UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

domingo, 29 de março de 2026
Início Site Página 39

4º Encontro Estadual do Movimento de Mulheres Olga Benario ocorre em Pernambuco

0

Com muita combatividade, o Movimento de Mulheres Olga Benario realizou dia 9 de agosto, no Recife, seu 4º Encontro Estadual, que foi um momento de reafirmação das bandeiras de luta do movimento e preparo para os próximos períodos em um dos estados mais violentos contra as mulheres.

Evelyn Dionízio | Recife – PE


MULHERES – No dia 9 de agosto de 2025, o Movimento de Mulheres Olga Benario do estado de Pernambuco realizou seu 4º Encontro Estadual para debater a conjuntura internacional e a organização das mulheres frente a crescente violência de gênero em nosso estado.

A mesa de abertura contou com a presença de Maria Santos, presidente da União dos Estudantes de Pernambuco (UEP), Sandra Ramos, do Movimento Luta de Classes MLC), Ludmila Outtes, presidente do Sindicato dos Enfermeiros de Pernambuco, Vitória Ohara e Guita Marli, da Coordenação Nacional do Movimento de Mulheres Olga Benario, Camila Falcão, do Diretório Estadual da Unidade Popular (UP), Natalia Lucia, da Coordenação Estadual do MLB e Luciana Barroso, da Frente Negra Revolucionária.

As falas levantaram os dados da violência em nosso estado, bem como a conjuntura social que tem se colocado necessidades e tarefas para a organização feminina nas próximas lutas em nosso país. Entre os dados destacados estão a 5ª edição do boletim Elas vivem: um caminho de luta, da Rede de Observatórios da Segurança, divulgado em março deste ano. O boletim coloca o estado de Pernambuco como o estado em que mais matou mulheres no nordeste em 2023, além do aumento de 33,5% nas ligações para o 180 em comparação ao ano passado, um alerta de que é preciso mais políticas de combate ao feminicídio em nosso estado e muita mobilização popular contra essa violência.

Após a mesa de abertura, as participantes, que lotaram o auditório do Ginásio Pernambucano da Cruz Cabugá, centro do Recife, se dividiram em grupos de trabalho para estudar e debater temas como o fim da escala 6×1, a fome e a carestia, acesso a políticas públicas e a relação entre fascismo e o feminicídio. O Encontro ficou marcado por muita combatividade e vontade de lutar por uma nova sociedade onde as mulheres não sejam subjugadas pelo capitalismo.

“Estou muito feliz de estar aqui, porque aqui eu renovo minhas forças pra continuar na luta. A gente reencontra as companheiras, troca experiências, estuda junto. Um momento como esse é fundamental”, relatou Vera Luzes, moradora da ocupação Selma Bandeira, em Jaboatão dos Guararapes, onde constrói um núcleo do Olga Bernario e participa do MLB.

O trabalho da creche

Para garantir a participação nos debates e reforçar a importância da discussão política das mulheres mães, foi feita uma creche para o encontro, como deve ser em todas as nossas atividades. Visando, assim, ter efetivada a presença de todas as mulheres nos espaços.

Para isso, a UJR (União da Juventude Rebelião) e o MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas) foram essenciais para a atividade, onde as crianças conseguiram coletivizar as brincadeiras, com música e desenhos para as crianças, que iam desde bebês aos 10 anos.

Mesmas tarefas, novas forças

Para tocar as propostas apresentadas pelos Grupos de Trabalho, uma nova coordenação estadual foi eleita. O espírito da coordenação continua a ser o fortalecimento nos núcleos do movimento, do combate ao feminicídio no estado de Pernambuco e pelo socialismo. Com o acirramento da luta de classes, precisamos renovar a convicção das companheiras para o nosso trabalho e crescer mais ainda o Movimento no estado.

Uma tarefa digna do nome de nosso movimento, como afirmou a resolução final do encontro com as tarefas de retomar da Ocupação Soledad Barrett, crescer os núcleos territoriais do movimento e fortalecer, a partir da construção coletiva nossa atuação, mantendo assim viva a luta de Soledad, de Gabriela Mariel, Sarah Domingues, Ranúsia Alves, Valdete Guerra e tantas outras companheiras que foram exemplos de luta e nos inspiram até hoje por seus exemplos.

Trump quer impor tarifas e mandar no Brasil

Os Estados Unidos anunciaram a taxação de 50% sobre produtos brasileiros exportados ao país. Além de pressionar o governo Lula a conceder anistia a aliados políticos no Brasil, Trump ameaçou processar um ministro do Supremo Tribunal Federal em cortes norte-americanas.

Wanderson Pinheiro | São Paulo (SP)


INTERNACIONAL – A taxação em 50% dos produtos brasileiros exportados aos EUA – muito além de uma retaliação à aliança do Brasil com a China e ao bloco de países Brics – é uma grande intromissão estrangeira nos assuntos internos do Brasil e representa um ataque a nossa soberania. Com essa medida, o presidente estadunidense Donald Trump quer ditar as relações internacionais do Brasil e ainda justificou suas ações declarando apoio escancarado à tentativa de golpe militar fascista de 08 de janeiro de 2023.

Trump cobra anistia para seus pau-mandados no Brasil (Bolsonaro e militares golpistas) e ameaça levar a julgamento nas cortes de seu país um ministro do Supremo Tribunal Federal do Brasil.

O imperialismo estadunidense pretende, com tudo isso, desestabilizar a economia brasileira, abrindo espaço para o avanço da extrema-direita, inclusive, para novas tentativas de golpe.

Os EUA querem estabelecer uma dominação política e demonstrar que o nosso país deve se comportar como sua área de influência de maneira servil. Para isso, precisa impor no governo brasileiro elementos da extrema-direita corrompida para cumprir o papel de capachos.

O fascista Trump apresentou também uma ameaça de investigar práticas comerciais do Brasil. Um grande grupo de lobby financiado pelas Big Techs Google, Meta, Microsoft, Amazon, Uber, Apple, Pinterest e E-Bay produziu um relatório e o entregou ao governo norte-americano pedindo retaliações ao Brasil por algumas decisões recentes do STF. É citada a suspensão do “X” (rede digital de Elon Musk, homem mais rico do mundo) por não manter representante no Brasil.

O STF decidiu ainda, no último dia 26 de junho, que as plataformas que operam as redes digitais devem ser responsabilizadas diretamente pelas postagens ilegais feitas por seus usuários. Todos os magnatas desses monopólios digitais apoiam irrestritamente o governo de Donald Trump.

Os EUA são o segundo maior parceiro comercial do Brasil, atrás apenas da China. Em 2024, o Brasil vendeu cerca de US$ 80 bilhões em mercadorias aos EUA e importou US$ 250 bilhões. Nos últimos 15 anos, as empresas estadunidenses tiveram um saldo positivo de mais de US$ 400 bilhões em relação às empresas brasileiras. Combustíveis, aço, café, soja, minério de ferro, açúcar, carne bovina café, suco de laranja e aeronaves estão entre os principais itens exportados pelo Brasil, representando 15% do total das exportações brasileiras.

Disse o presidente Lula: “Eu pretendo reunir todos os empresários que têm exportação para os Estados Unidos, sobretudo aqueles que têm maior volume de exportações. Conversar, ver qual é a situação deles, tentar todo o processo de negociação que for possível”. Ora, quem dera se a mesma agilidade e atenção fosse dada aos trabalhadores quando tentam apresentar alguma reivindicação ao Governo, tais como recomposição salarial dos servidores públicos federais, aumento do salário mínimo, redução da jornada de trabalho e fim da escala 6×1.

E essa ameaça de Trump se torna ainda mais grave justamente porque o Governo Federal tem uma política econômica incapaz de atender aos interesses do povo brasileiro. Reduz o orçamento da saúde e da educação, segue pagando R$ 2 trilhões com juros e amortizações da dívida pública e gastando R$ 800 bilhões com isenção fiscal ao agronegócio. Essa política não garante um salário mínimo digno à imensa maioria da classe trabalhadora, nem moradia para milhões de famílias.

O Governo Lula pretende sustentar essa política aumentando a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e fazendo discursos pela taxação de grandes milionários. Porém, tais medidas são completamente insuficientes para manter o pagamento de juros aos banqueiros, sem sacrificar o orçamento do setor público.

Imperialismo no mundo

A ação do fascista Donald Trump contra o Brasil não pode estar dissociada do avanço das guerras no Oriente Médio, da guerra na Ucrânia e dos demais conflitos no mundo. O imperialismo estadunidense não quer perder mais espaço para a China do que já perdeu e, para isso, utiliza as relações comerciais e taxações como armas de guerra.

