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sábado, 28 de março de 2026
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Solidariedade ao povo palestino cresce no Brasil e no mundo

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Às vésperas de completar dois anos, o genocídio do povo palestino por Israel ganha cada vez mais o repúdio dos povos do mundo. No Brasil, o crescimento deste movimento tem se tornado cada vez mais evidente, com a ampliação de manifestações de rua, vigílias e ocupações que denunciam a agressão sionista.

Felipe Annunziata | Redação


INTERNACIONAL – Às vésperas de completar dois anos, o genocídio do povo palestino por Israel ganha cada vez mais o repúdio dos povos do mundo. No Brasil, o crescimento deste movimento tem se tornado cada vez mais evidente, com a ampliação de manifestações de rua, vigílias e ocupações que denunciam a agressão sionista.

Desde de outubro de 2023, organizações políticas de esquerda e movimentos sociais tem atuado com uma campanha sistemática de denúncia do genocídio em Gaza. Todo o sofrimento, a fome, as torturas, os assassinatos em massa, a dor das crianças, dos idosos, das mulheres é visto por cada vez mais pessoas no mundo, em especial no Brasil.

Os efeitos dessa campanha já registramos na edição passada de A Verdade, onde reportamos a pesquisa Quaest que indica que 50% da população tem uma visão negativa do regime de Israel. Mas o que temos visto nos últimos meses também é a manifestação dessa indignação em ações práticas.

Em julho e agosto, uma série de vigílias organizadas por vários movimentos sociais e partidos políticos, como a Unidade Popular (UP), mobilizaram milhares de pessoas pelo país. Em São Paulo, a vigília reuniu mais de mil pessoas por 24 horas seguidas em frente à Secretaria da Presidência na capital paulista. No Rio de Janeiro, centenas de pessoas ocuparam a praça em frente ao Consulado dos EUA. Junto com a vigília do Rio, realizada no dia 19 de agosto, ocorreram combativos atos políticos nos consulados de Porto Alegre e Recife, além da embaixada estadunidense em Brasília.

Nas escolas e universidades, a juventude tem realizado debates e denúncias das relações das instituições de ensino com o regime sionista. No movimento operário, crescem as denúncias sobre as exportações brasileiras para Israel. Isso, inclusive, forçou o governo brasileiro a zerar as exportações oficiais de petróleo bruto da Petrobras em 2025 para a máquina de guerra sionista. Apesar disso, continuam as operações casadas de reexportação (quando o Brasil exporta para um terceiro país para depois enviar o produto para Israel).

 

Mobilização mundial

Em mais um grande ato de solidariedade, o mundo registrou manifestações com milhões de trabalhadores. De Auckland, na Nova Zelândia, a Nova Délhi, na Índia, de Berlim, na Alemanha, a São Paulo, os povos do mundo se levantaram no último dia 13 de setembro para denunciar o genocídio e exigir a libertação definitiva do povo palestino. Importante registrar que nestes países (Brasil, índia e Alemanha) a propaganda e as relações dos governos locais com o regime sionista são muito fortes e há tentativas de censura e repressão a qualquer grupo que defenda mais abertamente a causa palestina.

Só no Brasil, 13 cidades registraram atos em apoio ao povo palestino. Em São Paulo, a maior mobilização reuniu quase 10 mil pessoas. A convocação da mobilização foi feita também em solidariedade à Flotilha Global Sumud, que reúne centenas de militantes e ativistas para tentar romper o bloqueio que Israel impõe a Gaza para levar ajuda humanitária aos palestinos. A Flotilha hoje é composta por cerca de 50 embarcações que tentarão conjuntamente furar o bloqueio, partiu na tarde do dia 13/09, do porto de Bizerta, no Norte da Tunísia.

 

General reconhece 200 mil mortos e feridos

Enquanto a pressão mundial se amplia, o ditador Benjamin Netanyahu e seus cúmplices nazi-sionistas continuam a campanha de ampliar a guerra para todo o Oriente Médio. O alvo da vez foi o Qatar. No dia 9 de setembro, Israel atacou, com mísseis e aviões, residências de lideranças da resistência palestina em Doha, capital do país. O ataque deixou seis pessoas assassinadas, incluindo o filho de um dos negociadores palestinos que estava no país em busca de um acordo de cessar-fogo.

Em mais uma revelação da amplitude do genocídio, o ex-comandante do Exército israelense, general Herzi Halevi, reconheceu que há pelo menos 200 mil mortos ou feridos no genocídio de Gaza, mesmo número divulgado pelas autoridades palestinas. 

Defendendo o genocídio, ele afirmou: “Nunca ninguém me restringiu. Nenhuma vez”. Fica provado, novamente, que a intenção de Israel é exterminar completamente o povo palestino e, por isso, é necessária toda ação para parar esta situação, como defendeu recentemente o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, ao anunciar que pedirá uma intervenção militar armada por parte da ONU.

Em Gaza, os ataques genocidas continuam. Quase um mês depois de ter anunciado que ocuparia a Cidade de Gaza, principal município da faixa de mesmo nome, Israel ainda não conseguiu consolidar seu controle militar, mas iniciou uma campanha de demolição dos poucos prédios que ainda restavam de pé.

“Onde está o mundo?! Onde estão os países árabes? Olhem para nós, olhem para o que está acontecendo conosco, ó Deus! Estamos sendo exterminados aqui! Estamos morrendo! Deus, o que fizemos de errado? Somos crianças!”, afirmou um menino palestino vítima de um ataque israelense em Gaza em vídeo divulgado pela Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal).

