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Leonardo Péricles: “A UP luta por uma revolução popular e pelo socialismo”

No último dia 10 de dezembro, a Unidade Popular (UP) conquistou seu registro definitivo junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Foram dois anos de coleta de assinaturas nas ruas, bairros e fábricas para que o partido conseguisse recolher 1,2 milhão de apoiamentos e pudesse estar apto a participar das próximas eleições. Para saber como isso foi possível sem contar com o apoio de nenhum banco ou empreiteira, A Verdade entrevistou Leonardo Péricles, morador da Ocupação Eliana Silva, em Belo Horizonte, e presidente nacional da UP.
Da Redação


Fotos: A Verdade

A Verdade – A UP obteve seu registro definitivo e agora é um partido em condições de disputar as eleições. Como foi possível esta vitória?
Leonardo Péricles –
Foi um trabalho duro. Somamos vários movimentos, organizações e pessoas que têm o compromisso de mudar o Brasil a partir da classe trabalhadora, dos pobres deste país. Esta vitória foi possível graças à disciplina e perseverança da nossa militância, a um plano bem organizado e, talvez o mais importante, à falta de perspectiva da maioria do povo com os atuais partidos existentes. A combinação destes fatores nos permitiu coletar mais de 1,2 milhão de assinaturas nacionalmente.            Fomos aonde o povo está: nas vilas, favelas, ocupações, escolas, praças, universidades, trens e fábricas. Nos enche de alegria o acolhimento do povo nesse processo, que nos aconselhou, nos cobrou e, principalmente, nos pediu para não sermos “iguais aos outros”. Muitos disseram: “olha, não esquece da gente depois que chegar lá, viu?”. Essa experiência nos mostrou que o que realmente importa é o trabalho de base, formação política e muito diálogo com o povo.
Com a conquista do registro, entramos numa nova fase. Começamos nosso trabalho em 15 estados e, ao final da campanha, chegamos a 20. Hoje se apresentam as condições de chegarmos em todos os 27 estados da Federação. Lançaremos candidaturas populares por todo o Brasil. No entanto, construímos um partido para lutar e para aqueles que não se venderam e não se vendem; para unificar o povo para fazer uma revolução popular, para combater e derrotar a burguesia e seus aliados. Por isso, o ingresso na UP está condicionado a se comprometer justamente com o caminho das lutas populares, a luta pelo poder popular e pelo socialismo.

Então a UP já está preparada para disputar as eleições de 2020?
Estamos aptos para a disputa de 2020. Sabemos que é um processo extremamente desigual, pois os partidos tradicionais e “maiores” vão contar com milhões do Fundo Partidário, do Fundo Eleitoral e com doações de pessoas milionárias. Será literalmente a chamada “campanha do tostão contra o milhão”.
A UP vai desenvolver uma campanha para combater e denunciar tamanha desigualdade, apresentar propostas e soluções para os graves problemas que vivem as cidades e o país, convocar as pessoas a votarem em nossos candidatos não por dinheiro, mas porque acreditam. Trata-se de resgatar as grandes campanhas do voto de opinião, com muita agitação política, uma campanha do trabalho voluntário, dos candidatos que vêm do povo, que não ficam nos escritórios e salas com ar condicionado, mas que vão de casa em casa, dialogando, escutando, lutando e mobilizando. Vamos convocar o povo para ser protagonista!
Em várias cidades já demos a largada nos debates com o conjunto de nossa militância, e, a partir de fevereiro, lançaremos nossas pré-candidaturas país afora. Estamos muito animados com este momento!

Que avaliação a UP faz do governo Bolsonaro?
Bolsonaro é um presidente fraco e que, a cada dia, perde mais apoio da população. Faz um governo antipovo, que retira direitos dos trabalhadores, entrega as riquezas naturais e nosso patrimônio ao capital estrangeiro e está enlameado pela corrupção. Seu discurso a favor do agronegócio e do latifúndio ajudou a aumentar o desmatamento na Amazônia e em outros biomas. Sua admiração à ditadura militar e à tortura, somado ao ódio à cultura e à educação, tem levado nosso país ao retrocesso e ao obscurantismo. Felizmente, cada vez mais gente percebe o caráter desse governo e compreende que quem o sustenta é a grande burguesia e seus meios de comunicação.

Qual é, então, a solução para a crise que o país vive?
A primeira questão passa por entendermos que este governo não passa de um “gigante com pés de barro”, ou seja, é um governo fraco, incompetente, entreguista, mas que não cairá sozinho. Por isso, a UP aprovou em sua Executiva Nacional desenvolver grandes debates nos estados com o intuito de levantar a bandeira do “Fora Bolsonaro! Por um governo popular!”. Trata-se de uma campanha necessária, que pode unificar as forças de esquerda e que precisa tomar as ruas e mobilizar o povo que já se encontra indignado.
Em segundo lugar, a atual crise foi gerada pelos muito ricos, os bilionários, e estes vêm jogando os prejuízos desta crise nas costas dos trabalhadores e trabalhadoras. Grande parte desse prejuízo é causado pelos absurdos pagamentos dos juros da dívida pública aos bancos e fundos de investimentos. Tiram dos pobres para enriquecer os banqueiros.
A UP defende a imediata suspensão dessa transferência de renda para a classe rica, o fim desses rios de dinheiro que saem dos cofres públicos para o capital financeiro. Também defendemos as reformas agrária e urbana, a taxação das grandes fortunas, a reestatização das empresas que foram privatizadas, a reorganização da indústria e o rompimento do nosso país com seu vergonhoso histórico escravista, racista e machista, com a dependência e submissão em relação aos países mais ricos, os chamados países imperialistas.
Medidas imediatas precisam ser tomadas para gerar empregos através de grandes frentes de trabalho, dar força ao povo nas comunidades para conter o crescimento da violência e impulsionar a melhoria dos bairros populares e cidades do interior. Sem essas medidas, não haverá transformações reais a favor da maioria.
Além disso, precisamos aumentar as mobilizações junto aos trabalhadores rurais, aos povos indígenas, às mulheres, ao povo negro, à juventude, à comunidade LGBT, enfim, junto à classe trabalhadora, para que a consciência popular avance e para que a maioria entenda que sob o domínio da burguesia e do capitalismo, a classe trabalhadora, os pobres deste país, nunca terão seus direitos garantidos.
Por isso, a necessidade da luta pelo fim do atual sistema capitalista e a luta pelo poder popular e pelo socialismo como alternativas para o povo.

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