Inúmeros fatos demonstram que Trump desenvolve uma economia voltada para a guerra e se prepara para um confronto militar decisivo contra a China e a Rússia, buscando, inclusive acelerar esse caminho, que é o caminho para uma 3ª Guerra Mundial. Vejamos:

Os ataques indiscriminados dos neonazistas de Israel, que promovem um verdadeiro genocídio ao povo palestino, são claramente orquestrados e financiados pelos EUA, que pretendem expulsar o povo palestino de Gaza e da Cisjordânia com o objetivo de obter os recursos naturais do território e ocupar uma região estratégica para a guerra. Israel é a ponta-de-lança dos EUA no Oriente Médio.

Outro fato concreto é a exigência dos EUA aos países da Otan para ampliarem seu orçamento militar para 5% do PIB. É uma exigência que vai para além dos investimentos financeiros que atenderão aos interesses dos lucros da indústria bélica norte-americana, mas que também significa uma efetiva preparação desta aliança militar para uma possível guerra mundial.

No outro campo, estão os imperialismos chinês e russo, que buscam acumular forças. A Rússia deu início à ampliação de suas fronteiras, ocupando a Ucrânia. Mas se, de um lado, isso representa uma saída do cerco promovido pela Otan no Leste Europeu, representou, concretamente, o início de uma nova redivisão do mundo. Divisão esta que China e Rússia só podem alterar na proporção de seus capitais e demonstrando a nova correlação de forças na prática.

A Rússia anunciou a implantação da sua indústria bélica na Venezuela, sendo parte importante na corrida armamentista, financiando e lucrando com a produção de armas na região. A Rússia ainda atua para atrair imigrantes pobres indianos para serem utilizados como mão de obra barata e bucha de canhão na guerra com a Ucrânia.

A China lidera o bloco de países Brics, acelerando a criação de uma nova moeda para circular no interior do bloco, ameaçando, assim, o poder internacional do dólar. A China tem ainda fortalecido a Organização para Cooperação de Xangai (OCX), um bloco de países criado em 2001 no Oriente para expandir sua influência econômica e militar na região.

Esse grupo de países inclui Paquistão, Irã, Índia, Rússia e várias ex-repúblicas soviéticas, ricos em petróleo e gás natural, e contam com suporte de capitais chineses. A China tem ainda o Irã como seu aliado estratégico no Oriente Médio, que recebe financiamento para desenvolvimento energético de US$ 400 bilhões, em um acordo que durará 25 anos. Todas essas alianças têm adquirido cada vez mais conotações estratégicas e militares.

Soberania nacional

O Brasil está no meio dessa luta entre potências capitalistas e deve tomar uma posição clara, qual seja, romper com qualquer dependência dos países imperialistas, em vez de “diversificar” sua dependência a mais de uma potência mundial. Para isso, é necessário o rompimento com os interesses da grande burguesia, como banqueiros e o agronegócio, que são setores que se acomodam com o desenvolvimento associado ao imperialismo.

Também não podemos, num cenário de guerra, aceitar ser parte de um bloco de nações capitalistas em detrimento dos verdadeiros interesses da classe trabalhadora que luta pelo direito de usufruir os frutos do seu próprio trabalho.

Lutar pela soberania, denunciar as agressões aos povos e às nações oprimidas, não significa ter que escolher entre um dos blocos imperialistas. Uma escolha como esta significa, ao fim e ao cabo, a defesa do desenvolvimento dos monopólios capitalistas que lutam para ampliar seus lucros, sugar recursos naturais dos países dependentes e explorar os povos como mão de obra barata.

Trata-se de um grande erro o Governo tentar conciliar os interesses da classe trabalhadora com os da grande burguesia, pois estas classes têm interesses completamente opostos. A burguesia brasileira aceita perfeitamente ser parte da linha de produção imperialista, produzindo produtos de menor valor agregado para atender aos interesses dos capitalistas estrangeiros. Estes setores da burguesia dependente obtêm lucros mesmo se submetendo aos capitais externos, graças à cruel exploração dos trabalhadores brasileiros, que não ganham sequer o mínimo para sobreviver.

É obvio que não conseguiremos sair dessa crise, nem vencer a extrema-direita, continuando o financiamento do agronegócio e pagando exorbitantes taxas de juros de 15% ao capital financeiro. O atual governo do Brasil finge agir pela soberania com uma narrativa anti-Trump, mas mantém todos os acordos e uma política de dependência externa das principais potências mundiais. Além disso, defende a Palestina em palavras, mas mantém o envio de minérios, petróleo e libera a compra de armas de Israel.

Existe sim uma saída para a crise em que vivemos, mas essa saída não está no Parlamento, nem nos governos reformistas da social-democracia. A saída para defender a soberania do nosso país, barrarmos a intromissão do imperialismo e a guerra que se avizinha é nos organizarmos e unirmos o conjunto da classe trabalhadora para lutar por uma revolução socialista.

Na construção desse processo, é preciso lutar pelos reais interesses do povo pobre, revertendo as privatizações e retomando os recursos estratégicos do país. Lutar para impedir a sangria de recursos da União, com o pagamento de juros da dívida pública aos banqueiros, que representa um desvio de quase 50% do orçamento do Governo Federal. Também colocar todos os fascistas no banco dos réus. Julgar exemplarmente os torturadores de ontem e de hoje como criminosos de lesa-humanidade.

Em uma guerra, não podemos ter medo. A classe trabalhadora tem força e precisa trilhar seu próprio caminho.

Matéria publicada na edição impressa  nº317 do jornal A Verdade

Palestinos resistem a genocídio de Israel financiado pelos EUA

O genocídio na Faixa de Gaza deixou mais de 55 mil mortos, segundo o Ministério da Saúde local, que divulgou lista nominal das vítimas. A ONU estima quase 600 mortos e mais de 4,2 mil feridos em filas para receber alimentos.

Felipe Annunziata e Redação


MUNDO – A escalada dos conflitos em outras partes do Oriente Médio não alterou a realidade diária do povo da Faixa de Gaza. Israel e seu exército nazi-sionista continua a campanha de extermínio da população palestina.

Nas últimas edições, temos denunciado as atrocidades cometidas pela “Fundação Humanitária de Gaza” (GHF), empresa laranja criada pelos EUA e por Israel para supostamente distribuir ajuda humanitária. Na realidade, a empresa é responsável por organizar campos de concentração para que mercenários estadunidenses e soldados israelenses matem palestinos a sangue frio com tiros de metralhadoras.

De acordo com a ONU, já são quase 600 pessoas mortas na “fila da fome”, além mais de 4.200 feridos.

“Onde estão nossas crianças? Estamos exaustos! Não temos mais irmãos e irmãs! Sem tendas, sem casas! Ninguém nem ao menos pergunta sobre nós. Sem dinheiro, sem roupas, sem comida! Eu sou do povo oprimido, a juventude, bonita como as rosas, [está] se esfacelando”, afirmou uma idosa palestina a um jornalista após perder toda sua família em um bombardeio israelense.

A crueldade dos nazi-sionistas não termina aí. O governo de Benjamin Netanyahu agora está financiando uma milícia de colaboracionistas ligados aos fundamentalistas do Estado Islâmico. Esta milícia tem atacado palestinos e roubado a ajuda humanitária de famílias famintas.

“Qual o problema disso? Salva vida de soldados israelenses”, afirmou o ditador sionista nas redes digitais admitindo que financia grupos armados terroristas.

Lista de mortos

No dia 23 de junho, o Ministério da Saúde na Faixa de Gaza publicou uma lista atualizada das vítimas da guerra: um documento em árabe de 1.227 páginas, organizado dos mais jovens aos mais velhos. A lista inclui o nome completo da pessoa falecida, o nome do pai e do avô, data de nascimento e número de identificação.

Diferente de listas anteriores, esta especifica a idade exata das crianças com menos de um ano quando foram mortas. Oito crianças morreram no mesmo dia em que nasceram. Outras quatro foram mortas no dia seguinte ao nascimento, e cinco viveram por dois dias. Só a partir da página 11, após 486 nomes, aparece a primeira criança que tinha mais de seis meses de idade ao ser morta.

Do total de 55.202 mortos citados nominalmente, 9.126 eram mulheres e 17.121, menores de 18 anos.

Ainda de acordo com o Ministério, mais de 62 mil palestinos foram assassinados ou desaparecidos por Israel. No entanto, um estudo do professor israelense Yaakov Garb sobre os centros de distribuição humanitária da GHF apontou para a possibilidade de pelo menos 377 mil mortos ou desaparecidos.

De acordo com o estudo, publicado na “Harvard Dataverse”, a partir de informações do próprio exército nazi-sionista, os palestinos hoje se concentram em três centros populacionais: Cidade de Gaza (Norte), com 1 milhão de palestinos; Gaza Central, com 350 mil habitantes; e Mawasi (Sul), com cerca de 500 mil pessoas.

