UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sábado, 28 de março de 2026
Início Site Página 25

Ricardo Nunes ataca o SUAS em São Paulo

0

A Portaria nº 105/2025 da SMADS, que diz regulamentar o voluntariado no SUAS paulista, aprofunda a terceirização e a precarização da assistência social. Trabalhadores denunciam o desmonte e exigem novas contratações, melhores salários e estabilidade

MLC São Paulo


SAÚDE – No dia 23 de setembro de 2025, a Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS) publicou a Portaria nº 105/2025. À primeira vista, trata-se de um texto burocrático. Mas, por trás dessa aparência técnica, esconde-se um ataque profundo aos direitos da população pobre de São Paulo.

A nova portaria autoriza que pessoas físicas, entidades privadas e até organizações religiosas assumam funções em abrigos, casas de acolhida e centros de convivência. Ou seja: atividades que deveriam ser realizadas por trabalhadores da Prefeitura passam a poder ser feitas por “voluntários” — sem salário, sem direitos, sem vínculo empregatício.

O que parece “participação da sociedade” é, na verdade, a velha tentativa de transformar direitos em favores. Desde a Constituição de 1988 e da criação do SUAS (Sistema Único de Assistência Social), ficou estabelecido: assistência social não é caridade, é direito.

Trabalhadores denunciam desmonte

Esse é justamente o ponto que revolta quem atua na área.

“Substituir profissionais por voluntários demonstra o quanto se desconsidera a natureza do SUAS como política pública de direito, que exige trabalhadores qualificados e vínculos profissionais estáveis”, afirma Juliana, educadora social no CEDESP (Centro de Desenvolvimento Social e Produtivo) da Zona Leste.

O SUAS foi criado para romper com a tradição assistencialista que marcou a história do Brasil. Durante séculos, senhores de engenho, coronéis e grandes empresários usaram a filantropia como forma de manter os pobres de cabeça baixa. A esmola servia tanto para controlar politicamente quanto para perpetuar a exploração.

“Não é caridade, é uma política pública que exige conhecimento técnico, formação específica, sigilo profissional e compromisso ético – características asseguradas por profissionais contratados”, lembra Mariana, orientadora socioeducativa no SPVV de Ermelino Matarazzo.

Terceirização e precarização

O SUAS paulistano já está enfraquecido há anos. Grande parte dos serviços é gerida por Organizações da Sociedade Civil (OSCs), e não diretamente pela Prefeitura.

Essa terceirização impõe condições degradantes. “Salário de miséria e sem benefícios, que deixa o trabalhador adoecido. Mesmo trabalhando tanto, falta dinheiro todo mês. Além disso, a sobrecarga de demandas gera alta rotatividade de profissionais”, denuncia Carla, assistente social no SPVV (Serviço de Proteção Social à Criança e Adolescente Vítimas de Violência) da região Centro-Oeste.

Com a Portaria 105, Ricardo Nunes aprofunda o desmonte: abre caminho para substituir assalariados até mesmo dentro das OSCs por mão de obra gratuita e precarizada.

Neoliberalismo e conservadorismo religioso

Não se trata apenas de cortar gastos. A medida reforça a lógica neoliberal de retirar direitos e transferir responsabilidades do Estado para a caridade e para as igrejas.

“SAICAs (Serviço de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes), CCAs (Centros para Crianças e Adolescentes), CEDESPs, SPVVs, assim como muitos outros serviços, lidam com demandas sensíveis e exigem formação técnica. Política pública não se faz com caridade!”, alerta Rafael, psicólogo no SPVV de São Mateus.

Assim, cidadãos deixam de ser sujeitos de direitos para se tornarem beneficiários da “benevolência” estatal ou religiosa. É a fusão perversa entre neoliberalismo e conservadorismo: o capital corta, a caridade disciplina.

Só a luta organizada pode barrar o retrocesso

A secretária municipal defende a portaria dizendo que ela apenas “regulamenta” o voluntariado. Mas se fosse apenas isso, por que abrir brechas tão amplas? Na prática, a medida legaliza a substituição de trabalhadores e amplia o modelo privatista já aplicado ao SUAS.

Diante disso, trabalhadores e usuários afirmam: só a luta coletiva pode barrar o avanço do desmonte. “É necessária a mobilização nos sindicatos, nas conferências e nas ruas. A população precisa saber que o enfraquecimento do SUAS afeta diretamente o atendimento que recebe”, defende Carla.

A experiência histórica mostra: nenhum direito foi concedido de graça. A jornada de 8 horas, a previdência, a saúde pública e a própria assistência social foram conquistas arrancadas pela luta. Agora, a Prefeitura tenta devolver ao povo a condição de pedinte.

“Precisamos de mais investimento, de melhores salários, de condições de trabalho dignas e do pagamento dos nossos dissídios em atraso”, cobra Rafael.

Defender o SUAS é defender o direito do povo trabalhador. Mas a luta não se encerra aí: é parte de uma batalha maior contra o capitalismo e pela construção de uma sociedade socialista — onde direitos não dependam da caridade burguesa, mas sejam garantidos pela classe trabalhadora no poder.

Estudantes da UFPE são agredidos dentro da universidade durante ato em defesa da Palestina

No ultimo 16 de outubro, estudantes da UFPE foram agredidos por seguranças da TKS, empresa privada que atua no campus da universidade e que já tem um longo histórico de repressão ao movimento estudantil ao longo dos anos na UFPE. Como se não bastasse o absurdo de reprimir uma manifestação pacífica em solidariedade ao povo Palestino, a empresa acionou a polícia para prender os estudantes. A violência foi tanta que um estudante teve o pulso fraturado.

Augusto Costa| Diretor da UNE


 

JUVENTUDE- No último dia 16 de outubro, estudantes da Universidade Federal de Pernambuco foram agredidos por terceirizados da TKS (empresa privada responsável pela “segurança” da UFPE) após tentarem acessar o prédio de Ciências Exatas da Natureza (CCEN) ao final de um ato pelo fim das relações da Universidade com empresas ligadas ao genocídio na Palestina. Além da agressão a diversas mulheres e militantes do movimento estudantil, um dos estudantes teve seu pulso fraturado. A ação absurda dos seguranças foi agravada quando acionaram a Polícia Militar para reprimir os estudantes. Enquanto fugiam dos cassetetes e das sirenes, os estudantes viram o Centro de Artes e Comunicação (CAC) fechar suas portas para não abrigá-los, mesma ação foi feita pela direção do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH).

 

Ao finalmente conseguir abrigo no Centro de Educação (CE), prédio com apenas um acesso, houve um verdadeiro cerco militar: uma dúzia de seguranças e policiais militares ficaram à postos na entrada pressionando para que pudessem adentrar no prédio e deter os manifestantes. Mas não só isso, os estudantes que passavam pela entrada, que expressaram sua indignação pela presença de policiais no local, apenas foram provocados pelos agentes. Práticas como essa são um dos infelizes legados da ditadura militar fascista que prendia, sequestrava, torturava e assassinava estudantes que se manifestavam. Difícil é não relembrar da história de Umberto Câmara Neto, estudante da UFPE e diretor da União dos Estudantes de Pernambuco e da União Nacional dos Estudantes, que foi assassinado sob tortura por militares em 1973.

 

Na mesma noite, foi marcado um ato para o dia 17 de outubro pelo fim da perseguição ao movimento estudantil e contra a presença da Polícia Militar na Universidade. Por isso, o Movimento Correnteza se fez presente em apoio aos estudantes agredidos, assim como diversas entidades, sindicatos e forças políticas. Em meio a falas em solidariedade e denúncias sobre as ações da TKS, ao final do ato, a direção decidiu pôr fim ao funcionamento das atividades do CFCH sob a justificativa de uma suposta “ameaça de ocupação estudantil’’ e a necessidade de “garantir a segurança física de servidores, discentes e do patrimônio público”.

