UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sábado, 28 de março de 2026
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Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres escancara organização transfóbica

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Vivemos em uma sociedade que prega a transfobia e que relega as mulheres trans e travestis a negação de sua existência e a violências diárias. Por isso, é preciso combater e denunciar todos os falsos movimentos feministas que dizem defender a causa das mulheres. Na 5º Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, em Brasília, mais um episódio de transfobia foi registrado. Elas respondem: “Transfobia não!”.

 Evelyn Dionízio- PE


 

MULHERES- A 5º Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, promovida em Brasília entre os dias 29 de setembro e 1 de outubro, reuniu cerca de 4 mil mulheres de todas as regiões do país para ampliar as políticas públicas para as mulheres, conforme o Ministério das Mulheres. A ANTRA (Associação Nacional de Travestis e Transexuais) e a Fonatrans (Fórum Nacional de Travestis e Transexuais Negras e Negros), integrantes do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher participaram da Conferência para debater a assistência para as mulheres trans e travestis.

No entanto, no encontro estava presente a Matria (Mulheres Associadas, Mães e Trabalhadoras do Brasil), composta por mulheres transfóbicas – também chamadas de “radfem” ou feministas radicais. A associação repudiou a participação das organizações trans, alegando que o espaço deveria ser “exclusivo para mulheres”, em uma clara demonstração de violência. Essas mulheres se dizem feministas e pregam que “a verdadeira mulher é a biológica” e não é a única organização de extrema-direita que prega o ódio à comunidade LGBT+. O grupo faz parte da Aliança LGB (Lésbicas, Gays e Bissexuais) que, como a sigla indica, nega a existência de pessoas trans, travestis e outras expressões de gênero.

A Matria também se diz suprapartidária (acima de qualquer partido) quando na verdade defende a ideologia fascista e reacionária da extrema-direita. Afirma repudiar a “ideologia de gênero” nas escolas e prega pelo controle dos pais sobre os filhos quanto ao que é ensinado. Na realidade, o que se faz é proibir a educação sexual no ambiente escolar, tão importante para denúncias de abusos e assédios da juventude, grande parte meninas. Ou seja, a organização não defende os direitos das crianças.

Ainda sobre a negação à existência de pessoas trans, o Trans Murder Monitoring (Monitoramento de Assassinatos Trans) de 2024 revelou que 94% dos assassinatos contra pessoas trans no mundo são feminicídios, assim como observado nos anos anteriores. Vítima desse descaso, a modelo Miss Trans Paraíba Maria Clara Azevedo, tinha apenas 32 anos quando foi encontrada sem vida depois de 7 facadas em João Pessoa, Paraíba. Maria Clara só foi achada 3 dias depois da morte, no dia 29 de setembro, já em estado de decomposição, vítima da violência e da falta de segurança enfrentada pela população trans, principalmente pelas mulheres.

A Miss e Mister Trans Paraíba, nas redes sociais, denunciou: “perdemos mais uma vida preta e trans. Não é só luto, é revolta. Seguimos em uma sociedade que insiste em apagar corpos que lutam por existir”.

Também em protesto, as presentes no ato da Conferência Nacional entoaram “Maria Clara, Presente!” e “Transfobia não!” reafirmando seu direito à sociedade. Com isso, a Unidade Popular, através do seu 1º Encontro LGBTI+ no Rio de Janeiro concluiu que a transfobia contra mulheres advém da crescente misoginia e da exploração que elas encaram na sociedade capitalista. Por isso,

 

As mulheres trans e travestis, que têm a menor expectativa de vida dentro da comunidade LGBTI+ no Brasil (cerca de 35 anos) são tratadas no capitalismo como objetos sexuais e descartáveis. Isso ocorre porque, em uma sociedade patriarcal, a noção de mulher ainda está limitada à função reprodutiva, à subordinação ao homem, ao papel de esposa e mãe.

É por isso que setores reacionários e machistas negam às mulheres trans e travestis o reconhecimento como “mulheres de verdade”. Essa visão, além de desumanizar e excluir as mulheres trans e travestis, também aprisiona as mulheres cis nesse papel submisso, negando-lhes autonomia sobre seus corpos e seus direitos reprodutivos.

 

Transfobia não se cria em uma sociedade socialista livre de opressões e da exploração. Urge um movimento revolucionário da comunidade LGBT+ que lute por uma nova forma de viver. O Movimento de Mulheres Olga Benario esteve presente no primeiro dia de evento e reafirmou a importância do espaço para reivindicar uma sociedade mais justa e igualitária. Mais do que solidariedade dos Ministérios e da mídia burguesa, é preciso ações concretas que mudem a realidade a que as mulheres trans e travestis estão submetidas.

 

Marcela Almerindo, Presente!

Maria Clara, presente!

Agora e sempre!

 

 

CARTA | Pelo bem da minha saúde mental, eu permaneço na luta

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Saúde mental em tempos de neoliberalismo exige solidariedade e ação coletiva para construir uma sociedade socialista.

Paula Dornelas | Minas Gerais


CARTA – Em tempos neoliberais, em que o indivíduo tem um peso gigante de responsabilidade sobre as coisas, se sobrepondo a qualquer trabalho ou compromisso coletivo, foi um alívio escutar o seguinte lembrete de uma companheira na luta pelo socialismo, “tenhamos a certeza da vitória independente do indivíduo”. Compartilho aqui algumas reflexões que se desdobraram a partir daí.

Um relato pessoal, mas nem tanto

Há algum tempo em tratamento para depressão e transtorno de ansiedade, mais uma em meio à juventude brasileira, tenho sintomas que vão de uma desimportância e impotência frente aos problemas e dores do mundo, a uma vontade forte de pôr abaixo de vez o sistema capitalista, que nos oprime e explora a todo segundo.

Nesse caminho, percebi que a dor, a tristeza, ou angústia que por vezes sentimos, seja desencadeada por problemas financeiros, por questões de um relacionamento, ou pelo luto; em meio às necessidades diárias da vida, nos deixa mais sensíveis ao individualismo. Nos levando a pensar que estamos sozinhos, que devemos prezar por um autocuidado e concentrar nos próprios corres e afazeres. É comum escutarmos de pessoas que se preocupam com a gente frases como: cada um tem as suas batalhas, é momento de pensar em si primeiro, de dedicar para cuidar de você, do seu trabalho, do seu estudo, em lugar de cuidar do outro ou dos outros.

