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Mais de 41 mil famílias sofrem sem moradia digna em Campinas

LUTA POPULAR – Milhares de famílias estão desamparadas e sem moradia na cidade de Campinas; organização popular é o caminho para a mudança. (Foto: Reprodução/Denny Cesare)

“As políticas neoliberais de Bolsonaro, Paulo Guedes e todos que formam a base desse governo genocida não atendem as necessidades do povo trabalhador, agravam ainda mais a crise criada graças à exploração capitalista e a retirada dos direitos da população. Sem moradia digna e sem renda fixa, ou qualquer tipo de suporte, para que possam viver uma vida livre e plena só resta ao povo a luta pelo poder popular.”
Gustavo Canute

CAMPINAS (SP) – Apesar de uma parcela da população adulta do Brasil já estar vacinada contra o Covid-19 (31,9%), a pandemia ainda está longe de terminar, em grande parte devido a sabotagem do governo Bolsonaro na contenção do vírus e imunização imediata da sua população, defendendo os interesses capitalistas da burguesia internacional ao empurrar para o seu povo um tratamento precoce sem eficácia comprovada, e defender a abertura do comércio sem qualquer tipo de proteção ao trabalhador, garantindo o lucro da classe de empresários do Brasil, enquanto nós trabalhadores mal temos direito ao vergonhoso auxílio emergencial de R$350, auxílio disponível apenas aquelas que possuem moradia e endereço fixo.

Os reflexos dessa administração desastrosa são sentidos com maior intensidade pelo povo trabalhador, e ainda mais pela parcela do povo que se encontra em situação de rua. Em 2021 a cidade de Campinas tem um déficit habitacional de 41 mil famílias em busca de moradia popular, a situação se deve ao fato de o governo local priorizar os interesses de especuladores imobiliários e empreiteiras, e não garantir ao povo trabalhador o seu direito à moradia digna, a burocracia e falta de interesse em solucionar esse problema faz com que a cada ano aumente o número de famílias nessa situação, fazendo esse número subir de 30 mil em 2016 para 41 mil famílias em 2021.

Quando olhamos para essas informações é evidente que políticas públicas efetivas deveriam ter sido pensadas para as famílias que estão em situação de rua, ou em moradias precárias que não possuem acesso a saneamento básico, mas ao invés disso vemos a manutenção de interesses burgueses e o total desprezo a nossa população, só entre 2019 e 2020 o número de óbitos de pessoas em situação de rua praticamente dobrou, tendo um aumento de 90%.

O Jornal A Verdade conversou com Paulo e Luciano, ambos em situação de rua, e nos contaram um pouco sobre como tem sido enfrentar essa situação sob o governo genocida de Bolsonaro.

A Situação nos Abrigos

“É muita humilhação”, comenta Luciano de 35 anos, que não consegue moradia há 10 anos, “eles nos mantêm na fila por horas só pra conseguir falar com alguém de lá, e quando chega trata a gente pior que animal”. Apesar de anunciarem em suas mídias oficiais que os abrigos da prefeitura têm vaga, não é a realidade que encontramos, como nos conta Paulo de 54 anos: “muita bagunça, eu prefiro ficar no meu canto, a gente chega lá é tudo cheio e zoneado”.

Auxílio Emergencial

Ambos não conseguiram sacar o auxílio emergencial que lhes é de direito, o motivo é o fato de supostamente receberem auxílio do INSS devido a graves lesões que tiveram enquanto trabalhavam. “Quebrei meus dois braços enquanto trabalhava de pedreiro aqui perto, aí recebia o auxílio direitinho. A partir de 2018 eles começaram a falar que o banco não tem mais dinheiro pra gente” – comenta Paulo. Com Luciano o mesmo problema, baleado enquanto trabalhava, recentemente parou de receber o valor do INSS, por seus nomes estarem cadastrados no sistema do governo foi negado a eles o auxílio emergencial.

Para sobreviver trabalham com o que conseguem, Luciano coleta e vende lixo reciclável: “é o que consigo fazer, preciso de um dinheiro pra comer, pra comprar minhas coisas”. Nos dias que não conseguem dinheiro para comer, recorrem aos restaurantes próximos para que os ajudem: “é chato pedir, mas a gente pede só o simples e tem muito restaurante que nossos amigos trabalham e eles conseguem um pratinho pra gente” – comenta.

Segurança na Pandemia

“Não recebi nada”, diz Luciano sobre itens básicos de higiene e segurança contra o Covid-19. “Até tenho uma máscara aqui, mas é porque a gente consegue pegar”, Paulo complementa: “as vezes eles aparecem aqui e distribuem máscara e álcool gel, mas não é sempre não”. O mínimo de dignidade e segurança que é direito de todo trabalhador é negado ao povo em uma das maiores crises sanitárias da nossa história. Que opção dá o governo e as elites se não lutar? “Admiro muito as pessoas que entram e ocupam essas casas abandonadas, a gente tem direito de viver bem também” – finaliza outro colega de Luciano que preferiu não se identificar.

Lutar é um Direito

As políticas neoliberais de Bolsonaro, Paulo Guedes e todos que formam a base desse governo genocida não atendem as necessidades do povo trabalhador, agravam ainda mais a crise criada graças à exploração capitalista e a retirada dos direitos da população. Sem moradia digna e sem renda fixa, ou qualquer tipo de suporte, para que possam viver uma vida livre e plena só resta ao povo a luta pelo poder popular. Dessa luta nasceu o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) que é formado por milhares de famílias sem teto que lutam para fazer valer o direito de moradia e uma vida digna e melhor para o povo trabalhador do Brasil.

Os trabalhadores vivem em um Estado que se importa apenas com a defesa da propriedade privada e o lucro gerado por ela, por isso se morar com dignidade é um privilégio, ocupar é um dever e um direito de toda a classe trabalhadora.

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