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sexta-feira, 3 de abril de 2026
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Genocídio palestino completa 600 dias com massacres e campos de concentração

Contratada pelos governos dos Estados Unidos e de Israel para operar supostas ações de ajuda humanitária em Gaza, a Fundação Humanitária de Gaza tem sido denunciada por organizações locais como fachada para práticas de repressão, confinamento forçado e genocídio palestino.

Felipe Annunziata | Redação


INTERNACIONAL – Fundação Humanitária de Gaza (GHF, na sigla em inglês). Este é o nome de fachada do novo mecanismo de assassinato em massa contra o povo palestino. A organização foi contratada pelos EUA e por Israel para, supostamente, entregar ajuda humanitária à população de Gaza. Na realidade, são mercenários estadunidenses e militares sionistas confinando palestinos em campos de concentração de fazer inveja aos nazistas alemães de um século atrás.

Enquanto “distribuem ajuda humanitária”, soldados nazi-sionistas executam a tiros palestinos famintos. Dezenas de palestinos já foram assassinados assim.

Sob o pretexto de garantir a alimentação, enjaulam as pessoas em cercas enquanto fazem reconhecimento facial de cada cidadão palestino. O objetivo é cumprir as ordens do ditador Benjamin Netanyahu: “Nós vamos da nossa forma criar ‘zonas seguras’ para entregar ajuda humanitária e garantir que os civis saiam [da Faixa de Gaza]”. Tudo isso está alinhado à proposta que o presidente fascista dos EUA, Donald Trump, defendeu em fevereiro: transformar Gaza num balneário para a burguesia, sem palestinos.

Massacre cotidiano

O genocídio continua também com os bombardeios. Num único ataque, Israel assassinou nove crianças filhas de um casal de médicos. A Drª. Alaa al-Najjar conseguiu ter apenas seu filho de 11 anos salvo. Seu marido, e pai das crianças, não resistiu e faleceu no dia 02 de junho.

“Alaa al-Najjar viu com seus próprios olhos os corpos carbonizados de sete de seus filhos serem retirados dos escombros (…), tudo isso enquanto ela estava de plantão no complexo médico de Nasser”, afirmou Mohammed Saqeer, chefe de enfermaria do hospital local de Khan Younis, no sul de Gaza.

Na Cisjordânia, a situação também é grave. Lá, a tática israelense é impedir a circulação da população palestina. São cerca de 850 pontos de bloqueio, onde os palestinos são tratados de forma discriminatória e têm seu direito de circular proibido.

O objetivo é prejudicar e impedir o funcionamento da economia palestina, bem como ampliar o regime de discriminação e apartheid imposto por Israel desde 1967. Em algumas cidades, colonos judeus, com apoio do Exército sionista, obrigam palestinos a abandonarem suas casas e terra.

A cidade palestina de Tulkarm, sob cerco há mais de quatro meses, já teve 25 mil habitantes obrigados a saírem de suas casas por exigência de colonos israelenses. Apenas nessa localidade, soldados israelenses destruíram, total ou parcialmente, mais de três mil casas.

Crise política em Israel

Enquanto isso, a oposição ao governo de Netanyahu se amplia. Mesmo sob um regime autoritário, em que qualquer oposição antissionista é perseguida, há pessoas que se mobilizam pelo fim do massacre.

Centenas de israelenses ocuparam a sede do partido de Netanyahu exigindo o fim do genocídio para garantir a libertação dos prisioneiros de guerra de Israel sob a custódia da resistência palestina. Os familiares dos presos têm feito manifestações constantes nas principais cidades de Israel.

Em outra frente, multiplicam-se manifestações de artistas e intelectuais, incluindo israelenses, contra o genocídio. Cerca de 1.300 acadêmicos de Israel denunciaram em carta o “sadismo e o colapso moral” do Estado de Israel. Mais de 300 escritores franceses, incluindo dois ganhadores do prêmio Nobel, acusaram o genocídio e exigiram sansões da União Europeia contra Israel. Em Haia, na Holanda, mais de 100 mil pessoas marcharam em defesa do povo palestino.

Enquanto a pressão popular internacional cresce, os governos capitalistas e imperialistas continuam a se calar ou apoiar o genocídio. A continuidade da pressão popular é fundamental para a garantia da libertação da Palestina e o fim do genocídio.

Matéria publicada na edição impressa  nº314 do jornal A Verdade

Favela do Moinho: quando a luta e a cobertura se tornam uma só

Durante os despejos na Favela do Moinho, em abril e maio, a repressão policial foi intensa, mas encontrou resistência por luta organizada dos moradores. A cobertura do jornal A Verdade se tornou parte ativa da mobilização. Em meio ao gás lacrimogêneo e à violência, a comunidade da Favela do Moinho reconheceu: o jornal estava com eles — na mesma trincheira de luta.

Wildally Souza | São Paulo (SP)


LUTA POPULAR – Ultimamente, temos discutido muito sobre a importância do Jornal nas lutas populares. Mas, afinal, qual é nosso papel numa cobertura? Fotojornalistas devem se limitar a documentar o instante? Repórteres precisam acompanhar pautas com distanciamento da informação? A cobertura da resistência da Favela do Moinho mostrou que, na luta, dividimos a mesma trincheira.

Estive no Moinho pela primeira vez em 16 de abril, durante uma assembleia que terminou em ato contra os despejos. A frase dita por Dona Preta, moradora histórica, não me sai da cabeça: “Desde sempre, eles jogaram bomba na gente, mataram nossos filhos e irmãos… agora cabe a nós decidir se vamos ficar de braços cruzados ou reagir”. A resposta foi firme: resistir.

E foi exatamente isso que aconteceu. Logo se desenhou a palavra de ordem: “Amar a vida e não temer a morte”. Durante os dias 16 a 22 de abril, sempre que a Polícia Militar aparecia armada até os dentes, ouvia-se: “Vamos pra cima! Não vamos ter medo desses porcos!”.