 

A criminalização do Movimento Estudantil não é algo novo, é fruto de uma segurança que prefere proteger tijolos à vida dos estudantes. Afinal, onde está a TKS quando vários estudantes são assaltados todo semestre? Ou quando mulheres são assediadas dentro do campus? A verdade é que enquanto a prioridade das diretorias e da segurança for proteger muros, estaremos fadados a ver cenas como essa se repetirem. Mas nós, que carregamos o legado daqueles que tombaram durante a repressão da ditadura militar, não podemos titubear, devemos nos manter firmes na luta por uma educação livre, de qualidade e a serviço do povo.

 

Manifestamos solidariedade aos estudantes agredidos!

Pelo fim da criminalização ao movimento estudantil!

Mobilização das mulheres conquista voto pela descriminalização do aborto no Brasil

0

Fruto da mobilização popular, o Ministro Barroso deixa seu voto a favor da descriminalização do aborto no Supremo Tribunal Federal (STF) antes de se aposentar, sendo este o segundo voto a favor da ADPF 442 (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental).

Larissa Mayumi e Bárbara Martins Bolognesi | Movimento de Mulheres Olga Benario


MULHERES – Após mobilização de movimentos de mulheres e frentes pela legalização do aborto, Ministro Luís Carlos Barroso, às vésperas de sua aposentadoria, deixa voto a favor da descriminalização do aborto até as primeiras 12 semanas de gestação.

Em setembro, houve mobilização nacional no dia 28 de setembro, dia de luta latino americano e caribenho pela descriminalização e legalização do aborto, em que milhares de mulheres ocuparam as ruas defendendo a legalização do aborto e denunciando os ataques a este direito fundamental para a vida das mulheres e crianças que gestam.

Ainda, durante esta semana, comissão do Senado aprovou que crianças e mulheres, mesmo as vítimas de estupro, que acessarem o direito ao aborto, com mais de 22 semanas de gestação, sejam criminalizadas, o que foi repudiado pelo povo através das redes digitais. Além do caso de Paloma Alves Moura, de Olinda, que teve seu atendimento médico negado por suspeitarem de ter realizado um aborto e veio a falecer após mais de 10 horas passando mal e pedindo socorro em hospital da cidade. Este último, levou mulheres a se manifestarem em frente ao hospital em justiça pela morte de Paloma.

Neste contexto, em que o povo tem demonstrado repudiar qualquer ataque ao direito ao aborto, por pressão popular, o Ministro Barroso deixa seu voto a favor da descriminalização do aborto no Supremo Tribunal Federal (STF) antes de se aposentar. Este é o segundo voto a favor da ADPF 442 (Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental).

Barroso fundamentou com o fato de que a discussão abordada se refere a criminalização da mulher que passa pelo procedimento, levantando o ponto crucial sobre ser um tópico de saúde pública e não direito penal. Também enfatizou que o fato de abortar ser crime apenas penaliza o recorte de mulheres mais marginalizadas que não tem acesso ao procedimento adequado, colocando suas vidas em risco. Esse voto se junta ao da Ministra Rosa Weber que também foi favorável a descriminalização do aborto antes de sua aposentadoria.

Mulheres lutam pela descriminalização

É muito importante que este tema esteja sendo pautado e trazido para a discussão na perspectiva que realmente interessa, que é a vida das mulheres. Após o voto de Barroso, o ministro Gilmar Mendes apresentou pedido de destaque para transferir o julgamento virtual para sessões presenciais, entrando novamente na fila dos processos que necessitam ser pautados pelo presidente do Supremo. Assim, o tema já conta com dois votos favoráveis, faltando a manifestação dos outros ministros do STF sobre a questão para a decisão definitiva.

Assim, a mobilização das mulheres pela legalização do aborto, que tem aumentado nos últimos anos, principalmente com os ataques ao direito ao aborto, legalizado no Brasil em caso de gestação fruto de estupro, risco de vida à gestante e feto anencéfalo, tem dado resultados. Foram as mobilizações nacionais de milhões de mulheres que barraram o PL 1904, projeto que tentava criminalizar mulheres e crianças vítimas de estupro de acessarem o direito ao aborto, e agora, a descriminalização sendo pautada no STF foi fruto das últimas mobilizações do 28 de setembro e manifestações pressionando o ministro para que desse seu voto antes de se aposentar.

Agora devemos seguir pautando a luta pela descriminalização e legalização do aborto realizando rodas de conversa, panfletagens, manifestações e convencendo mais pessoas para defender esse direito fundamental para salvar a vida das mulheres e pessoas que gestam.

Ato no Recife denuncia feminicídios em Pernambuco

O estado de Pernambuco se encontra em estado de calamidade contra a vida das mulheres. Todos os dias são vitimadas de diversas formas no governo de Raquel Lyra (PSD) que não oferece o mínimo de segurança. Com essa indignação, o Movimento de Mulheres Olga Benario e o Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) organizou um ato no último dia 20 de outubro, denunciando o feminicídio da companheira Patrícia Maria Alves da Silva, de 44 anos, cometido pelo ex-companheiro.

Pela falta de políticas públicas, as mulheres pernambucanas são relegadas ao descaso. Em carta entregue a Secretaria de Defesa Social, foi denunciado as violências cometidas contra Patrícia, Alícia, contra a moradora do Cabo de Santo Agostinho, contra Rebeca, Paloma, Adriana e demais mulheres vítimas do machismo que atinge 52,7% da população.

Reproduzimos abaixo, na íntegra, a carta dos Movimentos, com exigências para que essa realidade imposta às mulheres seja transformada.

Movimento de Mulheres Olga Benario e Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas em Pernambuco


 

MULHERES- Precisamos, de uma vez por todas, dar um basta na violência contra as mulheres que se espalha pelo estado de Pernambuco. Diariamente mulheres e meninas são mortas em razão do gênero. Entre janeiro e abril de 2024, 27 mulheres foram assassinadas e no mesmo período de 2025 foram 35 mulheres, conforme a Secretaria de Defesa Social. Ou seja, a violência só cresce a cada ano, a situação beira a calamidade e o poder público segue sem oferecer garantia de segurança às mulheres.

Nos últimos dias, recebemos a triste e revoltante notícia do feminicídio de Patrícia Maria Alves da Silva, de 44 anos. Patrícia era empregada doméstica e recém-ingressa no MLB, moradora da Ocupação Gregório Bezerra Por Palestina Livre, teve sua vida ceifada pelo ex-namorado assassino, fruto da lógica machista e patriarcal, base estrutural da violência contra as mulheres. Ela foi encontrada enterrada em uma mata no Barro, próximo a uma geladeira que foi usada para carregar seu corpo já sem vida. Patrícia não é mais um número estatístico! Ela, assim como tantas outras, era uma mulher cheia de vida, trabalhadora e que lutou até o fim para conquistar o direito à moradia, trabalho, educação e segurança, visto que o Estado não dá garantias desses direitos básicos, o que ocasiona que as mulheres permaneçam no ambiente de violência por não ter onde morar e cuidar de seus filhos.

Infelizmente, não foi apenas o feminicídio de Patrícia Maria que foi notificado nos últimos dias. A verdade é que a violência cresce enormemente em nosso país. A cada seis horas uma mulher é assassinada e a cada seis minutos uma mulher é vítima de estupro. Como o caso da moradora do Cabo de Santo Agostinho, de 48 anos, que foi estuprada por um Agente do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) dentro de um posto policial, em um espaço supostamente seguro para as mulheres.

O estuprador alegou durante a blitz que o veículo da vítima possuía dívidas e a enganou até o local da violência no próprio posto policial. Graças a pressão popular, o estuprador foi preso 5 dias após o crime. Mas, se não houver uma apuração, responsabilização e investigação severa pelos órgão competentes, pode ser esse mais um caso estatístico de violência. Não podemos tolerar, jamais, a violência institucional contra as mulheres.

 

Por mais espaços seguros para todas as mulheres!

 O fato é que se as mulheres pernambucanas e as organizações populares não tivessem pressionado a Polícia Militar a acelerar a investigação, o caso do Cabo seria mais um a ser esquecido. A governadora Raquel Lyra (PSD) disse, somente após pressão popular, que “Estamos trabalhando para garantir o acolhimento da vítima e a investigação severa desse caso. Uma coisa é certa: aqui, em PE, não toleramos violência contra mulher”.

