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O assassinato de Francisco Solano López e o genocídio paraguaio

Nenhum governo brasileiro se dignou a devolver o que foi roubado nem abrir seus arquivos secretos. Muito menos se desculpar com o povo paraguaio pelo que fez.

José Márcio Gomes


REALISMO – Juan Manuel Blanes pinta em “La Paraguaya” a representação de uma mãe que vê seus filhos assassinados durante a guerra.

BRASÍLIA Este domingo (1), é data a ser lembrada em toda Nuestra America, em especial no Cone Sul: há exatos 150 anos era morto o Mariscal Francisco Solano López, presidente constitucional do Paraguai. Era o ponto crucial da Guerra da Tríplice Aliança (chamada vergonhosamente no Brasil de “Guerra do Paraguai”).

Solano López, um dos maiores líderes daqueles tempos, foi executado em Cerro Corá por tropas brasileiras, a mando de Dom Pedro, em 1º de março de 1870.

O conflito militar, o maior da história da América do Sul, vitimou o Paraguai, até então um país avançado. Argentina, Brasil e Uruguai se aliaram para derrotar Solano López.

Solano López é tido como herói pelo povo paraguaio e o Brasil e Argentina verdadeiros criminosos. Os restos mortais de Solano López estão depositados no Panteão dos Heróis, em Assunção.

HERÓI NACIONAL – Francisco Solano López é visto como herói para o povo do Paraguai.

Na capital paraguaia há outros pontos que contam um pouco destes momentos, como o Centro Cultural da República (Museu do Cabildo), a Praça do Uruguai (onde foi um quartel durante a guerra) e o Palácio do Governo (Palácio de Los López).

O conflito teve memoráveis batalhas, em especial as navais, além das lutas em solo. A guerra foi na verdade um genocídio contra os paraguaios, sendo que imensa quantidade de homens e crianças foram executados. O Paraguai foi pilhado, roubado e legado ao atraso. Até hoje, por exemplo, os arquivos brasileiros da Guerra não foram abertos para conhecimento geral, junto com todas as tamanhas atrocidades cometidas e bens e relíquias roubadas estão no Brasil. A mais conhecida relíquia é o “Canhão Cristão” (“El Cristiano”), até hoje no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro, apesar do pleito legítimo da República do Paraguai pela sua devolução.

O presidente Juan Perón na Argentina devolveu relíquias e a presidenta Cristina Kirchner batizou um regimento militar com o nome do Mariscal Solano López. O Brasil segue em dívida (o máximo que chegou, foi o ditador Figueiredo restituir a espada que estava com Solano quando do conflito final e outros materiais). Nenhum governo brasileiro se dignou a devolver o que foi roubado nem abrir seus arquivos secretos. Muito menos se desculpar com o povo paraguaio pelo que fez.

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