegócio e com grande força entre a bancada reacionária do Congresso Nacional.

A MP concede um crédito de R$ 30 bilhões para exportadores brasileiros com a condição de manutenção dos empregos, além do adiamento no pagamento de impostos. A única medida positiva, a compra pelo governo de produtos perecíveis, está completamente secundarizada, já que não está atrelada a medidas que visem à redução dos preços destes produtos para a população brasileira.

Enfrentar o imperialismo

Fica, portanto, a questão: se essas ações não são suficientes, qual é a saída perante os ataques dos EUA ao nosso país?

Primeiro, é preciso entender as raízes dos ataques: Donald Trump, junto com a burguesia imperialista, quer colocar um governo completamente submisso no Brasil, por isso, querem o fim do processo contra a família Bolsonaro.

Em segundo lugar, e mais importante, os EUA querem reforçar o papel do nosso país como produtor de matérias primas e mercado consumidor dos produtos industrializados e dos serviços estadunidenses, sobretudo, os digitais. Por isso, o ataque ao Pix, a tentativa de tomar as terras raras e outras riquezas e a resistência a qualquer regulação das plataformas digitais (Big Techs).

Para enfrentar o imperialismo, é preciso que se ataque diretamente os interesses das Big Techs com uma ampla regulamentação e a luta para superar a dependência do nosso país desses monopólios estadunidenses. Além disso, os produtos que o Brasil deixou de vender aos EUA podem ser direcionados ao povo brasileiro a preços mais baixos.

De forma mais profunda, é preciso estabelecer o monopólio estatal das terras raras e garantia de que esta riqueza seja explorada apenas no interesse dos trabalhadores em nosso país, e não das mineradoras internacionais. E, por fim, é preciso um profundo enfrentamento ao domínio do capital financeiro internacional do nosso país, reestatizando todas as empresas privatizadas e realizando a auditoria da dívida pública para atacar o sistema que mantém com os grandes bancos o controle da economia nacional.

Matéria publicada na edição impressa  nº319 do jornal A Verdade

UP realiza seu 1º Encontro Nacional LGBTI+

Nos dias 02 e 03 de agosto, a Unidade Popular (UP) realizou seu 1º Encontro Nacional LGBTI+, no Rio de Janeiro. Confira abaixo trechos da resolução final, que reafirmou os princípios classistas, socialistas e revolucionários na luta contra a LGBTIfobia.


PARTIDO – Com o objetivo de aumentar o nível de exploração da classe trabalhadora, a grande burguesia trabalha para manter um alto grau das mais variadas opressões. Manter a estrutura racista e patriarcal e cisheteronormativa, o controle reprodutivo, a violência e a divisão social, sexual e racial do trabalho são estratégias fundamentais para gerar uma mais valia cada vez maior e constante para a burguesia ao mesmo tempo que nos mantém acorrentados(as) nas atuais estruturas e relações de opressão, fortalecendo a divisão social baseada na propriedade privada dos meios de produção.

O grande capital usa todo seu aparato econômico, político e ideológico para oprimir Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans, Travestis, Não-Bináries, Intersexo, Assexuais e as demais parcelas sociais que não se enquadram à norma social de gênero e de orientação sexual.

Apesar da opressão contra a população LGBTI+ atingir, em alguma medida, todas as pessoas, são as LGBTI+ trabalhadoras, pobres e proletárias que sofrem mais intensamente com o desemprego, os trabalhos precarizados, o abandono familiar e o alto custo de vida. Para além das dificuldades no acesso à redesignação sexual, pessoas trans e demais identidades LGBTI+ da classe trabalhadora enfrentam barreiras cotidianas no acesso a cuidados básicos de saúde, como tratamentos hormonais, acompanhamento psicológico, prevenção a ISTs, uso da PrEP e atendimento digno e informado em saúde sexual, especialmente no caso de mulheres lésbicas e bissexuais. Também vivenciam, nas comunidades onde vivem, situações frequentes de violência, discriminação e descaso por parte dos serviços públicos: uma realidade que a população LGBTI+ da burguesia não conhece.

