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segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Em decisão histórica, UFRJ revoga título de Doutor Honoris Causa de Jarbas Passarinho

Jarbas Passarinho, ministro da Ditadura Militar, que teve título de Doutor Honoris Causa revogado. Foto: Reprodução.

Karol Lima | Redação Rio

RIO DE JANEIRO – Hoje (20), o Conselho Universitário da UFRJ revogou o título de Doutor Honoris Causa concedido a Jarbas Passarinho, ex-ministro da Ditadura Militar. No governo do general-ditador Emílio Garrastazu Médici, em 1973, ele ocupou a pasta da educação. O pedido foi apresentado pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE) Mário Prata da UFRJ. O diretório estudantil, inclusive, carrega em seu nome uma homenagem ao estudante Mário de Souza Prata, assassinado por forças do Estado por lutar contra a Ditadura Militar..

“Dentre as motivações expostas para a indicação do título honorífico, consta no site deste Conselho Universitário que ele foi Ministro da Educação do Brasil. O que não consta, no entanto, são as seguintes informações: 1. que ele participou da articulação do Golpe Civil Militar de 1964, enquanto chefiava o Estado-Maior do Comando Militar da Amazônia; 2. que ele foi um dos subscritores, como membro do Conselho de Segurança Nacional, do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro de 1968 (mais de 3 anos antes de receber o título de Doutor Honoris Causa); 3. que ele foi responsável pela destituição de mais de cem dirigentes sindicais em 1968, como resposta às greves operárias da época, que pleiteavam aumentos salariais”. Afirma o parecer apresentado no conselho.

Jarbas Passarinho foi uma das pessoas diretamente responsáveis pela dura perseguição aos movimentos estudantis. Vários militantes de entidades de estudantes foram torturados, mortos e expulsos das universidades. O então minsitro apoiou o AI-5, que endureceu a ditadura militar instituindo diversas medidas para reprimir movimentos e organizações políticas.

Vitória é fruto de anos de luta por memória, verdade e justiça dentro da UFRJ

Para a representante discente do DCE Júlia Vilhena, relatora do processo, militante do Movimento Correnteza e da Unidade Popular (UP) a revogação “significa estar ao lado do serviço público, significa estar ao lado da Universidade. Isso significa estar ao lado da luta pela democracia e pela liberdade. Isso significa estar reafirmando a Universidade Federal do Rio de Janeiro enquanto um polo de resistência, que não vai se submeter ao fascismo de Bolsonaro, que não vai se submeter ao fascismo histórico e as imposições históricas do regime militar.”

A revogação deste título honorífico vem 6 anos após a retirdada do mesmo título do próprio general-ditador Médici. A luta pela memória, verdade e justiça dos herois e heroínas que tombaram durante os anos de chumbo conquistou um importante passo hoje. Trazer a verdade de nossa história, mascarada por anos pelos fascistas que ainda exaltam os que mancharam de sangue a história do nosso país, é fundamental. 

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