Apesar dessas orientações até virem com uma justa preocupação, elas podem reforçar o individualismo; e de maneira alternada ou mutuamente, aquele misto de importância e desimportância em relação às nossas vidas: com uma separação do “eu” para me cuidar; junto da ideia de que “ninguém se importa comigo ou com o que sinto”, que “por mais que possam ter passado por coisas parecidas, só eu sei da minha vida”, por isso, me distancio para cuidar dela. Por mais que pareçam nada prejudiciais, essas possíveis decisões nos fecham para com o outro e reforçam uma responsabilidade individual frente à vida. E tá aí um problema. Essa responsabilidade é adorada pelo neoliberalismo e para a manutenção do capitalismo que nos quer desunidos, contrapondo uma vida em comunidade.
Outro exemplo aparece quando reforçamos que estando à frente do coletivo, quem dá “a cara a tapa” é um indivíduo e, por isso, somente ele sabe o que passa e sente mais o peso da responsabilidade. Uma situação que exige muita atenção individual-coletiva.

No coletivo construímos responsabilidades e cuidados que vão além de nós

Retomando mais alguns exemplos atuais que reforçam o individualismo: Competimos para conseguir um trabalho que, provavelmente, vai nos adoecer, enquanto uns poucos acumulam riquezas; Competimos por uma vaga na universidade: nossa vida em sociedade acumula importantíssimos conhecimentos, mas há aqueles que poderão aprendê-los e outros que não, mesmo sendo um acúmulo coletivo, social, que no capitalismo é privatizado; Mais um exemplo recente da nossa história: a pandemia da Covid-19 foi um momento que tivemos que nos isolar, mas definitivamente foi preciso contar muito com os outros para a manutenção de nossas vidas. Sejam diretamente os profissionais da saúde, da limpeza, aqueles que cozinhavam, que cuidavam, e que se solidarizavam nas ações de combate à fome.

Retomando o fio da meada, com essas reflexões cheguei a conclusões que me aliviaram e fortaleceram, entendendo que: não é uma responsabilidade só minha as vitórias e derrotas que enfrentamos pelo caminho, tampouco é errado identificar que preciso de algum cuidado mais específico num momento. Entretanto, eu tenho um papel e uma responsabilidade no coletivo e o coletivo também um papel em cada um de nós; pensando e exercendo uma relação dialética entre ambos. Nesse trajeto vivido por mim até aqui, digo que não há uma dor que seja só nossa, que numa conversa não possamos pensar com o outro em formas de diminuir o peso para enfrentá-la ou passar por ela; e, junto disso, não nos ausentar, mas seguir em movimento, entendendo e nos responsabilizando enquanto coletivo e enquanto indivíduos-parte de um todo.

O sistema capitalista é perverso, e provoca mais a destruição do que a manutenção ou melhoria das diferentes formas de viver existentes entre os povos. Então, com essa condição desumana, somada à nossa sensibilidade comunista cheia de revolta e amor, é difícil por vezes não nos entristecermos. E eu compartilho isso pra quebrarmos a ilusão de que virá uma resposta imediata e mágica para acabar com essa angústia. A resposta que temos para isso é trabalhosa, cotidiana, coletiva, organizada e revolucionária, que precisa ser cultivada no coletivo, na luta e nos estudos do marxismo-leninismo.

Foto: Maxwell Vilela/JAV
Foto: Maxwell Vilela/JAV

Permanecer na vida para construir uma vida melhor

Por fim, eu gostaria com esse texto fazer (a mim mesma) e a quem ele chegar um chamado a continuar na luta pela vida. Um chamado que passa necessariamente por estar no coletivo. Aos nossos militantes comunistas, por coletivo digo o nosso Partido, nossos núcleos de base, os espaços de formação política, as ações revolucionárias que nos fazem sentir a coragem carregada e acumulada por esse nosso povo que trabalha.

Frente ao individualismo e a essa forma de “vida” adoecedora, que nos mata, nos rouba o tempo, a criatividade, os amores, a comida, a casa; enfrentando tudo isso e entendendo que essa é uma decisão que precisa ser construída, reconstruída e tomada diariamente. Essa é a nossa única saída para uma garantia segura de viver. Por isso, eu convido aos camaradas a permanecerem, a serem parte desse processo revolucionário que nosso povo trabalhador caminha rumo a ele. Entendendo que nesse trajeto vamos ter encontros e desencontros, vamos sentir dores, caminhar descalço em chão de pedras, vamo subir e descer morro; mas é assim de pé no chão e coletivamente que avançaremos e viveremos numa sociedade socialista.

Petrolina recebe o 13° Congresso Brasileiro de Agroecologia

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Encontro acontece a cada dois anos e teve uma participação de mais de 6 mil de pessoas, debatendo agroecologia, agricultura familiar e alternativas para combater o agronegócio e as políticas imperialistas para o meio ambiente.

Marcelo Pessoa- Petrolina (PE)


 

MEIO AMBIENTE- Aconteceu em Juazeiro da Bahia na Univasf (Universidade do Vale do São Francisco) durante os dias 15 a 18 de outubro o 13° Congresso Brasileiro de Agroecologia com o lema: Agroecologia, Convivência com os Territórios Brasileiros e Justiça Climática. O evento contou com mais de 6 mil participantes e, com o objetivo de promover a agroecologia como solução para a crise a atual climática, debateu a conjuntura global e como a atual fase do sistema capitalista simplesmente não consegue salvar o futuro de nosso planeta.

O CBA é realizado a cada dois anos e tem a participação de estudantes, pesquisadores, entidades da sociedade civil organizada e ativistas em defesa do meio ambiente. A militância da Unidade Popular e do Movimento Correnteza participaram da atividade, que contou com uma brigada do jornal A Verdade e uma banca com os materiais das edições Manoel Lisboa. Com a proximidade da COP 30, em Belém do Pará, as questões ambientais, o combate ao agrotóxico e o combate aos danos à biodiversidade deram o tom do debate.

 

O encontro também serviu para o governo federal anunciar ações para a agricultura familiar e c contou com a presença do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues e dos ministros Wellington Dias (Desenvolvimento Social e Combate à Fome), Márcio Macedo (Secretário-geral da Presidência que foi substituído por Guilherme Boulos) e Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar), mas apesar dos anúncios de crédito para projetos da agricultura familiar, é importante lembrar que a prioridade do governo Lula é priorizar o agronegócio, que recebeu de orçamento no Plano Safra 2025/2026 R$516,2 bilhões, apesar de sabermos que quem garante a alimentação do brasileiro é a agricultura familiar, que inclusive vem sofrendo com o tarifaço do Donald Trump.

Ou seja, para além do discurso, é preciso que uma política verdadeiramente voltada para combater a destruição do meio ambiente e a alimentação saudável, mas o capitalismo e seus mantenedores não conseguem garantir essa mudança nos moldes atuais desse sistema.   Ou mudamos o atua modo de produção social ou ele irá nos destruir.

 

Brigadistas do Jornal A Verdade durante o evento. Foto: Madu Silva- JAV (PE)

Teto de UTI infantil desaba em hospital no Recife

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O incidente ocorrido no hospital Barão de Lucena é uma demonstração da crise instaurada na saúde pública em Pernambuco. No início do ano a governadora Raquel Lyra (PSD) anunciou que daria uma reforma nos hospitais, mas a realidade que vemos no dia a dia é bem diferente.

