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sábado, 13 de julho de 2024

“Argentina, 1985”: um convite cinematográfico à luta pela justiça

 “Argentina, 1985”, lançado em 2022, é um filme dirigido por Santiago Mitre e indicado ao Oscar que retrata a batalha travada por Júlio Strassera, Moreno Ocampo e um grupo de jovens juristas para que fosse feita justiça aos responsáveis pelos crimes cometidos pela ditadura militar na Argentina.

Isabella Catarina e Pedro Antonelli


SÃO PAULO – O filme se passa no período de redemocratização pós-ditadura e deixa evidente como a democracia da burguesia que estava sendo retomada também estava, direta ou indiretamente, ao lado dos militares.

Durante todo o filme assistimos a reprodução de diversos testemunhos de pessoas que foram presas pelo regime dos fascistas da Junta Militar, comandada por Videla e Massera, que matavam e torturavam presos, muitas vezes sem nenhuma razão.

São expostos nesta obra alguns dos depoimentos das mães, trabalhadores e jovens que sentiram em sua própria pele os horrores cometidos pelos representantes da burguesia fascista.

A ditadura argentina, assim como a brasileira, foi cheia dos mais terríveis crimes contra a humanidade: estupros, afogamentos, choques e, em muitos casos, corpos sendo lançados de helicópteros para que fossem ocultados. O motivo para tamanha crueldade foi o mesmo em todas as ditaduras latinas: o lucro e o medo da ideologia da libertação dos povos.

A indústria cinematográfica é um dos aparatos fundamentais para a consolidação da hegemonia da ideologia burguesa em nossa sociedade pois é através dessas aparentemente simples e inofensivas produções que a burguesia se concretiza no mundo das ideias.

A presença de “Argentina, 1985” na lista de indicações a maior premiação de cinema do planeta, marcada pelo imperialismo e por todos os seus símbolos de ódio, pode nos fazer enxergar pequenas, mas significativas mudanças políticas em nossa sociedade.

O filme faz um convite ao povo brasileiro a ter força e convicção de que o grande dia chegará. A punição dos torturadores e apoiadores da ditadura e a luta pela memória, verdade e justiça só depende da organização política do povo brasileiro.

Cada processo é único, o povo argentino conquistou a punição dos militares poucos anos após a queda da ditadura enquanto os torturadores brasileiros não foram sequer julgados; mas isso não deve nos desanimar. Apesar de tantos anos impunes e de torturadores morrendo de velhice, há de chegar o dia da vitória.

Hoje podemos afirmar que se um órgão de uma Universidade Federal foi o responsável pela descoberta e pelo reconhecimento das ossadas de dezenas de presos políticos e que se a cada dia que passa surgem novos núcleos de povo organizado exigindo justiça, estamos mais perto que nunca do nosso objetivo.

É de extrema importância que a luta por Memória, Verdade e Justiça alcance as mais amplas massas e que sejam realizados grandes julgamentos para que os assassinos dos lutadores e lutadores do povo, sejam responsabilizados e não sejam tratados como heróis, como fazem os fascistas que invadiram o Palácio do Planalto no último dia 8.

Enquanto os responsáveis pela morte de Manoel Lisboa, Manoel Aleixo, Helenira Resende, Carlos Marighella, Iara Iavelberg, Emmanuel Bezerra e tantos outros e outras não forem julgados e declarados culpados, nossos jovens continuarão sendo assassinados nos becos e vielas das nossas periferias.

Para que não se esqueça e nunca mais aconteça.

Por Memória, Verdade e Justiça.

Abaixo ao fascismo! Viva o socialismo!

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