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Universidades privadas discriminam estudantes pobres e lucram durante pandemia

EDUCAÇÃO COMO MERCADORIA – Centro Universitário São Camilo, assim como diversas universidades privadas pelo país, vêm lucrando enormemente com a pandemia. (Foto: Reprodução)

Marcelo Pavão

SÃO PAULO – Gabriela, 19, cursava enfermagem no Centro Universitário São Camilo até o começo da pandemia. A crise econômica e política que o Brasil já atravessava só se agravou a partir de março, atingindo diretamente a renda de sua família.

“Meu pai perdeu o emprego logo no primeiro mês, e minha mãe trabalha com comércio, que teve que fechar também por conta da pandemia. Logo em seguida, eu arrumei um emprego, mas mesmo assim a situação continuava complicada” – relatou a estudante ao jornal A Verdade.

Ela conta que tentou por diversas vezes entrar em contato com a instituição para conseguir algum desconto na mensalidade, que lhe ofereceu algumas modalidades de bolsas; porém, nenhuma delas cabia à sua situação.

Pouco tempo depois, a universidade disponibilizou um método que funcionaria de forma semelhante ao FIES, possibilitando o pagamento das mensalidades após o término da graduação, que também não lhe contemplava.

“Eu nem sei qual será minha situação após a faculdade, se eu estarei trabalhando, e não quero me prender a uma dívida.”, completou. Impeça de continuar bancando a graduação, foi obrigada a desistir do curso, que já fazia há um ano e meio.

Realidade Generalizada

A situação de Gabriela se repete em inúmeras universidades privadas pelo país. Segundo a Pesquisa Cenário Econômico Atual das IES Privadas, do Instituto Semesp, a evasão aumentou 32,5% em abril quando comparada ao mesmo período do ano passado, e a inadimplência, 72,4%. O principal motivo dos estudantes correrem o risco de evadir dos seus cursos é a impossibilidade de pagar as altas mensalidades. É o que mostra um estudo da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes), 42% dos estudantes de universidades privadas afirma que há um risco de desistir da graduação no próximo período.

Para militantes da União da Juventude Rebelião (UJR), contudo, “a mercantilização da educação e a precarização do ensino não surgiram com a Covid-19. As políticas neoliberais e de austeridade implantadas nos últimos governos e aprofundadas por Michel Temer (MDB) e Jair Bolsonaro (sem partido) obedecem aos interesses dos grandes empresários, que lucram bilhões com a privatização do ensino, e consolidam um oligopólio no Brasil através da transformação de um direito em mercadoria.”

“Em um sistema em que o lucro está acima da vida, os capitalistas não se importam em demitir professores em massa durante uma pandemia, nem admitir o ensino à distância unilateralmente sem reduzir as mensalidades, pois continuam fazendo rios de dinheiro”, concluem.

Movimento Estudantil pela Permanência 

Um estudo da organização Oxfam revelou que o patrimônio de 42 bilionários brasileiros aumentou R$176 bilhões durante a pandemia do novo coronavírus.

“A crise, portanto, não atinge a todos igualmente, porque só um dos lados paga: o lado dos que perderam seus empregos; dos estudantes pobres que são obrigados a desistir de seus cursos pelas altas mensalidades; as milhares de pessoas que são despejadas de suas casas por não conseguirem pagar o aluguel; e os que morrem pelo vírus por não haver leitos de UTI no SUS.”

Como se sabe, a classe trabalhadora, por todos os lados, é explorada, oprimida e saqueada pela classe dos donos das empresas, fábricas e terras, e isso se repete na educação.

Durante a pandemia, sabe-se também quais são os alunos que serão mais prejudicados nas universidades privadas: os pobres, negros, moradores de periferia. Portanto, as lutas pela permanência estudantil, pelas reduções das mensalidades e contra a precarização e a volta às aulas presenciais, são novos polos importantes de resistência travadas pelo movimento estudantil nesse momento para aqueles que estão sem oportunidade de continuar estudando.

De fato, está luta conquista vitórias denunciando os abusos das instituições privadas de ensino superior e construindo entidades estudantis que mobilizam essas lutas, que organizam a juventude trabalhadora e relembram a história mais ativa do movimento estudantil no país que se encontra em uma nova e mais profunda crise.

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