A sociedade de classes e a ideologia dominante trabalham para impor sua concepção de gênero e sexualidade e reprimir quem não se adequa. Mas, mesmo assim, existe uma parcela da sociedade que não se enquadra nela, rompendo com os padrões de gênero, tendo relações sexuais e afetivas com pessoas do mesmo gênero, tendo características e identidades de gênero independente de seu sexo, subvertendo a perspectiva binária de gênero, inclusive nascendo com características sexuais fora do padrão feminino e masculino, como as pessoas intersexo, e desenvolvendo manifestações de gênero e orientação sexual pautadas ao mesmo tempo por aspectos da individualidade e coletividade que não correspondem à norma.

Essa parcela, por não se enquadrar dentro dos padrões estabelecidos, além de ser superexplorada, é submetida a diversas violências físicas, sexuais, patrimoniais, psicológicas e morais, que vão desde a infância até à velhice, desde o espaço familiar até espaços públicos. As mulheres trans e travestis, que têm a menor expectativa de vida dentro da comunidade LGBTI+ no Brasil (cerca de 35 anos) são tratadas no capitalismo como objetos sexuais e descartáveis. Isso ocorre porque, em uma sociedade patriarcal, a noção de mulher ainda está limitada à função reprodutiva, à subordinação ao homem, ao papel de esposa e mãe.

É por isso que setores reacionários e machistas negam às mulheres trans e travestis o reconhecimento como “mulheres de verdade”. Essa visão, além de desumanizar e excluir as mulheres trans e travestis, também aprisiona as mulheres cis nesse papel submisso, negando-lhes autonomia sobre seus corpos e seus direitos reprodutivos.

Nossa luta não é contra os trabalhadores homens cis, que se identificam com o gênero com que foram identificados ao nascerem, e heterossexuais, e sim contra a norma que oprime e exclui dos espaços da sociedade parte importante da classe trabalhadora, as pessoas LGBTl+. Somos contra a própria burguesia e o Capitalismo, verdadeiros responsáveis por todo sistema de opressões. Desejamos um mundo diverso que não crie barreiras, que promova o diálogo entre os seres humanos, para que todos, todas e todes possam ser amados e respeitados, como são. Também somos contrários ao sistema burguês individualista, que trata as pessoas, o sexo e as relações sexuais, como meras mercadorias à sua imagem e semelhança.

Não confundimos liberdade sobre os corpos, sobre os sentimentos afetivos, sobre o amor, que é revolucionário, com as relações liberais de consumo, de exploração sexual e de reprodução, que alimentam o sistema de opressão.

Nossa luta não está à venda!

O capitalismo transforma tudo em negócio e utiliza as opressões como base para sustentar a lógica absurda de mercantilizar até mesmo as relações sociais e a forma como existimos no mundo. Uma das expressões centrais desse processo é a opressão de gênero e sexualidade, que é instrumentalizada para gerar lucro e manter estruturas de dominação.

A ideologia burguesa tenta capturar a revolta da população LGBTI+ e transformá-la em algo inofensivo, restringindo nossa luta à conquista de alguns direitos. Embora esses direitos sejam importantes, não representam o essencial. Por exemplo, não podemos dizer que conquistamos nossa liberdade apenas porque hoje existe o direito legal ao casamento.

Em outra frente, o capitalismo tenta cooptar nossa luta para defender as pautas do imperialismo no mundo. As maiores vítimas dessa tática oportunista hoje é o povo palestino, que sofre acusações de serem lgbtifóbicos enquanto o estado de Israel seria “a favor da população LGBTI+”.