No dia 22, a mobilização era intensa. Registrei o primeiro despejo e a entrada da CDHU. Já sentia uma relação pessoal com o Moinho e o jornal A Verdade já era reconhecido pelos moradores, que diziam: “Vocês precisam estar aqui, porque eles vão mentir e nos colocar como bandidos”.

No dia 13 de maio, ironicamente data em que se celebra a abolição inacabada da escravidão, a PM voltou para completar o despejo com uma operação brutal. Casas foram derrubadas, moradores aterrorizados.

Renancir, reciclador e morador antigo, foi quem nos recebeu naquele dia. Visivelmente preocupado, me mostrou uma cicatriz no peito e disse: “Sou operado do coração. Meu medo é a Polícia me prender e me bater, sei que não vou resistir… Minhas filhas vão ficar sozinhas”.

Minutos depois, o cenário era de terror: policiais nas lajes, fuzis apontados até para crianças. A assembleia dos moradores decidiu reagir. Ao grito de “Moinho fica!”, a PM atacou. De repente, a fumaça tomou conta: gás lacrimogêneo, visão turva, dificuldade para respirar, desespero total.

Pela experiência de outros atos e manifestações, decidi atravessar a fumaça e fui até o lado das tropas. Foi quando vi Renancir sendo preso. Sua filha, desesperada, tentava impedir que o levassem, mas foi ameaçada por um sargento: “Sai da frente ou vai tomar tiro de 12 na cabeça”. Registrei tudo com fotos e abri uma live no Instagram do Jornal.

“Esse fica, esse tá com a gente”

Enquanto a repressão avançava, a grande mídia mentia descaradamente sobre os moradores e legitimava a ação policial. Quando viram que A Verdade transmitia ao vivo, os policiais se assustaram. Um deles chegou a gritar: “É aquele povo lá da Secretaria, porra!”, em referência à nossa cobertura de grande repercussão do ato contra a privatização do transporte.

Naquele momento, a comunidade nos reconheceu de vez como aliados. Quando me pediram para sair junto com os outros jornalistas, um jovem chamado Paulo Henrique gritou: “Esse não, esse tá com a gente”. Ali nos consolidamos como o jornal da resistência do Moinho.

Foram três dias seguidos de confrontos. Mesmo quando a PM impediu a entrada da imprensa independente, continuamos a cobertura com os registros enviados pelos moradores. Do lado de fora, ouvíamos as explosões, o choro das crianças, os relatos de pavor.

O terceiro dia trouxe, enfim, uma vitória parcial, mas significativa: os moradores conseguiram garantir auxílio-aluguel, reassentamento e o compromisso com moradia subsidiada. A vitória foi celebrada com lágrimas. Dona Antônia, de 72 anos, me ligou dizendo: “Vocês ajudaram a salvar nossas casas e nossas vidas. Deus e meu padrinho Padre Cícero nos abençoaram primeiro, depois veio o jornal de vocês”.

A luta do Moinho deixa claro o papel do jornal A Verdade: ser instrumento de organização dos oprimidos. Foi a afirmação de que a imprensa comunista tem lado, o lado do povo. Não somos neutros diante da injustiça. Somos instrumentos de organização e resistência.

Matéria publicada na edição impressa  nº314 do jornal A Verdade

Moradores da Favela do Moinho impedem despejo com mobilização popular

Moradores da Favela do Moinho, no centro de São Paulo, impediram um despejo forçado promovido pelo governo estadual, após semanas de resistência e forte mobilização popular.

Cadu Machado e Victoria Magalhães | São Paulo (SP)


LUTA POPULAR – “O Moinho Fica!”. Esse foi o grito que se ouviu no centro da maior cidade do país no mês de maio. O grito, vindo de uma comunidade em luta, confrontou o governo fascista de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), freando seus planos de expulsar os moradores da Favela do Moinho. Localizada na região dos Campos Elíseos, o Moinho está em uma das áreas mais visadas pela especulação no centro da capital paulista.

Desde o início de seu mandato, Tarcísio tem promovido uma política de remoções violentas para “limpar” o centro e entregá-lo aos interesses do mercado imobiliário. A Favela do Moinho, uma das últimas ainda existentes na região central, tem sido o alvo atual dessa ofensiva. Desde o mês de abril, o Governo Estadual tenta realizar uma reintegração de posse violenta com sua Polícia Militar (PM), ameaçando e agredindo moradores, sitiando o bairro e violando direitos humanos básicos.

Apesar da ofensiva do governo fascista de São Paulo, os moradores, com o apoio de movimentos sociais, organizaram uma campanha de resistência que durou semanas e conseguiram impedir o despejo do bairro. A pressão popular levou o governo federal a suspender a cessão do terreno ao estado, em resposta ao uso de força contra a população.

História de luta e resistência

A Favela do Moinho surgiu ocupando o espaço de antigos galpões ferroviários abandonados. Desde então, seus moradores enfrentam o abandono do poder público e sucessivas tentativas de remoção. Em 2011, durante a gestão de Gilberto Kassab na Prefeitura de São Paulo, período marcado por uma série de incêndios em favelas da cidade, um incêndio de grandes proporções destruiu dezenas de casas no bairro.

Nos anos seguintes, a Prefeitura aumentou as ameaças de remoção, criminalizou lideranças locais e tentou amedrontar a comunidade. No dia 15 de abril deste ano, após o Governo Estadual anunciar que começaria a remoção das 813 famílias que vivem há 40 anos na Favela do Moinho, os moradores fecharam temporariamente a linha do trem, protestando contra a remoção forçada e o silêncio do poder público.