O que contradiz a afirmação da governadora é que no estado de Pernambuco existem 185 municípios e apenas 15 possuem Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher. Dessas, apenas 7 funcionam 24 horas. A estrutura nos municípios que não possuem Delegacias da Mulher é ainda pior: mulheres são revitimizadas e desacreditadas por negligência dos agentes.

A responsabilidade pela proteção das mulheres cabe ao Estado. Representamos 52,7% da população total do Estado e representamos 43,6% da força de trabalho. Vemos como recai sobre as mulheres trabalhadoras, maioria explorada, o peso da insegurança estatal, que mesmo com uma governadora mulher, a violência continua e políticas concretas de combate à violência contra a mulheres são quase que inexistente.

Em julho deste ano, Rebeca Vicente dos Santos, manicure, foi morta a facadas pelo ex-parceiro, após ser obrigada a procurar ajuda na cidade vizinha, Camaragibe, pois em São Lourenço não existe Delegacia Especializada. Em Camaragibe, a Delegacia não funciona 24 horas e o CEAM (Centro Especializado de Atendimento à Mulher) funciona de 8h às 16h, negando que as mulheres trabalhadoras também são vítimas de violência e precisam de auxílio.

Em Olinda, o serviço público fez mais uma vítima: Paloma Alves Moura, 46 anos, chef de cozinha, foi deixada para morrer no Hospital e Maternidade Tricentenário. Paloma procurou a emergência hospitalar por estar com sangramento vaginal em razão de endometriose, deu entrada na emergência e a equipe médica suspeitando de um aborto, negligenciou e negou o atendimento. Paloma morreu em decorrência da perca severa de sangue dentro da unidade hospitalar sem receber socorro.

Em Sanharó, Agreste de Pernambuco, Adriana Cordeiro foi morta a tiros. Ela tinha 34 anos e estava grávida de 5 meses e era mãe de 8 filhos.

Alícia Valentina, 11 anos, estudante da Escola Municipal Tia Zita em Belém de São Francisco, Sertão de Pernambuco, teve decretada morte cerebral após sofrer agressões por se negar a “ficar” com um colega de escola.

Nós não temos um local seguro, não podemos andar pelas ruas tranquilas, e não podemos contar com o Poder Público. Este modelo de sociedade nada tem a oferecer às mulheres, pois se beneficia da opressão imposta às mulheres que nos joga insegurança, baixos salários e uma vida de miséria, vê as mulheres como meras mercadorias e fonte da reprodução social.

Por isso, necessitamos de mais Centros de Referência para acolhida de mulheres; reivindicamos Delegacias Especializadas nas localidades que não a possuem e que funcionem por 24 horas e pela ampliação das que já existem, bem como, exigimos justiça por Patrícia, Paloma, Alicía, Adriana e tantas outras foram vítimas de violência de gênero e pela negligência e falta de políticas públicas para as mulheres.

Reafirmamos que se o poder público e seus agentes continuarem a tratar a vida das mulheres como meros números, sem ações concretas e sem contato direto com a sociedade civil organizada, as mulheres pernambucanas não estarão seguras. Não podemos, e nem devemos nos sujeitar a essa realidade.

Outro fator importante para a proteção da vida das mulheres é a aplicação de políticas públicas e da lei de forma célere. Muitas mulheres são dependentes do Poder Judiciário para ter acesso à pensão alimentícia para seus filhos. Acontece que a falta de acesso ao poder judiciário faz com que as mulheres, por falta de condições financeiras permaneçam em lares abusivos e violentos; quanto ao julgamento de seus agressores, vemos a demora nos processos, onde as vítimas não encontram amparo jurídico para prosseguir com as denúncias; quando se trata do reconhecimento de paternidade e da guarda dos filhos, há demora e negligência em garantir ambientes seguros para as crianças e as mães. Acontece que o acesso à Justiça é limitado para as mulheres trabalhadoras. Por isso, é essencial que as Varas funcionem em regime de plantões para atender as mulheres que se mantém na violência pela dependência financeira ou psicológica e, pela negação ao acesso a políticas públicas são sujeitas à marginalidade.

Ademais, muitas mulheres não recebem apoio quanto ao cuidado de seus filhos. Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua de 2022, do IBGE, mostram que as mulheres nordestinas dedicam 23,5 horas da semana para o cuidado de pessoas e/ou trabalho doméstico, enquanto para os homens o tempo dedicado cai pela metade. Essa discrepância se desenvolve para as mulheres o dever social do cuidado coletivo das crianças. As vagas nas creches são insuficientes, deixando milhares de crianças foram do ambiente escolar na primeira infância, sem acesso à creche e escolas em ensino integral, impedido que as mães possam se qualificar profissionalmente e ter acesso a emprego e renda.  Portanto, deve haver ampliação com qualidade das creches e escolas em tempo integral, bem como, políticas de qualificação de emprego e renda para as mulheres.

Sem a garantia do cumprimento dos direitos básicos já estabelecidos na Constituição Federal, aplicação da Lei Maria da Penha, bem como a criação de empregos dignos e que respeitem os direitos trabalhistas, não mudaremos os números de violência contra às mulheres em nosso Estado. Por isso, é dever do governo e de seus Órgãos esta garantir.

 

Reivindicamos:

  1. Investigação célere e punição aos criminosos que violam, estupram e assassinam as mulheres;
  2. Ampliação da rede de Delegacias Especializadas e que estas funcionem 24h também nos fim de semana e feriados;
  3. As delegacias devem ser espaços seguros, com profissionais capacitados e com equipe interdisciplinar para receber a denúncia, acolher a vítima e orientar as ações jurídicas, psicológicas e de assistência social;
  4. Criação de Centros Especializados que atendam e orientem as mulheres com ações práticas que possibilitem as mulheres deixarem ambientes violentos.
  5. Regime de plantões nas Varas de Família e Cíveis para atendimento de todas as mulheres trabalhadoras do estado;
  6. Ampliação do número de vagas nas creches, bem como garantir que as mulheres tenham condições de formação profissional, emprego e renda com políticas públicas efetivas para atender as necessidades básica de moradia, educação e saúde.

 

Abaixo a violência contra a mulher!

Justiça por Patrícia!

Pelo fim do feminicídio e da violência contra as mulheres!

 

 

 

Palestinos resistem a genocídio e lutam para expulsar o invasor de suas terras

Nos últimos dois anos na Faixa de Gaza, o povo palestino sofre o maior genocídio do século 21, resultando, até agora em mais de 80 mil mortes oficiais. O genocídio foi suspenso, mas o colonialismo de Israel não terá um fim enquanto perdurar o sistema imperialista-capitalista.

Felipe Annunziata | Redação


EDITORIAL – De cima dos escombros de Gaza, um povo que não abriu mão do seu território e do direito à autodeterminação ergue a sua bandeira. Nos últimos dois anos, os palestinos passaram pela maior atrocidade que o imperialismo cometeu neste século até agora, mas nunca abaixaram a sua bandeira preta, branca, verde e vermelha, que hoje também é levantada pelos povos de todo o mundo.

“Esta é a bandeira da honra e da dignidade! Esta é bandeira da Palestina!”, afirma um morador de Gaza que tenta voltar para casa depois do acordo de cessar-fogo. E completa: “Apesar do que Trump fez contra nós, apesar de tudo que o canalha do Netanyahu fez contra nós, para nos expulsar de Gaza, não há uma casa de pé, mesmo se eles nos cortarem em pedacinhos, não vamos sair de Gaza, nem um único centímetro! Eles tentaram nos expulsar, mas é impossível!”.

O acordo de cessar-fogo entre a resistência palestina, os EUA e Israel entrou em vigor, oficialmente, no dia 10 de outubro, mas ainda não está consolidado e já conta com vários descumprimentos por parte dos sionistas.

Mesmo com o alívio inicial que a implementação do acordo garante, com a entrada de ajuda humanitária para aplacar a fome generalizada da população de cerca de 2 milhões de habitantes, não está garantido que os sionistas cumprirão o combinado.