Nada mais mentiroso, pois o genocídio em Gaza é também o genocídio da população LGBTI+ palestina. Em Israel, o regime nazi-sionista e seus agentes, muitos dos quais pessoas LGBTI+, não são nossas aliadas nem querem a nossa libertação, mas procuram usar a luta em defesa da diversidade sexual e de gênero como uma máscara para encobrir o extermínio de um povo. Na Palestina, assim como no Brasil e no mundo, a opressão contra os LGBTI+ ocorre por conta da dominação imperialista e a submissão dos povos à exploração do trabalho. Por isso reafirmamos: Não em nosso nome!

Não podemos nos considerar livres em um país que lidera o ranking de assassinatos de pessoas LGBTI+ no mundo. Nossa liberdade não está em sermos vistos como um novo mercado consumidor para garantir os lucros dos capitalistas. A verdadeira liberdade só será conquistada com o fim da exploração que sofremos e com a garantia de condições dignas de vida: trabalho, moradia, saúde e educação de qualidade.

Essa transformação só será possível com a destruição do capitalismo e a construção de uma nova sociedade: uma sociedade socialista, baseada na liberdade, na solidariedade e na compaixão, onde a classe trabalhadora seja a verdadeira dona das riquezas que produz. Organizar aqueles(as) que lutam todos os dias para viver com dignidade é essencial, porque quem conhece na pele o que é viver preso, também deseja libertar os outros.

“Comunidade” é uma palavra que tem o radical “comum” (aquilo que é compartilhado por muitos). E como LGBTI+ comunistas, esta palavra tem muito significado para nós. Por isso reafirmamos que aqueles que nos exploram e que atuam como agentes do imperialismo no Brasil e no mundo, nunca poderão fazer parte da nossa comunidade LGBTI+. Nossa comunidade é parte da classe trabalhadora, por isso, para se manter unida, organizada, lutando de forma coletiva e consequente, ainda que tenha demandas específicas, precisa estar integrada à luta geral da classe.

Neste sentido, a Unidade Popular (UP), nesse primeiro encontro nacional, reafirma sua determinação em organizar essa parcela importante da classe trabalhadora, dos estudantes, do povo sem teto, sem terra, da juventude e dos demais setores do nosso povo. Crescer nossa atuação entre os LGBTI+ da camada mais oprimida da sociedade é a nossa tarefa imediata.

Matéria publicada na edição impressa  nº319 do jornal A Verdade

Lutar contra o genocídio do povo palestino é um dever revolucionário

Exposição realizada pelo Partido Comunista Revolucionário (PCR) no 29º Seminário Problemas da Revolução na América Latina, realizado em Quito, nos dias 31 de julho, 01 e 02 de agosto. O evento, organizado pelo Partido Comunista Marxista-Leninista do Equador (PCMLE) e pela Juventude Revolucionária do Equador (JRE), contou com a presença de dezenas de organizações revolucionárias da América Latina e de outras regiões do mundo.

Comitê Central do Partido Comunista Revolucionário (PCR)


INTERNACIONAL – O grande revolucionário Ernesto Che Guevara, certa vez, afirmou que um revolucionário deve “tremer de indignação a cada vez que se comete uma injustiça no mundo”. Temos convicção que uma das maiores injustiças que acontecem hoje no mundo é o genocídio do povo palestino pelo Estado nazista de Israel, incentivado e financiado pelo imperialismo norte-americano.

Até o final de julho, mais de 60 mil palestinos foram assassinados pelo Exército terrorista de Israel e, de acordo com a Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), desde 2023, mais de 50 mil crianças foram feridas ou mortas pelos bombardeios israelenses.

Em 10 de julho, o Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários nos Territórios Ocupados (OCHA-OPT) denunciou que 92% das moradias de Gaza foram destruídas, um milhão de palestinos não têm onde se abrigar e crianças continuam a morrer de fome ou sendo alvejadas pelas balas e mísseis disparados por Israel. Dos 36 hospitais, restam 17 funcionando precariamente e 1.600 trabalhadores de saúde foram assassinados nos últimos 21 meses.

