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sexta-feira, 19 de abril de 2024

Stálin, a “questão judaica” e a 3ª Internacional

Os críticos de Stálin o acusam ora de perseguir judeus, ora de incentivar a fundação do Estado de Israel. A verdade é que os inimigos da revolução usam cada narrativa quando convém para destilar anticomunismo. Mesmo diante de uma difícil conjuntura externa e interna na Rússia, o Partido Comunista foi capaz de assegurar a todos os povos a autodeterminação.  

Natanael Sarmento | Recife – PE


Nada de novo no oportunismo…

A má-fé da imprensa capitalista não espanta, nem as posições anticomunistas dos inimigos históricos da Revolução Bolchevique. De traidores e renegados, críticos de Stálin, ora acusado de perseguir judeus, ora de incentivar a fundação do Estado de Israel.

Os fracassados serviçais do capital, historicamente, tentam reduzir o papel de Stálin, maior estadista do século. Para tanto, manipulam e distorcem os fatos. Nos dias correntes do genocídio do povo palestino pelo Estado terrorista sionista de Israel, os oportunistas renegados aproveitam espaços midiáticos para destilar anticomunismo fantasiado de críticas a Stálin.

Vem de longe

Leon Trotsky veio da ala menchevique e aderiu a maioria bolchevique liderada por Lênin no curso da Revolução. Após a morte de Lênin, disputou e perdeu o comando do Partido, a maioria do Congresso escolheu Josef Stálin, bolchevique raiz, para comandar o Partido e o Estado proletário socialista.

Derrotados, Trotsky e seguidores passam a atacar o socialismo, a URSS e a 3ª Internacional sob vários pretextos. Ao cabo, servindo, objetivamente, aos capitalistas do mundo. Registre-se o momento histórico dessa oposição oportunista trotskista: na difícil conjuntura externa e interna da Rússia. De intensa luta pela consolidação das conquistas do socialismo. De sacrifício do proletariado e povo russo, sob a direção do Partido Comunista, no árduo trabalho de reconstrução do país devastado pela guerra imperialista e mergulhado na guerra civil, dos sucessivos ataques de potências estrangeiras interessadas em liquidar o processo da revolução proletária. Da campanha anticomunista na imprensa mundial que recepcionava de braços abertos as propagandas e as “dissidências” antissoviéticas, inclusive a trotskista. No estrangeiro, a voz do renegado destilava suas críticas ao “stalinismo”. Na essência, atingia o Partido e a revolução socialista. Triste escolha de ressentido renegado, criticar em seu périplo de “exílio” nos banquetes dos regozijos da burguesia.

O antissemitismo na Rússia

A chamada “questão judaica”, relação de judeus na Rússia, vem da época das teocracias tzaristas. Há registros de expulsões, deportações e afogamentos de judeus no expansionismo Grão-Russo do Czar Ivan IV, o Terrível (1533-1584). A historiografia refere-se ao período do projeto “Pan Russo”. O fator ideológico dominador da Grande Rússia passava pelo fortalecimento da igreja Católica Ortodoxa. Pelo traço cultural da religião, constitutivo da “identidade nacional”.  Os judeus com religião própria representavam obstáculos na visão dos czares. Por isso, adotaram políticas permanentes de perseguições e expurgos dos judeus, os quais praticamente desaparecem do território russo, até o século XVIII. 

Nas partilhas dos saques à Polônia, pelos impérios da Rússia, Áustria e Prússia – 1772 e 1798 – cerca de 1 milhão de judeus de 9 milhões de poloneses, ucranianos, lituanos e bielo-russos se juntavam aos 36 milhões de russos. 

A czarina Catarina, a Grande – 1762-1796 – prosseguiu a política persecutória e segregacionista dos czares antecedentes. Transformou as áreas habitadas pelos judeus nas “zonas de residência”, na prática, segregava e confinava os judeus. Sob o domínio da nobreza feudal, dos czares e da burguesia, os judeus não foram incluídos na sociedade russa, pelo contrário, foram discriminados, perseguidos e sequer gozavam de certos direitos civis e de cidadania, nas redomas de zonas de confinamento. Esse antissemitismo secular explica a emigração de domínios russos de cerca de 4 milhões de judeus do Leste Europeu entre o final do século XIX e início do XX. 

A gloriosa Revolução de 1917 acabou com essa iniquidade e conferiu cidadania plena aos judeus, fato que a burguesia reacionária e seus capachos costumam ocultar.

Stálin, comissário do povo para as nacionalidades

Após o triunfo da Revolução Socialista de Outubro, a difícil tarefa de equacionar complexas questões das mais de cem etnias e nacionalidades albergadas no vasto território – da Rússia, da Ásia à Europa – foi atribuída a Josef Stálin, merecedor da confiança do Partido. E o abnegado revolucionário, editor e propagandista do jornal Pravda, com papel fundamental na agitação, propaganda, educação política e organização coletiva da política dos bolcheviques, cumpriu com êxito a tarefa recebida.

Stálin correspondeu a confiança do Partido, desenvolveu o melhor da sua firmeza ideológica, capacidade política e experiência prática, para costurar e compatibilizar interesses múltiplos dos diferentes povos, e foi capaz de assegurar a todos os povos a autodeterminação, em conformidade com a linha bolchevique. 

Sobre essa luta hercúlea pela autodeterminação dos povos, que Stálin efetivou como Comissário do Partido responsável em 1919, Trotsky escrevia em “O Que Foi a Revolução de Outubro?”: “O Partido Bolchevique lutou, durante anos, pelo direito de autodeterminação das nacionalidades, isto é, pelo direito completo à separação estatal. Foi precisamente por causa dessa exata posição na questão nacional que o proletariado russo pôde ganhar, pouco a pouco, a confiança das populações oprimidas”.