Clóvis Maia e Evelyn Dionízio- Redação Pernambuco


 

SAÚDE- Na manhã da segunda-feira, 27 de outubro, parte do teto da UTI Neonatal do Hospital Barão de Lucena, no bairro da Iputinga, zona oeste do Recife, desabou. No local estavam seis leitos infantis e, felizmente, não houveram feridos. O ‘incidente’ deixa escancarado o abandono e o descaso na saúde em Pernambuco, especialmente por parte do governo estadual. O Hospital Barão de Lucena (HBL) é um dos maiores hospitais públicos de Pernambuco, que atua como hospital geral e maternidade, recebendo pacientes de todo estado e que no ano de 2024 atendeu mais de 100 mil pacientes. O HBL é hoje uma referência quando se trata de obstetrícia, residência médica e uma série de serviços especializados. Inaugurado em 1958, desde de 1992 o hospital é gerido pelo governo do Estado de Pernambuco e vinculado ao Sistema Único de Saúde (SUS), que vem sendo alvo de constantes ataques, mesmo no atual governo federal.

Descaso com a saúde da classe trabalhadora

No dia 13 de setembro de 2024 o Diário Oficial do Estado de Pernambuco anunciou a abertura de licitação para contratar empresa para realizar a manutenção preventiva e corretiva de diversos hospitais da rede do estado, incluindo o HBL, com valor estimado de mais de R$ 17 milhões. Na mesma licitação está o Hospital da Restauração, que, em agosto de 2025, passou o dia sem os elevadores, prejudicando pacientes e a equipe médica. O HR também faz parte dos “seis grandes” hospitais do estado.

Já em maio deste ano, mais um investimento: a governadora Raquel Lyra (PSD) anunciou um total de R$ 110 milhões para requalificar, ampliar e melhorar os serviços dos três maiores hospitais públicos de Pernambuco, além do Hospital da Restauração, o Otávio de Freitas, Agamenon Magalhães e o Barão de Lucena. Segundo anúncio do governo estadual, na época, o investimento no HBL seria de R$ 38 milhões para instalar 74 leitos novos, requalificar 10 antigos e construir um ambulatório pediátrico. Eis aí o resultado desse investimento.
O HBL teve um processo de licitação para uma das obras denunciado pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) após uma das empresas envolvidas alegar problemas de condução do pleito por parte da Companhia Estadual de Obras e Habitação (Cehab).

O caos da terceirização da saúde pública

A realidade da saúde do estado é a preferência por encher os bolsos de empresas privadas e terceirizadas. A RM Terceirização, por exemplo, é responsável pela contratação de quase toda Secretaria de Saúde e de alguns cargos dentro dos diversos hospitais que a SES exerce gerência, como o Hospital Agamenon Magalhães, o Hospital Regional do Agreste (em Caruaru), Hospital Getúlio Vargas, Hospital Barão de Lucena e outros.

Para se entender como a transferência do dinheiro público para empresas privadas serve apenas para precarizar e beneficiar os ricos, os trabalhadores da limpeza da SES ficaram 2 meses sem receber salário após o processo de troca de empresas terceirizadas. Além disso, os terceirizados da RM estão passando por problemas em todo quinto dia útil: magicamente, ao receber o salário, o dinheiro dos trabalhadores ficam retidos no banco da empresa, chamada de BScash. A suspeita é de que há retenção proposital dos salários para o banco ganhar juros em cima do dinheiro dos trabalhadores. Nesse modelo de terceirização, os trabalhadores recebem 24,5% a menos que os servidores efetivados, conforme o DIEESE, além da enorme precarização e aumento das jornadas de trabalho pela dificuldade de fiscalização pela justiça do trabalho.

Além disso, o processo de compras a partir da licitação da Secretaria de Saúde é extremamente lento. Isso ocorreu após o Decreto Estadual 54.526 de março de 2023, que centralizou as aquisições de produtos pela SES, feita não mais pelos próprios hospitais, e com submissão a Secretaria de Administração. Isso faz com que os processos de compras de simples ataduras rolem há mais de 1 ano, além dos medicamentos, órteses e próteses e até de algodão.

 

Ricos se aproveitam do sofrimento da população

O colapso da saúde pública em Pernambuco e em todo o país é evidente. Pouco importa se a população pobre está morrendo, tendo que se deslocar, às vezes, até seis horas do interior para a capital, correndo risco de vida nas estradas de madrugada para conseguir tratamento.
As filas de pacientes nos corredores dos hospitais parecem não sensibilizar tais autoridades, que, obviamente, não utilizam o SUS para si ou para seus familiares. E essa é a ótica do sistema capitalista. Nem a recente pandemia mundial de COVID 19 ou as mobilizações e greves das enfermeiras denunciando esses absurdos parecem ser acolhidas, inclusive pela justiça.
No capitalismo, pobre morrendo é só um número. É um lucrativo negócio. Até quando vamos ver o teto dos hospitais caindo? Quanto vale a vida dessas crianças, mães e idosos na conta do capitalista?

Governo do Rio promove maior chacina policial da história do Brasil

A mando do governador fascista Cláudio Castro (PL), polícias do Rio conduzem o massacre da Penha, maior chacina realizada por uma operação da história do país. Ao menos 120 mortos durante operação policial nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio.

Arthur Medeiros e Lunna Normande | Rio de Janeiro


BRASIL – Ontem (28/10) e hoje (29/10), o povo do Rio de Janeiro foram surpreendidos com a dita “megaoperação” policial militar do governo do fascista Cláudio Castro (PL-RJ). A operação ocorreu no início da manhã nos complexos da Penha e Alemão, onde vivem mais de 100 mil trabalhadores, supostamente com o intuito de prender chefes do Comando Vermelho.

Na maior chacina cometido pela polícia na história do país, foram ao menos 132 pessoas mortas, muitas delas com sinais claros de execução sumária ou de que estavam rendidas. Pelo menos 74 corpos foram recuperados pelos próprios moradores nas ruas e na mata que circundam os bairros. Além destas pessoas, outras dezenas ficaram feridas, incluindo um moto-taxista, uma mulher que estava na academia e uma pessoa em situação de rua. Isso é, na prática, a continuação de uma política de extermínio contra nossa população periférica que vive em clima de guerra. 

“Eu não dormi, eu acordada até agora porque os corpos estão sendo deixados aqui na praça perto de casa. E não para de chegar, não para de chegar, gente morta e os familiares gritando, gritando quando reconhece a pessoa e os corpos. Eles torturaram os corpos dos meninos que estavam na mata. Gente faltando um pedaço da cabeça, faltando metade do rosto, com dedo quebrado. a perna pendurada e eles torturaram muito os meninos que estavam na mata.”, afirmou uma moradora do Complexo da Penha.

