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Marxismo e os Sindicatos: Programa de Formação na Quarentena

CATEGORIA ORGANIZADA – Mesmo realizando um serviço essencial, garis têm salários atrasados e trabalham sem equipamento adequado. A categoria respondeu com greve. (Foto: Jornal A Verdade)

Redação Piauí
Jornal A Verdade

O Jornal A Verdade na programação de formação na quarentena irá debater o tema “Marxismo e Sindicatos”. Estamos vivendo um período de grave crise do sistema capitalista e o aprofundamento da exploração da classe trabalhadora no Brasil e no mundo.

Os últimos governos no Brasil fizeram ataques aos direitos históricos trabalhistas conquistados durante décadas de lutas. A aprovação da “Reforma Trabalhista”, “Lei de Terceirização” e da “Reforma da Previdência” mostram que estamos enfrentando governos “anti-povo” como foi do golpista Michel Temer e agora o do fascista Jair Bolsonaro.

Nesse sentido, é de grande importância entendermos como os sindicatos devem se posicionar e dirigir as lutas da classe trabalhadora. O entendimento do marxismo e sua assimilação prática é a condição básica para desenvolver o movimento sindical classista revolucionário.

Para avançar nesse sentido, escolhemos alguns textos que trazem o papel histórico dos sindicatos. Assim, suas tarefas estão no centro da contradição entre capital e trabalho. O primeiro texto que destacamos, é o prefácio da edição inglesa do livro “A Situação da Classe Operária na Inglaterra” de Friedrich Engels. Nesse texto, o autor expõe que as condições dos trabalhadores na Inglaterra se modificam ao longo do tempo, seja pela luta travada pela classe trabalhadora para conquistar mais direitos, seja pela mudança da organização do capital e seus novos estágios de acumulação, assim como as condições da luta pelo socialismo naquele período.

Colocamos a disposição dos leitores textos do revolucionário Karl Marx. Entre eles, o trecho final do livro “Salário, Preço E Lucro” e “Sindicatos: Seu Passado, Presente e Futuro”. Em ambos os textos, curtos, porém contundentes, Marx reafirma a necessidade de os sindicatos lutarem pelas pautas políticas, não se perdendo apenas em pautas econômicas e imediatas. E, com isto, criticar o regime de assalariamento; ou como disse o próprio Marx no final de sua exposição à reunião plenária da I Internacional dos Trabalhadores.

“Por isso, ela não se deveria consumir, completamente, nessa inevitável “guerra de guerrilha”, resultante ininterruptamente dos incessantes atos de violência do capital ou das oscilações do mercado. Deveria compreender que o atual sistema, com toda a miséria que impõe contra ela, engendra, concomitantemente, as condições materiais e as formas sociais, indispensáveis à transformação econômica da sociedade. Em vez da consigna conservadora: “Um salário justo por uma justa jornada de trabalho!”, a classe trabalhadora deveria escrever em suas bandeiras a seguinte reivindicação revolucionária: “Abaixo o sistema de trabalho assalariado!”

Para compreender ainda mais a posição revolucionária de Marx em relação ao papel dos sindicatos na luta pelo socialismo, colocamos como indicação de leitura, o livro “Marx e os Sindicatos” de Solomon Lozovsky, bolchevique e secretário geral da antiga Profitern.

Ressaltamos o primeiro capítulo (A posição dos sindicatos na luta geral de classes do proletariado) e o décimo primeiro capítulo (Pelo marxismo-leninismo no movimento sindical). Nestes trechos, Losovisk vai apontar qual deve ser o papel dos comunistas no movimento sindical, combatendo as posições reformistas e esquerdistas no seio do movimento operário.

Expomos ainda dois textos de Vladimir Lênin. Em ambos, o bolchevique aborda aspectos fundamentais da luta sindical. O primeiro, que tem o título de “Sobre as Greves”, o autor vai desenvolver a importância da ação grevista não apenas para conquistar os direitos, mas para unir e educar a classe trabalhadora para a luta. “Uma greve é uma escola de guerra”, afirma ele.