Nasce a Ocupação de Mulheres Sarah Domingues na UFRGS

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Estudantes ocupam sala abandonada na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em jornada de luta contra o assédio

Yasmin Chagas | Coord. Estadual do Mov. de Mulheres Olga Benario


MULHERES – No dia 8 de outubro, estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em conjunto com o Movimento de Mulheres Olga Benario e o Movimento Correnteza, ocuparam uma sala abandonada no Campus do Vale da UFRGS, em Porto Alegre. O espaço, desativado desde antes da pandemia, foi transformado em um local de acolhimento e organização das mulheres estudantes, servidoras, professoras e terceirizadas.

A iniciativa surgiu como resposta a uma realidade preocupante vivida pelas alunas e trabalhadoras da UFRGS. Relatos de agressões na moradia estudantil, falta de iluminação nos campi e denúncias de assédio por parte de professores e alunos compõem um cenário de insegurança recorrente no ambiente universitário.

Organização e mobilização

Diante deste contexto, o Movimento de Mulheres Olga Benario iniciou uma campanha de enfrentamento ao assédio na instituição. Um dos primeiros passos foi a criação de uma ouvidoria popular, por meio da qual foram denunciados diversos casos de assédio ocorridos na universidade.

A mobilização cresceu rapidamente. Uma das ações que fortaleceram a rede de apoio entre as estudantes foi a criação de um grupo no WhatsApp com objetivo de documentar relatos de assédio, situações de insegurança e denúncias de negligência institucional.

O grupo reuniu mais de 390 mulheres de diferentes cursos e campi da Universidade. Como resultado da organização coletiva, no dia 2 de outubro foi realizado um ato em que as estudantes entregaram uma carta de reivindicações à chefe de gabinete da Reitoria. O documento solicitava a criação de um espaço institucional de acolhimento para mulheres vítimas de violência de gênero, assim como a abertura de creches para as mães estudantes e trabalhadoras, o afastamento e expulsão imediatos de todos os assediadores, ações permanentes de prevenção e formação voltadas à comunidade universitária, além da implementação de um canal de denúncias seguro e acessível.

Nasce a nova Ocupação

No dia 08 de outubro nasceu, então, a Ocupação de Mulheres Sarah Domingues, a 1ª ocupação de mulheres dentro da UFRGS. O espaço cumpre o papel fundamental de prestar assistência às universitárias e denunciar a inércia da Instituição, atuando como um ambiente seguro para todas as mulheres que trabalham e estudam na Universidade.

Na sociedade capitalista, que vê a mulher como um objeto, uma propriedade, espaços como a Ocupação de Mulheres Sarah Domingues tornam-se vitais para a nossa sobrevivência. A única maneira de acabarmos com a opressão sistêmica que sofremos é nos organizando para superar o modo de produção capitalista, que nos violenta dia após dia e nos impede de estudar com segurança e qualidade. Essa ocupação é mais um passo para a construção coletiva de uma sociedade livre de violências, uma sociedade socialista. E ainda, é a continuação de nossa camarada, Sarah Domingues, uma estudante comunista que será sempre lembrada por sua combatividade.

Estudantes da Universidade Federal do Ceará conquistam rompimento da universidade com o Estado sionista de Israel

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Estudantes da Universidade Federal do Ceará (UFC) conquistam rompimento das relações da Universidade com Israel fruto de mobilizações em apoio ao povo palestino. UFC se junta à lista de instituições de ensino que romperam relações com o estado sionista após ofensiva militar do estado nazisionista há 2 anos

Dandahra Cavalcante | Fortaleza (CE)


INTERNACIONAL – Na última segunda-feira (6), durante a 146ª sessão do Conselho
Universitário (Consuni) da Universidade Federal do Ceará (UFC) , o Diretório Central dos
Estudantes (DCE) da UFC, em conjunto com o Movimento Correnteza e demais movimentos e estudantes da universidade, conquistaram a aprovação de uma moção em solidariedade ao povo palestino e o rompimento oficial das relações institucionais da UFC com o Estado de Israel.

A proposta, apresentada pelos conselheiros discentes, foi aprovada e ovacionada após intenso debate e com apenas oito abstenções. O documento reafirma o repúdio da universidade ao genocídio em curso na Faixa de Gaza, expressa solidariedade a todos os ativistas detidos em águas internacionais durante a missão humanitária Flotilha Global Sumud e determina o cancelamento definitivo do Acordo de Cooperação Acadêmica com a Universidade Ben-Gurion, de Israel.

Firmado em 2022, o acordo previa atividades de intercâmbio e cooperação acadêmica entre a UFC e a Universidade Ben-Gurion, instituição israelense que possui parceria direta com o
ministério da defesa de Israel. Pouco tempo depois, em 2023, o edital do Innovation
Challenge Brasil-Israel, que era um dos desdobramentos dessa parceria, já havia sido
cancelado após forte pressão do movimento estudantil. Agora, com a aprovação do Consuni, o cancelamento do programa se tornou definitivo.

Rompimento de relações em apoio à Palestina

Ao cancelar o acordo, a UFC se soma a outras instituições brasileiras, como a Unicamp e a
UFF, que também romperam relações com universidades israelenses em resposta ao
genocídio em Gaza e em adesão à campanha internacional de Boicote, Desinvestimento e
Sanções (BDS). A aprovação da moção representa mais do que um gesto simbólico: é uma
expressão concreta da solidariedade internacionalista construída há anos pelo movimento
estudantil da UFC. Em meio à escalada de violência em Gaza, a universidade demonstra que
é possível alinhar a prática acadêmica à defesa intransigente dos direitos humanos e à luta dos povos oprimidos.

O DCE-UFC destacou em nota que a decisão “reafirma o compromisso da comunidade da
UFC com os povos oprimidos de todo o mundo” e convocou a continuidade da luta por uma
Palestina livre, do rio ao mar. Essa conquista mostra que a mobilização constante dos estudantes é capaz de transformar as universidades em espaços de resistência e solidariedade internacional.

