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quinta-feira, 13 de junho de 2024

Trabalhadores de São Paulo fazem greve contra privatizações

Publicamos a matéria do companheiro Lucas Carvente, que hoje é preso político do governo do estado de São Paulo por lutar contra a privatização da SABESP. Lucas, além de militante do MLC, constrói o Jornal A Verdade nas brigadas e também com textos. Esta matéria pode ser encontrada também na nossa edição impressa nº284, que saiu às ruas nesta semana.

Lucas Carvente | Movimento Luta de Classes-SP


BRASIL – No último 28 de novembro, trabalhadores do metrô, da ferrovia e da Sabesp, professores estaduais e funcionários da Fundação Casa realizaram uma greve unificada no Estado de São Paulo.

A greve foi realizada para lutar contra o plano de privatizações do governador Tarcísio de Freitas. O governador fascista está trabalhando para encaminhar a privatização da Sabesp na Assembleia Legislativa (Alesp) até o fim do ano e também pretende privatizar a Emae, CPTM, Metrô e realizar cortes na educação.

A atuação da militância do Movimento Luta de Classes (MLC) e da Unidade Popular (UP) foi essencial para a greve. O MLC e a UP estiveram presentes nos piquetes em todos os pátios e diversas estações do metrô, nos postos da Sabesp em todas as regiões da capital e em diversas cidades do interior. Conversaram com a população na porta das estações do Metrô e da CPTM fechadas e dentro dos trens das linhas privatizadas, fazendo a denúncia de como a privatização piora o serviço.

O governador fascista, inclusive, chegou a montar um plano de contingência, abrindo alguns trechos do metrô com funcionários não treinados para a operação dos trens, gerando um grande risco e colocando mais uma vez o lucro acima da vida. 

Só a greve e a organização podem mudar as condições de vida da classe trabalhadora, por isso, o MLC segue na luta por um serviço público de qualidade com um preço justo e salários dignos. Isso só acontecerá com mais mobilizações, novas greves unificadas e uma greve geral.

Os planos do governo

O governador diz que quer privatizar o resto do sistema metro-ferroviário para “viabilizar a construção de novas linhas”, mas, na prática, as obras realizadas pela iniciativa privada (como a da Linha 6 – Laranja do metrô, tocada pela concessionária espanhola Acciona), são bancadas pelo Governo. Do total de R$ 18 bilhões da obra, R$ 7,85 bilhões vieram do Governo Estadual, somados a um empréstimo de R$ 7,4 bilhões do BNDES para a concessionária.

As linhas privatizadas que são operadas pela concessionária CCR tiveram uma falha a cada dois dias neste ano de 2023, casos de descarrilamento e muitas falhas elétricas. Porém, o número de falhas é inversamente proporcional aos lucros. As linhas privatizadas receberam cerca de R$ 2 bilhões de repasse do Bilhete Único para transportarem 500 milhões de passageiros no ano, enquanto as linhas operadas pelo Metrô e pela CPTM transportaram mais de 1,2 bilhão de passageiros e receberam de repasse R$ 460 milhões, quatro vezes menos dinheiro pelo dobro de passageiros.

No último bimestre, foram realizados leilões que terceirizam funções como a de instrutoria para operadores de trem, de operação dos sistemas de controle e do atendimento ao público. As terceirizações têm gerado acúmulo de funções e diminuindo os salários. Os operadores de trem das linhas estatais chegam a ganhar R$ 2 mil a mais que os das linhas privatizadas.

Na educação, Tarcísio apresentou um projeto de lei que diminui o investimento de 30% para 25% do PIB, o que significa um corte de R$ 10 bilhões e um projeto de privatização e diminuição da carga horária de Sociologia, História, Química, Física e Artes para 2024. Segue sem resolução também o antigo drama dos professores de contratos temporários. Atualmente, 90 mil professores (de uma rede com o total de 200 mil), terão seus contratos rompidos, fazendo com que o ano letivo comece, mais uma vez, com falta de professores nas escolas.

Na Sabesp, o governador busca acelerar a privatização, desconsiderando a Constituição Estadual ao formar uma comissão única para avaliar o processo, em vez das três comissões separadas exigidas por lei. Até mesmo o Tribunal de Contas do Município de São Paulo questionou se uma empresa privada investiria tanto quanto a Sabesp na recuperação das represas Billings e Guarapiranga, que fornecem água a 10 milhões de paulistas.

Matéria publicada na edição nº 284 do Jornal A Verdade.

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