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sábado, 11 de abril de 2026
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Centenário de Elizabeth Teixeira reúne milhares de apoiadores da Reforma Agrária

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Em festival realizado no centenário da histórica líder camponesa Elizabeth Teixeira, um representante da Comissão Pastoral da Terra denunciou: “É preciso mostrar com orçamento, com política, que vai se realizar o sonho de João Pedro Teixeira. O Governo Federal está apaixonado pelo agronegócio. É preciso continuar a marcha contra o latifúndio”.

Redação PB


Nos dias 13, 14 e 15 de fevereiro, aconteceu na cidade de Sapé (PB) mais uma edição do Festival Cultural da Memória Camponesa, desta vez, no centenário da grande militante pela reforma agrária, Elizabeth Teixeira. O evento reuniu representações nacionais, estaduais e municipais e delegações de outros estados, que vieram prestigiar a luta das Ligas Camponesas na Paraíba.

O evento teve o seu início com a inauguração da exposição “100 faces de uma Mulher Marcada para Viver”, realizada na sede do Memorial das Ligas e Lutas Camponesas, antigo lar do João Pedro e Elizabeth Teixeira, no povoado de Barra de Antas, na Zona Rural de Sapé, honrando a memória e a luta com diversos registros fotográficos, audiovisuais e escritos que mostram um pedaço da história das lutas na região. O dia se encerrou com o “Parabéns para Elizabeth”, celebrando seu centenário de vida ao lado de sua família.

No segundo dia, houve o lançamento de obras que homenageiam a trajetória da luta camponesa e a preservação da memória, como os livros “Eu marcharei na sua luta” e “Memória Camponesa”, além do acervo digital do Memorial das Ligas e Lutas Camponesas (MLLC). Fundado em 2006, e considerado como museu e ponto de cultura, é um espaço que ajuda a preservar a memória e história de lutas travadas naquela região. “Neste momento, ocupar o latifúndio do saber, apresentando essas belíssimas produções que materializam nossa memória, tendo possibilidade de chegar a tantas outras pessoas, é muito importante”, afirmou Alane Silva, presidenta do Memorial.

À tarde, em frente à Praça da Comunidade Tradicional da Barra de Antas, sindicatos, estudantes, movimentos sociais e partidos se reuniram para participar da “Marcha da Memória Camponesa”. Bandeiras das ligas camponesas e chapéus de palha tomaram conta das ruas para homenagear e celebrar a importante conquista de desapropriação do latifúndio da região, após 28 anos de muita cobrança e luta. O latifúndio dará nome ao assentamento Elizabeth Teixeira.  A marcha se encerrou em um expressivo ato cultural, homenageando a história e os símbolos presentes na caminhada.

O terceiro e último dia aconteceu na Praça de Eventos de Sapé, com uma feira de agricultura familiar camponesa reunindo mais de 10 mil pessoas. João Pedro Stédile, dirigente nacional do MST, relembrou os anos de repressão durante a ditadura militar fascista em nosso país: “Segundo relatos da Comissão da Anistia, foram mais de 700 camponeses assassinados entre 1964 e 1968 no Nordeste. Alguns, os donos de usinas até passaram o trator por cima. Essa memória é condenada ao esquecimento, uma vez que era proibido falar em Ligas Camponesas”.

O ato político, à tarde, foi um momento de grande agitação em torno da pauta da reforma agrária. Carlos Lima, dirigente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), denunciou: “É preciso mostrar com orçamento, com política, que vai realizar o sonho de João Pedro Teixeira. O Governo Federal está apaixonado pelo agronegócio. É preciso continuar a marcha contra o latifúndio”.

História de resistência

João Pedro Teixeira foi assassinado a tiros de fuzil em 02 abril de 1962, à beira da estrada, próximo a Sapé, quando voltava para casa, regressando de João Pessoa, levando cadernos e livros para seus filhos. O crime foi encomendado por um grupo de latifundiários locais. Em 1964, o cineasta Eduardo Coutinho iniciou as filmagens do documentário “Cabra Marcado para Morrer”, que contaria a história de João Pedro, no entanto, as filmagens foram interrompidas pelo golpe militar. O documentário somente foi finalizado e lançado em 1984. Hoje, seu nome está gravado no Livro dos Heróis da Pátria.

Elizabeth, então, reforça sua atuação nas Ligas Camponesas e tem que cuidar sozinha dos 11 filhos do casal. Com o Golpe de 1964, teve sua casa incendiada e foi presa diversas vezes, até entrar para a clandestinidade. Este período durou 18 anos, vivendo no interior do Rio Grande do Norte com outro nome e com apenas um de seus filhos, pois foi obrigada a deixar os demais para que outras famílias cuidassem. Atualmente, reside na capital paraibana, João Pessoa.

Matéria publicada na edição impressa nº 308 do jornal A Verdade

Saque imperialista leva guerra civil ao Congo

Neste início de ano, o conflito na República Democrática do Congo se aprofundou, com 8 mil mortes em dois meses. Por trás da crise, está a luta acirrada dos monopólios da mineração e potências imperialistas, com o apoio de Ruanda, pelos vastíssimos recursos minerais congoleses.

Felipe Annunziata e Guilherme Arruda | Redação


A atuação das potências imperialistas no território da República Democrática do Congo, também conhecido como Congo Democrático, vem aprofundando o cenário de guerra civil no país. Com centenas de milhares de mortos e pelo menos sete milhões de deslocados, a crise na nação africana não encontra um fim há quase 30 anos.

Desde 2022, o conflito se reacendeu, e um grupo rebelde armado denominado M23 [1] enfrenta tropas do governo nas províncias do leste do país. No último mês, o grupo capturou duas capitais de província e avança rapidamente com apoio do regime de Ruanda, país vizinho ao Congo. Os rebeldes controlam grandes jazidas de minerais raros, que contrabandeiam para o território ruandês e para os grandes monopólios de mineração internacionais. Os combates se concentram na região de Kivu, extremamente rica em recursos estratégicos, como lítio, titânio e cobalto.

Ao que tudo indica, Ruanda deseja que o M23 controle a área para ser a principal beneficiária da venda desses recursos, tornando-se o maior parceiro comercial do imperialismo e das grandes mineradoras na região. Um forte indício desse plano foi a assinatura de um acordo entre o governo de Ruanda e a União Europeia, em 19 de janeiro de 2024, um Memorando de Entendimento [2], cujo objetivo é facilitar a exploração de minerais raros sob controle do país.

Espoliação colonial

O Congo é uma vítima histórica da ganância das potências imperialistas. Rico em uma série de recursos minerais, terras férteis e enorme biodiversidade, o país foi vítima da colonização belga no século 20. Ali, foi imposto um dos regimes mais cruéis da história do colonialismo, onde pessoas eram escravizadas, torturadas, mutiladas e grupos étnicos inteiros foram exterminados. Historiadores estimam que até 13 milhões de congoleses foram mortos pela monarquia da Bélgica.

Sob a liderança do revolucionário Patrice Lumumba [3], um movimento anticolonial conquistou a independência do país em 1960. Porém, em represália a sua posição internacionalista e contrária ao imperialismo, Lumumba foi assassinado por militares belgas e estadunidenses em 1961.

Após a queda de Lumumba, os interesses imperialistas impuseram uma ditadura pró-Ocidente liderada pelo general Mobutu, que só saiu do poder em 1997. A queda de Mobutu deu origem a uma guerra em que quase dez países da região ocuparam partes do Congo, aproveitando-se da fragmentação.