No último mês, a ofensiva se intensificou, a Prefeitura cercou o bairro com grades, bloqueou os acessos e começou a retirar famílias à força. No dia 11 de maio, um grande ato político-cultural reafirmou o direito de permanecer no território. Ao som do samba e do rap, com distribuição de alimentos e atividades para as crianças, o evento mostrou que o Moinho está vivo e pronto para lutar.

Após o ato, a comunidade da Favela do Moinho continuou sendo alvo de repressão. No dia 12 de maio, a Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), sob ordens do governo, iniciou a demolição de casas na comunidade, surpreendendo os moradores que ainda estavam em negociações com representantes do estado.

Em resposta às demolições, os moradores organizaram protestos que incluíram o bloqueio de trilhos de trem e a queima de objetos, causando interrupções no transporte ferroviário da região central de São Paulo. A PM foi acionada e utilizou bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar os manifestantes, aumentando a tensão no bairro.

Diante da pressão popular e das denúncias de violações de direitos, o Governo Federal, que é proprietário da área, decidiu suspender a cessão do terreno ao Estado de São Paulo. Essa suspensão foi condicionada à garantia de que todos os moradores seriam reassentados de forma pacífica e com segurança. Em seguida, o Ministério das Cidades anunciou um acordo que prevê o pagamento de R$ 250.000,00 para cada família, para que possam adquirir um imóvel pelo programa Minha Casa, Minha Vida, além do pagamento de um auxílio-aluguel de R$ 1.200,00 até que encontrem uma moradia definitiva.

Exemplo mobiliza outras periferias

Famílias de mais de 34 bairros ameaçados de despejo hoje em São Paulo, além de dezenas de ocupações urbanas, veem no Moinho uma referência de resistência.

Sob o governo autoritário de Tarcísio de Freitas e seu secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, a repressão tem sido constante. O prefeito Ricardo Nunes, aliado da extrema-direita, ajuda a intensificar essa guerra contra os pobres. Seu vice-prefeito é o ex-comandante da Rota, e o secretário de Segurança Urbana, Orlando Morando, é conhecido por despejos e repressão a movimentos sociais.

Matéria publicada na edição impressa  nº314 do jornal A Verdade

Atividades no Recife denunciam genocídio e exigem rompimento diplomático com Israel

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Dois atos em defesa do povo palestino e exigindo rompimento do governo brasileiro com o estado de Israel marcaram o início do mês, na capital pernambucana.

Clóvis Maia | Redação PE


LUTA POPULAR- Duas atividades marcaram o início do mês de julho na capital pernambucana. Um debate promovido pelo Movimento Sem Terra com duas ativistas palestinas e uma audiência pública, exigindo do governo Lula o rompimento das relações econômicas e diplomáticas com o Israel.

No dia 03 de julho, o sindicato dos bancários de Pernambuco recebeu o debate “Da Palestina ao Brasil”, organizado pelo Movimento Sem Terra (MST), com apoio da Aliança Palestina Recife. O evento contou com a participação das ativistas palestinas Raya Zeyadeh, da Fundação Alemã Rosa Luxemburgo em Ramallah e Areej Ashhab, pesquisadora artística e da deputada estadual Rosa Amorim, do PT.

Na ocasião, as militantes apresentaram registros fotográficos de sua atuação com a agroecologia e as atividades e seus depoimentos desses mais de 600 dias dessa nova etapa do genocídio palestino, que dura desde 1948. Areej, que milita no campo da agroecologia, apresentou como os impactos do genocídio tem deixado em seu país.

A proibição do cultivo, a destruição das plantações e o controle do que pode entrar ou sair das terras palestinas é uma mostra de um verdadeiro apartheid, onde até a entrada de itens básicos como remédios, o controle da água e da energia elétrica e até o cuidado e o trato com a terra são perseguidos pelo exército invasor de Israel, que decide o que pode ou não ser plantado e colhido em solo palestino.

Falando sobre o genocídio e o impacto que tem causado na população ela afirmou: “nós somos muito conectados com a nossa terra.  E vamos continuar resistindo, até que nossas crianças possam dormir sem medo, sem ouvir o barulho de bombas, o som dos drones e dos mísseis todos os dias. Eu sonho com o dia em que iremos poder olhar para um céu normal, um céu limpo, como esse aqui do Recife, e tenha o direito de falarmos nossa língua, de falar sobre nossa história, preservando nossas tradições”.

Raya Zeyadeh trouxe sua visão em relação ao massacre e o enfrentamento do povo palestino ao longo dessas ultimas décadas. Em uma fala emocionada e cheia de indignação, a artista registrou a atuação combativa especialmente das mulheres palestinas, denunciando o imperialismo e sobretudo o apoio do governo norte-americano.

“Nós ainda estamos processando o que está acontecendo. Imagine, a tecnologia, como os drones, estão sendo usados para matar as pessoas. Nós sabemos que esses fatos estão acontecendo mas não queremos processar eles ainda, porque nós estamos em um modo de sobrevivência. Frustração, depressão é um privilégio para nós palestinos. Então isso é postulado para depois.  Então, é difícil para nós entender o que isso realmente significa hoje e o que vai significar para nós também no futuro. Porque nós estamos lutando todos os dias. Penso que nossa existência hoje é uma forma de resistência. Essa é a forma que vivemos todos os dias. E nós persistimos em viver. Nós não conseguimos parar de viver, porque essa é a nossa realidade e vamos continuar lutando pela sobrevivência e pela nossa terra”., afirmou.

Raya Zeyadeh e Areej Ashaab recebendo o Jornal a Verdade a a solidariedade de nossa imprensa ao povo palestino. Foto: JAV PE

No dia seguinte (04/07), ocorreu uma reunião pública na Câmara de Vereadores do Recife. O evento foi convocado pelos mandatos das vereadoras Kari Santos (PT), Cida Pedrosa (PCdoB), Jô Cavalcanti (PSOL) e Liana Cirne (PT) numa provocação da Aliança Palestina Recife, coletivo que desde 2014 atua no Recife, uma das capitais do país com uma das maiores populações palestinas do país.

