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sábado, 28 de março de 2026
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“Fomentar o cinema nacional independente também é questão de soberania”, defende Diretor da API

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Em meio à crescente desigualdade entre o cinema nacional independente e as grandes plataformas de streaming, Tiago de Aragão, cineasta e diretor da Associação de Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro (API), aponta os desafios do setor e a necessidade urgente de regulamentações mais robustas para garantir a continuidade e a democratização do audiovisual brasileiro. 

Leo Ribeiro | Brasília


ENTREVISTA- Tiago de Aragão é cineasta e produtor audiovisual. Atualmente ocupa a cadeira da região Centro-Oeste na direção nacional da Associação de Produtoras Independentes do Audiovisual Brasileiro (API), atuando na elaboração de políticas públicas junto ao Governo Federal para a proteção e o fomento do cinema nacional independente, como o Projeto de Lei nº 2331/2022, que busca regular as plataformas de streaming e vídeo sob demanda (VOD).

Entre um compromisso e outro da campanha de divulgação de seu mais novo documentário, “A Câmara”, sobre a rotina dos bastidores do legislativo federal, Tiago concedeu a entrevista abaixo para o Jornal A Verdade.

A Verdade – Na posição de produtor e cineasta, como você sente o impacto da crescente desigualdade entre o audiovisual independente e os grandes estúdios e plataformas de streaming? E como isso vem se traduzindo na sua prática política?

Tiago de Aragão – Bom, é daí que parte a nossa luta sobre a regulação dos streamings. Desde fevereiro de 2024, eu sou um dos diretores da API. No Centro-Oeste somos eu e o Gustavo Amora. Nós, por estarmos em Brasília e termos essa afinidade com o tema, ficamos incumbidos de tomar a frente das articulações sobre a pauta do PL 2331/22.

Eu sinto que eu faço parte de uma geração de realizadores e de produtoras que passaram por um momento um pouco mais aquecido, do início dos anos 2010, em que surgiram muitos recursos públicos de fomento, e vimos isso se esvair de repente, com o Golpe de 2016. A partir daí, o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) começou a sofrer uma série de ataques. É nessa conjuntura que fundamos a API, lá em 2018, quando já apontávamos como uma pauta importante a necessidade de algum esforço regulatório para frear essa boiada dos streamings. Na época, o Governo Temer atuou, justamente, na contramão disso, facilitando as grandes plataformas, principalmente estrangeiras, a criarem uma hegemonia no audiovisual brasileiro.

Ainda hoje, o Congresso Nacional ainda se mostra um ambiente hostil para firmar essa luta. Alguns sindicatos maiores têm, de fato, nos dado um apoio muito significativo, mas essa luta tocada por associações como a API, salvo poucas exceções, acaba sendo voluntária. Do outro lado, as Big Techs, donas das plataformas de streaming, contratam escritórios de lobby com profissionais muito qualificados e recursos de sobra, ao ponto de conseguirem montar no Congresso a Bancada das Big Techs, que é gigantesca.

 

Um dos elementos da API que mais chama a atenção é a Direção Colegiada, que trás equidade para as regiões. Isso dialoga com os editais de arranjos regionais do FSA. Como o cinema nacional independente tem se organizado para descentralizar as suas produções?

Esse é um tópico muito caro para a API. Quando se fala de descentralização, tratamos de um fenômeno que corre em dois sentidos. Tem esse sentido da regionalidade, com produtoras associadas do Acre, de Alagoas, do Mato Grosso, conseguindo participar dos debates políticos do setor e distribuir obras que vêm ganhando cada vez mais relevância. Mas tem um outro sentido, quando falamos, por exemplo, de pequenas produtoras do RJ e de SP que já não têm acesso aos recursos públicos num jogo cada vez mais concentrado pelos tubarões do cinema nacional. A API representa os interesses desses dois perfis de pequenas produtoras. Nesse sentido, é uma recompensa muito grande quando a produção independente de uma associada ganha o mundo, como a gente tem acompanhado com “O Último Azul”, do Gabriel Mascaro, premiado nesta edição do Festival de Berlim, e que é da Desvia Filmes. A Plano B, que é do Mato Grosso, é uma produtora “APIana” e acabou de vencer o Festival de Gramado.

Por mais que sejamos uma associação nacional, essa estrutura de direção coletiva nos permite atuar com maior proximidade às diferentes realidades regionais e políticas do audiovisual brasileiro. Por vezes, nossos problemas são mais localizados. Dependendo da situação, todos nós voltamos nossos esforços para proteger o cinema de determinada região. A nossa diretora no Sul, Ane Siderman, teve uma atuação muito relevante na recuperação do setor audiovisual no processo das enchentes do Rio Grande do Sul, em 2024. Naquele momento, toda a API se mobilizou para apoiar a Ane na busca de soluções. Isso é a base da nossa atuação…Digamos, do espírito da associação.

 

Então você interpreta que ter filmes premiados internacionalmente, a exemplo de “O Último Azul”, ajuda o audiovisual brasileiro a se tornar mais democrático? Ou esse impulso democrático no setor ainda dependerá fortemente de regulamentações vindas do Congresso ou do Ministério da Cultura?

Existe o cinema nacional e o cinema nacional independente. É preciso fazer essa diferenciação antes de responder a sua pergunta. Quem tem a autoria e os direitos patrimoniais dos filmes independentes são as produtoras. Essa relação jurídica se torna mais complexa, por exemplo, quando vai se produzir um filme ou uma série para a Netflix, ou outra plataforma de streaming estrangeira.

Temos certeza de que uma produção independente brasileira gera um impacto socioeconômico local permanente. Se tem uma garantia de que essas obras vão continuar circulando, que elas são um retrato do seu tempo e de seu povo. Ao contrário, digamos, de uma produção brasileira da Disney. Se ela decide sair do Brasil, o filme vai embora junto. Esse modelo econômico das plataformas levam as produtoras a renunciarem à própria obra, elas se tornam meras prestadoras de serviço.

Eu enxergo da seguinte forma. Não dá para desmerecer a conquista do Óscar de “Ainda Estou Aqui”. Mas eu também não sei até onde um Original Globoplay ganhar o Óscar se reflete na democratização do audiovisual brasileiro. O que em si não apresenta nenhum problema, mas é um salto lógico muito longo. No tênis brasileiro, tivemos o fenômeno do Guga Kuerten, mas que não foi acompanhado de um conjunto de políticas públicas e investimentos na base para que esse fenômeno rendesse frutos a longo prazo. É preciso não descuidar do cinema brasileiro desse jeito, de nos contentarmos a admirar uma estrela cadente.

Nada substitui um investimento centralizado e consolidado, que quando você investiga direitinho, é justamente o que leva um filme brasileiro a chegar em Cannes, Berlim, ou no Óscar. Um Gabriel Mascaro ser premiado em Berlim eleva ele como uma novidade para a maior parte da sociedade, mas antes disso temos o Mascaro jovem diretor, há mais de 10 anos atrás, iniciando uma trajetória muito bonita com seus primeiros filmes, e tendo o mérito e a sorte de ter a gente certa acreditando e investindo nele. Esse tipo de artista precisa ser incentivado com políticas públicas cada vez mais sólidas.

Agora, estamos nos encaminhando para o fim de 2025 e ainda estamos esperando cair os pagamentos referentes a editais de 2024. Com isso, cria-se um clima de imprevisibilidade por todo o setor, isso tira muitas produções de circulação. O MinC (Ministério da Cultura) ocupa cadeiras importantes no Conselho Gestor do FSA e no Conselho Superior de Cinema. Na prática, ele só precisava cumprir o dever de dar ritmo aos investimentos, chamando mais reuniões, organizando o trabalho para que as devidas decisões sejam tomadas e os recursos já empenhados sejam liberados. Nesse sentido, o MinC deixa a desejar.