Em 1999, com a justificativa de trazer estabilidade à região em conflito, a ONU estabeleceu no Congo uma das suas chamadas “missões de paz”, reunindo militares de mais de uma dezena de países. Essas tropas estão no país até hoje, sem tê-lo pacificado ou reunificado completamente. Na realidade, a presença dos chamados “capacetes azuis” [4] contribuiu para a intensificação da exploração dos recursos minerais do Congo nas áreas controladas pelo governo, mantendo o país em uma situação de subordinação neocolonial.

Crimes do imperialismo

A situação no Congo tem piorado a cada dia. Massacres com centenas de mortos e crimes sexuais são registrados em diversas províncias. A interferência de Ruanda hoje cumpre um papel de defesa dos interesses do imperialismo ocidental e das grandes mineradoras no país, apesar de oficialmente todas as potências do Conselho de Segurança da ONU condenarem a agressão ruandesa.

Ruanda, que também foi vítima de uma longa guerra civil e um genocídio na década de 1990, hoje tem um governo a serviço dos grandes monopólios, buscando o controle das exportações de minerais raros em troca do enriquecimento de uma elite milionária. Além disso, o país já responde por 30% das exportações mundiais de tungstênio, mineral importante na indústria de munições e ligas metálicas para uso militar.

No Congo, o governo de Ruanda busca agora controlar, em associação com monopólios da mineração europeus, canadenses e australianos, a produção dos chamados minerais raros, importantes na produção de baterias e chips para aparelhos eletrônicos. Por isso, o país financia e arma o grupo rebelde M23, mandando, inclusive, tropas para intervir nas batalhas entre o Estado congolês e os rebeldes.

Apesar de não estarem envolvidos na guerra diretamente, os imperialismos europeu e estadunidense buscam nos bastidores se apoiar na divisão interna do Congo Democrático. Isto porque a influência chinesa e russa tem crescido cada vez mais naquela região do mundo.

A China já é responsável pelos principais investimentos em infraestrutura em praticamente todos os países da África Central, mais notadamente em Angola, com quem o Congo Democrático compartilha sua maior fronteira. A Rússia, por sua vez, ampliou a atuação do Grupo Wagner [5], especialmente na República Centro-Africana, que está na fronteira norte do Congo.

Esta situação geopolítica, alinhada à carência de infraestrutura do Congo, que encarece a exploração mineral, coloca Ruanda na posição de principal aliado da União Europeia e dos EUA na região. Através de Ruanda, do grupo rebelde M23 e das tropas da ONU, o imperialismo consegue manter o território congolês dividido, facilitando a exploração de seu povo.

São conhecidas as denúncias de escravização de milhares de congoleses, principalmente crianças, pelo setor da mineração. Segundo a Unicef, pelo menos 40 mil crianças são exploradas nas minas de cobalto no sul do país, em nome do lucro de empresas como a Apple, Google e Tesla. É para manter este estado de superexploração que essa guerra se mantém por tanto tempo.

General brasileiro chefia missão

No último dia 08 de fevereiro, desembarcou na África o general brasileiro Ulisses de Mesquita Gomes, que assumiu o comando da missão da ONU no Congo.

Dois dias antes, o general Ulisses recebeu dos Estados Unidos a condecoração da “Legião do Mérito” por sua conduta no cargo de Adido Militar do Brasil nos EUA, em uma cerimônia em que o governo norte-americano ressaltou “os fortes laços bilaterais entre os Exércitos dos Estados Unidos da América e do Brasil”.

A chegada de um oficial brasileiro intimamente ligado ao imperialismo norte-americano e que se envolveu na estruturação da missão das Nações Unidas no Haiti, onde o Exército Brasileiro cometeu uma série de crimes, permite entender os limites das “missões de paz” da ONU e a necessidade de uma saída revolucionária dos povos para pôr um fim à crise congolesa.

Não é coincidência que muitos dos oficiais brasileiros que participaram ou mesmo comandaram a missão no Haiti, que até hoje não se recuperou das sucessivas intervenções imperialistas, tenham se tornado aliados de primeira hora do fascista Jair Bolsonaro, como o general Augusto Heleno e o capitão Tarcísio de Freitas.

Não queremos que o Congo se torne palco de atrocidades cometidas por qualquer outra nação, muito menos pelo Brasil. A manutenção da ordem mundial imperialista depende dessas guerras, genocídios, intervenções armadas que se espalham pelo mundo. Por isso, é preciso ampliar a denúncia no Brasil das atrocidades do imperialismo no Congo Democrático e rechaçar a conivência do Exército brasileiro com tais crimes contra a humanidade.

Matéria publicada na edição impressa nº 308 do jornal A Verdade


NOTAS

  1. Movimento 23 de Março – Exército Revolucionário Congolês é um grupo militar rebelde liderado por congoleses do grupo étnico tutsi e apoiado pelo governo de Ruanda, sancionado pelos EUA e pela ONU.
  2. O acordo trata sobre as cadeias de valor de matérias-primas sustentáveis, fazendo com que a UE tenha acesso a essas riquezas em troca de 900 milhões de euros.
  3. Patrice Lumumba foi um dos maiores expoentes das lutas anticoloniais do século 20 e liderou a independência da República Democrática do Congo.
  4. Nome pelo qual são conhecidas as tropas multinacionais que servem nas Forças de Paz da ONU para a resolução de conflitos internacionais.
  5. Exército de milhares de mercenários recrutados nas prisões e tropas de choque da Rússia e de outros países.

Prisão para os golpistas de ontem e de hoje!

A impunidade de crimes cometidos pelo Estado ao longo da história brasileira, desde a escravização até a ditadura militar, fortalece aqueles que hoje atentam contra a democracia. Garantir memória, verdade e justiça é essencial para responsabilizar os golpistas do passado e os de hoje.

Vivian Mendes | Diretório Nacional da UP


SOCIEDADE – No dia 14 de fevereiro, o Supremo Tribunal Federal (STF), em sessão plenária, reconheceu a “repercussão geral” sobre um recurso que deve ser julgado e que contesta se a Lei da Anistia de 1979 contempla ou não os crimes de ocultação de cadáveres cometidos pelo Estado durante a ditadura militar.

O Tribunal foi provocado a partir de um caso concreto: a denúncia do Ministério Público Federal do Pará, apresentada em 2015, contra os tenentes-coronéis do Exército Lício Augusto Ribeiro Maciel e Sebastião Curió Rodrigues de Moura, acusados de matar e ocultar os cadáveres de militantes na Guerrilha do Araguaia.

Reconhecer a “repercussão geral” significa que o STF vai julgar a matéria de fundo debatida no recurso e a decisão deve ser seguida pelas demais instâncias do Poder Judiciário em casos semelhantes. Ou seja, se o Tribunal julgar que a ocultação de cadáver não é um crime protegido pela Lei de Anistia, os agentes do Estado poderão, enfim, ser responsabilizados por algumas das atrocidades que cometeram contra o nosso povo.

A tese apresentada pelo ministro Flávio Dino é de que ocultação de cadáver é um crime continuado, que não se encerrou, já que se mantém a omissão do local onde se encontra o cadáver e o impedimento dos familiares de exercerem seu direito ao luto.