Não bastasse, caminhões com água e comida são impedidos de ingressar no território palestino com o claro objetivo de matar o povo de fome. Mais grave: os centros de distribuição de alimentos foram transformados em armadilhas para matar crianças e mulheres. De acordo com o escritório de direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), são frequentes os bombardeios do Exército de Israel nos postos de coleta e distribuição de alimentos.

Com efeito, desde que a Fundação Humanitária de Gaza (FHG), sistema de distribuição de ajuda apoiado por Israel e Estados Unidos, começou a operar, em maio, centenas de palestinos foram assassinados nos  postos de distribuição de ajuda humanitária na Faixa de Gaza. Até o dia 20 de julho, segundo a ONU, pelo menos 875 assassinatos aconteceram nos arredores dos pontos de ajuda em Gaza – a maioria deles perto de locais de distribuição da FHG.

Essa carnificina promovida por Israel e pelos EUA conta com a cumplicidade da União Europeia, a conivência da Rússia e da China e é defendida pelos meios de comunicação de Israel com as mesmas palavras que Hitler usou para defender e justificar seus crimes. Vejam o que declarou um dos grandes produtores da televisão israelense, o senhor Elad Barashi. no dia 05 de maio de 2025: “Não consigo entender as pessoas aqui em Israel que não querem encher Gaza com chuveiros de gás ou vagões de trem, e acabar com essa história! Que haja um Holocausto em Gaza”.

Não se trata de um ódio aos palestinos, de xenofobia ou de um chauvinismo reacionário. O objetivo dessa carnificina em Gaza é tomar posse do território palestino e de suas riquezas, anexá-lo para formar o Grande Estado de Israel e, como provam os covardes ataques ao Irã, assumir o total controle do Oriente Médio, uma das regiões mais ricas em petróleo do mundo e estratégica do ponto de vista econômico e militar, principalmente diante da iminência de uma nova guerra mundial.

Ademais, a palestina é uma nação rica. Sua terra é fértil e é responsável pela produção de parte dos alimentos consumidos pela população de Israel. Estudos realizados pela ONU concluíram existir petróleo e gás natural na Faixa de Gaza que, explorados, poderiam significar cerca de US$ 524 bilhões.

Além de se apropriar do território palestino, de suas riquezas e transformar os palestinos em escravos do Estado de Israel, há também o objetivo do bilionário Donald Trump de aumentar os negócios de sua família. No dia 04 de fevereiro de 2025, o fascista Donald Trump publicou um vídeo em sua rede digital intitulado “Riviera do Oriente Médio” e um texto defendendo o deslocamento do povo palestino para outros países (Egito, Jordânia e Síria) e a construção de um Resort na Faixa de Gaza. Nas imagens publicadas pelo fascista Trump, há prédios altos, praias tomadas de cadeiras, iates ancorados e a legenda “Gaza 2025”.

Esse é o plano da geopolítica dos EUA e de Israel para Gaza e para o Oriente Médio: construir campos de concentração, assassinar crianças, destruir hospitais e escolas, construir resorts e assumir total e completo controle sobre a Palestina e os países que se recusarem a ser fantoches do decadente império capitalista.

A covarde agressão ao Irã, além de fazer parte dessa criminosa estratégia, visa a enfraquecer um governo aliado do povo palestino. Lembremos que, para invadir o Iraque e massacrar seu povo, os EUA espalharam a mentira de que o país possuía armas químicas de destruição em massa. Agora, os Estados Unidos, país que, sozinho, possui mais de 5.000 armas nucleares espalhados pelo mundo, diz agir para aniquilar a possibilidade de o Irã produzir alguma arma nuclear.

Mas o povo palestino luta há décadas pelo seu país e nunca renunciou ao seu direito de ter sua pátria. Pelo contrário, o heroísmo e a luta do povo palestino são exemplos para todos os povos do mundo que lutam para alcançar a verdadeira independência. Sem dúvida, mais de 40 mil guerrilheiros palestinos seguem combatendo o inimigo e mantêm dezenas de reféns distantes da CIA e do autoproclamado infalível Mossad.