Às vezes, o MinC promove o cinema brasileiro muito mais com declarações, mas não se debruça numa questão central que é a quantidade de salas muito reduzida. É preciso gestores que pensem de maneira sistêmica, responsável e longeva. Como é que a gente pode ser o país do cinema se não consegue se ver no cinema? Nem precisamos olhar longe para aprender com bons exemplos. Criaram, na Argentina, uma rede pública de cinemas em diversas cidades onde só exibem filmes argentinos. É um exemplo de política pública que democratizou o cinema deles para todas as partes envolvidas.

 

A luta pelo fim da jornada de trabalho 6×1 tem despertado a consciência de trabalhadores de diversas categorias. O início dessa luta coincidiu com as greves de atores e roteiristas nos EUA. Esses eventos têm ecoado numa maior organização dos trabalhadores do audiovisual brasileiro?

Essa é uma questão muito complexa, acredito que não seria a pessoa mais capaz para responder isso. O fato é que a demanda dos trabalhadores, em geral os CLTs, pelo fim da jornada 6×1, saiu da bolha e trouxe muita reflexão nos sets de longas-metragens. Acabava que era muito comum trabalhar numa jornada 6×1 nesses projetos maiores. Aos poucos a regra vem se tornando a jornada 5×2. Mas é uma luta que está longe de ser resolvida, porque não se diminuíram as horas trabalhadas por semana.

No cinema, eu acho que essas questões vão ser resolvidas de uma maneira diferente, em que a regra é o trabalhador firmar um contrato temporário de trabalho. Na maioria das vezes, as filmagens de um filme duram de 6 a 8 semanas. Isso na perspectiva de produtoras de pequeno porte. A API tem buscado se orientar com o MEMP (Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte) e o Ministério do Trabalho, mas ainda não conseguimos iniciar um diálogo efetivo. O que é preocupante, porque as novas regulações acabam só empurrando cada vez mais trabalhadores do nosso setor para a pejotização. As agências de fomento do cinema, sejam os fomentos estaduais ou fomento nacional, às vezes te obrigam a ter um tipo de prestação de contas específico que não permite romper com esse padrão.

No papel, temos mais 9 mil produtoras, nacionalmente, mas aí vem o questionamento. Quantas dessas realmente produzem materiais originais e quantas são unicamente prestadoras de serviço, sobrevivendo a partir desses contratos temporários de produções maiores? É um problema muito grande e que não vai se resolver enquanto não formos ouvidos pelo governo.

 

A lógica dos cinemas de shopping é priorizar o acúmulo de receita. Há anos, 90% das salas exibem somente blockbusters americanos. É possível o cinema nacional independente vencer essa barreira?

Já tivemos uma vitória importante nesse aspecto, que foi a Lei da Cota de Tela. Por lei, todo cinema precisa incluir títulos nacionais na sua programação a todo momento. É lógico que isso não é suficiente e é muito difícil de ser fiscalizado. No Brasil, historicamente, os filmes americanos dos grandes estúdios se tornaram sinônimo de cinema. É preciso ter um olhar crítico e observar que isso não surgiu da escolha do público. Anualmente, o cinema brasileiro produz uma média de 300 longas-metragens, mas na hora da distribuição, entramos numa competição muito desigual com distribuidoras americanas bilionárias e que fornecem filmes para nossos cinemas o ano todo, e integrado a muita publicidade.

Os exibidores são pressionados a trabalhar sob os termos dessas grandes distribuidoras. Então, às vezes você consegue botar um filme nacional em 500 salas e, mesmo tendo uma boa semana de estreia, na próxima quinta-feira sai um Homem-Aranha novo e seu filme acaba sendo reduzido a uma fatia daquele mínimo exigido por lei. Agora, imagina se o Governo não entra para garantir esse mínimo? O cinema nacional ia se canibalizar, isso que ia acontecer.

A tendência ainda é essa, observa-se um aumento na competição pelas sobras do nosso parque exibidor. Isso não acontece em outros países. Há mais de 30 anos, a Coreia do Sul vem adotando medidas regulatórias estratégicas para subsidiar a exibição de filmes nacionais em suas salas de cinema. Não por acaso, o audiovisual sul-coreano se tornou referência mundial, graças a essa forte intervenção no mercado. Na França, um cinema de rua vai ter dificuldade para exibir um blockbuster, lá tem subsídios que tornam mais lucrativo eles exibirem filmes franceses. Da mesma forma, você não vai conseguir construir um shopping próximo a um cinema de rua. Isso é política de Estado, dar oportunidade para que um povo possa se assistir nas suas telas. E faz com que o audiovisual francês se torne economicamente forte. Não à toa que Cannes é importante cinematograficamente, mas também é um importante balcão de negócios. Hoje, é em Cannes que se decide quais filmes independentes vão ser distribuídos globalmente.

Da mesma forma, é política de Estado dos EUA essa pressão para que todo o mundo, todos os povos, assistam ao máximo possível de audiovisual industrial americano. Se o mercado de exibição se “regular”, entre muitas aspas, sozinho, só vamos observar a manutenção dessa lógica. O Estado brasileiro, portanto, precisa traçar suas estratégias para garantir a permanência dos filmes nacionais nas salas de cinema. Garantir que essa opção seja dada ao público, porque só aí ele vai poder dizer se gosta ou não dos filmes que produzimos. Uma boa parte da nossa classe política já entendeu que frear os excessos das Big Techs é uma questão de soberania. O Estado brasileiro precisa entender que fomentar o cinema nacional independente também é questão de soberania.

Lei antiaborto sancionada em Vitória (ES) é mais uma forma de violência contra mulheres e crianças

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Lei antiaborto é sancionada em Vitória (ES), em meio a 908 casos de estupro, 688 envolvendo crianças e adolescentes em 2025.

Ana Thompson e Hellen Guimarães | Espírito Santo


MULHERES – No dia 26 de setembro de 2025, o prefeito da cidade de Vitória (ES), Lorenzo Pazolini (Republicanos), sancionou a Lei nº 10.218, que obriga a fixação de cartazes antiaborto em hospitais e outros estabelecimentos de saúde do município. Embora seja considerada inconstitucional por ser uma afronta à legislação federal já existente, que permite o aborto pelo SUS (em três casos específicos), essa lei, votada em regime de urgência na Câmara de Vereadores de Vitória no dia 5 de setembro de 2025, foi sancionada como mais um ataque às poucas conquistas reprodutivas das mulheres.

Além de promover a desinformação e coagir pessoas já vulnerabilizadas, a Lei nº 10.218/2025 também viola o direito das mulheres à saúde e ao aborto legal. Essa é mais uma forma de violência institucionalizada contra mulheres e meninas, revitimizando quem necessita e tem direito ao procedimento seguro e gratuito pelo SUS.

Aborto seguro é questão de saúde pública

Ainda, é importante lembrarmos que, do ponto de vista médico, o aborto não é um procedimento complexo ou perigoso, mas estar em um país que julga isso imoral é extremamente violento e um ataque profundo à vida de inúmeras mulheres e meninas. Dessa maneira, descriminalizar e legalizar o aborto seguro se torna uma questão de saúde pública e não um debate moral ou religioso sobre ser contra ou a favor, afinal, ninguém seria obrigada a abortar se não quisesse ou precisasse. Nesse sentido, a legalização plena traria de volta o poder de escolha sobre o destino de seu próprio corpo para as mulheres, um domínio negado desde a concretização patriarcal da mulher enquanto propriedade privada do homem e do Estado (comandado por homens).