Mas essa não é a primeira vez que a aplicação da Lei da Anistia no Brasil é questionada. Em 2010, a Corte Interamericana de Direitos Humanos condenou o Brasil no caso “Gomes Lund e outros” – conhecido como Caso Araguaia. O Tribunal Internacional determinou, entre outras coisas, que o Brasil investigasse, processasse e punisse os agentes de Estado envolvidos nos crimes e que localizasse os restos mortais dos desaparecidos políticos. A condenação questiona a aplicação da Lei de Anistia brasileira para os crimes cometidos pelo Estado, não reconhecendo “autoanistia” de um regime autoritário.

É importante lembrar que a Lei da Anistia, promulgada em 1979, é resultado de uma luta popular e profunda na sociedade brasileira daquele período. Porém, sua aplicação não foi ampla, geral e irrestrita como nós defendemos na época. Vários militantes presos e exilados, acusados do que o Estado classificou como crimes “de sangue”, não foram contemplados por ela e continuaram presos ou não puderam voltar ao país. Por outro lado, sua interpretação distorcida permitiu que os crimes cometidos pelo Estado ditatorial e seus agentes fossem perdoados, situação que sequer é citada na lei.

Punição aos golpistas

O fato é que, tanto os crimes continuados quanto os demais cometidos pelo Estado fascista e autoritário durante a ditadura militar – como torturas, sequestros e assassinatos – são graves violações de direitos humanos e crimes de lesa-humanidade. Por isso, são imprescritíveis e não podem ficar impunes.

Os golpistas de hoje, que buscam anistia de seus crimes atuais contra a democracia, são a herança de uma sociedade construída sobre a impunidade dos crimes cometidos pelo Estado, desde a escravização e genocídio dos povos negros e originários, passando pelas ditaduras, e perpetuando-se nos dias atuais.

Nos cabe a tarefa de levantar bem alto a bandeira por memória, verdade e justiça. Só a luta nos permitirá alcançar a resposta de “onde estão nossos desaparecidos políticos” e colocará os generais golpistas, de ontem e de hoje, atrás das grades.


Matéria publicada no jornal A Verdade impresso edição nº308

Fábrica brasileira aumenta exploração de seus operários para abastecer Exército de Israel

Enquanto lucra com a guerra, a CBC enfrenta denúncias de más condições de trabalho e baixos salários em sua fábrica de Ribeirão Pires (SP), onde operários relatam exploração e cortes em benefícios.

Sophia Manzano e Redação SP


BRASIL – Fundada em 1926, a (CBC) é a maior produtora de armas e munições do Brasil e possui praticamente o monopólio do setor no país. Atualmente, a CBC é a maior fornecedora de munição para as Forças Armadas Brasileiras e tem crescido sua produção para abastecer exércitos e milícias pelo mundo.

Durante sua história, a companhia comprou empresas do mesmo ramo na Alemanha, Bélgica e República Tcheca, além de estabelecer centros de distribuição em potências como os EUA e a própria Alemanha. Na década de 1960, com o aumento da exportação para os EUA, a CBC chegou a exportar 1,5 milhão de armas em apenas um ano.

Destino da produção

A empresa é hoje uma das maiores fabricantes de calibres de armas curtas do mundo. Além de produzir armas para todo o Brasil, exporta para mais de 65 países (70% da sua produção). Segundo Paulo Ricardo Gomes, diretor Comercial & Marketing da companhia, os conflitos imperialistas que têm se alastrado pelo mundo, como na Ucrânia e na Palestina, têm representado um “crescimento na demanda”, principalmente de munições de pequenos calibres. Ainda segundo o diretor, “os próprios países membros da Otan estão se reorganizando em questões bélicas”. 

A relação entre a empresa e os conflitos internacionais é antiga. Há décadas, as munições da CBC são utilizadas por membros da Otan. Seus cartuchos foram utilizados em conflitos como Guerra da Bósnia (1992 – 1995), Guerra do Kosovo (1998 – 1999), Guerra do Afeganistão (2001 – 2021), Guerra do Iraque (2004), Guerra Civil na Líbia (2011), conflitos no Oriente Médio e, mais recentemente, na guerra na Ucrânia e no genocídio do povo palestino. 

O que o passado e o presente nos mostram é que, para uma empresa como a CBC, as guerras imperialistas, os genocídios e massacres que se espalham pelo mundo são oportunidades de expandir seu mercado e enriquecer cada dia mais seus acionistas. 

Isso fica claro quando, em respostas ao aumento dos conflitos no mundo e a ameaça de uma terceira guerra mundial, a companhia se organiza para aumentar em 30% sua produção até junho deste ano.

Exploração dos trabalhadores 

A empresa alega estar em crise, com a diretoria dizendo que este será um ano difícil economicamente, porém aumenta sua produção com o desenvolvimento dos conflitos e invasões pelo mundo. 

Enquanto isso, ao realizar a venda do jornal A Verdade para os trabalhadores na porta da empresa, nossos brigadistas recebem denúncias sobre as péssimas condições de trabalho e os baixos salários. 

Os trabalhadores da CBC produzem tudo, mas os patrões ignoram sua saúde. Os 2.500 operários denunciam a péssima qualidade do convênio médico disponibilizado pela empresa, além da falta de áreas dignas de descanso e jornadas exaustivas, incluindo nos turnos da madrugada.

Enquanto as vendas de armas e munições crescem vertiginosamente, os donos da CBC retiram direitos dos trabalhadores e veem seus lucros aumentarem com o assassinato de milhares de pessoas no Brasil e no mundo.

Na unidade de Ribeirão Pires (SP), mesmo atingindo quase 100% da meta de produção, a empresa ofereceu uma Participação nos Lucros R$ 400 menor que o acordado, economizando cerca de R$ 1 milhão para os acionistas. Fica evidente: a exploração abusiva dos operários serve apenas para enriquecer os patrões.

A verdade é que a luta contra o imperialismo é a mesma luta contra a exploração e a violência enfrentada pelos trabalhadores em nosso país. As armas e munições brasileiras, produzidas a partir da exploração dos nossos trabalhadores, matam crianças na Palestina e também assassinam diariamente jovens nas periferias do nosso país.

Por isso, é fundamental estarmos nas portas das fábricas, apresentando o jornal A Verdade, ouvindo as denúncias dos trabalhadores e convocando-os para se organizarem na luta por uma sociedade socialista, que acabe a promoção de guerras e na qual os direitos dos trabalhadores sejam garantidos verdadeiramente, com salários dignos, redução das jornadas de trabalho e a produção seja feita para atender as necessidades do povo.


Matéria publicada no jornal A Verdade impresso edição nº308

Exploração de petróleo representa um risco para a Amazônia

A exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas avança em meio a pressões políticas e riscos ambientais. O Ibama sofre pressão para liberar a licença, apesar de falhas nos planos de emergência.

Denily Fonseca | Belém (PA)


BRASIL – Na majestosa Foz do Rio Amazonas, onde há um espetáculo de biodiversidade, uma sombra se aproxima: a exploração do petróleo. Este rico ecossistema, que abriga uma infinidade de espécies e sustenta comunidades tradicionais, está sob ameaça. A corrida pelo ouro negro, impulsionada por interesses capitalistas, levanta questões profundas sobre a justiça social e ambiental.

A estratégia do governo e da Petrobras de rebatizar a região como “Margem Equatorial” não é inocente. Trata-se de um conluio para desfazer a conexão direta com a Amazônia. Enquanto o termo “Foz do Amazonas” recorda imagens de biodiversidade única, “Margem Equatorial” soa técnico e genérico, facilitando a aceitação de um projeto que promete lucros bilionários para poucos e destruição para muitos, sob o manto do “desenvolvimento responsável”. 