Diferente do que a grande mídia burguesa e o estado colocam como uma operação vitoriosa, com a apreensão de cerca de 100 fuzis, 81 presos e a morte de mais de uma centena de pessoas, os moradores encaram essa operação é mais uma chacina contra o povo trabalhador. 

Enquanto isso, a população estava presa, com medo e sem saber o que fazer, no transporte coletivo assistindo vídeos, fotos e relatos da “megaoperação”. Durante a operação todas a universidades fecharam, o comércio de pelo menos 20 bairros foi paralisado, 200 linhas de ônibus afetadas, duas vias expressas e uma BR fechadas, e postos de saúde em várias partes da cidade não puderam atender pacientes. 

Como forma de justificar isso, a estrutura da Polícia Militar reforça esquematicamente o pensamento de que “bandido bom é bandido morto”, enquanto os maiores criminosos da nossa Pátria são justamente os comandantes das corporações militares e seus apoiadores econômicos. Enquanto o fascista Cláudio Castro e seus milicos comemoram a morte de inocentes, a periferia amarga mais uma vez a morte de seus filhos que sequer tem acesso à uma educação, saúde e saneamento básico. 

A proposta Governador Cláudio Castro é intensificar a política de morte da nossa população, promovendo a dita “megaoperação” que acabaria com as organizações criminosas. Porém, o que vemos na prática é mais dor, luto e sofrimento daqueles que sequer tem acesso a moradia digna. 

Genocídio nas favelas

O genocídio dentro das favelas do rio de janeiro já não é novidade a toda população, ano após ano políticos se elegem no estado do rio com o discurso de que o estado precisa acabar com o crime organizado e que apenas o investimento na polícia poderá trazer a tão sonhada segurança para toda popular, mas que na pratica esse argumento não se sustenta.

Nos últimos 5 anos (2020-2025), 6.024 pessoas foram mortas por intervenção policial militar no Estado do Rio de Janeiro – dados do Instituto de Segurança Pública do RJ. Dentre esses, diversas crianças vítimas das tais balas perdidas que ceifam nossa juventude negra e periférica, é o caso do Kauã Vítor Nunes Rozário, 11 anos, Kauê Ribeiro, 12 anos, Ágatha Félix, 8 anos, João Pedro Matos Pinto, 14 anos.

Esse resultado não é um erro da política pública, pelo contrário, é o sucesso de um projeto político que prevê a morte da população negra e trabalhadora como solução da crise na segurança pública. Prova disso é a fala do prefeito da capital, Eduardo Paes (PSD), após a operação “O Rio não pode ficar refém de grupos criminosos”, ignorando as dezenas de mortos e dizendo que a cidade não pode parar. 

Há pelo menos 40 anos o Rio de Janeiro é assolado com milhares de operações policiais, ao todo do inicio de 2007 até agosto de 2024 foram mais de 22.000 operações policiais apenas no Rio de Janeiro, segundo a pesquisa “Novos Ilegalismos” da UFF, e de todas as pessoas mortas nessas operações cerca de 84% são pretas. 

Mas lembremos que as maiores apreensões de fuzis da história do Rio foram no Méier (117 fuzis na casa de um amigo do Ronnie Lessa), em uma loja em Nova Iguaçu (68 fuzis e 12 revólveres), no Galeão (60 fuzis vindas dos EUA). E a maior operação contra o crime organizado no país foi na Faria Lima, centro financeiro da burguesia brasileira. Nenhuma delas em favela. Nenhuma delas disparou um tiro, Mas a favela é sempre tratada como território inimigo.

Segundo uma moradora da do complexo do alemão, “às 4 da manhã já se escutava os tiros, pareciam intermináveis, eles atiravam tanto até derrubar paredes, os moradores começaram a gritar que só tinha inocente e eles riam da gente, o meu quintal está ensanguentado e eu nem sei de quem é, algumas pessoas decidiram fazer uma passeata quando amanheceu o dia mesmo no meio dos tiros porque já tinham certeza que iam morrer mesmo e os vídeos estão ai que não deixa nenhum morador mentir” 

Para o governador a operação está sendo um sucesso pois cumpre o seu objetivo, matar o povo trabalhador e oprimir a população da cidade enquanto a burguesia lucra com cada morte, o único esquecimento deles é que o povo se revolta e se organiza, a construção de uma nova sociedade está mais perto do que nunca e que apenas quando o povo for poder que poderemos ter uma política de segurança pública que pense a vida e não a morte.

Livro “A vida e luta do comunista Manoel Lisboa” é lançado em Natal (RN)

Lançamento do livro “A vida e luta do comunista Manoel Lisboa” reúne centenas de pessoas em Natal.

Redação RN


No último dia 24 de outubro aconteceu, no auditório da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, o lançamento da 3ª edição do livro “A vida e a luta do comunista Manoel Lisboa”.

O do evento foi aberto com os presentes entoando o hino internacional dos trabalhadores: a Internacional Comunista. A mesa contou com a ilustre presença de Edval Nunes Cajá, um dos organizadores do livro, presidente do Centro Cultural Manoel Lisboa, do Comitê de Memória, Verdade e Justiça de Pernambuco e membro do Partido Comunista Revolucionário – PCR; Jana Sá, filha do guerrilheiro Glênio Sá, que é jornalista e presidente da Comissão de Memória, Verdade e Justiça do Rio Grande do Norte; e Jessé Alexandria, primo de Emmanuel Bezerra, juiz e escritor.

O plenário lotado se emocionou com as histórias de luta e resistência dos heróis do povo brasileiro tombados pela ditadura militar fascista no Brasil. Cajá abriu as falas ressaltando o heroísmo revolucionário de Manoel Lisboa e Emmanuel Bezerra que presos não delataram nenhuma informação sequer a seus torturadores. Relembrou como o exemplo desses heróis foi determinante para sua conduta quando também foi preso e torturado. Destacou a necessidade de todos os presentes concretizarem o pedido de Manoel Lisboa antes de sua morte: que continuem o trabalho do Partido e construamos o socialismo no Brasil.

Auditório da UFRN lotado para receber o lançamento da 2 edição do livro “A vida e luta do comunista Manoel Lisboa”. Foto: JAV-RN

A importância dos partidos levantarem e manterem alta a bandeira da Memória, Verdade e Justiça, nos seus programas e nas suas ações, foi enfatizada por Jana. E, seguindo a fala de Cajá, também prometeu, uma vez mais, que os comitês nos estados manterão suas atividades até que todos os mortos tenham suas histórias contadas verdadeiramente e que todos os desaparecidos políticos sejam encontrados.

Jessé explanou sobre a importância da justiça de transição e que é necessário avançar ainda muito a democracia no nosso país por reparação não só financeira, mas em termos históricos. A sua família luta pela memória de Emmanuel Bezerra mas muitas histórias precisam ser resgatadas e portanto, lançar o livro da história de Manoel Lisboa era uma passo importantíssimo nesse sentido.

