UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

domingo, 29 de março de 2026
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Método de trabalho nas tarefas de organização

“Mas a burguesia não forjou apenas as armas que lhe trazem a morte; também gerou os homens que manejarão essas armas – os operários modernos, os proletários”.  Karl Marx, O Manifesto do Partido Comunista. 

Júlia Andrade Ew | Florianópolis (SC)


TEORIA MARXISTA – Lênin, no livro Que Fazer?, afirma que é “necessário despertar em quantos participam ou se propõem participar no trabalho prático o descontentamento pelo trabalho artesanal que reina entre nós e a decisão inquebrantável de nos desembaraçarmos dele”. Quais as características do trabalho artesanal? A produção é realizada em pequena escala, de forma individual ou em pequenos grupos, quase sem divisão de tarefas, dependendo exclusivamente da personalidade do artesão. Esse estilo de trabalho em um Partido Comunista acaba desembocando em problemas políticos graves. A verdade é que não se combate um inimigo poderoso como a burguesia sem um trabalho sistemático.

Já reparou como funciona uma grande indústria?

Ao contrário de uma oficina artesanal, a fábrica não para. Isso só é possível porque há um alto nível de coletividade e especialização na produção. Desde os setores que trabalham com as matérias-primas, passando pela transformação, empacotamento, armazenamento e distribuição, até os setores de planejamento de produção, controle de qualidade, logística, manutenção e recursos humanos. Todos os operários sabem exatamente qual o posto que vão ocupar e quais tarefas são esperadas deles.

Na linha de produção, o trabalho é diário, sistemático e contínuo. Cada setor tem uma hierarquia de responsáveis, que prestam contas da produtividade e das metas de sua equipe por meio de relatórios com as informações necessárias para um balanço do desempenho. Esse desempenho é avaliado pelos responsáveis de hierarquia superior, que buscam sempre introduzir nos diferentes setores tecnologias para aumentar a produtividade, otimizar os processos de produção e corrigir as falhas por meio de métodos científicos

É melhor formarmos camaradas de forma artesanal – a depender da personalidade do assistente – ou aplicarmos de forma sistemática o cronograma nacional de formação, sendo possível nivelar e munir ideologicamente um grande contingente de quadros?

É melhor se contentar que poucos camaradas que não tiveram acesso a uma boa escolaridade possam acessar os textos do marxismo-leninismo, ou construir de forma sistemática a Escola Eliana Silva e alfabetizar os lutadores e lutadoras das favelas de nosso país?

É melhor que cada secretário de organização, finanças ou agitação e propaganda invente uma forma de trabalho e não haja um padrão de prestação de contas e compreensão da tarefa, ou reunir periodicamente as comissões, transmitir as metas coletivas e traduzi-las para as metas locais?

É melhor recrutar para o Partido de forma espontânea e subestimada, ou realizar grandes Plenárias do Socialismo de forma periódica, de modo que possamos avaliar o fluxo de ingresso em nossas fileiras a partir do trabalho desenvolvido em cada território?

É melhor que os quadros sejam artesãos, realizando todas as etapas de um processo individual, ou “parafusos dinâmicos” (como denominava Che Guevara), cadeias de transmissão em um processo coletivo?

Lênin, o arquiteto do Partido Bolchevique, que foi capaz de tomar o poder político e construir o primeiro Estado proletário, aponta que nosso desafio é formar uma organização “única, forte e disciplinada, com partes metodicamente desenvolvida” (Que Fazer?).

O trabalho organizado e consciente

A fusão do socialismo com a classe operária não tem apenas a ver com um método de trabalho, mas com um estilo de vida. Você já percebeu como vive um operário?

Em geral, a classe operária, por suas condições materiais, leva uma vida simples. Precisa adaptar sua rotina a fábrica e às exigências do capital: é disciplinada, tem hora para acordar, almoçar, se locomover e, para poder viver, precisa de organização e espírito prático. Faça chuva ou faça sol, bate o ponto na hora certa, senão tem seu salário descontado.

Por estar submetida a uma rotina de produção coletiva, não se deslumbra tão facilmente com iniciativas individualistas. Os operários vão para a fábrica em um ônibus cheio, observam a quantidade de trabalhadores necessária para produzir-se uma mercadoria e, ao fim do dia, voltam para seu bairro, em geral, periferias, onde se vive em coabitação. Sua moral pode ser observada com a atitude frente a um fura-greve, por exemplo. A ideia de uma disciplina única e igual para todos e a solidariedade, camaradagem e ajuda mútua são duas faces da mesma condição de vida. Como afirma Lênin:

“Os operários não têm medo da disciplina nem da organização e entram de bom grado nas organizações do Partido, quando se decidem filiar-se a este. Os que temem a disciplina e a organização são os intelectuais de tendência individualista, e estes se mantêm, na realidade, à margem do Partido. E fazem bem, pois o Partido se livrará da afluência de elementos inseguros que acodem a ele.” (História do Partido Comunista Bolchevique da URSS, Edições Manoel Lisboa)

Camaradas, nossa rotina está adaptada aos nossos objetivos? O estudo individual, a prática de exercícios físicos e as reuniões acontecem diariamente com pontualidade e regularidade? Somos organizados em nossa rotina pessoal? Temos agenda e relógio para ajudar em nossa concentração? Buscamos ser exemplo de bons operários da revolução? É possível nos fortalecermos ideologicamente para que a constância, disciplina, a cobrança e prestação de contas não sejam um fardo, um sacrifício ou algo reservado apenas para alguns momentos ou campanhas específicas, mas um costume tão cotidiano quanto escovar os dentes, um modo de viver!

O estilo e o método de trabalho leninista

No trabalho de construção do Partido devemos analisar criticamente tudo o que se vê dentro de uma fábrica ou grande empresa. É importante lembrarmos que nossas análises devem ser feitas com base na ciência revolucionária, no materialismo e na dialética. A negação dialética tem como movimentos a negação, a preservação e a superação. O trabalho comunista deve preservar a coletivização, otimização e a produção em larga escala, mas precisa deixar para trás a alienação, o embrutecimento e a burocratização que são típicos à produção capitalista. Afinal, o produto da produção coletiva é expropriado dos trabalhadores e, para que eles não se rebelem, é necessário furtar-lhes a consciência.

Devemos, pelo contrário, ser profundamente humanos em todas as nossas relações. Em diferentes textos, Stálin advertiu os dirigentes do Partido a não cair em utilitarismo barato e denunciou comportamentos de um “praticismo mesquinho” ou “burocratismo escandaloso”, quando os dirigentes colocam as pessoas em segundo plano e não são capazes de travar as lutas políticas e ideológicas com generosidade.

Ao entrarmos na luta política e ideológica com um camarada que está enfraquecido, é preciso escutar com muita atenção e falar com humildade, firmeza e vontade de conquistar aquela consciência para o que há de mais avançado. Ao acompanhar coletivos, devemos estar sempre dispostos a aprender, pois ninguém melhor que o operário conhece a máquina que opera todos os dias, e assim é nossa militância, que tem ótimas ideias sobre como melhorar de forma criativa o trabalho onde atua, e precisa ser incentivada a pensar ativamente e se responsabilizar pela implementação da política do Partido.