Pressão sobre o Ibama

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) virou alvo de ataques de parlamentares ligados aos ricos, sofre pressão do novo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e do próprio Governo Federal, que busca manter suas alianças. Lula criticou publicamente o “lenga-lenga” do órgão, pressionando por uma licença rápida para a Petrobras, mesmo com lacunas nos planos de emergência para vazamentos. A petrolífera, que inicialmente propôs uma base de resposta a acidentes a 870 km da área de exploração, só após pressões apresentou um projeto a 150 km, ainda insuficiente para evitar desastres em correntes marítimas intensas.  

A justificativa de que o petróleo financiará a “transição energética” é uma cortina de fumaça. Enquanto os países afirmam que discutirão o fim dos combustíveis fósseis e a transição energética na COP 30, que será realizada em Belém do Pará, em novembro, os grandes acionistas do petróleo planejam abrir uma nova fronteira de exploração, contradizendo os compromissos climáticos. “Não há problema em explorar petróleo enquanto falamos de clima”, diz o presidente da COP 30, André Corrêa do Lago.

Em discurso no Amapá, o presidente Lula defendeu: “Enquanto Suriname e Guiana ficam ricos, nós vamos comer pão com água?”. Contudo, tanto lá quanto aqui, a riqueza gerada pelo petróleo raramente chega ao povo. Dizem ainda que a exploração trará “emprego e dignidade” aos 28 milhões de amazônidas, porém, com a Usina de Belo Monte, prometeram progresso e entregaram caos social e ambiental.

Enquanto o povo amapaense sofre pagando a 10ª conta de luz mais cara do país, um navio-sonda da Petrobras gasta R$3 milhões por dia parado no mar, aguardando licença para perfurar a costa da Amazônia. O bloco FZA-M-59, cobiçado pela estatal, promete até 14 bilhões de barris de petróleo, mas também ameaça extinguir botos, peixes-boi e corais únicos no planeta, com potencial de gerar enorme desiquilíbrio na natureza. Para os ruralistas, políticos e executivos de terno, é o “novo pré-sal”. Para as comunidades tradicionais, é mais um capítulo de um genocídio anunciado.

Vejamos bem, a Petrobras reservou R$ 3 bilhões para perfurar 16 poços na região, enquanto só 11% de seus investimentos são em energias limpas. As empresas TotalEnergies e BP já fugiram do projeto, deixando o risco ambiental para o Brasil. Mesmo com a aposta no ambicioso projeto, a ciência é clara: a Amazônia pode entrar em colapso em 25 anos se o desmatamento e a exploração continuarem. O mundo precisa reduzir o consumo de petróleo em 60% até 2030, mas os bilionários insistem em cavar mais poços. 

De fato, como vimos, os grandes conglomerados petrolíferos, representados por super-ricos e que acumulam fortunas astronômicas, veem na Amazônia uma oportunidade de lucro sem precedentes. No entanto, essa busca desenfreada por recursos naturais ignora a vida dos povos tradicionais e o meio ambiente. Comunidades ribeirinhas e indígenas, que dependem da terra e das águas para sua sobrevivência, enfrentam a devastação de seus lares e modos de vida. A exploração do petróleo não é apenas uma questão econômica; é uma questão de direitos humanos.

Lutar pela Amazônia e pelo socialismo

Nesse sentido, o sistema capitalista, que prioriza o lucro acima de tudo, se revela como um verdadeiro vilão nessa história. A lógica de maximizar ganhos para poucos, enquanto muitos sofrem as consequências, é insustentável. A aliança entre governos e empresários ricos, que prometem desenvolvimento e progresso, resulta em promessas vazias e em um aumento da desigualdade na Amazônia. O que se vê é a concentração de riqueza nas mãos de poucos, enquanto as comunidades locais são deixadas à mercê da degradação ambiental e da exploração.

A solução para essa crise não está em fazer alianças com os poderosos, mas em repensar o modelo econômico que rege nossas vidas. É hora de construir um novo caminho, onde o socialismo se apresenta como uma alternativa real para o nosso povo. Um sistema que priorize o bem-estar coletivo, a justiça social e a preservação ambiental. Um modelo que valorize a vida e a dignidade humana acima do lucro.


Matéria publicada no jornal A Verdade impresso edição nº308

Forças Armadas devem ser responsabilizadas pelo golpe de Bolsonaro

Generais do Alto Comando fizeram de tudo para que o ex-capitão chegasse à Presidência da República, deram sustentação ao seu governo e participaram da conspiração para dar um golpe de Estado e impor nova ditadura militar no Brasil. Não podem ficar impunes.

Heron Barroso | Redação


EDITORIAL – Passados mais de dois anos desde o 08 de janeiro de 2023, Jair Bolsonaro e outras 33 pessoas foram, enfim, denunciados pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao Supremo Tribunal Federal (STF) por conspirarem para dar um golpe de Estado, anular o resultado das eleições de 2022 e impor uma nova ditadura militar fascista no Brasil.

A maioria dos acusados são militares de alta patente, entre eles, os generais Braga Netto, Augusto Heleno, Estevam Theophilo, Mário Fernandes e Nilton Rodrigues, o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira e o ex-comandante da Marinha Almir Garnier Santos. Com tantos oficiais graduados assim, fica difícil acreditar que as Forças Armadas não soubessem desde o início da trama golpista. Mas, apesar disso – e contra todas as evidências – o procurador-geral da República, Paulo Gonet, responsabilizou apenas individualmente os militares envolvidos, livrando a barra da instituição.

Não há dúvidas de que processar e punir o ex-capitão e seus cúmplices é, por si só, um duro golpe contra o fascismo. Mas isso não pode servir de justificativa para que as Forças Armadas passem, mais uma vez, impunes e que nada seja feito para impedir que continuem conspirando contra as liberdades democráticas conquistadas com tanta luta pelo povo brasileiro. Esse erro já foi cometido no passado, e agora estamos pagando seu preço.

O golpe era militar

Não é possível separar Bolsonaro das Forças Armadas. Durante os quatro anos em que foi presidente, os generais deram sustentação ao seu governo. Os militares ocuparam mais de sete mil cargos, comandaram ministérios e estatais, apoiaram o negacionismo na pandemia, foram omissos com a destruição da Amazônia e não passaram um dia sequer sem fazer ameaças de que não iriam reconhecer o resultado das eleições caso seu candidato não fosse o vitorioso.

Quando, finalmente, o ex-capitão foi derrotado nas eleições de 2022, a cúpula das Forças Armadas começou a organizar o plano para dar um golpe de Estado, como provaram as investigações da Polícia Federal. Ao todo, foram realizadas 14 reuniões entre o então presidente e os comandantes das Forças Armadas para discutir o golpe. Em quatro desses encontros, estiveram os comandantes das três forças juntos (Exército, Marinha e Aeronáutica). O general Freire Gomes, então comandante do Exército, esteve reunido com Bolsonaro 12 vezes.

Como parte do plano para desacreditar o resultado da votação, em novembro de 2022, após o segundo turno das eleições, o Ministério da Defesa entregou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) um relatório sobre as urnas eletrônicas, feito pelas Forças Armadas, que não encontrou nenhum sinal de fraude no processo eleitoral. Na época, o então ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, divulgou nota onde afirmava que, embora o relatório não tivesse achado nenhuma irregularidade no sistema de votação, ele não havia eliminado a possibilidade de que fraudes pudessem ser cometidas.

