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domingo, 26 de maio de 2024

Putin e Biden: mercenários da burguesia mundial

A barbaridade da guerra entre o governo capitalista da Rússia, apoiado pela China, e o governo da Ucrânia, apoiado pelos países imperialistas da Europa e os EUA, revela-se também no tratamento cruel e desumano dado aos refugiados e imigrantes que imploram por um trabalho para continuarem vivendo. Para salvá-los dos naufrágios e promover ajuda humanitária não há dinheiro, mas para gastar com bombas, guerras, drogas e corrupção, os cofres das nações burguesas estão sempre abertos.

Luiz Falcão | Redação


EDITORIAL – Por ordem de Vladimir Putin, no dia 24 de fevereiro de 2022, as Forças Armadas da Rússia bombardearam Kiev, capital da Ucrânia, e invadiram o país com 100 mil soldados. A guerra já dura quase 500 dias e, para justificá-la, Putin e a grande burguesia russa vivem repetindo a mentira de que a invasão da Ucrânia tem o objetivo de “desnazistizar” o país e proteger a Rússia das ameaças da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), organização que representa os interesses belicistas da Alemanha, França, Reino Unido e, principalmente, dos EUA. Partidos revisionistas de esquerda chegaram a realizar quatro encontros internacionais em um ano e meio para endossar este discurso de Putin e declarar apoio à covarde agressão do imperialismo russo ao povo ucraniano. 

Mas, as mentiras, cedo ou tarde, caem por terra. Não foi diferente com o discurso de Putin e de seus apoiadores. No último 23 de junho, o milionário Yevgeny Prigozhin, proprietário do Grupo Wagner, um exército de 25 mil mercenários recrutados nas prisões e tropa de choque da Rússia em várias guerras, tomou de assalto o quartel-general da importante cidade de Rostov, iniciou um levante armado e acusou o ministro da Defesa Serguei Shoigu de inventar mentiras, enganar a sociedade e o presidente e contar uma história louca de que a Ucrânia planejava atacar com toda a Otan: “Estamos banhados de sangue. A invasão da Ucrânia visa a tomar o controle de recursos e indústrias ucranianas para distribuir à elite russa”.

Se há algo impossível é “desnazistizarqualquer coisa com as tropas do Grupo Wagner. De fato, um dos principais chefes dessa organização fascista é Dmitri Utkin, que, além de ter tatuado em seu corpo o símbolo da SS de Hitler, formou uma unidade militar nazista e é conhecido por integrar grupos de extrema-direita que defendem a supremacia branca no mundo. 

Alguns tentam dizer que não é possível levar a sério as declarações de Prigozhin, pois ele esteve preso por nove anos e apenas saiu da prisão com o fim da União Soviética. Sendo verdade, deve-se confiar menos ainda no governo russo, que, no ano passado, pagou US$ 2 bilhões pelos serviços das empresas de Yevgeny Prigozhin, transformando-o no maior fornecedor de alimentos para o Exército russo, autorizou a fundar um poderoso grupo militar privado dentro da Rússia e permite, até hoje, que o Grupo Wagner represente os interesses da Rússia na Síria, na República Centro-Americana, no Mali, Líbia e Sudão. Aliás, é por indicação de Putin que Yevgeny Prigozhin negocia comissões nos lucros da exportação de petróleo sírio. 

Depois de prometer esmagar os revoltosos, Putin, no dia 6 de junho, selou um acordo entre com Prigozhin, intermediado pelo presidente da Belarus, Alexander Lukashenko. As medidas adotadas contra o Grupo Wagner foram aceitas e os mercenários que desejassem poderiam ingressar no Exército russo.    

Além de desmascarar as mentiras de Putin, o levante do exército de mercenários deixou evidente o acirramento da disputa entre as diversas facções da burguesia russa para repartir a pilhagem da Ucrânia e a crescente insatisfação do povo russo com uma guerra, que já matou mais de 100 mil soldados russos. 

A marionete Zelensky

Entretanto, não é só Putin que tem mercenário para fazer seu trabalho sujo (se é que algum dia ele fez alguma coisa limpa). Os EUA e as potências capitalistas da Europa (Alemanha, França e Inglaterra) contam com a subserviência total de Volodymir Zelensky para anexar a Ucrânia a Otan. Aproveitando da covarde agressão do governo russo, Zelensky, apesar de declarar que faz uma guerra patriótica, não passa de uma marionete dos países imperialistas.

Com efeito, os EUA já entregaram a Zelensky e seus ministros US$ 77,5 bilhões, três vezes o orçamento militar da Ucrânia. Por sua vez, os principais países que integram a União Europeia (UE) gastaram 18 bilhões de euros com a compra de drones, armas e munições para o governo ucraniano. 

Porém, enquanto rios de dinheiro são gastos com bombas e guerras, milhões de pessoas nesses países estão desempregados e vivem na pobreza. A Alemanha, um dos maiores financiadores da guerra, tem 13 milhões de pobres e os EUA, 25,6 milhões. Além disso, a maioria da população europeia sofre com a inflação, aumentos constantes no preço da energia elétrica, arrocho salarial e ataques ao direito de aposentadoria. 

A barbaridade da guerra entre o governo capitalista da Rússia, apoiado pela China, e o governo da Ucrânia, apoiado pelos países imperialistas da Europa e os EUA, revela-se também no tratamento cruel e desumano dado aos refugiados e imigrantes que imploram por um trabalho para continuarem vivendo. Para salvá-los dos naufrágios e promover ajuda humanitária não há dinheiro, mas para gastar com bombas, guerras, drogas e corrupção, os cofres das nações burguesas estão sempre abertos.

É uma vergonha que milhares de drones e aviões sejam usados numa guerra imperialista, mas não há um só drone ou navio para evitar o afogamento no mar de centenas de crianças a poucos quilômetros dos chamados países ricos. Tem mais: de acordo com o chefe do Estado-Maior do Exército da Noruega, Eidik Kristoffersen, a guerra imperialista na Ucrânia já matou mais de 300 mil pessoas entre civis e militares russos e ucranianos. 

Enganam-se os que pensam que essa e outras carnificinas acabarão com o apoio ao bandido mais fraco diante do bandido mais forte.  Para a classe dos exploradores, a burguesia, não importa se o dinheiro vem de armas, de alimentos fornecidos para exércitos ou vendidos nos supermercados. Enriquecer é o único princípio moral da classe capitalista russa, europeia, estadunidense ou brasileira. Por isso, os partidos verdadeiramente revolucionários devem denunciar cada uma das atrocidades cometidas pelos governos capitalistas e lutar pela derrubada dos bárbaros e sanguinários governos da burguesia em todo o mundo.

Editorial publicado na edição nº274 do Jornal A Verdade.

ATUALIZAÇÃO (24/08/23): Ontem (23), exatamente 2 meses após a rebelião do Grupo Wagner, Yevgueni Prigozhin e Dmitri Utkin foram mortos num acidente de avião na regiao de Tver, perto de Moscou. O governo russo afirma que ainda irá investigar as causas do acidente, mas não seria surpresa ele ter sido causado intencionalmente, dado que Prigozhin e Utkin se rebelaram contra o Kremlin.

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