Camaradas, nós estamos vigilantes para não sermos engolidos pelo burocratismo e a falta de iniciativa? Estamos conscientes de que do resultado de nosso trabalho depende o futuro de nossa classe? Temos lutado com todas as nossas forças pelo desenvolvimento dos companheiros e companheiras que assistimos? Visitamos suas casas, conhecemos suas famílias, sabemos do que sofrem e o que amam, nos interessamos por eles como seres humanos?

Podemos avançar muito na elevação da nossa organização e método de trabalho ao nível de nossa política e facilitar a nossa identificação com amplos setores da classe operária. Nosso Partido pode e deve ser, desde sua estrutura, a imagem e semelhança da classe capaz de produzir o necessário para alimentar, vestir e abrigar toda a humanidade.

Superar os métodos artesanais no trabalho de organização é determinante para que possamos elevar nosso papel dirigente e cumprir nossa tarefa na conjuntura, para que não façamos como os economistas russos que, como afirmou Lênin, se resignaram a ficar de joelhos adorando a espontaneidade e contemplando religiosamente o traseiro da classe operária. Ao trabalho!

Matéria publicada na edição impressa  nº316 do jornal A Verdade

Prefeito de São Bernardo do Campo é afastado do cargo por suspeita de corrupção

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Em São Bernardo do Campo (SP), uma operação da Polícia Federal afastou o prefeito Marcelo Lima (PODEMOS) de seu cargo passou a monitorá-lo com tornozeleira eletrônica por investigação de corrupção, desvio de recurso público e lavagem de dinheiro na prefeitura.

Redação SP


BRASIL – No último dia 14 de agosto, em São Bernardo do Campo, cidade do ABC Paulista, uma operação da Polícia Federal afastou o prefeito Marcelo Lima (PODEMOS) de seu cargo por um ano e passou a monitorá-lo com tornozeleira eletrônica.

A deflagração decorreu de uma investigação que o aponta como líder de esquemas de corrupção, desvio de recurso público e lavagem de dinheiro na Prefeitura do Município, onde ele teria permitido movimentações de grandes quantias de dinheiro, provenientes dos impostos do povo, para luxos à sua família. Além do chefe do executivo, foi afastado do cargo o vereador Danilo Lima (PODEMOS), presidente da câmara legislativa municipal e primo do prefeito.

Ambos os políticos fazem parte do partido de centro-direita PODEMOS, sigla de parlamentares como o senador golpista Marcos do Val, que está foragido da justiça, e a senadora Soraya Thronicke, empresária de móteis e histórica inimiga dos povos indígenas. Durante o governo do fascista Jair Bolsonaro, foi partido de membros como o então Secretário Nacional de Segurança Pública, general Santos Cruz, e do ex-ministro Sérgio Moro.

O inquérito, que tem outros sete alvos além do prefeito e do presidente da câmara, apreendeu R$14 milhões em espécie vindos de contratos públicos superfaturados em um ardiloso esquema de corrupção que ocorria na sede da administração pública de São Bernardo, datados também durante a gestão anterior cujo prefeito, Orlando Morando, é reconhecido opressor de mulheres e jovens periféricos.

O ex-prefeito bolsonarista teve seu mandato marcado por despejos, retirada de direitos dos servidores públicos (a quem ele chamou de “vagabundos” durante uma greve em 2022 por reajuste salarial) e por ter sido denunciado até na ONU por racismo institucional.

O prefeito afastado foi vice de Orlando Morando, agora Secretário de Segurança Pública da cidade de São Paulo, sob a gestão de Ricardo Nunes (MDB). Recentemente, a prefeitura da capital paulista declarou guerra aos pobres, como demonstram as tentativas violentas de despejo da Favela do Moinho e do Jardim Pantanal, onde o povo resiste à repressão fascista em nome do direito de ter onde morar.

A vice-prefeita de Marcelo Lima, que assume o exercício durante o afastamento, Jéssica Cormick (AVANTE), é sargento da Polícia Militar, especializada em “Polícia Ostensiva” e “Preservação da Ordem Pública”.

Corrupção dos governantes aumentam a miséria do povo

Todo esse dinheiro, movimentado em manobras para driblar o COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), poderia ter sido utilizado para a educação em São Bernardo do Campo, onde vemos relatos de falta de insumos básicos como papel higiênico e folha sulfite e presença de goteiras e deteriorações nas escolas.

Ademais, no município, são escassos os aparelhos de Assistência Social, como CREAS e CRAS. Os poucos espaços de atendimento à população são improvisados e atuam limitados por meio da exploração das servidoras, as adoecendo.

Por muitas vezes, o prefeito e políticos governistas repetiram que não havia dinheiro para contratação de novos servidores nem para atender a Campanha Salarial do funcionalismo público, que cobrava o reajuste salarial atrasado de 12% e benefícios fundamentais como auxílio transporte e refeição.

Dentre os demais alvos da operação, estão o vereador suplente Ary José de Oliveira (PRTB) e alguns assessores e membros comissionados da prefeitura e da ALESP. Dois deles tiveram a prisão decretada, como Paulo Iran Paulino Costa, que era do gabinete do deputado Rodrigo Moraes (PL), mas está foragido. Foi na casa dele que o dinheiro foi encontrado.

Mídia burguesa mente para proteger os culpados e atacar os servidores

No entanto, a mídia burguesa, para defender seus financiadores, mente ao povo ao chamá-los apenas de “servidores”, omitindo seus nomes e ligação com os mandatários dos crimes.

Servidores públicos são os trabalhadores que dão seu suor todos os dias para garantir qualidade às escolas, hospitais e postos de saúde, à GCM, parques, cemitérios, bibliotecas, teatros e demais serviços públicos essenciais aos munícipes, mesmo com as limitações impostas pelo sistema capitalista, que prioriza o lucro sobre a qualidade de vida e de trabalho das pessoas.

Os funcionários estatutários, celetistas e autárquicos da prefeitura municipal agem em nome das necessidades dos cidadãos, para atender da melhor forma aqueles e aquelas que acordam cedo, usam transporte público e vendem sua força de trabalho para colocar alimento na mesa de sua família, e não para gerar lucro aos empresários e banqueiros.

Por isso, a categoria é constantemente alvo de ataques da burguesia e de seus políticos lacaios, à exemplo da proposta de Reforma Administrativa que tramita no Congresso Nacional, antes apresentada por Bolsonaro e Paulo Guedes e agora “maquiada” pelo deputado golpista Zé Trovão (PL), que pretende acabar com a estabilidade e impor mecanismos de redução salarial, além não modificar as estruturas de reais privilégios dos altos cargos da administração pública.

Assim o fazem para eliminar os casos de insubordinação de servidores sérios aos seus gestores corruptos e criar ambiente de pressão no serviço público, introduzindo a lógica das demissões, da meritocracia, do individualismo e da competitividade, prática vista recentemente em São Bernardo através da “política de bonificações individuais pelo atingimento de metas” na educação.