Essa armação, segundo depoimento à Justiça dado pelo ex-ajudante de ordens de Bolsonado, o tenente-coronel Mauro Cid, “se deu exclusivamente pela determinação e insistência” do então presidente Jair Bolsonaro. Segundo a PGR, o objetivo do ex-capitão era “evitar que a mensagem final sobre o processo eleitoral fosse positiva”.

No dia seguinte à divulgação da nota sobre o relatório de fiscalização das urnas, bandos fascistas pedindo intervenção militar começaram a se reunir em frente aos quartéis, com a permissão e apoio das Forças Armadas. Os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica chegaram mesmo a assinar uma nota pública chamando esses acampamentos de “manifestações populares”. Mais uma vez, segundo a PGR, a nota foi escrita por ordem de Bolsonaro. O então presidente sabia que “a mensagem seria recebida por seus apoiadores como sinal de concordância das Forças Armadas aos acampamentos espalhados pelo país”.

Diante de tantas evidências, como ainda duvidar do envolvimento das Forças Armadas no planejamento e execução do golpe, que previa, entre outras coisas, matar o presidente eleito e seu vice, sequestrar um ministro do STF e anular o resultado das eleições?

Essas mesmas Forças Armadas realizaram ao longo da História vários golpes militares e foram responsáveis pela tortura e assassinato de centenas de revolucionários, verdadeiros patriotas e democratas, como Manoel Lisboa, Manoel Aleixo, Rubens Paiva, Sônia Angel e Anatália Alves, entre tantos outros.

Foi apenas depois que esse novo golpe deu errado e que perceberam que poderiam acabar na cadeia, que seus comandantes admitiram conhecimento do plano terrorista.

O ex-comandante do Exército, general Freire Gomes, jura que tentou convencer Bolsonaro a não ir adiante e que chegou, inclusive, a avisar ao então presidente que, se ele atentasse contra o regime democrático, seria obrigado a prendê-lo. Ora essa! E por que não prendeu? Quem ele quer enganar com essa conversa pra boi dormir?

Os fascistas e seus defensores dizem agora que são vítimas de perseguição política e que não há mais liberdade no Brasil. Vão em caravana aos Estados Unidos beijar a mão de seu amo Trump e pedir que interceda por eles. Temem, como o diabo foge da cruz, passar o resto dos seus dias na cadeia.

Bem, senhores fascistas, como estamos em época de Carnaval, deixemos que a grande Beth Carvalho lhes responda: “Chora, não vou ligar / Não vou ligar / Chegou a hora, vais me pagar / Pode chorar, pode chorar / Mas chora!”.

Além de golpista, ladrão

Voltando às Forças Armadas brasileiras… Sua dignidade é tão pequena que elas se prestaram ao papel de servir de contrabandista do ex-capitão no esquema criminoso de enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro montado pelo fascista Jair Bolsonaro.

Segundo a Operação “Lucas 12:2” (“Mas nada há encoberto que não haja de ser descoberto; nem oculto, que não haja de ser sabido”), Bolsonaro desviou joias e outros bens de valor recebidos em viagens oficiais e os vendeu ilegalmente fora do país.

O principal operador do esquema era o ajudante de ordens da Presidência, o tenente-coronel do Exército Mauro Cid. Em depoimento, ele confirmou que pelo menos R$ 1 milhão foi arrecadado e entregue em mãos ao ex-presidente.

A certeza da impunidade era tão grande que os envolvidos falavam abertamente da falcatrua em trocas de mensagens. Numa delas, o também coronel Marcelo Câmara, assessor de Bolsonaro, explica para seu colega que o Gabinete Adjunto de Documentação Histórica havia informado ser necessário aviso prévio para a venda de bens destinados ao acervo privado do ex-presidente. Cid, então, lamenta: “Só dá pena pq estamos falando de 120 mil dólares. Hahaaahaahah” (sic).

Agora que a casa caiu, Mauro Cid se faz de arrependido. “Tem gente que não perdeu nada. Eu não. Perdi tudo que eu tinha. A família está vendendo os imóveis. Eu não tenho minha carreira mais”, disse durante depoimento.

Em um dos áudios interceptados pela Polícia Federal, Cid reclamava que “todos se deram bem, ficaram milionários”, referindo-se a Bolsonaro e aos militares envolvidos nas investigações sobre a tentativa de golpe de Estado. “Não vou dizer que me senti abandonado de alguma forma. Mas, obviamente, eu tava falando do presidente Bolsonaro, que ganhou Pix, aqueles negócios todos. Falo também dos generais porque todo mundo que tá envolvido tá na reserva. Todo mundo envolvido na investigação está na casa dos seus 60 anos, seus 70 anos, atingiu todos os seus objetivos de vida e, no meu caso, não. Eu não. Eu perdi tudo”.

Cadeia para Bolsonaro!

Não podemos ter pena de fascista! Eles enchem a boca para falar em pátria e família, mas a pátria deles é a corrupção, são as chacinas nas favelas, o orçamento secreto, é atacar as eleições, matar os povos indígenas, roubar joias e decretar sigilo de 100 anos sobre tudo isso.

Enquanto o Brasil foi governado por essa corja, milhões de famílias amargaram a falta de moradia digna, o povo sofreu sem remédios e assistência médica e 33 milhões de brasileiros ficaram sem ter o que comer todos os dias.

Precisamos ir às ruas exigir a prisão imediata de Bolsonaro e de seus generais fascistas e que medidas firmes sejam tomadas para impedir que os golpistas continuem atuando livremente, começando por colocar na reserva o Alto Comando das Forças Armadas, desmilitarizar as polícias, confiscar os bens dos empresários que financiaram o golpe e fechar seus canais de mentiras na internet.

Somente com coragem e sem conciliação, a luta contra o fascismo será decidida a favor da classe trabalhadora. Nesse dia, cantaremos novamente “Eu vou festejar, vou festejar! / O teu sofrer, o teu penar”.


Matéria publicada no jornal A Verdade impresso edição nº308

A campanha pela creche e a libertação da classe trabalhadora

A falta de acesso à creche impacta diretamente mães trabalhadoras, que dependem desses serviços para conciliar emprego e cuidado com os filhos. Diante desse cenário, o Movimento Olga Benario mobiliza campanha para ampliar o direito à creche, reivindicando mais vagas e melhores condições para a educação infantil.

Nana Sanches | Coordenação Nacional do Movimento Olga Benario


MULHERES – Para o sistema capitalista, a classe trabalhadora é vista como um número, como estatística. Para a burguesia, é necessário manter uma massa de trabalhadores reproduzindo capital, vendendo seu trabalho em troca de um salário, que, na maioria das vezes, não cobre as necessidades de uma família. Por isso que, há décadas, a classe trabalhadora luta por direitos e políticas públicas que garantam melhores condições de vida para nós e nossos filhos. 

Para as mulheres, essa luta é ainda maior, já que, na maioria dos lares, elas são as responsáveis por cuidar dos filhos e ainda fazer o trabalho doméstico. Para conseguir cumprir tudo isso, as mulheres trabalhadoras precisam de serviços públicos que garantam que seus filhos estejam em boas condições enquanto elas trabalham. 

Assim, as mulheres cumprem um papel fundamental na sociedade: são responsáveis pela reprodução de trabalhadores. Neste sentido, a educação cumpre o papel de formar a classe trabalhadora para que ela possa assumir seu posto de trabalho quando adulta, garantindo a troca de trabalhadores entre uma geração e outra sem que haja interrupção. Parte desta educação é realizada pelas mulheres.