O rompimento com uma instituição ligada ao aparato militar israelense é uma vitória política que ultrapassa os muros da UFC: é uma afirmação de que não há neutralidade diante do genocídio. Diante disso, torna-se cada vez mais urgente que o governo federal rompa oficialmente todas as formas de cooperação com Israel, inclusive as de caráter científico e institucional, que servem para legitimar um regime de apartheid e ocupação

Carta para Emmanuel Bezerra

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Poema em homenagem a Emmanuel Bezerra, herói do povo brasileiro e do Partido Comunista Revolucionário (PCR)

Mayara Fagundes | Campinas (SP)


Te contemplo e te vejo
Você é com todas as letras meu grande herói
Você disse e confiou na minha geração
A geração futura, não é?

Você disse que as grades estavam se esmaecendo,
pela certeza inquebrantável de que seus soldados não se renderiam.

Eu tento.
Eu tento e tenho tentado.
Tenho tentado e falhado.
Mas não me rendi.
Não ouso me dobrar
Quero ser digna de vestir esse manto santificado pelo sangue do nosso povo.

Emmanuel
Se teu suor pudesse regar a minha alma
Se teu sangue pulsasse dentro de mim
Se tua esperança penetrasse minha mente.

Que essa seja uma carta de despedida.
Uma carta de despedida do meu eu mais atrasado.

Porque há dias sombrios e que fica nebuloso
Me sinto incapaz de ser como você.
Você tinha medo?
Você chorava?
Você sentia seu coração saltar de ansiedade?

E novamente, quero ser mais como você do que o que tenho sido.
Quero vencer.
Quero olhar para essas grades,
que bem diferentes das suas
só existem na minha cabeça!
Quero olhar e ver elas esmaecendo.
Quero saber que existem esses tais soldados e que faço parte desse batalhão.

Foi difícil levantar hoje.
Mas levantei.
Venci.
Porque você venceu.
E levantarei amanhã.
Porque sou essa geração futura que você contemplou.

Espetáculo teatral debate meio ambiente e reciclagem em escolas de Pernambuco

Escolas públicas das cidades de Ipojuca e Cabo de Santo Agostinho, na região metropolitana do Recife, receberam o espetáculo teatral “Reciclagem Divertida”, organizada pela equipe do Teatro Sustentável, que levou ao público, de forma lúdica e descontraída, uma mensagem de conscientização sobre o impacto do consumo no meio ambiente.

Lucas Pacheco| Ipojuca (PE)


 

CULTURA- O projeto itinerante e educativo conta com o apoio do Ministério da Cultura, por meio da Lei nº 8.313/1991 (Lei de Incentivo à Cultura). Sob a direção de Gustavo Zanetti, a peça acompanha a divertida Trupe da Meia-Noite e do Meio-Dia, que convida o público a embarcar em uma jornada mágica pelo universo da reciclagem. Logo no início da apresentação, os atores Cleber Gonçalves e Rodrigo Siqueira rapidamente conquistam a plateia. Com diálogos dinâmicos e desafios bem-humorados, envolvem os alunos, que participam da própria encenação.

A cada cena, os personagens mostram como os objetos que seriam descartados podem se transformar em brinquedos, obras de arte ou novos materiais, além de orientar crianças e pré-adolescentes sobre a forma correta de separar os materiais para a reciclagem, destacando que a limpeza das embalagens é fundamental para que não haja problemas no processo.

 

Consciência ambiental e cuidado com o meio ambiente

“Entendemos que o tema do meio ambiente é uma pauta que carece de atenção, pois independentemente do grau de instrução, a coleta seletiva ainda é algo pouco comum no Brasil, onde grande parte das pessoas conseguem, no máximo, separar o lixo orgânico do lixo seco”, afirma Cleber Gonçalves, que teve a oportunidade por meio do teatro, de levar a mensagem do cuidado com o meio ambiente para vários estados.

Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Avançado de Tecnologia e Inovação (IATI), o maior problema em relação ao meio ambiente no Litoral Sul de Pernambuco, está localizado justamente no Rio Jaboatão, que deságua no Oceano Atlântico na região da Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho. A pesquisa detectou níveis altos de microplásticos que vão desde a costa até os naufrágios mais distantes do litoral. A região, aliás, já foi palco de infelizes situações de crime ambiental, como as manchas de óleo que apareceram na região em 2019, causando diversos danos ao meio ambiente, até hoje não resolvidos pela justiça.

Levando o teatro para as escolas, a iniciativa demonstra que a cultura e o meio ambiente podem ser um contraponto ao descaso e a toda desinformação que, dentro do sistema capitalista, andam justos para manter a natureza sendo destruída, enquanto escondem que é preciso parar a sede de lucro das elites para lucrar, mesmo que destruam o planeta em meio ao processo.

 

 

Auditório lotado para assistir ao espetáculo. Foto: JAV- PE

45 anos da missão que levou o primeiro cubano ao espaço

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Primeiro latino-americano e negro a viajar ao espaço, Arnaldo Tamayo Méndez transformou sua trajetória de luta em símbolo de conquista socialista e inspiração para os povos de Cuba e do mundo.

Ezequiel de Medeiros| Paraíba


HISTÓRIA- A história de Arnaldo Tamayo Méndez confunde-se com a de seu país. Nascido em 1942, na cidade de Guantánamo, sul de Cuba, e órfão de pai e mãe, começou a trabalhar aos 13 anos como engraxate e ajudante de carpinteiro para sustentar os irmãos. Arnaldo afirmaria, mais tarde, que seu amor pela aviação surgiu nessa época, quando via pousos e partidas dos aviões estadunidenses da base militar imperialista em Cuba, ocupada ilegalmente desde 1903. Posteriormente, participou das greves e atos estudantis contra o governo entreguista do ditador Fulgêncio Batista. Desenvolveu sua consciência política, ingressando na Associação de Jovens Rebeldes pouco após o triunfo da Revolução Cubana em 1959. No ano seguinte, sob o chamado do Partido, iniciou os estudos no Instituto Tecnológico e, entre 1961 e 1962, aprendeu a pilotar na Escola Superior de Aviação da URSS, retornando ao seu país a tempo de atuar heroicamente no combate aos ataques aéreos estadunidenses durante a Crise dos Mísseis.