A reunião pública lotou o plenarinho da Câmara e contou com a participação da médica Ana Catarina Delgado, que atuou como médica voluntária por dois momentos na Palestina, entre 2019 e 2023, Ualid Rabah, Presidente da Federação Árabe Palestina do Brasil (FEPAL) e André Frej, filho de palestinos e da coordenação da Aliança Palestina Recife.

Relatando as dificuldades de se oferecer serviços médicos básicos para a população, e da ingerência de Israel, Ana Catarina Delgado, que é oftalmologista, relatou que “em 2019 a energia da população já era racionada. Israel fornecia energia elétrica por apenas 8 horas por dia, depois era cortada. E a noite os palestinos se arriscavam furando poços para obter água, correndo risco de vida, pois se fosse pegos fazendo isso eram metralhados ou presos. E olhe que isso foi antes da pandemia, imaginem a situação desse povo tão resiliente, passando por tudo isso”.

Falando por videoconferência, Ualid, da FEPAL, apresentou os dados mais recentes das vítimas e da destruição em Gaza, fazendo um apanhado histórico desse que é, segundo ele, “a maior limpeza étnica da história e um teste de um modelo que os EUA quer adotar como regra nesse novo momento histórico que estamos vivendo”.

Como encaminhamento da reunião as vereadoras se comprometeram a organizar um relatório para ser encaminhado para os parlamentares de esquerda e para o governo federal.

Falando pela Unidade Popular, Natanael Sarmento reforçou a iniciativa mas lembrou que “o que acontece em Gaza é a expressão do momento em que estamos vivendo, que é a contradição fundamental da nossa época. É o imperialismo em sua fase mais cruel, violenta e desesperada. A humanidade se encontra diante desse dilema: ou segue o caminho da violência e do extermínio ou segue o caminho para o socialismo. A questão da Palestina é uma expressão da luta de classes no mundo, e o governo brasileiro, que é cada vez mais refém desse parlamento reacionário, composto por representantes do sionismo, precisa ser encarado de frente. Por isso, nada mais justo do que romper de vez com todas as relações com o governo de Benjamin Netanyahu.”

André Frej, da Aliança Palestina Recife, durante a Reunião Pública na Câmara de Vereadores do Recife. Foto: JAV PE

Trump ameaça ataque imperialista à economia do Brasil

Para defender o golpista Bolsonaro e sua gangue de fascistas, o presidente dos EUA Donald Trump impõe taxação de 50% nos produtos do Brasil.

Felipe Annunziata | Redação


INTERNACIONAL – Após uma semana de ameaças contra o Brasil para defender a anistia à gangue de fascistas e golpistas liderada por Jair Bolsonaro, o presidente da principal potência imperialista do mundo, Donald Trump, anunciou uma taxação de 50% sobre os produtos brasileiros importados pelos EUA. A medida é uma forma de ampliar a guerra comercial patrocinada pelo imperialismo estadunidense para o nosso país.

Na carta enviada ao presidente Lula em que anuncia as taxas, Trump deixa bem evidente quais são seus objetivos: atacar a indústria brasileira, ampliar o domínio dos monopólios imperialistas estadunidenses sobre a economia brasileira e garantir a liberdade à gangue fascista liderada por Jair Bolsonaro. Na carta, o presidente estadunidense exige o fim imediato de todos os processos contra Bolsonaro.

“Como você sabe, não haverá tarifa se o Brasil, ou empresas de seu país, decidirem construir ou fabricar produtos dentro dos Estados Unidos (…) Se você deseja abrir seus mercados comerciais até então fechados para os Estados Unidos e eliminar suas políticas e barreiras comerciais tarifárias e não-tarifárias, talvez consideraremos um ajuste nesta carta.”, afirma Trump na carta ao presidente Lula.

O presidente Lula, por sua vez, respondeu em tom duro recusando qualquer ingerência estrangeira nos assuntos internos brasileiros. O presidente lembrou que nosso país é independente e tem direito a sua soberania e afirmou que responderá às taxações dentro do que define a lei brasileira. 

“O Brasil é um país soberano com instituições independentes que não aceitará ser tutelado por ninguém.“, afirmou Lula nas redes digitais. 

Embaixada dos EUA defende Bolsonaro

As exigências do chefe do imperialismo dos EUA deixam claro como eles vêem nosso país apenas como um quintal para seus interesses e seus agentes, como Bolsonaro. 

Em nota publicada nesta quarta (09), a Embaixada dos EUA no Brasil reconheceu o papel de Bolsonaro como agente dos interesses estadunidenses no nosso país. No documento, o encarregado de negócios estadunidense Gabriel Escobar afirmou que Bolsonaro e sua família são  “fortes parceiros” dos Estados Unidos aqui.

Jair Bolsonaro e sua família têm sido fortes parceiros dos Estados Unidos. A perseguição política contra ele, sua família e seus apoiadores é vergonhosa e desrespeita as tradições democráticas do Brasil. Reforçamos a declaração do presidente Trump. Estamos acompanhando de perto a situação.“, afirma a nota.

Nenhuma prova a mais é necessária para comprovar o envolvimento da gangue fascista no atual ataque do imperialismo ao nosso país. Desde que saiu do governo, Bolsonaro tem tentado de todas as formas trazer uma intervenção dos Estados Unidos para favorecer um golpe de estado, assim como ocorreu em 1964. 

Agora, com Trump no governo estadunidense, a expectativa e o empenho dos fascistas é que os ataques ao Brasil se ampliem para se criar uma nova situação favorável a um golpe de estado aqui.

Enfrentar o imperialismo dos EUA no Brasil 

Este ataque mostra, mais uma vez, como é ruim para o povo brasileiro a influência e o controle da economia nacional pelos monopólios imperialistas, em especial os estadunidenses. 