Contudo, o estudo “Levantamento Nacional Retrato da Educação Infantil no Brasil: acesso e disponibilidade de vagas”, divulgado pelo Ministério da Educação em agosto de 2024, mostra que mais de meio milhão de crianças brasileiras, aproximadamente 633 mil, não têm acesso à creche, aguardando vagas em instituições públicas.

Importância da creche

Creche é um estabelecimento voltado para crianças de 0 (zero) a 3 anos e 11 meses e dispõe de profissionais preparados para atendê-las. Sabemos que, nesta idade, a criança não tem autonomia alguma, precisando de outra pessoa para alimentação e higiene. Desde o início da vida, a criança precisa de alimentação adequada, brincadeiras e aprendizagens. Sem isso, elas têm maior dificuldade de se desenvolver plenamente. A creche é um direito das crianças. Também é um direito de mães e pais que precisam que seus filhos estejam sob cuidados para que possam trabalhar ou estudar. 

Ao contrário de países que desenvolveram o setor industrial rapidamente, no Brasil, as primeiras instituições voltadas para atendimento a crianças surgiram através de instituições religiosas, que mantinham locais para crianças filhas de escravizadas, por volta dos anos 1870, década em que a Lei do Ventre Livre foi aprovada no país, que dava liberdade a todos os bebês de mulheres escravizadas. Só com o fortalecimento da classe operária brasileira, entre os anos 1900 e 1930, passaram a existir as creches.

Entendendo o papel que a mulher desempenha na produção e reprodução social, a ideologia propagada pelo capitalismo trabalha para colocar as mulheres no papel de esposas e mães. Por isso, além de serem contrários à educação digna dos filhos da classe trabalhadora, a burguesia e seus políticos de estimação têm atacado os direitos reprodutivos das mulheres.

Direitos reprodutivos são medidas que possibilitam que as pessoas decidam, de forma livre e responsável, se querem ou não ter filhos, quantos filhos querem ter e em qual momento de suas vidas. Muitos países garantem que mulheres tenham acesso a essa escolha e, nesses países, poucas mulheres morrem ao fazer abortos clandestinos, ao contrário do que ocorre no Brasil atualmente. E mais, são as mulheres negras as que mais morrem por não ter o atendimento necessário em casos de aborto. 

A verdade é que a burguesia utiliza todos os recursos possíveis para manter as mulheres oprimidas, presas às responsabilidades domésticas, presas em trabalhos precarizados e fazem com que seus filhos sigam pelo mesmo caminho, batalhando toda vida, trabalhando e, mesmo assim, sem conseguir ter uma casa, ter direito a transporte, alimentação e educação decentes. 

Por tudo isso, o Movimento de Mulheres Olga Benario organiza anualmente uma ampla campanha pelo direito à creche. Nessa campanha, conversamos sobre o direito à creche com mulheres e homens trabalhadores, estudantes, donas de casa, nos locais de trabalho, instituições de educação, bairros e ocupações e, a partir disso, organizamos diversos tipos de luta para garantir vagas em creches, fraldários e brinquedotecas nos dias de semana e também nos sábados e domingos, já que muitas mães trabalham na escala 6×1. Organizemos abaixo-assinados, ocupações, plenárias, mas o principal é mantermos as mulheres organizadas em núcleos antes, durante e depois da campanha da creche. Esta é a única forma que temos de conquistar uma vida digna para nossa classe.


Matéria publicada no jornal A Verdade impresso edição nº308

Escala 6×1 prejudica mais as mulheres

Dados do IBGE mostram que as mulheres recebem, em média, 80% do salário dos homens, com um impacto ainda maior sobre as mulheres negras. A escala 6×1, predominante no comércio e no telemarketing, agrava essa realidade, impedindo a qualificação profissional e sobrecarregando ainda mais as trabalhadoras.

Guita Marli e Adriana Farias | Movimento Olga Benario (PE)


MULHERES – Geny, 18 anos, mora com seus pais e mais quatro irmãos menores. Ela queria terminar o segundo grau no colégio para conseguir um emprego formal e ajudar nas despesas da casa, além de ficar com alguns trocados para comprar batom, esmalte e creme para cabelo.

Amanda, 23 anos, é mãe solo. Todo dia, gastava a sola da chinela em busca de um emprego para não mais ouvir: “Quem pariu Moisés que o embale”. Desejava sustentar e alimentar Ágata, que nasceu em meio a um relacionamento abusivo.

Mas não é fácil para as mulheres encontrarem emprego no país, como mostram os dados do IBGE. A desvalorização da mão de obra feminina é uma realidade incontestável, já que as mulheres recebem cerca de 80% do valor dos salários dos homens. Se a mulher for negra, seu salário é ainda menor.

Muitas jovens que procuram emprego acabam sendo engolidas pelo setor de serviços, no comércio e no telemarketing, onde a escala 6×1 é dominante e a superexploração é mais constante.

Essa escala reflete a essência do próprio sistema econômico capitalista que, na verdade, é uma máquina de moer gente. Gente que precisa ganhar dinheiro para sobreviver e entra no chamado “mercado de trabalho”, em que mulheres e homens buscam sua sobrevivência tendo sua força de trabalho como mercadoria. O que importa para esse sistema é o lucro dos patrões, que, a cada dia, procuram novas formas para extrair o lucro máximo da classe trabalhadora.

As mulheres entraram no mercado de trabalho, que antes era masculino, numa fase em que faltavam homens para produzir devido às guerras na Europa. Naquele período, o mundo estava mudando a forma de produzir da pequena escala para a produção em série, uma necessidade do desenvolvimento da humanidade. Dessa forma, elas foram puxadas pela demanda da produção, com promessas dos capitalistas de que a indústria lhes traria liberdade e independência, mas foram engolidas, desvalorizadas com salários menores que seus colegas homens, como uma força de trabalho menosprezada. 

De lá para cá, muita coisa mudou, mas não o fato de que para alguém ficar rico nesta sociedade é preciso explorar a força do trabalho de mulheres e homens em jornadas extenuantes. Essa dura realidade atinge principalmente as mulheres, como no caso da escala 6×1, afinal, além de trabalhar seis dias na semana e ter apenas um dia de descanso, ainda acumulam o trabalho doméstico, sendo responsáveis por cuidar dos filhos, lavar roupa, fazer comida e arrumar a casa.

Geny, enfim, fez teste para uma vaga de caixa de supermercado no seu bairro e segue a vida sem expectativa de crescimento profissional. Seu salário mal dá para comer e ajudar sua família a se vestir, pagar passagem, aluguel, água e luz e só conseguem comer carne duas vezes por semana, mesmo com três pessoas da família trabalhando

Amanda trabalha na banca de bicho na frente de sua casa, porque não conseguiu uma vaga na creche do bairro, uma vida difícil para uma jovem cheia de vontade, de força para trabalhar, que recorre ao subemprego, obrigada a se submeterem a uma vida com ainda mais percalços.

A escala 6×1 sinônimo de superexploração, é a impossibilidade de tempo e oportunidade dos trabalhadores investirem em formação profissional para ter descanso, saúde e convívio com a família.

O capitalismo oferece apenas ilusões, mas, fruto da experiência, cresce a consciência da classe trabalhadora. Não vamos nos calar. No próximo 08 de Março, Dia Internacional da Mulher, vamos às ruas exigir nossos direitos, creche para nossas filhas e filhos, salários decentes, fim da carestia e da escala 6×1.