Não basta esperar resposta do Estado, é preciso lutar

Sendo assim, é necessário que os funcionários públicos defendam a validade e ampliação dos concursos públicos, além de mobilizar-se contra tentativas de entrega do serviço ao capital privado, como ocorre nas terceirizações e privatizações.

Não basta acreditar em políticos e votar a cada eleição no candidato que parecer menos pior, pois a política institucional é formada para atender os interesses daqueles que os financiam, ou seja, os ricos que lucram em cima da alta taxa de juros no Brasil e da carestia dos alimentos, responsável pelos milhões que hoje vivem em insegurança alimentar.

Em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista e em todo o Brasil, o Movimento Luta de Classes (MLC) têm organizado núcleos cada vez mais coletivos com objetivo de retomar a força sindical, unindo a categoria revoltada para lutar por seus direitos e utilizar os sindicatos como ferramenta de transformação da sociedade para a classe trabalhadora, superando o capitalismo e construindo um sistema mais justo e digno para todos, o socialismo.

São Lourenço da Mata (PE): a 6ª cidade mais violenta do país sofre em meio a festa e o descaso

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São Lourenço da Mata (PE) vive em agosto seu período mais lucrativo com a tradicional Festa de Agosto, que celebra o padroeiro da cidade. Enquanto a arrecadação cresce, moradores enfrentam falta de creches, escolas precárias, unidades de saúde insuficientes e ausência de delegacia da mulher em funcionamento integral.

Evelyn Dionízio | São Lourenço da Mata – PE


MULHERES –  No mês de agosto a cidade de São Lourenço da Mata, Região Metropolitana de Recife (RMR), passa por seu período mais lucrativo do ano: a Festa de Agosto. A comemoração celebra o padroeiro da cidade, São Lourenço Mártir, e dura vários dias. Com investimentos que fazem a economia girar, São Lourenço deveria ser uma cidade exemplo em desenvolvimento para sua população. Mas não é isso que vemos em seu dia a dia.

O que contradiz é o recente dado dos municípios mais perigosos do país, revelado pelo Fórum de Segurança Pública. A cidade está em 6º lugar na lista dos dez municípios com maiores taxas de Mortes Violentas Intencionais, um crescimento de 24,6% com relação a 2024. No entanto, o que importa para o atual prefeito da cidade, Vinícius Labanca (PSB), ao invés de investir na estrutura das escolas e na construção de creches, mais unidades de saúde, é pintar o corrimão do viaduto todo mês de agosto, que já acumula dezenas de camadas de tinta.

Para as mulheres a situação é ainda pior. No dia 28 de julho, Rebeca Vicente dos Santos, mulher negra, foi vítima de feminicídio. Ela foi morta a facadas na própria casa pelo antigo cônjuge após buscar ajuda na Delegacia da Mulher em Camaragibe, cidade vizinha. A medida protetiva não foi suficiente e fez mais uma fatalidade num regime que explora e condena as mulheres a uma vida desumana, principalmente as mulheres negras. O estado de Pernambuco vitimou 48 mulheres apenas em 2025, um aumento de 14,2% no mesmo período de 2024, conforme levantamento da Secretaria de Defesa Social, e carece de fornecimento de assistência.

O que impressiona, por fim, é o fato de que Rebeca Vicente teve que recorrer a uma Delegacia da Mulher na cidade vizinha para evitar a morte – que a título de informação, não funciona 24 horas. Então perguntamos, por que os recursos milionários da Festa de Agosto não podem fornecer uma Delegacia 24 horas para as mulheres de São Lourenço da Mata? Ano após ano, essas mesmas famílias, que se acham as donas da região, nada fazem para mudar a realidade do povo, apenas se repetindo no poder, lucrando com nossa cultura, enquanto a criminalidade só aumenta.  Diante dessa realidade, a Unidade Popular tem se organizado na região, para fazer frente a esse absurdo e denunciar que só a luta organizada pode transformar a nossa realidade.

A precarização e a crise orçamentária das Universidades Federais: duas faces de uma mesma moeda

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Sem elevador, salas sem climatização, banheiros interditados e infiltrações constantes, o espaço expõe o resultado de uma década de cortes orçamentários que reduziram em mais de 90% os recursos destinados a obras e equipamentos nas universidades e institutos federais.

Luiz Henrique | UJR Pernambuco


EDUCAÇÃO – Na Universidade Federal de Pernambuco, os Núcleos Integrados de Atividades de Ensino (Niates) são prédios com salas de aula e laboratórios para diversos cursos de graduação e possuem algumas semelhanças e intercâmbios entre si, sendo, formalmente, um espaço de convivência entre dois centros distintos. Dentre estes, o Niate que une o Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFCH) e o Centro de Ciências Sociais Aplicadas (CCSA) se caracteriza por algo que não é uma particularidade do prédio ou da UFPE; o que caracteriza esse espaço hoje é a precarização, a insalubridade e o abandono: Incontáveis salas sem climatização, seu único elevador inutilizado, água potável inteira distribuída porem três filtros domésticos em cada andar e banheiros interditados.

Imagine como é difícil ter que assistir aula em um prédio que convive com infiltrações e alagamentos, por exemplo, em pleno terceiro andar, dificultando a mobilidade de quem transita. E nós sabemos que esse descaso não é exclusividade de um Centro ou de uma Universidade. Esse exemplo mostra como estão, em boa parte, as instituições de ensino superior brasileiras, especialmente as mais antigas. Universidades Públicas deixadas a escanteio pelo Brasil inteiro.

Evidentemente, isso é efeito dos ataques incessantes ao orçamento das universidades na última década. Segundo o Centro de Estudos Sou Ciência, utilizando dados do Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento (SIOP), o orçamento das UFs em “Infraestrutura e Material Permanente” passaram de 1.7 bilhão em 2014 para 161 milhões em 2024, uma queda de mais de 90%. Isso significa que, após uma década de austeridade, Teto de Gastos e Novo Arcabouço Fiscal, o orçamento das Federais é — tal como o valor da força de trabalho de um trabalhador médio — o mínimo para continuar existindo e reproduzindo certa força de trabalho: enquanto se mantém as Instituições endividadas e caindo aos pedaços, as despesas com expansão, obras, reformas e novos equipamentos são quase inexistentes diante das demandas sempre crescentes pela educação superior pública.

Enquanto isso, o Governo atual, representando os interesses do agronegócio e da burguesia financeira injetou, respectivamente, no último plano safra, mais de 400 bilhões de reais em financiamento para os grandes Latifundiários do país, e cerca de 2 trilhões de reais no pagamento de Juros e Amortizações da Dívida Pública, o equivalente a aproximadamente 43% do Orçamento Federal Executado em 2024.

Diante de tamanho abismo, fica claro que o discurso em defesa do “equilíbrio das contas públicas” é mero artifício canalha para manter o orçamento nas mãos dos capitalistas. Por isso que se faz necessário, como mostrou o 60º congresso da UNE, o fortalecimento ainda maior de um movimento estudantil rebelde e consequente, capaz de fazer frente junto com os estudantes brasileiros ao imobilismo representados pelas correntes do PCdoB e PT dentro das entidades. Precisamos continuar as passagens em salas, as lutas reivindicatórias estudantil, exatamente por não ser mais possível estudar numa universidade com esse tipo de problema.

