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segunda-feira, 15 de agosto de 2022

33 milhões de brasileiros passam fome todos os dias

Fome ameaça mais da metade dos brasileiros. De cada dez famílias, seis enfrentam dificuldades para comer. Ao todo, são mais de 125 milhões de brasileiros que não têm comida garantida todos os dias e 33,1 milhões estão passando fome.

HERON BARROSO
Rio de Janeiro (RJ)


Os três anos e meio de Bolsonaro na Presidência tornaram a vida da maioria do povo um inferno. Com o ex-capitão, o desemprego aumentou, os preços subiram e a fome ganhou uma proporção que há 30 anos não se via.

Apesar de viver dizendo que é um grande defensor da família, o presidente das rachadinhas é o culpado pelas panelas e pratos vazios de seis em cada dez lares brasileiros. Graças à incompetência e à corrupção de seu governo e à prioridade que ele dá para enriquecer generais, banqueiros e os deputados do Centrão, 125,2 milhões de pessoas, mais da metade da população, vivem na incerteza diária se conseguirão fazer uma refeição, a chamada “insegurança alimentar”.

Esses números foram divulgados pela Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Penssan) no dia 8 de junho. Em apenas um ano, o número de pessoas que não têm o que comer aumentou mais de 70% no Brasil. Na comparação com 2018, antes de Bolsonaro assumir o governo, a quantidade de famintos mais que triplicou, passando de 10,3 milhões para 33,1 milhões de pessoas.

O governo põe a culpa na pandemia, mas a verdade é que o aumento da fome vem de antes de 2020 e foi agravado pelo negacionismo e pelo desprezo do presidente com a vida humana. “A pandemia surge neste contexto de aumento da pobreza e traz ainda mais desamparo. Os caminhos escolhidos para a política econômica e a gestão inconsequente da pandemia levaram a um aumento escandaloso da desigualdade social e da fome no nosso país”, explica Ana Maria Segall, uma das responsáveis pela pesquisa.

A fome é mais presente nas regiões Norte (71,6%) e Nordeste (68%), em áreas rurais (60%) e em lares com crianças menores de 10 anos (66,1%). Em Alagoas, por exemplo, 200 mil pessoas não têm o que comer. “Somos um estado de esfomeados”, denuncia Lenilda Luna, dirigente da Unidade Popular (UP). “Quem passeia pela orla de Maceió, comendo nos restaurantes com vista para o mar, não enxerga a realidade dessas famílias. Alagoas vive do turismo, mas não alimenta o próprio povo”.

Em 63% dos lares chefiados por mulheres, a falta de comida é mais extrema. “A situação está muito difícil. As pessoas pagam água, luz, remédios e tentam comprar o que comer, mas a renda diminuiu muito nos últimos anos”, afirma Jozivan Antero, militante da UP e socorrista do Samu. Em maio, ele atendeu dona Terezinha Marcolino, 91 anos, encontrada desmaiada na beira da BR-230, em Patos, no sertão paraibano. O diagnóstico era fome.

Agora, eu pergunto: é justo que uma pessoa passe a vida inteira trabalhando para, quando chegar na velhice, passar por esse sofrimento? É justo que crianças, no lugar de estarem na escola ou brincando, tenham que se prostituir para ter o que comer? Que tipo de pátria é essa que humilha seus filhos e os mata de fome?

Nas grandes cidades o problema é o mesmo. “Saber que existe tanta gente com fome num país rico como o Brasil é uma coisa que corta o coração da gente. São pessoas que, se almoçam, não sabem se vão jantar ou, pior, se vão comer amanhã. A gente vê isso todos os dias nos bairros pobres e ocupações”, afirma Poliana Souza, coordenadora do Movimento de Luta nos Bairros (MLB), em Belo Horizonte. “A gente não pode achar que isso é natural ou esperar que esse governo aí resolva o problema. Só o povo pode salvar o povo”, defende.

No Rio de Janeiro, a insegurança alimentar afeta muitos moradores das favelas. “A fome, somada à violência policial e ao desemprego, destrói física e psicologicamente quem vive na favela. Somos obrigados pelo Estado a sobreviver entre o luto e a fome, principalmente nós, mulheres negras”, denuncia Giovanna Almeida, militante do Movimento Negro Perifa Zumbi. “As operações policiais paralisam o funcionamento da economia nas comunidades – muitas vezes a única alternativa frente ao desemprego –, fecham escolas, impedem que as pessoas saiam para trabalhar e que o auxílio social chegue na favela”, critica.