Então, pensando que o aborto é uma realidade, ter uma posição sobre isso é falar, na verdade, sobre ser a favor do aborto legal e seguro ou clandestino e inseguro. Além disso, a criminalização desta prática atingirá principalmente mulheres negras, pobres e com menores níveis de escolaridade, sendo essas as que mais são atravessadas pelo procedimento de aborto no Brasil e as que mais morrem na experiência, segundo a Pesquisa Nacional de Aborto (2021). Essa circunstância expõe também o peso fatal dos recortes de raça e classe no capitalismo.

Violência sexual no Espírito Santo

Falando especificamente do Espírito Santo, é interessante pensar que, no ano de 2025, somente até o fim do mês de agosto e sem considerar a problemática da subnotificação, o estado registrou 906 casos de estupro, sendo que destes, 668 foram cometidos contra meninas com menos de 17 anos de idade, representando 73,7% do número total de ocorrências, segundo dados do Painel de Monitoramento da Violência contra a Mulher da Secretaria Estadual de Segurança Pública e Defesa Social. Esses dados mostram que a realidade diária de segurança sexual que as capixabas enfrentam é de desproteção generalizada. Mesmo dentro desse cenário, para o atual prefeito do município de Vitória (ES), Lorenzo Pazolini, os projetos que precisam de atenção e aprovação são aqueles que vão revitimizar essas mulheres e meninas.

Casos que expõem a violência

Por fim, não nos esqueçamos do caso da menina de 10 anos da cidade de São Mateus (ES): grávida de 22 semanas após ter sido estuprada pelo tio, teve seu direito ao aborto violado após múltiplas violências, como vazamento de informações sigilosas, intimidação nacional partindo de personalidades como a ex-ministra Damares Alves e perseguição de grupos religiosos e conservadores.

Assim sendo, a quem serve essa lei elaborada, apoiada e sancionada por homens?

Empresários do transporte realizam mais um ataque à classe trabalhadora de Fortaleza (CE)

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Empresários do transporte de Fortaleza (CE) tentam cortar e reduzir linhas de ônibus da cidade. Movimentos sociais se mobilizam em ação contra a máfia do transporte.

João Pedro Melo e Dandahra Cavalcante | Fortaleza (CE)


SOCIEDADE – No dia 29/09, a cidade de Fortaleza, no Ceará, amanheceu com mais um ataque à classe trabalhadora: mais de 25 linhas de ônibus seriam cortadas e outras 29 teriam sua frota reduzida. A decisão foi imposta sem ao menos um aviso prévio aos trabalhadores e estudantes que utilizavam essas linhas, deixando muitos impossibilitados de chegar aos seus trabalhos ou locais de estudo. Essa medida foi tomada de forma unilateral pelo Sindionibus, sindicato criado para proteger os empresários parasitas que controlam o
chamado “transporte público” da cidade.

É comum falarmos dos ônibus como se fossem de fato um transporte público, mas, nas
capitais brasileiras, são empresas privadas que administram esse serviço. Ou seja, o que
impera é a lógica do lucro acima de tudo.

Hoje, em Fortaleza, o trabalhador paga R$ 4,50 por uma passagem, gastando pelo menos
R$ 9,00 por dia. Já os estudantes, fruto de muita luta, conquistaram a garantia de duas
passagens gratuitas nos dias úteis. Ainda assim, mais de 530 mil pessoas utilizam os
ônibus diariamente. Para os empresários do transporte, porém, isso não é suficiente.
Empresários querem lucrar ainda mais com a humilhação dos trabalhadores

Em nossa cidade, enfrentamos diariamente a precariedade do transporte coletivo. Não
interessa aos empresários melhorar as condições para a população, mas sim lucrar ao
máximo, mesmo que isso signifique impor superlotação, veículos velhos, falta de
ar-condicionado e longas esperas nos pontos.

O presidente do Sindionibus chegou a afirmar que “a conta não fecha”, já que a gratuidade
dos estudantes, somada aos R$ 4,50 pagos por cada trabalhador, não seria suficiente. No
entanto, não podemos esquecer que as empresas responsáveis pelo transporte recebem,
além da arrecadação das passagens, um subsídio mensal de mais de R$ 16 milhões da
Prefeitura de Fortaleza.

Mesmo assim, após os cortes, o sindicato anunciou que as linhas só poderiam voltar a
funcionar caso o subsídio fosse elevado para R$ 23 milhões e a passagem aumentasse
para R$ 7,20. Ou seja: para os donos do transporte, não importa se o povo já passa fome
com os preços abusivos dos alimentos, nem se milhões de brasileiros vivem sem ter onde
morar, devido aos aluguéis exorbitantes, o principal é que seus lucros sejam garantidos,
mesmo que seja às nossas custas.

Estudantes se mobilizam pelo retorno das linhas cortadas

Entre as linhas afetadas estava a “020”, que atende à Universidade Federal do Ceará e
circula dentro do campus do Pici, o maior da instituição. De repente, os estudantes foram
obrigados a caminhar mais de 30 minutos até suas aulas, e aqueles com mobilidade
reduzida ficaram impedidos de acessar seus blocos.

Diante disso, o movimento Correnteza, junto ao Diretório Central dos Estudantes da UFC,
organizou dois atos já no dia seguinte, sendo um deles o bloqueio da avenida em frente ao
campus do Pici. O ato reuniu centros acadêmicos e mais de 100 estudantes, que reivindicavam não apenas o retorno da linha, mas também a ampliação da frota e o passe
livre.

Um dos principais veículos jornalísticos da cidade esteve presente e registrou o ato, que
paralisou a principal avenida do bairro e entoou palavras de ordem como: “O 020 não é
esmola, o filho do prefeito vai de carro pra escola!”.

A pressão popular e a indignação imediata ao corte das linhas tiveram efeito: no dia
seguinte foi anunciado que o serviço voltaria a funcionar normalmente. Assim, trabalhadores
e estudantes puderam novamente utilizar essas linhas essenciais ao seu cotidiano.

A luta continua

A decisão de retomar as linhas de ônibus  após os atos mostrou que a mobilização popular é capaz de transformar a realidade. Mas a pauta precisa ir além. Não basta recuperar o que foi cortado: Fortaleza ainda convive com frota insuficiente, veículos em más condições e tarifas cada vez mais pesadas para o bolso da população.

Hoje, um trabalhador que utiliza dois ônibus por dia gasta R$ 9,00. Ao final do mês,
isso representa mais de R$ 200,00 — quase 14% do salário mínimo. Para muitas famílias,
esse valor compromete despesas básicas como alimentação, aluguel ou energia.
Por isso, o debate sobre o passe livre irrestrito ganha cada vez mais relevância. A medida já
é realidade em várias cidades do país. Um exemplo próximo é Caucaia, na Região
Metropolitana de Fortaleza, onde toda a população tem acesso gratuito ao transporte
coletivo. Apesar de ainda vinculado à lógica das empresas privadas de transporte.

Em Fortaleza, a proposta do passe livre vai além da necessidade imediata de deslocamento
para o trabalho e a escola: significa democratizar o acesso à cidade, à cultura e ao lazer. A
luta pelo passe livre irrestrito é, portanto, um passo essencial para enfrentar a lógica de
exploração do transporte privado e afirmar a mobilidade como um direito, e não como
mercadoria.

