UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

quinta-feira, 6 de outubro de 2022

7 de setembro nas ruas: o que significa uma ditadura para o povo das periferias

Apesar das grandes dificuldades do dia-a-dia e da necessidade de uma revolução social para que exista uma democracia verdadeira, da qual possamos ter orgulho e na qual possamos viver com dignidade, uma ditadura significa muito mais dor e sofrimento, miséria, violência e injustiça para o povo pobre, a juventude, os negros, as mulheres, toda a classe trabalhadora e o povo brasileiro. Por isso, defender nossa democracia, para garantir os direitos conquistados e poder lutar por mais, é uma necessidade.

Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas – SP


SÃO PAULO – Todo morador de periferia, seja ele jovem, trabalhador ou trabalhadora, pai ou mãe de família, pensa todos os dias em como ter uma vida melhor. Somos milhões de brasileiros e brasileiras que lutam diariamente pela sobrevivência e enfrentamos a falta de acesso à direitos básicos como emprego com carteira assinada, moradia digna, saneamento básico, educação e saúde de qualidade, segurança, etc.

Somos a maior parte do povo brasileiro e, muitas vezes, aprendemos pela experiência da vida a ver o Estado e o Governo mais como um problema do que como uma solução em nossas vidas. De fato, que democracia existe em um país onde metade da população enfrenta todos os dias o risco de não ter o pão na mesa? Um país onde a polícia nos dá medo e não segurança, sendo responsável por inúmeras chacinas nas favelas; um país onde a política é dominada pelos ricos e o povo nunca é chamado para tomar as decisões importantes, onde quase todos os políticos aparecem apenas de 4 em 4 anos para pedir votos e fazer promessas vazias, para logo depois governarem com os banqueiros e contra o povo.

Apesar dessas dificuldades cotidianas, o povo brasileiro realizou inúmeras lutas e conquistou importantes direitos; são frutos da luta popular o salário mínimo, o direito a férias, décimo terceiro e aposentadoria, a existência da educação pública, o Sistema Único de Saúde (SUS), e todos os outros benefícios e serviços públicos que os trabalhadores podem acessar. São conquistas também o direito de votar, de eleger os governantes e de nos organizar em partidos populares que lutam pelos trabalhadores, como a Unidade Popular pelo Socialismo (UP).

Mas todos esses direitos estão em risco. Bolsonaro, os generais que participam de seu Governo e os banqueiros que dominam a economia do país estão preparando um golpe para não saírem do poder, pois sabem que irão perder as eleições se o povo tiver direito de votar e escolher o Presidente. 

O fascista e sua quadrilha não querem abrir mão dos bilhões que estão roubando dos cofres públicos neste que é um dos governos mais corruptos da história. Em caso de golpe, a conta dessa corrupção continuará sendo paga por nós, que teremos menos médicos e remédios no posto de saúde, veremos mais salas de aulas sendo fechadas e crianças e jovens sem poder estudar, as contas de água, luz e a tarifa do transporte continuarem aumentando e os investimentos para construção de moradias populares e melhorias de saneamento básico na periferia serem cada vez menores.

Movimentos sociais convocam manifestações em defesa da democracia para o 7 de Setembro. Foto: Luara Bin / JAV

Além de continuar roubando, Bolsonaro quer aumentar a repressão sobre o povo pobre; um golpe serve justamente para que, apesar da piora de vida que o povo enfrentará nos próximos anos, uma ditadura impeça que os governantes sejam denunciados e os trabalhadores lutem pelo que é seu por direito. Foi assim durante a Ditadura Militar de 1964 a 1985: apesar da corrupção e da miséria, qualquer contestação era reprimida com violência, durante a Ditadura milhares de pessoas foram presas, torturadas, desaparecidas e/ou mortas pela polícia; entre elas, militantes políticos que lutavam pela liberdade, mas também trabalhadores comuns que, por serem pobres e moradores de periferia, morriam ao reivindicar comida e trabalho. Em uma nova ditadura a polícia será ainda mais violenta, as chacinas aumentarão, as milícias terão ainda mais poder sobre nossos bairros e comunidades, e nosso direito de nos organizar e lutar, fazer greves, passeatas, ocupações ou quaisquer outras formas de reivindicação será respondido à tiros, bombas e prisões.

Por fim, um golpe tem ainda o objetivo de fortalecer o domínio dos ricos sobre os trabalhadores. Bolsonaro quer aumentar a fortuna de sua família e de seus amigos e fará isso roubando o trabalhador através da corrupção, mas também através da diminuição do salário, do corte dos direitos trabalhistas, do aumento da inflação, do preço dos alimentos, da gasolina, do gás de cozinha e dos juros do cartão de crédito, do fim da aposentadoria e das pensões e benefícios para quem precisa, das privatizações e venda das riquezas nacionais para os capitalistas estrangeiros. O golpe fascista quer colocar uma ditadura para que os ricos possam aprovar leis ainda mais prejudiciais ao trabalhador, sem que o povo tenha direito de votar e escolher um outro Governo.

Em resumo, apesar das grandes dificuldades do dia-a-dia e da necessidade de uma revolução social para que exista uma democracia verdadeira, da qual possamos ter orgulho e na qual possamos viver com dignidade, uma ditadura significa muito mais dor e sofrimento, miséria, violência e injustiça para o povo pobre, a juventude, os negros, as mulheres, toda a classe trabalhadora e o povo brasileiro. Por isso, defender nossa democracia, para garantir os direitos conquistados e poder lutar por mais, é uma necessidade.

No próximo dia 7 de setembro, Dia da Independência, mas também do grito dos excluídos, precisamos estar nas ruas para vencer Bolsonaro e sua quadrilha. Se os fascistas nos ameaçam e marcam para esse dia as mobilizações golpistas, nosso dever é estar na rua, defendendo nossa vida, nossas famílias, nossa liberdade e nossos direitos ao trabalho, ao pão e à paz.

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