Apesar disso, é uma conquista dos povos do mundo para barrar a limpeza étnica na Faixa de Gaza, uma grande vitória da luta anti-imperialista, pois encerrou um período de dois anos de fome, bombardeios, fuzilamentos e sequestros contínuos.

Maior genocídio do século 21

Os números oficiais, reconhecidos pelo Ministério da Saúde de Gaza e pela ONU, dão conta de que mais de 80 mil palestinos foram mortos, além de 160 mil feridos. Pelo menos 10 mil pessoas estão desaparecidas entre os escombros provocados pelas bombas de Israel. Esses números, no entanto, estão muito longe de refletirem a realidade completa do genocídio.

Um estudo da revista Lancet aponta que a matança pode ter vitimado mais de 360 mil pessoas, ou cerca de 17% da população de Gaza antes dos ataques. Nesta conta estão incluídos, além das vítimas diretas dos bombardeios, as pessoas que morreram desnutridas ou de doenças infecciosas causadas pelo bloqueio total de Israel à entrada de ajuda humanitária.

Nas ruas destruídas, o resultado do genocídio começa a ficar mais evidente. No sábado (11/10), a Defesa Civil de Gaza e um hospital recuperaram 178 corpos nos escombros durante as primeiras horas do cessar-fogo. “Chegamos na nossa região. Ela foi exterminada. Não sabemos para onde vamos depois disso. Não pudemos pegar os móveis, roupas nem nada, nem mesmo as roupas de inverno. Nada sobrou”, afirmou Ahmed al-Brim a uma agência internacional de notícias.

Tudo o que se vê em Gaza hoje é a destruição realizada por Israel. O regime sionista se utilizou de várias táticas para assassinar palestinos em escala industrial, assim como os nazistas fizeram na 2ª Guerra Mundial. Além da fome generalizada, os sionistas destruíram a rede de água potável e esgoto de Gaza, toda a região agricultável também foi ocupada e destruída. De acordo com a ONU, 80% das edificações do enclave palestino foram destruídas ou danificadas.

Raja Salmi, uma palestina que tenta voltar para casa, resumiu assim a situação: “Caminhamos por horas e cada parada era repleta de medo e ansiedade por minha casa. Ela não existe mais. É só uma pilha de escombros. Fiquei ali de pé e chorei. Todas as memórias agora são apenas pó”.

A luta pelo cessar-fogo

O genocídio foi suspenso, mas o colonialismo de Israel não terá um fim enquanto perdurarem suas causas: o sistema imperialista-capitalista, que tem naquela região um grande interesse econômico, militar e geopolítico. Como resultado da solidariedade internacional da classe trabalhadora e da resistência inquebrantável do povo palestino, o imperialismo estadunidense foi forçado a fazer Israel sentar para negociar um cessar-fogo.

Na Europa, milhões de trabalhadores fizeram greves e manifestações contra a cumplicidade de seus governos com o regime israelense. A situação chegou a tal ponto que as greves gerais na Itália ameaçaram o governo da neofascista de Giorgia Meloni. Vários outros governos tentaram acalmar suas populações e se viram obrigados a reconhecer o Estado Palestino. Foram os casos de França, Canadá, Austrália, Reino Unido, Portugal, Espanha, Noruega e Irlanda.

Alguns países da África e de Ásia também viram gigantescas manifestações de solidariedade. Ou seja, os povos do mundo isolaram o regime neonazista de Benjamin Netanyahu, que, na tentativa de anexar a Faixa de Gaza a Israel, mentiu descaradamente dizendo que “o objetivo da guerra era destruir o Hamas”.

Nos EUA, de acordo com uma pesquisa do jornal New York Times, pela primeira vez na história, os estadunidenses apoiam mais a Palestina do que Israel. O jornal faz essa pesquisa regularmente desde 1998.

No Brasil, a luta em defesa da Palestina também garantiu avanços importantes, que fizeram recuar a máquina de propaganda sionista. Universidades públicas romperam relações com Israel, como a Unicamp e as Universidades Federais Fluminense e do Ceará.

Nas ruas, favelas, praças e redes digitais, a ampla campanha de denúncias dos crimes de Israel demonstrou que a maioria do povo brasileiro é contra a política de morte, mesmo com a cobertura tendenciosa em favor do regime sionista por parte da mídia burguesa e de muitas igrejas.

Fora Israel de Gaza!

Apesar dessas vitórias, não podemos confiar no imperialismo em nada, especialmente quando o assunto é a “paz mundial”. A trégua prevê a troca de todos os prisioneiros de guerra israelenses por quase dois mil presos políticos palestinos, entre eles Omar Bsais, preso há mais de 24 anos nas masmorras israelenses. A emoção das famílias palestinas é indescritível. No entanto, Israel mantém em campos de tortura mais de 11 mil palestinos, dentre eles, centenas de mulheres e crianças.

Na manhã do dia 13/10, a resistência palestina entregou à Cruz Vermelha Internacional 20 prisioneiros que passaram os últimos dois anos em Gaza. Mesmo assim, as tropas israelenses não se retirarão por completo da Faixa de Gaza. Mais da metade desse território palestino continuará ocupado. Portanto, esta situação impõe a necessidade de continuar a pressão internacional pelo direito à plena autodeterminação do povo palestino sobre suas terras.

O futuro se constrói agora

Para celebrar a suspensão da matança de crianças em Gaza, A Verdade colheu mensagens de solidariedade de quem, mesmo com poucos anos de vida, já aprendeu algumas lições de consciência política.

“Bom, pra ser sincero, eu não acompanhei muito as notícias sobre o que estava acontecendo, e agora vejo que isso foi uma decisão errada, pois eu vivo nesse mundo e o que acontece é preciso saber. Israel cometeu um genocídio contra a Palestina, matando principalmente mulheres e crianças. Essas pessoas estão sofrendo graças à ganância dos líderes israelenses, líderes esses que, enquanto destroem e matam milhares de pessoas, pensam no lucro que eles terão ao reformar a cidade, pois estão mais preocupados com dinheiro e poder do que com a chacina que cometeram.”

Gabriel Xavier, 13 anos, Belo Horizonte (MG)

“Ver as crianças palestinas sofrendo esses bombardeios foi muito triste. Deve ser muito triste não poder brincar e viver com medo constante. A situação de Gaza é horrível, com milhares de crianças mortas ou feridas. Eu desejo que essas crianças tenham esperança de que isso vai mudar, que o país tenha um cessar-fogo de verdade e a paz.”

Larissa Ramos, 10 anos, Carpina (PE)

“Eu vi os bombardeios pela TV. Isso tinha que acabar mesmo porque muitas pessoas morreram, e os hospitais estão totalmente destruídos. Espero que agora tenha acabado e que as crianças palestinas possam voltar a brincar e a estudar.”

Miguel Escarião, 10 anos, João Pessoa (PB)

Editorial publicado na edição impressa nº323 do jornal A Verdade

MLB inaugura quadra esportiva no Vale das Ocupações, em Belo Horizonte

Na quadra esportiva no Vale das Ocupações, em Belo Horizonte, foi realizada uma grande festa de Dia das Crianças na Ocupação Paulo Freire. A quadra leva o nome de Kauã Pereira, jovem negro, morador da Ocupação Eliana Silva, morto sob tutela do Estado, que até hoje não esclareceu a causa de sua morte.

Edinho Vieira | Belo Horizonte (MG)


BRASIL – Na tarde do domingo das crianças, 12 de outubro, o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) realizou uma grande festa na Ocupação Paulo Freire, localizada no Vale das Ocupações do Barreiro, na cidade de Belo Horizonte (MG). Foi um dia com muitas brincadeiras, lanches, pintura facial, tranças e cortes de cabelo, além da distribuição de lembrancinhas e sorteios de bicicletas. Mas o maior presente era outro.

“Nosso campinho tá de volta, e agora muito melhor”, disse Luan, 11 anos, fazendo alusão ao antigo campinho de terra batida, que deu lugar a uma quadra poliesportiva novinha em folha.

A quadra Kauã Pereira é fruto de uma luta coletiva por melhorias nas condições de vida das famílias moradoras das ocupações urbanas, visando a ter mais espaços coletivos e de lazer, principalmente para os jovens da região.