Hoje, o capital imperialista dos EUA controlam setores extensos da economia brasileira, com monopólios norte-americanos presentes em setores como o de automóveis (Ford e Chevrolet), alimentos (Coca-cola, PepsiCo, General Mills e outras), produtos de higiene (P&G, Johnson & Johnson, Unilever etc.), serviços financeiros (Mastercard) e também no setor digital, com as chamadas Big Techs estadunidense controlando quase todas as redes digitais mais usadas no Brasil (Alphabet/Google, Meta, X). Em setores como petróleo e gás, os monopólios imperialistas dos EUA (Chevron, ExxonMobil) dominam dezenas de campos na nossa costa.

O que não está explícito na carta, mas também é um objetivo do imperialismo estadunidense no Brasil é o interesse nas nossas riquezas naturais. Além dos setores que as multinacionais norte-americanas controlam, Trump quer roubar nossos recursos naturais, especialmente as chamadas “terras raras”, uma série de minérios utilizados para a produção de componentes essenciais para produtos de alta tecnologia. O Brasil tem a segunda maior reserva desse material no mundo, estimada em 21 milhões de toneladas, ficando atrás apenas da China.

É preciso responder firmemente a este ataque taxando e proibindo as bilionárias remessas de lucros destas multinacionais para os Estados Unidos. Não apenas isso, é preciso nacionalizar os setores estratégicos que estão nas mãos de empresas estadunidenses.

Hoje, a taxação de 50% afetará exportações de café, suco de laranja, aço, petróleo bruto e minérios que o Brasil faz aos EUA. Estes produtos são vendidos para garantir o lucro dos donos do agronegócio e das mineradoras. 

Pagamos mais caro no café e em várias frutas e seus derivados pela ganância da burguesia brasileira em vender mais para o mercado estadunidense. Agora com a taxação de Trump é a hora de obrigar que estes produtos sejam colocados à disposição do mercado nacional, de forma a serem vendidos mais baratos ao nosso povo.

Punir os golpistas 

Esta situação mostra também o quanto é fundamental a prisão imediata de Bolsonaro e seus cúmplices fascistas. Agora é evidente que eles agem aqui a mando dos chefes do imperialismo contra os interesses do povo brasileiro. Sua prisão agora é uma necessidade para defender a soberania nacional e impedir um novo golpe financiado pelos Estados Unidos. 

A tentativa de Trump de criar instabilidade no nosso país é mais uma prova de que não se pode mais confiar na política de conciliação com os setores reacionários do Congresso Nacional, que se colocam ao lado dos fascistas e golpistas. Estes grupos contam com apoio estadunidense para impor ao nosso país uma nova ditadura. Para vencer o golpismo e o fascismo no Brasil é preciso lutar também contra o imperialismo.

Black Pantera: a batida que incendeia o racismo

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Originada de Uberaba (MG), a banda Black Pantera adquire uma sonoridade única ao mesclar elementos de metal, punk e sua militância incansável. O grupo, popular por músicas como “Fogo Nos Racistas”, “Perpétuo” e “Candeia”, traz à tona o real caráter da rebeldia negra: ela é ancestral e revolucionária.

Sat Montaigne | UJR-MG


O Black Pantera foi formado por três trabalhadores que, desde sempre, já tinham algo em comum: a pele retinta, carregada da força de povos ancestrais que lutaram e lutam, até hoje, em nossos corpos. Antes da formação da banda, os artistas já se engajavam no mundo da arte – no entanto, enfrentando muitas dificuldades e desvalorizados por uma sociedade que trata a arte como matéria de segundo plano, precisavam fazer “bicos” para se manter dignamente.

A união se deu após anos tocando covers juntos. Depois de anos tocando juntos, os irmãos Charles Gama (guitarra e vocal) e Chaene da Gama (baixo e vocal) uniram-se ao baterista Rodrigo Pancho. Insatisfeitos com a estrutura racista do capitalismo, que desumaniza e joga o povo negro à fome e à miséria todos os dias, fundaram a Black Pantera. Seu primeiro EP, “Ratatatá”, já demonstrava a energia explosiva de seus integrantes – e deixava bem claro: eles estão aqui para ficar.

Dessa forma, após se organizarem para a produção do álbum “Ascensão”, Black Pantera se populariza após o lançamento de “Fogo nos Racistas”, hino em forma de metal que combate a opressão do povo afrodescendente, que constrói e sustenta o Brasil. Desde então, eles vêm conquistando mais corações à cada dia, mostrando às massas que o racismo, fascismo e nazismo não são toleráveis: precisamos existir, resistir e combater os ataques ao povo rumo a uma nova realidade.

Das ruas aos ouvidos, fogo nos racistas!

A mensagem que a banda passa, contudo, não se limita ao chamado à resistência: é também uma crítica a quem insiste na conciliação com os algozes burgueses, verdadeiros escravizadores da classe trabalhadora. Todas as conquistas do povo foram arrancadas nas ruas. O caminho das negociatas, do ‘governismo’ e da ‘governabilidade’ é pura ilusão, é preciso lutar! Não há conciliação possível com aqueles que, desde 1500, sequestram, exploram e matam o povo negro nas periferias. Pelo poder popular e pelo socialismo, com a luta organizada do povo negro e da classe trabalhadora!

Em Belém (PA), ato pela Palestina cobra rompimento de relações com Israel

Organizado pela Rede Cabana de Solidariedade aos Povos, lutadores e lutadoras sociais se reuniram, no último dia 3, na Praça do Operário, mesmo sob forte chuva, para denunciar os crimes de Israel.

Luiza Friza | Redação PA


LUTA POPUULAR – Sob o céu chuvoso da Praça do Operário, na tarde desta quinta-feira (03/07), organizações como UP (Unidade Popular), UJR (União da Juventude Rebelião), PCR (Partido Comunista Revolucionário), Unidos pra Lutar (PSOL) e Revolução Socialista (RS/PSOL), PSTU e demais coletivos e juventudes, reuniram-se na Praça do Operário, em Belém, para um ato em defesa do povo palestino. 