Não mudou Stálin. Nem os Bolcheviques. Mudou Trotsky.

A “questão judaica” e a Revolução Bolchevique

As relações de judeus com o socialismo e com a revolução sempre foram tensionadas. Judeus da Lituânia, Polônia, Ucrânia e Rússia criaram o Bud, espécie de partido federativo, isso no final do século XIX – Bud: União Geral de Trabalhadores judeus. Defendiam o socialismo e a autonomia dos judeus.  Mas o Bud mudou várias vezes de posição política: de apoio à adesão, da adesão ao combate aos bolcheviques e à revolução.

O Bud rompeu com os bolcheviques no IV Congresso, realizado em dezembro de 1917, dois meses depois da revolução. O Congresso dos socialistas judeus repudiava a conquista armada do poder pelos bolcheviques e assumia posição de opositores, no calor da luta. Isso tem nome: contrarrevolucionários.

Manipulações ideológicas

Os inimigos da revolução vendem a narrativa de “perseguição stalinista aos judeus” na esteira do anticomunismo das forças reacionárias capitalistas. 

Do ideário original do Bud constava a constituição de Estados autônomos judeus, respeitadas as culturas: poloneses, ucranianos, bielo-russos, etc. Sucedia os judeus estarem difusamente espalhados, nas diversas regiões. Era impossível física, jurídica e politicamente criar dezenas de repúblicas judaicas no vasto território russo.  Com esforço gigantesco cria-se a URSS, capaz de congregar centenas de etnias, nas 15 Repúblicas: Rússia, Ucrânia, Bielo-Rússia, Uzbequistão, Cazaquistão, Geórgia, Azerbaijão, Lituânia, Moldávia, Letônia, Quirguistão, Tajiquistão e Armênia. Judeus habitavam quase todas elas. O caráter da revolução triunfante foi proletária-camponesa e socialista. Não se tratava de revolução judaico-sionista-socialista.  E a forma de organização e de representação política do Estado Soviético, combinava a autodeterminação dos povos e das repúblicas, sob direção dos respectivos Partidos Comunistas, observando-se a base territorial. 

Os inimigos do Partido Comunista e do socialismo atacam o centralismo democrático, a espinha dorsal da estrutura de sustentação da democracia do proletariado, sua ditadura contra a minoria burguesa e reacionária. 

A questão da 3ª Internacional Comunista 

A questão fundamental da 3ª Internacional Comunista (IC) nada tinha a ver com relação a judeus ou qualquer outro povo isoladamente. As grandes tarefas da maior organização internacional de trabalhadores revolucionários, da 3ª Internacional Comunista, portanto, a “questão” premente dizia respeito aos rumos da revolução em escala global. A revolução proletária mundial que na conjuntura histórica passava pela consolidação do poder popular dos sovietes e da solidariedade na criação e desenvolvimento de partidos comunistas e movimentos revolucionários em todo mundo. Foi a temática das pautas dos debates dos sucessivos congressos da 3ª IC. A propalada “questão judaica”, de demandas específicas de judeus, proposições segmentadas, transversais, federativas, diversionistas, de judeus e de quaisquer povos ou grupamentos, não foram objeto de deliberação pela irrelevância, inadequação, impertinência e intempestividade. Entre os graves e prementes desafios dos comunistas de todas as partes do mundo, por exemplo, estava em como garantir a paz contra a guerra imperialista e deter o avanço do nazifascismo, para o qual ressalta-se a contribuição do comunista búlgaro Georg Dimitrov.   

O acesso aos Partidos Comunistas existentes na URSS, e em todos os países, é livre e voluntário, porém depende de aprovação de consulta pessoal pelos trabalhadores membros da organização correspondente. Nunca jamais se impediu ninguém de acesso a qualquer instância dos Partidos comunistas por motivos étnicos e raciais. Pelo contrário, a revolução aboliu as iníquas restrições de exercício de cidadania plena e direitos civis em virtude de etnia e religião, dos tempos dos czares.

Obviamente, criminosos, larápios, sabotadores, terroristas, contrarrevolucionários e inimigos da revolução bolchevique, quaisquer que fossem suas nacionalidades, eram vetados.

Peso da tradição

Memorável observação de Marx sobre os homens fazerem a própria história, não como querem, mas nas condições preexistentes. Marx destacava o peso da ideologia, a importância da: “tradição de todas as gerações mortas oprime como pesadelo o cérebro dos vivos”. A força da ideologia dominante durante séculos, não desaparece por decreto. Desaparece com luta e combate.

A luta contra as gerações mortas que oprimem o proletariado exige firme combate a toda forma de revisionismo, oportunismo e anticomunismo. 

Os revolucionários marxista-leninistas reconhecem o papel histórico do grande revolucionário Stálin. Na liderança do Partido Comunista da União Soviética (PCUS) e do Estado Soviético. Reafirmamos a superioridade material e moral do socialismo. Os avanços da luta do proletariado russo dirigido pelo Partido Comunista sob a liderança Stálin, da Rússia atrasada do arado de madeira à potência mundial de conquista do espaço. Rendemos homenagens, eternamente, aos trabalhadores e ao glorioso Exército Vermelho, principais responsáveis pela derrota da hidra nazifascista na 2ª Guerra Mundial, sob o comando do Marechal Stálin, maior estadista mundial do século XX.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Senti falta de citar o complô dos médicos, que costuma ser muito utilizado para falar sobre antissemitismo no período de Stálin.

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