Arnaldo continuou tendo papel relevante nas Forças Armadas Revolucionárias e na União de Jovens Comunistas de Cuba, e em 1978 foi selecionado para representar o povo cubano na missão Soyuz 38, do programa espacial Intercosmos, promovido pela URSS, que levou cosmonautas de diversas nacionalidades ao espaço pela primeira vez. Partiu em setembro de 1980, ao lado do cosmonauta soviético Yuri Romanenko, do Cosmódromo de Baikonur, atual Cazaquistão. Ao deixar a atmosfera da Terra, Arnaldo Tamayo tornou-se não apenas o primeiro latino-americano a ir ao espaço, como também o primeiro negro. Mais um feito do socialismo! Foram sete dias em órbita, em que foram realizados experimentos científicos sobre os efeitos da Gravidade Zero no corpo humano e, simbolicamente, o crescimento de leveduras no espaço (as leveduras são essenciais na fermentação do açúcar, artigo importante para a economia socialista de Cuba). Além disso, foram levados ao espaço nesta missão: um busto do Comandante Che Guevara, placas com os nomes de Marx, Engels e Lenin, uma maquete do Iate Granma, textos e poemas do revolucionário cubano José Martí.

A missão Soyuz 38 serve de inspiração ao povo negro e latino-americano, mostrando que só o socialismo pôde levar uma nação como Cuba, colonizada e empobrecida pelo imperialismo, a ocupar o espaço com o orgulho de ter vencido a fome, o analfabetismo e a falta de moradia. Hoje, bilionários como Elon Musk e Jeff Bezos veem o espaço como a última fronteira do capital, para explorarem comercialmente, e fugirem quando a destruição dos ecossistemas da Terra atingir um ponto crítico. Mas o camarada Arnaldo Tamayo Méndez nos ensina o oposto! Lá de cima, Tamayo viu a Terra como ela realmente é: sem fronteiras e sem donos. Sigamos na luta pelo socialismo, para que um dia a humanidade possa se orgulhar de visitar o espaço sabendo que nenhuma criança aqui precisa dormir na rua, e as que dormirem é porque querem olhar as estrelas!

 

Luta palestina e solidariedade dos povos podem acabar com extermínio em Gaza

Acordo prevê troca de prisioneiros de guerra, retirada do exército de ocupação sionista e entrada de ajuda humanitária. Luta da resistência palestina e solidariedade internacional dos povos garantem acordo e a preservação das vidas palestinas.

Felipe Annunziata | Redação


INTERNACIONAL – Depois de dois anos do genocídio cometido por Israel contra o povo palestino, os movimentos de resistência palestina anunciaram o fim da agressão israelense contra o povo de Gaza. Durante este período, Israel assassinou 80 mil palestinos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, sendo que este número pode chegar a 350 mil pessoas, de acordo com um estudo científico da Revista Lancet. 

A principal vitória do acordo alcançado pelos palestinos é colocar um fim a todas estas atrocidades e preservar as vidas palestinas. Depois de dois anos da campanha genocida, a luta em todo o mundo para pressionar Israel começa a dar resultados.

O genocídio palestino

Durante o genocídio, Israel usou de todos os meios à sua disposição para exterminar os palestinos. Mais de 2 mil famílias foram completamente assassinadas até maio deste ano. Mais de 60% dos mortos são de mulheres e crianças, segundo a ONU.

O regime sionista de Israel destruiu mais de 80% das edificações de Gaza, contaminou fontes de água potável, acabou com o sistema de esgoto e danificou todas as terras agricultáveis da Faixa. O regime sionista cercou o mar de Gaza para impedir a população de pescar. Os bombardeios destruíram todos os hospitais e escolas do enclave. O enclave palestino é do mesmo tamanho que o município de Maricá, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

A fome e a sede, junto com os drones e os mísseis, foram as principais armas deste genocídio. O cerco a Gaza, iniciado em 2006, impediu nestes dois anos a entrada de qualquer ajuda humanitária decente aos palestinos. A desnutrição alcançou toda a população. 

“Eu tenho 12 anos, eu era saudável e bonita, mas com a guerra eu desenvolvi desnutrição severa. Sinto que estou morrendo todos os dias, eu só quero voltar a brincar como as outras crianças. Eu não sei mais como brincar, toda vez que eu tento eu acabo caindo. Eu pesava 30Kg antes da guerra, agora peso só 19Kg.”, conta a menina Huda Abu al-Naja, uma das vítimas da guerra de extermínio de Israel. 

Israel utilizou programas de inteligência artificial para mirar seus mísseis nas casas em que houvessem mais pessoas antes dos seus ataques, fuzilou milhares de palestinos em filas da fome que tentavam pegar ajuda humanitária. Tanques de guerra, artilharia pesada, mísseis e aviões a jato bombardearam durante 733 dias a população de Gaza.

Quem tentava contar esta história ou impedir que os palestinos morressem eram brutalmente perseguidos e assassinados pelos soldados sionistas. Israel assassinou, cerca de 2 mil profissionais de saúde e 252 jornalistas, no caso dos profissionais de imprensa é o maior número de mortos em todas as guerras da História.

Resistência e solidariedade internacional garantem vitória

Uma importante vitória dos palestinos até agora é política. Finalmente, o mundo todo viu a face genocida do regime sionista de Israel e seu objetivo final: a exterminação de todos os palestinos daquela região do mundo. 