Segundo o último Censo da Educação Superior, realizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), 53% dos estudantes das Universidades Públicas desistiram no ano de 2023, enquanto apenas 44% concluíram sua graduação. Com base nesse cenário, a luta pelo Orçamento da Educação se torna uma luta contra o capital e a ótica da sociedade burguesa, que só visa precarizar para privatizar tudo, inclusive o ensino superior e as universidades públicas.

Por que o povo pobre deve se filiar ao partido Unidade Popular?

O Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), que em 25 anos garantiu moradia a 30 mil famílias e distribuiu milhares de cestas básicas, convoca seus militantes a se filiar à Unidade Popular (UP) para fortalecer a organização política e ampliar a luta por mudanças sociais.

Maristane Araújo | Unidade Popular (UP)


BRASIL – O Movimento de Lutas nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), desde sua fundação, em 1999, sempre organizou famílias pobres, periféricas e dos bairros populares para lutar por seus direitos. Nesses 25 anos de combatividade, realizou inúmeras mobilizações, tendo destaque na luta por habitação, que garantiu moradia para mais de 30 mil famílias, e a luta contra a fome e a carestia, que conquistou milhares de cestas básicas para as famílias organizadas.

Essas lutas educam nosso povo, mas não são suficientes para resolver a realidade que vive a classe trabalhadora em nosso país. As contradições são cada vez maiores, o povo pobre vive uma vida cada vez mais dura e sem perspectiva. O salário mínimo mal dá para viver. Todos os dias, mais pessoas ficam desempregadas. A fome é uma realidade diária para milhares de pessoas. E, para piorar, o preço dos alimentos está sempre aumentando.

O povo pobre da favela e dos bairros periféricos vive à margem de tudo: sem emprego, sem dignidade, sem futuro. A violência policial contra o povo negro é uma realidade cotidiana. As crianças dormem sem comer, e as ruas estão cheias de pessoas sem teto. Enquanto isso, a classe dominante, os bilionários, enchem os bolsos à custa do nosso suor e sofrimento. Só no Brasil, 60 pessoas controlam quase um trilhão de reais, enquanto a maioria mal consegue pagar as contas no fim do mês. Esse acúmulo só foi possível ser alcançado pela superexploração e miséria impostas à classe trabalhadora.

O que podemos fazer para mudar essa realidade?

Primeiro, precisamos entender que só a luta e a organização podem mudar a vida. E o MLB tem dado provas de que essa frase está correta. Organizados nas fileiras do movimento, conquistamos o direito de morar dignamente e aprendemos que a saída para combater a fome é a luta. Mas, para vivermos, de fato, melhor e felizes, é necessário destruir a sociedade capitalista, que é o causador de todo sofrimento que vivemos.

Segundo, para destruir esse sistema, precisamos de um partido que represente o povo, que esteja do lado da nossa gente e que saiba o que é viver nas periferias e nas ocupações. Que represente os nossos interesses e seja capaz de enfrentar os ricos, que organize todos os trabalhadores e eleve a consciência do nosso povo para também avançar a luta política e ideológica na sociedade. Que represente os nossos interesses e seja capaz de enfrentar os ricos e ter como objetivo final a construção de uma sociedade justa, a sociedade socialista.

Foi por isso que o MLB ajudou a construir a Unidade Popular (UP). A UP é um partido nascido do chão das ocupações urbanas, das periferias, e está do lado do povo pobre que sofre cotidianamente. É o partido que luta para combater o racismo, a violência contra a mulher, por uma educação de qualidade para todos e em todos os níveis, para tomar as fábricas das mãos dos ricos, para nacionalizar os bancos. Luta contra a escala 6×1 e contra o genocídio do povo palestino, pela reforma urbana e pelo socialismo. A Unidade Popular é o partido do MLB. A única opção para quem quer realmente mudar o Brasil. Por isso, todo o povo pobre, em especial as famílias do MLB, deve se filiar à UP.

Para que isso aconteça, é necessário fazer uma ampla campanha de filiação em todos núcleos, chamar a militância do movimento para se filiar. Apresentar o partido de forma simples e explicar por que é tão importante que os militantes do MLB ingressarem nas fileiras UP.

Não podemos mais esperar. Se queremos um futuro sem fome e sem violência precisamos dar um passo a mais para chegar nesse objetivo. Os militantes do MLB devem tomar partido e construir, junto com outros movimentos, a Unidade Popular, avançar a luta pelas transformações sociais e mudar o destino do povo pobre das ocupações, vilas e favelas do nosso país.

Matéria publicada na edição impressa  nº316 do jornal A Verdade

O PL da Devastação e o desmonte do licenciamento ambiental no Brasil

O Senado aprovou o Projeto de Lei 2.159/2021, conhecido como PL da devastação. A proposta prevê a simplificação das regras para empreendimentos obterem autorização de funcionamento, incluindo a possibilidade de autolicenciamento por meio digital.

Fernanda Cristina | Brasília (DF)


BRASIL – O licenciamento ambiental é um dos instrumentos da Política Nacional de Meio Ambiente (1981), e foi uma importante conquista da sociedade frente à sanha exploratória do capitalismo, que não vê limites para seu crescimento. Trata-se de um processo administrativo pelo qual o poder público concede uma licença para que um empreendimento possa funcionar. No entanto, apesar de sua importância, há tempos o licenciamento tem estado na mira da burguesia, que quer enriquecer a todo o custo e comanda a política em nosso país. Até que encontrou no Projeto de Lei 2.159/2021, o famigerado PL da devastação, os meios para alcançar o que eles chamam de “desburocratização” da obtenção de licenças, mas que para nós significa ter permissão para destruir o nosso já fragilizado meio ambiente.

A Política Nacional de Meio Ambiente e seus instrumentos foram uma conquista importante em plena ditadura militar, instituída em um momento em que o país já enfrentava o esgotamento do chamado “milagre” econômico, que teve como algumas das consequências o vasto desmatamento, impactos à biodiversidade e as obras que não trouxeram nenhum benefício para a sociedade. Um exemplo disso é a BR-319, que compôs a política de integração nacional do governo militar de Médici. A rodovia, que é palco de muita resistência dos povos indígenas no Norte do país, até hoje não foi concluída, e tem trechos ainda sem licença. E o que impede o licenciamento de correr a todo vapor? Essa mesma “burocracia” da qual os barões do agronegócio ou do setor da construção tanto reclamam. Eles dizem que isso “atrasa” o desenvolvimento do país, mas sabemos bem o que significa esse desenvolvimento. Nas palavras de Eduardo Braga (MDB-AM), senador já associado à corrupção, o “Ministério do Meio Ambiente tem uma visão ideológica que impede o desenvolvimento da Amazônia”. Mas ele omite que a pavimentação, alvo de debates nos últimos anos, levaria ao aumento do desmatamento e à grilagem. E quem se beneficia com isso? Certamente não somos nós, povo trabalhador.

