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quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Aumento da passagem de ônibus em Feira de Santana é consequência de políticas fascistas

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As principais causas do reajuste da tarifa em Feira de Santana são o oportunismo da prefeitura em propor tal reajuste após acordo coletivo com trabalhadores rodoviários e a política fascista perpetrada pelos governos Temer e Bolsonaro que levaram à privatização da Refinaria Landulpho Alves na Bahia.

Gabriel Reis | Feira de Santana – BA


LUTA POPULAR – A partir da metade de julho começou a valer o aumento no preço da passagem de ônibus na cidade de Feira de Santana (BA), segunda maior cidade do estado. A tarifa aprovada pela Câmara Municipal da cidade no dia 15 de julho passa de R$ 4,15 para R$ 4,90, sendo que o preço pelo bilhete eletrônico Via Feira é de R$ 4,75. Com esse valor a meia passagem estudantil passa a valer R$ 2,35 entretanto, foi extinta a possibilidade de meia passagem entre horários de pico, ou seja, nos horários menos movimentados entre 9h a 12h, 13h a 15h e após 20h todos os usuários do transporte público da cidade pagam o valor integral da passagem. Foi extinta também a linha Expresso Novo Centro, linha de ônibus que rodava em Feira de Santana pelo custo de apenas R$ 0,50. 

Em entrevista ao portal de notícias Acorda Cidade, o Secretário de Transporte e Trânsito Sérgio Carneiro disse que o reajuste na tarifa se deu por conta do crescimento do preço do óleo diesel, do acordo coletivo do dissídio dos rodoviários e o aumento do salário mínimo.

“O Conselho deliberou nesta manhã; foi uma decisão por unanimidade, em que a Via Feira mostrou seus números e nós da prefeitura estávamos acauteladamente verificando através das fontes oficiais, os acordos coletivos do dissídio dos rodoviários que foi dado no mês passado, aumento do vale transporte, a questão da depreciação da frota, aumento do óleo diesel. O óleo diesel cresceu em novembro de 2019 a maio de 2023, em 34%. O INPC foi apurado em 27,5%. O IPCA que é o menor índice de inflação usado no Brasil, foi de 26,5%. E o salário mínimo cresceu nesse período 29%” afirma o Secretário.

Analisemos cada um dos pontos trazidos pelo Secretário.

Oportunismo

É algo tentador para a burguesia afirmar que a causa de algo que prejudica todos os trabalhadores é culpa da luta de uma categoria trabalhista específica, neste caso os trabalhadores rodoviários. Este acordo coletivo foi obtido após várias paralisações feitas pela categoria uma vez que os rodoviários estavam a meses sem receber os devidos encargos, como já foi denunciado pelo A Verdade.

Outro ponto a se lembrar também é que nos últimos 4 anos de governo Bolsonaro o salário mínimo não teve reajuste acima da inflação, o que significa que os trabalhadores perderam poder de compra. Somente este ano é que voltou a política de aumento salarial acima da inflação.

Percebe-se assim o oportunismo por parte da prefeitura em aprovar esse aumento logo após um acordo coletivo, assim como fazê-lo sem nenhuma perspectiva de melhoramento do sistema de transporte público. Mas não somente de oportunismo é composto esse reajuste da tarifa.

Privatização impede redução de combustíveis 

Em matéria publicada na edição nº 274 do Jornal A Verdade, a Petrobrás pôs fim ao PPI (Preço de Paridade de Importação) que era a verdadeira causa dos elevados preços dos combustíveis em nosso país. Essa política em nada beneficiava o trabalhador e servia unicamente para enriquecer os acionistas privados da Petrobrás.

Por conta do fim do PPI houve uma redução de 21,3% no gás de cozinha e de 12% na gasolina e no diesel em todo o país, segundo dados levantados pelo jornal Brasil de Fato. Entretanto, a Bahia não será beneficiada por essa redução por conta da privatização da Refinaria Landulpho Alves. Ou seja, por possuir uma gestão privada, a refinaria não é obrigada a seguir a tendência nacional e manterá a antiga política de preços. Ademais, o preço alto dos combustíveis também afeta a inflação porque aumenta os preços dos alimentos.

O crescimento dos índices de inflação (INPC e IPCA) assim como do preço do diesel não são obra do acaso, mas consequência de uma política fascista perpetrada nos últimos 7 anos.

Fascismo: um projeto econômico 

O fascismo, antes de mais nada, é a forma mais reacionária que a burguesia nacional e internacional tem de garantir e aumentar seu domínio sobre as riquezas nacionais. A operação Lava Jato, o golpe contra a presidente Dilma e os governos reacionários de Temer e Bolsonaro tiveram por objetivo aumentar a exploração da classe trabalhadora impondo medidas como a Reforma Trabalhista, a Reforma da Previdência, o Teto de Gastos, a Autonomia do Banco Central, o desmonte da Petrobrás e o juros exorbitante de 13,75%. Enquanto essas medidas impostas nos últimos 7 anos não forem derrotadas, o fascismo continuará sendo uma realidade em nosso país.

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