No estudo, o pesquisador aponta também que os tais “centros de distribuição de ajuda” são desenhados para matar palestinos.

“A estrutura interna destes complexos [de ajuda humanitária], parecem carregar a marca profunda do contexto e visão militar. Sua arquitetura é o inverso dos princípios aceitos e bem fundamentados de distribuição de comida em áreas de conflito ou desastre, capaz de causar episódios recorrentes de caos e violência”, afirma Garb em seu artigo.

A realidade é que não se sabe até agora o número total dos mortos em Gaza. Com 90% dos edifícios destruídos, é possível que dezenas de milhares de pessoas estejam debaixo dos escombros. O Ministério da Saúde de Gaza, por sua vez, só consegue contabilizar os corpos que chegam às poucas estruturas hospitalares ainda de pé.

Palestinos resistem

Apesar de toda a destruição e morte, o povo palestino segue inabalável na sua luta pela liberdade. À medida que se aproxima o segundo ano de genocídio, a resistência palestina continua a conduzir ações contra o exército de ocupação sionista.

Combatentes têm conduzido operações contra tanques, armamentos e soldados israelenses em várias partes de toda Faixa de Gaza. Mesmo apelando para o extermínio total dos palestinos, até hoje, Israel não conseguiu estabelecer um controle integral sobre todas as partes do enclave palestino.

Prova disso é a última operação bem sucedida das organizações de resistência que garantiram a entrada de dez caminhões de ajuda humanitária em Rafah, no sul, sem que fossem saqueados pelo Estado Islâmico ou por Israel. Com apoio dos trabalhadores locais, os caminhões chegaram em segurança a um armazém da ONU na Cidade de Gaza, na parte norte da Faixa. Israel tem proibido a ONU de distribuir ajuda humanitária.

Cabe agora intensificar a pressão em cima dos governos capitalistas do mundo contra o genocídio e pelo isolamento e bloqueio econômico total de Israel. No Brasil e no mundo, os trabalhadores tem intensificado mobilizações contra o genocídio. Entre os dias 01 e 02 de julho, em São Paulo, foi realizada uma grande vigília de solidariedade ao povo palestino e pelo fim do genocídio em Gaza.

Matéria publicada na edição impressa  nº316 do jornal A Verdade

Israel assassina jornalistas que denunciavam genocídio em Gaza

O ataque foi direcionado a uma tenda que abrigava jornalistas na entrada do Hospital Al-Shifa, na cidade de Gaza. Anas al-Sharif, Mohammed Qreiqeh, Ibrahim Zaher, Mohammed Noufal e Moamen Aliwa foram mortos. 

Wildally Souza – São Paulo (SP)


INTERNACIONAL – Na noite de domingo (10), Israel protagonizou mais um ataque feroz contra a imprensa que documenta os crimes do estado sionista cometidos em Gaza.

Em um ataque com bomba, Israel ceifou a vida de pelo menos sete pessoas, incluindo Anas Al-Sharif, correspondente da Al Jazeera Média Netwoork, e Mohamed Qreiqea, outro dos poucos jornalistas que ainda resistem na Faixa de Gaza. O ataque foi direcionado a uma tenda que abrigava jornalistas na entrada do Hospital Al-Shifa, na cidade de Gaza.

A tenda era usada como local de trabalho, uma vez que nesses 22 meses de genocídio, os jornalistas em Gaza se reúnem em hospitais para buscar melhores conexões de eletricidade e internet.

Quem são os jornalistas mortos por Israel?

Anas al-Sharif – correspondente da Al Jazeera: Al-Sharif tinha 28 anos, foi um dos rostos mais reconhecidos entre os jornalistas que resistem em Gaza. Por 22 meses, documentou de forma recorrente o genocídio do povo palestino e foi o responsável por evidenciar e mudar o tom em que a mídia ocidental estava noticiando o genocídio do povo palestino. Nasceu no campo de refugiados de Jabalia e se formou em comunicação e jornalismo na Universidade de Al-Aqsa. Seu pai foi morto por Israel em um ataque aéreo na casa da família em dezembro de 2023. Anas al-Sharif deixa dois filhos.

Mohammed Qreiqeh – correspondente da Al Jazeera: 33 anos, fez sua última reportagem ao vivo no ar apenas pouco antes de seu assassinato, denunciando emocionado, os crimes de Israel contra o povo palestino. Qreiqeh nasceu na cidade de Gaza em 1992 e viveu no bairro de Shujayea. Ele se formou em jornalismo e mídia na Universidade Islâmica de Gaza. Israel matou seu irmão, Karim, em março em um ataque aéreo na cidade de Gaza.

Ibrahim Zaher – cinegrafista da Al Jazeera:  25 anos, era do campo de refugiados de Jabalia, no norte de Gaza.

Mohammed Noufal – assistente de câmera da Al Jazeera: 29 anos, também era de Jabalia. Ele perdeu sua mãe e um irmão em ataques israelenses no começo de 2025. Era irmão de Ibrahim Zaher, assassinado no mesmo ataque.

Moamem Aliwa – Fotojornalista: 23 anos, palestino que esteve na linha de frente em Gaza, documentando o genocídio com suas lentes e ajudando a mostrar ao mundo a verdade que Israel quis silenciar com esse ataque.

Um sexto jornalista, Mohammad al-Khaldi, um repórter freelancer local, também foi morto no ataque aéreo. Repórteres Sem Fronteiras disse que mais três jornalistas foram feridos no mesmo ataque.

Ataque direcionado

Israel não só admitiu o assassinato dos 5 jornalistas, como justificou, que foi direcionado para Anas al-Sharif. Israel ainda alegou falsamente e sem evidências, que o jornalista era um comandante armado do Hamas que se fingia de jornalista. Minutos antes de sua morte, o jornalista publicou em suas redes: “Bombardeios ininterruptos… se intensifica a agressão israelense contra a cidade de Gaza”.

Al-Sharif foi o rosto da Al Jazeera em Gaza e  liderança dos jornalistas que denunciam diariamente o genocídio de Israel contra o povo palestino. Além disso, o jornalista noticiou momentos importantes enquanto relatava as atrocidades de Israel no enclave sitiado e bombardeado.

De acordo com a equipe da Al Jazeera, por meses, autoridades israelenses o ameaçaram, exigindo que ele parasse de denunciar, mas ele recusou, prometendo permanecer no norte de Gaza e continuar sua cobertura. Numerosos grupos de direitos humanos e grupos de liberdade de imprensa pediram a proteção de al-Sharif depois que ele foi diretamente ameaçado por Israel.

Israel aumentou uma campanha de difamação em al-Sharif nos últimos meses, com o porta-voz do exército Avichay Adraee chamando al-Sharif pelo nome em um vídeo no X no mês passado, acusando-o falsamente de fazer parte da ala militar do Hamas.

Com a morte de al-Sharif, Israel tentou silenciar a denuncia dos seus crimes contra o povo palestino, financiado pelo imperialismo norte-americano, mas evidenciou sua sede de sangue e expansão de seus territórios custe o que custar.

Coletes de imprensa são alvos de Israel

De acordo com dados da ONU, desse o começo do genocídio, em outubro de 2023, pelo menos 270  jornalistas morreram na Faixa, e mais de 400 ficaram feridos. Gaza se tornou o lugar mais perigoso do mundo para os jornalistas. Os coletes de imprensa, longe de proteger, parecem se tornar alvos.“ Nossos coletes estão nos transformando em alvos. É uma sentença de morte”, denunciou a repórter libanesa Christina Assi, que perdeu uma perna em um ataque semelhante em outubro de 2023.

Os jornalistas ainda denunciam que além dos ataques com balas e bombas, são submetidos a extrema fome e miséria, assim como os civis palestinos. E compartilham a angústia de ter que documentar esse que é o maior genocídio televisionado da história moderna.

A comunidade internacional emitiu notas de repúdio contra a morte dos 5 jornalistas do Al Jazerra, mas não falaram em interromper ou fazer algo concreto sobre os ataques. Países como Grã-Bretanha, França e Grécia e até mesmo o Brasil, em Nota à Imprensa, emitida pelo Ministério das Relações Exteriores nesta segunda-feira (11), criticaram a expansão da ofensiva israelense, mas sem sanções reais ao estado de Israel e sua máquina de morte.

Confira na íntegra, a nota da Al Jazeera Média Netwoork sobre a morte de seus jornalistas: 

A Al Jazeera Media Network condena veementemente o assassinato seletivo de seus correspondentes Anas Al Sharif e Mohammed Qraiqea, juntamente com os fotógrafos Ibrahim Al Thaher e Mohamed Nofal, pelas forças de ocupação israelenses, em mais um ataque flagrante e premeditado à liberdade de imprensa. 