As organizações políticas presentes, assim como professores da instituição presentes tiveram espaço para considerações e saudações. Com muita palavra de ordem, agitação, bandeiras e a poesia “Tu e eles” recitada pela coordenadora da mesa, Samara Martins, foi encerrada as intervenções políticas seguida da sessão de autógrafos e fotos com Cajá, momento de grande emoção para os presentes que admiram sua luta, resistência e exemplo.

Má gestão dos Cunha Lima deixa Campina Grande sem dinheiro para a Saúde

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Prefeitura promove colapso na Saúde, com falta de recursos e atrasos salariais. A crise revela a má administração e o descaso da oligarquia com a população.

Cleber Gordiano| Redação PB


 

brasil- Principal oligarquia de Campina Grande, com influência em todo o estado da Paraíba, a família Cunha Lima, que está em seu quarto membro diferente na gestão da Prefeitura, é bem mais reconhecida por se envolver em escândalos (dentro e fora da política) do que por práticas de boa gestão.

Ronaldo Cunha Lima, patriarca da família, filho de um ex-prefeito de Araruna, também no interior do estado, ficou conhecido nacionalmente em 1993, quando, enquanto ocupava o cargo de governador da Paraíba, desferiu três tiros em um adversário político que acusava seu filho, Cássio Cunha Lima, de corrupção na Sudene. Este último – que assim como o pai também foi prefeito e senador – teve o seu mandato de governador cassado por ter distribuído cheques para comprar votos na eleição de 2008 (em 2020, a Justiça mandou Cássio devolver mais de 1 milhão de reais acumulados indevidamente enquanto era senador).

Tragédia anunciada

 A bola da vez do clã é Bruno Cunha Lima (União Brasil), sobrinho-neto de Ronaldo e atual prefeito de Campina Grande, segunda maior cidade do estado, em seu segundo mandato. Conhecido pela postura intransigente em sua relação com os servidores, Bruno soma, em seu mandato, diversas crises de gestão, especialmente na Secretaria de Saúde. Após tentar privatizar a atenção básica no município com o malfadado programa “Saúde de Verdade”, o prefeito viu a estrutura de saúde do município colapsar.

Os sinais mais visíveis da erosão começaram a aparecer ainda em 2023, quando o Conselho Regional de Enfermagem da Paraíba (Coren-PB) realizou interdição ética em cinco Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da cidade. Na mesma época, um apagão na principal maternidade do município forçou a transferência às pressas de mães e recém-nascidos para outras unidades hospitalares. Em março de 2025, uma mulher morreu na mesma maternidade, conhecida pela sigla ISEA (Instituto de Saúde Elpídio de Almeida), vítima de negligência médica e violência obstétrica – a família de Maria Danielle Cristina Morais Sousa busca respostas até hoje. (Pouco antes do fechamento dessa matéria, em 20 de outubro, aconteceu mais uma morte no ISEA: Gabriella Alves Rodrigues dos Santos, 25 anos, professora do ensino fundamental, não resistiu a uma parada cardíaca após realizar uma cesariana).

Crise sem fim

Nos últimos meses, servidores da área realizaram diversas manifestações e até uma greve por conta dos reiterados atrasos no pagamento dos seus salários. Além disso, hospitais que mantêm convênios com a Prefeitura têm ameaçado paralisar os serviços e acionado a Justiça para receber valores não quitados: só a FAP (Fundação Assistencial da Paraíba) cobra uma dívida de aproximadamente 10 milhões; antes, já havia sido determinado pela Justiça o repasse de 17 milhões a um hospital pertencente a uma outra poderosa família do interior do estado: os Gadelha, também influentes na política, proprietários de uma rede de TV e de uma faculdade privada e com membros suspeitos de envolvimento em grilagem de terras.

Em 21 de outubro, o secretário de Finanças do município, Felipe Gadelha (o sobrenome não é coincidência!), afirmou, em entrevista, que todo o orçamento anual da Saúde de Campina Grande (R$165 milhões) já havia sido utilizado em nove meses: na prática, a pasta dependerá, até o fim do ano, da liberação de emendas parlamentares federais para pagar seus funcionários – até a data da entrevista do secretário, os servidores contratados não haviam recebido os seu salários referentes a outubro.

Para piorar a situação, a má gestão dos Cunha Lima na Prefeitura fez com que Campina Grande tivesse recursos do FPM (Fundo de Participação dos Municípios) bloqueados por conta de pendências junto ao Tesouro Nacional. Enquanto não corrigir tais pendências, o município não receberá nenhum repasse federal, o que compromete ainda mais a já cambaleante Saúde da cidade.

No dia 22, a Câmara Municipal de Vereadores aprovou a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar possíveis irregularidades na gestão dos recursos destinados à Saúde em Campina Grande. Os vereadores da oposição reforçaram a necessidade de apurar as causas do descontrole orçamentário da pasta, que resultaram na atual situação de calamidade.

 

Basta de negligência com a Saúde

A crise crônica numa área essencial como a Saúde escancara a incompetência, a irresponsabilidade e o descaso da gestão Cunha Lima com o povo pobre de Campina Grande. O projeto de sucateamento da Saúde só serve aos hospitais e planos privados e coloca em risco a população que necessita dos serviços públicos. Basta de especular com a vida das pessoas! A saúde é um direito fundamental, não uma mercadoria, como a burguesia a enxerga. Lutar pelo fortalecimento do SUS e por uma saúde pública eficiente é um dever de todo socialista. A Saúde de Campina Grande pede socorro, e só a luta e a organização popular poderão acabar com o descaso.

Cearenses lutam contra a “Chuva de veneno” do agronegócio

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“Aqui estamos nós, mães e crianças de vários lugares do Ceará. É com nosso sangue que lhe dirigimos a palavra. Sangue humano que corre em nossos corpos. Sangue que faz colorir a rosa da vida, essa dádiva preciosa e sem preço, que nem o dinheiro do mundo todo é capaz de pagar.”

Lucas Monte | Fortaleza (CE)


No final do ano de 2024, o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), sancionou a Lei 19.135/24 que permite a pulverização de agrotóxicos por meio de drones. A lei foi proposta, aprovada pela Assembleia Legislativa e sancionada pelo governador em tempo recorde (em menos de uma hora, da aprovação para a sanção) sem ter qualquer tipo de diálogo com as comunidades afetadas ou realização de audiências públicas.

A aprovação da lei foi recebida com aplausos por empresários que irão se beneficiar com o derramamento de veneno, e com bastante preocupação e incerteza para as comunidades que serão afetadas diretamente por esta lei. Não demorou muito para surgirem relatos de famílias afetadas pela pulverização de venenos por meio de drones, sendo o caso mais expressivo a de uma família em Quixeré/CE, que precisou deixar a sua casa, após a casa ter sido contaminada por agrotóxico classificado como extremamente perigoso pela Organização Mundial da Saúde (OMS). O telhado da residência precisou ser destruído para ser feito o processo de descontaminação.