Matéria publicada no jornal A Verdade impresso edição nº308

Frente Negra Revolucionária (FNR) realiza sua primeira plenária nacional

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A Frente Negra Revolucionária (FNR) realizou no último 13/03/25 sua primeira reunião nacional. Além de contar com representantes de todos os estados, o encontro orientou e debateu as próximas ações da FNR no país, reafirmando a luta contra o racismo e pelo socialismo no Brasil.

 Clóvis Maia| Redação Pernambuco


 

LUTA POPULAR- No último 17 de março de 2025 a Frente Negra Revolucionária realizou a sua primeira reunião nacional para debater junto a militância as próximas ações da Frente no país, a organização nos estados e tirar as dúvidas e as orientações. Com um caráter interno, a plenária contou com a participação de representantes de todos os estados do país, algo que reforçou a força da Unidade Popular e o acerto da política em criar a FNR. A reunião iniciou com um informe de conjuntura feito por Samara Martins, vice-presidenta da UP e membra da comissão nacional provisória da FNR. Ela destacou que o combate ao fascismo está na ordem do dia. Quando ocorre uma política fascista quem mais sofre é o nosso povo preto. Quando temos uma crise, é a periferia quem é mais atingida. E isso é estruturado, é pensado para ser assim”.

Em seguida, Mari de Minas, apresentou um informe de organização explicando como os diretórios estaduais, municipais e as comissões provisórias da FNR nos estados serão importantes para enraizar a Frente Negra em todos país, travando lutas concretas, organizando os contatos que desejam ingressar na FNR e fazer a agitação e propaganda em torno da luta do socialismo. Para isso, o Jornal A Verdade vai ser um instrumento fundamental.

Em seguida foi aberta as falas para as representações dos atados, que reforçaram o caráter combativo e a responsabilidade histórica da militância negra da Unidade Popular por ter criado a FNR em um momento tão importante e urgente para a conjuntura nacional e a luta antirracista no Brasil.

Com um calendário de participação nas jornadas de lutas contra a escala 6X1, a denuncia da repressão nos anos de chumbo, que prendeu, torturou, sequestrou e matou diversas lideranças negras de nosso povo, a exemplo de Manoel Aleixo, nosso patrono, cujo corpo até hoje não foi encontrado e uma grande agitação no primeiro de maio marcarão as lutas nos próximos períodos, culminando com  grandes atos de lançamento da FNR nos estados no dia 13 de maio, para lembrar que não foi a princesa Isabel quem pôs um fim da escravidão oficial em nosso país e sim a luta de nomes como Zumbi e Dandara e que ainda há muito a ser feito em nosso solo, até libertarmos toda a nossa classe trabalhadora. Foi com essa disposição e sentimento que fundamos a FNR e é assim que seguiremos construindo a mesma em cada local de nosso país.

Bahia alcança marca de 400 jornais vendidos em brigadas nacionais

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O planejamento das brigadas, aliado à intensa luta política sobre a necessidade de colocar o jornal no centro da vida militante, resultou no aumento de brigadas e vendas do jornal A Verdade no estado. 

Isabella Tanajura | Salvador

Pela primeira vez foram vendidos 401 jornais em brigadas nacionais na Bahia, registrando a maior venda em brigadas já feita no estado. Este feito foi alcançado na edição em que a Bahia também aumentou a cota para mil jornais por quinzena, demonstrando o crescente empenho da militância baiana com as vendas do jornal A Verdade.

Os brigadistas do jornal iniciaram as vendas ainda durante o carnaval de Salvador, no tradicional bloco de esquerda Mudança do Garcia. Todos os 30 jornais que levaram foram vendidos aos foliões na concentração do bloco, que é conhecido pelas manifestações políticas e tinha como um dos temas a defesa da Palestina contra o genocídio imperialista dos Estados Unidos e Israel. Depois da quarta-feira de cinzas, o povo volta às ruas para a luta e os brigadistas também. 

Uma equipe de apenas quatro militantes vendeu 70 jornais na assembleia dos professores da rede estadual de educação que discutia o reajuste salarial da categoria. Nessa oportunidade, os brigadistas aproveitaram para conversar com os trabalhadores da educação sobre o sucateamento que as escolas estaduais têm sofrido e a necessidade de prender Bolsonaro e seus cúmplices fascistas.

No sábado pela manhã, as brigadas nos bairros e estações de metrô aconteceram em diversos pontos da capital baiana, sendo a brigada da Estação Brotas uma das que mais se destacou por ter superado a meta que havia estabelecido, com 54 jornais vendidos. Durante as brigadas nos bairros, é comum os militantes receberem denúncias dos problemas enfrentados no dia a dia da população, como o corte de linhas de transporte, o aumento da violência e a falta de vagas nos hospitais e creches.

Para Macé Silveira, coordenador do núcleo da UP em Brotas, a agitação na caixa de som com microfone é um fator importante para essa atividade já que cumpre o papel de formar mais militantes enquanto tribunos populares e também faz com que as pessoas conheçam a nossa linha política mesmo que não comprem o jornal. 

“Além disso, quando as pessoas passam, elas ficam curiosas em saber o que é que aquelas pessoas que estão com caixa de som e o jornal na mão falam e por isso se aproximam com mais facilidade e aceitam conversar com os brigadistas quando tem agitação. Nas agitações sempre tentamos trazer ao máximo a denúncia da matéria de conjuntura. Nessa agora falamos sobre a escala 6×1 e o dia internacional da mulher trabalhadora também. Nas minhas agitações sempre falo muito sobre a violência policial, o transporte que não é bom e as linhas de 5 anos para cá que foram retiradas. Acho que as outras pessoas tocam bastante nesses temas”, relata Silveira.

Esse sábado de brigada nacional coincidiu com o Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras, em que a Unidade Popular e o Movimento de Mulheres Olga Benario estiveram nas ruas denunciando o alto custo de vida, as guerras imperialistas, sobretudo contra o povo palestino, e a violência diária sofrida pelas mulheres no Brasil. Durante o ato em Vitória da Conquista (BA), a estudante Micaelly Teixeira vendeu 24 jornais, sendo a brigadista na Bahia que mais vendeu jornais na brigada nacional dessa quinzena.

“Eu acho que a gente tem que ter muito esse espírito de que, em cada jornal que a gente vende, a gente sempre dá o nosso melhor. Porque a pessoa com quem a gente está conversando pode ser um dos melhores quadros do nosso partido futuramente. Isso depende apenas da postura que a gente vai ter e da gente dar o nosso melhor para vender aquele jornal, para convencer aquela pessoa da nossa linha política, para convencer aquela pessoa de que vale a pena lutar ao nosso lado”, defende a brigadista.

Brigadistas em Salvador durante o ato na capital baiana para o 8 de março. Foto: Isabella Tanajura / JAV BA

Cumprir as metas: um dever revolucionário 

Esse resultado de 400 jornais vendidos na brigada nacional não aconteceu ao acaso. Para o crescimento das vendas e brigadas, o planejamento da Comissão de Agitação e Propaganda foi indispensável. Isso, aliado à intensificação da luta política sobre a importância de colocar o jornal no centro do trabalho, fez com que mais pessoas participassem das brigadas. Também estão sendo consolidadas as brigadas nas portas de fábricas e grandes empresas, como a Atento no bairro do Uruguai, no Porto de Salvador e na porta da montadora chinesa BYD, que recentemente foi denunciada por manter trabalhadores em situação análoga à escravidão.