Avanço da miséria

Os especialistas definem insegurança alimentar como falta “de acesso pleno e regular aos alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais”.

A insegurança alimentar leve ocorre quando não há certeza quanto ao acesso à comida no futuro, além de queda na qualidade dos alimentos consumidos. Já a insegurança alimentar moderada é quando diminui a quantidade de alimentos consumidos entre adultos dentro de um domicílio. E a situação de insegurança alimentar grave se dá quando há redução na quantidade de alimentos também entre as crianças, ou seja, quando todos os membros da família não têm o suficiente para comer.

Pois bem, são mais de 33 milhões de brasileiros atualmente nessa situação. Alguns dizem que isso é fruto de uma vontade divina, enquanto outros afirmam que sempre foi assim e que nunca mudará, e que o máximo que se pode fazer é tentar diminuir um pouco o problema através da caridade e da oração. Há também quem defenda que é preciso desenvolver a economia capitalista para diminuir as desigualdades sociais.

Porém, não é possível acreditar que haja um deus no Universo que deseje a seu povo tanta fome e humilhação. Aliás, Jesus de Nazaré sempre dizia: “dai pão a quem tem fome”.

Da mesma forma, em mais de 500 anos de “desenvolvimento” capitalista, o que vemos não é a diminuição da pobreza, do desemprego, das guerras, da exploração sexual de crianças e das desigualdades sociais, mas o contrário. O que esse sistema faz é concentrar toda a riqueza produzida pelos trabalhadores nas mãos de uma minoria, a burguesia. Dessa forma, enquanto uns poucos ficam bilionários, a imensa maioria do povo vê sua vida piorar.

Caro leitor, não se engane: em época de eleição, os partidos e candidatos que defendem que é possível acabar com a fome sem fazer uma revolução popular para substituir o sistema capitalista pelo socialismo, estão mentindo para o povo e, pior, colaborando com a exploração da classe trabalhadora e com a manutenção das injustiças dessa sociedade.

De pé, vítimas da fome!

Uma dessas injustiças é o fato de o Brasil ser um dos maiores produtores mundiais de alimentos, mas metade da sua população não conseguir comer todos os dias.

Isso acontece porque a produção rural brasileira é dominada pelo agronegócio. Como o dono da terra é o grande capital, é ele quem determina o que plantar e para quem vender, visando sempre a obter o maior lucro. Assim, a nossa produção é voltada para o mercado externo e para o plantio de commodities, produtos que funcionam como matérias-primas (soja, trigo, milho).


Para piorar, a área destinada para o plantio dos alimentos básicos para a população vem
diminuindo. Dados do Censo Agropecuário de 2017 apontam uma redução de 9,5% no número de estabelecimentos de agricultura familiar em relação ao último Censo, de 2006. Esse setor é responsável por 70% do feijão, 34% do arroz e 87% da mandioca produzidos no país.

Por isso, não podemos abandonar a luta por uma reforma agrária que distribua as terras e garanta comida de qualidade na mesa de todos os brasileiros.

Porém, o domínio capitalista sobre o Brasil tornou impossível a realização dessa reforma agrária sem uma revolução socialista. Essa revolução fará mudanças radicais no país, a começar pela socialização de todos os principais meios de produção e sua entrega para o controle dos trabalhadores. A produção dos alimentos deixará de ter como objetivo o lucro e passará a atender unicamente às necessidades da sociedade. Toda a economia será organizada a fim de distribuir as riquezas entre todos os trabalhadores, acabando com o desemprego, a pobreza e a fome.

O socialismo, portanto, não é um sonho, mas uma necessidade urgente dos famintos, dos sem trabalho, dos sem terra e dos sem teto, enfim, de todas as pessoas na mesma situação da dona Terezinha. Sem dúvida, com o avanço da nossa luta e do trabalho de denúncias e conscientização política que temos feito em todo o país, as vítimas da fome estão a perceber “que são apenas vidraças que nos separam deste bom pão que nos falta”.

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