Em resposta, diversos movimentos sociais e partidos se organizaram para constituir o Movimento “Revoga Já”, exigindo a revogação da lei aprovada por Elmano. O movimento tem realizado plebiscito popular como forma de denúncia para a população do estado. No dia 16/10 realizou caminhada até o Palácio da Abolição (sede do Governo Estadual) com uma comissão de mulheres e crianças para entregar uma carta com as reivindicações, intitulada “Carta de Hiroshima” (disponível ao final da matéria).

Nem a PM parou o movimento

Famílias rompem o cerco policial, avançando para a sede do governo.

A organização do “Revoga Já” não escondeu em nenhum momento seu interesse de dialogar com o Governo estadual e esperava realizar uma caminhada pacífica para entregar a carta ao governador. No entanto, o que encontraram foi a sede do governo cercada por grades e com a presença da Polícia Militar para conter a chegada do movimento. Um representante do governo do Estado conversou com o movimento e disse que poderia receber a carta, mas que não sabia quando iria entregar para o governador, então o movimento não aceitou entregar sem a garantia de que seriam, de fato, ouvidos.

Enquanto buscava-se um ponto de consenso com o representante do Governo do Estado, as falas animavam as pessoas presentes e denunciavam para a população ao redor os perigos da nova lei. Uma dessas denúncias foi feita pela agricultora Andreia (nome fictício por proteção), que relatou a contaminação do principal rio de sua região, além da presença de agrotóxicos próximo às escolas. Ela também nos relatou que sua região tem índice de câncer acima da média e, de fato, a segunda maior causa de óbitos no Litoral Leste do Ceará é em decorrência de câncer.

Por isso, as pessoas presentes na caminhada não tinham nada a temer com a presença da PM, uma vez que suas vidas já eram diariamente ameaçadas pela conivência do estado. Em assembleia rápida, decidiram romper a barreira imposta pela polícia e conseguiram passar pela barreira. Rapidamente foi estabelecida outra barricada, que deixou a população no sol quente de meio dia. Certos da primeira vitória e com o calor esquentando a pele, em menos de 20 minutos a segunda barreira foi rompida e o movimento conseguiu uma sombra para realizar almoço enquanto esperavam a decisão do governo.

Não demorou muito até aparecer o secretário de articulação política que se comprometeu a marcar audiência pública, definiu um prazo e recebeu a Carta de Hiroshima. Essa conquista mostrou que o povo organizado consegue fazer frente aos desmandos do Estado Burguês, mas é preciso avançar e conquistar mais para o nosso povo.

Luta no campo é a luta pelo socialismo 

Não podemos esquecer que o Estado do Ceará, através da luta popular, foi pioneiro na legislação contra a pulverização aérea de agrotóxicos. Em 2019, foi aprovada a Lei Zé Maria do Tomé, de co-autoria de Elmano de Freitas, que proíbe a utilização de aviões para pulverização de agrotóxicos. A lei carrega o nome do agricultor e ambientalista Zé Maria do Tomé, que foi assassinado em 2010 na Chapada do Apodi após realizar diversos registros dos crimes ambientais e das consequências da pulverização área dos agrotóxicos.

O governador Elmano, agora aliado do agronegócio, parece ter “esquecido” do martírio de Zé Maria do Tomé, mas para o povo que sofre com os desmandos do agronegócio e têm suas vidas atacadas constantemente essa memória nunca será apagada e o luto nunca será apenas um substantivo, mas a conjugação do verbo que nos mantém na certeza de que somos capazes de honrar nossos camaradas e construir a sociedade socialista.

Carta de Hiroshima

Das mães e crianças envenenadas pelos agrotóxicos no Ceará

Ao Governador do estado, senhor Elmano de Freitas

Senhor governador,

Aqui estamos nós, mães e crianças de vários lugares do Ceará. É com nosso sangue que lhe dirigimos a palavra. Sangue humano que corre em nossos corpos. Sangue que faz colorir a rosa da vida, essa dádiva preciosa e sem preço, que nem o dinheiro do mundo todo é capaz de pagar.

Estamos aqui, governador, para dizer que o mesmo sangue que se transforma em leite pelo milagre da biologia, e com o qual amamentamos nossas crianças, nessas mesmas veias, através de nossos peitos, circula também o veneno dos agrotóxicos.

É difícil aceitar que estamos adoecendo com a única finalidade de engordar as contas bancárias de quem lucra com a destruição da vida. Mas o que dói mais, governador, o que nos tortura profundamente a alma dia e noite, é saber que nós, que amamos nossos filhos, transferimos para esses seres indefesos a morte matada a cada vez que os amamentamos. Nosso leite anda carregado de veneno, fato comprovado por estudos científicos!

Em pleno Outubro Rosa, mês da conscientização sobre o câncer de mama, o câncer que mais atinge mulheres no mundo todo, é extremamente revoltante saber que o senhor é cúmplice de uma lei que autoriza a pulverização de agrotóxico por drones em nosso
estado.

O senhor conhece as pesquisas que indicam que o câncer de mama se alastra com mais facilidade e é mais devastador onde há maior liberação de agrotóxicos? Saiba que os drones só pioram uma situação já bastante crítica.

O governador escuta, consegue escutar os gritos vindos das comunidades primeiramente atingidas pela lei que o senhor ajudou a criar? Clamores tão perfurantes como estes, só não ouvem os ouvidos que não querem ouvir.

O veneno que cai do céu é como uma bomba tóxica que estoura sobre nós. Ninguém consegue dormir, as dores de cabeça são constantes, o mau cheiro é insuportável. Há crianças que vomitam, idosos com crises respiratória, nossas plantações ressecam, morrem os passarinhos e as abelhas… Estão nos matando, senhor governador!

Nos perguntamos com frequência como seria se suas famílias morassem aqui, a sua e a dos 22 deputados que aprovaram essa lei cruel e desumana. Como seria se tivessem que beber da mesma água, respirar do mesmo ar, se alimentar da mesma comida?

Governador, no mês em que o Brasil celebra o Dia das Crianças, pedimos para que o senhor pense nos meninos e nas meninas mudas telepáticas de nosso estado. Pense nas crianças cegas inexatas, nas deformações em seus frágeis corpos em crescimento. Pense nas mulheres rotas alteradas. Pense nas famílias devastadas. Pense e volte atrás. Reconheça o grave erro praticado e revogue essa lei.

Não queremos ser envenenadas! Não queremos envenenar nossas crianças! Ninguém quer isso. Ninguém!!! É o que mostra o Plebiscito Popular realizado por várias organizações aqui no estado. Se duvida, suspenda imediatamente a lei e realize o senhor mesmo uma consulta oficial ao povo. Só teme a verdade quem faz da mentira cobertor.