E isso só será possível, com a superação da lógica do lucro acima da vida! Por isso, o
passe-livre deve estar vinculado à criação de uma empresa estatal, controlada pelo povo,
de transporte público! Somente assim teremos um transporte realmente público, gratuito e que supra as necessidades da classe trabalhadora
no nosso estado.

Congresso estudantil da UFRJ aponta caminho de luta em defesa da educação pública

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2º Congresso Estudantil da UFRJ reafirmou compromisso com a luta em defesa da universidade pública e de enfrentamento ao fascismo.

Giovanna Almeida | Rio de Janeiro


JUVENTUDE – Nos dias 27 e 28 de setembro, dezenas de estudantes participaram do 2º Congresso Estudantil da UFRJ, no Fundão, que reuniu delegados eleitos em nos cursos da universidade. O Movimento correnteza reuniu a maior bancada de delegados, correspondente a 60% dos presentes. O encontro foi marcado por intensos debates políticos e pela reafirmação da necessidade de organizar a juventude contra os ataques à educação pública e aos direitos do povo.

A abertura do Congresso chegou a ser adiada após uma operação policial no Complexo da Maré, que fica ao lado da Cidade Universitária, o que evidenciou mais uma vez a violência do Estado contra a população pobre e trabalhadora. Além da UFRJ, dezenas de escolas e uma clínica da família tiveram suas atividades afetadas por mais uma operação militar do Estado. Por isso, uma das primeiras resoluções aprovadas foi o repúdio à política de segurança fascista do governador Cláudio Castro, responsável pelo extermínio da juventude negra e periférica no Rio. 

O encontro também aprovou moções de solidariedade ao povo palestino, que sofre com com o genocídio promovida por Israel com apoio dos EUA  e de repúdio à desocupação violenta da ocupação “Luísa Mahin – Palestina Livre”, realizada pela Prefeitura do Rio em conluio com o governo estadual. “A luta por moradia digna é parte da luta por um Brasil mais justo”, afirmou Maria Paes, diretora de comunicação do DCE. 

Debates e homenagens

Ao longo de dois dias, os Grupos de Trabalho e painéis discutiram temas como: o orçamento da UFRJ e da assistência estudantil, a resistência ao sucateamento e à privatização da educação, o combate ao fascismo, ao racismo e ao machismo, além da solidariedade internacionalista. Também esteve em pauta a democratização da universidade e a construção de um movimento estudantil mais enraizado no cotidiano dos cursos.

Um dos momentos mais emocionantes foi o ato político em homenagem aos 95 anos do DCE da UFRJ e aos 80 anos de seu patrono, Mário Prata, símbolo da luta estudantil e popular. O Congresso também lembrou os estudantes Welferson, Leandro e Ana Letícia, que perderam a vida a caminho do 60º Congresso da UNE, reafirmando sua memória como inspiração de coragem e dedicação.

Novo Estatuto e teses aprovadas

Entre as resoluções, o Congresso aprovou um novo Estatuto do DCE, considerado um passo fundamental para fortalecer uma atuação mais democrática, transparente e ligada às bases. 

Também foram aprovadas as teses de conjuntura e de movimento estudantil, que expressam o rumo político defendido pela juventude da UFRJ. Para Isadora Camargo, coordenadora-geral do DCE, essa definição sintetiza o espírito do encontro:

“Não temos tempo a perder. O mesmo capitalismo que destrói a Palestina é o que aqui promove o genocídio do povo negro, dos povos indígenas e da juventude periférica. O mesmo imperialismo que massacra os povos no mundo, é o que impede que o orçamento do país seja destinado à educação. A única saída é enfrentar os interesses dos grandes capitalistas com a força organizada dos estudantes e do povo, ocupando as universidades e as ruas para garantir educação, vida digna, justiça social e soberania para o Brasil”, afirmou.

Na mesma linha, Henderson Ramon, também coordenador-geral do DCE, destacou o papel histórico e atual do movimento estudantil:

“O DCE Mário Prata completa 95 anos de rebeldia e conquistas, mas nossa tarefa hoje é enraizar ainda mais essa luta no cotidiano. Não podemos aceitar um movimento estudantil que se resuma a acordos de bastidor ou disputas artificiais. Precisamos de independência política, democracia interna e organização de base, para fazer da UFRJ um exemplo nacional de resistência contra os cortes, contra o arcabouço fiscal e pela construção de uma universidade popular e de um Brasil socialista”, afirmou.

O Congresso definiu ainda uma agenda de mobilização para os próximos meses, com destaque para:

  • Campanha Palestina Livre, com dia de mobilização na UFRJ,  ato de rua e acompanhamento. 
  • Passe Livre já, em defesa do bilhete único intermunicipal e intermodal;
  • Mais verba pra UFRJ, contra o arcabouço fiscal e pelo aumento das bolsas de assistência estudantil;
  • Protocolos de segurança e emergências climáticas, para proteger a comunidade universitária em dias de operações policiais ou tragédias ambientais;
  • TRANSformar a UFRJ, campanha pela aprovação imediata das cotas trans, além da construção de encontros de cotistas e LGBTIA+.

Só a luta muda a vida 

O balanço final do Congresso apontou que “não existe outro caminho além da luta organizada”. Para os estudantes, apenas a mobilização coletiva será capaz de enfrentar a violência nas ruas e nas universidades, garantir orçamento para a educação, combater o fascismo e conquistar uma vida digna para o povo brasileiro.

O movimento correnteza convocou todos os estudantes a se somarem às mobilizações e campanhas de luta, fortalecendo nossa unidade e resistência. Juntos, vamos transformar a realidade e conquistar uma educação pública de qualidade para toda a juventude.

Protestos em todo mundo enquanto Israel mantém membros da Flotilha sequestrados

Milhões de pessoas vão às ruas de todo mundo contra o genocídio do povo palestino. Membros da Flotilha Global Sumud denunciam tortura durante sequestro por Israel.

Felipe Annunziata | Redação


Istambul, Roma, Barcelona, Lisboa, Chicago, Rabat, Buenos Aires, Bogotá, São Paulo e centenas de outras cidades do mundo registram mobilizações massivas contra o genocídio do povo palestino nos últimos dias. A pressão dos trabalhadores é para obrigar os governos burgueses a embargarem completamente a economia de Israel, que hoje está toda voltada para a realização do genocídio da população de Gaza.

Nesta semana, em meio aos massacres diários de palestinos, a Flotilha Global Sumud, com mais de 500 militantes de 44 países foi sequestrada pelo regime sionista e impedida de levar ajuda humanitária à população palestina. Resultado desta agressão, a classe trabalhadora italiana foi as ruas e entrou em greve geral nesta sexta. Ao menos 2 milhões de trabalhadores cruzaram os braços e denunciaram a cumplicidade do governo da fascista Giorgia Meloni com o regime israelense.

Em outros países europeus, estudantes também entraram em greve. Em Amsterdã, na Holanda, mais de 250 mil pessoas se reuniram neste domingo contra o genocídio. Mesmo em Berlim, capital alemã, a população tem se rebelado apesar de toda repressão e censura do governo da Alemanha contra qualquer apoiador da causa palestina.

No Brasil, a semana também foi marcada por manifestações em solidariedade ao povo palestino e aos membros da Flotilha. Nesta quinta (2/10), estudantes de várias universidades foram às ruas denunciar o sequestro da Flotilha. No dia de hoje, pelo menos 10 cidades registraram manifestações, sendo a maior delas em São Paulo. Há manifestações previstas também até o próximo dia 7, que marca o 2º ano do genocídio.

