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Comunidade luta pela libertação de trabalhador negro preso injustamente no Rio

Wilton Oliveira numa das ações sociais no Morro do Encontro, no Complexo do Lins. Foto: reprodução redes sociais

Por Felipe Annunziata

RIO DE JANEIRO – No dia 12 de maio, às 15:30, a Polícia Civil entrou no local de trabalho de Wilton Oliveira da Costa e o levou preso. O trabalhador negro foi acusado de ter roubado uma moto e até hoje vem provando a sua inocência para a justiça.

Morador do Complexo do Lins, na zona norte da capital fluminense, era conhecido também como “Sinha” e sempre participou de ações de solidariedade com o povo da sua comunidade. Wilton cursa educação física na Estácio e está sob o risco de perder a faculdade por não conseguir comparecer às avaliações.

Desde a prisão, sua família, amigos e a comunidade do Lins tem se mobilizado para exigir sua libertação e a retirada de todas as acusações. O crime, segundo a polícia, ocorreu na estrada Grajaú-Jacarepaguá, próximo ao complexo no horário da manhã. No dia do roubo Wilton estava no seu trabalho, no Hospital Federal do Andaraí, onde é empregado de uma empresa terceirizada.

A família acha que a polícia pode ter confundido Wilton com seu irmão William que foi morto pela PM numa operação em fevereiro. Os irmãos se parecem e William usava cópias de documentos do irmão sem consentimento. Segundo Marcele Oliveira, esposa de “Sinha”, a Polícia Civil deu um documento a ela afirmando que o trabalhador era desempregado, sendo que ele foi preso dentro do próprio local de trabalho.

Wilton foi preso por causa do racismo da justiça, afirmam amigos e familiares

Com a prisão, o trabalhador de 33  anos foi levado para o presídio Ary Franco, também na Zona Norte. Seu advogado tem tentando um habeas corpus que irá ser julgado no próximo dia 23, quando a comunidade pretende realizar um ato de solidariedade para pressionar a libertação de Wilton. Nas redes sociais seus amigos e familiares criaram a palavra de ordem #SINHALIVRE para mostrar a injustiça que estava sendo cometida.

Em um vídeo nas redes sociais, o líder comunitário Alcemir Oliveira afirmou que a prisão injusta é mais um caso de racismo. “Nosso povo negro, favelado, tem sofrido muita discriminação e esse caso não consigo entender de outra forma. Como que a justiça condena um jovem que está lutando pela sua família… para crescer, se tornar alguém para mudar nossa comunidade”, afirmou Alcemir.

Em declaração para o Jornal A Verdade Marcele contou um pouco de como a família tem passado por esse pesadelo. “Eu estou arrasada, me sentindo mal. Minha filha chorou hoje dizendo estar com saudades do Pai, eu falei a ela que ele está viajando. É muito ruim se sentir impotente, conhecer alguém a vida inteira e saber que essa pessoa está sendo acusada de um crime que jamais cometeria… me sinto mal por que sei que isso é por conta da cor de pele do Wilton. Somos sempre mal vistos, me sinto muito envergonhada, sou estudante de enfermagem no Colégio Santo Inácio em Botafogo. Sou preta, moradora de favela, mas não sou bandida, minha família não merecia passar por isso, ninguém merece passar por isso… Só quero que tudo isso acabe.”

Arte chama para manifestação no dia do julgamento de libertação do de Wilton. Arte: reprodução redes sociais

Justiça no Brasil só funciona para os ricos e nunca para os negros e pobres

O caso de Wilton é mais uma injustiça que o judiciário e a polícia brasileira cometem. Não é novidade as centenas de milhares de pessoas que são presos injustamente ou sem julgamento no país, na sua grande maioria trabalhadores negros.

Enquanto Wilton está jogado num dos piores presídios do Rio, vemos o prefeito, o governador, e outros acusados de roubar milhões da saúde livres. A justiça com mais essa prisão injusta, sem qualquer prova ou investigação decente por parte da polícia mostra a quem ela serve.

Sem qualquer cerimônia a justiça ataca uma família trabalhadora, enquanto isso faz de tudo para não julgar e prender os verdadeiros criminosos. O maior exemplo disso são os filhos do presidente que continuam soltos mesmo com todas as provas de ligação com milícias e o crime organizado.

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1 comment

  1. Dionei Otávio dos santos

    Sou nascido e criado no complexo do Lins, aqui são várias comunidades juntas, cada uma com um nome diferente, nessa comunidade a onde o Wilton mora, e chama de morro do encontro. Sempre vi ele como um exemplo a comunidade, sempre trabalhou, nunca se envolveu na vida do crime, isso que a justiça está fazendo com ele é um absurdo, fico indignado em ver isso, não por que ele é um amigo meu, mais sim porque ele é um ser humano e nem um ser humano deve ter essa esperiência horrível.

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