Ao lado dos palestinos lutam hoje milhões de trabalhadores de todo o mundo, que colocaram em xeque os governos burgueses que atuam como cúmplices da campanha de extermínio. Na Europa, estudantes e trabalhadores emparedam os governos imperialistas ao ponto de muitos deles serem obrigados a reconhecer o Estado da Palestina ou declaram embargo no envio de armas à Israel. 

Na América Latina, a solidariedade ao povo palestino levou a um forte questionamento do papel da mídia burguesa e das elites no envio de matérias primas para a economia do genocídio de Israel. 

Por sua vez, o presidente fascista Trump só tomou a frente do acordo de cessar-fogo não porque quer o Nobel da paz como ele mesmo e a mídia divulga, mas porque nas ruas dos EUA, a classe trabalhadora se coloca cada vez mais contra Israel, até em estados que votam normalmente em seu partido. 

Imperialismo é obrigado a ceder às reivindicações palestinas

Em vídeo divulgado na imprensa, o líder do Hamas, Khalil al-Hayya, afirmou o acordo para o fim da guerra de extermínio. Al-Hayya é o chefe da delegação de negociadores da resistência no Egito. 

“Hoje, anunciamos a conclusão de um acordo para pôr fim à guerra e à agressão contra o nosso povo, e para iniciar a implementação de um cessar-fogo permanente, a retirada das forças de ocupação, a entrada de ajuda humanitária, a abertura da passagem de Rafah em ambas as direções e uma troca de prisioneiros. 250 prisioneiros que cumprem penas de prisão perpétua e 1.700 prisioneiros da Faixa de Gaza que foram presos após 7 de outubro serão libertados, além da libertação de todas as crianças e mulheres.”, afirmou o líder palestino.

Apesar da confirmação dos palestinos, países árabes e dos EUA do acordo, ainda não está claro até onde Israel está comprometido com estas cláusulas. O acordo para o fim da atual fase da luta de libertação da Palestina comprova a capacidade de resistência e de combatividade deste povo, que resiste há 76 anos a uma ocupação imperialista de suas terras, seguida da imposição de um regime colonial e de segregação racial patrocinado pelos EUA e implantado por Israel. 

Apesar do acordo não determinar a criação do Estado da Palestina, meta final da resistência em Gaza e na Cisjordânia, ele garante a troca de prisioneiros de guerra, incluindo lideranças importantes da resistência que se encontram sob cárcere há décadas. 

O papel da resistência palestina

Mas o acordo só foi possível graças à brava resistência palestina. Os palestinos de Gaza e da Cisjordânia resistiram como puderam a campanha de genocídio e ocupação. 

Mesmo com dois anos de extermínio, Israel continuou tendo pesadas baixas no campo de batalha. Na Cisjordânia, cada vez mais palestinos aderem às campanhas de desobediência civil e enfrentam as forças de ocupação israelenses.

Em todo o Oriente Médio, mesmo com a campanha de bombardeio do Líbano, Síria, Irã e Iêmen, os trabalhadores destes países não abaixaram a cabeça. A vitória militar israelense, com o assassinato de lideranças políticas libanesas, palestinas e iranianas, não garantiu a vitória política no atual conflito.

Em Gaza, o objetivo do regime sionista era claro: expulsar ou matar todos os palestinos. Dois anos depois, não conseguiram alcançar isto, apesar das brutais condições que impuseram ao povo palestino.

Luta pelo povo palestino não pode parar

Agora toda esta força acumulada sob liderança da resistência palestina em todo o mundo não pode parar. A possível pausa nos bombardeios a Gaza, com a entrada de ajuda àquele povo deve nos guiar para o próximo passo desta luta: a garantia definitiva da libertação do povo palestino e a criação de seu Estado, com Jerusalém como sua capital.

A luta tem que continuar, com a defesa do fim do regime sionista na Cisjordânia e em Israel. A ditadura do apartheid israelense, do controle populacional sobre o povo palestino e da limitação aos direitos civis mais básicos precisa acabar. 

A derrota do sionismo é também a derrota do imperialismo e seu projeto para o Oriente Médio. Esses dois anos deixaram claro que a bandeira palestina é a bandeira da liberdade de todos os povos do mundo.

FEPAL: “Gaza – os dois anos da Auschwitz sionista televisionada”

Reproduzimos a nota da Federação Árabe Palestina do Brasil sobre os dois anos do genocídio de Gaza. Fepal lembra da dimensão imensa dos números de mortos, feridos e mutilados pela campanha de extermínio produzida pelo regime sionista de Israel.


Nota pública da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal)

Hoje (7/10) será dia de dupla efeméride em vista dos dois anos de solução final em Gaza, iniciada nestes mesmos dia e mês de 2023. De um lado a farsa dos genocidas que precisam esconder suas autorias, de Trump/Biden a Netanyahu, da Rede Globo e congêneres aos CNPJs de Cristo, e de outro o povo palestino e a humanidade, que denunciam e reagem, nas ruas às multidões e nas indignações íntimas ainda mais multitudinárias, ao maior genocídio da história e o primeiro televisionado.

Em dois anos de obscenidade assassina de “israel” e seus fiéis aliados (regimes) “ocidentais”, o mundo assistiu à maior matança de civis de todos os tempos no maior campo de concentração e extermínio da história, a Gaza palestina, num reality show que atualizou Auschwitz na tecnologia do extermínio e o transmitiu ao vivo, levando os corpos destroçados de crianças e mulheres às salas de todas as famílias ao redor do planeta como trunfo tecnológico e ação “civilizatória” de uma alegada “civilização judaico-cristã”.