O projeto foi viabilizado graças a uma campanha de financiamento coletivo organizada pelo Instituto Conhecimento Liberta (ICL), que contou com uma visita de Eduardo Moreira na ocupação e com uma live para apresentar o projeto ao público, que formou uma grande rede de apoio e solidariedade.

Muitos outros atores se somaram no processo coletivo que viabilizou a construção da quadra, como professores e alunos de Arquitetura da UFMG, além de uma grande rede de aliados e militantes do Movimento que atua na área. Os moradores se somaram na construção, tanto na mão de obra quanto no planejamento, que passou por assembleias e oficinas.

A quadra leva o nome de Kauã Pereira, jovem negro, morador da Ocupação Eliana Silva, morto sob tutela do Estado, que até hoje não esclareceu a causa de sua morte. “Kauã foi uma criança assim como vocês são, do MLB, assim como nós, e ele tinha um sonho, assim como todos nós, de ter um lugar para brincar. Desde pequeno, ele foi um lutador e, com sua família, sempre esteve com o MLB em todas as lutas. O Estado arrancou de Kauã o seu sonho, lhe tirou a vida”, disse Poliana Souza, coordenadora nacional do MLB.

Adriel Cássio, da coordenação estadual do MLB e irmão de Kauã, também falou: “Nós, junto com o MLB, construímos essa quadra. Não é uma quadra que nos foi dada pela Prefeitura. Foi com a nossa luta que nós construímos. É uma quadra para nossas crianças e isso tem outro poder. Essa quadra revive o sonho do meu irmão. Eu me lembro de um filme feito lá na Eliana Silva que se chama ‘A Rua é Pública’ (filme de Anderson Lima), e a temática era ter um lugar para as crianças brincarem. Hoje, o MLB realiza o sonho dessas crianças, que se iniciou lá na Eliana Silva e que continua vivo em nós”.

O MLB segue lutando e construindo coletivamente melhores condições de vida para as famílias pobres das ocupações, vilas e favelas das periferias das cidades brasileiras, nutrindo dia a dia o sentimento e a vontade de uma profunda transformação e a construção da sociedade socialista, em que todos os dias sejam das crianças, que tenham lugar para brincar e segurança para viver, onde tenha comida na mesa e um lar.

Matéria publicada na edição impressa nº323 do jornal A Verdade

Curso de Design na UFMA luta contra o abandono

0

Um dos cursos de Design mais antigos do Brasil enfrenta desafios na UFMA. Sua comunidade de mais de 350 estudantes lida com uma infraestrutura precária, com laboratórios sucateados, marcenarias abandonadas e ausência de recursos tecnológicos, incluindo computadores e softwares. 

João Montenegro | Pernambuco


EDUCAÇÃO – Um dos cursos de Design mais antigos do Brasil enfrenta desafios na Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Sua comunidade de mais de 350 estudantes lida com uma infraestrutura precária, com laboratórios sucateados, marcenarias abandonadas e ausência de recursos tecnológicos, incluindo computadores e softwares. A difícil realidade dos estudantes levanta questionamentos sobre as prioridades de investimento da universidade e o impacto direto na formação dos futuros profissionais.

A antiga oficina de marcenaria do curso de Design da UFMA encontra-se desativada e serve atualmente como depósito para móveis e materiais inutilizados. O espaço, antes destinado a aulas práticas, está ocupado por pilhas de cadeiras e mesas quebradas. A medida impactou diretamente disciplinas obrigatórias que necessitam do espaço para suas atividades práticas. O processo de desativação da oficina de marcenaria teve início após a aposentadoria do último técnico responsável. A administração universitária optou por recolher os equipamentos do laboratório em vez de abrir um novo concurso para a reposição do profissional.

Para justificar a remoção do maquinário, a gestão universitária anunciou a intenção de criar um FabLab (Laboratório de Fabricação). Tais laboratórios são equipados com tecnologia de fabricação digital, como impressoras 3D e cortadoras a laser, para o desenvolvimento de protótipos. No entanto, o projeto não foi implementado. Após a retirada dos equipamentos da marcenaria, o espaço não recebeu novos investimentos.

A precariedade da infraestrutura digital

Hoje, o curso dispõe de um único laboratório de computação com 20 computadores. Um laudo da própria Superintendência de Tecnologia e Informação (STI) da UFMA, emitido após visita técnica do reitor, classificou as máquinas como “computadores de escritório”, inadequados para os softwares de modelagem e design gráfico exigidos pelas disciplinas.

A situação dos softwares também é um ponto crítico. Foram solicitadas licenças do pacote Adobe, padrão na indústria criativa, mas a STI, com o respaldo da reitoria, disponibilizou apenas duas, que não chegaram a ser instaladas. Segundo o relato dos estudantes, outros cursos da universidade possuem laboratórios com as mesmas licenças que foram negadas ao Design.

A carência de infraestrutura transfere aos estudantes a responsabilidade financeira pela aquisição de computadores de alto desempenho e pelo pagamento de assinaturas de software. Em especial, estudantes mais pobres relatam dificuldades para acompanhar as aulas e realizar os trabalhos, o que levanta questões sobre isonomia e permanência estudantil.

A perspectiva dos estudantes

A gestão da UFMA aprovou neste ano um “Programa de Modernização” que prevê melhorias em infraestrutura, gestão acadêmica e inovação tecnológica. O reitor Fernando Carvalho classificou a aprovação do programa como um “marco para a UFMA”.

Para os estudantes, no entanto, o discurso contrasta com a realidade. Kírio Lopes, presidente do Centro Acadêmico de Design, afirma sentir-se “profundamente violentado”. Segundo ele, “o direito à educação superior digna e de qualidade tem sido sistematicamente negado por uma instituição que insiste em mascarar sua negligência atrás de belos discursos de modernização”.

Outro ponto de atrito denunciado pelos estudantes foi a condição do telhado do anexo da oficina, que apresentava risco de desabamento. A reforma da estrutura só ocorreu após uma campanha de denúncias dos estudantes nas redes sociais.

Um legado acadêmico em risco

As universidades federais no Brasil enfrentam um cenário de austeridade fiscal devido a políticas de cortes neoliberais no financiamento da educação. No entanto, a alocação dos recursos existentes é de responsabilidade da gestão local. A comunidade do curso de Design argumenta que a existência de investimentos em outros setores da universidade indica que a situação do curso é resultado de uma decisão de prioridades administrativas.

Em contraste com a situação de sua infraestrutura, o curso de Design da UFMA apresenta indicadores de excelência. A instituição obteve nota 4 (em uma escala até 5) no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (ENADE), uma das avaliações mais altas do país para a área. Há poucos anos, o professor Delano Rodrigues, do mesmo curso, conquistou o primeiro lugar na 35ª edição do Prêmio Design Museu da Casa Brasileira, o mais importante do setor no Brasil. A universidade celebrou a conquista em seus canais oficiais.

Fundado em 1970, o curso de Design da UFMA é um dos mais antigos do Brasil e ainda hoje realiza atividades pedagógicas e de pesquisa científica de grande valor para o campo, sendo uma referência regional. Por isso, a situação atual de precarização ameaça a formação dos atuais 350 alunos e também o legado histórico do curso.

A comunidade acadêmica do curso de Design reivindica condições básicas de ensino. Diante da aparente falta de diálogo com a reitoria, a pergunta formulada pelo estudante Kírio Lopes sintetiza o impasse:

“O que mais o curso de Design precisa enfrentar para que a Universidade lhe assegure ao menos o básico de dignidade?”.

A resposta da administração definirá o futuro do curso e de seus estudantes, além de sinalizar as prioridades da instituição em meio ao debate sobre o futuro da universidade pública.

A tarefa de dar assistência

A tarefa da assistência política é acompanhar a execução dos planos definidos nos coletivos, encontrar e conversar com os militantes, procurar saber se tem tido dificuldades em pôr em prática as tarefas e ajudá-los nesse sentido.