Durante as falas, representantes das entidades e organizações denunciaram a violência contra a Palestina. A multidão respondeu em uníssono com os gritos: “Estado de Israel, Estado assassino! Viva a luta do povo palestino!”. Também foi cobrado o rompimento das relações diplomáticas e comerciais com Israel. O Brasil é um importante exportador de petróleo bruto para Israel e importa milhões de dólares em armas todos os anos para utilizar em operações policiais nas favelas.

Ainda na concentração do ato, a denúncia dos interesses dos EUA sobre a Amazônia e a Palestina foram destaque. Quando tratamos da Palestina, os interesses norte-americanos ficam evidentes desde o veto sistemático à adesão do Estado da Palestina como membro pleno da ONU até o fluxo contínuo de armas para Israel.

Entendendo que os interesses econômicos imperialistas dos Estados Unidos são os principais responsáveis pelo fortalecimento do genocídio cometido por Israel à Palestina e à exploração desenfreada na Amazônia, ocorreu a queima da bandeira estadunidense, um ato simbólico reflete a fúria dos povos explorados contra o imperialismo.

O protesto seguiu em caminhada até a sede da SUDAM (Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia), onde foi encerrado. No local, houve novas falas, palavras de ordem e manifestações de trabalhadores e estudantes, reafirmando a solidariedade à causa palestina e a perspectiva de construção de novas ações na Amazônia.

Estudantes do IFSC fazem marmitaço e denunciam falta de permanência

O ato contou com a venda de marmitas a R$5,00 e teve como foco a denúncia da falta de um restaurante acadêmico e das condições que geram fome entre os alunos.

Matheus de Magalhães | Redação SC


Estudantes do Grêmio Estudantil Livramento organizaram um marmitaço para denunciar a falta de políticas de permanência. Representando os estudantes do campus de Florianópolis do IFSC, a entidade promoveu o ato no seu aniversário de 35 anos de fundação, e denunciou o descaso com os secundaristas em todo esse período.

A demanda por um Restaurante Acadêmico para os estudantes existe há mais de trinta anos. A justificativa da direção para a falta de alimentação é de que as obras ainda estão acontecendo. Porém secundaristas relatam que o chamado “refeitório” em construção possui apenas um micro-ondas. “A alternativa que resta aos alunos do IFSC Campus Florianópolis é uma cantina terceirizada, que cobra R$7,00 por um salgado. Muitos alunos, especialmente os de tempo integral, não conseguem arcar com esse custo. A denúncia do grêmio é clara: se precisamos pagar tão caro para nos alimentar, será que o ensino é realmente gratuito?”, relata um estudante do campus.

Crise se agrava com fim do Restaurante Popular
A realidade de fome dos estudantes mais pobres se agravou após o fechamento do Restaurante Popular de Florianópolis, decisão tomada pelo prefeito Topázio Neto. Desde então, as filas do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) triplicaram, mas o programa não foi ampliado. “As filas não aumentaram porque os estudantes gostam das bolachas-pão ruins do programa. Aumentaram porque tem gente passando fome”, afirmou um estudante.

O ato distribuiu dezenas de marmitas no valor simbólico de R$5,00 para os estudantes e R$4,00 para os trabalhadores terceirizados. As refeições foram financiadas com recursos próprios do grêmio, oriundos da venda de camisetas realizadas semestralmente. “A movimentação do Grêmio Livramento enquanto entidade que representa alunos aqui do campus foi muito importante”, declarou Alice Fuchs, estudante do técnico integrado em Química. “O marmitaço mostra que um grêmio organizado faz o que as gestões eleitas na instituição não têm coragem de cumprir.”

A atividade contou com a participação da Federação Nacional dos Estudantes em Ensino Técnico (FENET) e da União Florianopolitana dos Estudantes Secundaristas (UFES), representações nacionais e municipais dos estudantes secundaristas.

CCML recebe ex-presas políticas para debate em Recife

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CCML recebeu ex-presas políticas das ditaduras militares da América Latina para evento de formação e memória em Recife.

Redação


A Sala Ernesto Che Guevara do Centro Cultural Manoel Lisboa de Pernambuco ficou cheia na noite do último dia 2 de julho para ouvir os relatos de ex-presas políticas do Uruguai, Argentina e Brasil sobre a experiência de resistência, no cárcere, às ditaduras fascistas em nossos países sul-americanos e a construção da memória histórica das mulheres que participaram da luta armada contra os regimes militares impostos às nossas pátrias pelo imperialismo norte-americano.

Participaram do encontro as uruguaias Maria Lux, Alice Fay e Ana Elena, a argentina Lídia Escalante, que esteve acompanhada de Francisco Pancho, e as brasileiras Lilia Gondim, Teresa Vilaça, Helena Serra Azul, Vera Rocha, Eridan Magalhães, do Coletivo Filhos e Netos, Jana Sá, presidenta do Comitê Memória, Verdade e Justiça do Rio Grande do Norte, e Rose Michelle Rodrigues, também integrante do CMVJRD-PE, Lourdes Luna, do Grupo Mulher Maravilha, e Eliane Velozo, autora da exposição sobre a obra de Eduardo Galeano, em exposição na Galeria Massagana da Fundação Joaquim Nabuco, no Recife.

O evento foi organizado pelo CMVJRD-PE e pelo CCML, sob a coordenação de Lilia Gondim, Amparo Araújo, Camila Falcão e Edival Nunes Cajá.

Movimento Correnteza em defesa da democracia e contra o autoritarismo na UNE

Movimento Correnteza denuncia que a atual direção (UJS/PCdoB, PT e Levante), tem sufocado a democracia interna da União Nacional dos Estudantes (UNE) com fraudes, arbitrariedades e manobras regimentais que impedem a participação ampla nos congressos.