Em um comunicado da força de ocupação israelense, admitindo seus crimes, os jornalistas foram alvo de um ataque direcionado à tenda onde estavam alocados em frente ao Complexo Médico Al-Shifa, em Gaza, onde foram martirizados. 

Este ataque ocorre em meio às consequências catastróficas do genocídio israelense em curso em Gaza, que resultou no massacre implacável de civis, na fome forçada e na destruição de comunidades inteiras. 

A ordem para assassinar Anas Al Sharif, um dos jornalistas mais corajosos de Gaza, e seus colegas é uma tentativa desesperada de silenciar as vozes que expõem a iminente tomada e ocupação de Gaza [pelos israelenses]. 

Ao se despedir de mais um grupo de seus melhores jornalistas, que com ousadia e coragem documentaram a difícil situação de Gaza e de seu povo desde o início do genocídio, a Al Jazeera Media Network responsabiliza as forças de ocupação israelenses e o governo por alvejarem e assassinarem deliberadamente seus jornalistas. 

Isso ocorre após repetidas incitações e apelos de diversas autoridades e porta-vozes israelenses para que o destemido jornalista Anas Al Sharif e seus colegas fossem alvos. Anas e seus colegas estavam entre as últimas vozes remanescentes de Gaza, oferecendo ao mundo uma cobertura local e sem filtros das realidades devastadoras sofridas por seu povo. 

Enquanto a mídia internacional foi impedida de entrar, jornalistas da Al Jazeera permaneceram na Faixa de Gaza sitiada, vivenciando a fome e o sofrimento que documentaram através de suas lentes. 

Por meio de uma cobertura ao vivo contínua e corajosa, eles forneceram relatos contundentes de testemunhas oculares dos horrores desencadeados ao longo de 22 meses de bombardeios e destruição implacáveis.

 Apesar de perder vários jornalistas para ataques deliberados e trabalhar sob constante ameaça, Anas Al Sharif, Mohammed Qaiqea e seus colegas persistiram na Faixa para garantir que o mundo visse a verdade angustiante vivenciada pela população de Gaza. 

Ao condenar veementemente esses crimes hediondos e as contínuas tentativas das autoridades israelenses de silenciar a verdade, a Al Jazeera Media Network apela à comunidade internacional e a todas as organizações relevantes para que tomem medidas decisivas para deter esse genocídio em curso e pôr fim aos ataques deliberados a jornalistas. A Al Jazeera enfatiza que a imunidade dos perpetradores e a falta de responsabilização encorajam as ações de Israel e incentivam ainda mais a opressão contra testemunhas da verdade.

(Nota do Al Jazeera Media Netwoork publicada na manhã desta segunda-feira (11), e traduzida de forma livre pela equipe do jornal A Verdade) 

EUA querem tratar povos latino-americanos como capachos

Em 16 de junho, Trump ordenou a maior deportação em massa da história dos EUA, focada em imigrantes de grandes cidades, o que já gerou protestos e prisões em Los Angeles.

Natanael Sarmento | Diretório Nacional da UP


INTERNACIONAL – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu fazer uma cruzada de perseguições aos imigrantes de várias nacionalidades que vivem no país, alguns há várias décadas. Trata-se de mais uma política racista comandada por ele. Na sua primeira tentativa de reeleição à Casa Branca, foi derrotado nas urnas pela força do povo negro com o movimento “Vidas Negras Importam”, após o assassinato de George Floyd por policiais em Minneapolis, há cindo anos.

Trump pretende prender e deportar o maior número possível de imigrantes. Para isso, ordenou, no último dia 16 de junho, a intensificação das medidas, que chamou de “o maior programa de deportação em massa da história”, mencionando especificamente as cidades mais populosas do país: Nova York, Los Angeles e Chicago.

O presidente chegou a enviar batalhões da Guarda Nacional para Los Angeles, no Estado da Califórnia, para reprimir os manifestantes, que tomaram as ruas da cidade por dias consecutivos. Foi imposto toque de recolher, e dezenas de pessoas foram presas. Posteriormente, o movimento, com o nome de No Kings (Sem Reis) se espalhou para várias regiões dos EUA, mobilizando especialmente a comunidade latina, mas também famílias de origem estadunidense há várias gerações que são contrárias à xenofobia.

Cuba, um caso especial

O triunfo e as conquistas da revolução anti-imperialista e socialista do povo cubano, em 1959, representam, de fato, a esperança de liberdade e vida digna para milhões de trabalhadores e trabalhadoras explorados em todo o mundo, particularmente, para os povos espoliados da América Latina, historicamente tratados como capachos pelos EUA.

A revolução expulsou as empresas estrangeiras exploradoras, transformou o trabalho análogo do escravo em trabalho social, universalizou a educação e a saúde, elevou a autoestima da pequena Ilha em grande país capaz de prestar solidariedade aos pobres e miseráveis de países bem mais ricos, como o Brasil, a exemplo dos médicos que Cuba exporta para o mundo.

Cuba, nos dias correntes, enfrenta os graves problemas da crise mundial agravados pelos ataques criminosos do bloqueio econômico dos EUA, os atos de sabotagens da CIA e a propaganda anticomunista patrocinada pelos monopólios capitalistas para desestabilizar o governo. Essa tática do imperialismo para retroceder aos tempos em que a Ilha era um balneário de lazer para ricos, com seus cassinos e bordeis de luxo, já dura mais de 65 anos.

Apoio do povo

A Revolução Cubana foi construída pelos heróis da pátria Fidel Castro, Ernesto Che Guevara, Raúl Castro, Célia Sanchez, Haydée Santamaria, Juan Almeida, Camilo Cienfuegos, entre outros, e pelo apoio decisivo do seu povo.

A manipulação da imprensa burguesa é desmascarada por memorando do governo estadunidenses assinado por Lestor Mallory, subsecretário para assuntos internacionais da Casa Branca. O documento oficial, intitulado “O declínio e a queda de Fidel”, deixa cair a máscara da propaganda da “ditadura cubana”. Com todas as letras, o governo imperialista reconhece o apoio da maioria da população e estabelece a estratégia para minar a popularidade e desestabilizar o governo: “Não podemos permitir que um país se torne comunista só porque a população o apoia”. Aí está a essência da hipócrita democracia do “mundo livre” burguês: desrespeitar a vontade soberana dos povos, submetê-los a seu jugo.

Aumenta o terrorismo dos EUA

Os parasitas capitalistas dos EUA nunca aceitaram a autodeterminação e libertação dos cubanos. As agressões contra a soberania de Cuba, o objetivo de derrubar o governo popular socialista passa a ser sistemático e continuado na política externa terrorista do Pentágono e da CIA, a serviço dos monopólios capitalistas.

O então presidente John Kennedy publica o Protocolo 3.447 decretando o embargo de todo comércio global com Cuba. Uma medida criminosa, verdadeira declaração de guerra para privar uma nação dos meios necessários à sobrevivência: insumos agrícolas, máquinas, equipamentos, tecnologia, medicamentos, equipamentos hospitalares, enfim, desintegrada do intercâmbio normal das nações do mundo, condenada ao isolamento pela força das armas ameaçadoras dos EUA.

Mas o povo cubano se reinventou criativamente e superou todas as dificuldades, com enormes sacrifícios. E sempre prestou a sua solidariedade internacionalista a todos os povos, todos os movimentos revolucionários e de libertação, na América Latina, África, Ásia. Neste período, no contexto da chamada “Guerra Fria”, foi fundamental o intercâmbio e colaboração com a União Soviética para minimizar os efeitos danosos do embargo. A derrocada da URSS e a consequente mudança das relações entre os países trouxe novos desafios e mais dificuldades para o povo e o governo de Cuba.

Nos governos Clinton e Bush, “democratas” ou “republicanos”, agem igualmente contra os trabalhadores e os povos, reforçam medidas restritivas do bloqueio criminoso contra Cuba, haja vista as “medidas legais” decorrentes da Lei Torricelli, de 1992) e a Lei Helms-Burton, de 1996.

Com a Revolução Bolivariana da Venezuela, sob a liderança de Hugo Chávez, as relações internacionalistas com Cuba minimizam os efeitos criminosos do bloqueio imperialista. Porém, mais boicotes, intervenções e sanções, invasões e sabotagens dos EUA para desestabilizar os governos da Venezuela e de Cuba são intensificadas.

No governo Obama, parecia que as classes dominantes se davam conta da falência dessa política externa e houve certa distensão nas relações com Cuba, sem, todavia, avançar a ponto de suspender o bloqueio e estabelecer relações normais conforme princípios do direito público internacional do respeito à autodeterminação dos povos negado a Cuba pelos EUA.

Com o fascista Donald Trump em seu primeiro mandato na Presidência dos EUA, a partir de 2017, as ações de Estado de caráter terrorista avançam e, em 2020, em plena pandemia de Covid-19, o prejuízo em Cuba é calculado em US$ 20 bilhões.