Mas há esperança para quem se alimenta da nossa miséria e exploração. O desmonte do licenciamento a partir do PL da devastação trará consequências destruidoras, e isso não é papo de ambientalista. De fato, quem mais se prejudica com retrocessos nas políticas ambientais são trabalhadores e trabalhadoras, basta lembrar da tragédia do Rio Grande do Sul. Uma das mudanças trazidas pelo PL é o chamado licenciamento por adesão e compromisso, uma forma de autolicenciamento disfarçado, em que alguns empreendimentos poderão obter a licença automaticamente, bastando preencher um formulário na internet e declarar que cumprem os requisitos exigidos, sem análise prévia por parte dos órgãos ambientais.

Agora vamos refletir: você confiaria em um médico que validou seu próprio diploma? Quais são as chances de ele ter um diagnóstico errado do seu caso? Pois bem, teremos que confiar no “juramento” de boa conduta de quem os propõe. E sabe o agro? Aquele que não é nada pop e não garante o nosso sustento? Esse ganhará muito com o PL, que dispensará licenciamento de atividades de agricultura e pecuária consideradas de “baixo impacto”. E novamente nos perguntamos: O que definirá o impacto como baixo? Mesmo assim, o projeto de lei foi aprovado no Senado, seguindo o rito da falta de espaço para debate e escuta da sociedade brasileira. Essa é a regra no capitalismo: manda quem tem dinheiro. É a prova de que a acumulação é privada, mas o prejuízo é público.

A destruição do meio ambiente, que se aprofunda com projetos como esse, é reflexo do sistema capitalista. Não há sustentabilidade no atual modo de produção, apenas aprofundamento das crises, sejam elas sociais, econômicas ou ambientais. O falso dilema do desenvolvimento versus proteção do meio ambiente é uma das armas do sistema, que conquista corações afirmando, dentre outras mentiras, que leis e políticas ambientais só servem para barrar o nosso crescimento. Mas lembremos: o agronegócio, que foi beneficiado com a reforma do código florestal e que paga menos tributos do que deveria, segue sendo priorizado, e será ainda mais com o PL, enquanto 33 milhões de pessoas passam fome.

Conquistas como o licenciamento ambiental, fruto da luta e mobilização popular, estão e estarão sob a mira permanente de quem quer desenvolvimento para si, e não podemos permitir. Devemos seguir em mobilização para barrar a aprovação do PL pela câmara, assim como foram os atos realizados no último dia 1 de junho em todo o país. Nós da Unidade Popular estivemos presentes e reafirmamos que nossa resistência deve continuar nas ruas, dialogando com o povo e mostrando que essa é mais uma manobra para enriquecer um punhado de milionários do nosso país. Devemos construir novos grandiosos atos e provar que a organização e mobilização são nossa única saída para impedir o avanço da devastação do nosso meio ambiente.

Matéria publicada na edição impressa  nº316 do jornal A Verdade

A imprensa sob fogo: o custo da verdade

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Entre 2024 e 2025, mais de 130 jornalistas foram mortos em todo o mundo, a maioria em zonas de conflito, segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ).

Luis Augusto do Carmo | Gravatá – PE


INTERNACIONAL – Entre 2024 e 2025, a violência contra jornalistas ultrapassou limites alarmantes. Segundo o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), mais de 130 profissionais da mídia foram mortos nesse período, a maioria em zonas de conflito. Esse cenário, que transcende tragédias individuais, representa uma ameaça concreta à liberdade de expressão e ao direito à informação

A região mais letal para o exercício do jornalismo permanece sendo os territórios palestinos ocupados por Israel, onde dezenas de profissionais foram mortos apenas no último ano. Casos como o do fotojornalista Abdallah Ivad Breis, de 26 anos, morto em 8 de janeiro de 2024, na sua casa, em Khan Yunis, e do repórter e fotógrafo Ahmed Abu Al-Rous, de 29 anos, da agência Assulta Arrabaa (Quarto Poder), assassinado em 15 de janeiro de 2025 por um ataque de drone israelense, no campo de refugiados de Nuseirat, colocam rosto e nome nos dados frios das estatísticas.

Ahmed dirigia com seu irmão gêmeo e três amigos, quando o míssil os atingiu, dias antes da entrada em vigor de uma trégua entre Israel e Gaza. Seu pai declarou ao CPJ que “nenhum deles representava ameaça alguma”, reforçando o caráter brutal do ataque. Ahmed, mesmo abrigado em hospitais de campanha, seguia enviando fotos e reportagens para sua agência.

Outros nomes engrossam essa lista de mártires da verdade: Hossam Shabat, correspondente da Al Jazeera, morto em março de 2025; Hassan Aslih, fotojornalista da Alam24, morto em maio após ser atingido durante bombardeio enquanto estava internado; e Yahya Sobeih, que havia acabado de se tornar pai quando foi morto por um míssil em Gaza.

Fora do Oriente Médio, outros países também assistem à escalada da repressão violenta contra a imprensa. No México, o jornalista Roberto Carlos Figueroa foi sequestrado e encontrado morto dentro de seu carro, dias após anunciar que possuía provas de corrupção eleitoral. No Paquistão, Nisar Lehri foi morto a tiros na frente de sua casa, em um crime ainda sem conclusão definitiva sobre sua motivação.
A violência também atinge profissionais da mídia que atuam em funções administrativas, técnicas ou de apoio.

Em 16 de junho de 2025, a emissora estatal iraniana IRIB, em Teerã, foi atingida por um ataque aéreo israelense. A funcionária Masoumeh Azimi, que trabalhava no setor administrativo da emissora, foi gravemente ferida e morreu nas primeiras horas do dia seguinte. Outro funcionário, Nima Rajabpour, editor de notícias, com 50 anos de idade, também morreu após sofrer ferimentos no mesmo ataque.

O caso gerou forte repercussão internacional. As Forças de Defesa de Israel (IDF) alegaram que o prédio da emissora era usado como fachada para operações militares das Forças Armadas iranianas. Em declaração posterior, a justificativa se ampliou: a emissora seria, segundo Israel, uma “plataforma de propaganda anti-Israel” e parte da “campanha do regime iraniano para aniquilar o Estado de Israel”. A ação foi defendida pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que declarou: “Não é um canal de notícias. É uma ferramenta de um regime totalitário.”

A escalada de violência contra jornalistas representa uma grave ameaça à liberdade de imprensa e, por extensão, às democracias globais. Sem um fluxo livre de informações e sem a presença de vozes críticas e independentes, sociedades correm o risco de serem manipuladas por narrativas autoritárias. É crucial que a comunidade internacional tome medidas concretas: reforçar a segurança em zonas de conflito, exigir investigações rigorosas e responsabilizar os culpados. Proteger jornalistas é garantir que a verdade prevaleça.

Prefeitura de Campinas gasta milhões de reais com empresa de Israel

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O prefeito de Campinas Dario Saadi (Republicanos) já se provou o maior inimigo do serviço público da cidade. Como se não bastasse o sucateamento das escolas municipais, que tem enfrentado um intenso ataque de privatizações, a prefeitura tem gasto milhões do orçamento público na compra de materiais didáticos da empresa de Israel MindLab, diretamente ligada com o genocídio palestino.