Membros da Flotilha torturados por Israel

Nos últimos dias também, Israel foi obrigado a libertar 137 militantes da Flotilha Sumud, a maioria deles italianos e turcos. Na chegada ao aeroporto de Istambul, jornalistas que participaram da missão humanitária denunciaram que inclusive uma das principais lideranças, a militante sueca Gretha Thumberg, foi alvos de torturas, na prisão de Ktziot, conhecido centro de tortura de prisioneiros palestinos no deserto de Negev, no sul do território israelense.

“Ela foi humilhada e embrulhada numa bandeira israelense e exibida como um trofeú. Tive a sensação de estar num lugar realmente bárbaro, eu realmente espero que esta barbárie acabe em breve.”, afirmou o jornalista Lorenzo Agostino, que esteve preso com Gretha.

Segundo a imprensa internacional, a militante sueca conseguiu relatar à embaixada da Suécia em Israel que estava detida numa cela cheia de percevejos e que estaria desenvolvendo doenças por causa das condições na prisão.

O tratamento dos membros da Flotilha foi comemorado por membros do governo sionista. O ministro Itamar Ben-Gvir afirmou que os militantes da Flotilha estavam recebendo “tratamento de terroristas”, que é como Israel classifica qualquer um que se oponha ao seu regime de opressão do povo palestino.

Brasileiros sequestrados

Dentre os membros da Flotilha sequestrados, se encontram 14 brasileiros, incluindo a deputada federal Luiziane Lins (PT-CE). De acordo com a Flotilha, em comunicado divulgado hoje (05/10), quatro integrantes brasileiros entraram em greve de fome diante dos maus tratos e do sequestro cometido por Israel. São eles: Thiago Ávila, João Aguiar, Ariadne Telles e Bruno Gilca.

Dos membros da delegação presos, apenas um foi solto até agora: o militante do MES/PSOL e professor Nico Calabresi, que conseguiu a libertação antecipada por conta d ter cidadania italiana.. Nico, relatou como foi o processo de sequestro após chegar em Milão (Itália).

“Fomos maltratados, apontados com armas. Fomos levados para um país onde não queríamos estar apenas pelo foto de que queríamos levar ajuda humanitária para o povo palestino em águas internacionais.”, afirmou.

Ele também cobra uma ação mais decidida do governo brasileiro, que até agora só se manifestou em notas oficiais. “Precisamos de uma ação mais decidida do governo para libertar todos os brasileiros e todos os tripulantes da Global Sumud Flotilla que ainda continuam presos, maltratados, sem a possibilidade de tomar um banho, sem a possibilidade de se alimentar dignamente, sem a possibilidade de sair da cela.”, disse em vídeo divulgado nas redes digitais.

Estudantes do IFPE em Garanhuns realizam ato pelo bandejão

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Estudantes organizados no movimento estudantil realizam ato reivindicando um restaurante acadêmico no IFPE Campus Garanhuns, denunciando a falta de investimento na estrutura do Instituto Federal.

Redação PE


EDUCAÇÃO – Na última sexta-feira (3), estudantes do Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), campus Garanhuns, realizaram um protesto pela implementação do bandejão. Com a palavra de ordem: “com fome não se estuda!”, o ato fez parte de uma jornada nacional de lutas organizada pela Federação Nacional de Ensino Técnico (FENET) e pela União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (UESPE).

Organizado pelo movimento Rebele-se pela chapa Aurora em Movimento, que concorre ao grêmio, o ato buscou chamar a atenção para um problema crônico da instituição. Apesar de ter comemorado recentemente 15 anos de funcionamento e atender mais de 1.200 estudantes em cursos técnicos e superiores, o Campus Garanhuns, assim como outras unidades do IFPE, não possui um bandejão.

Cortes no orçamento dos Institutos Federais

Atualmente, os IFs têm o mesmo orçamento que tinham no ano de 2012, quando a rede possuía menos unidades. Essa defasagem orçamentária tem feito com que os estudantes sofram com a falta de estrutura adequada, como laboratórios equipados e acesso à alimentação de qualidade.

Mesmo com todas essas dificuldades, as escolas técnicas continuam sendo uma referência de educação no país. Se o pagamento da dívida pública fosse suspenso por apenas um dia, o valor seria suficiente para construir restaurantes em todos os Institutos Federais e ainda resolver diversos outros problemas de infraestrutura nas escolas, mostrando que a solução é uma questão de prioridade política.

Os estudantes destacaram que a falta de um bandejão força os alunos a dependerem de barracas de alimentos na frente da instituição, o que gera incerteza sobre a qualidade e o custo da alimentação diária. “A gente ter que pedir de fora, vir com fome pra escola ou não comer. Passa o dia com fome quem não tem condições de pedir uma marmita de 20 reais”, destaca Mylena, estudante do IFPE e diretora da UESPE.

Além da pauta principal, o ato também criticou a falta de investimento na infraestrutura dos campi já existentes. Segundo os estudantes, o campus Garanhuns iniciou suas atividades sem estruturas essenciais, como biblioteca, quadra poliesportiva e número adequado de salas de aula, problemas que, em sua maioria, persistem até hoje.

O protesto apontou um ponto de vista à política de expansão da rede federal. Enquanto avança a pressão pela construção dos 100 novos institutos federais, os campi já existentes sofrem com a falta de estrutura adequada.

Os estudantes também se posicionaram contra a implementação do Novo Ensino Médio (NEM) nos Institutos Federais, defendendo que a prioridade deve ser outra: “A reforma que queremos não é a do ensino médio, é por alimentação de qualidade”.

A manifestação foi encerrada com um chamado à mobilização em todas as unidades que enfrentam o mesmo problema, reforçando a urgência da pauta com o apelo: “Bandejão em todos os IFs já! Os estudantes têm pressa, com fome não se estuda!”

É urgente ampliar a rede de proteção para as mulheres paraibanas

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A Paraíba conta com apenas 21 delegacias especializadas espalhadas por 223 municípios do estado, e apenas duas funcionam 24 horas. A precarização das políticas de combate à violência resulta no aumento da violência e casos de feminicídio na Paraíba escancara o quanto é urgente termos uma verdadeira política de combate ao feminicídio e toda violência de gênero.  
Redação Paraíba

MULHERES- Micilene Gomes, de 26 anos, moradora do bairro Valentina, em João Pessoa, foi assassinada na frente dos filhos por seu ex-marido com mais de cem golpes de faca. Ana Kelly Oliveira, de 32 anos, mãe de cinco filhos, foi morta no interior da Paraíba, também por seu ex-marido. Os dois casos aconteceram na mesma semana, no mês de setembro, e demonstram o cenário de violência que vivem as mulheres paraibanas. Já são mais de 20 feminicídios registrados apenas neste ano; o número registrado no primeiro semestre foi o segundo maior da última década. Eles ocorreram em dezoito cidades do estado, das quais somente seis possuem DEAMs (Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher).
A Paraíba conta com apenas 21 delegacias especializadas espalhadas por 223 municípios do estado, e fica pior: apenas duas funcionam 24 horas. Esse cenário se repete quando falamos de outros equipamentos, como a Patrulha Maria da Penha. No ano passado, o governador João Azevêdo, do PSB, anunciou com muito entusiasmo que a nova base da patrulha em Guarabira atenderia mais 28 municípios da região. A realidade é que apenas quatro municípios (Cajazeiras, João Pessoa, Campina Grande e Guarabira) possuem esse equipamento. Também é insuficiente a quantidade de casas abrigo ou de passagem.
Além disso, a subnotificação dos casos e a defasagem na divulgação dos dados impedem um diagnóstico completo. Esse é o reflexo da política de Estado burguesa que tem como prioridade garantir a riqueza dos empresários e não se importa com a vida das mulheres, principalmente, das pobres, trabalhadoras e negras.