O planejamento é uma parte fundamental para que possamos aumentar o número de jornais, mas ficará no papel sem a vontade de vencer e o espírito de disciplina dos militantes. Por isso, o cumprimento das metas individuais, aliada à meta geral da brigada, é importante para que possamos aumentar a difusão da nossa política pelo jornal. Quando um camarada está demonstrando dificuldade em bater a sua meta de venda individual, é importante que haja um apoio coletivo para ajudar na dificuldade e procurar compreender qual a questão central que está dificultando — ajustar o discurso, por exemplo, pode ser algo que ajude. É tarefa dos coordenadores de brigada mostrar, pelo exemplo prático, como podemos e devemos difundir a nossa política pela venda do jornal, superando as metas estabelecidas.

No texto de Lênin “O que fazer?” (1902), ele afirma: “O jornal é uma arma poderosa nas mãos do Partido, e é a principal forma de divulgação das ideias revolucionárias”. O jornal A Verdade cumpre um papel central na organização e mobilização da classe trabalhadora, além de ser um instrumento vital para a formação política e propagação das ideias do socialismo no Brasil. É um dever de todo revolucionário divulgar e crescer A Verdade em todo o país.

Prefeitura de São Caetano despeja Ocupação da Mulher Operária Alceri Gomes

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No Mês das Mulheres, o batalhão da força tática da PM preparou a invasão da Ocupação da Mulher Operária Alceri Gomes com bombas de gás, armas e escudos. O Movimento de Mulheres Olga Benario saiu em ato até a Câmara Municipal para cobrar respostas da Prefeitura sobre a violência contra as mulheres na cidade de São Caetano.

Movimento de Mulheres Olga Benario SP


Hoje, 13/03, poucos dias após o 8 de Março, Dia Internacional das Mulheres Trabalhadoras, a Ocupação da Mulher Operária Alceri Maria Gomes da Silva, organizada pelo Movimento de Mulheres Olga Benario na cidade de São Caetano do Sul (SP) sofreu reintegração de posse.

Após a saída do imóvel, as mulheres realizaram um ato até a Câmara Municipal, denunciando o despejo e o alto índice de violência contra as mulheres. O Movimento busca há meses a abertura do diálogo com a prefeitura, para apresentar a situação de violência contra as mulheres da cidade. Apesar das diversas tentativas de serem atendidas pela prefeitura, o Prefeito Tite Campanella (PL) segue ignorando as mulheres.

O despejo ocorreu mesmo com a divulgação do relatório do Fórum de Segurança Pública, indicando que os índices de violência contra as mulheres batem o recorde no Brasil, com mais de um terço das brasileiras já tendo sofrido violência. Este é o maior índice desde 2017, quando passou a ser realizado este levantamento. O estado de São Paulo bateu recordes de casos de femicídio em 2024, com 250 casos registrados; o ABC Paulista, na região metropolitana do estado, registrou um aumento de 22,8% no número de denúncias de violência, com 1.376 casos de janeiro a outubro.

Ocupação salvava vidas

Durante os 6 meses de ocupação, diversos trabalhos de acolhimento de mulheres e crianças em situação de violência foram realizados, oferecendo suporte através de uma equipe de profissionais do Movimento e apoiadoras como psicólogas, advogadas, assistentes sociais, além de realizar atividades de formação, rodas de conversa e palestras.

O despejo estava marcado para o início de fevereiro. A Guarda Civil Municipal tentou realizar a operação, mas foi vencida pela disposição de luta das mulheres, que resistiram mesmo com a presença de forte aparato da ROMU, a tropa de choque da guarda. Depois de dois dias de tentativa de reintegração sem sucesso, a Polícia Militar pediu um prazo de 30 dias para montar a operação, entendendo a complexidade do processo, o que foi acatado pelo juiz.

Na última terça-feira (11/03), a Polícia Militar articulou uma reunião com o Movimento de Mulheres Olga Benario, a Guarda Municipal, o secretário de educação, Fabiano Augusto, o secretário de segurança pública, Lourival dos Santos, e a vereadora Bruna Biondi (PSOL), além da presença da oficial de justiça do processo, Cacilda Cunha, e representantes das partes envolvidas no processo para dialogar. Foi concluído que o melhor encaminhamento para o caso era envolver a prefeitura da cidade, para que ela apresentasse uma proposta que garantisse a continuidade do trabalho do Movimento.

“É semana do 8 de Março, acabamos de bater os recordes de violência contra as mulheres no nosso país e a prefeitura de São Caetano vai permitir uma reintegração de posse contra uma Ocupação que acolhe mulheres em situação de violência?”, questiona Roseli Simão, Coordenadora do Movimento, na reunião com secretários da prefeitura.

Ainda acrescenta: “Não queremos um despejo violento, queremos dialogar, para ter uma alternativa para as mulheres que acolhemos e um local para dar sequência aos trabalhos que realizamos na ocupação hoje”.

Prefeitura de São Caetano se recusa a dialogar

Após uma breve negociação, o batalhão da força tática preparou a invasão do imóvel com bombas de gás, armas e escudos. O Movimento então decidiu sair, para evitar uma maior violência contra as mulheres presentes, caminhando em ato até a Câmara Municipal, onde denunciaram que a prefeitura ainda não recebeu o Movimento para dialogar sobre as reivindicações da Ocupação, mesmo após várias tentativas por parte das coordenadoras da casa.

Isabela Leal, Coordenadora da Ocupação, afirma que “há 6 meses tentamos este diálogo, já enviamos ofício, já reunimos com o chefe de gabinete que se comprometeu a nos receber de novo e até agora nos ignora e não temos respostas para as demandas da Ocupação e das mulheres da cidade”.

Fica evidente o descaso da prefeitura da cidade com a vida das mulheres, que mesmo após a autorização de uso de força policial para realizar a reintegração, segue ignorando as tentativas de diálogo realizadas pelo movimento.

Não podem nos amedrontar!

Porém, as mulheres marcharam em ato, fechando as ruas e puxando palavras de ordem denunciando a violência contra as mulheres, até a Câmara e realizaram uma assembleia afirmando que a Ocupação da Mulher Operária está sendo muito vitoriosa: após a ocupação, o tema da violência contra as mulheres virou debate na cidade; em conjunto com a pressão de outros movimentos, foi conquistado o fim da exigência da carteirinha de morador da cidade para utilizar serviços públicos como o SUS e o retorno da cidade de São Caetano para o Consórcio Intermunicipal do ABC, órgão responsável por financiar as casas de abrigo da região.

Assim, as mulheres seguem mobilizadas, uma vez que o Movimento de Mulheres Olga Benario saiu deste processo com mais apoiadores na cidade de São Caetano do Sul e na região do ABC e mais mulheres organizadas no movimento, com a certeza da justeza da luta de enfrentamento da violência contra as mulheres e a necessidade de mais espaços como a Ocupação Alceri Maria Gomes da Silva para realizar o acolhimento e para organizar mais lutas em defesa da vida das mulheres e pelo socialismo!

Por fim, encerra a assembleia Maria Clara, Coordenadora do Movimento Olga Benario: “Por Alceri Maria Gomes da Silva, por Helenira Preta, por Damaris Lucena e por tantas outras que tombaram para que pudéssemos lutar hoje! Seguiremos em luta contra o fascismo até a construção do socialismo, onde as mulheres serão de fato livres da opressão!”