Erick Padovan | MLC SP


BRASIL – As servidoras e servidores públicos da Prefeitura de Campinas, em especial da educação, receberam com assombro a notícia que a gestão Dário Saadi (Republicanos) e Wandão (PSB) gastaram aproximadamente R$ 15 milhões desde 2020 na compra de kits pedagógicos pela empresa MindLab.

Para além do valor exorbitante para a compra de materiais que não foram pedidos pela comunidade, o que revoltou as equipes escolares foi a ligação da empresa MindLab com o Estado de Israel. Ou seja, o dinheiro gasto nestes kits financia o genocídio palestino em curso, promovido pelo Estado de Israel.

Quem é a empresa MindLab?

MindLab é uma empresa fundada em Israel, em 1994, começando sua atuação no Brasil em 2007. Ela é uma empresa criada a partir de outra empresa em que normalmente a “empresa mãe” fornece capital para a criação da nova frente de exploração.

A empresa atua na área educacional e, segundo o site próprio, desenvolve “tecnologias educacionais inovadoras, focadas no desenvolvimento de habilidades e competências cognitivas, sociais, emocionais e éticas”. Atua no apoio a aplicação da polêmica BNCC em escolas públicas, realiza PPPs (Parcerias Público Privadas) com apoio de instituições que atuam na terceirização e privatização da educação brasileira como o BID (Banco

Interamericano de Desenvolvimento) e o Instituto Ayrton Senna.
Por meio da venda de produtos licenciados com tecnologia israelense, em especial para Prefeituras e Governos, a empresa chegou a lucrar em apenas um trimestre R$150.000.000 (de Julho a Dezembro de 2021). Isso significa que o lucro da MindLab provém diretamente do dinheiro público.

Na Prefeitura de Campinas foram encontrados quatro processos em Diário Oficial do Município de contratação da MINDLAB DO BRASIL COMÉRCIO DE LIVROS LTDA, de 2020 a 2023, sendo que agora em 2025 é que estes materiais estão previstos para chegar nas escolas:
2020: R$10.969.576,00
2022: R$1.593.360,00
2023(1º): R$1.716.000,00
2023(2º): R$611.780,00
Total= R$ 14.890.716,00

Em entrevista no dia 03 de Maio de 2025 à Revista Veja, o CEO Ivan C. Pereira planeja que para 2025 os lucros para a empresa somente com as PPPs, ou seja os investimentos em privatizações na educação, alcancem R$2 bilhões. Um verdadeiro desvio de dinheiro público para favorecer os grandes ricos do país e de Israel.

O que a Prefeitura de Campinas e a MINDLAB planejam para a educação em Campinas?

A educação em Campinas está abandonada. Com escolas sem reformas, falta de professores de apoio e de adjuntos, acidentes de trabalho aumentando, assédio moral e falta de um plano de cargos que de fato valorize os servidores da área. Ao mesmo tempo, a prefeitura investe pesado em compras de cursos e materiais que não foram discutidos  com os servidores ou com a população.

Tem aumento o projeto de terceirização e privatização nas escolas, por meio dos “Espaços do Amanhã” (antigas “Naves-Mãe”), que tiram os servidores das escolas públicas e entregam toda sua estrutura para OSCs (Organizações da Sociedade Civil). Estas OSCs estão normalmente vinculadas aos grupos políticos e religiosos que compõe o governo municipal, piorando o atendimento à população e impedindo o direito à educação da classe trabalhadora.

A ligação entre a Prefeitura e a MINDLAB coroa esse projeto de privatização da educação campineira, visto que os produtos comprados têm o objetivo de aprofundar a ideologia liberal na educação. São vendidas supostas melhorias por meio de “metodologias ativas”, “habilidades sócio emocionais”, “empreendedorismo”, buscando “melhores resultados” nas avaliações institucionais e gerando professores mais “felizes e engajados”.

Tudo isso nada mais é que tentar camuflar o verdadeiro problema da educação – o lucro acima da dignidade de professores e alunos. O que é visto na prática são reajustes salariais irrisórios para professores, escolas abandonadas, jovens sem esperança de futuro e a saída proposta pela gestão de direita da prefeitura é a destruição da educação.
Prefeitura quer sujar as mãos dos servidores municipais de sangue das mulheres e crianças palestinas

Conforme noticiado por A Verdade na edição de número 316 (Julho/25), o número de palestinos assassinados por Israel é de ao menos 55.000. Porém estudos indicam a possibilidade de mais de 377.000 palestinos mortos por Israel desde que o processo de colonização se tornou mais violento em 2023.

Ao mesmo tempo as manifestações populares em todo mundo contra esse genocídio televisionado cresceram exponencialmente, mostrando justamente que diversos Estados como o próprio Brasil financiam Israel e seu processo de limpeza étnica por meio de negócios entre os países. Por exemplo, o Brasil exporta petróleo, soja e aço para Israel e entre exportações e importações existe um fluxo de mais de R$2.000.000.000 entre os países, financiando a política fascista de Benjamin Netanyahu de morte dos palestinos.

Ou seja, a compra de kits educacionais por parte de uma empresa de origem israelense, como a MINDLAB, na prática, significa financiar esse genocídio. E pior, a Prefeitura de Campinas pretende envolver os trabalhadores nesse esquema.

Em comunicado enviado à Redação de A Verdade, a empresa afirma que “A Mind Lab não patrocina, colabora, financia, compactua nem mantém qualquer relação com atos de  enocídio, terrorismo ou violência, de qualquer natureza. Trata-se de afirmação totalmente inverídica, carente de qualquer base fática ou documental”.

Trabalhadores dizem não ao uso da tecnologia MINDLAB!

Recentemente após o anúncio nas reuniões pedagógicas do uso desses materiais israelenses, os servidores expressaram sua indignação e estão organizando nas escolas campanhas de boicote aos kits, que segundo a Prefeitura devem ser distribuídos aos alunos e usados nas escolas.

Em entrevista ao Jornal A Verdade o servidor Mateus* relata sua opinião sobre o tema: “Não é de agora que a prefeitura tem adquirido materiais questionáveis que ninguém solicitou e que ficam entulhados na escola que já tem pouco espaço, só pra transferir recursos públicos para empresário, mas dessa vez ficamos indignados principalmente por ser de uma empresa do estado genocida de Israel”.

O Movimento Luta de Classes chama os servidores de Campinas a dizer não ao uso de tecnologia israelense na educação, não utilizar e não distribuir os materiais que financiam uma das piores atrocidades da história da humanidade.

Relembramos os exemplos recentes dos trabalhadores de portos e aeroportos do mundo que se negaram a carregar suprimentos militares que seriam enviados para Israel, ou também as denúncias de trabalhadores de grandes empresas que financiam o genocídio e dizem que não querem ter parte nesse crime.

E aqui no Brasil não é diferente, os servidores devem se juntar aos trabalhadores da Petrobrás e da empresa Aço Villares que afirmam: não temos interesse em ver nosso trabalho alimentar um massacre contra o povo palestino.

