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terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Fascistas são contra a democracia e odeiam os comunistas

Luiz Falcão | Comitê Central do PCR


Desde que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) anunciou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, para presidente da República, derrotando o candidato dos generais e do Centrão, milhares de fascistas de maneira orquestrada vêm realizando manifestações antidemocráticas em várias cidades.

No último dia 15 de novembro, foram para frente dos quartéis do Exército em oito capitais. Em determinado momento, deram as mãos e oraram, não para pedir perdão dos seus pecados, mas para implorar uma intervenção militar que destrua o voto de 90 milhões de brasileiros e brasileiras.

A última vez que as Forças Armadas deram um golpe militar foi para depor o presidente eleito João Goulart, em 1964. À época, prometeram realizar eleições diretas em dois anos. Mas logo esqueceram a promessa e implantaram uma ditadura militar que torturou e assassinou os que lutavam por liberdades democráticas, censurou músicas, peças de teatro, cassou deputados, nomeou senadores biônicos, interviu em sindicatos, incendiou a sede da UNE, entregou nossas riquezas ao capital estrangeiro, promoveu inúmeros escândalos de corrupção, arrochou os salários dos trabalhadores e chamou todas essas desgraças de “milagre brasileiro”.

A bem da verdade, os fascistas só assumiram a Presidência da República no Brasil por meio de golpes militares. A exceção foi em 2018, mas lembremos que houve o golpe do impeachment de Dilma Roussef e a prisão de Lula, ambos ocorridos por pressão e conspiração dos generais fascistas.

Derrotados se organizaram para bloquear rodovias, tocar fogo em pneus e atravessar caminhões nas estradas. O objetivo era criar um clima de caos e desordem para justificar a intervenção militar. Agiram contra o direito de ir e vir, impediram que trabalhadores se dirigissem ao trabalho e que ambulâncias transportassem doentes. Por três dias, graças à colaboração do diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) Silvinei Vasques e de oficiais das Polícias Militares de São Paulo e Santa Catarina, entre outros, mantiveram os bloqueios.

Repudiados pelo povo, os fascistas mudaram de tática e foram em busca da mão amiga e do braço forte do Exército.  Montaram barracas com grande quantidade de frutas, queijo, leite e organizaram até churrascos com cervejas e se postaram em frente aos quartéis do Exército. Os comandantes militares das Forças Armadas fizeram questão de assinar nota pública para revelar sua simpatia e saudar as manifestações antidemocráticas. Na certa, não lembraram que, em 1985, o Exército invadiu quatro refinarias da Petrobras para impedir que os petroleiros exercessem seu democrático direito de greve.  

Quem financia os atos antidemocráticos?

Mas quem paga os carros de som, os caminhões, fornece a alimentação, paga diárias aos motoristas e distribui camisas amarelas nos atos golpistas?

Procuradores da Justiça de vários estados que investigam o caso descobriram que os bloqueios nas estradas e os atos nos quartéis do Exército são financiados por uma grande organização formada por ricos empresários e fazendeiros.

No domingo, dia 06 de novembro, 100 caminhões com a bandeira do Brasil chegaram a Brasília; 23 deles saíram da cidade de Água Boca, Mato Grosso, 12 caminhões tinham o nome da empresa Agritex, revendedora de máquinas agrícolas e que mostrou em seu Instagram seus veículos chegando à Capital para apoiar os golpistas.  

A descarada ação dos empresários para engrossar as manifestações foi revelada por um dos reis do agronegócio, Victor Cezar Priori, organizador dos atos em Goiânia: “Minhas empresas estão todas fechadas, de todas as fazendas tem gente nas rodovias, os caminhões e tudo estão colaborando”, declarou o empresário fascista.

Outro capitalista que apoia os atos antidemocráticos é Emilio Dalçoquio Neto, herdeiro de uma transportadora catarinense e ex-presidente do Sindicato das Empresas de Veículos de Cargas de Itajaí (Seveículos). A própria Polícia Rodoviária Federal (PRF) apontou o empresário como um dos líderes dos atos ilegais que fecharam rodovias catarinenses. Dalçoquio é aliado e amigo íntimo de Bolsonaro e divulgou vídeo direcionado a caminhoneiros e a empresários do agronegócio, em que declara: “Eu não aceito o comunismo! Vamos aguardar as próximas horas. Já vai falando com amigos de vocês do agronegócio e caminhoneiros.”

A empresa de transportes Transben, de propriedade do cunhado de Luciano Hang e que foi denunciada por assédio eleitoral antes das eleições, recebeu três multas por participar dos bloqueios ilegais em Santa Catarina. Hang é proprietário da Havan, uma das maiores redes de lojas de departamentos do Brasil e o 21° mais rico do Brasil e também se declara anticomunista. 

Este ódio aos comunistas não é à toa: os comunistas são contra a exploração do homem pelo homem, defendem uma sociedade sem pobres e sem ricos e na qual todos trabalhem, produzam e usufruam de forma comum das riquezas produzidas. Os comunistas também defendem que o poder seja do povo e que haja respeito à vontade e aos interesses da maioria.

Os fascistas são o contrário dos comunistas: desprezam a democracia, defendem uma ditadura militar e querem impor sua ideologia à sociedade.  Falam em Deus e pátria, mas amam mesmo o dinheiro e querem enriquecer a qualquer custo. Os fascistas não aceitam trabalhar pelo bem e o progresso do país, mas adoram explorar até a última gota de sangue os trabalhadores e as trabalhadoras.

Porém, para felicidade do povo e da nação, eles não conseguirão nos engolir. O povo brasileiro decidiu: não quer a continuidade do governo de Jair Bolsonaro e não aceita nenhuma ditadura militar. As razões são inúmeras. Bolsonaro é preguiçoso e não gosta de trabalhar. Vive da política há mais de 30 anos e nunca trabalhou oito horas por dia numa fábrica ou em qualquer empresa. Seus filhos seguem o mesmo caminho: um é senador, outro deputado federal e um terceiro é vereador.

No repugnante caso do “pintou um clima”, ficou revelado por que ele passeia tanto de moto em Brasília. Não é médico, mas receitou cloroquina contra a Covid para enriquecer os donos da indústria farmacêutica. Resultado, o Brasil só teve vacina depois que centenas de milhares de pessoas já tinham morrido de Covid.

Quando os pobres mais precisavam de ajuda, ele reduziu o valor do Auxílio Emergencial para R$ 400 e, em seguida, o suspendeu por três meses, mas manteve os incentivos fiscais e financeiros para os grandes empresários. Após quatro anos de seu governo, 40 milhões de trabalhadores não têm carteira assinada e, consequentemente, não terão direito à aposentaria. Transformou o MEC num balcão de negócios, liberando verbas em troca de barras de ouro. Permitiu o contrabando de milhões de toneladas de madeira para o exterior e interviu na Polícia Federal para evitar que seus filhos pagassem pelo crime da “rachadinha”, entre outros.  

Por tudo isso, o genocida foi derrotado no primeiro e no segundo turnos. Se não se recolher a sua insignificância, sofrerá sua derradeira derrota e terminará seus dias como seu grande ídolo, o nazista Hitler.

Editorial publicado na edição impressa nº 262 do Jornal A Verdade (2ª quinzena de novembro).

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  1. O texto é bem esclarecedor e traz informações precisas sobre a coordenação dos atos golpistas. Só tenho uma observação, a cidade de Mato Grosso onde saíram 23 caminhões que chegaram em Brasília, se chama Água Boa e não Água Boca. No mais, ficou muito bom.

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