Mulheres lutam por mais políticas de combate à violência

Por tudo isso, o Movimento de Mulheres Olga Benario e a Unidade Popular iniciaram uma campanha de abaixo-assinado pela ampliação das DEAMs e pela vida das mulheres. Já foram coletadas mais de mil assinaturas em universidades, manifestações, feiras e locais de trabalho. Em uma das atividades realizadas no Terminal da Lagoa, em João Pessoa, a população demonstrou muito apoio e até fez fila para assinar o abaixo-assinado, principalmente mulheres, que se aproximavam para conversar e relatar casos de violência doméstica e a importância dos equipamentos públicos para garantir a nossa segurança e as nossas vidas.
A iniciativa aconteceu após a leitura da matéria do jornal A Verdade, em homenagem à companheira Gabriela Mariel Silvério, que destacou seu papel na luta pela delegacia 24 horas de Mauá. A partir daí, várias mulheres têm se somado à construção da campanha, como é o caso de May Chapier, estudante da UEPB, que avalia: “É importantíssimo que as mulheres estejam unidas, porque ainda há muita desigualdade de classe e territorial. Existem cidades sem delegacias especializadas no atendimento à mulher e, mesmo na capital, há bairros com índices mais altos de violência em que o atendimento é inexistente ou precário, sem delegacias específicas ou casas de acolhimento para mulheres em situação de violência doméstica.”
É urgente fortalecer as políticas de combate à violência de gênero e a defesa dos direitos das mulheres trabalhadoras. Se organize no Movimento de Mulheres Olga Benario para lutar por uma sociedade mais justa. Justiça por Micilene e Ana Kelly!

“Fora Hugo Motta!”: ato denuncia Presidente da Câmara como inimigo da classe trabalhadora

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Filho da velha política das oligarquias, o Presidente da Câmara dos Deputados foi alvo de denúncias e críticas dos paraibanos na ultima manifestação nacional contra a chamada PEC da ‘Bandidagem’.

Redação Paraíba


BRASIL- As manifestações ocorridas no domingo, dia 21 de setembro de 2025, sacudiram o Brasil em dezenas de cidades contra a PEC da Blindagem, aprovada pela Câmara dos Deputados, que dificulta investigações contra parlamentares, exigindo prévia autorização do congresso em votação secreta dos próprios deputados para que eles sejam investigados. A mudança na lei inviabiliza processos criminais e por isso ficou conhecida por PEC da ‘Bandidagem’. Os privilégios na lei para os parlamentares causaram indignação social e desaprovação com uma enxurrada de críticas nas redes sociais.

Entre os alvos dos protestos do dia 21 de setembro, destaque para o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), da cidade de Patos – PB. Hugo Motta tem pautado projetos que atacam os direitos sociais, protegem os ricos e privilegiam os deputados. A PEC da Bandidagem foi defendida por Hugo mesmo após as grandes manifestações de rua. No dia seguinte, o presidente disse que a PEC é para “conter supostos excessos do judiciário contra deputados”.

“Nós temos deputados sendo processados por crimes de opinião, temos deputados sendo processados por discursos na Tribuna, temos deputados sendo processados por uso das redes sociais. Essa é a realidade do país hoje”, disse Motta durante evento promovido pelo banco BTG Pactual no dia 22 de setembro.

Filho da velha política

Hugo Motta é filho do prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos) que está no seu 4º mandato como prefeito do município que tem pouco mais de 100 mil habitantes no sertão paraibano. A família do deputado forma uma oligarquia que domina a região há mais de 100 anos. A sua avó, Francisca Motta (Republicanos) é deputada estadual com vários mandatos e já prepara a neta para substituí-la nas eleições de 2026. O pai de Hugo se lançou pré-candidato a senador e faz articulações em outras regiões do estado visando se fortalecer.

Mesmo diante do poder econômico e político da família Wanderley, a cidade natal de Hugo Motta também registrou ato contra a PEC da Bandidagem e dezenas de manifestantes saíram às ruas na tarde do domingo histórico, denunciando a PEC, pelo fim do projeto de anistia e gritando em coro: “fora Hugo Motta”. A concentração para o ato se deu na frente da própria prefeitura no centro da cidade e seguiu em caminhada até a Praça Getúlio Vargas.

A manifestação foi organizada pela Unidade Popular pelo Socialismo (UP), movimentos sociais, sindicais, professores, servidores públicos e contou com cidadãos de diversos segmentos insatisfeitos com a postura do Congresso Nacional e suas pautas antipovo. A organização do ato avaliou a ação como positiva e importante para demonstrar a insatisfação com o atual congresso nacional.

FEPAL: “Plano de Trump” premia “israel” por extermínio de palestinos e diz ao mundo que genocídio compensa

O plano do imperialismo internacional de transformar a Palestina num resort de luxo tem sido rechaçado mundo a fora, enquanto só aumentam as mobilizações em solidariedade à Flotilha Global Sumud e ao povo palestino, que segue como exemplo de luta e resistência, defendendo seu território.  Reproduzimos aqui a íntegra da nota pública da Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) sobre o “plano de paz” apresentado por Donald Trump.  


INTERNACIONAL- O escandaloso “Plano de Trump”, feito a quatro mãos com o foragido internacional por crimes de guerra e lesa-humanindade, o genocida Netanyahu, para “acabar com a guerra” em Gaza é uma distopia colonial que despreza e humilha palestinos, tenta varrer para debaixo do tapete o maior crime cometido contra a humanidade no milênio, premia “israel” por exterminar crianças de fome e diz ao mundo que genocídio compensa. Uma vez que essa obscenidade é apresentada pela imprensa comercial do “ocidente” como um “plano de paz”, cabe a esta Federação, novamente, oferecer algo além da tradicional propaganda genocida regurgitada pela mídia à sociedade brasileira.

O primeiro — e óbvio — ponto a ser comentado é o fato de que os EUA, os maiores assassinos da história da humanidade, não têm nenhuma legitimidade para participar ou conduzir um “processo de paz” na Palestina. Os gângsters de Washington, democratas e republicanos, são os verdadeiros mandantes e financiadores do Holocausto Palestino, sendo “israel” nada mais do que um poodle raivoso dos estadunidenses para promover suas guerras de extermínio no Oriente Médio. A única participação que as lideranças políticas e militares dos EUA, tanto o açougueiro Biden quanto o plantonista a administrar o extermínio, Trump, deveriam ter na resolução do genocídio em Gaza é fazer companhia a Netanyahu no banco dos réus do Tribunal Penal Internacional.

Por falar em criminosos de guerra, poucas coisas são mais reveladoras sobre a depravação do “Plano de Trump” do que a reabilitação de Tony Blair, um dos maiores assassinos do século, para a distópica função de governador das ruínas de Gaza. Nem o mais criativo dos roteiristas de uma ficção científica poderia imaginar o retorno do açougueiro de Bagdá no papel de príncipe regente da paisagem pós-apocalíptica de Gaza. Por outro lado, realmente é difícil pensar em outros candidatos tão “qualificados” e de rebaixamento moral tão subterrâneo que poderiam aceitar tal função.

Ao invés de oferecer uma perspectiva real para uma solução política justa e duradoura para Questão Palestina, o “Plano de Trump” aprofunda a ocupação ilegal da Palestina, mantém Gaza sob o bloqueio genocidário israelense, restando aos palestinos passarem as próximas décadas tentando retirar seus familiares dos escombros sob uma administração de fome e condições subumanas. Um insulto às premissas mais elementares do direito internacional e do senso mais básico de humanidade.

