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quarta-feira, 29 de maio de 2024

Câmara de Campinas aprova frente parlamentar de combate ao aborto legal

20 vereadores votaram a favor da criação de uma frente parlamentar cujo objetivo é combater o aborto em quaisquer circunstanciais.

Mayara Fagundes e Patricia Kawaguchi | Movimento de Mulheres Olga Benario


CAMPINAS – Ainda que seja um direito garantido por lei, desde 1940, para casos de estupro ou quando a vida da gestante está em risco, vereadores aprovaram a criação da frente parlamentar no começo de fevereiro. O requerimento de autoria de Jorge Schneider (PL) entrou na pauta da primeira sessão da Câmara de Campinas, no dia 1 de fevereiro, ocasião em que não foi votado por falta de quórum.

Nessa noite o vereador debochou e ofendeu as mulheres que estavam se manifestando contra esse retrocesso absurdo, chamando-as de “feias”, demonstrando sem pudores o seu machismo. Na segunda noite, sua postura foi mais comedida, afirmando que era vítima de um mal entendido, pois as mulheres não compreendiam a proposta da frente.

Sabemos bem que não se trata de um mal-entendido. A proposta da frente é uma nítida resposta à retirada do Brasil do Consenso de Genebra Sobre Saúde da Mulher e Fortalecimento da Família, criado em 2020 por Donald Trump, para ser uma aliança internacional contra qualquer tipo de aborto.

A frente parlamentar ganhou a votação por 20 votos contra 6 – apenas a bancada de esquerda votou contra. Os vereadores inimigos das mulheres são: Arnaldo Salvetti (MDB), Carmo Luiz (Podemos), Debora Palermo (Podemos), Eduardo Magoga (Podemos), Fernando Mendes (Republicanos), Filipe Marchesi (PSB), Higor Diego (Republicanos), Jorge Schneider (PL), Juscelino Barbarense (PL), Luiz Cirilo (PSDB), Major Jaime (PP), Marcelo Silva (PSD), Marrom Cunha (Solidariedade), Nelson Hossri (PSD), Otto Alejandro (PL), Paulo Haddad (Cidadania), Professor Alberto (PL), Rodrigo Farmadic (União Brasil), Rubens Gás (PSB) e Zé Carlos (PSB).

Em 2022, Campinas registrou o maior número de estupros em 10 anos, uma média de 2,7 registros por dia. Além dos dados alarmantes de violência e feminicídio. Nessas situações os grandes defensores da “vida” não realizaram nenhuma nota ou comoção em solidariedade às vítimas.

Quem verdadeiramente se preocupa com a vida e a saúde das mulheres compreende que o aborto não é uma questão moral, mas de saúde pública. Estima-se que o aborto inseguro mata uma mulher a cada dois dias.

Apenas organizadas poderemos mudar essa situação. É necessário que estejamos em luta para barrar todo retrocesso e defender nossos direitos e nossas vidas. É inaceitável que esses homens, que representam uma burguesia mesquinha, tenham o poder de decidir sobre os corpos das mulheres.

É preciso avançar na descriminalização do aborto e não retroceder e discutir a sua proibição nos casos permitidos por lei.

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