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Povo na rua contra a corrupção e o genocídio do Governo

Luiz Falcão, da Redação


Ato do 29M em Brasília. Foto: Emília Silberstein.

No dia 10 de maio, no Palácio da Alvorada, o presidente da República realizou um churrasco com a picanha Wagyu, cujo quilo custa R$ 1.800,00. Ao mesmo tempo, 40 milhões de brasileiros passaram o dia com uma só refeição.

Maikon Ferreira e Niedja da Silva pertencem a uma das 14,5 milhões de famílias que vivem na extrema pobreza (pessoas com renda per capita de R$ 89,00 por mês). Em janeiro, foram despejados por não terem R$ 180 para pagar o aluguel do barraco em que moravam. Vivem hoje com o filho ao lado de sete famílias debaixo de uma lona na cidade de Maceió, Alagoas.

Este mesmo presidente, que zomba da fome do povo e mobiliza aviões da FAB e 2.000 policiais militares para um passeio de moto em Copacabana, suspendeu por três meses o auxílio emergencial e jogou milhões de brasileiros na miséria extrema.

No entanto, para evitar a aprovação do impeachment, fez um orçamento secreto de R$ 3 bilhões para deputados e senadores definirem por meio de ofícios ao Ministério do Desenvolvimento Regional, onde usar o dinheiro. O “orçamento paralelo” do Governo Bolsonaro (sem partido) foi revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo no dia 09 de maio e é investigado pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Além dos deputados e senadores comprados pelo Palácio, o presidente repassou, do orçamento oficial da União, R$ 868 bilhões nos primeiros quatro meses deste ano para os “coitados” dos banqueiros e especuladores na forma de juros e amortizações da dívida pública, informa a Auditoria Cidadã da Dívida.

Mulher Yanomami denuncia ministro Salles. Foto: Hanniere Falcão.

E os escândalos de corrupção do Governo Bolsonaro não param por aí.

No final de maio, a Polícia Federal desencadeou a operação Akuanduba para desbaratar uma rede de corrupção no Ministério do Meio Ambiente. De acordo com a PF, a quadrilha comandada pelo ministro Ricardo Salles recebe propinas milionárias em troca da suspensão de multas e concessão de autorizações para madeireiras desmatarem. Uma das empresas teve 56 milhões de multas revogadas, enquanto a conta bancária do ministro de Bolsonaro teve uma movimentação atípica de R$ 14 milhões. O ministro disse que a ação da PF era “exagerada”, mas continuou sem esclarecer de onde veio o dinheiro que seu escritório de advocacia recebeu e a carga de madeira ilegal oriunda do Brasil apreendida nos Estados Unidos.

Tem mais. O Ministério da Saúde, na gestão do general Eduardo Pazuello, que alegou fluxo de caixa para a falta de oxigênio e de medicamentos necessários para a intubação de pacientes em vários estados, contratou, sem licitação, duas empresas para fazer reformas em imóveis no Estado do Rio de Janeiro. As obras custaram R$ 29 milhões e foram autorizadas pelo superintendente do Ministério da Saúde no Rio, coronel George Divério, nomeado pelo general Eduardo Pazuello.

Os filhos do presidente também estão envolvidos em atividades suspeitas. Reportagem do UOL denunciou que Carlos Bolsonaro foi padrinho da empresa Pegasus numa licitação no Ministério da Justiça no valor de R$ 25,4 milhões para compra de equipamentos de espionagem da empresa NSO Group. Após a denúncia, a empresa se retirou da licitação. Já o filho mais velho, Flávio, investigado junto com Queiroz pelo escândalo da “rachadinha”, comprou uma mansão de 2.400 m² em Brasília, com piscina, spa, academia, piscina e kit floresta por R$ 6 milhões.

