UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Contra a fome e a carestia, MLB ocupa supermercados em 10 estados

 Queops Damasceno
Coordenação Nacional do MLB

            Para denunciar o alto preço dos alimentos e do custo de vida, bem como para dizer um sonoro Fora Bolsonaro, o Movimento de Luta nos Bairros Vilas e Favelas – MLB ocupou supermercados em pelo menos 10 estados da federação nesse dia 02 de abril. A ação ocorreu em conjunto com a Articulação Povo na Rua e aos movimentos sociais que, como o MLB, constroem a Unidade Popular – UP.

            Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Bahia, Pará, São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul foram os estados em que ocorreram essas mobilizações em redes bilionárias de supermercados, principalmente na rede do Grupo Pão de Açúcar e Assaí, recordistas de lucros no ano de 2021. Ainda houve uma passeata na periferia de Fortaleza, no Ceará, mas que não chegou a ir para um mercado e se dedicou ao diálogo com o povo.

            A concentração da maioria dos estados ocorreu por volta de 9 horas da manhã, em praças públicas centrais e antes de se dirigirem aos mercados, garantiram grandes passeatas e muita agitação pelo Fora Bolsonaro. Além do MLB, outros movimentos da Povo na Rua entendem que a responsabilidade pela fome e a miséria que estão matando as pessoas mais pobres nas favelas e jogando milhões para a situação de rua e para o desemprego é do governo do ex-capitão Jair Bolsonaro.

            Em São Paulo, por exemplo, a concentração se deu na praça da Sé, de onde mais de 500 pessoas vindas de ocupações e bairros humildes partiram em protesto contra o governo federal e em busca de alimentos que possam suprir emergencialmente suas necessidades.

            Já em outros estados como Minas Gerais, a manifestação começou direto no supermercado. O movimento ocupou o ASSAI de contagem com 400 famílias por volta das 10 horas da manhã e permaneceu lá bravamente até quase 17h. Vários foram os locais onde as famílias passaram mais de 6h ocupando, reivindicando a doação de cestas básicas e esperando uma resposta dos donos dos estabelecimentos. No primeiro momento, os gerentes desses locais se negaram a conversar e apenas chamaram a polícia para tentar forçar a saída das pessoas.

            Como a resistência das famílias e o desespero por não saber como voltar para casa sem comida eram grandes e não recuavam com a pressão das tropas de choque, a rede do Grupo Pão de Açúcar e Assai acabou abrindo a negociação. Mas não sem antes fechar totalmente as lojas, desligar o ar-condicionado e deixar o povo numa situação mais desconfortável ainda.

            Depois de horas de negociação, o Pão de Açúcar firmou o compromisso de incluir as 7500 famílias do MLB em programas permanentes de distribuição de cestas básicas, distribuindo-as ainda em um prazo indeterminado. Para combinar a forma e os prazos da inclusão e distribuição, foi agendada uma reunião para o dia 05 de abril, às 17h entre a rede e o movimento. As famílias que realizaram as ocupações saíram em clima de vitória, mas não de alegria.

Para Selma Maria, moradora da Ocupação Desabrigados das Chuvas de Mauá: “Só estaremos felizes quando estivermos livremente comendo o arroz e o feijão que são produzidos pelos trabalhadores em nosso país. Esse monopólio dos alimentos controla toda a cadeia de produção e distribuição da carne, do ovo e do frango. Abarrotam as prateleiras coloridas dos supermercados de comida e deixam metade da nossa população passando fome. Não é insegurança alimentar o nome disso, é fome. E o governo Bolsonaro é conivente com isso, governa para os ricos, manda a polícia para os pobres e mata nosso povo todos os dias. Chega! Queremos comer e vamos lutar!”

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