Casa Branca tinta de sangue

Maior organização do terrorismo internacional, os EUA são os principais responsáveis pelas guerras, genocídios, ameaças de guerra global nuclear e de catástrofe ambiental do planeta. Tenciona a geopolítica mundial para atender à busca de lucro dos monopólios das indústrias armamentistas, petrolíferas e do capital financeiro. Através de invasões e saques, de guerras, busca saídas para a crise, conquistando áreas de influência, dominando territórios e usurpando as riquezas de países subjugados. Promovem guerras de rapina, aprofundam as contradições interimperialistas e produzem a morte de milhares de civis, crianças, desterram os milhões de refugiados.

Diretamente, sustentando países prepostos, como Israel e Ucrânia, a Casa Branca tem suas mãos sujas com o sangue de milhares de pessoas mundo afora. A invasão da Ucrânia pela Rússia agrava ainda mais o sofrimento dos povos e trabalhadores dos dois países explorados por capitalistas neonazistas e imperialistas.

Na Faixa de Gaza e Cisjordânia, o povo palestino sofre o genocídio promovido pelo Estado sionista e colonialista de Israel apoiado pelos EUA. Os governos burgueses das potências ocidentais da Otan, da União Europeia e da Inglaterra são cúmplices desse massacre hediondo, apesar dos grandiosos protestos, generalizados, dos trabalhadores e estudantes em defesa da paz e do fim do genocídio em Gaza nas principais cidades desses países. Gaza envergonha a humanidade como campo de concentração a céu aberto, sem água potável, sem alimento, sob o bombardeio de um exército poderoso, centros hospitalares destruídos, crianças assassinadas, pessoas com fome. Apesar de tudo, cresce a consciência dos povos globalmente em solidariedade ao povo palestino que resiste, bravamente, à tentativa de ocupação do seu território.

A geopolítica do mercado mundial se configura numa bipolaridade entre blocos, um   liderado pelos EUA/UE e outro pela China/Rússia, sendo igualmente inegável a diferença de métodos imperialistas e a tentativa de alargar a “rota chinesa” na criação dos BRICS nessa disputa capitalista para controlar os mercados e a economia mundial através dos monopólios.

Sem confundir eventuais alianças táticas com alianças estratégicas, tampouco sem arrefecer a luta de classes do proletariado contra a burguesia nacional e internacionalmente, entendemos que a emancipação do povo trabalhador não passa por escolhas de potências imperialistas nesta disputa, mas pela construção da unidade e luta internacionalista dos povos e trabalhadores em defesa da revolução proletária nos países capitalistas e a defesa das conquistas da revolução e contra o avanço do capital em países que já avançaram no caminho do socialismo.

Matéria publicada na edição impressa  nº315 do jornal A Verdade

Gabriela Mariel Silvério, presente!

Gabriela Mariel Silvério, 33 anos, militante de movimentos populares em Mauá (SP), foi assassinada em 3 de junho, vítima de feminicídio. Criada em família pobre, conviveu desde a infância com uma doença rara que causa fraqueza muscular. Mãe de uma menina de 9 anos, conciliava o trabalho em cozinha de shopping com sua militância nas ocupações e campanhas pela moradia e pelos direitos das mulheres.

Coordenação Nacional do Movimento Olga Benario


Sua luta segue viva pelo fim da violência contra as mulheres e pelo socialismo

MULHERES – Gabriela Mariel Silvério nasceu na cidade de Mauá, no Estado de São Paulo, em 1992. Seu nome foi escolhido em homenagem à personagem Gabriela Cravo e Canela, do romance de Jorge Amado, que questionava os padrões impostos às mulheres na sociedade patriarcal. Gabi e seus irmãos tiveram vida difícil, típica das famílias pobres. Saiu de casa aos 14 anos e começou a trabalhar muito jovem. Herdou da mãe uma deficiência chamada miopatia do core central, que se manifesta por fraqueza muscular e pode gerar atrasos no desenvolvimento motor, o que a fazia ter dificuldades de caminhar, subir escadas e causava muitas dores.

Aos 24 anos, teve sua filha Leona, motivo pelo qual lutava por um mundo melhor. Iniciou a faculdade de Nutrição, mas teve dificuldades para pagar as mensalidades. Nos últimos meses, trabalhou na cozinha de um shopping em São Caetano do Sul (SP), na escala 6×1. Morava no bairro Paranavaí, em Mauá, numa casa de dois cômodos, decorada com vários materiais que ela mesma fazia, como uma foice e martelo de verdade, que já tinha na parede antes de se organizar na militância.

Uma militante aguerrida e disciplinada

Em 2022, conheceu a Unidade Popular (UP) por meio das candidaturas nas eleições, mas tinha dois empregos e não conseguiu se envolver nas atividades. Em 2023, filiou-se e, em 2024, passou a participar ativamente dos núcleos da UP, do Movimento Olga Benario e do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB). Foi a partir de uma plenária do socialismo que decidiu dedicar sua vida à luta pela revolução. Na conversa de recrutamento, após ouvir a história de Olga Benario, disse: “meu objetivo de vida é ser como ela”.

Assim, até o dia 03 de junho de 2025, dedicou todo o máximo de seu tempo para construir uma sociedade justa para as mulheres, crianças e toda a classe trabalhadora. Mesmo trabalhando na escala 6×1, Gabi nunca faltava a um ato ou na brigada nacional e, muitas vezes, realizava a atividades no sábado a noite, após o trabalho. Sua cota individual era de 15 jornais, e ela sempre o apresentava para as pessoas à sua volta, fosse no ponto de ônibus, no Uber, no trabalho ou nos núcleos dos movimentos.

Ela foi uma das principais responsáveis pela coleta de assinaturas do abaixo-assinado pela Delegacia da Mulher 24 horas em Mauá e também foi coordenadora da Ocupação da Mulher Operária Alceri Maria Gomes da Silva, em São Caetano.

Gabi superava todas as dificuldades para garantir cada proposta aprovada nas reuniões. Com pouco tempo de militância, ela era determinada em crescer as lutas, pegando contatos de várias regiões do estado para construir a Unidade Popular e o Movimento Olga Benario. Estava convencida de que valia a pena dedicar cada minuto para a construção de uma sociedade justa e socialista!

Luta contra os feminicídios

Gabriela se foi pelo mesmo motivo de uma das estatísticas mais duras do Brasil: o feminicídio, que mata quatro mulheres por dia. Nosso país é o quinto do mundo onde mais mulheres são assassinadas.

Ela estava há um ano num relacionamento em que não houve uma escalada de violência: ele praticava manipulação, apesar de nunca tê-la gritado ou agredido fisicamente.

Gabi estava na lista de famílias do programa Minha Casa Minha Vida – Entidades para conquistar seu apartamento com o MLB, mas já se passaram três anos do atual Governo Federal, e as construções ainda não foram iniciadas. Ela chegou a morar na Ocupação da Mulher Operária, em São Caetano, que foi despejada pela Prefeitura fascista. Lutava pela cessão do imóvel prometido pela Prefeitura de Mauá para a Casa Helenira Preta, que há anos não se concretiza e que poderia ter impedido esse crime.

Por tudo isso, precisava dividir o aluguel com seu futuro assassino. Assim, o baixo salário, a falta de política habitacional no Brasil, o desmonte das políticas de enfrentamento à violência e a perseguição e descaso aos movimentos sociais das Prefeituras de São Caetano e Mauá contribuíram para sua morte. Ela é mais uma vítima do Estado burguês e do sistema capitalista.

Sua luta segue viva

Nova ocupação de mulheres em Mauá homenageia Gabi. Foto: Movimento Olga
Nova ocupação de mulheres em Mauá homenageia Gabi. Foto: Movimento Olga

Assim que soube do ocorrido, a militância organizou um ato às cinco manhã na Estação do metrô, em Mauá, em que mais de 150 pessoas fizeram homenagens e seguiram em marcha até o velório. Dois dias depois, uma comissão de mulheres foi até a Prefeitura reivindicar uma reunião e, após serem tratadas com truculência, no mesmo dia, mais um ato foi organizado.

Entre as reivindicações da luta estão: garantia de auxílio para as crianças órfãs de feminicídio, incluindo a filha da Gabi, de nove anos; criação da Delegacia 24 horas; cessão imediata do imóvel para a Casa Helenira Preta em Mauá. Como nada se resolveu, no dia 13 de junho, o Movimento de Mulheres Olga Benario realizou sua 28ª ocupação, a quarta na cidade de Mauá: Ocupação Helenira Preta Vive por Gabriela Mariel Silvério!