Os números são aterradores e proporcionalmente inigualáveis. Os exterminados são 79.408, considerados desaparecidos sob escombros, 3,57% da população de Gaza. Seriam 7,6 milhões no Brasil, ou 172 vezes todas as mortes violentas registradas no Brasil em 2024 (44.127). Ou 27 milhões na Europa da 2ª Guerra Mundial, chegando a 81 milhões em eventuais seis anos daquela guerra hoje. Estes são os dados mais conservadores, porque reconhecidamente eivados de subnotificação.

O Holocausto Palestino pode alcançar 348,8 mil exterminados (The Lancet, 5 de julho de 2024), ou 15,4% da demografia deste território palestino, o que equivaleria a 32,8 milhões de brasileiros exterminados e a 116,2 milhões de pessoas na Europa da 2ª GM, ou 348,4 milhões, nesta escala “israelense”, na eventual repetição dos 6 anos de sua duração, 5 vezes mais que os até 70 milhões que morreram no período hitleriano, na Europa e fora dela.

O extermínio metódico de crianças palestinas em Gaza supera qualquer obscenidade humana conhecida: 10.306 por milhão de habitantes do território, contra 2.813 por milhão na Europa da 2ª GM. Ou seja: EUA e “israel”, mais seus aliados no Brasil e no mundo, exterminam, por milhão de habitantes, 3,66 vezes mais crianças palestinas em Gaza que europeias durante o período nazista.

E tudo isso numa Gaza de apenas 365 km², 22% do território da cidade de São Paulo, bloqueada por “israel” desde 1967, e ainda mais a partir de 2007, para se tornar o primeiro campo de concentração com extermínio televisionado. É como se Auschwitz fosse televisionada 24 horas por dia e sua defesa estivesse nas telas da Globo e congêneres, bem como nos púlpitos dos negociantes da fé que utilizam um farsesco deus étnico para defender o extermínio palestino como expressão de uma certa – e inventada – vontade divina.

Mais terrível e perigoso que os números é o aviso dado à humanidade, que se vê humanizada nos palestinos ao entender, pela primeira vez na história, o que são crimes de lesa-humanidade, isto é, crimes contra toda a humanidade, logo, contra cada pessoa que assiste ao vivo ao Holocausto Palestino, inclusive israelense.

Ao tempo de Auschwitz a humanidade não o assistiu, nem aos demais campos de concentração. Por esta razão, foram as máquinas de propaganda dos estados em guerra contra o nazismo que construíram uma opinião pública contrária à Alemanha Nazista. Agora, com Gaza, temos o inverso: as máquinas de propaganda destes mesmos estados defendendo “israel” e seu regime sionista, o equivalente à Alemanha nazista de outrora.

Assim, a opinião pública hoje contrária a “israel” – na Europa é superior a 70%, nos EUA 53%, nos países do G7 é de 64% e no Brasil 58% – desafia seus estados e governos e toda sua máquina de propaganda de guerra promotora do genocídio palestino, que se realiza por meio da mídia hegemônica, que no Brasil tem a Rede Globo à frente, malgrado uma rebelião silenciosa em suas redações, bem como nas de outros veículos de comunicação do mainstream.

O primeiro holocausto televisionado da história, o palestino em Gaza, produziu algo impensado: fez com que a humanidade entendesse o que é um crime de lesa-humanidade, que a atinge quando cometido em qualquer lugar e contra qualquer povo, distante e desconhecido que seja. Auschwitz não deu à humanidade esta oportunidade porque o que ali acontecia não era de conhecimento da humanidade. Gaza está nas telas de cada celular, computador ou televisor, sem filtros, isto é, não é um crime passível de negacionismo, ainda que os sionistas se comportem como os negacionistas mais desavergonhados da história, até porque são os genocidas de plantão.

O sionismo e “israel” são vergonha ocidental maior que a outra, o nazismo, sempre escondido de seu DNA ocidental, mas não porque o extermínio em Gaza traz números superiores, proporcionalmente, aos nazistas, mas porque o Holocausto Palestino simplesmente não pode ser negado e toda a humanidade sabe quem o comete.

Se “israel” nasceu da Nakba Palestina (1947/51), a maior limpeza étnica da história, para esconder fora da Europa os crimes antijudeus ocidentais, é hoje a pequena Gaza, maior abrigo de refugiados e descendentes daqueles refugiados roubados e expulsos pelos sionistas, que mostra ao mundo o que são o “ocidente” e sua carreira colonial genocidária, sepultando sua alegada superioridade ética em seus escombros e em meio aos cadáveres das crianças cujos sangues inocentes derramados assombrarão seus algozes para todo sempre.

Palestina Livre a partir do Brasil, 7 de outubro de 2025, 78º ano da Nakba e 2º do Genocídio.

Não ter bandejão é me impedir de estudar!

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Estudantes da Grande BH enfrentam cortes na educação e falta de alimentação adequada nas escolas públicas, reflexo do sucateamento do ensino.

José Leandro, Isabela Puff e Laura Pedrosa | Sabará – MG


Já pensou em ter que escolher entre ir para a escola ou se alimentar? Pois é, essa é a realidade de alguns estudantes de instituições federais e estaduais. As condições precárias das escolas afetam os alunos de diversas formas: falta de materiais impacta a aprendizagem e a falta de alimentação básica faz com que muitas vezes os estudantes passem o dia sem comer direito. Os sucessivos ataques e cortes na verba para a educação, tanto federal quanto estadual, são os principais culpados por essa insegurança alimentar.

Cortes e ataques à educação pública

No Brasil, especialmente no âmbito estadual, o baixo orçamento e os cortes prejudicam e deterioram cada vez mais as condições das escolas, que em muitos casos já são precárias. O descaso governamental é explícito: em 2024, foi anunciado que um pacote de corte de gastos retiraria 42,3 bilhões do orçamento da educação pelos próximos cinco anos. Esses cortes, que demonstram a tentativa de sucateamento da educação pública, não são as únicas dificuldades enfrentadas pelos estudantes.