Thaís Rachel Zacharia | Vice-presidente da UNE


JUVENTUDE – O movimento estudantil (ME) brasileiro sempre foi protagonista na defesa da democracia, enfrentando períodos de repressão e autoritarismo, como durante a ditadura militar. Estudantes resistiram bravamente, mesmo diante de perseguições, prisões e assassinatos, como Edson Luís, Honestino Guimarães, Manoel Lisboa e Helenira Resende, que deram a sua vida pela liberdade do Brasil.

Esse histórico de mobilização e construção coletiva, no entanto, contrasta com o que ocorre atualmente dentro da maior entidade estudantil universitária do Brasil, a União Nacional dos Estudantes (UNE). A democracia interna da entidade tem sido sistematicamente suprimida, a partir da atuação de sua direção imobilista, comandada pelo grupo político composto por UJS/PCdoB, PT e Levante, que adota práticas antidemocráticas para garantir uma maioria artificial nos congressos e fóruns da entidade.

Democracia na UNE!

Desde fevereiro, o Movimento Correnteza e diversos outros coletivos de oposição dentro da UNE organizaram a campanha por mais democracia na entidade, denunciando o imobilismo das organizações políticas da direção majoritária e que impõe um verdadeiro freio às mobilizações estudantis. No Conselho Nacional de Entidade Gerais da UNE (Coneg), e na edição nº 309 do jornal A Verdade, denunciamos as práticas antidemocráticas desse setor, como as fraudes nas eleições em universidades privadas e de ensino à distância, voto do cabresto no congresso para eleição da diretoria, arbitrariedade nas decisões da Comissão Nacional de Eleição, Credenciamento e Organização do Congresso da UNE (CNECO) e critérios absurdos para inscrição de chapas que só são exigidos da oposição.

Pois bem. Apesar da tentativa desesperada da UJS e companhia de provarem a todo custo que a UNE é democrática, o processo das eleições de delegados para o Congresso da UNE (ConUNE) começou com uma série de absurdos que comprovam que a direção imobilista da entidade segue ignorando o seu lema “A UNE somos nós!” e usando de todo tipo de manobra para manter os estudantes bem distantes da entidade. A democracia da UNE só existe nos posts de Instagram e nos textões da UJS que, de maneira oportunista, precisa tentar dar uma resposta para as organizações políticas e para os estudantes ao verem a verdade sendo escancarada!

Provando mais uma vez que estão dispostos a tudo para tentar manter seu poder sobre a UNE, em pouco mais de um mês de eleições já vimos de tudo: Critérios absurdos muito acima do regimento aprovado no Coneg foram estabelecidos para impedir a participação nas universidades, estudantes sendo perseguidos e assediados para se retirarem de chapas da oposição numa grande campanha de fake news, diversas impugnações impostas de maneira arbitrária sem direito a recurso e a completa submissão da CNECO aos interesses da direção majoritária da UNE, que delibera arbitrariamente e unicamente em favor desse setor. Até as eleições do novo Papa foram mais democráticas…

E na luta, cadê a UNE?

Muito após nossa denúncia na matéria “Crise Orçamentária na educação expõe contradições do Governo Lula” (A Verdade, nº 313) e com as diversas manifestações públicas das universidades, se tornou impossível esconder os impactos do decreto nº 12.448/2025, que cortava das universidades mais de 30% do orçamento mensal previsto pela Lei Orçamentária Anual aprovada em março, que já era insuficiente. Através da nossa pressão interna na diretoria da UNE, a executiva foi obrigada a se reunir (a terceira reunião em quase 2 anos de gestão) e convocar ações para o dia 29 de maio em defesa da educação pública e contra os cortes.

Apesar das tentativas de esvaziamento da mobilização por parte do setor imobilista em diversos estados, o dia 29 foi um recado de que os estudantes não irão se submeter à política econômica do governo que segue priorizando o pagamento da dívida pública e volumosos aportes ao agronegócio ao invés de cumprir com a promessa de campanha de valorizar e fortalecer a educação. Apesar da vitória parcial de recomposição orçamentária (apenas 400 milhões dos 2,5 bilhões necessários), conquistada pela pressão estudantil, a educação segue mobilizada para conquistar mais verbas que garantam a sobrevivência das nossas universidades.

O setor imobilista da UNE é tão submisso ao capital que agora defende que devemos nos contentar com a retirada da educação dos limites orçamentários impostos pelo arcabouço fiscal, demonstrando que, na verdade, são defensores da austeridade contra todo o povo. Ou seja, mantém-se os cortes nas áreas sociais para continuar entregando os cofres públicos aos banqueiros e bilionários de toda ordem. Não queremos apenas a “educação fora do arcabouço”, queremos o fim do arcabouço fiscal que segue submetendo os trabalhadores e a juventude no nosso país a condições precárias de vida!

A quem interessa o enfraquecimento do ME?

O Congresso da UNE deveria ser um importante momento de mobilização estudantil, de profundo debate de ideias e de apresentação das lutas como alternativa para a solução dos nossos problemas, inclusive em universidades onde a tradição de mobilizações ainda não está tão estabelecida.

Entretanto, enquanto a direção imobilista da UNE continuar perpetuando os mesmos atos antidemocráticos e golpistas, impedindo os estudantes e a oposição de participarem do processo, rasgando o regimento do Congresso e arbitrando sempre em seu favor, o resultado vai ser a desmobilização e o afastamento das lideranças das entidades de base dos espaços da UNE.