Para deter esse genocídio, é fundamental promover uma solidariedade concreta e efetiva ao povo palestino em todos os países, intensificando as manifestações e atos de solidariedade e exigindo dos governos o rompimento das relações comerciais com o Estado fascista de Israel.

Milhões de pessoas, em todos os cantos do mundo, já se manifestaram das mais diferentes formas contra o massacre americano-israelense ao povo palestino, ocupando universidades, como fez a juventude nos EUA, realizando passeatas no Canadá, EUA e em diversos países da Ásia e da Europa.

No Brasil, 35 mil pessoas se manifestaram nas ruas de São Paulo contra o genocídio e diversas outras cidades do país se posicionaram no mesmo sentido. O PCR participa de todos esses atos e realiza pichações em muros, comícios relâmpagos, agitações de rua com o jornal A Verdade. Já realizamos atos e vigílias e lançamos panfletos todos os meses, além de um dia nacional de luta contra o genocídio em frente aos Consulados e à Embaixada dos EUA.

Em todo o mundo, multiplicam-se as manifestações de artistas e intelectuais contra o genocídio. Cerca de 1.300 acadêmicos de Israel denunciaram em carta o “sadismo e o colapso moral” do Estado de Israel. Mais de 300 escritores franceses, incluindo dois prêmios Nobel, exigiram sanções da União Europeia a Israel. Em Haia, mais de 100 mil pessoas marcharam em defesa do povo palestino. A continuidade da pressão popular é fundamental para o fim do genocídio e estabelecimento de um Estado Palestino.

Diante desses sucessivos crimes em Gaza, todo governo que mantiver relações comerciais com o Estado Israel está sendo cúmplice do assassinato das crianças palestinas. Por isso, desenvolvemos em nosso país uma ampla campanha exigindo o imediato rompimento das relações comerciais do Brasil com o Estado de Israel, pois, embora o presidente Lula condene publicamente o genocídio em Gaza, as exportações de petróleo do Brasil para Israel cresceram 309% e o país continua comprando armas do Estado de Israel. A China, a segunda potência imperialista do mundo, foi a maior exportadora de produtos para Israel em 2024, com um comércio de US$ 19 bilhões, duas vezes superior aos EUA, principal aliado israelense. Os chineses mandam, entre outros produtos, metais utilizados na produção de equipamentos militares.

Derrotar as guerras imperialistas e lutar pelo socialismo 

Além do genocídio do povo palestino, prossegue o massacre do povo ucraniano pela Rússia, pela Otan e pelos Estados Unidos; o Irã é covardemente bombardeado por Israel e pelos EUA e os países africanos continuam sendo vítimas de todo tipo de violência dos países imperialistas.

Não bastassem as bombas e mísseis jogados sob nações e povos, o imperialismo norte-americano promove uma guerra comercial que atinge os interesses de 180 países e busca, de forma desesperada, conter a bancarrota da outrora poderosa economia norte-americana.

A verdade é que todos esses acontecimentos são expressão do aprofundamento da crise mundial da economia capitalista e do aprofundamento das contradições interimperialistas, e da necessidade dos monopólios e da oligarquia financeira de se apoderarem de novos mercados e fontes de matérias-primas.

Por isso, não é possível barrar a violência e as guerras imperialistas sem pôr fim ao odioso sistema capitalista. Mais do que em qualquer outro momento da história da humanidade, os revolucionários devem dedicar suas energias para apoiar a luta do povo palestino, mas também fortalecer o Partido revolucionário em seu país, desenvolver um vigoroso trabalho entre as massas exploradas e oprimidas.

Denunciar os crimes da burguesia mundial e levantar a bandeira da revolução e do socialismo são tarefas centrais dos verdadeiros revolucionários no mundo atual.

Matéria publicada na edição impressa  nº319 do jornal A Verdade