Cresce a corrupção no governo e, infelizmente, o Brasil caminha para ter 500 mil pessoas mortas pelo vírus da Covid-19. O triste é saber que pelos menos 100 mil pessoas estariam hoje vivas se o presidente, como mostrou a CPI do Senado, tivesse comprado, no ano passado, mais 100 milhões de doses da vacina Coronavac e 70 milhões de doses da vacina da Pfizer. Vejam: 100 mil vidas salvas, mas não foram, porque o presidente está mais preocupado em fazer churrasco, passear de moto, passar férias no litoral de Santa Catarina e mandar “seu exército” fabricar cloroquina.

Este é, sem dúvida, o pior governo dos últimos 20 anos. É tão ruim que tenta sobreviver corrompendo deputados e senadores e nomeando 6.157 militares para receber polpudos salários públicos, que, somados aos salários que ganham das Forças Armadas, vão acumulando fortunas todos os meses. Levantamento do Metrópoles revelou que os militares comandam uma parte expressiva das empresas públicas do país: são 16 presidentes em 46 empresas, com salários iniciais estimados entre R$ 20 mil e R$ 106 mil. Apenas um general, Joaquim Silva e Luna, nomeado por Bolsonaro para presidente da Petrobras, recebe por mês R$ 226 mil. Já os ministros militares, após o reajuste de 69% em maio, recebem dos cofres públicos, cada um, R$ 39,2 mil por mês. Enquanto isso, o salário mínimo não tem reajuste real há anos e é de apenas R$ 1.100,00.

Não bastasse, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 23 milhões de trabalhadores e trabalhadoras estão desempregados. O que significa que não têm dinheiro para comprar comida, pagar aluguel, comprar botijão de gás, pagar energia elétrica e ainda sofrem com o descontrole da Covid-19. Nesse governo, como declarou Maria de Lourdes, da Ocupação João Mulungu, de Aracaju, o “bife virou coisa de rico e até ovo tá difícil de comprar”.

A classe rica, a grande burguesia e os milionários que apoiam este governo fascista vivem protegidos em suas mansões e condomínios de luxo, não usam nem ônibus nem metrô, pegam jatinhos e levam seus filhos para se vacinarem nos EUA. Ganham fortunas por dia explorando a classe operária e assaltando os cofres públicos da Nação, e, quando querem, demitem em massa. Lembremo-nos da Ford: demitiu cinco mil pais e mães, e o presidente disse que era assim mesmo. Os três maiores bancos (Itaú, Bradesco e Santander) lucraram no primeiro trimestre R$ 18 bilhões, cobram 335% de juros no cartão e demitiram 10 mil trabalhadores. Mas o governo ainda acha pouco e transfere dinheiro público para os bancos. É um governo a favor da classe rica e contra os trabalhadores.

Além da burguesia, dão sustentação a esse governo fascista os militares corruptos, de olho nas mordomias e cargos de chefia, e os deputados e senadores comprados com o orçamento paralelo.

Os trabalhadores, a maioria da sociedade, têm direito de viver num país sem corrupção e verdadeiramente democrático. A Constituição assegura ao cidadão e à cidadã direito à educação, saúde, alimentação, trabalho, moradia, transporte, lazer, segurança, previdência social, proteção à maternidade, infância e assistência aos desamparados.

Tudo isso está sendo desrespeitado por esse governo. Por isso, é dever do cidadão lutar contra esse governo genocida. Como bem disse uma faixa na manifestação: “Derrubar o Bozo é combater o vírus”.

Além disso, a Constituição Federal é clara: o poder emana do povo, e não dos filhos do presidente, de generais e de uma minoria de bilionários. Ademais, a Constituição garante o direito de ir e vir, e, portanto, o direito de ir às ruas para conquistar um governo que expresse os interesses dos que verdadeiramente trabalham e produzem as riquezas nesse país – os trabalhadores e as trabalhadoras, os negros, os pobres, os que hoje são oprimidos e explorados por essa minoria de ricaços.

Lula Falcão é membro do Comitê Central do PCR e diretor de Redação de A Verdade

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