Em Minas, a educação tem sido atacada com projetos que visam à militarização, privatização ou terceirização das escolas públicas, que têm resistido com bravura. É necessário o apoio da comunidade escolar nessa luta: caso contrário, a educação pública será vendida a empresários com falsos pretextos, como acontece no projeto SOMAR do governo Zema. Nesse contexto, os estudantes não podem parar de lutar e fortalecer os movimentos estudantis!

Também nas federais, a educação é atacada pela ganância de empresários que buscam aniquilar o ensino público. O Decreto nº 12.448, publicado pelo governo Lula em 30/04, impôs contingenciamento superior a 30% no orçamento das Instituições Federais de Ensino, suspendendo atividades em universidades e institutos já precarizados e sem garantir alimentação aos estudantes. Nos IFs da região metropolitana, muitos não têm sequer bandejão. Isso obriga milhares a escolher entre gastar cerca de R$20 para almoçar ou pagar as caras passagens de volta para casa — um retrato do sucateamento no ensino federal.

A luta estudantil na Grande BH

Nos CEFETs, os estudantes lutam pela redução dos preços, oferta de café da manhã e, até, para pagar via Pix. Mesmo assim, os valores só aumentam. Em 2023, o preço do restaurante passou de R$1,50 para R$3,20, um crescimento de 113%. Agora, enfrentam novo aumento para R$3,90, em um bandejão cuja qualidade se deteriora, havendo relatos até de larvas na comida.

Contudo, a luta dos estudantes unidos é soberana diante dos ataques à educação. A pressão de discentes, professores e técnicos derrubou o Decreto nº 12.448. Na AMES-BH — entidade representativa dos secundaristas de Belo Horizonte e região metropolitana — temos voz para dizer o óbvio: NÃO DÁ PARA ESTUDAR COM FOME! Contra os cortes, por mais verba na educação, bandejões e cantinas de qualidade, por uma escola de verdade: vem com a AMES-BH!

Eloy Ferreira da Silva: 41 anos do seu martírio em defesa dos camponeses posseiros na luta pela terra

Eloy Ferreira da Silva, mártir da luta pela terra em Minas Gerais, segue vivo na resistência camponesa e na defesa da reforma agrária.

Gilvander Moreira[1] | Minas Gerais


 

OPINIÃO – Dia 16 de dezembro de 2025, celebraremos 41 anos do martírio de Eloy Ferreira da Silva. Necessário se faz resgatarmos quem foi Eloy e continua sendo, agora em vida plena e em nós na luta pela terra, pela reforma agraria e pela demarcação dos territórios dos Povos Indígenas e Tradicionais.

Como dirigente sindical, viveu intensamente o apoio à luta de organização e resistência dos posseiros do município de São Francisco e da região norte e noroeste de Minas Gerais. Eleito Delegado Sindical do Distrito de Serra das Araras, em 1978, ele liderou a resistência dos posseiros contra os invasores e grileiros de terra. Presidente do Sindicato dos Trabalhadores/as Rurais de São Francisco, desde 1981, Eloy Ferreira da Silva era uma das lideranças mais combativas no norte e noroeste de Minas Gerais, conhecido e respeitado em todo o estado.

As ameaças de morte que Eloy sofreu foram muitas. Foram constantes por parte dos grileiros e até do Juiz de Direito da cidade, que várias vezes o ameaçou psicologicamente.

Trabalhador rural não é covarde”, dizia Eloy, que denunciava as pressões, os despejos e as queimas de casas a todas as entidades que podiam dar algum apoio. Combatia toda violência que recaia sobre os camponeses posseiros: “Nossa arma é união, organização e a verdade”, Eloy sempre dizia.

Praxedes Ferreira da Silva, posseiro sobrinho de Eloy Ferreira da Silva, assassinado no município de São Francisco, em 28 de outubro de 1978. Eloy sentia a dor pelo assassinato do seu sobrinho Praxedes. Eloy se indignava diante de toda e qualquer injustiça e violência. Eloy não arredava o pé da luta pelos direitos dos camponeses posseiros. As ameaças seguiam aumentando. Até que dia 16 de dezembro de 1984, Eloy Ferreira da Silva foi barbaramente assassinado e se tornou mais um mártir da luta pela terra e pela Reforma Agrária.

Este assassinato atingiu não só o Eloy, mas também a organização do povo camponês. Atingiu um líder que doou sua vida como Jesus Cristo para que os pobres deixem de ser escravizados pelos poderosos.

Eloy era um homem de fé profunda. A todo momento ligava sua luta à libertação dos hebreus escravizados no Egito, sob o imperialismo dos faraós. “Deus está do nosso lado” era a fé que animava sua luta. Eloy buscava praticar a utopia cantada no Cântico de Maria no Evangelho de Lucas: “Os poderosos serão derrubados dos seus tronos e os pobres serão elevados. Os ricos serão despedidos de mãos vazias e os famintos serão saciados” (Lc 1,52-53).

Eloy Ferreira da Silva foi martirizado aos 54 anos, deixando a esposa e 10 filhos, também ameaçados pelos mesmos grileiros.

O norte e noroeste de Minas Gerais são territórios de ocupação muito antiga. Havia muitas áreas cheias de posseiros morando em terras devolutas. Nas décadas de 1970 e 1980, as grandes empresas e o latifundiário descobriram o norte e noroeste de Minas Gerais, regiões dos maiores latifúndios e dos maiores conflitos de terra do estado de Minas Gerais. A monocultura do eucalipto e a pecuária extensiva de gado cresceram muito sob o poder de fazendeiros e empresários mandando jagunços e capangas pisar em cima dos camponeses posseiros. Isso com a cumplicidade do Estado.