Nos últimos dias, toda a militância se transformou, inclusive Gabi, que mobilizou atos, banquinhas, panfletagens e campanhas de crescimento por todo o Brasil. O Movimento de Mulheres Olga Benario, a Unidade Popular, o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas e o Partido Comunista Revolucionário (PCR) se despedem de Gabriela com a certeza de que sua vontade de lutar jamais morrerá. Ela vive em nós em cada conversa, filiação, recrutamento, em cada luta, seja qual for a causa, desde que seja justa.

O exemplo de Gabi reforça a importância de crescer o trabalho entre as trabalhadoras, de levar a sério a política da creche e de cumprir as propostas que aprovamos nas reuniões. Levaremos sua memória até o fim, com a tarefa de construir uma grande revolução pelo poder popular e pelo socialismo no nosso país!

Matéria publicada na edição impressa  nº315 do jornal A Verdade

O desafio de se manter íntegro

0

Em meio a uma sociedade adoecida, manter a saúde se tornou um desafio diário — e, para os militantes e lutadores populares, cuidar do corpo e incluir a atividade física na rotina é também um compromisso com a luta coletiva, exigindo disciplina e responsabilidade.

Vitória Louise | Salvador (BA)


JUVENTUDE – A depressão é uma doença que vem atingindo grande parte da classe trabalhadora. Dados do último mapeamento sobre a doença realizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que cerca de 6% da população brasileira sofre de depressão – mais de 11 milhões de pessoas. Segundo a OMS, mulheres apresentam duas vezes mais chances de terem o diagnóstico da doença do que homens. A falta de perspectiva de futuro, o aumento do custo de vida, a falta de acesso aos direitos básicos, a precarização do trabalho e pouco tempo também são fatores que induzem as pessoas para esse transtorno.

Esse transtorno faz com que os afetados tenham uma alteração no humor do qual alguns sintomas são: sentimentos de tristeza, aborrecimento; sensações de irritabilidade, tensão/agitação; sensações de aflição, preocupação, insegurança/medos, (mesmo que alguns desses receios tendem a ser infundados); diminuição da energia, fadiga e lentidão; perda de interesse e prazer nas atividades diárias; perturbações do apetite, do sono, do desejo sexual, variações significativas do peso; pessimismo; sentimento de culpa, de autodesvalorização e ruína, que podem atingir uma dimensão delirante (sem fundamento real); alterações da concentração, memória e raciocínio; sintomas físicos (dores de cabeça, perturbações digestivas, dor crônica, mal-estar geral); em quadros mais graves, podem gerar ideias de morte até a escala de tentativas de suicídio.

Essa é a doença mais incapacitante do século. Com o aprofundamento das contradições do capitalismo, cobra-se um nível de produtividade e acúmulo cada vez maior por parte dos patrões, aumentando a exploração sobre a classe trabalhadora e tornando a rotina mais apertada e o tempo escasso. Também não é à toa que se aumentam o número de “comidas instantâneas” oferecidas pelos mercados.

E essa é a fórmula que os capitalistas apostam: uma rotina sem tempo para a classe trabalhadora e a oferta de comidas industrializadas cheias de conservantes e aditivos químicos. Mas esses alimentos ultraprocessados fazem com que quem os consome a longo prazo adoeça com mais rapidez – e a doença, dentro do capitalismo, é muito lucrativa para indústria farmacêutica.

A prática de hábitos alimentares saudáveis e atividade física constante proporcionam melhor qualidade de vida. Um outro fator benéfico observado durante a prática de exercícios físicos é a liberação de hormônios que trazem sensação de prazer e de bem-estar, diminuindo e prevenindo condições depressivas. A melhor defesa contra o desenvolvimento de doenças associadas à falta de atividade física e ao sedentarismo é ativar os músculos em uma base regular de exercícios físicos que movimentem os ossos, articulações, coração e demais órgãos internos.

É possível identificar em estudos que a prática de atividades físicas tem como decorrência o efeito de antidepressivo, integrando-se como medida preventiva da ansiedade, estresse e, por consequência, a melhoria no quadro de depressão e insônia. O desafio é incluir essa prática na rotina.

Se a depressão, ansiedade e várias outras doenças têm mais chances de aparecerem em pessoas que não se exercitam, logo, é necessário encarar a atividade física como uma tarefa diária. Não devemos cair no idealismo de que a forma como movimentamos (ou não) o nosso corpo, o que ingerimos de alimento e demais hábitos, não vão influenciar negativamente o nosso bem-estar.

Exercitar-se é uma mudança de hábito e todas as mudanças exigem esforços para que se concretizem. Mudanças que exigem mais, demandam mais, logo, devemos partir do pressuposto que a dificuldade é parte do processo e não devemos desanimar ao tentar mudar. A mudança não precisa ser brusca, como sair do sedentarismo para se exercitar vários dias da semana. A mudança pode vir aos poucos: começar com exercícios duas vezes na semana, por exemplo, até que se torne hábito e, depois avançar.

A conjuntura exige dos lutadores sociais mais compromisso com a sua saúde, afinal, ficar bem no meio de uma sociedade adoecida é um desafio diário. Incluir a atividade física no cotidiano é também uma responsabilidade com os interesses coletivos e exige de cada um de nós maior disciplina no cumprimento dessa tarefa.

Matéria publicada na edição impressa  nº315 do jornal A Verdade

UP elege novo Diretório Estadual em MG

Nos dias 26 e 27 de julho, a Unidade Popular de Minas Gerais realizou seu Congresso mais representativo, elegendo um novo Diretório Estadual com a tarefa de derrotar o fascismo, enfrentar as mineradoras e defender o patrimônio do povo, avançando na organização e na luta pelo socialismo.

Rafael Fumero | Diretório Estadual da UP – MG


Com o Congresso mais representativo da Unidade Popular de Minas Gerais, o conjunto dos filiados das regiões do Centro-Oeste, do Sul e Norte de Minas, do Triângulo Mineiro, da Zona da Mata, da Região Metropolitana e da capital, reuniram-se nos dias 26 e 27 de julho na Ocupação Maria do Arraial, para aprofundar a análise da conjuntura estadual e, com isso, elaborar a resolução política que irá guiar a atuação do partido pelos próximos anos, sobretudo do Diretório recém eleito.

Os debates foram divididos em três mesas. A primeira buscou analisar a conjuntura internacional e nacional, na qual, seguindo os mais recentes posicionamentos do Diretório Nacional, debateu-se os impactos das guerras interimperialistas para os povos oprimidos e a tarefa de conquistar a ruptura das relações diplomáticas do Brasil com o “Estado” nazi-sionista de Israel. O papel da UP será de apresentar à população o verdadeiro caminho para alcançar a soberania nacional e solucionar os conflitos mundiais: a conquista do poder popular e a edificação do Socialismo, porque como aponta Manoel Lisboa, “A maior prova que o marxista-leninista e revolucionário pode dar de internacionalismo proletário é fazer a revolução em seu país” (Manoel Lisboa).

Reestatizar mineradoras e nacionalizar o lítio

No decorrer do congresso, durante a segunda mesa voltada para a conjuntura estadual, foi compreendida a urgência da luta pela reestatização das mineradoras e pela campanha de nacionalização da exploração do lítio ー e sua cadeia produtiva ー pauta essa que diz respeito à preservação do meio ambiente, das culturas ribeirinhas, quilombolas, indígenas e, também, que tem o potencial de barrar a mineração predatória dos recursos que pertencem ao povo, de modo a garantir nossa soberania.

Outra tarefa imediata é derrotar categoricamente o fascista Romeu Zema e seus projetos de militarização das escolas e de adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), que também visam entregar o patrimônio público aos grandes ricos. O primeiro dos projetos, a partir da falsa proposta de “disciplinar” os jovens e aumentar a segurança das escolas,, na realidade visa atacar o direito de organização dos estudantes e professores, duas das categorias que mais demonstraram revolta com as medidas neoliberais do governador fascista.

O segundo, visa vender centenas de imóveis e estatais para o Governo Federal, com o objetivo de pagar a dívida do estado. Definimos que não permitiremos que a farra dos banqueiros e acionistas continue em Minas, e barrar esse projeto é defender a UEMG, CEMIG, COPASA, CODEMIG, CODEMGE, a Casa de Referência da Mulher Tina Martins, o Memorial dos Direitos Humanos e outros tantos patrimônios do povo que estão sendo ameaçados para pagar algo que já foi pago mais de três vezes, como denuncia a Auditoria Cidadã da Dívida: “Segundo a Auditoria Cidadã da Dívida (ACD), nesse cálculo a União omite que já recebeu R$ 48,665 bilhões de juros e amortizações, o equivalente a três vezes o valor original da dívida, de R$ 14,883 bilhões! E ainda cobra mais R$ 159,9 bilhões, que representam o absurdo estoque atual desta dívida. Desta forma, a União receberia  simplesmente QUATORZE vezes a dívida original” (Matéria disponível aqui).

