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Centro-oeste em chamas

TRABALHADORES CONTRA O ICÊNDIO – Sebastião Baldi Silva Junior, de 40 anos, trabalhador empregado de uma fazenda local, se mobilizou para combater os incêndios. (Foto: Amanda Perobelli/Reuters)

Ana Amélia Ribeiro

GOIÂNIA (GO) – O Pantanal, bioma formado por savanas estépicas e situado no Mato Grosso (MT) e no Mato Grosso do Sul (MS), arde em chamas há mais de 40 dias.

Segundo os dados divulgados pelo Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais do Ibama, Prevfogo, cerca de 2,3 milhões de hectares – sendo 1,2 milhão em MT e mais de 1 milhão em MS – estão ardendo em fogo diante da negligência do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) e da administração de Ricardo Salles (Novo) em relação ao meio-ambiente.

Estima-se que entre 10% e 15% da área do Pantanal foi devastada pelo incêndio. Satélites do Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe) captaram mais de 15 mil focos de calor em toda região pantaneira.

De acordo com o relatório, os incêndios na área aumentaram 210% neste ano na comparação com o mesmo período de 2019.

No estado de Goiás, a situação do Cerrado não está muito diferente: apenas este ano, foram aproximadamente 7.500 ocorrências de incêndios, sendo 1.320 apenas no mês de setembro, segundo informações do Corpo de Bombeiros.

Essas queimadas são provocadas por latifundiários em fazendas da região, elas começam pelo uso de velhas táticas predatórias, como de atear fogo na mata nativa para depois fazer pasto para plantações e gados.

Os incêndios provocados pelos latifundiários promoveram um verdadeiro extermínio entre macacos, cobras, onças-pintadas, jacarés e mais uma série de animais que vivem na região.

O parque que abriga maior concentração de onças-pintadas em todo o mundo teve mais de 70% de sua área atingida pelo fogo.

As regiões do Pantanal e do Cerrado são Patrimônios Naturais Mundiais reconhecidos pela Unesco, sendo proibido seu desmatamento e, por isso, os fazendeiros latifundiários responsáveis pela destruição do bioma podem pegar até 15 anos de prisão e responder pelos crimes de dano à floresta de preservação permanente (Art. 38, da Lei no 9.605/98), dano direto e indireto a Unidades de Conservação (Art. 40, da Lei no 9.605/98), incêndio (Art. 41, da Lei no 9.605/98) e poluição (Art. 54, da Lei no 9.605/98).

As cidades mais atingidas pelos incêndios no Mato Grosso são Poconé, Barão de Melgaço e Cáceres.

No Mato Grosso do Sul, Corumbá, Pedro Gomes e Alcinópolis – onde a área mais afetada é o Parque Estadual das Nascentes do Rio Taquari que fica a 43,3km de distância do Parque Nacional das Emas, em Mineiros, Goiás.

Além dessa preocupação com o incêndio do Pantanal que está se aproximando da região sudoeste do estado, também acompanhamos incêndios de grandes proporções no Parque Altamiro de Moura Pacheco e Parque Estadual da Serra Dourada que ficam localizados na região do Centro Goiano.

Mesmo com as queimadas tomando conta do estado, o governador Ronaldo Caiado (DEM) ainda não adotou nenhuma medida preventiva e nem mesmo acionou uma ajuda tática dos Estados vizinhos de região na tentativa de conter as chamas.

Ao que parece, para o Governador começar a atuar contra o incêndio, basta que alguma de suas fazendas ou propriedades sejam atingidas, ou que as chamas atinjam as propriedades de seus aliados agropecuaristas.

Quanto à esfera federal, até agora, não há nenhuma ação efetiva para combater os incêndios do Pantanal e Cerrado articulada por Ricardo Salles (Novo) ou pelo Presidente da República.

Bolsonaro já chegou a rir da situação do Pantanal durante reunião no Palácio do Planalto e ironicamente disse que “o Brasil é o país que mais preserva do meio-ambiente”.

DENÚNCIA – Unidade Popular Pelo Socialismo (UP) está produzindo uma campanha de denuncias e lutas contra Bolsonaro e Ricardo Salles. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

Para a Unidade Popular Pelo Socialismo de Goiás, oposto ao atual governo, “até o momento, os mais atingidos pela ação de latifundiários e do governo são os(as) trabalhadores(as) do Mundo inteiro, que estão perdendo importantes reservas ambientais e suas riquezas naturais eticamente incalculáveis.

Bolsonaro não acionou todo o conjunto do exército para conter as chamas, segundo o Ministério da Defesa somente 90 homens estão no trabalho de conter as chamas. Pelo histórico, o exército só serve para ameaçar o Supremo Tribunal Federal (STF) quando ele se sente ameaçado em algum processo político. A necessidade de prevenir danos irreversíveis ao meio ambiente não desperta o mesmo interesse, todavia, reconheçamos o seguinte: ninguém esperava mais desses covardes que ocupam os cargos de presidente da república, ministro do meio-ambiente e governos dos estados.”

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