Conheça o MLC e se junte aos núcleos de luta!

Prefeitura do Recife abre portas para privatização da Rua do Bom Jesus

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A Prefeitura do Recife iniciou processo para privatização: repassar a manutenção e a gestão da Rua do Bom Jesus, no bairro do Recife Antigo, à iniciativa privada.

Jesse Lisboa e Ludmila Outtes | Recife – PE


BRASIL – Seguindo à risca a cartilha privatista que avança sobre os serviços e espaços públicos em todo o país, a Prefeitura do Recife, sob a gestão de João Campos (PSB), anunciou mais um ataque ao patrimônio do povo recifense. Com o pretexto de “parceria” e “adoção”, a gestão municipal iniciou um processo para entregar o controle e a manutenção da histórica Rua do Bom Jesus, no coração do Recife Antigo, para a iniciativa privada.

A medida, cinicamente chamada de “Contrato de Adoção”, é um mecanismo de privatização disfarçada que busca transferir a responsabilidade da Prefeitura para o capital privado, abrindo um precedente para a apropriação de um dos mais importantes símbolos culturais e turísticos da cidade. Sob a desculpa da falta de recursos – um resultado direto do sucateamento programado dos serviços públicos –, a prefeitura oferece o espaço em troca de manutenção, permitindo que a empresa “adotante” explore sua marca em um local de imenso valor simbólico.

Para a secretária do Gabinete do Centro do Recife, Ana Paula Vilaça, a iniciativa não representa uma privatização. Ao transferir a gestão do patrimônio público para uma empresa, o poder público submete o interesse coletivo à lógica do lucro e do marketing corporativo. O que impede que a empresa selecionada passe a ditar as regras de uso do espaço, priorizando eventos de seu interesse em detrimento das manifestações culturais populares que tradicionalmente ocupam a rua?

Este projeto não é um caso isolado. Ele se insere no mesmo contexto do projeto privatista da governadora Raquel Lyra (PSD) para a Compesa, e da agenda de privatizações do governo federal, a exemplo da privatização do metrô. É o avanço do capital sobre os bens que pertencem ao povo, transformando direitos em mercadorias e espaços públicos em vitrines para grandes corporações.

O que está em jogo na Rua do Bom Jesus é a disputa pela cidade. De um lado, o poder público, que se exime de suas responsabilidades e atua como um mero facilitador para os interesses empresariais. Do outro, a classe trabalhadora e os movimentos populares, que veem seus espaços de convivência, cultura e memória serem entregues à ganância dos grandes ricos.

Movimentos culturais e populares do Recife já denunciam que a medida representa um passo em direção à higienização e elitização do Recife Antigo, expulsando os trabalhadores informais, os artistas de rua e a população mais pobre que vivem e constroem a identidade daquele lugar. A quem servirá uma Rua do Bom Jesus “revitalizada” por uma empresa privada? Aos turistas e às elites, ou ao povo que a construiu?

É fundamental que a classe trabalhadora e a sociedade civil se mobilizem para barrar mais este ataque. A luta contra a privatização da Rua do Bom Jesus é a luta pelo direito à cidade, por um espaço público que sirva aos interesses da maioria, e não ao lucro de uma minoria.

Um convite à leitura do livro ‘Sobre o Movimento Estudantil’

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Lançado clandestinamente em 1968, ‘Sobre o Movimento Estudantil’ faz uma análise da conjuntura política do Brasil, que vivia quatro anos da ditadura militar, e traçava os caminhos que a luta dos estudantes deveriam tomar em relação ao país naquela época, dentro de um processo de acirramento da luta de classes. 

Luiz Henrique | Recife (PE)


JUVENTUDE – Não é absurdo dizer que o livro “Sobre o movimento estudantil” deve exercer papel semelhante ao ‘Que fazer?’ de Lênin, no contexto histórico das lutas estudantis no Brasil. Publicado clandestinamente em 1968 pelo editorial “A Luta”, pelo Partido Comunista Revolucionário (PCR), contendo sua análise do movimento estudantil daquela época, seu caráter de classe e quais as principais tarefas e características, desse que é um dos seguimentos mais importantes dos movimentos sociais. A segunda edição, lançada em 2005, praticamente esgotada, precisava de uma atualização, especialmente próximo aos 30 anos da União da Juventude Rebelião (UJR) nesse ano de 2025.

Essa obra, semelhante ao brilhante livro do grande líder da Revolução Russa, Lênin, é também um ‘guia para a ação’ nesse espaço de luta tão importante que é o movimento estudantil. Os exemplos são muitos! A começar pelo papel designado ao movimento estudantil nos dias atuais: “desmascarar a ditadura do capital, a exploração e a opressão capitalista-imperialista e forjar quadros para a revolução socialista”. Para os estudantes que viveram numa ditadura aberta e formal, tal como foi a Ditadura militar fascista de 1964, o livro, produzido nesse contexto, responde igualmente bem ao problema da tarefa do movimento estudantil: “desgastar a ditadura, e formar quadros para a revolução”. Hoje, apesar de estarmos em outro contexto político, as observações dessa obra ainda trazem consigo enorme serventia.

Podemos afirmar que o texto vai além, ao discutir não só a importância das lutas reivindicatórias como o entendimento também da unidade dialética existente daquelas com as lutas políticas: “(…) nenhuma luta de massas é simplesmente reivindicatória ou simplesmente política. Expressando a dialética do complexo social, toda reivindicação (luta por restaurantes gratuitos) é, ao mesmo tempo, uma luta política (luta contra a política educacional do governo que objetiva privatizar o ensino, transformá-lo em fonte de lucros) e, inversamente, toda luta política (luta contra a política educacional do governo) é uma luta reivindicatória (luta por mais vagas, ensino gratuito, etc.).”.

Desse modo, entendemos que as lutas reivindicatórias são a base sobre a qual nascem as lutas estudantis, o desprezo a estas é uma das maneiras de levar ao isolamento o movimento de grande maioria dos estudantes, contribuindo para a decadência acelerada da educação no país, dado que os maiores interessados nela não estão fortes e organizados para responder aos incessantes levantes da burguesia contra os filhos da classe trabalhadora.

Por outro lado, achar que as lutas políticas são secundárias ou até prejudiciais ao movimento estudantil é puro reformismo: acreditar que é possível construir uma educação pública de qualidade sem luta política (disputa pelo orçamento das escolas e das universidades, combater um Estado que se nega a conceder os avanços concretos que exigem os estudantes e educadores) é ignorar a história brasileira e de todos aqueles que tentaram até hoje, no Brasil, país dependente e espoliado no sistema capitalista-imperialista, instituir uma educação de qualidade.