A bomba de Hiroshima dependeu de um apertar de botão para explodir e marcar a história como um dos mais horríveis e covardes crimes já cometidos. A bomba dos drones da morte precisa de apenas uma canetada sua para ser desativada. Não titubei. Em nome de todas as crianças intoxicadas, de todas as mães, de todo ar e de todas as águas, de todos os passarinhos e abelhas, em nome de todo o povo envenenado do Ceará, faça isso agora!

Da nossa parte, não tenha dúvidas, daremos nosso sangue para mudar essa história.

Palácio da Abolição

Fortaleza, 16 de Outubro de 2025

Trabalhadores da Petrobrás lutam contra privatização da PBIO

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Em Fortaleza, o aniversário de 72 anos do sistema Petrobrás é marcado pela continuidade das privatizações e a resistência dos trabalhadores da empresa, que paralisaram por duas horas o funcionamento da Lubnor, na capital cearense.

Lucas Monte | Fortaleza (CE)


No dia 03/10 a Petrobrás completou 72 anos e, infelizmente, trabalhadores do sistema Petrobrás não tiveram muito tempo para confraternização. Pelo contrário, foram às ruas em defesa da Petrobrás e denunciando a tentativa de privatização da Petrobrás Biocombustíveis (PBio), mais um ataque que a empresa sofre desde sua fundação. Durante duas horas, dezenas de trabalhadores paralisaram a LUBNOR (Refinaria Lubrificantes e Derivados do Nordeste), em Fortaleza.

Não é de hoje que a burguesia tenta se apossar ao máximo de toda a produção tecnológica e científica produzida na Petrobrás. O alvo desta vez é a PBio, subsidiária responsável pela produção, atividade logística e comercialização de biocombustíveis em nosso país; conta com 130 trabalhadores concursados e experientes no segmento de energias renováveis. 

A PBio é uma empresa estratégica para garantir a transição energética justa em nosso país, além de permitir o avanço do conhecimento científico para uma sociedade que precisa reduzir a queima de petróleo no mundo. Por conta disso, os capitalistas ficam mais uma vez eufóricos com a possibilidade de ter em suas mãos um trunfo para suas disputas interimperialistas.

Ainda em 2016, o Governo Dilma (PT), iniciou o processo de venda das ações da PBio na Usina Guarani, hoje totalmente pertencente ao grupo francês, e anunciou um plano de desenvestimento no setor. Plano este intensificado por Michel Temer (MDB) e Bolsonaro (PL). Este plano de desenvestimento levou ao fechamento da usina localizada em Quixadá/CE, mantendo apenas o funcionamento mínimo, deslocando trabalhadores para outras regiões e reduzindo o vínculo de produção com as comunidades locais.

Agora está em curso a venda total das usinas da PBio e com capitalistas já fazendo visitas para iniciar a disputa de compra. Ora, se a burguesia quer tomar o controle destas usinas, é porque sabe que terá controle estratégico na produção energética. Como um governo que tem tomado para si a defesa da soberania nacional coloca à venda uma empresa tão importante? A resposta é clara: é preciso pagar a conta do lobby eleitoral da democracia burguesa.

Este processo de privatização tem sido colocado em prática pela Diretoria de Transição Energética, agindo contra os próprios objetivos sociais da Petrobrás e colocando diversos trabalhadores na incerteza. A única certeza que a privatização tem para os trabalhadores é a retirada de direitos e a insegurança laboral. 

É por isso que trabalhadores do sistema Petrobrás, mais uma vez, realizam a denúncia de um ataque contra os interesses da população. Ataque esse que beneficiará apenas os patrões, enquanto trabalhadores perdem seus direitos e consumidores pagarão mais caro em combustíveis e materiais provenientes de biocombustíveis. Por isso tudo, precisamos nos somar a esta luta contra a privatização e defender uma Petrobrás para os interesses da classe trabalhadora e só assim seremos capazes de dizer que somos soberanos.

Bets roubam R$ 240 bilhões do povo brasileiro

Crescimento das casas de apostas, conhecidas como “bets”, são acompanhadas por escândalos de lavagem de dinheiro, falta de regulamentação e casos de suicídio são marca registrada da popularização dos cassinos online no Brasil.

João Herbella | Rio de Janeiro (RJ)


BRASIL – A fábrica de ilusões da propaganda capitalista utiliza da cultura de massas (principalmente o esporte) e as redes digitais para iludir o povo da possibilidade de enriquecimento fácil através do mercado de apostas. 

Os jogos de azar trabalham com uma “cláusula pétrea”: a maior parte dos jogadores precisam perder para o dono da casa ganhar. Apesar dessa premissa básica, a onipresença da publicidade de bets convenceram mais de 20 milhões de trabalhadores brasileiros a gastarem R$ 240 bilhões em sites de apostas no ano passado.

Quem perde? 

Em pesquisa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), sindicato que representa os capitalistas do setor de serviços, o setor do varejo perdeu R$ 103 bilhões por conta das bets em 2024. As apostas comprometeram o poder de compra das famílias mais pobres e aumentaram seu endividamento. 

Em apenas um mês, as casas de apostas faturaram R$ 3 bilhões em jogadas realizadas por pessoas cadastradas no Bolsa Família. Em 2023, 300 empresas de bets movimentaram entre R$ 60 a 100 bilhões em apostas no Brasil, quase 1% do PIB, superando o giro de capital anual de grandes empresas como a Santander (R$ 74 bilhões), Assaí (R$ 72,8 bilhões) e Magazine Luiza (R$ 63,1 bilhões). Além disso, 60% dos brasileiros que já fizeram alguma aposta esportiva perderam dinheiro, de acordo com estudo da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC). 

Ou seja, para os donos dos sites de apostas lucrarem bilhões, os trabalhadores precisam arriscar tudo em dívidas e reduzir drasticamente seu poder de compra.

Jogo sujo

Porém, por que o povo escolheria ficar mais pobre em detrimento do enriquecimento de bilionários anônimos? Esse é o papel da fábrica de ilusões capitalista.

Nos intervalos comerciais da televisão, somos bombardeados por propagandas de cassinos online. Ao acessar as redes sociais, diversos influenciadores do país convidam seus milhões de seguidores a apostaram na “bet da vez” ou até mesmo no chamado “Jogo do Tigrinho”, que apesar de ilegal, segue praticamente onipresente nos stories de instagram e é citado nas músicas mais tocados no Brasil.

Em resumo, essas propagandas colocam que “se tantos famosos estão ostentando por supostamente enriquecerem apostando nesses jogos (e não com a publicidade das mesmas) por que eu também não poderia?” 

O buraco é ainda mais embaixo. Dos vinte clubes que disputaram a Série A do Campeonato Brasileiro de 2024, quinze obtinham bets como patrocinadores. A Betano, a casa de apostas esportivas mais acessada no Brasil, porém sediada na Grécia, comprou os “naming rights” (direitos de nomeação) dos principais torneios de futebol nacional. A “Copa (Betano) do Brasil” e o próprio “Brasileirão (Betano)” tiveram que incluir o nome da empresa em seus campeonatos. 