Para barrar os planos de Zema, o Diretório Estadual convoca todos para a Audiência Pública convocada pela Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária, que acontecerá no dia 13 de agosto às 09:30.

Foto: Rafael Zolet (UP/MG)

Filiar, organizar e conquistar

Diretamente relacionado a todos esses tópicos está o trabalho com o Jornal A Verdade, ferramenta que, para além de ser central para a AGP, é capaz de apresentar nossa linha política e, com isso, filiar mais. Portanto, a tarefa de difundir A Verdade em Minas Gerais está intimamente conectada com nosso êxito.

Para filiar cada vez mais, foi apresentado o método já usado em São Paulo, que prova seu funcionamento na região Centro-Oeste do nosso estado. Método este que consiste em organizar núcleos regionais, com moradores de várias cidades com menos de cinco filiados e, nas reuniões de núcleo, além de se aprofundar a formação política, debate-se a necessidade de cada um apresentar o Jornal e filiar mais pessoas. Dessa forma, com o esforço de poucos coordenadores, é possível interiorizar a UP cada vez mais rapidamente.

Em apenas seis meses, foram fundados 5 novos núcleos municipais no Centro-Oeste, e caso esse exemplo seja seguido pelas demais regiões de Minas, será possível dobrar o número de filiados do estado até o final de 2025, meta estipulada pelo Diretório Nacional.

Dessa forma, ao longo do debate de finanças, percebeu-se que o acúmulo do processo rumo ao congresso já se provou exitoso, porque a meta de arrecadação mensal foi, pela primeira vez, atingida e a disputa agora é que os coordenadores de núcleo e finanças continuem com a luta para que cada filiado pague sua contribuição ideológica. Assim, até dezembro alcançaremos a ousada meta de 80% dos filiados cumprindo com a tarefa de sustentar o partido, o que a Executiva Nacional declarou na matéria UP denuncia privilégios dos partidos fascistas: “garantindo o autofinanciamento da UP, será possível manter a independência política e econômica para garantir o crescimento das nossas fileiras e a intensificação das lutas por todo Brasil”.

Novo Diretório amplia diversidade e presença nas regiões do interior

Para finalizar o Congresso, foi eleito o novo Diretório Estadual, com a maior representação dos interiores que o estado já teve, 12 cidades representando 8 regiões, mais mulheres, negros, não-bináries e, para além, com a energia necessária para estar a frente das lutas da classe trabalhadora. Agora, a tarefa de cada filiado é clara: derrotar o fascismo e seus projetos anti-povo, as mineradoras e avançar rumo ao socialismo.

Faculdades particulares lucram às custas do endividamento dos estudantes

Cogna e YDUQS lucraram mais de R$ 1,4 bilhão em 2024 e negociam fusão, enquanto a maioria dos jovens segue fora do ensino superior e dependente de faculdades particulares caras e com alta evasão.

Movimento Correnteza


JUVENTUDE – Em março deste ano, o grupo Cogna, que controla grandes faculdades pagas como a Anhanguera, anunciou ter obtido, em 2024, um lucro de R$ 985 milhões (dados da InfoMoney). O grupo YDUCS, dono das faculdades Estácio de Sá, alcançou, também em 2024, lucro de R$ 480 milhões. Nos sites ligados ao mercado financeiro, os números são anunciados com otimismo e buscam comunicar o sucesso das companhias para os investidores. Agora, esses dois grupos estão trabalhando para concretizar uma fusão e controlar uma imensa parte do mercado.

Contudo, esse “sucesso” esconde a dura realidade da juventude que deseja se formar no ensino superior.

Apesar de a educação ser um direito garantido na constituição, a realidade é de falta de vagas nas universidades em todo o país. Segundo dados do Censo MEC/Inep 2023, apenas 21% dos jovens entre 18 e 24 anos estão matriculados no ensino superior. Entre os matriculados, cerca de 80% estão no ensino privado. São duas milhões de matrículas na rede pública contra quase oito milhões em universidades pagas e outros muitos milhões de jovens que não têm o direito à educação pública e não podem pagar uma instituição privada.

Isso acontece porque o Estado brasileiro tem uma relação criminosa com os bilionários da educação particular, que pressionam pela redução dos investimentos nas instituições públicas com o objetivo de obrigar a juventude a pagar para estudar. O último programa significativo de expansão das vagas na rede pública foi o Reuni, encerrado em 2012, 13 anos atrás. De 2022 a 2023, as matrículas na rede pública diminuíram 0,4%, enquanto na rede privada tiveram um aumento de 7,3%.

Estudantes endividados

O mercado da educação paga cresceu e se tornou um negócio extremamente lucrativo, que passou a captar investidores nas bolsas de valores, através da venda de ações. Assim, investidores bilionários lucram com o ensino superior sem pagar um único centavo de imposto – pois o lucro distribuído pelas empresas aos acionistas (dividendos) é isento de impostos no Brasil.

Para piorar, o sonho do ensino superior tem se transformado, para muitos jovens, no pesadelo do vencimento dos boletos de mensalidade ou do endividamento. Dados da Semesp (entidade representante das empresas de educação) mostram que o número de estudantes que abandonaram seus cursos chegou a 23% em cursos presenciais de instituições públicas; 28% em cursos presenciais de faculdades pagas; 34% e mais de 40% nos cursos a distância nas públicas e nas privadas, respectivamente. Os números de evasão são notoriamente maiores nas instituições privadas, em que os estudantes têm que lidar com as mensalidades caríssimas e não contam com praticamente nenhuma política de assistência.

Qualidade da educação?

Além de endividar estudantes com as altas mensalidades, incompatíveis com a renda dos brasileiros, essas grandes empresas de educação também buscam sempre a redução de seus custos. O resultado é a diminuição da qualidade dos cursos. Nesse aspecto, os problemas são inúmeros: quase não há política de assistência aos estudantes pobres; os salários dos professores e, em especial, dos outros trabalhadores das faculdades são defasados; faltam estruturas de ensino como laboratórios, etc.

A forma mais utilizada por essas empresas para reduzir os gastos foi, nos últimos anos, a comercialização de cursos de ensino a distância e a imposição, aos estudantes de cursos presenciais, de disciplinas cursadas pela internet. Assim, as empresas economizam fechando salas de aula e diminuindo o quadro de professores e funcionários e outros gastos como luz e água. No lugar da aula e da troca entre o professor e os estudantes, oferecem vídeos de aulas gravadas e repetidas indefinidamente – sem qualquer preocupação, inclusive, com o estudante ter acesso ou não a computadores, tablets ou qualquer equipamento adequado.

Essa prática foi impulsionada pela Portaria 2.117 do MEC, editada pelo Governo Bolsonaro, que permitiu que 40% da carga horária de cursos presenciais fosse ofertada em disciplinas online.

Privilégios continuam

O Governo Lula editou, nas últimas semanas, a nova política para a educação a distância, proibindo a oferta de alguns cursos nessa modalidade – em especial na área de saúde – tornando obrigatório um maior número de avaliações e atividades presenciais nos cursos e diminuindo de 40% para 30% a carga horária de cursos presenciais que pode ser ofertada de forma virtual.

Os avanços são importantes, mas ainda não invertem a lógica de privilégio dos empresários da educação e de seus lucros, em detrimento dos estudantes. Prova disso é a manutenção da possibilidade de os empresários da educação imporem disciplinas online a estudantes matriculados em cursos presenciais.

A contradição entre a propaganda das empresas privadas de educação sobre o sucesso de seus números e a situação dos estudantes no Brasil é um sintoma que demonstra que, para garantir educação pública e gratuita em todos níveis e para todos os brasileiros, é necessário enfrentar os interesses dos grandes capitalistas que lucram toda vez que um estudante não consegue uma vaga na universidade pública.

Matéria publicada na edição impressa  nº315 do jornal A Verdade

MLB desmascara perseguição política na Câmara Municipal de Natal

Militantes do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e do Movimento de Mulheres Olga Benario prestaram depoimento à Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal de Natal (RN) em 28 de maio e 11 de junho.

Alice Morais | Natal (RN)


LUTA POPULAR – Representações do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) e do Movimento de Mulheres Olga Benario foram intimadas a prestar depoimento na Comissão Especial de Inquérito (CEI), instaurada na Câmara Municipal de Natal (NR) por setores da extrema-direita e pela base do atual prefeito Paulinho Freire (União Brasil).

Esta CEI, que supostamente buscava “investigar as invasões à propriedades privadas”, foi proposta pelo vereador Matheus Faustino (União Brasil), partido envolvido na Operação Overclean, investigação da PF que revelou conexões entre cúpula partidária e um esquema de corrupção.