Enquanto isso, a direção real do movimento estudantil brasileiro se apresenta concretamente em eleições de Norte a Sul: vitória das chapas da oposição nas principais universidades públicas que são centros políticos do movimento estudantil; vitórias nas universidades pagas onde foi possível, através de muita pressão, ter chapas homologadas; expansão do trabalho e eleição de delegados mesmo onde perdemos as votações; núcleos organizados pelo Correnteza em novas Universidades toda semana; milhares de jornais A Verdade chegando na mão dos estudantes; novas lideranças do movimento estudantil sendo forjadas; e muito mais.

Além disso, temos vivenciado a verdadeira democracia em diversos processos conduzidos por nosso movimento: Garantia de voto secreto aos estudantes; possibilidade de acompanhamento dos trabalhos das comissões eleitorais por todas as chapas; critérios justos e igualitários para inscrição das chapas; campanhas construídas no debate político; etc. A prática é o critério da verdade, e o Correnteza, através da atuação nas entidades que constrói, tem dado provas mais do que suficientes de que é possível e urgente transformar a democracia da UNE!

A UNE precisa mudar!

Queremos que o estatuto e a história da UNE sejam respeitados! A direção imobilista rasgou o regimento da entidade ao aprovar eleições online, realizadas em sistemas que ferem a autonomia do ME já que, via de regra, são geridos pelas reitorias, para a votação dos delegados para este Congresso. Além disso, a proposta de reforma eleitoral apresentada para ser votada no ConUNE propõe a redução da proporção de delegados, atualmente um delegado para cada mil estudantes, para um delegado a cada dois mil estudantes. Essa mudança só pretende favorecer a artificialidade do Congresso já que diminui a representatividade de Universidades onde o movimento estudantil é pujante e ativo ao mesmo tempo em que não resolve o problema das mega universidades privadas que elegem centenas de estudantes em processos unilaterais sem participação da oposição da entidade.

Sabemos que essas não são batalhas fáceis, mas como a nossa tese já diz, quem vem com tudo não cansa, e a UNE de Honestino Guimarães, Helenira Resende e Sarah Domingues vale a luta!

Matéria publicada na edição impressa  nº314 do jornal A Verdade

Greve dos servidores da Cultura cobra Plano de Carreira

Servidores federais da Cultura estão em greve desde 29 de abril para pressionar o governo por um plano de carreira específico. A paralisação atinge autarquias como Ibram, Iphan, Biblioteca Nacional, Funarte e Fundação Palmares, com adesão em 22 estados.

Durcilene Silva | Rio de Janeiro (RJ)


TRABALHADOR UNIDO –  Os servidores federais ligados ao Ministério da Cultura (MinC) e suas autarquias (Ibram, Iphan, Biblioteca Nacional, Funarte e Fundação Cultural Palmares) estão em greve desde o dia 29 de abril, em luta por um plano de carreira. Desde o início da greve, o movimento tem ganhado força em todo o país, com adesão em 22 estados. A mobilização, marcada pelo lema “É greve porque é grave”, resultou em avanços significativos nas negociações pelo Plano de Cargos e Carreiras da Cultura (PCCULT) e obrigou o presidente Lula a se reunir com os servidores no último dia 20 de maio.

A mobilização pela criação de um Plano de Cargos e Carreiras específico para o setor começou em 2005, quando a categoria protagonizou a histórica “Greve de Cem Dias”. O fim da greve foi condicionado à concessão de uma gratificação “provisória”, a ser implementada em janeiro de 2006, além da aprovação do projeto que previa a implantação integral do plano até janeiro de 2007. No entanto, o acordo não foi cumprido no prazo. A não implementação total do plano levou a uma nova greve, em 2007, com duração de setenta e três dias.

Desde então, não houve avanços nos planos de carreira e a cultura segue em desvalorização e na mira dos cortes de gastos. Isso porque as políticas de todos os governos que passaram, e atualmente através dos ministros da Fazenda (Fernando Haddad, do PT) e do Planejamento e Orçamento (Simone Tebet, do MDB), priorizam o pagamento dos juros de amortizações da dívida pública. Em outras palavras, o orçamento público é usado para enriquecer meia dúzia de banqueiros, enquanto o povo não tem acesso a direitos básicos para sobrevivência e é negada a educação e cultura.

Essa negligência histórica impacta diretamente a qualidade das políticas públicas de cultura e muitos procuram outras atividades em busca de melhores condições e não conseguem prosseguir construindo uma carreira pública na área da cultura.

A implementação do Plano de Cargos e Carreiras da Cultura teria impacto de apenas 0,12% nas despesas com pessoal do Executivo Federal em 2025, e de 0,09% em 2026 – um percentual irrisório diante da relevância do setor para a economia e a sociedade.

Greve é o caminho

No dia 20 de maio, um grande ato organizado pelo comando de greve, com o apoio do Sindisep (RJ) e do MLC, marcou mais um capítulo importante da mobilização. O protesto ocorreu durante a cerimônia de entrega da Medalha do Mérito Cultural, realizada no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A reivindicação foi clara: a reestruturação imediata da Carreira da Cultura.

Apesar de não terem sido convidados para a solenidade que comemorava os quarenta anos do Ministério da Cultura, as servidoras e os servidores compareceram em peso ao local. Vieram caravanas de diversos estados – São Paulo, Paraná, Maranhão, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Brasília – e de cidades fluminenses, como Petrópolis e Paraty.

O ato foi vitorioso ao reafirmar a legitimidade da pauta da categoria e a importância da mobilização nacional. Mais do que uma reivindicação salarial, trata-se da luta por reconhecimento, estrutura e dignidade para os servidores. O presidente Lula foi obrigado, depois de mais de um mês de greve, a receber representantes dos servidores que puderam finalmente entregar uma carta com sua pauta de reivindicações.

A organização da categoria tem se mostrado fundamental para dar visibilidade à pauta, pressionar o governo e fortalecer a unidade dos trabalhadores. A mobilização continuará até que seja conquistado um plano de carreira justo, que reconheça o valor do trabalho desses profissionais.

Matéria publicada na edição impressa  nº314 do jornal A Verdade