O movimento estudantil hoje

A União Nacional dos Estudantes (UNE), dirigida majoritariamente pela Juventude do PCdoB (UJS) há mais de 40 anos, e que, não só abandonou as reivindicações mais básicas dos estudantes, como também põem panos quentes todas as vezes que o atual Governo Federal despendem cortes aos recursos da educação pública, seja por intermédio de reduções orçamentárias ou de verbas para permanência e assistência estudantil, como vem ocorrendo intensamente desde 2024 quando entrou em vigência a violenta política de austeridade fiscal do Governo Lula 3, que conseguiu agradar até o golpista Michel Temer, autor da PEC da morte, que disse: “É um bom projeto, eu acho que  cortar gastos é uma coisa sempre útil. (…) O Haddad, nesse sentido, é uma agradável surpresa.” …

Além de nos alertar contra o reformismo e o voluntarismo aventureiro, nos orientar no dia a dia da luta sobre as diferentes formas de luta nesse espaço, “Sobre o movimento estudantil”, ao cristalizar um longo período de lutas do M.E. brasileiro (sob uma linha política acertada), sempre inseridas na totalidade das lutas populares, além de apontar como horizonte que só será possível uma educação realmente humanista, comprometida com a ciência e a resolução dos grandes problemas da humanidade, com a transformação radical dessa mesma sociedade. Ou seja, com a Revolução e a construção do Socialismo. É com esse espírito e disposição que a UJR vem construindo o movimento Correnteza, que nesse último congresso da UNE se consolidou como a maior força de oposição ao campo majoritário, justamente por seguir esses ensinamentos, e não fazer a luta de forma isolada, como que falando sozinho e distante dos estudantes.

Em um momento no qual a luta por Memória, Verdade e Justiça se aprofunda cada vez mais, “Sobre o M.E.” é um documento histórico valiosíssimo para todos aqueles que querem manter a Imortalidade de nossos Heróis que foram martirizados durante a Ditadura Militar Fascista e impedir, novamente, outra “anistia” para todos os golpistas do 8 de Janeiro, sejam burgueses, militares ou o genocida Jair Messias Bolsonaro. O movimento estudantil cumpre um papel importante na atual conjuntura em que vivemos, mas apenas com uma boa formação política e teórica, aprofundando os conhecimentos de nossa história é que poderemos ser exitosos nessa tão honrosa tarefa.

Às Portas de Moscou nos ajuda a combater o inimigo de classe diariamente

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Apesar de se tratar de um romance histórico, Às Portas de Moscou traz diversos ensinamentos que nos ajudam no dia a dia da militância. No capitalismo estamos em uma constante batalha ideológica contra o individualismo e contra o comodismo. Assim, a leitura desse livro me inspirou e me inspira a combater mais arduamente esse inimigo no dia a dia.

Cassiano Bezerra | Recife – PE


CARTA – Ao saber do lançamento de “Às Portas de Moscou”, fiquei intrigado para ler o livro. Não sou muito chegado na história das grandes guerras que aconteceram no século XX, mas entendo que elas cumpriram um papel importante para a forma como a sociedade se encontra hoje. Afinal, foram guerras estouradas pela disputa dos países imperialistas pelo território e pela riqueza dos países explorados. Mas o que mais me chamou atenção foi a descrição cotidiana de uma guerra, o dia a dia dos soldados e a disciplina.

Aleksandr Bek, autor dessa obra, nasceu em 21 de dezembro de 1902 em Saratov, na Rússia, filho de um médico imperial. Após a revolução russa de 1917, Bek se alistou no Exército Vermelho para defender a URSS da reação. Defendeu, durante toda a sua vida, a moral comunista para a formação das novas pessoas e edificação do socialismo, elementos tratados nas suas obras. Durante a 2ª Grande Guerra (ou Guerra Patriótica para os soviéticos), o autor atuou como correspondente de guerra. A heroica atuação do Exército Vermelho contra os nazistas o inspirou a escrever “Às Portas de Moscou” (no título original: A Estrada de Volokolamsk).

O livro é um relato-romance que mostra como Baurdjan Momych-Uli, um oficial do Cazaquistão (na época uma das Repúblicas Socialistas Soviéticas), que tem a missão de defender a cidade de Moscou da invasão nazista. Entretanto, o seu comando é formado por voluntários que nunca serviram no exército. O comandante precisa lidar com tarefas diárias de formar soldados, coesionar a tropa, discipliná-los e ensinar o poder do coletivo para o grupo.

Apesar de se tratar de um romance histórico, o livro mostra diversos ensinamentos que nos ajudam no dia a dia da militância. Não estamos em guerra aberta contra um inimigo como os nazistas, mas no capitalismo estamos em uma constante batalha ideológica contra o individualismo e contra o comodismo. O nosso inimigo de classe, a burguesia, está, através de todos meios (escola, comunicação, internet e livros), espalhando a ideologia dominante e garantindo a sua hegemonia. Assim, a leitura e o estudo individual de um militante comunista são muito importantes para combater esses inimigos e fortalecer nossa militância. Esse livro me inspirou e me inspira a combater mais arduamente esse inimigo.

A luta pela disciplina e contra o individualismo

Uma das lições da obra é o fortalecimento da disciplina e atenção a todos os detalhes. Em um dos capítulos, Momych-Uli mostra ao seu batalhão que é preciso disciplina para cumprir com o dever e para vivermos. Ele exemplifica ao mostrar que as imperfeições nas trincheiras construídas pelos soldados, pela falta de disciplina, poderiam levá-los à morte. Também é assim na nossa militância, quando perdemos o horário ou descumprimos uma proposta, perdemos a possibilidade de realizar mais debates ou fazer uma luta.

Também chama a atenção a luta contra o individualismo e pela prioridade que o coletivo tem. Durante a história, Momych-Uli faz o máximo para manter os soldados cuidando uns dos outros e vivendo coletivamente. Em uma passagem do livro, um soldado foge do combate com medo da desvantagem, abandonando os camaradas do destacamento, Momych-Uli o crítica e o expulsa, justificando que essa é uma atitude individualista, portanto, inaceitável, uma mostra de como é preciso praticar a crítica e autocrítica, combater a autossuficiência para construir um trabalho mais sólido.

Estudar e lutar!

O livro é uma representação das lutas que enfrentamos na nossa militância. Aleksandr Bek viu a batalha aberta contra o nazismo e pela derrubada global do capitalismo, mas também os inimigos ideológicos. Lutar contra esses inimigos é fundamental para nos formarmos como quadros da revolução e melhor servirmos ao partido e ao povo.

A leitura nos inspira diariamente a combater esses inimigos que atuam no nosso psicológico. Sempre estamos sendo disputados e é preciso uma resistência diária. Não faltar às reuniões, ter a leitura individual em dia, cumprir e acompanhar as propostas aprovadas em coletivo,

Como disse o general Panfilov em uma passagem: “De nada servirá um comando genial se a preparação do soldado é insuficiente”. Isso reforça a nossa formação comunista e revolucionária. Nos lembra cotidianamente da tarefa que temos diante de nós: derrubar o sistema que hoje é responsável pela falta de moradia, pelas guerras e genocídios e pela fome no Brasil e no mundo. Para isso, é preciso abnegação e senso de coletividade. A leitura é uma das formas de adquirirmos essas características, e Às Portas de Moscou é um lembrete de que a luta de classes existe em todos os terrenos. Sua leitura é imprescindível.