Não deveria ser surpresa tantos escândalos no futebol ou em outros esportes envolvendo a manipulação do resultado de jogos devido aos esquemas de aposta. Nesta semana, o FBI desmontou um esquema de manipulação de resultados na NBA, maior liga de basquete do mundo. O esquema envolvia atletas, treinadores e até a máfia italiana.

Ou seja, o capitalismo apropriou-se de uma paixão nacional para estragar até mesmo a emoção do povo brasileiro em assistir uma partida de futebol com resultado imprevisível. 

O país das bets

Com atuação legalizada em 2018, pelo Congresso Nacional e o presidente golpista Michel Temer (MDB), sem regulamentação imediata, as bets rapidamente se popularizaram no país devido ao fácil acesso. Afinal, o jogador já não precisa deslocar-se de sua casa para apostar. Sem controle, o Brasil rapidamente alcançou o topo da lista de países com mais acessos em sites de aposta. 

Em 2022, além de ter ficado em primeiro lugar, com 3,2 bilhões de acessos, registrou o dobro do segundo colocado, o Reino Unido, que obteve 1,6 bilhões de acessos. De acordo com levantamento da Similarweb, o público brasileiro representa 38% dos jogadores em site de apostas em todo o mundo, uma verdadeira epidemia. 

Somente em 2023, o Ministério da Fazenda começou a publicar portarias impondo regulamentações ao setor. No ano seguinte criou a Secretaria de Prêmios e Apostas e iniciamos o ano de 2025 com uma série de diretrizes importantes sendo adotadas: a obrigação das empresas obterem sede em território brasileiro, alertarem o usuário sobre o risco de dependência, atuarem somente com instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central, cadastro de jogadores através de CPF e verificação da idade dos mesmos, proibição do pagamento por cartão de crédito, entre outras. Agora, o Congresso Nacional se recusa a aumentar a taxação em cima dos lucros das casas de apostas, que por sua vez comprar cada vez mais parlamentares para defender seus interesses em Brasília.

Questão de saúde pública

Apesar da nova legislação, a grave crise demostra que ainda é insuficiente. Após quase perder seu próprio filho por tentativa de suicídio em 2021, a dona Sandra de 57 anos abriu um processo contra a Sportingbet. O caso aconteceu após o rapaz perder mais de R$ 1 milhão em competições de poker digital. “Meu filho tem uma doença séria, é viciado em jogos, e isso o levou à depressão. Quando tudo aconteceu, passei muitas noites chorando de soluçar, mas entendi que preciso lutar” diz Sandra. 

Infelizmente, casos como esse vem tornando-se cada vez mais comuns. Os noticiários registram cada vez mais casos de trabalhadores perdendo milhares de reais, suas próprias casas, e inclusive o contato com amigos e familiares devido ao vício em apostas online. A Associação Americana de Psicologia afirma que 1 em cada 3 usuários compulsivos já pensaram em tirar sua própria vida. 

Para salvar vidas, a atuação das bets e sua publicidade devem ser severamente proibidas em todo território nacional. Se até a campanha antitabagista nas embalagens de cigarro não impediram o consumo de um gigantesco mercado já consolidado, compreendemos que é necessário o imediato banimento da atividade de cassinos online e a elaboração de politica públicas para auxílio dos jogadores viciados em apostas.

Trabalhadores dos EUA protestam contra autoritarismo de Donald Trump

Nos últimos dias, milhões de trabalhadores protestaram nos EUA contra as medidas autoritárias de Trump e os cortes de verbas.

Felipe Annunziata | Redação


INTERNACIONAL – Desde o último sábado (18/10), mais de 7 milhões de pessoas foram às ruas de mais de 2600 cidades em todos os estados dos EUA. A mobilização foi contra o governo do fascista Donald Trump, que nos últimos 10 meses tem tomado medidas autoritárias para restringir direitos de imigrantes e da população de estados que não votam no seu partido.

A mobilização ganhou tração após os sucessivos cortes de verbas nos poucos programas sociais que existem nos EUA (país onde não existe saúde pública e sistema de seguridade social universais). Junto a isto, Trump transformou o órgão de fiscalização da imigração e da alfândega em polícia política.

O chamado ICE (immigration and Customs Enforcement, Agência de Imigração e Alfândega na sigla em inglês) persegue pessoas latinas nas ruas por suspeitarem serem “imigrantes não documentados”. Nas fábricas, lojas e no campo, trabalhadores que falem espanhol correm risco de serem presos ou deportados.

Protesto em São Francisco e Nova Iorque

Para combater os protestos, Trump aposta ainda mais no autoritarismo, decidiu enviar militares aos estados e cidades de maioria oposicionista. Sob o argumento de “combater o crime”, o presidente dos EUA já colocou militares em mais de uma dezena de cidades.

Ontem (23/10), milhares de pessoas saíram às ruas de São Francisco, no estado da Califórnia, para protestar contra o envio de tropas federais e o aumento da repressão do ICE.

A solidariedade entre os trabalhadores imigrantes e estadunidenses é o que tem evitado as prisões e deportações arbitrárias.

Em Nova Iorque, no último dia 21/10, trabalhadores enfrentaram no meio da rua agentes do ICE enquanto os agentes da polícia de Trump tentavam sequestrar pessoas. Episódios como esse tem ocorrido por várias cidades estadunidenses.

Trabalhadores em luta

Apesar de organizações ligadas ao Partido Democrata (também de direita) tentarem disputar a direção das mobilizações. A realidade é cada vez mais trabalhadores sem organização ou organizados em sindicatos, partidos de esquerda e outros movimentos sociais tem tomado às ruas nos últimos meses nos EUA.

Os EUA vive há 250 anos de um regime que garante direitos civis limitados à maioria da população, mas a grande mídia vende aquele país como a “terra da democracia”. Mas na realidade é que os partidos da ordem alteram as regras eleitorais para impedir que segmentos dos trabalhadores possam exercer influência determinante nas eleições.

Os protestos tem sido chamados de “No Kings”, ou “Sem Reis”, o que mostra a disputa presente no atual momento. Embora para os partidários dos Democratas esta palavra de ordem signifique a defesa da manutenção do regime “democrático” atual dos EUA, para milhões de pessoas significa a luta antifascista.

Cresce no centro do imperialismo a indignação contra a sustentação das guerras de extermínio, como ocorre em Gaza, a perseguição aos trabalhadores imigrantes e o ataque aos poucos direitos dos trabalhadores estadunidenses. Este também é um resultado da ampliação das mobilizações dos povos do mundo, que tem se levantado contra os ataques da burguesia, dos fascistas e do imperialismo.