Alexander Feitosa | Natal (RN)


PARTIDO – A tarefa da assistência política é uma das mais importantes do Partido. O segredo de uma boa reunião está na sua preparação. Convocar os membros do coletivo com antecedência, definir local seguro e que ofereça privacidade, preparar os textos que serão estudados, pensar a pauta e, se possível, informar aos participantes o que será discutido para que possam se preparar, levar suas sugestões, informes, etc.

É importante sempre checar o horário de início e se todos chegaram na hora marcada. Caso alguém atrase, tem que se perguntar o motivo para que se possa debater e, caso não seja justo a razão do atraso, fazer a crítica para que superemos os atrasos nas atividades.

Em seguida, o coletivo define quem será a mesa da reunião, ou seja, quem coordenará a reunião. Essa pessoa anota as pautas para que o debate aconteça em ordem definida, controla o tempo das falas, organiza as votações das propostas e prepara o relatório da reunião.

Já a tarefa do assistente é acompanhar a execução dos planos definidos nos coletivos, encontrar e conversar com os militantes, procurar saber se tem tido dificuldades em pôr em prática as tarefas e ajudá-los nesse sentido. Esta é uma tarefa contínua, cotidiana e planificada, que consolida a unidade e a disciplina do conjunto do Partido na perspectiva da luta revolucionária, pela conquista do poder político e pela construção do socialismo.

A tarefa de assistir

O papel do assistente é coesionar os militantes pelos quais é responsável para desenvolver o conjunto de tarefas partidárias que dizem respeito àquele coletivo. Assim, sua função é ajudar na formação comunista dos militantes, conhecer suas vidas e ser um “porto seguro” para que tenha o respeito e confiança de todos. Deve também zelar pelo cumprimento dos deveres de todos, o pagamento das cotas, a participação nas brigadas e presença nas atividades e lutas convocadas pelo Partido.

Ao ingressar em um coletivo comunista, nos é apresentado o centralismo democrático como um princípio organizativo que rege a vida interna e que deve ser aceito e praticado por todos os membros do Partido. Praticar esse princípio é mais do que aceitar formalmente as decisões da maioria, ou mesmo uma diretriz de um organismo dirigente. Destacados revolucionários, como Stálin, Che Guevara, Amílcar Cabral, entre outros, já escreveram sobre o combate ao formalismo e ao burocratismo, denunciando-os como uma expressão do individualismo, da vaidade e da arrogância, características que corroem e minam a unidade do Partido.

Uma das tarefas de um dirigente é cuidar da formação política, teórica e prática do militante. Não basta dar a tarefa, é preciso acompanhar seu andamento e orientá-lo para que o êxito da tarefa fortaleça o militante e, por consequência, o coletivo. Em caso de falha na realização da tarefa, fazer uma avaliação crítica fraterna, buscando identificar as razões e as causas do problema para seguir em frente. Uma justa distribuição de tarefas, de acordo com a capacidade de cada um, é uma das características da política de organização leninista.

Os dirigentes não podem se surpreender ou ficarem incomodados quando surge uma divergência ou uma crítica de militantes de base. Tentar desqualificar a crítica, negá-la, sem querer aprofundar o mérito da questão, é uma atitude burocrática que mais se assemelha à prática dos chefes burgueses.

Como disse o camarada Stálin: “Os membros de base do Partido controlam os seus dirigentes nas reuniões, nas conferências e congressos, ouvindo os relatórios da sua atividade, criticando os seus defeitos e elegendo ou não este ou aquele camarada dirigente para os órgãos de direção” (Sobre o Trabalho Prático, J. Stálin).

Com base nessas ideias, a dirigente comunista espanhola Elena Odena disse: “Para garantir a crítica e a autocrítica, é necessário combater qualquer tentativa de travar ou dificultar a sua implementação e evitar qualquer tipo de discriminação contra quem formula a crítica construtiva”.

A luta contra o espontaneísmo

Lênin sempre lutou contra a tendência espontaneísta no movimento revolucionário. Sempre que verificamos dificuldade em realizar as reuniões dos coletivos, garantir um bom trabalho com o jornal A Verdade, ou mesmo nos deparamos com uma baixa taxa de pagamento das cotizações, há muitas explicações, mas nenhuma delas consegue esconder a manifestação do espontaneísmo. O que há, na verdade, é uma priorização das tarefas sindicais, do trabalho de massas, em detrimento da tarefa central: a construção do PCR.

Deste modo, há um desperdício de energia revolucionária contida na nossa militância, que acaba se dispersando quando as lutas de massas cessam.

Cabe aos dirigentes exercerem suas funções desenvolvendo a crítica e a autocrítica, praticando a solidariedade revolucionária, tendo capacidade de ouvir a experiência coletiva e sintetizar essa experiência em ações que mobilizem o conjunto dos militantes e que os façam sentir que estão a construir a luta pela libertação do povo. Não basta o trabalho ser coletivo, a direção também precisa ser.

“Dirigir coletivamente, em grupo, é estudar os problemas em conjunto, para encontrar a sua melhor solução, é tomar decisões em conjunto, é aproveitar a experiência a inteligência de cada um, de todos para melhor dirigir, mandar, comandar. Dirigir coletivamente é dar a cada dirigente a oportunidade de pensar e de agir, exigir que tome as responsabilidades da sua competência, que tenha iniciativa, que manifeste com determinação e liberdade a sua capacidade criadora, que sirva bem o trabalho da equipe, que é o produto de esforços e das contribuições de todos.” (Amílcar Cabral)

Luta ideológica e coesão do coletivo 

O PCR surge da necessidade histórica do proletariado brasileiro tomar o poder político, expropriar os meios de produção da burguesia e construir o socialismo. Em função de seus objetivos é que a militância deve agir como um só.

A unidade e a coesão não significam a ausência de debate ou divergências no coletivo, mas, ao contrário, pressupõem a luta ideológica, a crítica e a autocrítica, o combate à ideologia burguesa do individualismo.

Somente uma disciplina consciente pode ser verdadeiramente férrea, dizia Lênin. E como alcançar essa consciência sem uma permanente luta ideológica? A verdade é que quando cessa a luta ideológica o organismo se burocratiza.

A luta política deve ser sempre fraterna; o alvo da crítica é o erro e não o militante. A vida dos revolucionários já tem suas dificuldades decorrentes da opressão capitalista. Não precisamos torná-la ainda mais difícil tratando a crítica como um ataque pessoal e contra-atacando quem criticou.

Portanto, os quadros dirigentes devem zelar pelos princípios do marxismo-leninismo, pela formação teórica e prática dos militantes e para que o Partido estreite cada vez mais sua relação com as massas trabalhadoras.

A vida e a classe

O Partido Comunista Revolucionário é o destacamento organizado da classe operária brasileira. Fazem parte dele os trabalhadores e trabalhadoras, jovens, os que estão desempregados, sem-teto, os explorados e oprimidos pelo capitalismo. São os pobres que compõem as fileiras do Partido.

Por isso, os dirigentes devem combater toda e qualquer expressão de elitismo, de comportamentos que mais correspondem ao modo de vida pequeno-burguês. Devemos viver e lutar com o povo.

Não podemos confundir o que é o necessário para a vida dos comunistas com o que é comum e corriqueiro na sociedade burguesa. O parâmetro moral do Partido Comunista, de seus quadros, é estabelecido por critérios revolucionários. Aquilo que favorece a revolução socialista é o que devemos estabelecer como conduta, e aquilo que a atrapalha deve ser suprimido, combatido.

Devemos buscar em pessoas como Manoel Lisboa um exemplo a ser seguido. Em todos os depoimentos dos que conviveram com ele não se verifica nenhuma atitude grosseira ou autoritária, nem mesmo na câmara de tortura, diante da morte, se ouviu um lamento seu, mas um chamado para continuar a luta do Partido.

Manoel sempre teve em sua vida uma postura de plenitude, serenidade e orgulho de cumprir com a tarefa de lutar pelo socialismo. Além disso, a maneira como ele assistia os demais camaradas, a atenção aos militantes de base, a camaradagem, o espírito coletivo, são qualidades que definem o caráter de um dirigente comunista.

