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sábado, 22 de junho de 2024

100 mil pessoas morreram de overdose nos EUA em um ano

Recorde de mortos mostra falência do sistema capitalista na maior economia do planeta.

Igor Barradas | Redação RJ


INTERNACIONAL –  Os trabalhadores estadunidenses são vítimas do covarde regime capitalista-imperialista. Vivem em meio à pobreza, desemprego, políticas fascistas anti-imigrantes e brutalidades policiais. Há dois anos atrás, os Estados Unidos testemunharam outro marco fúnebre em sua história. De acordo com o órgão de saúde Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), pela primeira vez, as overdoses mataram mais de 100 mil pessoas em todo o país em um único ano.

Cada vez mais estadunidenses morrem diariamente por overdose de drogas, principalmente a droga fentanil, representando 66% das últimas mortes por overdose no país. Recentemente, agentes federais afirmaram ter apreendido 379 milhões de doses de fentanil no território dos EUA, o suficiente para matar toda a população local.

O fentanil é um opióide utilizado como medicação para a dor e também pode ser usado juntamente com outros medicamentos para a anestesia. O uso desta droga sintética é 50 vezes mais forte que a heroína e mata quase 300 pessoas por dia nos Estados Unidos.

Mortes e lucro das indústrias farmacêuticas e das clínicas de reabilitação

A prescrição excessiva e desenfreada de opióides serve para aumentar os lucros da indústria farmacêutica. De acordo com o jornal Al Jazeera, em dois anos, nove milhões de comprimidos de opiáceos foram enviados para uma única farmácia numa cidade com uma população de 400 pessoas, na Virgínia Ocidental. Não à toa, quando voltam das guerras, os veteranos militares dos EUA possuem duas vezes mais probabilidades de morrer de overdose de opiáceos do que o restante da população.

De fato, a falta de um sistema público de saúde que regule a indústria farmacêutica, como temos no Brasil, ajuda o fentanil a expandir mais. Como é uma droga legalizada,  a comercialização da droga em sua versão adulterada, clandestina, não tem como ser descoberta com facilidade. Nem como saber se as próprias farmacêuticas não traficam a droga desta forma.

O caminho que traçam para os trabalhadores nos EUA é ser jogado no vício em drogas e não conseguir nunca se recuperar pelo fato de não existir um sistema público de saúde que possa ajudar na reabilitação. De acordo com o American Addiction Centers, custa no mínimo 250 a 800 dólares para ficar internado em uma clínica de reabilitação privada estadunidense.

Atualmente, o salário mínimo federal nos Estados Unidos é de 7 dólares por hora. Se forem trabalhadas 24h por dia, recebem 174 dólares. A verdade é que só os ricos conseguem custear as clínicas de reabilitação privadas. Os pobres possuem duas opções: ou são impedidos de serem reabilitados, ou vivem endividados para o resto de suas vidas tentando pagar as rehabs.

SISTEMA DESUMANO. Nos Estados Unidos, a população em situação de rua é incapaz de de recuperar gratuitamente do vício em drogas, pois não há saúde pública. (Foto: Reprodução)

EUA: maior financiador da indústria da morte e consumidor de drogas em todo o mundo

É de conhecimento geral que os imperialistas forçam o povo estadunidense a morrer de overdose e fome. A atual epidemia de opióides é uma das maiores epidemias de drogas registradas nos EUA. De 1999 a 2017, houve quase 400.000 mortes por overdose envolvendo opióides nos EUA. Em 2018, 10,3 milhões de pessoas usaram indevidamente opióides, incluindo opióides prescritos e heroína, e dois milhões tiveram transtornos por uso deste tipo de droga.

Os EUA são o país que mais consome drogas no mundo, com 4 milhões de consumidores no último ano. A causa principal para essa estatística é a miséria que assola o povo estadunidense. Segundo pesquisa divulgada este mês pelo Centro de Prioridades Orçamentais e Políticas (CBPP), foi revelado o crescimento da pobreza de 7,8% para 12,4% no principal país capitalista do mundo, afetando 40,9 milhões de pessoas

Após os EUA, o segundo que mais consome drogas é o Brasil, com 2,8 milhões de consumidores. Depois do Brasil seguem vários países sul-americanos. Isso não ocorre à toa. O governo estadunidense financia indústria da morte ligada ao narcotráfico na América Latina como pretexto para ceifar diariamente vida de jovens negros e pobres.

Apenas o fim do sistema capitalista encerrará com a epidemia de opióides

Entre 1890 e 2012 os EUA invadiram ou bombardearam 149 países. Nas décadas de sessenta e setenta, os dirigentes dos Estados Unidos fomentaram golpes militares que se sucederam em vários países, inclusive no Brasil. Sob seu comando direto, alastraram-se as ditaduras fascistas de Norte a Sul.

De outro lado, como mostra a realidade, o povo estadunidense é também vítima da política de repressão dos líderes dos EUA. As comunidades e ruas das grandes cidades dos Estados Unidos estão tomadas por uma legião de pessoas dominadas por um vício destrutivo em drogas, sintoma da crise da civilização burguesa.

Como dizia Michael Cetewayo Tabor, um dos 21 presos políticos dos Panteras Negras de Nova York em 1969 no texto “Capitalismo + drogas = genocídio”, o governo estadunidense é totalmente incapaz de dirigir-se para as verdadeiras causas da dependência de drogas. Isso ocorre pois ao fazê-lo, “seria necessário efetuar uma transformação radical da sociedade. A consciência social desta sociedade, seus valores, morais e tradições teriam que ser alterados. E isto seria impossível sem mudar totalmente a forma da propriedade dos meios de produção de riqueza social e sua distribuição. Apenas uma revolução pode eliminar a praga.”

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