Na Fazenda Vereda Grande, no município de São Francisco, moravam 36 famílias de posseiros muito antigos. O maior latifundiário de Minas Gerais, Antônio Luciano, tentou se apoderar dessas terras, desviando o Rio Urucuia. Os posseiros impediram a entrada dos tratores e exigiram uma posição do Governo de Minas Gerais. O INCRA desapropriou a fazenda do pretenso dono em 1983. Mesmo com a desapropriação, o grileiro Antônio Luciano continuou a pressionar e ameaçar os posseiros.

Ao lado da posse da família de Eloy Ferreira da Silva, começa a fazenda Menino, megalatifúndio de 90 mil hectares, invadida por grileiros que ameaçavam a posse de 220 famílias camponesas posseiras. Junto com os posseiros, os sem-terra da região exigiram do governo que desarmasse os jagunços dos grileiros. Em vez disso, o delegado especial fiscalizava a organização dos posseiros e trabalhadores sem-terra. Os posseiros Januário Emídio dos Santos e José Natal Romão foram assassinados dia 14 de novembro de 1990, na Fazenda Menino, no município de Arinos, próximo de onde Eloy Ferreira tinha sido assassinado seis anos antes.

Exigir que na Fazenda Menino haja PAZ e TRABALHO para os Sem Terra da região é uma porção do legado extraordinário de luta pela terra que ELOY deixou para nós. Graças à luta de Eloy Ferreira da Silva na Fazenda Menino estão assentadas centenas de famílias de camponeses que estavam sem-terra.

A Comissão Pastoral da Terra (CPT/MG) divulgou um pequeno livro sobre a luta de Eloy Ferreira da Silva. ELOY: MORRE UMA VOZ, NASCE UM GRITO, livro lançado pela SEGRAC, de autoria de Luiz Chaves, Luiz Araújo e Jô Amado. Só em 1985 foram assassinados 16 lavradores na luta pela terra em Minas Gerais.

Dona Luzia, viúva de Eloy dizia; “Eloy vinha sempre lutando do lado dos pobres. Até deixou o que era dele mesmo mais afastado para se doar aos pobres. Ele ajudou, ajudou…”. E a batata quente da luta camponesa está em nossa mão. É dever ético continuarmos a luta pela terra, por reforma agrária, pela demarcação dos territórios dos Povos Indígenas de todas as Comunidades Tradicionais. Eloy Ferreira da Silva, presente em nós na luta por direitos, sempre!

É evidente o quanto é sofrida a luta pelo direito à terra, dom de Deus, direito de todos os camponeses e camponesas,  e o quanto é necessário intensificar a regularização fundiária e promover a Reforma Agrária, com desapropriação das terras ociosas, sem função social.

No vídeo “Assassinato de Eloy Ferreira da Silva – Tribunal Nacional dos Crimes do Latifúndio” está o relato do crime bárbaro que ceifou a vida de Eloy Ferreira da Silva, assista ao vídeo clicando aqui.

[1] Frei e padre da Ordem dos carmelitas; doutor em Educação pela FAE/UFMG; licenciado e bacharel em Filosofia pela UFPR; bacharel em Teologia pelo ITESP/SP; mestre em Exegese Bíblica pelo Pontifício Instituto Bíblico, em Roma, Itália; assessor da CPT, CEBI e Ocupações Urbanas; autor de livros e artigos.
E-mail: gilvanderlm@gmail.com – www.gilvander.org.br www.freigilvander.blogspot.com.br – Canal no YouTube: https://www.youtube.com/@freigilvander – No Instagram: @gilvanderluismoreira – Facebook: Gilvander Moreira III – No TikTokhttps://www.tiktok.com/@frei.gilvander.moreira

Polícia Militar do Paraná assassina e arrasta corpo de jovem em Curitiba

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Yago Pires, de apenas 20 anos, foi rendido dentro da casa de sua avó e morto a tiros durante o cumprimento de suposto mandado de busca.

Gabriela Torres | Redação Paraná


BRASIL – No amanhecer desta terça (7), vídeos da polícia militar arrastando um corpo para um galpão de materiais recicláveis circularam nas redes digitais. Yago Gabriel Pires de Oliveira, de apenas 20 anos, foi assassinado pela polícia militar durante uma operação  na favela do Parolin com mais de dez tiros. O jovem negro estava dentro de casa, com seu irmão mais novo de apenas 9 anos quando os policiais invadiram o imóvel sem justificativa, casa onde residem outras oito crianças.

Após o crime, os policiais envolvidos foram registrados arrastando o corpo ensanguentado para o galpão, em um vídeo que repercutiu nas redes digitais. A Polícia alega que tentava ajudar o jovem baleado, mas a família que testemunhou o homicídio foi impedida de pedir socorro médico, mantida sob a mira dos policiais que seguiram dentro da casa. Após a chegada da ambulância, os socorristas foram impedidos de entrar no galpão, e Yago foi deixado jogado em meio às latinhas que trabalhava recolhendo.

Durante o mês de setembro, Ivan Ramos Mathias Filho de apenas 23 anos foi torturado e espancado no mesmo bairro por agentes da polícia, sendo posteriormente assassinado. A campanha de terror que violenta os moradores do Parolin é a expressão da política de morte do governador Ratinho Jr., que anunciou na última semana a maior compra de fuzis desde a sua reeleição: mais de 116 milhões de reais do dinheiro do povo paranaense. Segundo a Rede Nenhuma Vida a Menos, um helicóptero de R$9,7 milhões pagaria o salário de 2000 professores. 

“O que fizeram foi desumano. O policial arrastou ele igual a um animal. Até agora está cheio de sangue o galpão. Tem latinha furada de tiro. Se você quer conter uma pessoa, daria um tiro na perna. Mas eles deram todos os tiros na barriga, no tórax. Foi para matar mesmo. Foi execução”, relatou uma testemunha.