No dia 28 de maio, estavam à mesa da sessão o vereador Daniel Valença (PT) e os vereadores fascistas Camila Araújo (União Brasil), Subtenente Eliabe (PL) e Matheus Faustino. Foram chamadas Bianca Soares, da Coordenação do MLB no RN, e Kivia Moreira, da Coordenação do Movimento de Mulheres Olga Benario. No dia 11 de junho, Marcos Antônio, o coordenador do MLB no estado.

As falas das militantes se iniciaram em homenagem aos heróis potiguares que combateram a ditadura militar de 1964 e lutaram pelo socialismo: Emmanuel Bezerra dos Santos e Anatália de Souza Melo Alves. Demonstrando, assim, que os movimentos sociais não abaixarão a cabeça diante da repressão e do fascismo.

As perguntas tinham um claro objetivo: criminalizar a luta do povo pobre que se organiza com o MLB e luta pelo o direito à moradia, contra a fome e por dignidade de vida. Foi chamado a depor Eugênio Pacelli, empresário e presidente da Associação de Supermercados do Rio Grande do Norte (Assurn), alegando que as ocupações em supermercados organizadas pelo povo geraram um prejuízo de R$ 3 milhões para o setor de supermercados natalense.

O que Eugênio não mencionou foi que os lucros deste setor chegaram a mais de R$ 31 bilhões somente no ano de 2024, e, enquanto isso, há 428 mil famintos no estado. E mais: o RN assume o primeiro lugar no ranking nacional de desnutrição infantil.

Misoginia e racismo

Em algumas ocasiões, enquanto Bianca e Kivia respondiam aos questionamentos e realizavam denúncias do sistema capitalista, os vereadores de direita desligaram o microfone das testemunhas de forma arbitrária, alegando que as respostas deveriam ser curtas para “o bem de todos”.

O caráter fascista e de perseguição política foi desmascarado também por Marcos Antônio ao dizer que não estava ali para dizer o que queriam ouvir, mas para dizer a verdade. E a verdade é que o povo enfrenta a carestia, a fome e a falta de habitação. E pior, quando o povo se organiza e luta é perseguido, a exemplo daquela CEI.

Matéria publicada na edição impressa  nº315 do jornal A Verdade

Governo freia habitação popular e acelera privilégios aos ricos

Governo Federal cortou quase R$ 26 bilhões do Orçamento em maio, reduzindo recursos de programas essenciais como habitação, educação, saúde e assistência social.

Coordenação Nacional do MLB


LUTA POPULAR –  O Governo Federal anunciou, em maio deste ano, um corte de quase R$ 26 bilhões no Orçamento, que retira recursos de políticas públicas essenciais para o povo, como a moradia. O Ministério das Cidades perdeu mais de R$ 4 bilhões, afetando diretamente a construção de moradias populares, a urbanização de periferias, o saneamento básico e o transporte público de qualidade. O Bolsa Família teve o orçamento reduzido, a educação pública enfrentou cortes em bolsas de pesquisa, e o SUS verá uma diminuição nos recursos destinados à atenção básica e à prevenção de doenças.

Enquanto isso, não houve cortes nas emendas parlamentares dos deputados do Centrão, nem no pagamento da dívida pública, e as dívidas bilionárias dos grandes empresários com a Previdência também não foram cobradas. O mesmo ocorre com o agronegócio e os banqueiros, que permanecem intocáveis.

O presidente Lula afirma que está prestes a cumprir a meta de contratação de 2 milhões de casas no Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) e já anuncia que pretende aumentar essa meta. Entretanto, embora essa seja a expectativa, a realidade é bem diferente.

O MCMV é um programa de financiamento imobiliário, não de construção de moradia pro povo pobre. Entre 2023 e maio deste ano, o Governo Federal contratou pouco mais de 1,3 milhão de moradias. Contudo, mais de 1 milhão dessas moradias serão construídas por grandes construtoras, vendidas com financiamentos que se estendem por até 35 anos. Essas moradias estão, portanto, disponíveis apenas para quem pode arcar com os custos. E isso não significa uma política de construção de habitação popular.

O Governo ainda se orgulha de que a maior parte dos financiamentos foi destinada a famílias da Faixa 1, com renda de até R$ 2.850,00. No entanto, isso também não significa o êxito da política habitacional, mas sim que famílias pobres estão se endividando por 35 anos para garantir uma casa, enquanto as empreiteiras lucram com dinheiro público investido nelas.

O programa Minha Casa, Minha Vida – Entidades, que efetivamente constrói moradias para quem não pode pagar e sem estimular a especulação imobiliária, está sendo negligenciado. Desde 2023, apenas 11 mil casas do MCMV – Entidades foram contratadas, com apenas 800 começando a serem construídas. Essa é a razão pela qual o povo pobre não tem acesso à moradia.

Esse cenário não é acidental, mas uma escolha política. Trata-se de um desmonte silencioso de uma política que poderia dar mais poder ao povo. No MCMV – Entidades, a moradia é construída com participação popular e autogestão, com mais controle nas mãos dos sem-teto, e não das empreiteiras.

E o pior: para evidenciar ainda mais o descompromisso do Governo com a garantia de moradia digna para o povo pobre, em maio foi criado o Minha Casa, Minha Vida – Classe Média, que visa a utilizar recursos públicos para facilitar o financiamento de 250 mil imóveis com valores até R$ 500 mil para famílias com renda de até R$ 12 mil. Essa iniciativa é uma afronta aos trabalhadores.

Tudo isso deixa claro que o MCMV não tem sido um programa de construção de moradias para as famílias que mais precisam e que vivem hoje em péssimas condições nas cidades. No final das contas, isso permite que o Governo transfira recursos públicos para empreiteiras e bancos para construir as casas, que lucram em cima da falta de moradia para o povo.

A luta pela moradia digna

Nos últimos anos, o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) não apenas realizou inúmeras ocupações, mas também se organizou para construir moradias através do MCMV – Entidades. Dos seis projetos que apresentamos, cinco estão prestes a serem contratados. Isso foi possível graças à mobilização efetiva das famílias sem-teto nos estados, incluindo ocupações da Caixa Econômica e das Prefeituras, assembleias, reuniões e passeatas.

Até agora, concretamente, apenas dois dos nossos empreendimentos foram contratados. Isso demonstra que, sem organização coletiva e pressão das famílias, será difícil transformar essas casas em realidade ainda neste Governo.

No 6° Congresso do MLB, realizado em abril deste ano, reafirmamos que o caminho para resolver o problema habitacional é a luta. Devemos lutar por políticas sociais e programas de construção de moradia, mas o foco deve ser a nossa organização popular, fazendo o que sabemos fazer melhor: lutar, resistir e construir.

Até porque, os mesmos governos que se negam a construir moradias populares para combater o déficit habitacional, despejam nossas ocupações e comunidades, jogando o povo na rua. É o que temos enfrentado em diversas ocasiões pelo Brasil, como foi o caso da Ocupação Chico Mendes, em Belém (PA), despejada de um prédio da União, com Lula utilização da Polícia Federal.

Imóveis públicos abandonados

Outro ponto importante na discussão é que o Brasil está repleto de imóveis públicos sem utilização, sem cumprir sua função social. A União possui dezenas de milhares de imóveis que poderiam se tornar moradia popular, muitos deles abandonados em áreas centrais, com fácil acesso a escolas, hospitais e transporte.

Em 2024, o Governo lançou o programa Imóvel da Gente, que prometia entregar imóveis do Governo Federal para movimentos sociais construírem moradias populares. Porém, até agora, apenas 34 imóveis foram entregues. Em contrapartida, o Governo já cedeu ou vendeu quase 800 imóveis, o “filé mignon” como dizem eles, para o setor privado. Enquanto a moradia popular é travada, os empresários estão sendo presenteados com o patrimônio público.

Milhares de imóveis públicos seguem sem uso, aguardando valorização para serem vendidos no mercado. A resposta a isso foi dada pelas famílias do MLB no Rio Grande do Sul, que ocuparam um grande prédio do Governo Federal em Porto Alegre, já listado para doação ao setor privado. A Ocupação Sepé Tiaraju agora abriga dezenas de famílias sem-teto e o prédio será requalificado para se tornar moradia definitiva.

A lentidão favorece a concentração de recursos em um modelo que enriquece as empreiteiras e justamente onde o Centrão exerce mais controle. Isso é grave e proposital. O MCMV – Entidades existe porque os movimentos lutaram por ele, e a luta continua! Não aceitaremos que essa política morra em favor do lucro das empreiteiras. Queremos novas portarias, imóveis da União para o povo e que a Caixa pare de travar projetos populares. Queremos obra começando, povo decidindo, autogestão funcionando!

Matéria publicada na edição impressa  nº315 do jornal A Verdade