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quarta-feira, 29 de maio de 2024

Há 38 anos, bancários da Caixa conquistavam jornada de seis horas e direito à sindicalização

Há 38 anos, os bancários da Caixa Econômica Federal realizaram paralização pela jornada de seis horas e pelo direito à sindicalização, com adesão de quase 100% da categoria.

Carolina Matos | São Paulo


DESTAQUES – 30 de outubro de 1985 é uma data histórica para a classe trabalhadora brasileira. Nesse dia, os bancários da Caixa Econômica Federal realizaram uma paralisação de 24 horas pela jornada de seis horas e pelo direito à sindicalização, com adesão de praticamente 100% da categoria.

A mobilização teve início com os escriturários. O cargo foi criado no final da ditadura militar com remuneração correspondente à metade do piso dos empregados mais antigos, apesar de desempenharem as mesmas atribuições. Também na época, a jornada de trabalho era extenuante para os funcionários da Caixa e o fato de serem considerados de economiários os impedia de se sindicalizarem

Como resposta à pressão da categoria, em 1984 a Caixa realizou processos seletivos internos para elevação de cargo, mas as 4 mil vagas não eram suficientes para os 20 mil escriturários da época. Em protesto, vários desses trabalhadores se negaram a fazer as provas e foram demitidos.

As demissões aumentaram a insatisfação da categoria e sua disposição à luta. A mobilização levou à organização do primeiro Congresso Nacional dos Empregados da Caixa, realizado entre 19 e 20 de outubro de 1985, em Brasília (DF). No encontro, foi aprovada a realização da primeira greve nacional pela jornada de seis horas e pelo direito de serem reconhecidos como bancários.

A paralisação aconteceu então no dia 30 de outubro de 1985 e garantiu a tramitação dos projetos de lei sobre o tema, aprovados no Congresso Nacional em regime de urgência. A greve foi um marco não apenas devido às conquistas objetivas, mas também por ter fortalecido as entidades de representação dos trabalhadores.

Greve histórica deve servir de exemplo para os atuais desafios

Nos anos de governo Bolsonaro, nas mãos de Pedro Guimarães, especialista em privatizações, a Caixa sofreu um período de desmonte, precarização e episódios deploráveis de assédio sexual. Aliado fiel do então presidente, Guimarães usou o banco estatal politicamente numa tentativa descarada de fazer Bolsonaro ganhar as eleições, permitindo empréstimo consignado com o auxílio-brasil sem esclarecimento suficiente à população, o que elevou o endividamento de milhões de brasileiros.

Sob a presidência de Lula, a recente demissão de Rita Serrano da Caixa demonstra mais um aceno aos mandos do Centrão, liderado por Arthur Lira (PP), presidente da Câmara de Deputados. A mudança na gestão do banco, da forma como aconteceu, só indica que a Caixa serve de moeda de troca para o governo.

O conjunto da categoria bancária sofre com demissões, assédio moral e com a imposição de metas abusivas devido à subordinação do sistema financeiro aos interesses privados especulativos, adoecendo os trabalhadores. Além de exigir melhores condições de trabalho, a agenda de luta dos bancários passa por defender uma Caixa 100% pública e voltada ao interesse social.

São muitos os desafios, mas, como comprova a histórica greve pela jornada de seis horas, é possível vencer. Esta e outras muitas demonstrações de mobilização e organização da classe trabalhadora apontam que apostar na luta é a maior lição para o presente.

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