Por isso, se perguntarmos qual modelo de assistentes precisamos, a resposta deve ser: precisamos de assistentes como Manoel Lisboa.

Militância da UJR realiza a 5ª Jornada de Trabalho Voluntário na Paraíba

0

São nas jornadas “Seremos como Che” que conseguimos compreender a importância do trabalho voluntário para minar o individualismo e trabalharmos para sermos sempre os melhores que podemos ser. 

 Isabele Enes Ribeiro| Paraíba


 

JUVENTUDE- Anualmente a União da Juventude Rebelião realiza a sua Jornada de Trabalho Voluntário “Seremos Como Che”, onde nossa militância se reúne em diferentes lugares do Brasil para embarcar em ações que prezam pela solidariedade, voluntarismo e coletividade. Na Paraíba, iniciamos nossa jornada em João Pessoa no último dia onze de outubro. Na ocasião, nossa militância se reuniu na comunidade São Rafael para realizar um mutirão de limpeza e ajudar na construção de uma Horta Comunitária e de um Biodigestor.

A ação se concentrou na sede do Instituto Voz Popular (IVP) e contou com a presença de outros movimentos sociais, como o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas e o Movimento de Mulheres Olga Benario. O Instituto Voz Popular existe há 25 anos e atua na Comunidade São Rafael promovendo o acesso à cultura, esporte, lazer e educação com crianças, adolescentes e idosos da região através de oficinas socioeducativas e temáticas, visando o fortalecimento comunitário.

A comunidade São Rafael sofre há 10 anos com o Projeto João Pessoa Sustentável, que pretende despejar também outras oito comunidades do complexo beira-rio para construção de um parque linear às margens do rio Jaguaribe. Serão cerca de 226 famílias removidas de suas casas com a justificativa de que em 100 anos a comunidade irá alagar e que, por isso, é necessário a sua expropriação. Segundo Daniel Pereira, fundador do Instituto Voz Popular, “a prefeitura faz um projeto para daqui 100 anos remover famílias, mas o mesmo projeto não remove o Manaíra Shopping que cobriu o rio, tá colado, mas isso ninguém mostra.”

Foi através da importância política e de resistência que a comunidade São Rafael representa para a cidade de João Pessoa que a União da Juventude Rebelião escolheu esse local para iniciar a sua 5ª Jornada de Trabalho Voluntário “Seremos Como Che” no estado da Paraíba.

 

O trabalho voluntário combate o individualismo

 O trabalho voluntário era muito incentivado por Che Guevara e o objetivo de nossa jornada é reavivar o legado de Che colocando em prática suas ideias, sua abnegação na construção de um mundo socialista e o espírito do sacrifício como parte da moral comunista. No trabalho voluntário praticamos atos de solidariedade e combatemos a ideia burguesa de que devemos olhar apenas para os nossos problemas.

Muito pelo contrário, no trabalho voluntário vemos que podemos fazer por nossas mãos tudo aquilo que nos é direito, assim como a ideia de que somos um coletivo e podemos agir e resolver nossos problemas de maneira conjunta. Esse trabalho não deve ser feito apenas uma vez por mês ou por ano, mas devemos nos dedicar para exercer ele nas horas de folga, nos sábados e domingos de forma continua.

Em João Pessoa estamos no nosso terceiro ano contribuindo para a comunidade São Rafael e com o Instituto Voz Popular. “O trabalho que realizamos hoje na comunidade foi uma experiência incrível, do início ao fim. Foi lindo ver e sentir o entusiasmo de todos ali presentes, ninguém fazendo corpo mole, todo mundo dando o sangue e ao terminar, olhar para o que fizemos, e saber que aquele trabalho será muito bem usado por toda a São Rafael. O trabalho voluntário serve também para lembrar que nossa luta é pelos mais explorados na sociedade capitalista, neste caso, a classe trabalhadora.” afirma Davi, estudante do IFPB Campus Cabedelo e militante da UJR. Já para Lohan, militante secundarista da UJR, “a atividade de sábado serviu como inspiração para ver como todos os camaradas se conectaram para alcançar um objetivo comum e como cada mínimo esforço foi fundamental para ajudar na obra”.

É preciso que possamos dar outra dimensão ao que o trabalho significa dentro do sistema capitalista e que possamos transformar este em um meio de libertação do ser humano, bem como em instrumento de luta para a construção do bem comum. Na atividade da São Rafael vimos esse exemplo, para além da nossa militância, pessoas da comunidade se somaram, inclusive idosas, nos seus mais de 60 anos participando do mutirão, escavando e recolhendo orgânicos para cobrir a horta comunitária.

 

Che Guevara e o exemplo de ser humano que devemos querer ser

 Certa vez em uma entrevista para Carlos Quijano, Che Guevara afirmou que os dois pilares para a construção do socialismo e, consequentemente do comunismo, era o ser humano novo e o desenvolvimento da técnica. Esse tal “ser humano novo” não se expressa no símbolo unicamente de uma pessoa, mas no avanço da consciência dos trabalhadores, que juntos lutam pela construção de uma nova sociedade. Alcançar cada vez mais a consciência e firmeza ideológica, deixando para trás os sentimentos de egoísmo, arrogância e individualismo, entendendo que é preciso o trabalho político, orientado por uma vanguarda revolucionária, para transformar o sistema que vivemos.

É nesse sentido que devemos pautar nossas lutas e a jornada “Seremos Como Che”. Afinal, se queremos ser como Che é preciso que sejamos um exemplo para todos, que possamos ser os primeiros a chegar e os últimos a sair, assim como sermos exemplo no modelo do trabalho voluntário, da modéstia e da disciplina. Os 58 anos de sua imortalidade devem servir como motor para derrubarmos o capitalismo que se alimenta da exploração da nossa classe, promovendo guerras de rapina e precarização da nossa condição de vida. Devemos mostrar que o povo é consciente e pode transformar sua própria realidade.

Seremos como Che! Que tenhamos a esperança de que o povo pode avançar, liquidar a mesquinhez humana, se aperfeiçoar com o trabalho voluntário e acima de tudo, como Che disse: que possamos ser essencialmente humanos, ser tão humanos que nos aproximamos do melhor do humano.

 

 

Basta de violência, chega de feminicídio em Pernambuco!

0

 

O jornal A Verdade reproduz na integra a nota do movimento de mulheres Olga Benario denunciando a crescente escalada de violência contra as mulheres no estado.

Coordenação Estadual do Movimento de Mulheres Olga Benario em Pernambuco


 

MULHERES- Segundo dados da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco, o primeiro semestre de 2025 foi marcado pelo aumento dos casos de feminicídio em relação ao ano anterior. Já quase ao final do segundo semestre, período em que esta nota é redigida, o estado se encontra em um cenário alarmante, onde diariamente são noticiadas vidas de mulheres ceifadas. Seja pela negligência da saúde, como no caso de Paloma, seja pela violência de gênero, como no caso da menina Alicia, as mulheres em Pernambuco seguem impedidas de viver plenamente.

Somos mortas, perseguidas, desacreditadas e lançadas à própria sorte por um sistema que deveria nos proteger. Quando buscamos atendimento ou socorro, somos julgadas, desmentidas e, em casos extremos, violentadas até mesmo por quem veste a farda do Estado.

Como é o triste e revoltante caso da moradora do Cabo de Santo Agostinho, de 48 anos, que foi estuprada por um Agente do Batalhão de Polícia Rodoviária (BPRv) dentro de um posto policial no último final de semana. A vítima estava na presença de suas filhas e foi abordada a caminho da praia de Gaibu pelo estuprador de plantão. Ele alegou que o veículo possuía dívidas e a enganou até o local da violência no posto policial.

Após três dias da ocorrência, a Polícia Militar de Pernambuco não havia afastado nem identificado o policial. Somente em 14 de outubro, após a repercussão na mídia e a pressão dos movimentos feministas, o Secretário de Segurança Pública afirmou à imprensa que o acusado havia sido afastado. No entanto, a defesa da vítima, Maria Júlia Leonel, informou que até o momento essa informação não consta oficialmente no inquérito e que não foram revelados os nomes dos policiais que estavam de plantão.