“Mas as greves, por emanarem da própria natureza da sociedade capitalista, significam o começo da luta da classe operária contra esta estrutura da sociedade. Quando operários despojados que agem individualmente enfrentam os potentados capitalistas, isso equivale à completa escravização dos operários. Quando, porém, estes operários desapossados se unem, a coisa muda.”

Neste trecho do texto, Lênin reafirma a força que a classe trabalhadora possui ao lutar de forma unida e organizada. O segundo texto é “A Tática da Luta de Classe do Proletariado” presente na brochura “Karl Marx”. Nesse texto, Lênin aborda as posições políticas que os sindicatos tiveram ao longo da luta de classes em diferentes períodos e países. Além disso, Lênin analisa artigos de Marx e Engels sobre a tática que o movimento deve adotar em cada momento histórico e considerando os diferentes estágios da conjuntura.

GREVE – A greve dos entregadores de aplicativo mostrou a disposição de luta da categoria que ainda não tem sindicato. (Foto: Jorge Ferreira/Jornal A Verdade)

Já no texto de George Dimitrov, “Tarefas dos Sindicatos Operários”, que também deixamos à disposição dos leitores, o secretário geral da III Internacional e organizador do movimento sindical na Bulgária, discorre sobre os desafios que o movimento sindical precisa enfrentar em tempos de guerra, de paz, de luta pela revolução e no período pós revolução. Segundo o autor, uma questão similar permanece nesses períodos tão distintos. Para ele, se trata do “contato estreito com o anseio das massas”:

“As tarefas dos sindicatos operários, tão importantes e complexas, até à revolução, durante e depois dela, durante o período da ditadura do proletariado, obrigam os sindicatos e as uniões profissionais búlgaras a tornarem-se organizações de massas, pela sua composição e laços com as massas operárias, a restabelecerem a unidade total do movimento sindical, a reunirem as massas profundamente penetradas pelas ideias e pelo espírito do comunismo e formadas pela revolução comunista e a edificação da sociedade nova.”

Para colocarmos em debate a situação dos sindicatos no Brasil, também adicionamos à disposição dos leitores o livro “História das Lutas dos Trabalhadores no Brasil” do italiano Vito Giannotti. Este livro é uma excelente contribuição ao resgaste histórico das lutas da classe trabalhadora brasileira. O autor aborda a formação dos primeiros sindicatos, as realizações das primeiras greves, os jornais operários e a combatividade histórica do movimento sindical. Ressaltamos aqui a leitura do segundo capítulo, que trata do surgimento das lutas operárias no Brasil a partir da industrialização, e o sétimo capitulo, que aborda as lutas operárias durante a ditadura militar fascista e como o movimento sindical atua debaixo das baionetas e sob os sindicatos com intervenção direta dos militares.

Para finalizar, deixamos para os leitores as orientações para o movimento sindical da Conferência de Partidos e Organizações Marxistas Leninistas (CIPOML). Entre eles, o texto “Princípios do Sindicalismo Classista e Revolucionário”, já publicado anteriormente no Jornal A Verdade. Neste texto há um importante debate de como os sindicatos devem manter a linha revolucionária nas ações mais quotidianas da estrutura sindical, como nas assembleias, lutas reivindicatórias e as posições políticas mais avançadas.

Disponibilizamos também uma revista especial da conferencia, a “Nova Ordem Mundial: a Situação Internacional e Nossas Tarefas”.

Por fim, esse tema é de fundamental importância para entendermos as grandiosas e desafiadoras tarefas que os sindicalistas, comunistas e lutadores têm pela frente. Só com teoria revolucionária dos trabalhadores desenvolverão uma prática também revolucionária. O movimento sindical brasileiro necessita disso alcançar os objetivos revolucionários.

Desde já convidamos nossos leitores para participar do próximo “Marxismo em Debate”, na próxima segunda (17) às 19h, no canal do Jornal A Verdade no Youtube.

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