Trump se coloca como “soberano de Gaza” não para realizar sua vulgar e egóica ambição por um Nobel da Paz ou necessariamente construir sua “riviera” no enclave palestino, mas para supervisionar o apagamento de provas do genocídio, blindar “israel” e os perpetradores da maior matança propocional da história de responderem pelo Holocausto Palestino nos tribunais internacionais e conduzir o processo de despalestinazação de Gaza e de toda a Palestina Histórica, este o objetivo original do projeto sionista “do Rio ao Mar”.

Em última análise, Trump está premiando “israel” pelo uso da fome como arma de guerra, um crime de lesa-humanidade, e abrindo um precedente histórico macabro e perturbador: cometer genocídio, aniquilar uma sociedade inteira e matar crianças de fome compensa. Afinal, o que há para negociar sob a perspectiva palestina? O que é oferecido ao povo palestino na costura desse “acordo”, do qual nenhum palestino tomou parte ou foi consultado? Capitulação ou extermínio total?

Os dispositivos do tal plano não dão conta nem de resolver questões urgentes como o fluxo de ajuda humanitária à população palestina sob o extermínio pela fome há dois anos! Que dirá oferecer garantias reais de que “israel” não retomará a orgia genocidária em Gaza quando “der na telha” ou permitir a reconstrução do enclave palestino. O plano soterra qualquer prognóstico de uma resolução para a questão palestina nos termos do que é consenso na comunidade internacional. Mais do que isso, prepara as bases para a nova etapa do Holocausto Palestino.

Por fim, ao contrário do que diz a propaganda sionista papagaiada na imprensa comercial, não está nas mãos “do Hamas” e do conjunto de forças palestinas aceitar ou não a imoral “proposta” de Trump e de “israel”, mas sim ao mundo confirmar se permitirá que a chantagem do extermínio de pessoas pela fome seja transformada em “moeda de negociação”, que a aniquilação da vida seja tornada “instrumento de diplomacia” e que genocídio, o crime dos crimes, compensa.

Palestina Livre a Partir do Brasil, 1 de outubro de 2025, 78º ano da Nakba

Nota disponível aqui.

Assata Shakur, presente!

Assata Shakur faleceu em 25 de setembro de 2025, uma das maiores militantes da causa antiracista do mundo. Vivendo há mais de 40 anos como exilada em Cuba, foi exemplo de enfrentamento e combatividade diante do país mais violento e racista do mundo, os EUA. Assata viveu uma vida em defesa do socialismo e da revolução. 

Clóvis Maia| Redação Pernambuco


 

Nascida JoAnne Deborah Byron, justamente no Queens, o maior distrito de Nova York, onde pode ver de perto todas as mazelas do capitalismo, sobretudo entre a população negra, em meio a toda segregação racial americana. Criada em Wilmington, Carolina do Norte, teve que deixar a escola ainda no ensino médio para poder trabalhar.

Conheceu o movimento estudantil na universidade, onde aprofundou seus estudos no Marxismo após conseguir entrar no ensino superior em Nova York. É por meio da militância que ela conhece e ingressa no Partido dos Panteras Negras, que fora fundado em 1966, onde desenvolve uma profunda campanha de formação, diversas ações sociais no Harlem, e destaca-se junto a nomes como Angela Davis na direção do partido. No início dos anos 70 ela se afasta dos Panteras Negras e funda o Exército de Libertação Negra (BLA), que tem como tática ações de guerrilha urbana  em defesa da revolução e contra o racismo. É nesse período que ela adota o novo nome: Assata (“aquela que luta” ou “guerreira”) Shakur  (“grata”).

Enfrentamento e luta

Após as ações organizativas dos Panteras Negras, sobretudo nos bairros mais populares, e temendo um levante revolucionário contra as elites, o governo americano usou de tudo para destruir a organização popular. Se a violência usada para calar Malcolm X (1965) e Martin Luther King (1968) agora encontrava os negros armados e organizados político e ideologicamente, é isso precisava ser enfrentado, como mostra o filme “Os Panteras Negras”, de 1995, adaptação do livro de Melvin Van Peebles, produzida e dirigida por Mario Van Peebles, é uma obra obrigatória para entender a luta política travada naquele período nos EUA.

Assata foi presa após uma ação coordenada da repressão do Estado americano, que a acusou de ter assassinado um policial em Ney Jersey, fato que ela sempre negou. Presa em 1973, ela foi condenada a prisão perpétua em 1979, nesse período, foi torturada, mantida na solitária, inclusive estando também em um presídio de segurança máxima para homens, numa escancarada mostra da violação dos direitos humanos e da política racista do Estado norte-americano.  Ela consegue escapar do da Penitenciária em Nova Jersey, prisão de segurança máxima, após seus companheiros entrarem disfarçados de visitantes, uma ação Revolucionária do Exército de Libertação Negra (BLA), e é recebida em Cuba, onde passa a ser exilada com apoio de Fidel Castro, a quem chamou de “herói dos oprimidos”, onde viveu de 1984 até entrar para a imortalidade em 25 de setembro de 2025.

Sempre consequente

“Eu sou uma escrava fugitiva no século XX. Devido à perseguição governamental, não tive escolha a não ser fugir da repressão política, do racismo e da violência que dominam as políticas do governo dos EUA em relação aos negros. Sou prisioneira política e vivo exilada em Cuba desde 1984”, escreveu em uma Carta Aberta publicada na revista Counterpunch em 30 de dezembro de 2014. Em Cuba, Assata continuou sua militância em defesa dos direitos dos negros. Sua autobiografia, escrita em Cuba em 1987, defende o socialismo como única forma de libertação dos oprimidos. Falando sobre a importância da organização ela afirma:  “Uma das coisas mais importantes que o Partido fez foi deixar bem claro quem era o inimigo” (…) “não os brancos, mas os opressores capitalistas e imperialistas”. (…) “Somos ensinados desde muito cedo a ser contra os comunistas, mas a maioria de nós não tem a menor ideia do que é o comunismo”.

Uma das pioneiras do feminismo negro, Assata passou a ser procurada pelo FBI e teve seu nome vinculado na lista de terroristas mundiais pelo governo americano em 2013. Várias foram as pressões ao governo de Cuba, exigindo sua deportação.

Em maio desse ano, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, colocou uma foto de Assata nas redes sociais, atacando a ilha socialista por manter Shakur em seu solo. A mesma política foi imposta para Mumia Abu-Jamal,  jornalista e militante, o ex-pantera negra continua preso na solitária desde dezembro de 1981, com a mesma acusação de ter assassinado um policial, condenado à morte por esse mesmo sistema judicial fascista, racista e desigual.

Assata faleceu aos 78 anos, morrendo de causas naturais, entrando para a história como uma lutadora incansável e sem renunciar sua luta e sua trajetória. Em um de seus poemas, “Afirmação”, ela diz:

“Eu acredito no viver (…)

Eu acredito na vida.

E eu vi o desfile da morte (…)

Eu vi a destruição da luz do dia,

E vi vermes sedentos de sangue

Sendo adorados e saudados.

Eu vi os dóceis tornarem-se cegos

E os cegos tornarem-se prisioneiros

Num piscar de olhos.

Eu andei sobre cacos de vidro.

Eu admiti meus erros e engoli derrotas

E respirei o fedor da indiferença.

Eu fui trancafiada pelos injustos.