Até o momento, a governadora Raquel Lyra (PSD) não comentou sobre a denúncia nos perfis oficiais. Esse caso não é isolado. É o retrato da realidade das mulheres pernambucanas, atravessadas pela má gestão das políticas públicas de proteção e atenção às vítimas de violência. Em todo o estado, existem apenas 30 Centros de Referência de Atendimento à Mulher e 15 Delegacias da Mulher, sendo somente cinco funcionando 24 horas em um estado com 185 municípios.

Todos os dias somos bombardeadas por notícias que mais uma de nós sofreu nas mãos do patriarcado sustentado pelo capitalismo. Estamos cansadas e queremos uma transformação. Queremos um basta na violência contra as mulheres e meninas. Não precisamos de compaixão do estado burguês ou notas de repúdio. Precisamos de ações, precisamos tomar as ruas e exigir uma sociedade em que não tenhamos medo de deixar nossas casas. Merecemos um trabalho digno, estudar e ter lazer sem uma vigilância constante, até contra as autoridades policiais.

É por Alícia, Paloma e todas as mulheres. Chega de violência! Basta ao feminicídio e ao fascismo! O Movimento de Mulheres Olga Benario reafirma a importância da organização e da luta coletiva das mulheres como instrumento fundamental para enfrentar essas violências. Somos nós, mulheres trabalhadoras, que lutamos pelo direito à moradia, pelo acesso à saúde, pela existência de centros de referência que acolham e atendam mulheres vítimas de violência com dignidade e especialização.

Lutamos também pela organização das mulheres em seus territórios, para que nenhuma de nós esteja sozinha diante da opressão e da exploração. Seguiremos firmes, construindo nas ruas, nas ocupações e nos espaços populares a resistência das mulheres que não aceitam mais morrer, calar ou recuar.

Manifestação no aniversário de Campina Grande (PB) denuncia projeto da Prefeitura para despejar centenas de famílias

1

Moradores criticam a falta de diálogo da Prefeitura e exigem soluções concretas de moradia para diversos bairros que estão ameaçados após um projeto ser anunciado sem ouvir os moradores locais. 

Redação PB


 

No marco de 161 anos da cidade de Campina Grande (PB), dezenas de famílias do bairro do Tambor tomaram uma das maiores avenidas da cidade em protesto pelo direito à moradia. A Prefeitura da cidade, que tem à frente o oligarca Bruno Cunha Lima, do União Brasil, cuja família soma mais de 20 anos ininterruptos no comando da gestão municipal, além de já ter ocupado o Governo do Estado, o Senado e a Câmara Federal, tem sido alvo de críticas pela população, sobretudo por sua política antipovo.

O poder municipal começou a execução das obras para um VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) que atravessará 15 quilômetros, cortando 11 bairros, sobre os velhos trilhos de um trecho da já desativada Ferrovia Transnordestina. Nessas décadas de desativação, centenas de famílias construíram suas casas às margens da malha ferroviária e, hoje, veem suas moradias ameaçadas pela construção do VLT. O Jornal A Verdade entrevistou Maynara Santos, moradora do bairro do Tambor e uma das lideranças populares nessa luta por moradia.

 

A Verdade – Mesmo antes da proposta de construção do VLT, já havia tensão entre as famílias que moram perto da linha ferroviária e a Prefeitura. Como era essa relação?

Maynara Santos – A gente que nasceu e se criou às margens da linha do trem vivemos sempre nessa expectativa de que um dia seríamos “mexidos”. Porque essa área aqui na realidade é Federal, é da Transnordestina, sendo que ela começou a ser ocupada, pelo menos aqui na região do Tambor, entre os anos 1950 e 1960. Ou seja, tem muitos anos que essas famílias estão ocupando aqui e essas famílias tiveram seus filhos, criaram seus filhos e seus filhos tiveram filhos, então criaram netos e bisnetos, enfim, são gerações nessa ocupação. Até que essas novas gerações ocuparam o lado oposto da malha ferroviária desde 2008-2009, e o poder público sempre esteve ciente dessa ocupação. Até porque nós temos vários serviços públicos aqui, então o aval do Estado foi dado para que essas famílias ocupassem essas margens. E aí a gente vê um grande descaso, porque a Prefeitura já era pra ter dado uma solução há muito tempo para essas famílias que estão aqui há décadas. Sempre houve essa tensão entre o poder público e os setores populares em luta por moradia, que não tiveram seu direito garantido por mais que tenham se passado décadas.

 

A Verdade- Faz poucos meses desde o anúncio do VLT. Como foi esse anúncio para as famílias que moram na região que vai ser afetada e quais as propostas da Prefeitura sobre a questão da moradia?

Maynara Santos- A gente percebe que as decisões sobre o futuro da cidade, passam longe das mãos e vozes populares. Então a população de Campina Grande em geral, e as populações que ocupam as margens da malha ferroviária em específico, assistiram o anúncio oficial desse VLT que foi feito no dia 11 de julho pelo Governo Federal junto à Prefeitura Municipal. E, desde que esse anúncio foi feito, não tivemos uma posição oficial da Prefeitura sobre o destino dos moradores. Estão acontecendo discussões na Justiça Federal, em que se formou uma comissão de soluções funcionais para decidir o futuro dessas famílias, porém sem nenhum tipo de representação jurídica [das famílias] e nenhuma representação popular das comunidades presentes nesse processo. Nessas audiências, descobrimos que existem ações de reintegração de posse contra os moradores. Diante disso, a Prefeitura não enviou nenhum representante legal para as audiências, mas deu uma proposta inicial de aluguel social, que a gente desde já rejeita, porque não é uma solução viável – até pelo histórico e experiências que outras comunidades já viveram de aluguel social, o poder público paga uma ou duas vezes e depois a população fica na mão.

 

A Verdade- Fala-se muito sobre a qualidade de vida, as boas condições de se viver na Paraíba, toda uma propaganda se faz em torno dessa questão mas, quando vemos a realidade, a coisa é bem diferente. Por que as famílias passaram a ocupar esse espaço?  

Mayara Santos- A gente ocupou essa área por uma necessidade concreta, real, que é a falta de moradia, e muitos ocuparam para sair do aluguel. Então a saída para o aluguel social não é viável para a gente, muito menos uma indenização com um valor que a gente não compra uma moradia na rua seguinte, então a gente quer uma solução concreta que diga respeito a nossos interesses, que seria no caso a moradia digna. Então não adianta construir um conjunto habitacional e colocar a gente no final da cidade, onde existem poucas oportunidades de emprego e onde as pessoas estão longe dos laços que já construíram na comunidade, porque a comunidade não é só pobreza: tem uma vida orgânica e uma vida cotidiana em que a pessoa já está inserida, as redes de solidariedade que foram construídas aqui, as pessoas que moram perto umas das outras, as redes de trabalho, o ganha-pão das pessoas. Essa é uma exigência da gente, que queremos a solução da moradia, mas não qualquer solução, não um tapa-buraco: a gente quer uma moradia que diga respeito aos laços que a gente já construiu no lugar em que vivemos.

 

A Verdade – Quase de imediato, foi iniciada uma mobilização em defesa da moradia. Quais são as perspectivas da luta?

Maynara Santos – A gente vem tentando se organizar da maneira que a gente está conseguindo, dentro das condições que temos. Temos uma comissão de moradores aqui do bairro para encaminhar as questões mais organizativas e temos tentado construir uma rede de solidariedade não só com os moradores, mas também com os moradores de outras localidades para que esse caldo engrosse e a gente de fato consiga chamar atenção da sociedade civil, do poder público, dos movimentos sociais, das lideranças populares de esquerda e tudo mais. Inclusive, nesse sentido, temos uma audiência marcada na Câmara de Vereadores no dia 5 de novembro e a intenção é unir os moradores, levar o pessoal até o Centro da cidade para a gente fazer um grande movimento e mostrar que não estamos alheios à situação em que estamos inseridos, e que queremos uma solução concreta. Não ao aluguel social, não a moradia para amanhã ou para depois de amanhã! Moradia já!