Algemada pelos intolerantes.

(…) Um muro é apenas um muro

E nada além disso.

Ele pode ser posto abaixo.

Eu acredito no viver.

Eu acredito no nascimento.

Eu acredito na doçura do amor

E no fogo da verdade (…)

 

 

Assata Shakur, entrou para a imortalidade daquelas que lutam pelo melhor da humanidade. Como costumamos lembrar, Assata presente, agora e sempre!

Greve na UEPB: estudantes e professores na luta por uma Universidade pública, gratuita e de qualidade

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Docentes e estudantes da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) estão numa grande mobilização em defesa do ensino de qualidade e contra o sucateamento do ensino superior na Paraíba. 

Nayara Cordeiro | Movimento Correnteza (PB)


 

EDUCAÇÃO – A Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) vive um dos momentos mais cruciais de sua história. Desde 22 de setembro, professoras e professores estão em greve por tempo indeterminado, decisões tomadas em assembleia geral descentralizada da ADUEPB que atinge todos os campi. A paralisação é a resposta ao descumprimento sistemático da Lei de Autonomia (nº 7.643/2004), ao congelamento de progressões e concursos e ao estrangulamento deliberado do orçamento.

Ao mesmo tempo, o movimento estudantil também se levanta. Na última semana de setembro, assembleia multicampi aprovou indicativo de greve estudantil, formando uma comissão estudantil  para dialogar e agir junto ao sindicato dos docentes. O objetivo é claro: que a greve se encerre com conquistas para todas as categorias, garantindo assistência estudantil, restaurante universitário, moradia universitária e bolsas de permanência durante a paralisação, e que se construa um plano estadual de permanência estudantil com orçamento próprio.

 

O projeto de sucateamento do governo paraibano

Os motivos da greve não são novos. Há anos, o governador João Azevêdo (PSB) e o vice Lucas Ribeiro (PP) mantêm a universidade estrangulada com concursos travados, progressões congeladas e cortes nas bolsas. A dívida do retroativo das progressões já supera R$75 milhões. Há 393 docentes temporários para apenas 790 efetivos, segundo dados oficiais de 2024.

Na Assembleia Legislativa, presidida por Adriano Galdino (Republicanos), nem situação nem oposição cumprem seu papel de fiscalizar o Executivo. O orçamento enviado pelo governo é aprovado sem resistência. A oposição aparecem esporadicamente para usar a pauta da UEPB como palanque.

 

Lei da Autonomia e números da crise

Criada em 2004, a Lei da Autonomia deveria garantir 3% da Receita à UEPB. O artigo 3º determina que os recursos destinados à universidade constem obrigatoriamente de rubrica própria no orçamento do Estado, calculados anualmente com base na receita ordinária prevista para cada exercício financeiro.

Em 2025, conforme a Lei Orçamentária Anual do Estado da Paraíba, a receita total foi de R$21.365.510.629,00. Aplicando-se o percentual mínimo de 3% previsto na lei, o repasse para a UEPB deveria ser de R$640.965.318,87. No entanto, de acordo com dados da própria universidade, o valor efetivamente repassado foi de apenas R$455.073.874,00, uma diferença de R$185.891.444,87 a menos para a UEPB.

Esse cenário se repete ano após ano: em 2023 faltaram mais de R$152 milhões; em 2024, mais de R$171 milhões. O governo do Estado não cumpre a Lei da Autonomia, e a Assembleia Legislativa aprova orçamentos inferiores ao que a universidade realmente necessita, mantendo a UEPB refém dos caprichos políticos.

 

O movimento estudantil entra em cena

Semanas antes da deflagração da greve docente, o Movimento Correnteza já mobilizava os campi da UEPB sobre a crise orçamentária. Foram passagens em sala, panfletagens, convocações para audiências públicas e participação em paralisações, em diálogo direto com a ADUEPB, para tentar evitar que a situação chegasse ao ponto da greve. Esse esforço do sindicato, voltado a abrir canais de negociação entre a UEPB, o governo e a Assembleia Legislativa, foi ignorado pelo governo estadual.

Diante disso, com a deflagração da greve dos professores, o movimento estudantil compreendeu que precisava cumprir seu papel histórico: unir-se aos trabalhadores da educação. O indicativo de greve estudantil aprovado na Assembleia Unificada realizada no dia 29 de setembro, com participação de estudantes de todos os campi da UEPB e convocada pelos Movimentos Estudantis, marcou o ápice dessa mobilização, unificando estudantes e docentes no mesmo lado da trincheira. Desde então, estudantes têm participado de panfletagens, diálogo com a população, sessões itinerantes da Assembleia Legislativa e demais atividades convocadas pelo comando de greve docente e a comissão estudantil.

Dentre as pautas apresentadas pela comissão estudantil estão a garantia do funcionamento do RU e moradia universitária durante a greve, manter bolsas acadêmicas e de permanência durante a greve, construção de um Plano Estadual de Permanência Estudantil e o cumprimento da Lei de Autonomia.

 

Panorama nacional: o ataque é geral

A crise da UEPB é parte de um quadro mais amplo. Em Minas Gerais, o governador Romeu Zema (Novo) ameaça transferir a UEMG para a União, abrindo caminho para privatizações. No Rio de Janeiro, a UERJ enfrenta atrasos salariais e cortes de bolsas. Na Bahia, a UNEB sofre restrições orçamentárias e atrasos de repasses, deixando professores sem reajuste e estudantes sem assistência básica.

As universidades estaduais brasileiras vivem uma crise orçamentária que não é fruto do acaso, mas resultado direto da política de cortes, sucateamento e privatização do ensino superior. A UEPB, patrimônio do povo paraibano, não escapa dessa realidade: falta verba para a manutenção da estrutura, laboratórios e assistência estudantil, enquanto professores e técnicos têm seus direitos trabalhistas atacados e estudantes convivem diariamente com a precarização e a falta de dignidade para estudar.

O governo da Paraíba, assim como tantos outros pelo país, trata a educação pública como gasto supérfluo, e não como investimento estratégico para o desenvolvimento da sociedade. Esse descaso aprofunda a desigualdade: a juventude trabalhadora, que depende da universidade pública, vê seu futuro ameaçado por cortes e pela lógica mercadológica que tenta transformar a educação em mercadoria.

“O governo e as oligarquias paraibanas querem que a UEPB sobreviva apenas como cabide eleitoral. Nossa luta é para garantir que a universidade continue sendo um espaço do povo, da juventude e da classe trabalhadora. Para que os estudantes possam estudar com dignidade, com comida na barriga e um teto para dormir – o que hoje não é uma realidade em todos os campi, já que faltam RU e moradia universitária”, afirma Sheyla Silva, estudante de Sociologia da UEPB.

 

A UEPB vale a luta!

Os estudantes da UEPB não são massa de manobra nem desinformados. O movimento estudantil é organizado, combativo e de luta. Ele continuará firme na luta pela recomposição do orçamento e pela assistência estudantil.

A UEPB vale a luta, mas essa luta tem que ser organizada. Não basta reclamar ou esperar que soluções venham de cima. Para que a greve se encerre com vitória, é necessário fortalecer os centros e diretórios acadêmicos, ajudar a reconstruir um DCE combativo e se somar às mobilizações nacionais e locais pela defesa da universidade pública, gratuita e de qualidade.

A luta pela UEPB não é apenas por orçamento. É pela dignidade de estudar, por comida no prato, teto para dormir e futuro para a juventude paraibana. É hora de unificar forças, fortalecer a comissão estudantil e dizer em alto e bom som: a UEPB vale a luta!